
Não é todo dia que vemos alçar-se ao Olimpo das pop-celebridades uma jovem mulher goiana que não pretende ser uma cópia de Marília Mendonça.
Nascida em Anápolis (GO), em 2003, mas crescida em Goiânia desde seus primórdios, Mariana Froes garante que já escreveu mais de 200 canções autorais e agora está prestes a lançar, neste Julho de 2026, seu álbum de estréia “Esquina do Sol” (RCA, Sony, 12 faixas), trazendo o fino suco de sua MPB contemporânea, em que explora um timbre de voz grave e sensual, entremesclando violões sincopados e beats afinados com as pistas de dança.
Ela emerge das terras saturadas pelo sertanejo comercial, mas destoa da norma da moda, trilhando outros rumos: fincada nas tradições da MPB (ela adora Clara Nunes e Jorge Ben), mas aberta às experimentações que pululam na música eletrônica, no rap, no trap etc.
Mesmo antes da chegada do debut, ela já se tornou a mais nova manifestação da capacidade de artistas oriundos da cena Goiás de transcenderem os limites do Estado e ganharem o mundo. Como havia ocorrido antes com os Boogarins e a já finada Carne Doce, bandas que se tornaram célebres Brasil afora e viajaram para o exterior mesmo cantando em português.
Aos 23 anos de idade, Mari já acumula índices impressionantes de impacto junto ao público, incluindo mais de 1 milhão de seguidores no Instagram (2), mais de um milhão de inscritos no YouTube (3) e 6 milhões de ouvintes mensais no Spotify (4) Nada mal para quem começou postando covers de MPB nas redes sociais.
Seu percurso rumo ao estrelato começou quando viralizou uma versão minimalista, só voz-e-violão, dos “Girassóis de Van Gogh” do rapper Baco Exu do Blues. Com mais de 57 milhões de acessos no YT, o vídeo traz com uma câmera estacionada em um tripé, focando apenas em seu rosto num close-up, com o violão fora de quadro; o vídeo que a fez célebre carrega todos os indícios de um caminho que mostrou-se bem sucedido: a disponibilidade para a auto-exposição detalhada, a confiança na expressividade de seu rosto, e um zelo quase de top model com sua fotogenia alavancaram Mari para a notoriedade.
Ela voltou a bombar com sua “Figa de Guiné”, famosa na voz de Alcione, com seu sonoro refrão “achei axé!”; depois remixada pelos franceses do Trinix, a canção tornou-se viral e seu vistoso clipe já contabiliza mais de 3 milhões de visualizações no Youtube. Evocando um pouco das atitudes de Clara Nunes, a “guerreira da utopia”, ela segue neste deslumbrante vídeo o modelito que vem rendendo dividendos: esbanjar charme diante das câmeras em paisagens deslumbrantes, numa espécie de axé-chic, numa neo-MPB imersa no que de melhor já se fez na cultura de terreiros da música negra/afrobrazuca, mas empacotada para um público de mais alto poder aquisitivo. Soando similar a cantoras de que é contemporânea, como Céu ou Mayra Andrade, Mari Froes decerto emana carisma, ainda que suas posturas sejam super show-do-eu (cf. Paula Sibilia). O que pode haver aqui de indébita “apropriação cultural” resta ainda a investigar – e não é agora que este escriba entrará neste vespeiro.
Atualmente em turnê européia que atravessará 17 países e 35 cidades (como destacou reportagem d’o Globo/RJ), Mari Froes também apresenta-se ao vivo em dúzias de venues nos EUA e Canadá no ano corrente. Já marcou presença em festivais de renome como Montreux na Suíça, Primavera Sound em Portugal e North Sea Jazz na Holanda.
O que vale enfatizar é o quanto Mari Froes voa nas asas também da audiovisualidade. Seu sucesso não provêm do áudio apenas, mas do visú: ela também destacou-se a partir da série Cidade Invisível, grafando a sereia Iara em uma rendição de “Sangue Latino” dos Secos e Molhados. Depois, subiu como um foguete ao Top of the Pops de hits globais do Spotify com uma versão de “Vaitimbora”, de Seu Pereira, que evoca várias lendas do folclore brasileiro, propulsionada ao cume por mais uma parceria com o Trinix, e que traz uma rítmica verbal meio trava-língua: “Pio de sabiá, Sariguê, Caxinguelê, Maracajá, Voo de maita perê, Saci pererê, Boitatá!”
Seu EP de estréia, “Nebulosa” (2020), saiu quando ela tinha apenas 17 anos de idade. Agora, o álbum de estréia promete uma artista amadurecida por uma travessia notória – e quando sair o disco, voltamos a conversar sobre o fenômeno e traremos aqui a resenha d’A Casa de Vidro 😉
Por eqto, desfrutem dos videoclipes e shows da artista neste seleção de outros 10 vídeos de encher os olhos e acariciar os tímpanos:
VIDEOCLIPES
SHOWS COMPLETOS
Voando longe de seu berço em Anápolis/GO, Mari Froes hoje em dia decola sua carreira na Europa: na Holanda, eis 10 minutos primorosos da artista fazendo um voz-e-violão de “Vaitimbora”, “Figa de Guiné”, “Gabriela”. 500 mil visualizações.
Publicado em: 19/07/26
De autoria: Eduardo Carli de Moraes educarlidemoraes
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