Os Povos Da Megadiversidade versus Os Exterminadores da Pluralidade – Por Manuela Carneiro da Cunha

“Desde que a espada e a cruz desembarcaram em terras americanas, a Conquista européia castigou a adoração da Natureza, que era pecado ou idolatria, com penas de açoite, forca ou fogo. A comunhão entre a Natureza e a gente, costume pagão, foi abolida em nome de Deus e depois em nome da civilização. Em toda América, e no mundo, seguimos sofrendo as consequências desse divórcio obrigatório.”

EDUARDO GALEANO (1940 – 2015), escritor uruguaio, citado por Alberto Acosta em “O Bem-Viver – Uma Oportunidade Para Imaginar Outros Mundos” (Fundação Rosa Luxemburgo, Autonomia Literária, 2016, pg. 105)

POVOS DA MEGADIVERSIDADE

Por Manuela Carneiro da Cunha em Revista Piauí #148 – Janeiro de 2018

Em 1967, o ministro do Interior, general Afonso Augusto de Albuquerque Lima, ordenou a realização de uma comissão de inquérito administrativo para apurar os delitos praticados pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI). Queria punir funcionários e moralizar o órgão. Nomeou para presidir a comissão o procurador federal Jáder de Figueiredo Correia. A iniciativa havia tardado quatro anos e derivava das graves denúncias de desmandos administrativos e financeiros no relatório de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), de 1963. Figueiredo fez valer que a CPI havia apenas examinado os anos de 1962 e 1963 e ainda assim só três inspetorias do SPI, uma no Amazonas e duas no Mato Grosso. O ministro foi levado a estender o âmbito do inquérito a todo o Brasil.

A Comissão Figueiredo percorreu uns cem postos indígenas dos cerca de 130 existentes, em cinco inspetorias regionais do SPI, e apresentou um relatório de quase 7 mil páginas datilografadas. Incluía uma síntese em que descrevia muito mais do que problemas administrativos e os corriqueiros desvios financeiros. Denunciava com indignação crimes e violações de direitos humanos contra os indígenas. Dava nomes, detalhes e provas. Havia conluio de funcionários do SPI com fazendeiros, políticos locais, arrendatários, mineradoras; havia corrupção e desvio de dinheiro, apropriação de recursos, usurpação do trabalho dos índios; dilapidação do patrimônio dos índios, com venda de gado, de madeira, de castanha e outros produtos extrativistas, exploração de minérios, doação criminosa de terras; havia trabalho obrigatório ou escravo, venda de crianças, maus-tratos, espancamentos, prostituição, cárcere privado, seviciamento, torturas, suplício no tronco que esmagava os tornozelos, mortes por deixar faltar remédios, assassinatos, em suma um vasto rol de “crimes contra a pessoa e o patrimônio do índio”. Em termos estatísticos, os crimes por ganância eram os mais comuns, mas os crimes contra a pessoa mais hediondos.

Figueiredo salientou também a omissão na assistência devida pelo SPI aos índios, “a mais eficiente maneira de praticar o assassinato”. E por fim, explicitamente, mencionou a omissão institucional do SPI diante de massacres de extermínio. Citou o massacre por fazendeiros no Maranhão de toda uma “nação” indígena sem que o SPI se interessasse. Mencionou denúncias, nunca apuradas pelo SPI, de inoculação de vírus da varíola que provocou a “extinção da tribo localizada em Itabuna, na Bahia, para que se pudesse distribuir suas terras entre figurões do governo”. Falou do que passou a ser chamado de “Massacre do Paralelo 11”, quando os cintas-largas em Mato Grosso, atacados por dinamite jogada de avião, foram envenenados por açúcar com estricnina, abatidos por metralhadora, pendurados e cortados ao meio, de cima a baixo, com um facão, sem que ninguém incomodasse os perpetradores do crime.

Esse relatório foi divulgado oficialmente em 1968. O próprio ministro Albuquerque Lima, diga-se em sua honra, deu uma entrevista coletiva para a imprensa em 20 de março e consta que o Diário Oficial publicou o relatório conclusivo em setembro de 1968. Baseio-me aqui na primorosa pesquisa de mestrado em memória social de Elena Guimarães, defendido em 2015 na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, com orientação de José R. Bessa Freire, intitulada “Relatório Figueiredo: entre tempos, narrativas e memórias”.

O ministro do Interior continuou a divulgar massacres dos craôs, dos canelas, dos maxacalis, dos nhambiquaras, dos tapaiunas. Em dezembro de 1968, com o Ato Institucional nº 5, a situação mudou e aparentemente os documentos foram arquivados. O paradeiro do Relatório Figueiredo ficou ignorado durante mais de quatro décadas e o documento só reapareceu em 2012, graças ao pesquisador Marcelo Zelic, que o identificou no Museu do Índio, no Rio de Janeiro. Tornou-se imediatamente uma fonte essencial para o capítulo sobre os povos indígenas na Comissão Nacional da Verdade que investigou crimes do Estado contra os índios de 1946 a 1988.

Relatório Figueiredo levou à criação e funcionamento efêmero de uma nova CPI do Índio em 1968, encerrada por ocasião do AI-5, com a cassação de alguns de seus membros; e ensejou a extinção do SPI e a criação da Funai (Fundação Nacional do Índio) para substituí-lo.

O SPI havia sido fundado em 1910, em decorrência de outra acusação de chacinas de índios nos estados do Paraná e Santa Catarina para dar lugar nas terras aos imigrantes europeus. A denúncia foi feita no 16º Congresso Internacional de Americanistas, em Viena, em 1908, e provocou no Brasil forte reação de cunho nacionalista. Acabou desaguando, com a participação de Cândido Mariano da Silva Rondon e do movimento positivista, na criação do Serviço de Proteção ao Índio e Localização de Trabalhadores Nacionais. No intuito de proteger negocialmente os índios, o Código Civil de 1916 passou a classificá-los como “incapazes relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer”, o mesmo status que tinham as mulheres casadas (essa situação perdurou até 1962) e os jovens entre 16 e 21 anos. Assim enquadrados no Código Civil, os índios passaram a merecer a proteção de um tutor, papel que foi atribuído ao Estado e que este delegou ao SPI e depois à Funai.

Relatório Figueiredo causou grande indignação na opinião pública e repercutiu amplamente na imprensa do país e do exterior. Chegou a ser assunto da primeira página do New York Times no dia seguinte à sua divulgação. Assinado por Paul L. Montgomery e usando excertos do Relatório Figueiredo, a reportagem mencionava uma escandalosa série de assassinatos, estupros e roubos cometidos contra os índios no Brasil nos últimos vinte anos.

A palavra “genocídio” foi criada em 1944 para designar a política nazista de extermínio de judeus e ciganos. Uma Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio, organizada pela ONU em 1948, caracterizou o crime e definiu as punições a ele. Desde então, “genocídio” foi o termo empregado para se referir ao que os turcos praticaram contra os armênios, em 1915, ou os hutus aos tutsis, em Ruanda, em 1994.

A lei brasileira no 2889, de 1o de outubro de 1956, seguindo a formulação da ONU, definiu como genocídio o crime praticado com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. São eles: “a) matar membros do grupo; b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo; c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial; d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo.”

Embora as denúncias da comissão de inquérito presidida por Figueiredo se encaixassem na definição acima, a palavra “genocídio” não constava no relatório final do procurador federal. Diante do risco de o tema entrar na pauta da primeira Conferência Internacional sobre Direitos Humanos, em Teerã, e pressionado pelo Itamaraty, o Ministério do Interior tentou minimizar a situação, declarando: “Os pretensos crimes de genocídio praticados contra índios brasileiros não passam de conflitos muito mais violentos na história de outros povos entre a cobiça da civilização sem humanismo e a propriedade do silvícola, desequipado mental e materialmente para defendê-la.” (Jornal do Brasil, 10/4/1968)

longa reportagem que a Piauí publica da página 38 à 50 insere-se nesse contexto. Foi escrita por um celebrado jornalista do século XX, o inglês Norman Lewis (1908-2003), que o diário The Sunday Times enviou ao Brasil em 1968, acompanhado de um importante fotógrafo de guerra, Don McCullin.

Lewis era um escritor prolífico e muito respeitado. Ficaria famoso por seus relatos de viagem e suas reportagens internacionais a respeito de povos tribais da Índia, de conflitos na Indonésia, da guerra francesa na Indochina e da Segunda Guerra Mundial – sobre a qual escreveu um clássico do jornalismo, o livro Nápoles 1944. Sua matéria a respeito dos índios brasileiros foi publicada na Sunday Times Magazine, em 23 de fevereiro de 1969 – posteriormente, seria editada no livro A View of the World: Selected Journalism. A reportagem estampava em letras garrafais o título “Genocide” e causou tal impacto na opinião pública britânica e europeia que motivou a criação da ONG inglesa Survival International, dedicada à defesa de povos indígenas no mundo inteiro, ativa até hoje.

O texto de Lewis é autoexplicativo e tenho poucos comentários a fazer sobre ele. O jornalista recua ao século XVI para mostrar que a dizimação dos povos indígenas das Américas não representava novidade na década de 60. Só os métodos haviam mudado. Em sua narrativa, dá muito realce à figura do fazendeiro, à sua cobiça pelas terras dos índios. Pode-se dizer que Lewis e McCullin viajam pelo Brasil numa época em que se encerra uma fase do indigenismo, caracterizada pela iniciativa, digamos, privada do fazendeiro e pela omissão institucional do SPI e, portanto, do Estado. Enquanto isso, está entrando em cena a Funai, criada às vésperas do grande projeto dos anos 70 de “integração da Amazônia” para ser a ponta de lança de uma política ativa do próprio Estado, que irá deslocar e varrer os povos indígenas que estariam obstando os projetos de infraestrutura e de ocupação de terras por aliados do regime. Foi sobretudo nessa época que se insistiu na alegação de que os índios representariam um entrave ao desenvolvimento.

que mudou meio século depois do Relatório Figueiredo? Na prática, pouca coisa. Os índios continuam sendo mortos a bala e resistindo como podem à espoliação de suas terras. Declarações do presidente Jair Bolsonaro estimularam, antes mesmo de sua posse, a violência contra os índios, as populações tradicionais, os funcionários da Funai e os do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os vários povos indígenas que, depois de uma primeira experiência desastrosa com a dita civilização, preferiram se isolar, estão agora reaparecendo, encurralados pelo “desenvolvimento”. São os mais vulneráveis e só terão alguma chance se for mantida a política de não estimular novos contatos.

À falta de mudanças nas velhas práticas, o que mudou, e muito, foi a teoria. A ideia de “integração” deixou de ser sinônimo de assimilação. A missão do Estado não é mais entendida como sendo a de descaracterizar sociedades indígenas para trazê-las ao regaço da civilização, até porque elas só têm a perder nesse regaço. Integrar não é mais tentar eliminar diferenças, e sim articular com justiça as diferenças que existem. Assim, a Constituição de 1988, no caput do artigo 231, declara algo, isso sim, muito novo: “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições…” E no parágrafo 1º do mesmo artigo, ao caracterizar o que são terras indígenas, inclui todas aquelas necessárias à reprodução física e cultural dos índios.

A diversidade biológica e social deixou de ser vista como um passivo: é um ativo, como enfatizou recentemente a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Foi-se o tempo em que derrubar a mata significava fazer uma benfeitoria, em que massacrar índios era “desinfestar os sertões”. Na era da biomimética e da busca por novos princípios ativos, a floresta em pé e seus melhores conhecedores, que são as populações tradicionais, tornam o Brasil um campo de imenso potencial para a inovação de ponta. E consta que se conhecem até agora apenas uns 10% dos supostos 2 milhões de espécies de fauna, flora e microorganismos da nossa biodiversidade.

Hoje, o Brasil se orgulha internacionalmente de sua megadiversidade socioambiental. No Censo do IBGE de 2010, contaram-se 305 etnias e 274 línguas diferentes, inclusive de troncos linguísticos completamente distintos. E, pela sua diversidade biológica, o Brasil figura com grande destaque no seleto grupo de dezessete países megadiversos.

Os conhecimentos e práticas dos povos indígenas têm sido reconhecidos em foros internacionais, como ficou patente no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), criado em 1988, e na Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), de 2012. A arqueologia brasileira tem posto em evidência que o enriquecimento da cobertura e dos solos da floresta – as fertilíssimas “terras pretas” – é fruto das práticas de populações indígenas desde a era pré-colombiana até hoje. E sabe-se agora que na Amazônia foram domesticadas dezenas de plantas, entre as quais a batata-doce, a mandioca, o cará, a abóbora, o amendoim e o cacau. Um artigo publicado recentemente mostra que até mesmo o milho, originário do México, passou por uma segunda domesticação na Amazônia.

Os povos indígenas e comunidades tradicionais são também provedores da diversidade das plantas agrícolas, a chamada agrobiodiversidade, fundamental para a segurança alimentar. A Revolução Verde do pós-guerra, que investiu nas variedades mais produtivas de cada espécie agrícola, teve grande sucesso no volume das colheitas, mas produziu danos colaterais. Um deles foi a perda maciça de variedades agrícolas, como as de arroz na Índia e de milho no México.

Foi a falta de diversidade das variedades cultivadas de batata que levou à Grande Fome da Irlanda, entre 1845 e 1849. Domesticada nos Andes, onde existem até hoje mais de quatro mil variedades com diferentes propriedades e resistência a doenças, a batata se tornou no século XVIII a base da alimentação de boa parte da Europa, onde só poucas variedades, entretanto, foram selecionadas. Quando um fungo destruiu por vários anos seguidos as batatas plantadas na Irlanda, a fome causou a morte de um milhão de pessoas e a emigração de outras tantas.

A consciência do risco criado pela perda da diversidade levou o próprio pai da Revolução Verde, Norman Borlaug, a propor a criação dos chamados bancos de germoplasma pelo mundo afora, para a conservação das variedades de plantas. Mas não basta: as plantas e seus inimigos, como os fungos, encontram-se em uma perpétua corrida armamentista. A cada novo ataque, as plantas desenvolvem novas defesas, num processo de coevolução, que também ocorre devido a mudanças de outra natureza, como as climáticas.

Essa coevolução não se dá em bancos de germoplasma, onde as variedades estão depositadas para se conservarem sem mudanças. Por isso é essencial que elas continuem a ser cultivadas. Órgãos científicos cuidam disso mediante pesados investimentos. Mas povos indígenas e comunidades tradicionais também mantêm por conta própria, por gosto e tradição, as variedades em cultivo e observam as novidades. É por isso que no Alto Rio Negro há mais de 100 variedades de mandioca; nos caiapós, 56 variedades de batata-doce; nos canelas, 52 de favas; nos kawaiwetes, 27 de amendoim; nos wajãpis, 17 de algodão; nos baniuas, 78 de pimenta – sem falar na diversidade de espécies em cada roçado e quintal. Para os caiapós, bonito é um roçado com muita diversidade, pois os povos indígenas são mais do que selecionadores de variedades de uma mesma espécie. Eles são, de fato, colecionadores.

A tragédia irlandesa das batatas se tornou uma história exemplar. Mostrou que se deve dosar a produtividade e a diversidade. É coisa que o mercado financeiro tanto quanto a ecologia ensinam: a homogeneidade é perigo sério. A quem pergunta o que produzem os povos indígenas, pode-se responder que eles são e produzem justamente a diversidade. De graça.

chamado “interesse nacional” é um coringa muito utilizado, mas pouco analisado. Onde exatamente reside o interesse nacional no caso dos indígenas? Um exemplo interessante é o da mineração em suas terras. A partir da década de 70, o projeto Radam (Radar da Amazônia) começou a fazer o mapeamento aéreo da região e criou grande expectativa para as companhias de mineração. Rapidamente, o mapa da Amazônia ficou coberto de pedidos de pesquisa e de lavra.

Na Constituinte de 1988, as mineradoras, em sua maioria de capital estrangeiro, combateram com afinco as restrições à lavra em terras indígenas. Tinham o apoio do economista Roberto Campos, então senador. Foi a Coordenação Nacional dos Geólogos, a Conage, que defendeu essas restrições. Lembrou que, na exploração mineral, não existe segunda safra, e que era de interesse nacional manter reservas minerais em terras indígenas. Nesse embate, o interesse nacional foi defendido pela Conage contra as mineradoras. O que mudou agora?

O mapa das terras indígenas do Brasil é eloquente: as maiores estão em áreas que até há pouco tempo não interessavam a ninguém, e são extensas justamente por isso. Povos indígenas, como os macuxis, foram levados ou atraídos pelo próprio Estado no século XVIII para as fronteiras mais sensíveis do país com o objetivo de lá constituir uma fronteira viva, “uma muralha do sertão”. Hoje, são os ashaninkas do Acre que, por conta própria, rechaçam invasores madeireiros do Peru. Seja como for, foi sábia a Carta de 1988 ao ter mantido a tradição constitucional brasileira de definir as terras indígenas como propriedade da União, embora de posse exclusiva permanente dos índios. O Estado pode e deve estar presente nas fronteiras. Inclusive para defender os índios e para ser defendido por eles quando necessário.

Se continuarmos a olhar o mapa das terras indígenas, veremos que, não por acaso, nas áreas de colonização antiga, as terras indígenas são diminutas. E nas que foram ocupadas por fazendas nos anos 40, durante a “marcha para o oeste” (sul de Mato Grosso e oeste do Paraná), o conflito é permanente. Esses conflitos incessantes são, aliás, um bom motivo para manter a Funai na alçada do Ministério da Justiça, que teria maior agilidade, já que coordena a Polícia Federal, para intervir quando necessário.

Quais são os mais eficientes blocos políticos com que o Brasil poderia se alinhar na defesa do interesse nacional? O Ministério do Meio Ambiente publicou que o valor da biodiversidade brasileira é incalculável e que os serviços ambientais que oferece, “enquanto base da indústria de biotecnologia e de atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais”, são estimados em trilhões de dólares anuais. Dada a importante atuação do Brasil no bloco dos países megadiversos, é favorável ao interesse nacional abandonar esse grupo?

Perguntaram-me há alguns dias o que eu esperava da política do novo governo. Minha resposta é esta: espero que cumpra a Constituição de 1988.

Manuela Carneiro da Cunha é antropóloga, professora titular aposentada da USP e professora emérita da Universidade de Chicago.

Xavantes no vale do rio Batovi, em Mato Grosso, em 1949. Os povos indígenas e comunidades tradicionais são provedores da diversidade das plantas agrícolas, a chamada agrobiodiversidade, fundamental para a segurança alimentar. FOTO: JOSÉ MEDEIROS, 1949.

Fotografia que abre o post: Ex-presidente Lula em ato de demarcação da Raposa Serra do Sol, via Carta Capital.

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Fascismo Quixotesco: Reavivando paranóia anticomunista, Bolsonaro convenceu uma parcela dos brasileiros a combater moinhos de vento

Como Bolsonaro convenceu os brasileiros a combater moinhos de vento

Para surpresa de muitos, o militar aposentado conseguiu transformar seus delírios em realidade

por Carla Guimarães em El País

“Em um país tropical, cujo nome não quero lembrar, vivia um militar aposentado que defendia a ditadura e que acreditava que o grande erro daquele regime foi não ter matado mais vermelhos. Esse militar, em seus momentos de ócio, se dedicava a fazer campanhas políticas e até chegou a ser deputado. Em quase três décadas no Congresso, aprovou apenas duas leis de sua autoria. Sua grande contribuição, em suas próprias palavras, foi impedir que certos projetos fossem aprovados. Por causa desses projetos, passava noites em claro. “As minorias têm que se curvar às maiorias”, disse em certa ocasião. A luta contra a expansão dos direitos de mulheres, homossexuais, negros e indígenas o consumia por completo. E assim, dormindo pouco e lutando muito, seu cérebro secou de tal maneira que perdeu o juízo. De fato, terminada sua sanidade, um estranho pensamento se instalou em sua mente: tornar-se presidente e sair pelo país com suas armas defendendo os direitos dos homens brancos e ricos. Para alcançar seu nobre objetivo, estava disposto a enfrentar o maior dos perigos, a esquerda radical.

Como foi paraquedista em seu tempo no Exército, decidiu se lançar no vazio das redes sociais e enchê-las com os incríveis malfeitos cometidos por seu recalcitrante inimigo. Onde quer que fosse, advertia sobre o perigo da esquerda, que pretendia instaurar uma ditadura gay no país. Se os seus adversários chegassem ao poder, legalizariam a pedofilia, os bicos das mamadeiras teriam a forma de pênis e, nas escolas, as crianças heterossexuais se tornariam homossexuais por causa de um material didático apelidado de kit gay pelo militar.

Outra de suas grandes preocupações era evitar o avanço do feminismo, uma ideologia que levaria o país inexoravelmente ao apocalipse. O feminismo era capaz de transformar mulheres em monstros peludos cheios de ódio contra o gênero masculino. O objetivo desses monstros era instaurar uma ditadura feminista que, junto com a ditadura gay, perseguiria sem descanso os pobres homens heterossexuais.

Os ativistas que defendem os direitos humanos e a natureza também representavam um risco. Eram um claro obstáculo ao desenvolvimento da nação. “Hoje em dia é muito difícil ser patrão”, defendeu o ex-paraquedista não faz muito tempo. Para ele, os donos das grandes empresas e os latifundiários eram as verdadeiras vítimas esquecidas pelas ONGs. Oprimidos pelos direitos de seus trabalhadores ou pelas leis de preservação da natureza, os patrões são uma espécie indefesa que deve ser protegida. No dicionário de seus seguidores, a palavra “ativista” significava delinquente e “direitos humanos” era pouco mais que um palavrão.

Além de denunciar as terríveis injustiças que seriam perpetradas pela esquerda radical, o militar aposentado oferecia a solução para o grave problema da insegurança no país tropical. “Bandido bom é bandido morto”, gritavam seus acólitos. Seu plano inovador para melhorar a segurança era armar a população. Combater a violência com mais violência. Como ninguém tinha pensado nisso antes?

As armas foram, sem dúvida, o grande símbolo de sua cruzada pelo país. Em suas mãos, qualquer objeto se tornou uma alusão a elas. Na falta de um objeto, seus próprios dedos imitavam pistolas e revólveres. O ex-militar fez o gesto de disparar em inúmeras ocasiões, tanto que ninguém se lembrava mais de que tinha 10 dedos. Aqueles que o viram garantiam que ele só tinha dois dedos em cada mão: o indicador e o polegar, ambos manchados de pólvora.

Apesar de se apresentar como um herói à maneira de Chuck Norris, o ex-paraquedista não pôde esconder sua maior fraqueza: o medo do debate. Toda vez que enfrentou um adversário, perdeu seguidores. Os adversários o crivavam com argumentos, disparavam-lhe ideias e o acabavam com dados. Ele estava, pela primeira vez, desarmado e indefeso, perdido no meio de um tiroteio dialético. Portanto, como bom militar, optou por outra estratégia. Quando falava, preferia fazê-lo sozinho, em um discurso; ou de maneira acordada, com um interlocutor amigável. Adorava frases de efeito, geralmente vazias de conteúdo. O discurso de ódio se tornou seu melhor aliado e tirou milhares de intolerantes do armário. Para seus fãs, o desprezo pelas minorias era sinceridade, os ataques à liberdade de expressão eram puro senso comum e a defesa da repressão policial era pragmatismo. Para justificar o discurso de ódio, o carrasco se faz passar por vítima, o perseguidor diz que está sendo perseguido e o covarde se disfarça de herói.

Para surpresa de muitos, o militar aposentado conseguiu transformar seu delírio em realidade e no primeiro dia do novo ano tomou posse como presidente do país tropical. Para os narradores que descrevem suas façanhas é quase impossível explicar como o ex-paraquedista conseguiu convencer uma grande parte da população de que os moinhos de vento eram, na verdade, gigantes.”

Carla Guimarães

Lula é a prova viva de que não se pode encarcerar sonhos

Sinto e confesso que, diante de uma figura como Lula, sinto todo o peso de minha pequenez e insignificância. Pois Lula é um daqueles raros seres humanos que agigantou-se a ponto de transformar-se em figura histórica. Transcendeu as limitações da carne e ascendeu ao reino dos mitos. É hoje o que merece ser chamado pelo adorável clichê: uma lenda viva. 

Nesta ano de 2018, Lula evidenciou novamente sua imensa grandeza – que contrasta de modo gritante com a pequenez e a baixeza do presidente eleito Jair Bolsonaro, que é uma encarnação do que este país produziu de pior e de mais monstruoso em sua história. Vão acusar-me de maniqueísta e fanático ideológico, mas falo a partir de jorros afetivos do coração: estou plenamente convicto que Bolsonaro, que idolatra Ustra e Duque de Caxias, que defende a tortura e enaltece a ditadura, é de fato um monstro em comparação com este sábio que Lula tornou-se. 

As adversidades da vida ensinam muito mais que sucessos e glórias. E foi nas adversidades, desde o berço pernambucano até a migração para terras paulistas, que forjou-se este mito de carne-e-osso que atende por Lula e que, como a História do futuro dirá, merecerá estar inscrito na aventura do caminhar desta nação em posição equiparável a Tiradentes, a Lampião, a Antonio Conselheiro, a Prestes, a Marighella. Comparável, lá fora, a Mandela, a Gandhi, a Luther King. Sem deixar de ser absolutamente singular, idiossincrático, inimitável – um cara que poderia perfeitamente cantar “só eu sou eu” com toda a razão deste mundo. Não há personalidade pública que rebrilhe no Brasil da atualidade com tamanha singularidade. 

Só em dias extraordinários é oferecido a alguém a experiência de ver a cidade em que cresceu transformar-se no epicentro de um drama nacional e planetário. Foi o que ocorreu em Abril de 2018, quando a São Bernardo do Campo de minha infância e adolescência estava bombando em todas as mídias. Os olhos do mundo estavam focados no épico que se desenrolava no ABC paulista enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagia à iminência de seu encarceramento.

Nascido em 1984, eu não estava ainda entre os vivos quando explodiram, no fim dos anos 1970, aquelas colossais greves operárias que colocariam o governo ditatorial brasileiro em xeque. Acredito, porém, que as ressonâncias daqueles eventos me atingiram na infância, crescendo no ABC dos anos 1980 em meio aos antagonismos sociais violentos desta país que, desde que me entendo por gente, reconheço como uma tragédia de dimensões continentais. Um barril-de-pólvora em formato de país, onde a injustiça triunfa, a violência se alastra e “quem não presta fica vivo, quem é bom mandam matar” (para lembrar os versos de Cecília Meireles que Chico Buarque musicou).

No vídeo incrível da Mídia Ninja (assista a seguir), temos acesso a um condensado audiovisual de alto calibre com algumas das palavras históricas de Lula, em 07 de Abril de 2018, diante da multidão que estava diante do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, antes de ser encarcerado injustamente. Naquela ocasião, segundo Rosane Borges, professora da ECA-USP, “ouvimos um discurso fundador que se inscreveu irrevogavelmente na lápide da História”:


“Seja pela vocação que têm para suscitar outros / novos modos de existência, seja por instituírem novas configurações da política, seja por inventarem novas bússolas para a travessia de nossas vidas, alguns discursos se consagraram na História como prenúncio ou advento de um novo tempo, apesar dos perigos.

Num amplo arco, recordemos, entre tantas, algumas falas de repercussão sísmica, como o audacioso discurso ‘E eu não sou uma mulher?’, da estadunidense Sojourner Truth, ex-escravizada que demoliu a Women’s Rights Convention, em Ohio. Na ocasião, 1851, Truth questionou por que as mulheres brancas eram privilegiadas e as mulheres negras vistas como inferiores, intelectual e fisicamente, úteis somente para o trabalho braçal.

Menção obrigatória deve ser feita também ao discurso de posse de Nelson Mandela. No mesmo diapasão, está o discurso memorável de Martin Luther King (“Eu tenho um sonho”).

O celebrado “Saio da vida para entrar na História”, redigido na última linha da carta-testamento de Getúlio Vargas, é outro fragmento discursivo com desdobramentos importantes (…), escrito horas antes dele [Vargas] se matar, em 24 de agosto de 1954.

(…) Reafirmando que é dono do seu destino, Lula fez um discurso antológico em 7 de Abril de 2018. Um discurso indutor de esperanças várias, como um rio com múltiplos afluentes. Lula provocou estímulos inabarcavelmente amplos. (…) Quando Moro anuncia que ‘já era’ para Lula, eis o que o ex-presidente inverte, com seu pronunciamento, os elementos dessa equação, e anuncia que na verdade tudo só está começando. ‘A partir de agora minhas ideias vão se misturar com as ideias de vocês’.

Rosane Borges arremata: “Foram necessárias apenas 48 horas de nossas vidas – entre 5 e 7 de Abril de 2018, em São Bernardo do Campo/SP – para que testemunhássemos, em meio à politização do Judiciário, ao triunfo do Estado de exceção, um gesto de altíssima envergadura, vocalizado por um discurso emancipatório, o que fez desses 2 dias um marco temporal com potência para desbloquear o amanhã, interceptado que está pela política destruidora do presente que avança na velocidade da luz.” (BORGES, 2018, pg. 82 a 88)

Já a psicanalista Maria Rita Kehl pode dizer que testemunhou as duas prisões de Lula: enquanto repórter do jornal Movimento (de oposição à ditadura militar e ligado ao PC do B), ela conheceu o jovem líder operário Lula em 1978, quando o futuro presidente “foi o negociador entre operários e patrões na greve da Scania – a primeira greve operária desde o famigerado AI-5”.

Como rememora Kehl: “No ano seguinte, 1979, o movimento grevista se estendeu para um número grande de fábricas , em todo o ABC. No dia 1º de Maio de 1979, tive a sorte de ir, com amigos, à festa dos metalúrgicos. Ouvi Lula falar para 80 mil operários em greve, reunidos no estádio da Vila Euclides. Explicou, com clareza científica, as razões da greve. Não apostava na ‘condução das massas’ e sim na politização esclarecedora. O trabalhador que entende por que luta sabe o que reivindica e luta melhor…

Em agosto daquele ano, a lei da anistia permitiria a volta dos exilados e a liberdade dos presos políticos que ainda permaneciam encarcerados. Foi o começo do fim da ditadura. O movimento operário do ABC teve papel importante para que isso acontecesse.

Em 1980, Lula fundou o PT – Partido dos Trabalhadores, ao lado de outras lideranças operárias e um time de intelectuais progressistas de primeira linha: Antonio Candido, Sérgio Buarque de Holanda, Francisco de Oliveira, Marilena Chauí, Paulo Freire, Mário Pedrosa, Hélio Pellegrino, Lélia Abramo, Perseu Abramo. Intelectuais que não se pretendiam ‘condutores do povo’; ao contrário, apoiavam a criação de um partido que nascia de dentro da luta de classes.

Foi preciso esperar mais de 20 anos para que o país elegesse o melhor presidente de sua história.” (KEHL, pg. 39 e 40)

Neste ano de 1980 em que nasce o PT, ocorreu algo fenomenal no mês de Abril: no estádio municipal da Vila Euclides, em São Bernardo, uma “greve de metalúrgicos, dezenas de milhares de operários presentes à assembléia num campo de futebol”. Camilo Vanucchi relembra: “No alto, dois helicópteros riscavam o céu. Eram helicópteros do Exército. Nas portas, soldados empunhavam metralhadoras apontadas para a massa. Opressão contra resistência pacífica. Se um único disparo fosse feito, o que poderia acontecer? (…)

Um dos filhos de Lula, Marcos Cláudio, aos 9 anos de idade, voltou para casa impressionado e desenhou um daqueles helicópteros do Exército. A IstoÉ de Mino Carta publicou. Marisa contava com tristeza do impacto da prisão de Lula na vida de Marcos, o primogênito. Sofreu bullying na escola, duas décadas antes da popularização da palavra bullying: ‘Teu pai está preso porque é bandido. Se fosse honesto, não estava preso.’ Marcos ficou quase dois meses sem ir à escola e precisou repetir o ano.


38 anos depois, saquei o smartphone e registrei os helicópteros de 2018. Havia pouca diferença entre aquelas imagens tão distantes no tempo entre si. Do alto, a transmissão feita pela Globonews e reproduzida no Jornal Nacional nos atingia a todos com a mesma violência das metralhadoras apontadas para a multidão no estádio da Vila Euclides – hoje Estádio Primeiro de Maio, sede do São Bernardo Futebol Clube. A qualquer momento, as câmeras suspensas deflagariam tiros letais, como os tantos disparados contra nós ao longo de todos esses anos. Bastaria ajustar o calibre-diafragma, definir o gatilho-obturador, escolher a teleobjetiva mais adequada para os tiros de longo alcance. O bombardeio entraria ao vivo, em horário nobre. Sem silenciador.” (VANNUCHI, p. 65)

O bombardeio midiático antipetista preparou o terreno para a 2ª prisão de Luiz Inácio, 38 anos após ele ter ido parar no DOPS em 1980. O clima de fascismo se acirrou desde o processo contra Dilma Rousseff, que derrubou-a do poder em 2016, e o encarceramento de Lula era o telos de todo esse processo, a cereja do bolo golpista, a “consumação do golpe”. E assim foi.

O que o processo eleitoral nos ensinou através de sua amarga escola foi o nível bestial a que podem descer alguns de nossos condidadãos, ainda que se auto-intitulem “cidadãos-de-bem”: ao se entregar à polícia, Lula voou numa aeronave onde ouviram-se frases como “manda este lixo janela abaixo aí”. Um dito em consonância com a personalidade autoritária atroz de Bolsonaro, que quer condecorar com medalhas aqueles fardados que praticarem chacinas nas favelas ou nas manifestações populares, afinal não passam de marginais vermelhos e matáveis terroristas toda essa corja do PT, do MST, da UNE, do MTST…. 

Recusando o discurso do ódio, Lula falou ecoando Pablo Neruda, e Salvador Allende, e Che Guevara: “eles podem cortar todas as flores, mas não vão deter a primavera.” É preciso aprender com a primavera, que a cada mudança de estação vê-se despida e outonal, só para retornar plena e viçosa na próxima temporada. Aos juízes que agem como algozes e enforcam a Justiça em praça pública, ao presidente eleito com fraudes e calúnias e seu Ministério de Bandidos, à parcela da população que abraçou o fascismo e a intolerância, é preciso gritar em alto e bom som: ainda que vocês realmente façam como Bolsonaro pregou e deixem o Lula para “apodrecer na cadeia”, com o beneplácito do Batman dos Coxinhas (o Sr. Moro), cedo ou tarde descobrirão que os nossos sonhos não são encarceráveis. Se o inverno é de vocês, a primavera será nossa.

“Eu sou um construtor de sonhos. Eu há muito tempo atrás sonhei que era possível governar esse país envolvendo milhões e milhões de pessoas pobres na economia, envolvendo milhões de pessoas nas universidades, criando milhões e milhões de empregos nesse país. Eu sonhei que era possível um metalúrgico, sem diploma universitário, cuidar mais da educação que os diplomados e concursados que governaram esse país. Eu sonhei que era possível a gente diminuir a mortalidade infantil levando leite feijão e arroz para que as crianças pudessem comer todo dia. Eu sonhei que era possível pegar os estudantes da periferia e colocá-los nas melhores universidades desse país para que a gente não tenha juiz e procuradores só da elite. Daqui a pouco vamos ter juízes e procuradores nascidos na favela de Heliópolis, nascidos em Itaquera, nascidos na periferia. Nós vamos ter muita gente dos Sem Terra, do MTST, da CUT formados. 

Esse crime eu cometi.

Eu cometi esse crime e eles não querem que eu cometa mais. É por conta desse crime que já tem uns dez processos contra mim. E se for por esses crimes, de colocar pobre na universidade, negro na universidade, pobre comer carne, pobre comprar carro, pobre viajar de avião, pobre fazer sua pequena agricultura, ser microempreendedor, ter sua casa própria. Se esse é o crime que eu cometi eu quero dizer que vou continuar sendo criminoso nesse país porque vou fazer muito mais. Vou fazer muito mais.” – LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA. Leia a íntegra do Discurso de 7 de Abril de 2018.

SIGA VIAGEM:

 

BIBLIOGRAFIA
“LUIZ INÁCIO LUTA DA SILVA”, Ed. Contracorrente. São Paulo, 2018.

Por que os brasileiros elegeram um aspirante a ditador? – Por André Pagliarini em The New Republic

Ilustração por Alex Nabaum

Por que os brasileiros elegeram um aspirante a ditador?

Jair Bolsonaro venceu a presidência com a promessa de restabelecer o regime militar

Por André Pagliarini em The New Republic (13 de novembro de 2018)
Tradução: Raquel de Vasconcellos Cantarelli

Jair Bolsonaro não aprecia muito a democracia. O presidente recém-eleito menospreza a noção de direitos humanos como um “desserviço” ao Brasil. Ele lamenta o fato de que a polícia, uma das mais letais do mundo, não tenha o direito de matar com mais liberdade, prometendo-lhe carta branca em sua administração. Certa vez, propôs utilizar um helicóptero para jogar panfletos advertindo os traficantes a abandonarem as comunidades pobres, ou seriam indiscriminadamente baleados.

Bolsonaro é de longe a mais proeminente autoridade eleita a elogiar a rígida ditadura militar que governou o país de 1964 a 1985. Capitão reformado que serviu ao Exército de 1977 a 1988, foi um soldado sem notoriedade, cujas ambições políticas descomunais frequentemente exasperavam oficiais superiores. Em 1986, por exemplo, queixou-se à imprensa da falta de aumentos salariais e da escassez de perspectivas profissionais aos soldados da ativa.

Pouco depois, foi julgado pela Justiça Militar por incitação à desordem. (Foi acusado de conspirar para atirar bombas em um quartel militar e foi condenado, mas ganhou na apelação e as acusações contra ele acabaram sendo retiradas). Na época, fazia pouco tempo que os militares tinham restituído o governo ao controle civil. Mas Bolsonaro, ao contrário de muitos oficiais superiores, nunca aceitou a redução das funções militares na vida brasileira.

Em sua campanha presidencial, escolheu um general como vice-presidente e prometeu nomear outros militares para cargos-chave do governo. Ele pretende militarizar as fronteiras do Brasil e descreveu o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – uma organização que ocupa grandes propriedades improdutivas no campo para advogar pela reforma agrária e denunciar desigualdades rurais – como uma organização terrorista. Resumindo, promete reviver em espírito, se não necessariamente por lei, a força repressiva do regime militar.

O alinhamento de Bolsonaro com os militares segue uma clara lógica política. As Forças Armadas são as instituições públicas mais confiáveis do Brasil, tendo uma aceitação muito maior que o Congresso, considerado irremediavelmente corrupto pelos brasileiros, ou que o Judiciário, visto como um conluio isolado e mais interessado em resguardar seus próprios privilégios do que administrar justiça. (Juízes brasileiros estão entre os mais bem pagos do mundo).

Nos últimos anos, outros líderes da América Latina se beneficiaram de uma onda da direita. Maurício Macri, um conservador multimilionário, tornou-se o presidente da Argentina em 2015 e, em 2017, chilenos elegeram Sebastian Piñera, que trouxe para seu gabinete autoridades ligadas ao brutal regime de Augusto Pinochet. Contudo, Bolsonaro é um caso à parte por realizar algo que nenhum político havia tentado desde a restauração da democracia na região, há quase 30 anos: ganhou uma eleição nacional como ousado defensor da ditadura militar.

Bolsonaro serviu ao Exército numa época em que autoridades mais moderadas negociavam o retorno ao governo civil. Ainda havia, contudo, militares da linha-dura que acreditavam que restituir o poder à mesma classe política corrupta que havia sido, em grande parte, extirpada em 1964 seria um erro. Em outras palavras, desejavam continuar perseguindo os membros da esquerda. É quase certo que Bolsonaro pertencia a esse grupo.

Por três décadas no Congresso, lamentou-se frequentemente de que o regime não tivesse causado mais mortes, argumentando que matar 30.000 inimigos políticos na ditadura teria sido melhor do que as muitas centenas que de fato morreram. (“A ditadura errou ao torturar e não matar”, é uma expressão comum). Faz sentido que tal retórica militarista tenha favorecido Bolsonaro junto às Forças Armadas, mas não está claro por que convenceu o resto do Brasil. Apenas uma diminuta minoria clama por uma intervenção militar como a que culminou na ditadura de 1964. O que explica sua vitória?

Uma resposta simples seria a recessão. O Brasil está atolado em profundas dificuldades econômicas desde 2014. Para os brasileiros mais pobres, Bolsonaro prometeu mais empregos e a manutenção de benefícios do governo; para a classe média, o retorno ao status perdido enquanto o Partido dos Trabalhadores, de esquerda, esteve no poder; para os brasileiros mais ricos e investidores, a abertura do mercado, leis trabalhistas menos rigorosas e impostos mais baixos. É uma agenda atraente para aqueles que acreditam que a economia será restabelecida apenas se o governo ficar fora do caminho.

Bolsonaro também prometeu erradicar o crime, algo que até mesmo seus mais fervorosos oponentes consideram bem-vindo. Entretanto, poucos eleitores teriam levado a sério seus recursos violentos ou o considerado um candidato legítimo, não fosse a reabilitação gradual da ditadura na consciência pública. São 33 anos desde o fim do regime militar no Brasil. E enquanto memórias dolorosas daquele período recuam no tempo, a severidade do regime foi sendo suavizada. Isso com o auxílio de nova onda de políticos, economistas, movimentos, especialistas e intelectuais que visam contra-atacar o que entendem ser o controle total da esquerda sobre a política brasileira durante a última década e meia.

Resta-nos saber se o apelo nacionalista e militarista de Bolsonaro sobreviverá caso a economia brasileira demore a se recuperar. Entretanto, pode ser que isso não importe, pressupondo que Bolsonaro seja bem-sucedido em seu objetivo de fortalecer os poderes repressivos do Estado. O povo brasileiro tem voluntariado seu apoio a ele, mas pode não ter permissão para retirá-lo.

DOSSIÊ BOLSONARO – Mais de 200 artigos e reportagens da imprensa nacional e internacional que comprovam que o Coiso é um péssimo candidato, além de um ser humano lamentável

“O Brasil tem um enorme passado pela frente.” – Millôr Fernandes

“A cadela do fascismo está sempre no cio.” – Bertolt Brecht

Neste Domingo (28/10), temos a oportunidade de eleger um ser humano de inúmeras virtudes éticas e políticas: um excelente gestor público, que comprovou todo seu brilhantismo durante seus anos à cabeça do Ministério da Educação – MEC (em que nasceram, entre outros, o ProUni, o ENEM, centenas de novos IFs e UFs, na maior expansão dos câmpus universitários e escolas técnicas na história do Brasil) e que também foi premiadíssimo por seu governo da maior cidade da América Latina (São Paulo, de 2012 a 2016): o professor Fernando Haddad.

A sobrevivência do Estado Democrático de Direito, das liberdades civis, da Constituição de 1988, depende de empoderarmos a Coligação Povo Feliz de Novo, votando 13 em prol de um Brasil mais justo e solidário, com inclusão social e respeito pleno às diferenças e diversidades – que são nossa maior riqueza.

Do outro lado, está a extrema-direita ditatorial, em uma chapa chefiada por um psicopata e um milico, “profissionais da violência”, cuja campanha foi toda calcada em difamação, assassínio de reputação, mentiras pagas por empresários inescrupulosos através de caixa 2 (crime eleitoral, prática ilegal). Um projeto político de velhos homens, brancos, ricos e fardados, que prometem um derramamento de sangue gigantesco através da repressão política autoritária, atacando minorias e movimentos sociais com milícias e grupos de extermínio.

Bolsonaro representa a velha face horrenda da elite predatória que considera o povo como algo ser pisoteado pelo tirano em seu caminho rumo ao poder autocrático. Ditadura nunca mais! Bolsonaro é a barbárie total – e quem vota nele dá um tiro no próprio pé, merecendo um diploma de estúpido, pra sair relinchando da urna…

Chegou a hora do Brasil mostrar nas urnas que prefere a ética, a dignidade, a liberdade, a HumaniHaddad – e nunca a desumanidade e o sadismo nazistóide do Bolsonarismo.

#HaddadPresidente #ManuNoJaburu #LulaLivre

* * * *

Como um alerta para aqueles cidadãos, desinformados e bestializados pela manipulação e pelas mentiras da campanha do PSL, que ainda pretendem apoiar esta monstruosidade que é a chapa Bolsonaro / Mourão nas urnas, compartilhamos TONELADAS DE INFORMAÇÃO com indícios fortíssimos de que se trata de uma pessoa violenta, racista, misógina, intolerante, fanática, incapaz de lidar com as diferenças, avesso ao diálogo, partidário da censura e da tortura dos que dele discordam, que sempre foi um péssimo parlamentar, que em nada contribuiu com o povo brasileiro em 28 anos em que multiplicou sua grana (e de seus filhos), com uma biografia vergonhosa, destinada à lata de lixo da História.

Eis o lamentável ser humano que hoje faz pose de “salvador da pátria” (sendo um sórdido entreguista, que presta continência à bandeira dos EUA e deseja entregar aos Yankees a Amazônia, o pré-sal, o Aquífero Guarani e o mercado de armas e munições, além de bases militares na fronteira venezuela), eis o pseudo-messias que hoje deseja se fazer o tirano impiedoso de nosso povo:

DOSSIÊ BOLSONARO – Acesse: encurtador.com.br/jlqBC.

1. ATUAÇÃO POLÍTICA

2. CORRUPÇÃO

3. RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Bolsonaro chama refugiados de “escória do mundo”:https://exame.abril.com.br/brasil/bolsonaro-chama-refugiados-de-escoria-do-mundo/

Bolsonaro defende Hugo Chávez em entrevista de 1999: https://veja.abril.com.br/politica/bolsonaro-defende-hugo-chavez-em-entrevista-de-1999/

“Acusaram o PT de imitar a Venezuela, mas é Bolsonaro quem se espelha no processo de lá”:https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/08/politica/1539001055_896195.html

Bolsonaro diz que vai tirar Brasil da ONU se for eleito presidente: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/08/18/bolsonaro-diz-que-vai-tirar-brasil-da-onu-se-for-eleito-presidente.ghtml

Bolsonaro quer campo de refugiados em Roraima:https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,bolsonaro-quer-campo-de-refugiados-em-roraima,70002226010

“Não há base para parceria estratégica se Bolsonaro vencer”:
https://www.terra.com.br/noticias/brasil/nao-ha-base-para-parceria-estrategica-se-bolsonaro-vencer,df9930ce33e6fd15c6d395f8396276e648ra7ch6.html

Eurodeputados lançam manifesto contra Bolsonaro: ‘profundo repúdio’:
https://veja.abril.com.br/blog/radar/eurodeputados-lancam-manifesto-contra-bolsonaro-profundo-repudio/

A república popular da China não gostou desta viagem de Bolsonaro:
https://exame.abril.com.br/brasil/a-republica-popular-da-china-nao-gostou-desta-viagem-de-bolsonaro/

4. PROPOSTAS

Objetivo é fazer Brasil semelhante ao que ‘era 40, 50 anos’, diz Bolsonaro:
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/objetivo-e-fazer-brasil-como-era-a-40-50-anos-atras-diz-bolsonaro.shtml

Bolsonaro diz que quer dar “carta branca” para PM matar em serviço: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/12/14/bolsonaro-diz-que-quer-dar-carta-branca-para-pm-matar-em-servico.htm

Bolsonaro diz que quer Alexandre Frota ministro da Cultura em vídeo:
https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-diz-que-quer-alexandre-frota-ministro-da-cultura-em-video-22535166

Vice de Bolsonaro, Mourão critica 13º salário e fala em reforma trabalhista ‘séria’:
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/vice-de-bolsonaro-mourao-critica-13o-salario-e-fala-em-reforma-trabalhista-seria.shtml

Bolsonaro defende a extinção do Ministério da Cultura: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/03/29/bolsonaro-defende-a-extincao-do-ministerio-da-cultura.htm

Bolsonaro defende educação à distância desde o ensino fundamental: https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-defende-educacao-distancia-desde-ensino-fundamental-22957843

Bolsonaro diz que jovem brasileiro tem “tara” por formação superior:
https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/agencia-estado/2018/08/28/bolsonaro-diz-que-jovem-brasileiro-tem-tara-por-formacao-superior.htm

Jair Bolsonaro diz que, se eleito, pode privatizar Petrobras, uma das maiores empresas do Brasil, e entregar de vez a industria do petróleo na mão dos estrangeiros: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/08/bolsonaro-admite-possibilidade-de-privatizar-a-petrobras-apesar-de-se-dizer-pessoalmente-contra.shtml

Se você está preocupado com a crise, deveria se preocupar com o plano econômico de Jair Bolsonaro:
https://theintercept.com/2018/09/20/bolsonaro-economia/

General ligado a Bolsonaro fala em banir livros sem “a verdade” sobre 1964: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/09/28/general-ligado-a-bolsonaro-fala-em-banir-livros-sem-a-verdade-sobre-1964.htm

Ascensão de Bolsonaro valoriza as ações da indústria das armas: https://epocanegocios.globo.com/Mercado/noticia/2018/09/favoritismo-de-bolsonaro-valoriza-acoes-da-industria-das-armas.html

Bolsonaro diz que é favorável a tortura, guerra civil e fim do voto: https://www.youtube.com/watch?v=qIDyw9QKIvw

Exército recebe doação de 96 blindados dos Estados Unidos: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/10/10/exercito-recebe-doacao-de-96-blindados-dos-estados-unidos.htm

Porta-helicópteros comprado pela Marinha por R$ 350 milhões chega ao Rio no sábado:
https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/08/22/porta-helicopteros-comprado-pela-marinha-por-r-350-milhoes-chega-ao-rio-no-sabado.htm

Marun declara voto em Bolsonaro por enxergar agenda semelhante à de Temer:
https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/15/marun-declara-voto-em-bolsonaro-por-enxergar-agenda-semelhante-a-de-temer.htm

5.ONDA DE VIOLÊNCIA 

Morte, ameaças e intimidação: o discurso de Bolsonaro inflama radicais: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/09/politica/1539112288_960840.html

Apoiadores de Bolsonaro realizaram pelo menos 50 ataques em todo o país: https://exame.abril.com.br/brasil/apoiadores-de-bolsonaro-realizaram-pelo-menos-50-ataques-em-todo-o-pais/

Mestre de capoeira é morto com 12 facadas após dizer que votou no PT, em Salvador:https://extra.globo.com/casos-de-policia/mestre-de-capoeira-morto-com-12-facadas-apos-dizer-que-votou-no-pt-em-salvador-23139302.html

Em vídeo registrado no metrô, grupo canta que “Bolsonaro vai matar veado”: https://vejasp.abril.com.br/cidades/matar-viado-bolsonaro-homofobicos-metro/
Mulher é agredida por usar camiseta com a expressão #EleNão:
https://guaiba.com.br/2018/10/10/mulher-de-19-anos-e-agredida-por-usar-camiseta-com-a-expressao-elenao/

Discurso de Jair Bolsonaro legitima violência nas ruas, dizem especialistas:
https://odia.ig.com.br/eleicoes/2018/10/5582852-discurso-de-jair-bolsonaro-legitima-violencia-nas-ruas-dizem-especialistas.html

Neonazistas são presos após agredirem homem em Niterói:
https://oglobo.globo.com/rio/neonazistas-sao-presos-apos-agredirem-homem-em-niteroi-8230598

Flávio Bolsonaro defende destruição de placa pró-Marielle: https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,flavio-bolsonaro-defende-destruicao-de-placa-pro-marielle-por-correligionarios,70002532531

Eleitores de Bolsonaro votam com armas e filmam urna eletrônica: https://veja.abril.com.br/blog/rio-grande-do-sul/eleitores-de-bolsonaro-votam-com-armas-e-filmam-urna-eletronica/

Mulher trans é atacada no Rio com barra de ferro por apoiadores de Bolsonaro:https://www.metro1.com.br/noticias/vida-alheia/62492,mulher-trans-e-atacada-no-rio-com-barra-de-ferro-por-apoiadores-de-bolsonaro.html

Servidora pública é espancada em PE após criticar Bolsonaro:
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/servidora-publica-e-espancada-em-pe-apos-criticar-bolsonaro.shtml

Teatro da Uerj amanhece pichado com inscrições racistas: https://oglobo.globo.com/rio/teatro-da-uerj-amanhece-pichado-com-inscricoes-racistas-leitor-fotografa-3067270

Instituições de ensino são pichadas com frases preconceituosas em todo Brasil:
https://jovempan.uol.com.br/eleicoes-2018/presidenciais/instituicoes-de-ensino-sao-pichadas-com-frases-preconceituosas-em-todo-brasil.html

Transexual é espancada por quatro homens na Baixada Fluminense: https://oglobo.globo.com/rio/transexual-espancada-por-quatro-homens-na-baixada-fluminense-23146703

MP investiga jogo em que Bolsonaro mata gays, negros e feministas:
https://tecnoblog.net/263376/mp-investigacao-bolsomito-2k18-bolsonaro-game-steam/

Bolsonaristas espancam servidora pública em Niterói
https://br.noticias.yahoo.com/bolsonaristas-espancam-servidora-publica-em-pe-185452964.html

Polícia de SP vê aumento de movimentação neonazista e identifica grupos:
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-38603560

Após matar homossexual, suspeito teria gritado ‘viva Bolsonaro’: https://www.noticiasaominuto.com.br/justica/662434/apos-matar-homossexual-suspeito-teria-gritado-viva-bolsonaro

Médica do RN rasga receita após paciente idoso dizer que votou em Haddad para presidente:https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2018/10/09/medica-do-rn-rasga-receita-apos-paciente-idoso-dizer-que-votou-em-haddad-para-presidente.ghtml

Suástica é pichada em muro do Clube Israelita Brasileiro, no Rio: https://oglobo.globo.com/rio/suastica-pichada-em-muro-do-clube-israelita-brasileiro-no-rio-21462726

Bandeira inspirada no nazismo é exibida em manifestação pró-Bolsonaro:
https://congressoemfoco.uol.com.br/eleicoes/bandeira-inspirada-no-nazismo-e-exibida-em-manifestacao-pro-bolsonaro/

Menino leva arma para escola, dispara sem querer e fica ferido em Mato Grosso do Sul:
https://oglobo.globo.com/brasil/menino-leva-arma-para-escola-dispara-sem-querer-fica-ferido-em-mato-grosso-do-sul-23164828

Portas de alojamentos estudantis da USP amanhecem pichadas com suástica:
https://jovempan.uol.com.br/noticias/brasil/portas-de-alojamentos-estudantis-da-usp-amanhecem-pichadas-com-suastica.html

* * * * *

6. POLÍTICAS PARA O MEIO AMBIENTE

Bolsonaro é uma ameaça ao planeta:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/17/opinion/1539799897_917536.html

Em Manaus, Bolsonaro questiona se Brasil tem soberania sobre Amazônia e compara terras indígenas a zoológico: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/12/1943457-bolsonaro-questiona-soberania-sobre-a-amazonia-e-compara-terras-indigenas-a-zoologico.shtml

Bolsonaro defende o fim do Ministério do Meio Ambiente: https://www.oeco.org.br/reportagens/bolsonaro-defende-o-fim-do-ministerio-do-meio-ambiente/

‘Se eu assumir, índio não terá mais 1cm de terra’, diz Bolsonaro: https://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/se-eu-assumir-índio-não-terá-mais-1cm-de-terra-diz-bolsonaro/ar-BBIUfo2

Em Roraima, Bolsonaro defende exploração de terras indígenas:
https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,em-roraima-bolsonaro-defende-exploracao-economica-de-terras-indigenas,70002266170

Bolsonaro diz que sua candidatura é “imbroxável” e que “a Amazônia não é nossa”:https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/18/politica/1526612140_988427.html

Bolsonaro diz que Brasil tem áreas de proteção ambiental em excesso e defende mudanças na legislação para exploração econômica da Amazônia: https://www.facebook.com/simone.ceccon/videos/2379110435437594/

As ameaças sombrias de Bolsonaro para o meio ambiente
http://pagina22.com.br/2018/10/09/as-ameacas-sombrias-de-bolsonaro-para-o-meio-ambiente/

“Esporte saudável”: Bolsonaro defende liberação de caça no Brasil
https://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/esporte-saudavel-bolsonaro-defende-liberacao-de-caca-no-brasil-131280/

Bolsonaro teme ficar inelegível se condenado por pesca ilegal: https://oglobo.globo.com/rio/bolsonaro-teme-ficar-inelegivel-se-condenado-por-pesca-ilegal-8416854

‘No meu tempo, não tinha MP e Ibama para encher o saco’, diz general: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/agencia-estado/2018/10/11/no-meu-tempo-nao-tinha-mp-e-ibama-para-encher-o-saco-diz-general.htm

Conselheiro de Bolsonaro compara Acordo de Paris a papel higiênico:
https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,conselheiro-de-bolsonaro-compara-acordo-de-paris-a-papel-higienico,70002553637

7. FAKE NEWS 

Análise: “Nova direita” se alimenta de informações falsas: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/07/analise-campanha-de-bolsonaro-se-alimenta-de-fake-news.htm

Exclusivo: investigação revela exército de perfis falsos usados para influenciar eleições no Brasil:
https://www.bbc.com/portuguese/brasil-42172146

Bolsonaro mentiu ao falar de livro de educação sexual no ‘Jornal Nacional’: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/29/politica/1535564207_054097.html

MEC desmente Bolsonaro após fala sobre ‘Kit Gay’ no Jornal Nacional: https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/mec-desmente-bolsonaro-após-fala-sobre-kit-gay-no-jornal-nacional/ar-BBMAT7n

Ministro do TSE determina exclusão de publicações com expressão ‘kit gay’ usadas por Bolsonaro:https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/ministro-do-tse-determina-exclusao-de-publicacoes-com-expressao-kit-gay-usadas-por-bolsonaro.shtml

Bolsonaro mente ao dizer que Haddad criou ‘kit gay’: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/12/politica/1539356381_052616.html

Bolsonaro recusa pacto contra fake news e chama Haddad de ‘canalha’:
https://www.valor.com.br/politica/5912135/bolsonaro-recusa-pacto-contra-fake-news-e-chama-haddad-de-canalha

Dono de sites criticados por ‘fake news’ recebe dinheiro de deputado: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/05/26/dono-de-sites-criticados-por-fake-news-recebe-dinheiro-de-deputado.htm

‘Estamos indo para o Brasil’, diz diretor da Cambridge Analytica:
https://oglobo.globo.com/mundo/estamos-indo-para-brasil-diz-diretor-da-cambridge-analytica-22510961

Ministro manda Facebook derrubar 33 ‘fake news’ sobre Manuela do ar:
https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/ministro-manda-facebook-derrubar-33-fake-news-sobre-manuela-do-ar/

Guru da ultra-direita mundial e ex-assessor de Trump atua na campanha das redes sociais de Bolsonaro: https://www.revistaforum.com.br/guru-da-ultra-direita-mundial-e-ex-assessor-de-trump-atua-na-campanha-das-redes-sociais-de-bolsonaro/

WhatsApp, um fator de distorção que espalha mentiras e atordoa até o TSE:https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/07/politica/1538877922_089599.html

Bolsonaro admite não ir a debates com Haddad por ‘estratégia’: https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,bolsonaro-admite-nao-ir-a-debates-com-haddad-por-estrategia,70002544163

É #FAKE cartaz atribuído a Haddad que diz que projeto de lei torna a pedofilia um ato legal:https://oglobo.globo.com/fato-ou-fake/e-fake-cartaz-atribuido-haddad-que-diz-que-projeto-de-lei-torna-pedofilia-um-ato-legal-23154593

É #FAKE post com Manuela D’Ávila dizendo que é mais popular que Jesus e que o cristianismo vai desaparecer: https://g1.globo.com/fato-ou-fake/noticia/2018/10/05/e-fake-post-com-manuela-davila-dizendo-que-e-mais-popular-que-jesus-e-que-o-cristianismo-vai-desaparecer.ghtml

Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp:
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/empresarios-bancam-campanha-contra-o-pt-pelo-whatsapp.shtml

Afirmação de que Haddad apoia lei para igrejas casarem homossexuais é falsa: https://noticias.uol.com.br/comprova/ultimas-noticias/2018/09/28/afirmacao-de-que-haddad-quer-forcar-igrejas-a-casar-homossexuais-e-falsa.htm

 

  1. MACHISMO, RACISMO E HOMOFOBIA

8.1 MACHISMO

Bolsonaro diz que não pagaria a mulheres o mesmo salário dos homens: https://www.youtube.com/watch?v=IEFzhEQtnSE

Bolsonaro defendeu redução da licença maternidade: https://veja.abril.com.br/politica/bolsonaro-defendeu-reducao-da-licenca-maternidade/

Projeto de Bolsonaro desobriga SUS de atender vítima de estupro:  https://www.metropoles.com/brasil/politica-br/projeto-de-bolsonaro-desobriga-sus-de-atender-vitima-de-estupro 

“Não estupro porque você não merece, sua vagabunda”, diz Bolsonaro a Maria do Rosário: https://www.youtube.com/watch?v=LD8-b4wvIjc

Em vídeo de palestra, Bolsonaro diz que ter filha foi ‘fraquejada’: https://blogs.oglobo.globo.com/blog-do-moreno/post/em-video-de-palestra-bolsonaro-diz-que-ter-filha-foi-fraquejada.html

Bolsonaro vira réu por incitação ao estupro e injúria: https://esporte.band.uol.com.br/jogoaberto/videos/15903671/bolsonaro-vira-reu-por-incitacao-ao-estupro-e-injuria.html 

Filho de Bolsonaro propõe esterilização forçada de mulheres pobres que receberem o Bolsa Família: https://blogdacidadania.com.br/2018/01/filho-de-bolsonaro-propoe-esterilizacao-forcada-de-mulheres-pobres/

 

8.2  RACISMO

Hamilton Mourão cita “branqueamento da raça” ao dizer que neto é bonito: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/meu-neto-e-um-cara-bonito-branqueamento-da-raca-diz-general-mourao.shtml 

Justiça condena Bolsonaro por ‘humilhantes ofensas’ a negros e quilombolas: https://www.huffpostbrasil.com/2017/10/03/justica-condena-bolsonaro-por-humilhantes-ofensas-a-negros-e-quilombolas_a_23231143/ 

Bolsonaro: “Quilombola não serve nem para procriar”: https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/bolsonaro-quilombola-nao-serve-nem-para-procriar/ 

Vice de Bolsonaro relaciona negros à malandragem e indígenas à indolência: https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2018-08-07/vice-bolsonaro-declaracao-racista.html

‘Política não é piada’, afirma juíza ao condenar Bolsonaro por frases racistas: https://oglobo.globo.com/brasil/politica-nao-piada-afirma-juiza-ao-condenar-bolsonaro-por-frases-racistas-21902171 

‘Ele soa como nós’: ex-líder da Ku Klux Klan elogia Bolsonaro, mas critica proximidade com Israel: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45874344

 

8.3 HOMOFOBIA

Bolsonaro: “prefiro filho morto em acidente a um homossexual”: https://www.terra.com.br/noticias/brasil/bolsonaro-prefiro-filho-morto-em-acidente-a-um-homossexual,cf89cc00a90ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

Jair Bolsonaro ataca gays em entrevista para documentário inglês: ‘Nós, brasileiros, não gostamos dos homossexuais’: https://extra.globo.com/noticias/mundo/jair-bolsonaro-ataca-gays-em-entrevista-para-documentario-ingles-nos-brasileiros-nao-gostamos-dos-homossexuais-10487491.html 

“Vizinho gay desvaloriza o imóvel”: https://goo.gl/KAKDNd 

‘Sou homofóbico, sim, com muito orgulho’, diz Bolsonaro em vídeo: https://catracalivre.com.br/cidadania/sou-homofobico-sim-com-muito-orgulho-diz-bolsonaro-em-video/ 

Bolsonaro é condenado a pagar R$ 150 mil por declarações contra gays: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/11/1934062-bolsonaro-e-condenado-a-pagar-r-150-mil-por-declaracoes-contra-gays.shtml 

Bolsonaro debocha de lei contra homofobia e diz que não contrataria um gay para ser seu motorista: https://www.youtube.com/watch?v=TcOpf2d9mNM 

Bolsonaro diz que sangue de gays é inferior ao de héteros: https://www.youtube.com/watch?v=Z1oGuNkGV2g 

Faculdade tem mensagens homofóbicas, em apoio à tortura e elogios a Ustra e Bolsonaro: https://odia.ig.com.br/brasil/2018/09/5578312-faculdade-tem-mensagens-homofobicas-em-apoio-a-tortura-e-elogios-a-ustra-e-bolsonaro.html

“Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater.”: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1905200210.htm

“Os gays não são semideuses. A maioria é fruto do consumo de drogas”: https://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/14/politica/1392402426_093148.html

“Ter filho gay é falta de porrada”: https://www.youtube.com/watch?v=64G85tm_GyE 

Gays querem se transformar em super-raça, diz filho de Bolsonaro: https://noticias.r7.com/brasil/gays-querem-se-transformar-em-super-raca-diz-filho-de-bolsonaro-06112014 

“Agora gostar de homossexual ninguém gosta, a gente suporta.”: https://www.youtube.com/watch?v=YeOGz8oJiUc

 

8.4 MINORIAS

Bolsonaro ameaça terminar com ‘todos os ativismos’: https://theintercept.com/2018/10/09/bolsonaro-ameaca-ativismos/

Bolsonaro e filho votaram contra lei que protege pessoas com deficiência: https://www.revistaforum.com.br/bolsonaro-e-filho-e-votaram-contra-lei-que-protege-pessoas-com-deficiencia/ 

Bolsonaro diz que não entraria em avião pilotado por cotista: https://www.youtube.com/watch?v=pAhUCLAqsxM 

Bolsonaro diz que minoria deve se calar e se curvar diante a maioria: https://www.youtube.com/watch?v=WUBe-tkPqaY 

Com ideia de ‘holofraude’, apoiador de Bolsonaro faz nazismo virar piada: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/10/com-ideia-de-holofraude-apoiador-de-bolsonaro-faz-nazismo-virar-piada.shtml

 

  1. “CIDADÃO DE BEM”

Defensor da ditadura, Jair Bolsonaro reforça frase polêmica: “o erro foi torturar e não matar”: http://jovempanfm.uol.com.br/panico/defensor-da-ditadura-jair-bolsonaro-reforca-frase-polemica-o-erro-foi-torturar-e-nao-matar.html 

Bolsonaro declara apoio à ditadura de 1964 e elogia Hitler como um grande estrategista: https://www.youtube.com/watch?v=ZBo-Vh5YARU 

Bolsonaro foi condenado pela unanimidade do conselho com um libelo duro em que se registra “desvio grave de personalidade e uma deformação profissional”, “falta de coragem moral para sair do Exército” e “ter mentido ao longo de todo o processo”: https://istoe.com.br/o-julgamento-que-tirou-bolsonaro-do-anonimato/ 

Livro reúne histórias de crianças presas, torturadas ou exiladas durante a ditadura no Brasil: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/livro-reune-historias-de-criancas-presas-torturadas-ou-exiladas-durante-ditadura-no-brasil-14496104 

Bolsonaro diz ser a favor da pena de morte e que governo não precisa contratar ninguém para matar pois ele faz o trabalho de graça: https://www.youtube.com/watch?v=xW_3PW5QxJ8 

Bolsonaro diz que Estatuto da Criança e do Adolescente deve ser ‘rasgado e jogado na latrina’: https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-diz-que-eca-deve-ser-rasgado-jogado-na-latrina-23006248 

Bolsonaro diz que filhos atiram com armas de fogo desde os 5 anos e que os pais devem ensinar os filhos a usar armas desde pequenos: https://www.youtube.com/watch?v=lY7M-4dDb24

Bolsonaro diz já ter feito sexo com galinha e que bateu em mulher aos 12 anos: https://www.youtube.com/watch?v=6EIn0EO7NBQ 

Bolsonaro ameaça quem divulgar fotos suas com coronel pedófilo, e imagem se torna viral: https://extra.globo.com/noticias/rio/bolsonaro-ameaca-quem-divulgar-fotos-suas-com-coronel-imagem-se-torna-viral-20115040.html 

Homenagem feita por Bolsonaro durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff para o coronel Brilhante Ustra, torturador e assassino da ditadura: https://globoplay.globo.com/v/4978620/ 

Bolsonaro diz que não abriria arquivos da ditadura: “deve ficar no passado”: https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/07/30/bolsonaro-diz-que-nao-abrira-arquivos-da-ditadura-deve-ficar-no-passado.htm

Bolsonaro, um nostálgico da ditadura que sonha com a presidência: https://istoe.com.br/bolsonaro-um-nostalgico-da-ditadura-que-sonha-com-a-presidencia/ 

Conheça o coronel Ustra, homenageado por Bolsonaro e chefe do temido DOI-Codi: https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/conheca-o-coronel-ustra-homenageado-por-bolsonaro-e-chefe-do-temido-doi-codi-8sed82y14k1b2hnuu1yxk5pnb/

Vice maçom e Bolsonaro compartilham antipetismo e admiração por Brilhante Ustra: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/vice-macom-e-bolsonaro-compartilham-antipetismo-e-admiracao-por-brilhante-ustra.shtml 

Nos anos 90, Bolsonaro defendeu novo golpe militar e guerra: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/06/nos-anos-90-bolsonaro-defendeu-novo-golpe-militar-e-guerra.shtml 

Bolsonaro encoraja pais a ensinarem crianças a atirar: https://www.valor.com.br/politica/5766091/bolsonaro-encoraja-pais-ensinarem-criancas-atirar 

Um retrato do torturador comandante Brilhante Ustra, segundo as suas vítimas: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/20/politica/1461180363_636737.html

Carlos Bolsonaro será denunciado por apologia à tortura na Câmara do Rio: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/26/politica/1537997982_557864.html

  1. O QUE O MUNDO ESTÁ FALANDO SOBRE AS ELEIÇÕES DO BRASIL

Abaixo, manchetes dos PRINCIPAIS JORNAIS DO MUNDO.

ALEMANHA 

 Zeit – Um Fascista Se Apresentando Como Homem Honesto: https://bit.ly/2y7Gskf

 Der Spiegel – Jair Bolsonaro: ascensão de um populista de direita: https://bit.ly/2OzW22k 

Frankfurter Allgemeine – Alerta vermelho para democracia:  https://bit.ly/2Qr2YMC

Sueddeutsche – O demagogo do deserto é de repente uma nova estrela política no Brasil: https://bit.ly/2DOTU2E

 Deutsche Welle – Analistas alemães veem democracia no Brasil em risco: https://bit.ly/2IuN7Km

Handelsblatt – O fascista popular. Até agora, os políticos brasileiros são considerados corruptos e ineficientes, mas ideologicamente flexíveis e educados. Isso mudou com Jair Bolsonaro – o populista poderia até se tornar presidente. Uma história mundial. https://bit.ly/2Iy10aB 

ARGENTINA

La Nacion

Linha dura e Messianismo: Bolsonaro, o candidato mais temido, se lança para a presidência.

https://bit.ly/2ya60NR

El Clarín

Jair Bolsonaro: militarista, xenófobo e favorito para a eleição brasileira

https://clar.in/2y7zImH

 

ÁFRICA DO SUL

The Star

Mulheres brasileiras marcham contra ‘formas misóginas’

https://bit.ly/2NiZnOO

 

ÁUSTRIA 

Die Presse

Ex-Presidente Detido e o Trump Tropical

https://bit.ly/2NiHgIG

 

AUSTRÁLIA 

News.Au

Seria este é o político mais repulsivo do mundo?

Pensando que Donald Trump é ruim? Conheça o possível presidente brasileiro cujas crenças repulsivas chocaram o mundo.

https://bit.ly/2IwRrIO

 

The Australian

Conheça o Candidato que é um risco a democracia

https://bit.ly/2xVQdCN

 

The Sydney Sunday Herald

Por que alguns no Brasil estão se virando para um explosivo candidato de extrema-direita para o presidente?

https://bit.ly/2E09LvA

 

CHILE

El Mercurio

“Bolsonaro assusta com soluções simplistas e autoritárias”

https://bit.ly/2OuWDSV

La Tercera

“Bolsonaro conseguiu captar o sentimento de revolta no Brasil”

https://bit.ly/2xU0sYj

 

ESPANHA 

El País

Bolsonaro é um Pinochet institutional para o Brasil

https://bit.ly/2DA

 

El Mundo

Lider Polemico. Bolsonaro: o candidato racista, homofóbico e machista do brasil.

https://bit.ly/2xYOzj4

 

La Vanguardia

Bolsonaro: o Candidato Ultradireitista que canalizou a insatisfacao no Brasil

https://bit.ly/2Iy2UIh

 

El Confidencial

Jair Bolsonaro: o “Le Pen tropical” que pode ser o próximo presidente do Brasil.

https://bit.ly/2P9ETtH

 

ESTADOS UNIDOS

Revista Time

Jair Bolsonaro ama Trump, odeia pessoas gays e admira autocratas. Ele poderia ser o próximo presidente do Brasil

https://ti.me/2wjfg16

 

Fox News

Um olhar sobre os comentários ofensivos do candidato brasileiro Bolsonaro

https://fxn.ws/2O0QMFI

 

HuffingtonPost

Jair Bolsonaro e o violento caos das eleições presidenciais no Brasil

https://bit.ly/2zNnod4

 

Washington Post

Um político parecido com Trump no Brasil poderia ter o apoio de um poderoso grupo religioso: os evangélicos

https://wapo.st/2Rk6tFZ

 

The New York Times

Brasil flerta com um retorno aos dias sombrios

https://nyti.ms/2xsXSYv

 

The New York Times

Brazil Front-Runner Accused of Illegal Campaign Practices

https://www.nytimes.com/aponline/2018/10/18/world/americas/ap-lt-brazil-elections.html

 

Americas Quarterly

Ditadura militar iminente no Brasil?: Ganhando ou perdendo, a ascensão de Jair Bolsonaro colocar em perigo a jovem democracia brasileira.

https://bit.ly/2OWpYCW

 

The New York Times

 

https://www.nytimes.com/2018/10/17/climate/brazil-election-amazon-environment.html

 

FRANÇA 

Le Figaro

Brasil nas garras da tentação autoritária

https://bit.ly/2vqsb0S

 

Le Monde por Rádio França Internacional RFI

Trump tropical, homofóbico e machista

https://bit.ly/2zMhaKL

 

Liberation

No Brasil, um ex-soldado para liquidar a democracia

https://bit.ly/2P9qIEZ

 

HOLANDA 

Der Volkskrant

Centenas de milhares de mulheres no Brasil nas ruas contra a extrema direita: “Ele nunca!”

https://bit.ly/2DQvPsj

 

ÍNDIA

India Express

Deixe a polícia matar criminosos, diz o candidato presidencial do Brasil, Jair Bolsonaro

https://bit.ly/2NiJdFd

 

ITÁLIA

La Republica

Bolsonaro, líder xenófobo e anti-gay que dá o assalto à Presidência do Brasil

https://bit.ly/2Qrb73H

 

Corriende della Sierra

Um pesadelo chamado Bolsonaro

https://bit.ly/2zNdkRF

 

MÉXICO 

La Jornada

Bolsonaro: O candidato Imprevisível

https://bit.ly/2OD93sh

 

Milenio

Bolsonaro, o Neofascista que seduz o Brasil

https://bit.ly/2zNQjhL

 

El Universal

Militar de ultra-direita: um voto pelo passado?

https://bit.ly/2P6jjWO

 

MOÇAMBIQUE 

O País

Bolsonaro que lidera sondagens de intenção de voto no país com a preferência de 27% dos eleitores terá irritado muitos brasileiros com comentários percebidos como sexistas, racistas e homofóbicos.

https://bit.ly/2DQlP29

 

PERU 

La Republica

Brasil resiste:a promessa autoritária de Bolsonaro é desafiada pelas mulheres.

https://bit.ly/2zFQ0Vy

 

PORTUGAL 

O Público

Um canalha à porta do planalto:

https://www.publico.pt/2018/10/11/mundo/opiniao/um-canalha-a-porta-do-planalto-1847097

 

Diário de Notícias

Jair Bolsonaro é perigo real no Brasil e segue passos de Adolf Hitler

https://bit.ly/2yaPMUz

 

O Público

Bolsonaro, o jagunço à porta do Planal

https://bit.ly/2xXbM5Y

 

POLÔNIA 

Gazeta Prawna

Trump brasileiro e outros. Escândalos de corrupção abrem caminho para o poder dos populistas

https://bit.ly/2xWanga

 

QATAR (MUNDO ÁRABE) 

Al Jazeera

Milhares de Mulheres protestam contra Bolsonaro

https://bit.ly/2RhJjQF

 

REINO UNIDO 

Financial Times

O “trágico destino” brasileiro de uma rebelião antidemocrática surge novamente:

A raiva pública contra uma elite corrupta poderia precipitar outra revolta

https://on.ft.com/2DRGxyO

 

The Economist (CAPA)

A mais nova Ameaça na América Latina

https://econ.st/2OuXKlO

 

The Times

Jair Bolsonaro, populista “perigoso” promete tornar o Brasil seguro

https://bit.ly/2uxPG8p

 

The Guardian

Trump dos trópicos: o candidato ‘perigoso’ que lidera a corrida presidencial do Brasil

https://bit.ly/2qKHkYA

 

The Telegraph

Dezenas de milhares dizem “ele não” ao principal candidato do Brasil

https://bit.ly/2qKHkYA

 

The Economist

Brasília, nós temos um problema

O perigo representado por Jair Bolsonaro

https://econ.st/2vxMFWu

 

Jair Bolsonaro acusado de criar “rede criminosa” para espalhar fake news nas eleições do Brasil:
https://www.telegraph.co.uk/news/2018/10/18/jair-bolsonaro-accused-creating-criminal-network-spread-fake/

 

SUÍÇA

Neuen Zürcher Zeitung

O Faxineiro Racista do Brasil

https://bit.ly/2QoJTdW

Acompanhe A Casa de Vidro

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ÚLTIMAS NOTÍCIAS E ARTIGOS

Todo cidadão brasileiro que votar 17 estará mergulhando o dedo no sangue das futuras vítimas da Ditadura Bolsonazista

 

“O Brasil tem um enorme passado pela frente.”Millôr Fernandes

O que o Bolsonarismo prega para sua horda de seguidores é um programa de desumanidade institucionalizada: querem que as mulheres voltem para a Cozinha, que gays & lésbicas & trans voltem para o armário, que os negros voltem para a senzala, que os comunistas voltem pro pau-de-arara, que os pobres e os cotistas saiam da universidade, que não haja mais pés-rapados nos aeroportos… Querem ainda que os médicos solidários vindos da pátria de Martí voltem para Cuba, e que os milicos brasileiros invadam a Venezuela e derrubem Maduro, fazendo o serviço sujo que líderes da Direita dos EUA desejam encontrar algum serviçal que faça, para que depois possam se apropriar do petróleo.

Os boçais bolsonaristas, hipócritas imorais, vestem a máscara de “defensores da Família” e de “cidadãos de Bem” (nome do jornal da Ku Klux Klan), quando na verdade propõem ao país o suicídio coletivo.

A extrema-direita quer distribuir armas para que os brasileiros se matarem ainda mais do que já matam. Com o morticínio, vão querer lucrar sobre os cadáveres: vendendo petróleo do Pré-Sal para corporações gringas, liberando a Amazônia para exploração empresarial, privatizando o Aquífero Guarani.

Venho exercitando meus neurônios na tentativa de compreender o eleitorado de Bolsonaro e Mourão: o que faz com que esses brasileiros se prestem ao papel, não só ridículo mas também nefasto, de serem os lambe-botas e as marionetes de um bando de trogloditas que não tem projeto de país senão o de resolver tudo no tiro?

Como pudemos chegar a essa lamentável situação em que uma horda de crédulos e violentos adoradores se colocam de joelhos diante de um brucutu como Bolsonaro?

E aí me lembro de Nelson Rodrigues – que não pode ser acusado de ser esquerdista! – e que disse uma vez: “os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos.”

A extrema-direita de hoje de fato não se preocupa nada com a educação ou com a inteligência, pois sabem que são beneficiados pelo oposto: pela falta de educação, pela desinformação e pela idiotia induzida. A prova maior disso está em uma campanha eleitoral que aposta tudo na burrice dos Bolsominions, na credulidade deles em relação às fake news que infestam o Whatsapp e outras redes sociais, na disseminação acéfala de material difamatório.

Mas a estupidez não é só risível, ela é perigosa. Como se manifesta nesta relinchante onda de ataques contra cidadãos que são xingados, agredidos ou assassinados por estarem com um boné do MST, uma camiseta Lula Livre ou por declararem voto em Haddad. É a estupidez organizada dando como frutos amargos uma disseminação incontrolável da violência. Como Eliane Brum bem apontou, não era de se esperar outra coisa desses que o próprio Mourão batizou como “os profissionais da violência”. Eles são os trogloditas da violência estatal impiedosa que vem para defender o capitalismo selvagem (Paulo Guedes aprofundando a Ditadura Patronal) e a teocracia militarizada (Edir Macedo apoiado por tanques).

O Bozonazismo, que fala tanta merda sobre o suposto plano do PT de “transformar o Brasil em uma Venezuela”, tem um plano de nos tornar algo parecido com um Afeganistão sob domínio Taleban. Com pitadas de III Reich. É só lembrar do mau gosto do slogan de campanha: “Brasil acima de tudo” é idêntico a “Deustchland Über Alles”, o mote nazi, e “Deus acima de todos”, além de ser uma violação brutal do princípio constitucional do Estado Laico, nos faz retroceder à Idade das Trevas, a uma teocracia que todas as revoluções da era iluminista pretenderam aposentar da História.

Todo esse sangue que já está sendo derramado pelos Bolsominions – como no caso do mestre de capoeira Moa do Catendê – está manchando as mãos de Bolsonaro e provando que ele é um sujeito que, em sua boçalidade, revela-se como alguém profundamente irresponsável.

Quando um ser humano sabe que suas palavras são ouvidas por milhões de outros seres humanos, sua responsabilidade ao proferi-las aumenta, já que a possibilidade de que as ideias postas em circulação acabem se tornando ações é muito alta. Mas Bolsonaro parece nunca ter levado a sério a famosa frase do “Pequeno Príncipe” de Saint-Exupéry: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.”

Nos últimos anos, o candidato (atualmente do PSL, mas que passou boa parte de sua vida política no PP), vem utilizando sua boca como órgão excretor de estupidez em cachoeira. Esse homem, branco, rico, pertencente às elites econômicas do país, supremacista racial e misógino doentio, consegue somar em sua pessoa toda a estupidez do racismo, da masculinidade tóxica, da cultura do estupro, da fobia à alteridade. Consegue adicionar a isso a apologia à tortura, a relativização dos crimes da Ditadura Militar e um desrespeito generalizado às minorias sociais que ele deseja ver exterminadas (como povos indígenas e quilombolas, que segundo nele “não vai ter nem um centímetro de terra demarcada”).

Além disso, adere às táticas nazi-fascistas de condenação em bloco do adversário político, demonizando o PT – Partido dos Trabalhadores​ e ameaçando “fuzilar a petralhada” – uma atitude que jamais seria aceita pelo Judiciário em um país onde as instituições do Estado Democrático de Direito ainda funcionassem, pois prometer o genocídio jamais foi um ato legítimo de campanha política, e quem promete o assassínio em massa dos apoiadores de um partido político não merece estar disputando a Presidência, mas sim ter sua candidatura impugnada por violação das regras mais elementares do jogo democrático. Mas nossa Justiça está acovardada, ou é cúmplice da ascensão do facínora, que assim sente-se mais livre e solto para de maneira imunda na campanha eleitoral.

Assim, a campanha Bolsonarista tornou-se o pior exemplo contemporâneo da reativação do mote utilizado pelo chefe de propaganda do III Reich alemão, Goebbels: “uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade.”

Tanto que seu candidato está amarelando e fugindo de todos os debates públicos – diz que isso é uma “estratégia”, e é mesmo: a estratégia consiste em continuar mentindo como um alucinado, sem prestar contas a ninguém. Esse atestado de covardia só prova que o arregão morre de medo do debate público. Sabe que, diante de um diálogo demorado e honesto com Haddad, iria revelar toda a extensão de sua ignorância, de seu preconceito, de sua falta de formação intelectual e sensível, de sua completa incapacidade para dar conta da missão complexa que é ser chefe-de-Estado de um país gigantesco, altamente contraditório e socialmente convulsionado como o Brasil.

É verdade: o tamanho do fã-clube Bolsonarista – em especial aquela fração dele que trata seu führer como se fosse um “mito”, sem perceber que assim paga o maior mico – nos ensina que não devemos subestimar o poder de devastação que há em pessoas estúpidas reunidas em grandes números.

Mas quero deixar claro que não considero a estupidez uma característica incurável de certos sujeitos que teriam já nascido predestinados a ela. Há uma produção social da estupidez e a este trabalho de estupidificação geral vem se consagrando muitas instituições sociais que tem interesse em um povo que não seja capaz de pensar criticamente, que tenha as possibilidade de assumir a responsabilidade de pensar com autonomia.

O grau de contaminação do fascismo Bozonazista revela a nós, educadores do Brasil, a extensão do nosso fracasso coletivo em educar nossos cidadãos para o pensamento crítico. Faltou, nas escolas, nas mídias, nas igrejas, nos botecos, nos pontos de cultura, em toda parte onde nos reunimos em conjunto, politizar nosso povo no sentido da participação social e da democracia direta. Hoje revela-se a extensão do dano que há no analfabetismo político amplamente disseminado: quase 50 milhões de pessoas votaram na Trogloditocracia retratada pelo cartum de Ribs​.

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TIVEMOS GOLPE, TEREMOS DITADURA?

Agora pende sobre nossas cabeças a ameaça de uma nova ditadura. Após o golpeachment contra Dilma Rousseff e o encarceramento injusto de Lula, que liderava com ampla margem as intenções de voto, fomos lançados à triste possibilidade de auto-destruição democrática. Seria a primeira vez na história da América Latina que, sem um golpe propriamente militar, com o crivo das urnas (apesar do processo eleitoral ferido de morte em sua legitimidade pelo processo golpista que se estende desde 2016 e que agora busca sua final consumação), de um governo de extrema-direita que recebe o aval da maioria do eleitorado.

O Chile jamais votou em Pinochet, mas sim em Allende. Se o Brasil eleger Bolsonaro, seremos um caso raro de país suicida, que escolhe a pior das tiranias e das servidões, situação abominável de assassínio das liberdades que só costuma ocorrer a um povo quando é imposta, de fora, pelos tanques e pelas tropas.

A Ditadura Bozonazista seria uma espécie de volta-da-que-não-foi. Nela, Ustra seria herói nacional, as torturas recomeçariam em novos porões do DOPS, muitos seriam assassinados e desaparecidos pelo Estado por serem socialistas, anarquistas, feministas, ativistas estudantis, anti-racistas, militantes de movimentos sociais…

O Brasil nunca de fato conseguiu enterrar os efeitos nefastos dos nossos anos-de-chumbo. Sobrou impunidade pra torturadores. Sobrou genocida de farda que pôde comprar sua impunidade e hoje é um general de pijamas postando fake news pró-Bolsonaro no Whatsapp.

Sobrou também frouxidão no trato com discursos de ódio criminosos, propagados por políticos saudosos da ditadura dos milicos. A exemplo da apologia à Ustra realizada pelo Coiso durante a sessão da Câmara dos Deputados que aprovou o impeachment de Dilma Rousseff. Uma atitude tão sádica e boçal que a resposta de Jean Wyllys foi um cuspe. Um cuspe que nos representa.

Nós, brasileiros que amam a liberdade e tem repulsa pelo fascismo, também sentimos repugnância diante de um ser humano tão desprezível e vil a ponto de fazer apologia a um crime hediondo como a tortura. Isso, saído da boca de um representante do povo que deveria zelar pelo bem público, mas cuja boca é utilizada como aparelho excretor de sadismo. Bolsonaro é um doente mental que goza com a crueldade e que excreta ódio e intolerância. Dando-lhe poder o Brasil só colherá caos e destruição.

Desde aquele lamentável episódio, naquela Câmara presidida pelo gangster golpista Eduardo Cunha, sabemos muito claramente que Jair Bolsonaro é um dos psicopatas mais perigosos que há entre os homens-brancos-e-ricos que andam sem coleira pelo Brasil.

Irresponsável e covarde, vai disseminando o ódio e a violência, preparando as chacinas do futuro, colocando as novas gerações num altar de sacrifício, onde crianças e jovens são desencaminhados do caminho justo – a escola, a cultura, o amor, a liberdade, a criação! – para serem ensinados a atirar e a matar. Este será um triste e estúpido país se fizer essa besteira e eleger esse facínora que ensina criancinha a atirar. Podemos ser sábios e eleger um Professor, um dos melhores ministros da educação que o Brasil já teve, um gestor público competente e bem-preparado como é Fernando Haddad, que possui todas as excelências éticas, cognitivas e sensíveis para realizar a contento sua função, mas o grau de irracionalidade e idiotia que dominou nosso país é tamanho que é plenamente possível que o pior dos mundos se realize e o Bolsonarismo fascista suba ao poder.

É o famoso “entulho autoritário” volta a nos agredir. É a Ditadura que não soubemos enterrar, e que agora quer se reerguer. Algo dela sempre esteve entre nós, naturalizada: como a PM que mais mata e mais morre no mundo. Sobrou dela também a estupidez tão disseminada da ideologia anti-comunista, a onda em que hoje surfa a ideologia tóxica que está sendo mobilizada pela maré fascista no Brasil: o anti-petismo alucinado e paranóide dos que querem justificar todas as atrocidades com a velha fantasia do “combate ao comunismo”. Qualquer cidadão minimamente bem informado sabe que o PT no Poder foi um excelente gestor do capitalismo, seguindo os moldes do Estado de Bem-Estar social típico das democracias liberais burguesas, seguindo a cartilha de Keynes e Roosevelt (e não de Trótsky ou Castro).

É que todo regime nazi-fascista precisa fabricar um inimigo interno e demonizá-lo, para justificar assim a perseguição aos excluídos, chegando no limite à exterminação física daqueles que se decretou como seus adversários indignos de viver.

Todo cidadão brasileiro que apertar o número 17 nas urnas em 28 de Outubro estará mergulhando o dedo na piscina de sangue das futuras vítimas da Ditadura Bozonazista que se anuncia como uma tragédia anunciada.

“Permitir que um homem desses chegue ao poder é ser co-autor de uma tragédia anunciada. Bolsonaro já deixou bem claro que apoia a ditadura, a tortura e a morte de quem lhe é diferente. O sangue de suas futuras vítimas não está somente nas mãos dele, mas nas de seus eleitores que, movidos pelo ódio às minorias e à pluralidade, e pelo anti-petismo, lavam suas mãos perante o sofrimento alheio.” – Valkirias 

Não terá sido por falta de aviso: milhares de vozes estão clamando para que cada brasileiro acorde para sua responsabilidade diante do futuro de um país que nada tem a ganhar com a re-instauração da barbárie militarista.

Muitas das vozes que hoje se levantam, num polifônico coro, para denunciar os perigos e os horrores do Bolsonarismo, estão bem longe de serem prosélitos do petismo ou filiados ao Partido dos Trabalhadores.Mesmo aqueles que souberam criticar com profundidade o “Lulismo no poder”, apontando alguns dos descaminhos do PT nestes seus 38 anos de caminhada, caso de figuras como Eliane Brum, hoje sabem que apertar 13 nas urnas é a coisa mais certa a se fazer para opor um dique à maré montante do fascismo.

Pois o que a História nos ensina de mais simples e claro sobre o fascismo é que ele pratica um interminável genocídio das populações mais vulneráveis.

Além disso, o entreguismo sempre foi o desejo secreto de figuras como Bolsonaro, que abre as pernas pra qualquer Yankee com uma conta bancária poupuda, garantindo que a brutalidade das tropas e tanques estará de prontidão para defender os lucros das empresas gringas que enriquecerem as contas das famílias de Bolsonaro, de Paulo Guedes, de Edir Macedo, de milico Mourão…

Para além do resultado das urnas, o ano de 2018 no Brasil provou o tamanho do fracasso de nosso país na tarefa, que vamos adiando irresponsavelmente, de nos livrar do entulho autoritário que é tão marcante em nossa História, mas que também mostra-se extremamente presente em nossa atualidade. Os povos indígenas e quilombolas ainda sofrem horrores com o que sobrou das políticas de extermínio étnico-racial da Ditadura, e agora estão ameaçados com uma versão da Solução Final proposta pelo Bozonazismo que tanto adora a Ditadura (ela, que a extrema-direita e seus cúmplices no Judiciário e na Mídia vem querendo rebatizar como “Movimento”).

“Movimento”, caras pálidas, uma ova! Um coup d’état como o de 1964 encaixa-se no modelo que se disseminou por toda a América Latina na Guerra Fria: a truculência dos tanques, com apoio financeiro e logístico dos EUA, derrubando um governo constitucional e democraticamente eleito, para instaurar em seu lugar um regime-fantoche, que não merece nenhum respeito do cidadão e que se faz obedecer e temer com o uso da força bruta, do Hobbesiano Leviatã. A Ditadura civil-militar, imposta pela violência, subserviente ao imperialismo anglo-saxão, entre nós se manifestou com torturas, censuras, desaparecimentos, assassinatos de opositores, violações sistemáticas dos direitos elementares do cidadão. Qualquer ser humano razoável tem que manifestar seu repúdio à política de “extirpação” de inimigos internos criminalizados e marcados como a parte sacrificável da população.

São esses os horrores que os Bozonazistas querem re-editar entre nós. E nós somos aqueles que não descansaremos, na aliança popular democrática, para barrar este horrendo plano de retrocessos. Se fere nossa existência, seremos a resistência.

Em 1979, na Praça da Liberdade em Belo Horizonte, Rachel Coelho, 5 anos, recusou o cumprimento do então presidente, General Figueiredo. O registro feito pelo fotógrafo Guinaldo Nicolaevsky transformou o gesto de Rachel em um símbolo da luta contra a Ditadura Militar. #ditaduranuncamais


Por Eduardo Carli de Moraes
A Casa de Vidro
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