JESUS, O PALESTINO – Poema natalino por Fausto Wolff + Lembrança geopolítica por Berenice Bento

“Se o palestino mais conhecido do mundo, Jesus Cristo, fosse nascer hoje, teria uma grande chance de ter como manjedoura um posto militar israelense (checkpoint). Todos os anos dezenas de crianças palestinas nascem nestes postos horríveis, no chão, porque as mães não podem ir ao hospital. Algumas vezes a criança morre. Outras, a mãe.” – BERENICE BENTO

* * * *

POEMA NATALINO – DE FAUSTO WOLFF

**A Recriação do Homem**

É claro que gostávamos dele.
Era um homem pobre, humilde, ofendido, e maltratado
Como nós.
Era também corajoso e humano.
Muito humano, demasiado humano.
Ficava com raiva, se comovia e chorava.
Mas o livro não registra o seu riso.
Naquela época como hoje, não havia motivos para rir.
Há dois mil anos que gostamos dele
Porque fomos nós, os pobres, que o inventamos.
Não agüentávamos mais a tirania do pai,
Do pai aliado dos tiranos governantes,
Dono de uma religião contra a nossa independência;
Religião que nos mantinha de joelhos
Diante do algoz
Não queríamos uma religião
Que só servia de consolo
Para as impostas privações.
Não queríamos uma religião
Que aliviava a culpa dos poderosos.
Gostávamos dele porque era filho de uma bela adolescente virgem
E de um honesto carpinteiro de mãos calosas como as nossas.
Além disso,
Havia nascido numa manjedoura.
Contava fábulas lindas sobre uma vida melhor
Para todos nós.
Havia amor e comunismo entre nós que dividíamos
O pão, a lágrima, a esperança e o riso eventual.
Mas cedo os ricos descobriram as vantagens da nossa religião.
Prenderam nosso deus simples e humano
E o trancaram num palácio.
Cobriram-no de jóias
E o afastaram de nós.
Fizeram dele um sócio mercador.
Quando alguém da nossa tribo ousava reclamar,
O poder explicava:
“Se ele que é Deus foi crucificado,
Por que tu, mísero mortal,
Não queres sofrer aqui na terra
Quando sabes de antemão
Que terás toda a felicidade no céu?”
Protegidos pelas armas,
Como falavam bem nossos tiranos!
E nós continuamos a agradecer aos senhores que por mais de dois mil anos nos obrigam a conviver
Com a fome, o desemprego, a peste, a miséria,
A brutalidade, a humilhação e o salário mínimo.
Dizem que um dia ele voltará.
Por isso sonhamos com Baltazar, Melchior e Gaspar
Como eles eram naquela época,
Bem diversos do que são hoje e atendem pelo nome de lucro, ganância e poder .
Deixaram de ser reis para se transformarem em assistentes de Papai Noel.
E se essa história da Carochinha fosse verdade
(como é em nossos corações)
senhores donos das pompas do mundo?
Se no dia do juízo Final, nós, os pobres, formos mesmos os primeiros?
Haverá um inferno suficientemente quente para aqueles que há dois milênios nos maltratam?
É fácil reverenciá-lo agora que está morto, e pode ser adorado sem riscos.
Mas nós nos lembramos de como ele era antes;
Antes que o roubassem de nós.
Um dia nos revoltaremos ao lado dele.
Ou sem ele, e se for preciso, até mesmo contra ele!
Hoje a noite, quando vocês estiverem abrindo presentes,
Bebendo champanhe
Como bons fiéis,
Pensem bem antes de mandar o porteiro expulsar
Aquele crioulo sujo, desdentado, cheirando a álcool, medo, humilhação e mijo.
Pode ser o juiz supremo disfarçado,
Aquele por quem tanto esperamos
E por qual vocês tanto temiam.
Pode ser o aniversariante.

 

Lula é a prova viva de que não se pode encarcerar sonhos

Sinto e confesso que, diante de uma figura como Lula, sinto todo o peso de minha pequenez e insignificância. Pois Lula é um daqueles raros seres humanos que agigantou-se a ponto de transformar-se em figura histórica. Transcendeu as limitações da carne e ascendeu ao reino dos mitos. É hoje o que merece ser chamado pelo adorável clichê: uma lenda viva. 

Nesta ano de 2018, Lula evidenciou novamente sua imensa grandeza – que contrasta de modo gritante com a pequenez e a baixeza do presidente eleito Jair Bolsonaro, que é uma encarnação do que este país produziu de pior e de mais monstruoso em sua história. Vão acusar-me de maniqueísta e fanático ideológico, mas falo a partir de jorros afetivos do coração: estou plenamente convicto que Bolsonaro, que idolatra Ustra e Duque de Caxias, que defende a tortura e enaltece a ditadura, é de fato um monstro em comparação com este sábio que Lula tornou-se. 

As adversidades da vida ensinam muito mais que sucessos e glórias. E foi nas adversidades, desde o berço pernambucano até a migração para terras paulistas, que forjou-se este mito de carne-e-osso que atende por Lula e que, como a História do futuro dirá, merecerá estar inscrito na aventura do caminhar desta nação em posição equiparável a Tiradentes, a Lampião, a Antonio Conselheiro, a Prestes, a Marighella. Comparável, lá fora, a Mandela, a Gandhi, a Luther King. Sem deixar de ser absolutamente singular, idiossincrático, inimitável – um cara que poderia perfeitamente cantar “só eu sou eu” com toda a razão deste mundo. Não há personalidade pública que rebrilhe no Brasil da atualidade com tamanha singularidade. 

Só em dias extraordinários é oferecido a alguém a experiência de ver a cidade em que cresceu transformar-se no epicentro de um drama nacional e planetário. Foi o que ocorreu em Abril de 2018, quando a São Bernardo do Campo de minha infância e adolescência estava bombando em todas as mídias. Os olhos do mundo estavam focados no épico que se desenrolava no ABC paulista enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagia à iminência de seu encarceramento.

Nascido em 1984, eu não estava ainda entre os vivos quando explodiram, no fim dos anos 1970, aquelas colossais greves operárias que colocariam o governo ditatorial brasileiro em xeque. Acredito, porém, que as ressonâncias daqueles eventos me atingiram na infância, crescendo no ABC dos anos 1980 em meio aos antagonismos sociais violentos desta país que, desde que me entendo por gente, reconheço como uma tragédia de dimensões continentais. Um barril-de-pólvora em formato de país, onde a injustiça triunfa, a violência se alastra e “quem não presta fica vivo, quem é bom mandam matar” (para lembrar os versos de Cecília Meireles que Chico Buarque musicou).

No vídeo incrível da Mídia Ninja (assista a seguir), temos acesso a um condensado audiovisual de alto calibre com algumas das palavras históricas de Lula, em 07 de Abril de 2018, diante da multidão que estava diante do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, antes de ser encarcerado injustamente. Naquela ocasião, segundo Rosane Borges, professora da ECA-USP, “ouvimos um discurso fundador que se inscreveu irrevogavelmente na lápide da História”:


“Seja pela vocação que têm para suscitar outros / novos modos de existência, seja por instituírem novas configurações da política, seja por inventarem novas bússolas para a travessia de nossas vidas, alguns discursos se consagraram na História como prenúncio ou advento de um novo tempo, apesar dos perigos.

Num amplo arco, recordemos, entre tantas, algumas falas de repercussão sísmica, como o audacioso discurso ‘E eu não sou uma mulher?’, da estadunidense Sojourner Truth, ex-escravizada que demoliu a Women’s Rights Convention, em Ohio. Na ocasião, 1851, Truth questionou por que as mulheres brancas eram privilegiadas e as mulheres negras vistas como inferiores, intelectual e fisicamente, úteis somente para o trabalho braçal.

Menção obrigatória deve ser feita também ao discurso de posse de Nelson Mandela. No mesmo diapasão, está o discurso memorável de Martin Luther King (“Eu tenho um sonho”).

O celebrado “Saio da vida para entrar na História”, redigido na última linha da carta-testamento de Getúlio Vargas, é outro fragmento discursivo com desdobramentos importantes (…), escrito horas antes dele [Vargas] se matar, em 24 de agosto de 1954.

(…) Reafirmando que é dono do seu destino, Lula fez um discurso antológico em 7 de Abril de 2018. Um discurso indutor de esperanças várias, como um rio com múltiplos afluentes. Lula provocou estímulos inabarcavelmente amplos. (…) Quando Moro anuncia que ‘já era’ para Lula, eis o que o ex-presidente inverte, com seu pronunciamento, os elementos dessa equação, e anuncia que na verdade tudo só está começando. ‘A partir de agora minhas ideias vão se misturar com as ideias de vocês’.

Rosane Borges arremata: “Foram necessárias apenas 48 horas de nossas vidas – entre 5 e 7 de Abril de 2018, em São Bernardo do Campo/SP – para que testemunhássemos, em meio à politização do Judiciário, ao triunfo do Estado de exceção, um gesto de altíssima envergadura, vocalizado por um discurso emancipatório, o que fez desses 2 dias um marco temporal com potência para desbloquear o amanhã, interceptado que está pela política destruidora do presente que avança na velocidade da luz.” (BORGES, 2018, pg. 82 a 88)

Já a psicanalista Maria Rita Kehl pode dizer que testemunhou as duas prisões de Lula: enquanto repórter do jornal Movimento (de oposição à ditadura militar e ligado ao PC do B), ela conheceu o jovem líder operário Lula em 1978, quando o futuro presidente “foi o negociador entre operários e patrões na greve da Scania – a primeira greve operária desde o famigerado AI-5”.

Como rememora Kehl: “No ano seguinte, 1979, o movimento grevista se estendeu para um número grande de fábricas , em todo o ABC. No dia 1º de Maio de 1979, tive a sorte de ir, com amigos, à festa dos metalúrgicos. Ouvi Lula falar para 80 mil operários em greve, reunidos no estádio da Vila Euclides. Explicou, com clareza científica, as razões da greve. Não apostava na ‘condução das massas’ e sim na politização esclarecedora. O trabalhador que entende por que luta sabe o que reivindica e luta melhor…

Em agosto daquele ano, a lei da anistia permitiria a volta dos exilados e a liberdade dos presos políticos que ainda permaneciam encarcerados. Foi o começo do fim da ditadura. O movimento operário do ABC teve papel importante para que isso acontecesse.

Em 1980, Lula fundou o PT – Partido dos Trabalhadores, ao lado de outras lideranças operárias e um time de intelectuais progressistas de primeira linha: Antonio Candido, Sérgio Buarque de Holanda, Francisco de Oliveira, Marilena Chauí, Paulo Freire, Mário Pedrosa, Hélio Pellegrino, Lélia Abramo, Perseu Abramo. Intelectuais que não se pretendiam ‘condutores do povo’; ao contrário, apoiavam a criação de um partido que nascia de dentro da luta de classes.

Foi preciso esperar mais de 20 anos para que o país elegesse o melhor presidente de sua história.” (KEHL, pg. 39 e 40)

Neste ano de 1980 em que nasce o PT, ocorreu algo fenomenal no mês de Abril: no estádio municipal da Vila Euclides, em São Bernardo, uma “greve de metalúrgicos, dezenas de milhares de operários presentes à assembléia num campo de futebol”. Camilo Vanucchi relembra: “No alto, dois helicópteros riscavam o céu. Eram helicópteros do Exército. Nas portas, soldados empunhavam metralhadoras apontadas para a massa. Opressão contra resistência pacífica. Se um único disparo fosse feito, o que poderia acontecer? (…)

Um dos filhos de Lula, Marcos Cláudio, aos 9 anos de idade, voltou para casa impressionado e desenhou um daqueles helicópteros do Exército. A IstoÉ de Mino Carta publicou. Marisa contava com tristeza do impacto da prisão de Lula na vida de Marcos, o primogênito. Sofreu bullying na escola, duas décadas antes da popularização da palavra bullying: ‘Teu pai está preso porque é bandido. Se fosse honesto, não estava preso.’ Marcos ficou quase dois meses sem ir à escola e precisou repetir o ano.


38 anos depois, saquei o smartphone e registrei os helicópteros de 2018. Havia pouca diferença entre aquelas imagens tão distantes no tempo entre si. Do alto, a transmissão feita pela Globonews e reproduzida no Jornal Nacional nos atingia a todos com a mesma violência das metralhadoras apontadas para a multidão no estádio da Vila Euclides – hoje Estádio Primeiro de Maio, sede do São Bernardo Futebol Clube. A qualquer momento, as câmeras suspensas deflagariam tiros letais, como os tantos disparados contra nós ao longo de todos esses anos. Bastaria ajustar o calibre-diafragma, definir o gatilho-obturador, escolher a teleobjetiva mais adequada para os tiros de longo alcance. O bombardeio entraria ao vivo, em horário nobre. Sem silenciador.” (VANNUCHI, p. 65)

O bombardeio midiático antipetista preparou o terreno para a 2ª prisão de Luiz Inácio, 38 anos após ele ter ido parar no DOPS em 1980. O clima de fascismo se acirrou desde o processo contra Dilma Rousseff, que derrubou-a do poder em 2016, e o encarceramento de Lula era o telos de todo esse processo, a cereja do bolo golpista, a “consumação do golpe”. E assim foi.

O que o processo eleitoral nos ensinou através de sua amarga escola foi o nível bestial a que podem descer alguns de nossos condidadãos, ainda que se auto-intitulem “cidadãos-de-bem”: ao se entregar à polícia, Lula voou numa aeronave onde ouviram-se frases como “manda este lixo janela abaixo aí”. Um dito em consonância com a personalidade autoritária atroz de Bolsonaro, que quer condecorar com medalhas aqueles fardados que praticarem chacinas nas favelas ou nas manifestações populares, afinal não passam de marginais vermelhos e matáveis terroristas toda essa corja do PT, do MST, da UNE, do MTST…. 

Recusando o discurso do ódio, Lula falou ecoando Pablo Neruda, e Salvador Allende, e Che Guevara: “eles podem cortar todas as flores, mas não vão deter a primavera.” É preciso aprender com a primavera, que a cada mudança de estação vê-se despida e outonal, só para retornar plena e viçosa na próxima temporada. Aos juízes que agem como algozes e enforcam a Justiça em praça pública, ao presidente eleito com fraudes e calúnias e seu Ministério de Bandidos, à parcela da população que abraçou o fascismo e a intolerância, é preciso gritar em alto e bom som: ainda que vocês realmente façam como Bolsonaro pregou e deixem o Lula para “apodrecer na cadeia”, com o beneplácito do Batman dos Coxinhas (o Sr. Moro), cedo ou tarde descobrirão que os nossos sonhos não são encarceráveis. Se o inverno é de vocês, a primavera será nossa.

“Eu sou um construtor de sonhos. Eu há muito tempo atrás sonhei que era possível governar esse país envolvendo milhões e milhões de pessoas pobres na economia, envolvendo milhões de pessoas nas universidades, criando milhões e milhões de empregos nesse país. Eu sonhei que era possível um metalúrgico, sem diploma universitário, cuidar mais da educação que os diplomados e concursados que governaram esse país. Eu sonhei que era possível a gente diminuir a mortalidade infantil levando leite feijão e arroz para que as crianças pudessem comer todo dia. Eu sonhei que era possível pegar os estudantes da periferia e colocá-los nas melhores universidades desse país para que a gente não tenha juiz e procuradores só da elite. Daqui a pouco vamos ter juízes e procuradores nascidos na favela de Heliópolis, nascidos em Itaquera, nascidos na periferia. Nós vamos ter muita gente dos Sem Terra, do MTST, da CUT formados. 

Esse crime eu cometi.

Eu cometi esse crime e eles não querem que eu cometa mais. É por conta desse crime que já tem uns dez processos contra mim. E se for por esses crimes, de colocar pobre na universidade, negro na universidade, pobre comer carne, pobre comprar carro, pobre viajar de avião, pobre fazer sua pequena agricultura, ser microempreendedor, ter sua casa própria. Se esse é o crime que eu cometi eu quero dizer que vou continuar sendo criminoso nesse país porque vou fazer muito mais. Vou fazer muito mais.” – LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA. Leia a íntegra do Discurso de 7 de Abril de 2018.

SIGA VIAGEM:

 

BIBLIOGRAFIA
“LUIZ INÁCIO LUTA DA SILVA”, Ed. Contracorrente. São Paulo, 2018.

Por que os brasileiros elegeram um aspirante a ditador? – Por André Pagliarini em The New Republic

Ilustração por Alex Nabaum

Por que os brasileiros elegeram um aspirante a ditador?

Jair Bolsonaro venceu a presidência com a promessa de restabelecer o regime militar

Por André Pagliarini em The New Republic (13 de novembro de 2018)
Tradução: Raquel de Vasconcellos Cantarelli

Jair Bolsonaro não aprecia muito a democracia. O presidente recém-eleito menospreza a noção de direitos humanos como um “desserviço” ao Brasil. Ele lamenta o fato de que a polícia, uma das mais letais do mundo, não tenha o direito de matar com mais liberdade, prometendo-lhe carta branca em sua administração. Certa vez, propôs utilizar um helicóptero para jogar panfletos advertindo os traficantes a abandonarem as comunidades pobres, ou seriam indiscriminadamente baleados.

Bolsonaro é de longe a mais proeminente autoridade eleita a elogiar a rígida ditadura militar que governou o país de 1964 a 1985. Capitão reformado que serviu ao Exército de 1977 a 1988, foi um soldado sem notoriedade, cujas ambições políticas descomunais frequentemente exasperavam oficiais superiores. Em 1986, por exemplo, queixou-se à imprensa da falta de aumentos salariais e da escassez de perspectivas profissionais aos soldados da ativa.

Pouco depois, foi julgado pela Justiça Militar por incitação à desordem. (Foi acusado de conspirar para atirar bombas em um quartel militar e foi condenado, mas ganhou na apelação e as acusações contra ele acabaram sendo retiradas). Na época, fazia pouco tempo que os militares tinham restituído o governo ao controle civil. Mas Bolsonaro, ao contrário de muitos oficiais superiores, nunca aceitou a redução das funções militares na vida brasileira.

Em sua campanha presidencial, escolheu um general como vice-presidente e prometeu nomear outros militares para cargos-chave do governo. Ele pretende militarizar as fronteiras do Brasil e descreveu o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – uma organização que ocupa grandes propriedades improdutivas no campo para advogar pela reforma agrária e denunciar desigualdades rurais – como uma organização terrorista. Resumindo, promete reviver em espírito, se não necessariamente por lei, a força repressiva do regime militar.

O alinhamento de Bolsonaro com os militares segue uma clara lógica política. As Forças Armadas são as instituições públicas mais confiáveis do Brasil, tendo uma aceitação muito maior que o Congresso, considerado irremediavelmente corrupto pelos brasileiros, ou que o Judiciário, visto como um conluio isolado e mais interessado em resguardar seus próprios privilégios do que administrar justiça. (Juízes brasileiros estão entre os mais bem pagos do mundo).

Nos últimos anos, outros líderes da América Latina se beneficiaram de uma onda da direita. Maurício Macri, um conservador multimilionário, tornou-se o presidente da Argentina em 2015 e, em 2017, chilenos elegeram Sebastian Piñera, que trouxe para seu gabinete autoridades ligadas ao brutal regime de Augusto Pinochet. Contudo, Bolsonaro é um caso à parte por realizar algo que nenhum político havia tentado desde a restauração da democracia na região, há quase 30 anos: ganhou uma eleição nacional como ousado defensor da ditadura militar.

Bolsonaro serviu ao Exército numa época em que autoridades mais moderadas negociavam o retorno ao governo civil. Ainda havia, contudo, militares da linha-dura que acreditavam que restituir o poder à mesma classe política corrupta que havia sido, em grande parte, extirpada em 1964 seria um erro. Em outras palavras, desejavam continuar perseguindo os membros da esquerda. É quase certo que Bolsonaro pertencia a esse grupo.

Por três décadas no Congresso, lamentou-se frequentemente de que o regime não tivesse causado mais mortes, argumentando que matar 30.000 inimigos políticos na ditadura teria sido melhor do que as muitas centenas que de fato morreram. (“A ditadura errou ao torturar e não matar”, é uma expressão comum). Faz sentido que tal retórica militarista tenha favorecido Bolsonaro junto às Forças Armadas, mas não está claro por que convenceu o resto do Brasil. Apenas uma diminuta minoria clama por uma intervenção militar como a que culminou na ditadura de 1964. O que explica sua vitória?

Uma resposta simples seria a recessão. O Brasil está atolado em profundas dificuldades econômicas desde 2014. Para os brasileiros mais pobres, Bolsonaro prometeu mais empregos e a manutenção de benefícios do governo; para a classe média, o retorno ao status perdido enquanto o Partido dos Trabalhadores, de esquerda, esteve no poder; para os brasileiros mais ricos e investidores, a abertura do mercado, leis trabalhistas menos rigorosas e impostos mais baixos. É uma agenda atraente para aqueles que acreditam que a economia será restabelecida apenas se o governo ficar fora do caminho.

Bolsonaro também prometeu erradicar o crime, algo que até mesmo seus mais fervorosos oponentes consideram bem-vindo. Entretanto, poucos eleitores teriam levado a sério seus recursos violentos ou o considerado um candidato legítimo, não fosse a reabilitação gradual da ditadura na consciência pública. São 33 anos desde o fim do regime militar no Brasil. E enquanto memórias dolorosas daquele período recuam no tempo, a severidade do regime foi sendo suavizada. Isso com o auxílio de nova onda de políticos, economistas, movimentos, especialistas e intelectuais que visam contra-atacar o que entendem ser o controle total da esquerda sobre a política brasileira durante a última década e meia.

Resta-nos saber se o apelo nacionalista e militarista de Bolsonaro sobreviverá caso a economia brasileira demore a se recuperar. Entretanto, pode ser que isso não importe, pressupondo que Bolsonaro seja bem-sucedido em seu objetivo de fortalecer os poderes repressivos do Estado. O povo brasileiro tem voluntariado seu apoio a ele, mas pode não ter permissão para retirá-lo.

UM RÉQUIEM PARA AS PRIMEIRAS VÍTIMAS DO FASCISMO BRASILEIRO EM 2018

UM RÉQUIEM
Para Caco Gabrezini

Que tempos horripilantes! Por tudo que tem ocorrido de medonho na sociedade brasileira, sinto um medo visceral do porvir – e “não é só por mim, é por todos nós” (para citar uma linda canção do AveEva, alento artístico tão amável nesta era dos ódios sem trava: https://youtu.be/hSYoRdo-wgg).

Ontem, fiquei chocado, abalado e melancólico, descendo às funduras do desespero, ao saber do brutal assassinato do Caco Gabrezini, morto com uma facada no peito em Cascavel (PR) – veja a reportagem televisiva completa sobre esse homicídio, provavelmente motivado por homofobia assassina, em Globo Play:

https://globoplay.globo.com/v/7134692/

Há cerca de 1 ano atrás, conheci o Caco no Festival de Artes de Goiás, realização do IFG, que aconteceu em 2017 no câmpus Itumbiara. O Caco viajava acompanhando a trupe teatral circense Cirquinho Do Revirado, apresentando a peça “Júlia”. Adorável espetáculo, que filmei e entrou no documentário “Pô!Ética” (https://youtu.be/taIMgqYONUA).

Na viagem entre Itumbiara e Goiânia, eu e o Caco sentamos lado a lao no busão no IFG e conversamos quase sem parar por quase toda a viagem de mais de 2 horas. Quando nos despedimos na rodoviária, eu estava convencido de que havia conhecido uma das pessoas mais simpáticas, talentosas e cheias de luz que já cruzaram meu caminho.

Na noite anterior, enquanto eu circulava pelo festival de artes com minha câmera, praticando o documentarismo Ninja, eu tinha flagrado algumas cenas que fazem a alegria do documentarista: mesmo sob a chuva que despencava dos céus sobre Itumbiara, Caco tinha dançado lindamente durante o show do rapper cearense RAPadura Xique-Chico. Caco tinha arrasado com uma dança que manifestava toda uma fogosidade juvenil de um exuberante afrobrasileiro que parecia encarnar o mote de Nina Simone: “liberdade é não ter medo”.

Conheci o Caco e senti: eis uma pessoa livre. Uma pessoa no pleno exercício da liberdade de ser quem é. Caco tinha o dom da expressão corporal ousada e livre, e ao conversar longamente com ele senti que isso emanava de uma mente igualmente livre e solta. Ele me contou parte de sua trajetória de vida, seus estudos de artes cênicas, suas aulas e cursos na UNESC, suas obras e performances (algumas censuradas pelos caretas por quebrarem tabus), suas viagens e aventuras com o pessoal do Cirquinho do Revirado.

Eu disse tchau pro Caco Gabrezini prometendo que um dia nos veríamos outra vez, re-ataríamos a prosa. Tinha até prometido pra ele, na companhia da Morgana Poiesis, que íamos fazer no futuro uma edição do Confluências: Festival de Artes Integradas em que ele seria artista convidado – pra dançar, cantar, performar, falar poema, o que quisesse.

O Caco foi uma daquelas pessoas que adorei ter conhecido, que comunicava de maneira generosa e aberta toda a autenticidade do que era: um jovem artista cheio de uma vida transbordante e que era capaz de lindas ousadias expressivas – subversões e transgressões. E agora descubro, pela nota de falecimento publicada pela UNESC, que Caco já não respira. Que no silêncio da noite, algum psicopata lhe enfiou uma faca no coração e o deixou para sangrar até o último alento numa rua escura.

NOTA DE FALECIMENTO – UNESC: http://www.unesc.net/portal/blog/ver/685/43557…

Ele tinha 20 e poucos anos de idade quando perdeu a vida com essa estocada brutal de um punhal impune. Tinha a vida pela frente e iria criar muita Arte para esse Brasil tão ingrato. Isso ocorreu poucos dias após a eleição de Bolsonaro – e não acho que seja mera coincidência. Todos os demônios do racismo e da homofobia estão soltos com o empoderamento desta execrável figura que é Bolsonaro, o que louva torturadores, estupradores e ditadores.

É bem verdade que desconheço a motivação deste crime bárbaro e estou condenado à especulação em meio à insônia. Foi algum racista querendo livrar o mundo dos rebolados libertários demais daquele mulatinho assanhado? Algum homofóbico psicótico que queria varrer do mundo todos os veados na base da porrada (como recomenda seu Mito, seu führer)? Será que Caco foi vítima de crime passional, e não político, por causa de enroscos afetivos? Creio que nunca vou saber.

Só sei que os ecos dessa notícia triste fez emergir todo um oceano de memórias do passado. Isso ocorre quando acabo de voltar do Encontro de Culturas do IFG, um ano após conhecer Caco em Itumbiara. Essas lembranças, com toda uma riqueza de detalhes e toda uma carga afetiva emergem do esquecimento – trazidas à tona não pelo sabor de uma madeleine de Proust, mas pela facada no coração do Caco. Um facada que me fere também. Que assusta. Que revolta. E que faz temer. O fascismo é um terrorismo: espalha o terror pois quer amordaçar a dissidência e a discórdia. O totalitarismo quer a redução da polifonia social a um uníssono de ovelhas que repetem a pregação do pastor.

E Caco estava entre as ovelhas negras de Rita Lee. Caco era a liberdade indomável e a criatividade que escapa dos ditames de qualquer ditador.

O Brasil vai se tacando de cabeça no abismo e a gente vai tentando permanecer vivo, atento e forte (mas tem havido tempo, sim, para temer a morte). A crueldade, a perversidade, o sadismo, o deleite com a desgraça alheia, o gozo com o infortúnio do Outro (demonizado e perseguido), é algo que o Bolsonarismo desrecalcou e que vem incentivando na sua horda de seguidores fanatizados. A extrema-direita empoderada, nas instituições, já é por si um perigo assustador, mas na “sociedade civil” é que o problema tende a ganhar contornos de tragédia imensa: seja uma guerra civil incontrolável, seja os massacres e chacinas cometidos contra as “minorias que tem que se curvar” ou os ativistas que tem que ser “extirpados”.

Qualquer um de nós, que até poucos meses atrás estávamos razoavelmente seguros de que poderíamos seguir vivendo nossas vidas, estamos agora sob ameaça de andar na rua e tomar uma dose intragável de ofensa, linchamento, agressão, facada, tiro, tortura ou “desaparecimento” ao sermos rotulados como esquerdistas, petralhas, comunas, abortistas, maconheiros, gayzistas, defensores de vagabundos etc.

O Coiso ainda nem foi empossado no cargo supremo da República e o sangue derramado pelos atos violentos de seus seguidores já é estarrecedor, assim como as gangues de linchadores, nas ruas e nas redes. A barbárie é tanta que não me atinge apenas pela mediação de notícias de jornais sobre pessoas – como Moa do Katendê – que nunca conheci. O sangue de pessoas com quem já convivi, a quem abracei, já foi derramado nas sarjetas de um beco escuro onde uma vida preciosa foi brutalmente abreviada.

Devo dizer ainda, pra terminar, que tenho vivido com o afeto ascendente de uma vulnerabilidade que cresce: me sinto muito mais em perigo do que antes dessas eleições. Obviamente, por ter feito campanha pra Haddad e Manu, por ter manifestado todo o repúdio e discórdia em relação à candidatura fascista, por ter falado sobre Paulo Freire, Marx e Rosa Luxemburgo em sala de aula, por ter um projeto de pesquisa Contestasom sobre censura à arte na Ditadura Militar, venho sentido o peso do estigma que os Bolsominios pregam naqueles que constroem como “inimigos”.

Um exemplo é que A Casa de Vidro virou vidraça pra Bozominion estraçalhar. Não passa 1 hora de qualquer dia sem que algum Bozominion vá vomitar seu ódiozinho diário contra um blog independente que realiza seu trabalho jornalístico-cultural desde 2010. Não passa um dia sem que Bozominion xinge a Casa de Bosta de ser um antro de marginais vermelhos que merecem ser varridos do Brasil pra Cuba ou pra Venezuela.

Postei recentemente uma matéria do UOL falando sobre Jean Wyllys, que após o homicídio da Marielle Franco está (compreensivelmente) temendo por sua própria vida, só anda de carro blindado e rodeado por seguranças. Emblema do Brasil: os Bolsominions, no post, dão um show de desumanidade, exibem todo o horror do colapso da Empatia, naturalizam a perseguição política contra o deputado federal do PSOL que milita em prol dos direitos humanos e em defesa da população LGBT. Chegamos num momento histórico tão grotesco que Jean Wyllys não sabe se estará vivo amanhã.

Talvez ele se torne um dos primeiros exilados que vá buscar asilo político em outro país na ditadura neoliberal Bolsonarista que entre nós já se instala com a delicadeza de um rinoceronte na loja de louças.

Viver sempre foi perigoso, ensina João Guimarães Rosa. Agora é mais perigoso do que nunca. A extrema-direita empoderada não reconhece nosso direito à existência, à expressão, ao florescimento. Lutamos para resistir à tentação horrenda do retraimento, do silenciamento, da rendição ao medo.

Fico imaginando o que nos diria Caco se pudesse dizer uma última frase, ele que nunca mais poderá falar uma única sílaba, nem dançar uma única canção, nem atuar em nenhuma peça. E imagino que ele diria: não se rendam ao medo, não se isolem no individualismo, não se encarcerem dentro do privado, “é preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”. Ele diria, talvez, que sua morte terá sido em vão se nós permitirmos que o fascismo nos cale e que nossa indignação contra a enxurrada de retrocessos e injustiças nos encontre resignados ao pior, apáticos e servis diante da nova tirania.

Pensando na vida que não mais anima o corpo exuberante e criativo de Caco, fico pensando naquilo que poderia trazer algum alento e rabisco versos num caderno:

Se hoje o inverno é deles,
Amanhã a primavera é nossa!
Sob a neve enterraram as sementes,
Mas no degelo, todas flores desabrocham!

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Eduardo Carli de Moraes

04/11/2018

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OUTROS RÉQUIENS:

MOA DO KATENDÊ – UM DOCUMENTÁRIO DE CARLOS PRONZATO

MATÉRIA DA PIAUÍ SOBRE RAPAZ ASSASSINADO EM COMÍCIO EM PROL DE FERNANDO HADDAD NO CEARÁ

 

DOSSIÊ BOLSONARO – Mais de 200 artigos e reportagens da imprensa nacional e internacional que comprovam que o Coiso é um péssimo candidato, além de um ser humano lamentável

“O Brasil tem um enorme passado pela frente.” – Millôr Fernandes

“A cadela do fascismo está sempre no cio.” – Bertolt Brecht

Neste Domingo (28/10), temos a oportunidade de eleger um ser humano de inúmeras virtudes éticas e políticas: um excelente gestor público, que comprovou todo seu brilhantismo durante seus anos à cabeça do Ministério da Educação – MEC (em que nasceram, entre outros, o ProUni, o ENEM, centenas de novos IFs e UFs, na maior expansão dos câmpus universitários e escolas técnicas na história do Brasil) e que também foi premiadíssimo por seu governo da maior cidade da América Latina (São Paulo, de 2012 a 2016): o professor Fernando Haddad.

A sobrevivência do Estado Democrático de Direito, das liberdades civis, da Constituição de 1988, depende de empoderarmos a Coligação Povo Feliz de Novo, votando 13 em prol de um Brasil mais justo e solidário, com inclusão social e respeito pleno às diferenças e diversidades – que são nossa maior riqueza.

Do outro lado, está a extrema-direita ditatorial, em uma chapa chefiada por um psicopata e um milico, “profissionais da violência”, cuja campanha foi toda calcada em difamação, assassínio de reputação, mentiras pagas por empresários inescrupulosos através de caixa 2 (crime eleitoral, prática ilegal). Um projeto político de velhos homens, brancos, ricos e fardados, que prometem um derramamento de sangue gigantesco através da repressão política autoritária, atacando minorias e movimentos sociais com milícias e grupos de extermínio.

Bolsonaro representa a velha face horrenda da elite predatória que considera o povo como algo ser pisoteado pelo tirano em seu caminho rumo ao poder autocrático. Ditadura nunca mais! Bolsonaro é a barbárie total – e quem vota nele dá um tiro no próprio pé, merecendo um diploma de estúpido, pra sair relinchando da urna…

Chegou a hora do Brasil mostrar nas urnas que prefere a ética, a dignidade, a liberdade, a HumaniHaddad – e nunca a desumanidade e o sadismo nazistóide do Bolsonarismo.

#HaddadPresidente #ManuNoJaburu #LulaLivre

* * * *

Como um alerta para aqueles cidadãos, desinformados e bestializados pela manipulação e pelas mentiras da campanha do PSL, que ainda pretendem apoiar esta monstruosidade que é a chapa Bolsonaro / Mourão nas urnas, compartilhamos TONELADAS DE INFORMAÇÃO com indícios fortíssimos de que se trata de uma pessoa violenta, racista, misógina, intolerante, fanática, incapaz de lidar com as diferenças, avesso ao diálogo, partidário da censura e da tortura dos que dele discordam, que sempre foi um péssimo parlamentar, que em nada contribuiu com o povo brasileiro em 28 anos em que multiplicou sua grana (e de seus filhos), com uma biografia vergonhosa, destinada à lata de lixo da História.

Eis o lamentável ser humano que hoje faz pose de “salvador da pátria” (sendo um sórdido entreguista, que presta continência à bandeira dos EUA e deseja entregar aos Yankees a Amazônia, o pré-sal, o Aquífero Guarani e o mercado de armas e munições, além de bases militares na fronteira venezuela), eis o pseudo-messias que hoje deseja se fazer o tirano impiedoso de nosso povo:

DOSSIÊ BOLSONARO – Acesse: encurtador.com.br/jlqBC.

1. ATUAÇÃO POLÍTICA

2. CORRUPÇÃO

3. RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Bolsonaro chama refugiados de “escória do mundo”:https://exame.abril.com.br/brasil/bolsonaro-chama-refugiados-de-escoria-do-mundo/

Bolsonaro defende Hugo Chávez em entrevista de 1999: https://veja.abril.com.br/politica/bolsonaro-defende-hugo-chavez-em-entrevista-de-1999/

“Acusaram o PT de imitar a Venezuela, mas é Bolsonaro quem se espelha no processo de lá”:https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/08/politica/1539001055_896195.html

Bolsonaro diz que vai tirar Brasil da ONU se for eleito presidente: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/08/18/bolsonaro-diz-que-vai-tirar-brasil-da-onu-se-for-eleito-presidente.ghtml

Bolsonaro quer campo de refugiados em Roraima:https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,bolsonaro-quer-campo-de-refugiados-em-roraima,70002226010

“Não há base para parceria estratégica se Bolsonaro vencer”:
https://www.terra.com.br/noticias/brasil/nao-ha-base-para-parceria-estrategica-se-bolsonaro-vencer,df9930ce33e6fd15c6d395f8396276e648ra7ch6.html

Eurodeputados lançam manifesto contra Bolsonaro: ‘profundo repúdio’:
https://veja.abril.com.br/blog/radar/eurodeputados-lancam-manifesto-contra-bolsonaro-profundo-repudio/

A república popular da China não gostou desta viagem de Bolsonaro:
https://exame.abril.com.br/brasil/a-republica-popular-da-china-nao-gostou-desta-viagem-de-bolsonaro/

4. PROPOSTAS

Objetivo é fazer Brasil semelhante ao que ‘era 40, 50 anos’, diz Bolsonaro:
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/objetivo-e-fazer-brasil-como-era-a-40-50-anos-atras-diz-bolsonaro.shtml

Bolsonaro diz que quer dar “carta branca” para PM matar em serviço: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/12/14/bolsonaro-diz-que-quer-dar-carta-branca-para-pm-matar-em-servico.htm

Bolsonaro diz que quer Alexandre Frota ministro da Cultura em vídeo:
https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-diz-que-quer-alexandre-frota-ministro-da-cultura-em-video-22535166

Vice de Bolsonaro, Mourão critica 13º salário e fala em reforma trabalhista ‘séria’:
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/vice-de-bolsonaro-mourao-critica-13o-salario-e-fala-em-reforma-trabalhista-seria.shtml

Bolsonaro defende a extinção do Ministério da Cultura: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/03/29/bolsonaro-defende-a-extincao-do-ministerio-da-cultura.htm

Bolsonaro defende educação à distância desde o ensino fundamental: https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-defende-educacao-distancia-desde-ensino-fundamental-22957843

Bolsonaro diz que jovem brasileiro tem “tara” por formação superior:
https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/agencia-estado/2018/08/28/bolsonaro-diz-que-jovem-brasileiro-tem-tara-por-formacao-superior.htm

Jair Bolsonaro diz que, se eleito, pode privatizar Petrobras, uma das maiores empresas do Brasil, e entregar de vez a industria do petróleo na mão dos estrangeiros: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/08/bolsonaro-admite-possibilidade-de-privatizar-a-petrobras-apesar-de-se-dizer-pessoalmente-contra.shtml

Se você está preocupado com a crise, deveria se preocupar com o plano econômico de Jair Bolsonaro:
https://theintercept.com/2018/09/20/bolsonaro-economia/

General ligado a Bolsonaro fala em banir livros sem “a verdade” sobre 1964: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/09/28/general-ligado-a-bolsonaro-fala-em-banir-livros-sem-a-verdade-sobre-1964.htm

Ascensão de Bolsonaro valoriza as ações da indústria das armas: https://epocanegocios.globo.com/Mercado/noticia/2018/09/favoritismo-de-bolsonaro-valoriza-acoes-da-industria-das-armas.html

Bolsonaro diz que é favorável a tortura, guerra civil e fim do voto: https://www.youtube.com/watch?v=qIDyw9QKIvw

Exército recebe doação de 96 blindados dos Estados Unidos: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/10/10/exercito-recebe-doacao-de-96-blindados-dos-estados-unidos.htm

Porta-helicópteros comprado pela Marinha por R$ 350 milhões chega ao Rio no sábado:
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/08/22/porta-helicopteros-comprado-pela-marinha-por-r-350-milhoes-chega-ao-rio-no-sabado.htm

Marun declara voto em Bolsonaro por enxergar agenda semelhante à de Temer:
https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/15/marun-declara-voto-em-bolsonaro-por-enxergar-agenda-semelhante-a-de-temer.htm

5.ONDA DE VIOLÊNCIA 

Morte, ameaças e intimidação: o discurso de Bolsonaro inflama radicais: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/09/politica/1539112288_960840.html

Apoiadores de Bolsonaro realizaram pelo menos 50 ataques em todo o país: https://exame.abril.com.br/brasil/apoiadores-de-bolsonaro-realizaram-pelo-menos-50-ataques-em-todo-o-pais/

Mestre de capoeira é morto com 12 facadas após dizer que votou no PT, em Salvador:https://extra.globo.com/casos-de-policia/mestre-de-capoeira-morto-com-12-facadas-apos-dizer-que-votou-no-pt-em-salvador-23139302.html

Em vídeo registrado no metrô, grupo canta que “Bolsonaro vai matar veado”: https://vejasp.abril.com.br/cidades/matar-viado-bolsonaro-homofobicos-metro/
Mulher é agredida por usar camiseta com a expressão #EleNão:
https://guaiba.com.br/2018/10/10/mulher-de-19-anos-e-agredida-por-usar-camiseta-com-a-expressao-elenao/

Discurso de Jair Bolsonaro legitima violência nas ruas, dizem especialistas:
https://odia.ig.com.br/eleicoes/2018/10/5582852-discurso-de-jair-bolsonaro-legitima-violencia-nas-ruas-dizem-especialistas.html

Neonazistas são presos após agredirem homem em Niterói:
https://oglobo.globo.com/rio/neonazistas-sao-presos-apos-agredirem-homem-em-niteroi-8230598

Flávio Bolsonaro defende destruição de placa pró-Marielle: https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,flavio-bolsonaro-defende-destruicao-de-placa-pro-marielle-por-correligionarios,70002532531

Eleitores de Bolsonaro votam com armas e filmam urna eletrônica: https://veja.abril.com.br/blog/rio-grande-do-sul/eleitores-de-bolsonaro-votam-com-armas-e-filmam-urna-eletronica/

Mulher trans é atacada no Rio com barra de ferro por apoiadores de Bolsonaro:https://www.metro1.com.br/noticias/vida-alheia/62492,mulher-trans-e-atacada-no-rio-com-barra-de-ferro-por-apoiadores-de-bolsonaro.html

Servidora pública é espancada em PE após criticar Bolsonaro:
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/servidora-publica-e-espancada-em-pe-apos-criticar-bolsonaro.shtml

Teatro da Uerj amanhece pichado com inscrições racistas: https://oglobo.globo.com/rio/teatro-da-uerj-amanhece-pichado-com-inscricoes-racistas-leitor-fotografa-3067270

Instituições de ensino são pichadas com frases preconceituosas em todo Brasil:
https://jovempan.uol.com.br/eleicoes-2018/presidenciais/instituicoes-de-ensino-sao-pichadas-com-frases-preconceituosas-em-todo-brasil.html

Transexual é espancada por quatro homens na Baixada Fluminense: https://oglobo.globo.com/rio/transexual-espancada-por-quatro-homens-na-baixada-fluminense-23146703

MP investiga jogo em que Bolsonaro mata gays, negros e feministas:
https://tecnoblog.net/263376/mp-investigacao-bolsomito-2k18-bolsonaro-game-steam/

Bolsonaristas espancam servidora pública em Niterói
https://br.noticias.yahoo.com/bolsonaristas-espancam-servidora-publica-em-pe-185452964.html

Polícia de SP vê aumento de movimentação neonazista e identifica grupos:
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-38603560

Após matar homossexual, suspeito teria gritado ‘viva Bolsonaro’: https://www.noticiasaominuto.com.br/justica/662434/apos-matar-homossexual-suspeito-teria-gritado-viva-bolsonaro

Médica do RN rasga receita após paciente idoso dizer que votou em Haddad para presidente:https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2018/10/09/medica-do-rn-rasga-receita-apos-paciente-idoso-dizer-que-votou-em-haddad-para-presidente.ghtml

Suástica é pichada em muro do Clube Israelita Brasileiro, no Rio: https://oglobo.globo.com/rio/suastica-pichada-em-muro-do-clube-israelita-brasileiro-no-rio-21462726

Bandeira inspirada no nazismo é exibida em manifestação pró-Bolsonaro:
https://congressoemfoco.uol.com.br/eleicoes/bandeira-inspirada-no-nazismo-e-exibida-em-manifestacao-pro-bolsonaro/

Menino leva arma para escola, dispara sem querer e fica ferido em Mato Grosso do Sul:
https://oglobo.globo.com/brasil/menino-leva-arma-para-escola-dispara-sem-querer-fica-ferido-em-mato-grosso-do-sul-23164828

Portas de alojamentos estudantis da USP amanhecem pichadas com suástica:
https://jovempan.uol.com.br/noticias/brasil/portas-de-alojamentos-estudantis-da-usp-amanhecem-pichadas-com-suastica.html

* * * * *

6. POLÍTICAS PARA O MEIO AMBIENTE

Bolsonaro é uma ameaça ao planeta:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/17/opinion/1539799897_917536.html

Em Manaus, Bolsonaro questiona se Brasil tem soberania sobre Amazônia e compara terras indígenas a zoológico: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/12/1943457-bolsonaro-questiona-soberania-sobre-a-amazonia-e-compara-terras-indigenas-a-zoologico.shtml

Bolsonaro defende o fim do Ministério do Meio Ambiente: https://www.oeco.org.br/reportagens/bolsonaro-defende-o-fim-do-ministerio-do-meio-ambiente/

‘Se eu assumir, índio não terá mais 1cm de terra’, diz Bolsonaro: https://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/se-eu-assumir-índio-não-terá-mais-1cm-de-terra-diz-bolsonaro/ar-BBIUfo2

Em Roraima, Bolsonaro defende exploração de terras indígenas:
https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,em-roraima-bolsonaro-defende-exploracao-economica-de-terras-indigenas,70002266170

Bolsonaro diz que sua candidatura é “imbroxável” e que “a Amazônia não é nossa”:https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/18/politica/1526612140_988427.html

Bolsonaro diz que Brasil tem áreas de proteção ambiental em excesso e defende mudanças na legislação para exploração econômica da Amazônia: https://www.facebook.com/simone.ceccon/videos/2379110435437594/

As ameaças sombrias de Bolsonaro para o meio ambiente
http://pagina22.com.br/2018/10/09/as-ameacas-sombrias-de-bolsonaro-para-o-meio-ambiente/

“Esporte saudável”: Bolsonaro defende liberação de caça no Brasil
https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/esporte-saudavel-bolsonaro-defende-liberacao-de-caca-no-brasil-131280/

Bolsonaro teme ficar inelegível se condenado por pesca ilegal: https://oglobo.globo.com/rio/bolsonaro-teme-ficar-inelegivel-se-condenado-por-pesca-ilegal-8416854

‘No meu tempo, não tinha MP e Ibama para encher o saco’, diz general: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/agencia-estado/2018/10/11/no-meu-tempo-nao-tinha-mp-e-ibama-para-encher-o-saco-diz-general.htm

Conselheiro de Bolsonaro compara Acordo de Paris a papel higiênico:
https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,conselheiro-de-bolsonaro-compara-acordo-de-paris-a-papel-higienico,70002553637

7. FAKE NEWS 

Análise: “Nova direita” se alimenta de informações falsas: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/07/analise-campanha-de-bolsonaro-se-alimenta-de-fake-news.htm

Exclusivo: investigação revela exército de perfis falsos usados para influenciar eleições no Brasil:
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-42172146

Bolsonaro mentiu ao falar de livro de educação sexual no ‘Jornal Nacional’: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/29/politica/1535564207_054097.html

MEC desmente Bolsonaro após fala sobre ‘Kit Gay’ no Jornal Nacional: https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/mec-desmente-bolsonaro-após-fala-sobre-kit-gay-no-jornal-nacional/ar-BBMAT7n

Ministro do TSE determina exclusão de publicações com expressão ‘kit gay’ usadas por Bolsonaro:https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/ministro-do-tse-determina-exclusao-de-publicacoes-com-expressao-kit-gay-usadas-por-bolsonaro.shtml

Bolsonaro mente ao dizer que Haddad criou ‘kit gay’: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/12/politica/1539356381_052616.html

Bolsonaro recusa pacto contra fake news e chama Haddad de ‘canalha’:
https://www.valor.com.br/politica/5912135/bolsonaro-recusa-pacto-contra-fake-news-e-chama-haddad-de-canalha

Dono de sites criticados por ‘fake news’ recebe dinheiro de deputado: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/05/26/dono-de-sites-criticados-por-fake-news-recebe-dinheiro-de-deputado.htm

‘Estamos indo para o Brasil’, diz diretor da Cambridge Analytica:
https://oglobo.globo.com/mundo/estamos-indo-para-brasil-diz-diretor-da-cambridge-analytica-22510961

Ministro manda Facebook derrubar 33 ‘fake news’ sobre Manuela do ar:
https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/ministro-manda-facebook-derrubar-33-fake-news-sobre-manuela-do-ar/

Guru da ultra-direita mundial e ex-assessor de Trump atua na campanha das redes sociais de Bolsonaro: https://www.revistaforum.com.br/guru-da-ultra-direita-mundial-e-ex-assessor-de-trump-atua-na-campanha-das-redes-sociais-de-bolsonaro/

WhatsApp, um fator de distorção que espalha mentiras e atordoa até o TSE:https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/07/politica/1538877922_089599.html

Bolsonaro admite não ir a debates com Haddad por ‘estratégia’: https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,bolsonaro-admite-nao-ir-a-debates-com-haddad-por-estrategia,70002544163

É #FAKE cartaz atribuído a Haddad que diz que projeto de lei torna a pedofilia um ato legal:https://oglobo.globo.com/fato-ou-fake/e-fake-cartaz-atribuido-haddad-que-diz-que-projeto-de-lei-torna-pedofilia-um-ato-legal-23154593

É #FAKE post com Manuela D’Ávila dizendo que é mais popular que Jesus e que o cristianismo vai desaparecer: https://g1.globo.com/fato-ou-fake/noticia/2018/10/05/e-fake-post-com-manuela-davila-dizendo-que-e-mais-popular-que-jesus-e-que-o-cristianismo-vai-desaparecer.ghtml

Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp:
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/empresarios-bancam-campanha-contra-o-pt-pelo-whatsapp.shtml

Afirmação de que Haddad apoia lei para igrejas casarem homossexuais é falsa: https://noticias.uol.com.br/comprova/ultimas-noticias/2018/09/28/afirmacao-de-que-haddad-quer-forcar-igrejas-a-casar-homossexuais-e-falsa.htm

 

  1. MACHISMO, RACISMO E HOMOFOBIA

8.1 MACHISMO

Bolsonaro diz que não pagaria a mulheres o mesmo salário dos homens: https://www.youtube.com/watch?v=IEFzhEQtnSE

Bolsonaro defendeu redução da licença maternidade: https://veja.abril.com.br/politica/bolsonaro-defendeu-reducao-da-licenca-maternidade/

Projeto de Bolsonaro desobriga SUS de atender vítima de estupro:  https://www.metropoles.com/brasil/politica-br/projeto-de-bolsonaro-desobriga-sus-de-atender-vitima-de-estupro 

“Não estupro porque você não merece, sua vagabunda”, diz Bolsonaro a Maria do Rosário: https://www.youtube.com/watch?v=LD8-b4wvIjc

Em vídeo de palestra, Bolsonaro diz que ter filha foi ‘fraquejada’: https://blogs.oglobo.globo.com/blog-do-moreno/post/em-video-de-palestra-bolsonaro-diz-que-ter-filha-foi-fraquejada.html

Bolsonaro vira réu por incitação ao estupro e injúria: https://esporte.band.uol.com.br/jogoaberto/videos/15903671/bolsonaro-vira-reu-por-incitacao-ao-estupro-e-injuria.html 

Filho de Bolsonaro propõe esterilização forçada de mulheres pobres que receberem o Bolsa Família: https://blogdacidadania.com.br/2018/01/filho-de-bolsonaro-propoe-esterilizacao-forcada-de-mulheres-pobres/

 

8.2  RACISMO

Hamilton Mourão cita “branqueamento da raça” ao dizer que neto é bonito: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/meu-neto-e-um-cara-bonito-branqueamento-da-raca-diz-general-mourao.shtml 

Justiça condena Bolsonaro por ‘humilhantes ofensas’ a negros e quilombolas: https://www.huffpostbrasil.com/2017/10/03/justica-condena-bolsonaro-por-humilhantes-ofensas-a-negros-e-quilombolas_a_23231143/ 

Bolsonaro: “Quilombola não serve nem para procriar”: https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/bolsonaro-quilombola-nao-serve-nem-para-procriar/ 

Vice de Bolsonaro relaciona negros à malandragem e indígenas à indolência: https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2018-08-07/vice-bolsonaro-declaracao-racista.html

‘Política não é piada’, afirma juíza ao condenar Bolsonaro por frases racistas: https://oglobo.globo.com/brasil/politica-nao-piada-afirma-juiza-ao-condenar-bolsonaro-por-frases-racistas-21902171 

‘Ele soa como nós’: ex-líder da Ku Klux Klan elogia Bolsonaro, mas critica proximidade com Israel: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45874344

 

8.3 HOMOFOBIA

Bolsonaro: “prefiro filho morto em acidente a um homossexual”: https://www.terra.com.br/noticias/brasil/bolsonaro-prefiro-filho-morto-em-acidente-a-um-homossexual,cf89cc00a90ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

Jair Bolsonaro ataca gays em entrevista para documentário inglês: ‘Nós, brasileiros, não gostamos dos homossexuais’: https://extra.globo.com/noticias/mundo/jair-bolsonaro-ataca-gays-em-entrevista-para-documentario-ingles-nos-brasileiros-nao-gostamos-dos-homossexuais-10487491.html 

“Vizinho gay desvaloriza o imóvel”: https://goo.gl/KAKDNd 

‘Sou homofóbico, sim, com muito orgulho’, diz Bolsonaro em vídeo: https://catracalivre.com.br/cidadania/sou-homofobico-sim-com-muito-orgulho-diz-bolsonaro-em-video/ 

Bolsonaro é condenado a pagar R$ 150 mil por declarações contra gays: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/11/1934062-bolsonaro-e-condenado-a-pagar-r-150-mil-por-declaracoes-contra-gays.shtml 

Bolsonaro debocha de lei contra homofobia e diz que não contrataria um gay para ser seu motorista: https://www.youtube.com/watch?v=TcOpf2d9mNM 

Bolsonaro diz que sangue de gays é inferior ao de héteros: https://www.youtube.com/watch?v=Z1oGuNkGV2g 

Faculdade tem mensagens homofóbicas, em apoio à tortura e elogios a Ustra e Bolsonaro: https://odia.ig.com.br/brasil/2018/09/5578312-faculdade-tem-mensagens-homofobicas-em-apoio-a-tortura-e-elogios-a-ustra-e-bolsonaro.html

“Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater.”: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1905200210.htm

“Os gays não são semideuses. A maioria é fruto do consumo de drogas”: https://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/14/politica/1392402426_093148.html

“Ter filho gay é falta de porrada”: https://www.youtube.com/watch?v=64G85tm_GyE 

Gays querem se transformar em super-raça, diz filho de Bolsonaro: https://noticias.r7.com/brasil/gays-querem-se-transformar-em-super-raca-diz-filho-de-bolsonaro-06112014 

“Agora gostar de homossexual ninguém gosta, a gente suporta.”: https://www.youtube.com/watch?v=YeOGz8oJiUc

 

8.4 MINORIAS

Bolsonaro ameaça terminar com ‘todos os ativismos’: https://theintercept.com/2018/10/09/bolsonaro-ameaca-ativismos/

Bolsonaro e filho votaram contra lei que protege pessoas com deficiência: https://www.revistaforum.com.br/bolsonaro-e-filho-e-votaram-contra-lei-que-protege-pessoas-com-deficiencia/ 

Bolsonaro diz que não entraria em avião pilotado por cotista: https://www.youtube.com/watch?v=pAhUCLAqsxM 

Bolsonaro diz que minoria deve se calar e se curvar diante a maioria: https://www.youtube.com/watch?v=WUBe-tkPqaY 

Com ideia de ‘holofraude’, apoiador de Bolsonaro faz nazismo virar piada: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/10/com-ideia-de-holofraude-apoiador-de-bolsonaro-faz-nazismo-virar-piada.shtml

 

  1. “CIDADÃO DE BEM”

Defensor da ditadura, Jair Bolsonaro reforça frase polêmica: “o erro foi torturar e não matar”: http://jovempanfm.uol.com.br/panico/defensor-da-ditadura-jair-bolsonaro-reforca-frase-polemica-o-erro-foi-torturar-e-nao-matar.html 

Bolsonaro declara apoio à ditadura de 1964 e elogia Hitler como um grande estrategista: https://www.youtube.com/watch?v=ZBo-Vh5YARU 

Bolsonaro foi condenado pela unanimidade do conselho com um libelo duro em que se registra “desvio grave de personalidade e uma deformação profissional”, “falta de coragem moral para sair do Exército” e “ter mentido ao longo de todo o processo”: https://istoe.com.br/o-julgamento-que-tirou-bolsonaro-do-anonimato/ 

Livro reúne histórias de crianças presas, torturadas ou exiladas durante a ditadura no Brasil: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/livro-reune-historias-de-criancas-presas-torturadas-ou-exiladas-durante-ditadura-no-brasil-14496104 

Bolsonaro diz ser a favor da pena de morte e que governo não precisa contratar ninguém para matar pois ele faz o trabalho de graça: https://www.youtube.com/watch?v=xW_3PW5QxJ8 

Bolsonaro diz que Estatuto da Criança e do Adolescente deve ser ‘rasgado e jogado na latrina’: https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-diz-que-eca-deve-ser-rasgado-jogado-na-latrina-23006248 

Bolsonaro diz que filhos atiram com armas de fogo desde os 5 anos e que os pais devem ensinar os filhos a usar armas desde pequenos: https://www.youtube.com/watch?v=lY7M-4dDb24

Bolsonaro diz já ter feito sexo com galinha e que bateu em mulher aos 12 anos: https://www.youtube.com/watch?v=6EIn0EO7NBQ 

Bolsonaro ameaça quem divulgar fotos suas com coronel pedófilo, e imagem se torna viral: https://extra.globo.com/noticias/rio/bolsonaro-ameaca-quem-divulgar-fotos-suas-com-coronel-imagem-se-torna-viral-20115040.html 

Homenagem feita por Bolsonaro durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff para o coronel Brilhante Ustra, torturador e assassino da ditadura: https://globoplay.globo.com/v/4978620/ 

Bolsonaro diz que não abriria arquivos da ditadura: “deve ficar no passado”: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/07/30/bolsonaro-diz-que-nao-abrira-arquivos-da-ditadura-deve-ficar-no-passado.htm

Bolsonaro, um nostálgico da ditadura que sonha com a presidência: https://istoe.com.br/bolsonaro-um-nostalgico-da-ditadura-que-sonha-com-a-presidencia/ 

Conheça o coronel Ustra, homenageado por Bolsonaro e chefe do temido DOI-Codi: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/conheca-o-coronel-ustra-homenageado-por-bolsonaro-e-chefe-do-temido-doi-codi-8sed82y14k1b2hnuu1yxk5pnb/

Vice maçom e Bolsonaro compartilham antipetismo e admiração por Brilhante Ustra: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/vice-macom-e-bolsonaro-compartilham-antipetismo-e-admiracao-por-brilhante-ustra.shtml 

Nos anos 90, Bolsonaro defendeu novo golpe militar e guerra: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/06/nos-anos-90-bolsonaro-defendeu-novo-golpe-militar-e-guerra.shtml 

Bolsonaro encoraja pais a ensinarem crianças a atirar: https://www.valor.com.br/politica/5766091/bolsonaro-encoraja-pais-ensinarem-criancas-atirar 

Um retrato do torturador comandante Brilhante Ustra, segundo as suas vítimas: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/20/politica/1461180363_636737.html

Carlos Bolsonaro será denunciado por apologia à tortura na Câmara do Rio: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/26/politica/1537997982_557864.html

  1. O QUE O MUNDO ESTÁ FALANDO SOBRE AS ELEIÇÕES DO BRASIL

Abaixo, manchetes dos PRINCIPAIS JORNAIS DO MUNDO.

ALEMANHA 

 Zeit – Um Fascista Se Apresentando Como Homem Honesto: https://bit.ly/2y7Gskf

 Der Spiegel – Jair Bolsonaro: ascensão de um populista de direita: https://bit.ly/2OzW22k 

Frankfurter Allgemeine – Alerta vermelho para democracia:  https://bit.ly/2Qr2YMC

Sueddeutsche – O demagogo do deserto é de repente uma nova estrela política no Brasil: https://bit.ly/2DOTU2E

 Deutsche Welle – Analistas alemães veem democracia no Brasil em risco: https://bit.ly/2IuN7Km

Handelsblatt – O fascista popular. Até agora, os políticos brasileiros são considerados corruptos e ineficientes, mas ideologicamente flexíveis e educados. Isso mudou com Jair Bolsonaro – o populista poderia até se tornar presidente. Uma história mundial. https://bit.ly/2Iy10aB 

ARGENTINA

La Nacion

Linha dura e Messianismo: Bolsonaro, o candidato mais temido, se lança para a presidência.

https://bit.ly/2ya60NR

El Clarín

Jair Bolsonaro: militarista, xenófobo e favorito para a eleição brasileira

https://clar.in/2y7zImH

 

ÁFRICA DO SUL

The Star

Mulheres brasileiras marcham contra ‘formas misóginas’

https://bit.ly/2NiZnOO

 

ÁUSTRIA 

Die Presse

Ex-Presidente Detido e o Trump Tropical

https://bit.ly/2NiHgIG

 

AUSTRÁLIA 

News.Au

Seria este é o político mais repulsivo do mundo?

Pensando que Donald Trump é ruim? Conheça o possível presidente brasileiro cujas crenças repulsivas chocaram o mundo.

https://bit.ly/2IwRrIO

 

The Australian

Conheça o Candidato que é um risco a democracia

https://bit.ly/2xVQdCN

 

The Sydney Sunday Herald

Por que alguns no Brasil estão se virando para um explosivo candidato de extrema-direita para o presidente?

https://bit.ly/2E09LvA

 

CHILE

El Mercurio

“Bolsonaro assusta com soluções simplistas e autoritárias”

https://bit.ly/2OuWDSV

La Tercera

“Bolsonaro conseguiu captar o sentimento de revolta no Brasil”

https://bit.ly/2xU0sYj

 

ESPANHA 

El País

Bolsonaro é um Pinochet institutional para o Brasil

https://bit.ly/2DA

 

El Mundo

Lider Polemico. Bolsonaro: o candidato racista, homofóbico e machista do brasil.

https://bit.ly/2xYOzj4

 

La Vanguardia

Bolsonaro: o Candidato Ultradireitista que canalizou a insatisfacao no Brasil

https://bit.ly/2Iy2UIh

 

El Confidencial

Jair Bolsonaro: o “Le Pen tropical” que pode ser o próximo presidente do Brasil.

https://bit.ly/2P9ETtH

 

ESTADOS UNIDOS

Revista Time

Jair Bolsonaro ama Trump, odeia pessoas gays e admira autocratas. Ele poderia ser o próximo presidente do Brasil

https://ti.me/2wjfg16

 

Fox News

Um olhar sobre os comentários ofensivos do candidato brasileiro Bolsonaro

https://fxn.ws/2O0QMFI

 

HuffingtonPost

Jair Bolsonaro e o violento caos das eleições presidenciais no Brasil

https://bit.ly/2zNnod4

 

Washington Post

Um político parecido com Trump no Brasil poderia ter o apoio de um poderoso grupo religioso: os evangélicos

https://wapo.st/2Rk6tFZ

 

The New York Times

Brasil flerta com um retorno aos dias sombrios

https://nyti.ms/2xsXSYv

 

The New York Times

Brazil Front-Runner Accused of Illegal Campaign Practices

https://www.nytimes.com/aponline/2018/10/18/world/americas/ap-lt-brazil-elections.html

 

Americas Quarterly

Ditadura militar iminente no Brasil?: Ganhando ou perdendo, a ascensão de Jair Bolsonaro colocar em perigo a jovem democracia brasileira.

https://bit.ly/2OWpYCW

 

The New York Times

 

https://www.nytimes.com/2018/10/17/climate/brazil-election-amazon-environment.html

 

FRANÇA 

Le Figaro

Brasil nas garras da tentação autoritária

https://bit.ly/2vqsb0S

 

Le Monde por Rádio França Internacional RFI

Trump tropical, homofóbico e machista

https://bit.ly/2zMhaKL

 

Liberation

No Brasil, um ex-soldado para liquidar a democracia

https://bit.ly/2P9qIEZ

 

HOLANDA 

Der Volkskrant

Centenas de milhares de mulheres no Brasil nas ruas contra a extrema direita: “Ele nunca!”

https://bit.ly/2DQvPsj

 

ÍNDIA

India Express

Deixe a polícia matar criminosos, diz o candidato presidencial do Brasil, Jair Bolsonaro

https://bit.ly/2NiJdFd

 

ITÁLIA

La Republica

Bolsonaro, líder xenófobo e anti-gay que dá o assalto à Presidência do Brasil

https://bit.ly/2Qrb73H

 

Corriende della Sierra

Um pesadelo chamado Bolsonaro

https://bit.ly/2zNdkRF

 

MÉXICO 

La Jornada

Bolsonaro: O candidato Imprevisível

https://bit.ly/2OD93sh

 

Milenio

Bolsonaro, o Neofascista que seduz o Brasil

https://bit.ly/2zNQjhL

 

El Universal

Militar de ultra-direita: um voto pelo passado?

https://bit.ly/2P6jjWO

 

MOÇAMBIQUE 

O País

Bolsonaro que lidera sondagens de intenção de voto no país com a preferência de 27% dos eleitores terá irritado muitos brasileiros com comentários percebidos como sexistas, racistas e homofóbicos.

https://bit.ly/2DQlP29

 

PERU 

La Republica

Brasil resiste:a promessa autoritária de Bolsonaro é desafiada pelas mulheres.

https://bit.ly/2zFQ0Vy

 

PORTUGAL 

O Público

Um canalha à porta do planalto:

https://www.publico.pt/2018/10/11/mundo/opiniao/um-canalha-a-porta-do-planalto-1847097

 

Diário de Notícias

Jair Bolsonaro é perigo real no Brasil e segue passos de Adolf Hitler

https://bit.ly/2yaPMUz

 

O Público

Bolsonaro, o jagunço à porta do Planal

https://bit.ly/2xXbM5Y

 

POLÔNIA 

Gazeta Prawna

Trump brasileiro e outros. Escândalos de corrupção abrem caminho para o poder dos populistas

https://bit.ly/2xWanga

 

QATAR (MUNDO ÁRABE) 

Al Jazeera

Milhares de Mulheres protestam contra Bolsonaro

https://bit.ly/2RhJjQF

 

REINO UNIDO 

Financial Times

O “trágico destino” brasileiro de uma rebelião antidemocrática surge novamente:

A raiva pública contra uma elite corrupta poderia precipitar outra revolta

https://on.ft.com/2DRGxyO

 

The Economist (CAPA)

A mais nova Ameaça na América Latina

https://econ.st/2OuXKlO

 

The Times

Jair Bolsonaro, populista “perigoso” promete tornar o Brasil seguro

https://bit.ly/2uxPG8p

 

The Guardian

Trump dos trópicos: o candidato ‘perigoso’ que lidera a corrida presidencial do Brasil

https://bit.ly/2qKHkYA

 

The Telegraph

Dezenas de milhares dizem “ele não” ao principal candidato do Brasil

https://bit.ly/2qKHkYA

 

The Economist

Brasília, nós temos um problema

O perigo representado por Jair Bolsonaro

https://econ.st/2vxMFWu

 

Jair Bolsonaro acusado de criar “rede criminosa” para espalhar fake news nas eleições do Brasil:
https://www.telegraph.co.uk/news/2018/10/18/jair-bolsonaro-accused-creating-criminal-network-spread-fake/

 

SUÍÇA

Neuen Zürcher Zeitung

O Faxineiro Racista do Brasil

https://bit.ly/2QoJTdW

Acompanhe A Casa de Vidro

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ÚLTIMAS NOTÍCIAS E ARTIGOS

ENTRE O FASCISMO E NÓS, SÓ HÁ NÓS – Como sobreviver à distopia real que encarnou-se no Brasil em 2018?

PARTE 1 – APOLOGIA DO VERMELHO

Todos os demônios estão soltos nesta terra que tem por nome Brasil.

A tragédia já estava prefigurada em nosso batismo: nos puseram um nome em homenagem a uma planta que havia nas terras de nosso litoral atlântico, o pau-brasil, com sua rubra madeira cor de brasa. O Brasil é um dos países do mundo com nome mais vermelho – e estou falando de linguística, não de política.

Os portugueses que nos invadiram com suas caravelas e bíblias, suas escopetas e doenças, logo viram no pau-brasil uma mercadoria rentável, pois podia ser usado no ramo da tinturaria de tecidos (fonte: etimologia de “Brasil” em Wikipedia). Rainhas da Inglaterra pisavam sobre tapetes vermelhos, signos de sua alta posição hierárquica e acesso a caríssimos luxos e privilégios, que haviam sido tingidos com pau-brasil.

Desde nosso batismo, partindo da palavra que nos nomeia, somos vermelhos na essência e constantemente espoliados por imperialismos. Por isso é tão estranho a meus ouvidos o grito-de-guerra de certos brasileiros, dizendo: “nossa bandeira nunca será vermelha!”

Compreendo que com isso manifestam sua fobia não de uma cor, ou seja, de uma configuração cromática específica, mas sim uma fobia daquilo que compreendem por “comunismo”. Às vezes, essa “rubrofobia” atinge as raias da loucura, como ocorreu com a senhora que revoltou-se diante da bandeira do Japão, que é branca com uma bola vermelha no centro, acusando os nipônicos de comunistas, o que não é puro nonsense (quem estudou História sabe, aliás, que os japoneses que estiveram aliados ao nazi-fascismo na 2ª Guerra Mundial).

Somos todos nós vermelhos no cerne: em nossas veias corre o mesmo rubro sangue. O que se classifica, com base em fenótipos aparentes, como “branco”, “negro”, “indígena”, segundo a tosca classificação vigente, colapsa diante de uma solidariedade ontológica mais funda, que nos une ao invés de nos segregar: todos nós sangramos sangue vermelho, todos nós temos a vida, em nós sustentada, pelos rubros fluxos deste líquido que nos comuna. Globalmente comunados estamos na condição humana, simbolizada pelo vermelho de todos os nossos sangues.

No Brasil de 2018, sinto medo de andar nas ruas de meu país vestido com uma camiseta vermelha onde se lê duas palavras: LULA LIVRE. Posso ser espancado, esfaqueado ou mesmo assassinado pelo delito gigantesco de vestir uma camiseta assim. Que país nos tornamos, quando não se pode manifestar discórdia diante de um processo que se julga injusto, um cárcere político? “Que país é este?” – como cantou, questionador, Renato Russo, em outra época mas ainda similar à atualidade.

Acreditamos realmente que um Brasil de tamanha intolerância alteritária  é um projeto sócio-político a se apoiar? Ou então devemos rechaçar e repudiar qualquer sistema político que queira reduzir a policromia do mundo à sua pobre paleta de cores? Nossa diversidade não é a mais preciosa de nossas riquezas? E você tem certeza que sabe de fato o que significa propor a “extinção dos comunistas” e a “extirpação dos vermelhos”? Sabe mesmo o que é uma pessoa comunista, para além da caricatura imaginária do Outro demonizado?

Eduardo Galeano ensina que o Arco-Íris Terrestre tem bem mais que 7 cores. Excluir o vermelho é um projeto que enfeia o mundo. O vermelho é maravilhoso. O vermelho é mágico como os raios de Sol quando se põe, despedindo-se deste setor do planeta girante. Pelo menos até amanhã de manhã. O vermelho sanguíneo é a continuação da vida, a transfusão dos ânimos. Aquilo que flui por dentro de todos nós, como um tônico revitalizante, distribuindo o alimento. Sangue vermelho bombeado por nossos corações, que ficam sempre do lado esquerdo do peito, independente de gênero e de sexo, independente de raça e de etnia, independente de classe e de pertença a castas.

Digo a todos os humanos terráqueos: “Do You Realize?”, como pergunta a música do Flaming Lips, que todos nós sangramos vermelho e temos um coração à esquerda no peito?

PARTE 2 – BEM-VINDOS À DISTOPIA DO REAL

  

Vivemos em dias nos quais a distopia não está restrita às obras de sci-fi pessimista ou aos filmes futuristas pós-apocalípticos. Somos contemporâneos de uma distopia que encarnou-se no real. Hoje convivemos com a instauração da barbárie brutal do Bolsonarismo.

A utopia, como Eduardo Galeano ensina, segue fugindo no horizonte, inalcançável por mais que caminhemos na sua direção, em nosso anseio insaciável de abraçar uma realidade menos opressiva e sórdida. A utopia segue inacessível, ainda que prossiga servindo à nossa incansável caminhada.

Já a distopia de nós se aproxima cada vez mais de nós com tanques, tropas e truculências que vão triturando nossas tristes vidas.

A nossa distopia tropical em processo de encarnar-se é, cada vez mais, a nossa realidade histórica contemporânea: a fase catastrófica em que embarcou a sociedade brasileira assusta pela escala colossal da tragédia autoritária e militarista que vem se empoderando.

O retrocesso brutal agora está encarnado no que venho chamando de “Bozonazismo” – a nova extrema-direita, seguidora de Jair Messias Bolsonaro, que se manifesta no país com brutalidade e descontrole.

O plano deste grupo político elitista, supremacista, interessado sobretudo em lucrar com o entreguismo de riquezas nacionais ao imperialismo Yankee, inclui a instauração de uma espécie de teocracia militarizada à la Gilead.

Refiro-me à distópica sociedade em que se transformou os E.U.A. após um Golpe de Estado fascista-teocrático na série The Handmaid’s Tale, inspirada no livro da autora canadense Margaret Atwood.

“Extirpar os ativismos”, “fuzilar a petralhada” e “dar carta branca pra polícia matar”: eis algumas das promessas de campanha proferidas pelo presidenciável do PSL (partido que terá a 2º maior bancada da Câmara dos Deputados, só menor que aquela eleita pelo PT). Apesar de fazer pose de “exterminador de corruptos”, Jair Bolsonaro passou a maior parte de sua trajetória política sendo liderado por Paulo Maluf no PP.

Nos palanques pelo Brasil, um dos gestos mais recorrentes do candidato de extrema-direita consiste em pegar crianças no colo e ensiná-las a fazer com as mãos o gesto de atirar uma arma-de-fogo. Comportamento que é um ícone de sua brutalidade. Um indício de que, em matéria de ética, ele age como um neandertal.


É com esse tipo de homem que estamos lidando: alguém que diz que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) “deve ser rasgado e jogado na latrina” (leia em O Globo: https://glo.bo/2BJ7cwr). É só um exemplos dentre dezenas que servem como sintoma claro de que Bolsonaro pretende lançar no lixo ou na privada a Constituição Federal de 1988.

Não há de respeitar a Constituição Cidadã alguém que se diz “favorável à tortura” e que promete transformar em “herói nacional” àquele que foi o comandante supremo, durante a Ditadura civil-militar (1964-1985), do aparato repressivo, torturador e exterminador, o facínora Brilhante Ustra.

PARTE 3 – POLÍTICA DA MORTE: TÂNATOS OPRESSOR DE EROS

O candidato a ditador, escudado por seu vice (o General Mourão), promete derramar muito sangue no Brasil: sua insana proposta para o complexo problema da segurança pública é permitir a aquisição de armas à torto e a direito, para felicidade das megacorporações armamentistas dos EUA, que lucram com a morte e a destruição, em um processo que é pura Necropolítica, conceito de Achille Mbembe:

“Neste ensaio, propus que as formas contemporâneas que subjugam a vida ao poder da morte (necropolítica) reconfiguram profundamente as relações entre resistência, sacrifício e terror. Tentei demonstrar que a noção de biopoder é insuficiente para dar conta das formas contemporâneas de submissão da vida ao poder da morte. Além disso, propus a noção de necropolítica e de necropoder para dar conta das várias maneiras pelas quais, em nosso mundo contemporâneo, as armas de fogo são dispostas com o objetivo de provocar a destruição máxima de pessoas e criar “mundos de morte”, formas únicas e novas de existência social, nas quais vastas populações são submetidas a condições de vida que lhes conferem o estatuto de “mortos-vivos”. Sublinhei igualmente algumas das topografias recalcadas de crueldade (plantation e colônia, em particular) e sugeri que o necropoder embaralha as fronteiras entre resistência e suicídio, sacrifício e redenção, mártir e liberdade.” [Achille Mbembe]

 SOBRE O AUTOR: Mbembe é considerado um dos mais agudos pensadores da atualidade. Leitor de Fanon e Foucault, com notável erudição histórica, filosófica e literária, vira do avesso os consensos sobre a escravidão, a descolonização e a negritude. Nascido nos Camarões, é professor de História e Ciências Políticas em Joanesburgo, bem como na Duke University, nos Estados Unidos. É autor, entre outros, de “Crítica da razão negra”, “De la postcolonie”, “Sortir de la grande nuit” e “Politiques de l´inimitié”.

Bolsonaro parece querer retroceder àquilo que o filósofo Thomas Hobbes chamou, no “Leviatã”, de “Guerra de Todos Contra Todos”. Em uma famosa entrevista ao programa Câmara Aberta, em 23 de maio de 1999, Bolsonaro disse: “Só vai mudar, infelizmente, quando, um dia, nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro, e fazendo o trabalho que o regime militar não fez. Matando uns 30 mil, começando com o FHC, não deixar pra fora não, matando! Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente.”

Atentem bem: vocês que digitam o número 17 nas urnas, votando em Bolsonaro, estão dando aval e sendo cúmplices de um sujeito que já disse repetidas vezes que, se depender dele, vão morrer milhares de inocentes durante seu governo – que mais parece, na verdade, um empreendimento bélico.

Os seguidores de Bolsonaro já estão pondo prática essa carnificina no período eleitoral, dando ao povo brasileiro um antegosto do inferno que os Bolsonaristas pretendem instaurar caso sejam eleitos. No período entre o 1º e o 2º turno das Eleições, já são pelo menos 3 vítimas fatais da escalada de ódio, violência e intolerância perpetrados por apoiadores do sr. Jair Bolsonaro:


Vítima: Moa do Katendê.
Local: Salvador – BA.
Data: 15/10/2018.
Arma do crime: faca.
https://goo.gl/DS71oQ

Vítima: Priscila.
Local: São Paulo – SP.
Data: 16/10/2018.
Arma do crime: faca.
https://goo.gl/BsW1yy

Vítima: Laysa Furtano.
Local: Aracaju – SE.
Data: 20/20/2018.
Arma do crime: faca.
https://goo.gl/RCUJDe


Caso esta tragédia se consume e a campanha eleitoral fraudulenta e propulsionada por fake vença nas urnas, o Brasil se tornará, no planeta Terra, uma espécie de paradigma da barbárie, vanguarda do atraso, palco de atrocidades que nos envergonharão diante das outras nações. 

Nenhum governo legítimo nascerá de um processo eleitoral tão marcado por ilegalidades e fraudes. O que permitiu a ascensão de Bolsonaro foi o golpe parlamentar que destituiu Dilma Rousseff em 2016, ao que somou-se a guerra jurídica ou lawfare que culminou com a prisão de Lula, um “impeachment preventivo” que transformou o Brasil no único país do mundo em que um ex-presidente da república foi encarcerado em ano de Eleições num contexto em que estava disparado em 1º lugar nas intenções de voto. É algo sem precedente global histórico que eu conheça.

PARTE 4 – ELITISMO E HIGIENISMO: UM PROJETO DE CARNIFICINA E GENOCÍDIO


Pregando a violência e o ódio ao seu rebanho de seguidores fanatizados, Bolsonaro cada vez se revela mais como um caso psiquiátrico grave: é um sujeito gravemente adoentado com sintomas de psicose e megalomania. 

A fusão que o Bolsonarismo opera entre o discurso higienista da “faxina” – muito próximo à ideologia nazi-fascista e também às práticas dos supremacistas brancos da KKK nos EUA – e o antipetismo fanático, típico daqueles que são incapazes de fazer qualquer tipo de avaliação sensata sobre os méritos e deméritos das políticas públicas petistas (como a expansão da rede pública de ensino, o combate às desigualdades sociais, os programas sociais de auxílio aos mais vulneráveis e desvalidos etc.) vai produzindo uma monstruosidade coletiva muito perigosa.

É tão perigosa que seria a maior das fake news dizer que o campo Anti-Bolsonarista é apenas um antro dos petistas. O repúdio a Bolsonaro é amplo e irrestrito, atravessa todas as classes sociais, ainda que possua regiões de maior intensidade de resistência (o Nordeste) e que possua nas mulheres a principal força de mobilização contestatária (leia em Vice: As Mulheres Fizeram A Maior Marcha Antifascista do Brasil).

O maior fenômeno de mobilização cívica de 2018 foi sem dúvida o movimento #EleNão, que manifestou a grandeza do repúdio organizado ao projeto de poder, elitista e genocida, da extrema-direita Bolsonarista. A crítica ao Bolsonaro é feita não só pela esquerda (PSOL, PC do B, PT etc.), mas até mesmo por setores mais ao centro e à direita: inclui até mesmo certos tucanos (o FHC já farejou o fascismo das práticas da família Bolsonaro), a maioria dos ciristas (PDTistas) e de marinistas (Marina Silva declara ‘voto crítico’ em Haddad).

 

PARTE 5 – INTOLERÂNCIA SANGUINÁRIA CONTRA A DIVERSIDADE HUMANA


Seguidores de Bolsonaro tem propagado a noção de que “petista bom é petista morto”, mas também a de que “gay bom é gay morto”, “feminista boa é feminista morta”, “sem terra bom é sem terra morto”, e por aí vai.

É uma doutrina que se baseia num tipo de pensamento tosco, maniqueísta, baseado na criminalização do outro e na construção de grandes generalizações imaginárias (“todos os esquerdistas não prestam, todos os petistas são corruptos e ladrões, logo eles precisam ser varridos do Brasil”).

Assim, a extrema-direita apóia milicianos e gangues estão tocando o terror: dando facadas em mestres da cultura popular, desenhando suásticas em mulheres, assassinando brutalmente transexuais, numa atitude de hooliganismo destrutivo que hoje aterroriza o país e que ameaça sair totalmente do controle.

Pois o instigador supremo dessas violências é um completo irresponsável, que diante dos homicídios e agressões perpetrados por seus seguidores diz simplesmente: “O cara lá que tem uma camisa minha comete lá um excesso, o que é que eu tenho a ver com isso?” (Bolsonaro, TV UOL, 10 de outubro de 2018)

Tal grau de irresponsabilidade mostra o total desprepo do candidato para o cargo que ambiciona. O transtornado líder dessa seita, embriagado com a ambição e a sede de poder, como um Macbeth ou um Ricardo III (mas sem a grandeza dos personagens shakespearanos), fala na linguagem dos ditadores brutais. Não se houve de sua boca nada em defesa da democracia. Mas sim elogios e mímesis dos que cometeram as piores atrocidades da História humana.

Bolsonaro promete uma “limpeza como nunca antes houve neste país”, o que soa como uma proposta de higienismo social que assusta pela proximidade com projetos genocidas e totalitários de “limpeza étnica” que constituem, na linguagem penal internacional, “crimes contra a humanidade”.

O pretendente a führer tropical tampouco se importa com esta besteira que são os Direitos Humanos Universais. Já prometeu que vai tirar o Brasil das Nações Unidas (Leia em O Globo: https://glo.bo/2N0tJWO). Para ele, esta babaquice esquerdista que é o Estado Democrático de Direito pode e deve ser sacrificado no altar do seu Estado Teocrático Militarista onde “as minorias tem que se curvar à maioria”.

Na verdade, por trás desta retórica que vem encantando tantos cidadãos brasileiros, frustrados com a política tradicional, está uma velharia mofada que ressurge em nossa história: Bolsonaro é a cara da nossa antiquíssima Elite do Atraso, um macho, branco, milionário, hetero, cis, que encarna tudo aquilo que o velho elitismo defende desde a época da escravatura. É um cara-pálida machista, supremacista racial, favorável aos ricos, apoiador do extermínio da diversidade humana, intolerante com modos de viver e de crer que se desviem de sua norma caduca e esclerosada.

Concedo que nesta tragédia há elementos cômicos – um eleitorado que elege, como fez em São Paulo, um ator pornô, um palhaço (sem muita graça), um herdeiro de um luso monarca, e ainda tem coragem de vomitar xenofobia contra os nordestinos que seriam cabras que “não sabem votar”.

Sabemos muito bem, pelo resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que o Nordeste foi a única das 5 regiões brasileiras em que Bolsonaro perdeu, seja para Fernando Haddad, seja para Ciro Gomes. Sinal de que o Nordeste tornou-se a vanguarda ética da nação, o Nordeste é nossa estrela-guia para tentar “re-iluminar” o resto do Brasil, que tem estado refém das trevas de um obscurantismo fundamentalista que pôs a democracia na guilhotina.

PARTE 6 – UMA CATÁSTROFE PARA A EDUCAÇÃO E A CULTURA

Após o Golpe de Estado de 2016, vimos o governo Temer nascer instaurando o que foi chamado de Machistério: só havia homens, brancos e ricos comandando 100% dos Ministérios. Como nada é tão ruim que não possa piorar, a promessa de Bolsonaro é encher os Ministérios com militares, inclusive o Ministério da Educação – MEC: Bolsonaro já se manifestou no sentido de sua predisposição ao extermínio da obra e da influência pedagógico-política de Paulo Freire, considerado mundo afora como um dos pensadores brasileiros mais brilhantes que já nasceu. O “Andarilho da Utopia”, como Paulo Freire gostava de se referir a si mesmo, também está sob ameaça.

Como informa a reportagem de Época, segundo Bolsonaro, defensor do Escola Sem Partido (que é também o Escola Sem Darwin, o Escola sem Marx, o Escola Sem Nietzsche…), lá no MEC o plano é esta beleza: tem que pôr lá um milico, de pulso firme, que extirpe o “esquerdismo”: “Tem de ser alguém que chegue com um lança-chama e toque fogo no Paulo Freire.” 

E vocês pensando que Farenheit 451 era só uma obra de ficção científica sci-fi!  Bolsonaro disse que seu programa vai ser usar o “lança-chamas” contra o Paulo Freire, igual aos bombeiros que, ao invés de apagarem incêndios, botam fogo em bibliotecas no romance de Ray Bradbury, filmado por François Truffaut, e que voltou aos cinemas na era Trump-Bolsonaro em produção da HBO.

Nenhum compromisso com a verdade, com a cultura, com o conhecimento, com a ciência. Bolsonaro só pensa em dinheiro e poder para pôr em prática seus ensandecidos planos de “purificação” da nação. Seu slogan é “Brasil acima de tudo” (similar ao Deuteschland Ubber Allez dos nazis alemães) e “Deus acima de todos” (o Deus como o concebem os evangélicos neopentecostais estupidificados pelas organizações teocráticas de Edir Macedo, Malafaia, Feliciano etc.).

É a distopia total da união de um nacionalismo fake, conversa pra boi dormir diante da explícita submissão vira-latística do Bolsonarismo aos EUA de Trump, com a teocracia do setor mais fundamentalista e obscurantista do mercado-da-fé no capitalismo brasileiro contemporâneo. Tudo o que Bolsonaro mais quer é poder ir lamber as botas de Trump na Casa Branca, faturando bilhões para si mesmo ao liberar o nosso petróleo e nossa Amazônia, além de nossa água doce e nosso espaço aéreo, para a exploração “livre” por parte do Império hoje gerido por um fascista, xenófobo, supremacista branco, cúmplice do genocídio do povo palestino.

PARTE 7 – QUANDO O NARIZ DE PINÓQUIO BATEU NOS ANÉIS DE SATURNO

O candidato Bolsonaro, além de basear sua campanha em mentiras difundidas em larga escala através de impulsionamentos patrocinados via caixa 2 (dinheiro investido por empresas que, aliás, estão diretamente interessadas na devastação de nossos direitos trabalhistas), também tem uma espécie de “plano piromaníaco” para a educação e a cultura. Um plano parecido com o de Nero, o incendiário de Roma.

Um programa que obviamente não tem compromisso algum com o processo coletivo de busca da verdade que engaja profissionais de tantas áreas, do jornalismo, da filosofia, das ciências sociais, da literatura, das artes, da tecnologia etc. Toda barbárie está liberada quando o líder supremo, como Goebbels no III Reich, como o Grande Irmão no 1984 de Orwell, julga-se no direito de mentir em massa. Aniquilando reputações a base de calúnias, difamações e memes ridicularizadores e mentirosos. Tudo com dinheiro ilegal vindo de empresas simpáticas ao projeto de aniquilação (lucrativa pro patronato) dos direitos trabalhistas.

É de se imaginar, num virtual regime Bolsonarista, o seguinte quadro aterrador para a educação e a cultura. Os militares estarão no domínio no MEC e no MinC. Estarão mobilizando o polvo repressor da Escola Sem Partido, mandando artistas e intelectuais pros novos porões do DOI-CODI. Os educadores considerados subversivos, pois aplicam a Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, vão berrar no pau-de-arara… De agora em diante, só Educação Moral e Cívica, só Doutrinação Criacionista! E que se calem aqueles que não querem ser as bruxas e os hereges queimados na Nova Inquisição!

Os piromaníacos, os “profissionais da violência”, as milícias Bolsonaristas, neste futuro possível (ainda que intragável) podem aproveitar que o fogo das intolerâncias está acesso e ir no embalo da queima não só dos livros de Paulo Freire. O lança-chamas será também usado contra Charles Darwin, de Karl Marx, de Friedrich Nietzsche, de Judith Butler, de Jessé Souza… Arderá todo o “lixo esquerdista”: será a Segunda Morte de Rosa Luxemburgo, de Gramsci, de Mandela, de Malcolm X….

Os BolsoNeros também podem empolgar-se na piromania e tacar nas fogueiras também os professores de biologia que queiram ensinar o evolucionismo. Ou os professores de sociologia vão gemer torturas nos porões das delegacias militares para abjurar do pecado de ensinar Marx, Engels e Max Weber. Os professores de filosofia que julgam digna de ser ensinada na escola a vida e obra de figuras como Walter Benjamin ou George Lúkacs, serão truculentamente levados aos centros de detenção e “interrogatório” onde sangram aqueles que ensinam “lixo esquerdista”.

Pode até parecer que estou paranóico, que estou dando asas demais à minha imaginação distópica, mas lembro-me agora da frase de William Burroughs de que Kurt Cobain tanto gostava e que contrabandeou para dentro de uma música do Nirvana: “just because you’re paranoid, don’t mean they’re not after you”.

Na Alemanha do III Reich, os nazistas fizeram muitas fogueiras de livros. Fizeram também campos de extermínio e câmaras de gás em que tentaram reduzir a cinzas todo o povo judeu no processo que ficou conhecido como Solução Final. Puderam convencer boa parte do povo alemão a ser cúmplice do Holocausto – em um processo social desastroso, onde passa a ser dominante a obediência cega e servil aos ditames da tirania nazi e que a filósofa política Hannah Arendt conceituou como  “A Banalidade do Mal”, um dos mais importantes conceitos na história do pensamento do século XX.

PARTE 8 – A ESPERANÇA EQUILIBRISTA ESTÁ COM HADDAD E MANU

O Brasil, em Outubro de 2018, está diante de uma encruzilhada histórica colossal, em que nosso futuro coletivo está na balança. A maioria do eleitorado pode eleger um psicopata que promete a carnificina, a guerra, a violência, a intolerância, o destravamento de todos os ódios, o colapso de toda solidariedade e toda justiça. Pode acontecer, mas seria catastrófico, segundo todas as mais lúcidas previsões e prognósticos de gabaritados historiadores, sociólogos e filósofos.

Nós, que amamos a democracia e a liberdade, que somos educadores e intelectuais comprometidos com a defesa dos direitos humanos, que não aceitamos o argumento de que “ativismos” devem ser extirpados, prosseguimos incansavelmente na ação de conscientização para alertar o cidadão brasileiro do tiro-na-cabeça que é digitar 17 nas urnas.

Ao invés deste sádico opressor que é Bolsonaro, temos a oportunidade de eleger um sábio professor que é Fernando Haddad. É evidente para qualquer cidadão que não esteja cego pelo fanatismo que Haddad é um gestor público de comprovada competência, que realizou um primoroso trabalho como Ministro da Educação do governo Lula. Foi um prefeito de São Paulo premiado internacionalmente pelo seu trabalho inovador e humanista no processo desafiador de governar a maior cidade da América Latina. Sua mentora, a filósofa Marilena Chauí, garante-nos sobre as muitas excelências éticas e intelectuais de Haddad.

Haddad é um líder de centro-esquerda inteligente, dinâmico, capaz de diálogo amplo com todos os setores da sociedade brasileira. Sempre portou-se de maneira honesta, íntegro e digna, sempre na defesa dos valores civilizacionais elementares de uma república democrática como o Iluminismo a idealizou na “Era das Luzes”. É um intelectual crítico, iluminista, humanista, com incríveis capacidades no âmbito da práxis e da gestão pública.

Ao invés da carnificina que a extrema-direita fascista deseja instaurar, derramando o sangue dos inocentes, podemos eleger o projeto de valorização da educação e do trabalho, dos serviços públicos e da qualidade de vida, que hoje Haddad defende e representa.

 

O antipetismo de alguns atingiu tal grau de insanidade que, motivados pelo ódio irracional, alguns aplaudem quando seu líder Bolsonaro diz que “marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria” e que “bandidos do MST e MTST” terão suas “ações tipificadas como terrorismo” (leia em UOL Notícias – https://bit.ly/2AlK4S0).

O discurso de Bolsonaro exibido num telão na Avenida Paulista em 21 de Outubro, faltando uma semana das eleições, nos dá o alerta: estamos diante de um tirano intolerante que pretende perseguir, silenciar ou mesmo assassinar impiedosamente, usando a máquina de repressão do Estado, os cidadãos que participam de movimentos sociais e partidos políticos estigmatizados como “esquerdistas e marginais”. Bolsonaro é a barbárie, e quem o apóia é cúmplice do projeto político mais exterminador, estúpido e nefasto da história da Nova República.

O que há de mais precioso na vida política popular do Brasil são aqueles que mobilizam-se por justiça no campo e na cidade, que querem a reforma agrária e o direito à moradia, que demandam condições dignas de existência e de florescimento. Temos a oportunidade histórica de empoderar, com a eleição do presidente Fernando Haddad, um projeto de Brasil muito mais justo, generoso, solidário, fraternal, inteligente, amoroso e sábio. Que saiba ouvir a sociedade civil organizada, ajudar a empoderá-la, criando condições para uma ressurreição democrática entre nós.

Votar Haddad é votar num Brasil que possa ter um futuro mais doce: o do diálogo democrático e colaborativo, re-instaurado. Bolsonaro só nos obrigará a beber um amargo cálice de Necropolítica, feito todo de intragáveis doses de silenciamento, brutalidade e carnificina, um projeto que inclui um grotesco massacre dos inocentes e uma tirania militarizada e teocrática que nos leva de volta à Idade das Trevas.

Sempre que deparo com os “Bozominions” (esta versão fascista do Coxinha) falando horrores criminalizadores sobre o PT, penso que o PT – Partido dos Trabalhadores merece mais respeito. É de um desrespeito brutal o que os Bozominions fazem com a biografia e a trajetória de Lula, Dilma, Haddad, Lindbergh etc. Tratá-lo como “organização criminosa” não é só falso, desonesto e obsceno, é um verdadeiro crime contra um partido que faz parte da nossa História há 38 anos e cuja trajetória merece ser estudada, avaliada, criticada, mas jamais descartada nem muito menos exterminada.

Ao final do mandato de 8 anos de Lula, o Brasil era um dos países mais admirados do mundo e vencia com ousadia alguns dos piores males que lhe haviam sido legados pelo passado de colônia e de ditadura. Vomitar o slogan “O PT é ladrão” jamais vai apagar os feitos de quem retirou 40 milhões de pessoas da miséria, fortaleceu o salário mínimo, levou-nos a um estado de pleno emprego, ampliou Universidades Federais e IFs como nunca antes na História, fortaleceu o SUS, criou Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, ProUni, Cultura Viva, dentre tantos outros programas sociais de valor e mérito que merecem nossa estima.

 

PARTE 9 – O FALSO DEUS DOS PSEUDO-MESSIAS

O grau de obscurantismo da extrema-direita brasileira nos ameaça com a instauração de um nova idade trevosa, com milícias à la Ku Klux Klan acendendo as fogueiras das novas intolerâncias. Sabemos que o tropicalführer está apoiando-se no poderio das igrejas neopentecostai$ do Brasil. Malafaia, Feliciano, Edir Macedo, Jair Bolsonaro: são “poderosos” da mesma laia.

São a laia dos mercadores de ilusões, megalomaníacos, doidos de ambição pela conquista do poder político, mercadores da fé que querem violar todos os princípios do Estado Laico, para que se empoderem para disseminar por toda parte o seu fundamentalismo ultracapitalista. Chamemos isso de Teologia da Prosperidade, nas antípodas da Teologia da Libertação defendida por Leonardo Boff, Frei Betto, dentre outros cristão progressistas.

O Bolsonarismo é aliado de empreendimentos como a UIRD e a Record, de Edir Macedo. A Indústria da Mentira une Bolsonaro e Macedo, e é justamente a mentira que lhes serve como lucrativa mercadoria, que tantos milhões de reais injeta nas máquinas de que eles são os patrões: suas “grandes empresas, imensos negócios”.

Para sua diabólica maquinaria de enganação em massa, estão usando o spam das mídias sociais para praticar a desinformação e também altas doses de calúnia e a difamação contra os adversários políticos. Estão produzindo, com isso, violento sectarismo, intensificação dos ódios e das violência, além de propagarem um tipo de subjetividade lamentável: os cabaços de Whatsapp, aqueles analfabetos políticos, que compartilham material falso e degradante.

 

Justificando​ – Bolsonaro, com seu discurso teocrático, agradou uma expressiva parcela de cristãos que – traindo o Evangelho de amor e paz, pregado por Cristo – estão propagando o ódio e o extermínio ao inimigo construído no imaginário (esquerdista, petralha, LGBTQIA+, comunista, minorias etc.), ou seja, tudo aquilo que, supostamente, não siga a cartilha idealizada do fundamentalismo religioso. São reedições sucessivas da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, embora tenhamos uma forte resistência de muitos cristãos contra esse avanço inquisitório da fé.

Isso revela um cenário preocupante de desejos e afetos que estavam represados. Não é à toa que, quando a comporta da represa foi aberta e Bolsonaro apareceu como mensageiro, o ódio e a vontade de exterminar tiveram tanta força. Portanto, torna-se bastante curioso que o lema da campanha de Bolsonaro seja “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Está em curso, no país, uma ressignificação interpretativa do que são valores cristãos por parte de um setor interno barulhento e com capilaridade política. É uma abordagem autoritária, com táticas eficazes de instrumentalização do medo do “inimigo”. A institucionalização da lógica bélica de professar a fé abandonou, de vez, os lindos ensinamentos bíblicos previstos em 1 Samuel (25:31), Mateus (5:38-48; 25:35-46), Romanos (12:20,21; 12-14), João (13:33-35), Efésios (4:31,32), Gálatas (5:14,15) e (Lucas 10:25-37). O Deus da vingança e da “justiça” sem misericórdia encontrou vários porta-vozes.

Mas não nos esqueçamos do que essa distorção gerou ao longo da história. Não nos esqueçamos do genocídio indígena, da escravidão e destruição dos negros, da Inquisição, da morte de mulheres nas fogueiras, do fascismo, da ditadura civil-militar de 1964, entre outras atrocidades. Nesse passado sombrio, a legitimação religiosa foi fundamental. Não esqueçamos que a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) apoiou o golpe de 64. Não nos esqueçamos da ligação do papa Pio XI com o ditador Benito Mussolini na ascensão do fascismo italiano. E hoje, reproduzindo erros do passado, temos um reencontro de vários setores cristãos com um presidenciável que elogia a ditadura civil-militar de 1964, bem como os torturadores dessa ditadura, além de ter, em seu gabinete parlamentar, 05 quadros com a foto dos 05 ditadores daquele período tenebroso de nossa história.

Jesus não é responsável por esse derramamento de sangue. Esse derramamento de sangue jorra das mãos daqueles que usam a religião para legitimar e promover a destruição do “outro” ou, quando distorcem os ensinamentos de Cristo, para capitalizar o ódio. Jesus é paz, amor, misericórdia e compaixão. Cristo viveu ao lado dos marginalizados. Jesus é celebração da vida, e não da morte. Talvez muitos cristãos não entendam o ritual do papa ao se ajoelhar e lavar os pés dos presos. Nesse ritual, o papa Francisco já disse aos presos: “Sou pecador como vocês”. O problema é que, em muitas igrejas, fazem falta pecadores com esse grau de espiritualidade. Ao resultado, estamos assistindo horrorizados. A teocracia bolsonariana avança. E Deus nos livre.

http://www.justificando.com/2018/10/08/a-teocracia-bolsonariana/

Os algozes – Edir Macedo, Silas Malafaia, Marco Feliciano, mercadores de ilusões que ficaram milionários na indústria da mentira e da exploração das ingenuidades alheias – já preparam as lâminas para o lamentável espetáculo. Jair Bolsonaro foi convidado para essa lúgubre cerimônia para que possa ir lá, ao cadafalso onde a democracia faz acorrentada (como Lula na PF de Curitiba), e acionar a queda da lâmina. Para depois sair de cena, descartado como uma palhaço patético mas bem útil, cedendo espaço a uma Junta Militar. O Vampirão Temer tratará ser o mordomo dessa tenebrosa transação. Um acordo de cúpulas entre golpistas, roubando a mente de massas gigantescas de cidadãos alienados que só vão perceber que foram enganados e estiveram equivocados quando já for tarde demais.

O Brasil vai se tornando um dos epicentros globais do fascismo empoderado. E isso graças às desgraças que acarreta por aqui a nossa Elite do Atraso, como o sociólogo Jessé de Souza a batizou. Nós, que anos atrás oferecíamos ao mundo todo um paradigma de excelência em matéria de gestão do Bem-Estar Social através das políticas públicas criadas e aplicadas pelo governo Lula, hoje estamos decaídos a uma espécie de republiqueta de bananas que ameaça instaurar, com Bolsonaro, uma espécie de sub-führerdom que responde às ordens lá de cima: não de Deus, como reza o slogan (também ele fake), mas sim de Mr. Donald Trump.

O brasil era visto internacionalmente como um farol e uma inspiração para que a Europa, a América do Norte e a Ásia pudessem não se destruir no processo de navegar as turbulentas marés criadas pela crise econômica de 2008. O PT navegou através de uma das piores crises desde o crack de New York em 1929 que dá início à Grande Depressão dos anos 1930.  uma espécie de hospedeiro de um câncer que ameaça se espalhar pelo mundo inteiro.

Leandro Karnal tem um ótimo vídeo em que explica o óbvio: “quem defende torturador é inimigo de Cristo”:

Nele, Karnal explica porque é absurda e sem noção a atitude de qualquer cristão que apoia Bolsonaro, um defensor da tortura, que prometeu transformar o facínora Ustra em herói nacional, o que já é prova de que o candidato do PSL é um sujeito de péssimo caráter e um canalha completo.

Alguém que em sua vida jamais trouxe nenhum benefício ao povo brasileiro, já que sua vida se resume em propagar o ódio, a violência e a discórdia, Bolsonaro é o completo oposto de Jesus de Nazaré, cuja mensagem resume-se em ensinamentos como “amai-vos uns aos outros”, “ofereça a outra face a quem te ofendeu”, propagando virtudes de resistência pacífica, empatia com os fracos e oprimidos, além denúncia dos ricos (a quem estará vedada a entrada no Reino) e da expulsão dos vendilhões do templo.

Se vivesse naquela época em que Jesus foi morto, Bolsonaro estaria entre os torturadores e assassinos de Cristo – e os Bolsominions estariam se deleitando com o espetáculo e gritando para o algoz: “mito! mito!”. E Bolsonaro estaria urrando de gozo sádico diante do torturado com a coroa de espinhos. Pois Bolsonaro é isso: um doente mental que goza com a crueldade que ele propaga. Os católicos e evangélicos que estão apoiando esse Coiso não entenderam nada sobre o cristianismo: tem que ser muito cego e alienado pra ficar lambendo a bota deste pseudo-Messias que vomita ódio por todos os poros. Bozo é o Anticristo e um baita dum engana-otário. E clamamos aos iludidos: acordem antes da tragédia! #EleNão

A atual ascensão do “Fascismo Evangélico” já estava prenunciada pelos “Gladiadores do Altar”, projeto que chocou o Brasil alguns anos atrás: nele, a mega-organização chefiada por Edir Macedo, a Igreja Universal do Reino de Deus, começou a recrutar soldados para um “Exército do Senhor” (https://bit.ly/2J1LvrK).

Os mercadores de ilusões agora abraçam de vez o Capeta: a Rede Record, em atitude execrável, não vê problemas em violar a legislação eleitoral para colocar todos os holofotes de seu canal de TV e seu portal R7 como palanque para o fascista-facínora.

Além disso, a 3º esposa do Coiso, Michelle Bolsonaro, provável Primeira Dama do Brasil em um governo Bozonazista, é uma das crias e das prediletas de Silas Malafaia (https://bit.ly/2P286cW) – e seria, ainda mais que Marcela Temer, a imposição de um modelo feminino “bela, recatada e do lar”, somando-se a isso o agravante: “fanática e descerebrada”.

Já sabíamos que havia este perigo rondando o frágil Estado Laico do Brasil quando Marco Feliciano pôde levar todo seu obscurantismo para o Comitê de Ética e Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Esta tendência lamentável se aprofunda.

Também ficamos chocados, durante o impeachment de 2016, com a quantidade de parlamentares ficha-suja, investigados por corrupção, co-partícipes de um golpe de Estado contra a presidenta legítima, que votaram sim ao impeachment “em nome de Deus” e da Família Tradicional Brasileira.

Os gremlins do Bozo vomitam sem parar a frase “o PT vai transformar o Brasil numa Venezuela”, quando o projeto deles é nos transformar num Afeganistão sob o Taleban. Uma teocracia militarizada que lembra a distopia de Gilead em The Handmaid’s Tale.

O plano deles: retroceder o Brasil para 50 anos atrás – época do AI-5 (1968 a 1978). A gente elege Bolsonaro primeiro, depois a gente sai das Nações Unidas, pra não se preocupar com essa besteira que são os Direitos Humanos, uma invenção comunista para defender bandido. E depois a gente começa a Cruzada do Homem de Bem para “extirpar os ativismos”, começando por “fuzilar a petralhada” (cito frases do führer, que parece não ter compreendido nada do que disse Jesus de Nazaré com “amai-vos uns aos outros”).

Eles vão re-acender por aqui as fogueiras da Inquisição e tacar os livros e os professores de esquerda lá dentro – vai ser Farenheit 451 em meio à barbárie do neo-fascismo tropical. E haverá uma horda de imbecis que vão aplaudir a carnificina diabólica, dizendo amém a um deus que nunca existiu: o deus da intolerância e do obscurantismo, o deus homóbico e genocida de Sodoma e Gomorra, o deus que o ser humano inventou como pretexto para cometer as piores atrocidades na crença absurda de que derramando o sangue dos ímpios está comprando com isso um tíquete de entrada no Céu.

Triste pátria fanatizada por pastores corruptos e falsos profetas da Salvação!

PARTE 10 – A TORTURA É CRIME HEDIONDO, MAS OS BOLSOMINIONS PASSAM PANO

Vivemos tempos tão tenebrosos que é preciso explicar o óbvio: tornou-se tarefa dos cidadãos que ainda possuem o mínimo de lucidez, sensatez e senso ético elucidarem, para uma parcela imensa demais de um povo, porque não há nada de bom a esperar do processo de empoderamento de um facínora psicopata, que faz apologia da tortura e deseja transformar Ustra em herói nacional.

Em um país mais civilizado, dizer estas obviedades – que a tortura é um crime hediondo, que fazer o elogio de torturadores é sintoma de sadismo, perversidade e outras patologias psíquicas-afetivas etc. – seria desnecessário, pois já seria consenso social básico. No Brasil, sob o feitiço maléfico do Bozonazismo, tornou-se necessário relembrar as atrocidades cometidas pela Ditadura Militar, quando estamos sob a ameaça de que aqueles horrores recomecem.

Entre nós, falar sobre tortura tornou-se necessário e inadiável, dada a conexão umbilical de Bolsonaro com o elogio destas práticas de brutalidade contra o outro. O duro é que muitas vezes encontramos, no eleitorado que vota 17 com fanatismo e convicção inabaláveis, com ouvidos trancados. São pessoas dogmatizadas e intolerantes, que mobilizam todo um arsenal de racionalizações destinadas a justificar o injustificável. Você tenta criticar a postura aberrante e lamentável de um político que idolatra torturadores e puxa o saco do Ustra – e as pessoas logo dão um jeito de retrucar metendo o Lula ou o Marighella na história, para desviar o papo para os supostos “crimes dos esquerdistas” que supostamente justificariam, em todos os tempos, os tratamentos brutais “corretivos” que lhes foram infligidos.

Desfazer adesões de brasileiros à maré fascista / Bolsonarista tornou-se uma espécie de absurdo trabalho de Sísifo, pois muitos eleitores do Coiso não são capazes de ver sua adesão ao facínora abalada nem mesmo por tantas evidências de que Bolsonaro é um pretendente a tirano, doentio em sua megalomania, com ‘delírios de onipotência’ (como bem disse Ivana Bentes), que vomita um discurso de ódio e de segregação muito similar àquele de líderes que estiveram à frente de regimes totalitários e genocidas.

Empoderá-lo não tem a mínima chance de acabar bem.

O TSE, que censurou a veiculação deste vídeo na TV, tenta amordaçar o PT quando este procura resgatar verdades históricas e informar a opinião pública sobre o tipo de caráter diabólico que encontra seu porta-voz em Bolsonaro. Já em relação ao #caixa2doBolsonaro para disparar milhões de mensagens caluniosas, notícias falsas e memes de assassinato de reputações, o TSE mostra-se conivente, acovardado e até mesmo cúmplice deste processo golpista que envolve dúzias de empresas brasileiras que já aderiram ao Capitalismo Fascista, ao Neoliberalismo Militarizado.

Em outras palavras: o PT é silenciado e censurado por revelar a verdade, em um vídeo alinhado com os ideais e práticas da Comissão Nacional da Verdade, importante iniciativa do primeiro mandato de Dilma Rousseff; já a extrema-direita recebe carta branca para seguir fraudando a lisura do processo eleitoral com uma campanha de sórdida enganação e manipulação da opinião pública (com o beneplácito de Steve Bannon e Trump, da Havan e Edir Macedo, da Record e da Globo, tudo construído sobre a fraude jurídica que excluiu Lula das eleições, botando fogo no Comitê de Direitos Humanos da ONU e picando em pedacinhos a Constituição de 1988.

ASSISTA AO VÍDEO – via Meu Professor de História:

https://www.facebook.com/MPHistoria/videos/980852965581631/

 

PARTE 11 – NÓS SOMOS A ÚLTIMA BARREIRA CONTRA O FASCISMO

O Estado autoritário, ultra-conservador nos costumes, apesar de ultra-liberal na economia, que está sendo proposto pelo Bolsonarismo, tem a cara fétida de um Leviatã Hobbesiano: vende-se a idéia de que esse Monstro de autoritarismo e militarismo virá para o benefício de todos, para “limpar toda a corrupção do Brasil”. Mas este Leviatã ensandecido que é o projeto político Bolsonarista não vem para pactuar uma paz, mas sim para destravar a mais feroz guerra de todos contra todos.

 O cidadão brasileiro ainda não percebeu o tamanho do risco de processos bélicos (guerra civil ou guerra internacional) que se tornam agora muito mais palpáveis e possíveis entre nós. Por falta de formação política, a maioria do povo brasileiro não conheço o ovo da serpente do fascismo, não sabe de seus estragos, não sabe da dificuldade de vencê-lo, uma vez que ele conquista o domínio do Estado (como foi com Mussolini na Itália, Salazar em Portugal, Franco na Espanha, Hitler na Alemanha). Muito sangue é derramado para des-empoderar o fascismo, uma vez este tenha se apoderado do Estado.

O Brasil vai se tornando um dos epicentros globais do fascismo empoderado. E isso graças às desgraças que acarreta por aqui a nossa Elite do Atraso, como o sociólogo Jessé de Souza a batizou. Nós, que anos atrás oferecíamos ao mundo todo um paradigma de excelência em matéria de gestão do Bem-Estar Social através das políticas públicas criadas e aplicadas pelo governo Lula, hoje estamos decaídos a uma espécie de republiqueta de bananas que ameaça instaurar, com Bolsonaro, uma espécie de sub-führerdom que responde às ordens lá de cima: não de Deus, como reza o slogan (também ele fake!), mas sim de Mr. Donald Trump.

O Brasil da Era Lula era visto internacionalmente como um farol e uma inspiração para que a Europa, a América do Norte e a Ásia pudessem não se destruir no processo de navegar as turbulentas marés criadas pela crise econômica de 2008. O PT navegou através de uma das piores crises desde o crack de New York em 1929 que dá início à Grande Depressão dos anos 1930.  uma espécie de hospedeiro de um câncer que ameaça se espalhar pelo mundo inteiro.

Segundo o filósofo e professor da USP, Vladimir Safatle, as 4 características do fascismo são:

1- Culto da violência.
2- Culto do Estado-nação paranóico.
3- Insensibilidade absoluta em relação às classes mais vulneráveis.
4- Entregar todo seu poder para um líder “cômico” que fala o que quiser sem nenhuma responsabilidade.

Nós agora somos a última barreira contra o fascismo. Ele fere nossa existência, então seremos resistência. Seguiremos criando novas maneiras de viver e conviver. Como disse Luis Felipe Miguel em um excelente artigo publicado no Blog da Boitempo: “entre o fascismo e nós, só há nós”: 

Com o golpe de 2016, as condições da disputa política no Brasil entraram em processo de rápida deterioração. A institucionalidade fundada na Constituição dita “cidadã” opera de maneira cada vez mais precária; suas garantias são cada vez mais incertas. A prisão do ex-presidente Lula, após julgamento de exceção, ao arrepio do texto expresso da própria Carta de 1988 e com inequívoca intenção de influenciar no processo eleitoral, simboliza com precisão a situação em que nos encontramos.

Ao mesmo tempo, a violência política aberta se alastra, seja por meio dos agentes do Estado (como mostra a repressão cada vez mais truculenta às manifestações populares e a perseguição aos movimentos sociais), seja contando com sua complacência. Das tentativas de intimidação à expressão de posições à esquerda em espaços públicos ao brutal assassinato da vereadora Marielle Franco (e de seu motorista Anderson Gomes), passando pelos atentados às caravanas de Lula, são muitos os episódios que revelam essa escalada.

Há rincões em que o assassinato político nunca deixou de existir – somos um país em que o latifúndio nunca parou de matar lideranças camponesas, por exemplo. Neles, o golpe agravou o quadro, dada a sensação de “porteiras abertas” que o retrocesso no Brasil gera para os mandantes dos crimes. E, nos lugares em que o conflito político apresentava um verniz mais civilizado, regredimos para patamar inferior.” – BLOG DA EDITORA BOITEMPO

por Eduardo Carli de Moraes, Professor de Filosofia, IFG.
22 de Outubro de 2018