Adriel Vinícius lança o álbum “Vivo Aqui e Agora” (2019), gravado em A Casa de Vidro Ponto de Cultura em parceria com Bern Studio Live

A Casa de Vidro Ponto de Cultura, em parceria com Bern Studio Live, apresentam o álbum ao vivo de Adriel Vinícius, Vivo Aqui e Agora (2019), contendo 10 canções autorais (ouça na íntegra em YouTube: http://bit.ly/33wXg2i). O show contou com participação especial do rapper Vitor Hugo Lemes (VH – O Escrivão) nas músicas “Ande” e “Preto”. Faça o download gratuito do disco: http://bit.ly/2IUgg2R (MP3 de 320kps).

TRACKS:

01 – Ande (Feat. VH) (0:17)
02 – Areia Vermelha (8:59)
03 – De Rolê (12:15)
04 – Buquê de Plástico (16:18)
05 – Netflix (19:33)
06 – Esferográfica (23:02)
07 – Casa de Ferro (26:05)
08 – Vida Rara (29:28)
09 – Força Flor (30:52)
10 – Preto (Feat. VH) (37:27)

Gravado em 28 de Setembro de 2019, em Goiânia, no ponto de cultura A Casa de Vidro em 1ª Av. 974 (St. Leste Universitário). Técnico de som e gravação: Bern Silva. Produção cultural e audiovisual: Eduardo Carli de Moraes. Ilustração da capa (em transparência): Rafael Brito. Poster por Gustavo Lopes Assis.

Todas as letras são inéditas, com exceção de “Preto”, que encerra a mixtape “Pele Negra Máscaras Brancas” de VH (https://www.youtube.com/watch?v=DBUyh…), e “Areia Vermelha” e “Netflix”, presentes no EP de Adriel lançado em 2019 (https://www.youtube.com/watch?v=ICP_D…).

VÍDEOS:

“Preto”

“A rede social é um Buquê de Plástico…”

Picasso

Não importa se é a cantiga de uma lâmpada ou a voz da tempestade, a respiração da noite ou o gemido do mar que o cerca, sempre vigia atrás de você uma vasta melodia, tecida de milhares de vozes, em que apenas de vez em quando há espaço para seu solo. Saber quando é sua vez de cantar, esse é o segredo de sua solidão, como é a arte da verdadeira interação: deixar-se cair das palavras imponentes para entrar na melodia única, compartilhada.

* * * * *

Duas pessoas com o mesmo grau de quietude não precisam falar da melodia que define suas horas. Essa melodia é o que elas têm de comum em e por si. Existe entre elas algo como um altar ardente, e elas se aproximam da chama sagrada respeitosamente com suas raras sílabas.

* * * * *

Para todas as transformações que ocorrem de pessoa para pessoa, isto permanece verdadeiro: nunca se deve ver e avaliar de fora uma relação em todos os seus detalhes; o que duas pessoas poderiam dar e conceder uma à outra em sua confiança mútua permanece para todo o tempo um segredo de sua sempre indescritível intimidade. (…) Não sabemos qual é o centro de uma relação de amor, qual seria seu ponto mais extremo, intransponível e jubiloso: ocasionalmente, esse centro talvez apareça na última e dulcíssima intimidade dos corpos, mas disso ninguém deveria ser juiz, exceto a silenciosa responsabilidade precisamente dessas pessoas que se amam e se deleitam. Não é essa doação mútua que seria um descaminho para elas; no máximo o seria a incerteza se elas com isso podem, de fato, proporcionar uma à outra essa contínua intensificação que é o verdadeiro desejo e anseio do amor. (…) Nenhuma ternura do amor deve ter poder sobre o próprio amor, nenhuma pode se impor com a violência da repetição cega, mas uma ternura inteiramente nova deve sempre nascer da inesgotabilidade das emoções.

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Não é maravilhoso assegurar-se de que o amor pode conduzir a tanta força, e que no mais profundo ele diz respeito a algo que nos excede totalmente, e que, apesar disso, o coração tem a audácia de empreender esse ir-além-de-nós, essa tempestade para a qual seria necessária uma criação inteira?

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O terrível é que não temos religião alguma em que essas experiências, tão literais e tangíveis como são (ao mesmo tempo tão inefáveis e invioláveis), podem ser alçadas até Deus, até a proteção de uma divindade fálica, que talvez deva ser a primeira com que um grupo de deuses irromperá de novo entre os homens depois de tão longa ausência. O que mais deveria nos socorrer quando todos os auxílios religiosos falham, ao obscurecer essas experiências em vez de transfigurá-las e ao nos despojar delas em vez de implantá-las em nós com mais esplendor do que ousaríamos imaginar. Aqui somos os indescritivelmente abandonados e traídos: daí nosso desastre. Na medida em que as religiões – apagando-se nas superfícies e colocando cada vez mais superfícies extintas – pereceram e tornaram-se sistemas morais, elas também deslocaram esse fenômeno, que é o mais íntimo de sua e da nossa existência, para o solo resfriado da moral e, com isso, necessariamente, para a periferia. Pouco a pouco se perceberá que a grande catástrofe de nossa época ocorre aqui e não na esfera social ou econômica – nesse desalojamento do ato de amor para a periferia.

 

RILKE. Cartas Do Poeta Sobre a Vida.
Ed. Martins Fontes.
Trad. Milton Camargo Mota.