Acenando adeus a Chris Cornell, ícone da Geração Grunge – In Memoriam [1964 – 2017]

Uma das vozes mais extraordinárias do rock global nas últimas décadas calou-se para sempre, aos 52 anos, deixando como legado algumas canções imorredouras e um rastro indelével na história do Grunge.

Chris Cornell (1964 – 2017), que encantou e comoveu cantando no Soundgarden, no Audioslave, no Temple Of The Dog e em sua carreira solo, agora adentra o panteão de mortos ilustres da revolução sônica noventista, nascida e explodida deste Seattle, onde já estavam Kurt Cobain (Nirvana), Layne Stanley (Alice in Chains), Mia Zapata (The Gits), Andy Wood (Mother Love Bone), Scott Weiland (Stone Temple Pilots), dentre tantos outros mortos precoces do hypado cenário musical da terra natal de Jimi Hendrix.


“Words you say never seem
To live up to the ones
Inside your head

The lives we make
Never seem to ever get us anywhere
But dead

The day I tried to live
I wallowed in the blood and mud with
All the other pigs…”
The Day I Tried To Live

Ao enforcar-se em um banheiro de hotel, Chris Cornell põe um ponto final em sua existência em carne-e-osso de modo a lançar uma luz de crepúsculo sobre toda a sua obra anterior, como que sublinhando que seus lamentos musicados e seus berros de angústia impregnados não eram mera dramaturgia e jogo-de-cena. Eram a expressão genuína de um coração dilacerado pelos fardos que tinha em suas mãos e pela lida louca de tentar viver nesta estrepitosa estrada – “cheia de som e fúria e que não significa nada”? (Macbeth) – que ele batizou de Superunkown.


Chris matou-se e nos deixou chafurdando numa lama de porquês, meditando sobre vários “talvez”. Talvez, sem nenhuma intencionalidade consciente, Chris Cornell tenha partido do mundo deixando-nos uma série de emblemas.

Acenou adeus ao mundo enforcando-se na metrópolis que é uma encarnação da distopia Yankee, a outrora próspera capital-mundial-do-automóvel Detroit, hoje uma autêntica Devastolândia. Uma terra histórica para a música estadunidense (Motown, MC5, Stooges, White Stripes…), hoje reduzida a escombros do que foi outrora, prova viva da insanidade do american way of capitalism.

Ali Cornell rompeu com as grades desta jaula enferrujada que para ele tinha se tornado a vida.


Ele quis, talvez, com este ato derradeiro e fatal, demitir-se da Era Trump, que afinal não permite esperanças róseas de futuro erguendo-se no peito de ninguém (o que se ergue é o pavor da hecatombe nuclear e da estupidez da guerra devastadora on repeat). Quis afastar-se de vez do “pesadelo climatizado” de que falava Henry Miller, para enfim dar entrada naquele Trágico Olimpo onde habitam figuras que o mesmerizavam – como Kurt Cobain, Ian Curtis, Jeff Buckley, Mia Zapata † R.I.P etc.

Demitiu-se da vida, talvez, sonhando que valia a pena acabar de uma vez por toda com todo o sofrimento – também com toda felicidade – e ganhar de brinde, ainda que jamais sorvível por sua consciência, enfim uma consagração ao panteão dos deuses da música, dos mestres da voz? Não: talvez ele não estivesse pensando em fama póstuma, talvez estivesse simplesmente cansado de tudo, solitário mesmo ao cantar diante de multidões, sentindo-se como uma minoria de um, uma fading light, “The Disappearing One”.

Tudo o que ele mais temia veio à vida, tudo o que havia buscado construir como ninho mostrou-se no fundo como um túmulo disfarçado. À questão que, em O Mito de Sísifo, Albert Camus julga ser a mais fundamental das fundamentais, Cornell respondeu em ato, como antes havia feito Cobain: à pergunta “a vida vale a pena ser vivida?”, ele respondeu: “não mais”. Talvez ele apenas tenha caído em dias sombrios, mas sem ter tido mais a paciência ou a persistência para atravessá-los.


Talvez Chris Cornell sentisse que estava ficando pra trás, que o Audioslave já tinha sido sepultado e que seus ex-companheiros de banda já seguiam jornada, sem ele, sem precisar dele, sem ligar pra ele, profetas da raiva na nova empreitada de thrash metal hip hopper dos Prophets of Rage.

Chris, talvez, não sentisse mais em si queimando a chama vivaz da rebeldia, só o demônio malfazejo da depressão. A depressão, aliás, contra a qual ele parece ter lutado por toda a vida, e que enfim venceu a batalha, fatal demônio do meio-dia, sugador de vidas criativas em profusão, como mostram os casos de figuras como Sylvia Plath e Virginia Woolf, dentre tantas outras (Cf. ALVAREZ, O Deus Selvagem)


Talvez o Soundgarden fosse pra Chris já um jardim arrasado, um mamute lendário cuja força titânica já havia ficado no passado, envelhecido T-Rex perdendo seu vigor e que já não seria capaz de fazer jus, em seu futuro, aos clássicos Sabbáthicos do grunge que foram discaços como Badmotorfinger ou Superunkown. Não deve ser fácil conviver com uma relativa obscuridade, com uma sensação de decadência, quando em tempos idos já tivemos um grau de reconhecimento tão maior do que o atual.

Talvez aquele que lastimou-se ruidosamente por sentir-se “Outshined” estava sentindo-se obscurecido por um eclipse íntimo duradouro, uma noite que não passava, um “Black Hole Sun” que ele foi descobrindo tratar-se de um buraco negro devorador de toda luz.


Ah, Chris, que sedução estranha e irresistível veio exercer seu fascínio de Tânatos sobre ti, neste Maio de 2017, quando contavas 52 anos de idade, para que tenhas decidido encerrar sua estadia entre os vivos? Você foi com fé ou foi totalmente ateu? Foi com a esperança de que, lá do outro lado, beberia um vinho com Jeff Buckley e vocês cantariam em dueto as lindíssimas melancolias musicadas de “Grace”?

Talvez, quem sabe, Chris tenha pensado em Andy Wood, morto por overdose antes de tornar-se o rock-star que todo mundo esperava que se tornasse. Talvez Chris tenha se lembrado de que, sobre o cadáver do Mother Love Bone, ergueram-se monumentos da música estadunidense: o álbum de estréia do Temple Of The Dog e as sementes do Pearl Jam.

Terá morrido com o reconfortante consolo de que algo musicalmente esplendoroso seria erguido em sua homenagem, depois de sua partida? Que nova “Hunger Strike”, cantada em dueto com Eddie Vedder, virá para celebrar a vida e a morte de Cornell?



Chris, você deixa-nos lotados de perguntas e perplexidades. O fim da tua vida faz emanar algo semelhante à tua arte: a sensação de que, como diz Albert Camus, “a angústia é o habitat perpétuo do homem lúcido”. Teus wails eram o lamento de um homem cujo fardo eram enxergar bem demais as agruras do mundo. Tua alma atormentada era grungy como a garganta abissalmente profunda de Mark Lanegan. Alguns de teus berros são tão viscerais quanto Cobain dando uma de blueseiro e rasgando um Leadbelly ao fim do Acústico MTV.

Chris Cornell: em ti eu encontrava, comovido, um artista capaz de catarse e de expressão emocional impressionantes, conjugadas com um domínio técnico de seu métier de cantor que o tornam, sem dúvida, um dos gênios-da-voz no rock contemporâneo.O grunge, afinal de contas, tinha um pé fincado na lama do blues e outro pé saltando no lodo do punk; Chris Cornell, que também tinha algo de headbanger e foi muito celebrado por metaleiros como uma espécie de Dio de Seattle, tinha uma tamanha capacidade de musicar seus tormentos íntimos de modo hiperbólico e teatral, que pode até considerado uma das figuras prefiguradoras do emocore (tal como se manifesta no At The Drive-In ou no Linkin Park, por exemplo).

Assisti Chris Cornell em ação sobre o palco duas vezes, ambas muito impressionantes: um show de sua carreira solo em São Paulo e um show recente do Soundgarden no Festival d’Été de Québec. Aquela voz era de fato merecedora de ressoar por um vasto espaço, ecoando pela arena, pois carregava uma imensidão de sentimentos e de nuances, nos seus melhores momentos evocando O Grito de Munch. Se aquela pintura cantasse, talvez soasse como Chris Cornell no auge de suas catarses?

Sua vida e sua obra não serão esquecidos – com o perdão deste clichê de necrológios que é aqui mais uma vez tão válido. Seu organismo esfacelou-se, seu gogó calou-se para sempre, mas sua música fica entre nós, legado imorrível que não cessará de nos emocionar e nos empolgar. Que essa morte seja uma semente, que a plantemos em nossos campos e que dela sigam crescendo as Screaming Trees de nossa sublime e dilacerada grungidade.

Em “Wave Goodbye”, do seu disco-solo de estréia Euphoria Morning, o homenageado era o talentosíssimo Jeff Buckley, que afogou-se aos 30 anos tendo lançado apenas um álbum, “Grace”, uma das obras-primas da música global no fim do século XX. Agora é nossa vez de cantar, com a voz embargada, um “Wave Goodbye” para Chris Cornell, recém-embarcado numa estrada da qual nenhum viajante jamais retornou: a Superunkown que vai ao Hades e é uma via de mão única. Para aquele que criou e extroverteu tanta música cheia de alma, it’s just the end of the world.

E se alguém ainda nutre dúvidas de que perdemos um baita dum Poeta Grunge, antena de seu tempo e geração, relembro uma canção obscura de “Euphoria Morning” (1999), chamada “O Travesseiro Dos Teus Ossos” (“Pillow of Your Bones”). Ela ganha hoje uma nova camada de densidade enquanto a carne que recobria os ossos do cantor do Soundgarden e do Audioslave vai se desintegrando no seio da Phýsis e ele prepara-se para a sina sem dores de esqueleto.

Aí, nesta canção impressionante, Chris Cornell – que neste álbum já havia evocado nada menos que um fim do mundo, testemunhado e compartilhado por um eu-lírico “Radioheadiano” – segue explorando uma escrita hiperbólica, que deve ter lá suas similaridades com as tempestades psíquicas de poetas como um Rimbaud, um Lautréamont, um Poe… Cornell destila um lirismo sombrio através de sua pictórica poiésis, escancara paradoxos verbalmente cheios de wit (“the rising of my low”), e prova que é um letrista ainda muito sub-estimado e sub-apreciado.

Eis um compositor merecedor de mais estudo até mesmo por nós filósofos, que muitas vezes ficamos discutindo o conceito de catarse em Aristóteles, não avançando além dele, o que nos deixa desagradavelmente antiquados, pois poderíamos muito bem discutir catarse – e Estética – também, por exemplo, através da Geração Grunge e das obras de Cobain, Vedder, Cornell, Stanley, Lanegan (por uma sala de aula com mais Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains e Screaming Trees!). Ladies and germs, listen to an awesome grungy poet:

PILLOW OF YOUR BONES

The embers of the saint inside of you
Are growing as I’m bathing in your glow
I’m swallowing the poison of your flower
And hanging on the rising of my low
Colorful and falling from your mouth
Like a painted fever in recoil
Like a lie without the pain

On a pillow of your bones
I will lay across the stones
Of your shore until the tide comes crawling back

A waning hand on silver granite ways
Will mend my broken limbs and bend my haze
I’m sleeping in the silence of your voice
I’m cradling the peril of my only choice
Colorful and falling from your mouth
Like a painted fever in recoil
Like a lie without the pain

On a pillow of your bones
I will lay across the stone
Of your shore until the tide comes crawling back
Throw my pillow on the fire
Make my bed under the eye
Of your moon until the tide comes crawling back

Even though the truth can burn inside or fall behind
I will wander through your open mind
And you will find no lie can hide
Until the tide comes crawling…

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– Uma homenagem a Chris Cornell (1964 – 2017), in memoriam.
Por Eduardo Carli de Moraes para A Casa de Vidro.

NIRVANA: MTV Live And Loud – Seattle, 1993 (Show Completo, 1h 16 min)

nirvana-live-and-loudNirvana – MTV Live And Loud – Seattle, 1993 (Full Concert) DVD

0:00 Radio Friendly Unit Shifter
4:47 Drain You
8:30 Breed
11:46 Serve the Servants
15:09 Rape Me
17:49 Sliver
20:08 Pennyroyal Tea
24:47 Scentless Apprentice
28:41 All Apologies
32:38 Heart-Shaped Box
38:42 Blew
43:05 The Man Who Sold the World
47:40 School
50:31 Come As You Are
54:16 Lithium
59:14 About a Girl
1:02:03 Endless, Nameless
1:10:12 (stage destruction begins)

 P.S. Confiram também um artigo que escrevi aos 20 anos do suicídio de Kurt Cobain, de nariz afundado em livros sobre o cara e sobre a banda que encontrei na Toronto Public Library, em 2014: It’s better to burn out than to fade away (em inglês)Em breve, pretendo traduzi-lo, aprimorá-lo e republicá-lo por aqui. Um trecho:

He violently departed from us, 20 years ago, in April 1994, by blowing his brains out with a shotgun on his 1-million-dollar mansion, chez lui on Trigger-Happy America. When he chose suicide as a way-out-of-the-Samsarian-mess, his daughter Frances was 20 months old and couldn’t possibly understand anything about the struggles of a heroin addict with his condition as an international pop-superstar. Singing as if he was a tree rooted in dark angry soil, his voice seemed to arise from an abyss of suffering, especially located in an intense point of pain inside his belly. That invisible wound made tremendously audible by his music rang so true and filled with authenticity, in an era of poseurs and fakers and hair-metal yuppie cowshit. Lester Bangs once wrote that “expression of passion was why music was invented in the first place”, and Cobain also seemed to believe in this – and he wasn’t ashamed to put his “dark” emotional side, from depression and paranoia to sociophobia and alienation, to craft the punk-rock hymns that turned him unwillingly into The Spokesman Of A Generation. Extraordinarily capable of expressing his feelings, Cobain’s heart poured out of himself like lava from a volcano, letting us peek through a sonic keyhole into the labyrinths of an anguished life seeking release and craving for pain to end.

100 DISCOS BACANAS DA MÚSICA BRASILEIRA NO SÉCULO 21 – Ouça todos na íntegra: Criolo, Pitty, Emicida, Planet Hemp, Nação Zumbi, Lenine, Tom Zé, Elza Soares, Boogarins etc.

Subam o volume, abram os tímpanos e façam recurso aos expansores de consciência prediletos! Eis aqui um banquete musical farto e diverso que serve como um passeio turístico pela produção musicográfica no Brasil de 2000 pra cá. Os mais de 100 álbuns completos aqui reunidos pretendem ofertar portais de entrada para alguns dos mais significativos e expressivos álbuns gravados desde que o atual século raiou e a lista inteira pode ser acessada também em nossa playlist no Youtube (shortlink: http://bit.ly/1Z9c2Ef). A imagem que ilustra o post (acima) é uma obra do estúdio de ilustração goiano Bicicleta Sem Freio.

Voilà alguns dos artistas que vale a pena acompanhar no cenário musical brazuca contemporâneo: Criolo; Emicida; Pitty; Planet Hemp; Elza Soares; Los Hermanos; Siba; Lenine; Juçara Marçal e Metá Metá; Céu; Curumin; Apanhador Só; Karina Buhr; Móveis Coloniais de Acaju; Vivendo do Ócio; Cidadão Instigado; Tom Zé;  etc.

OBS: Algumas ausências importantes deste listão devem-se simplesmente à indisponibilidade atual do álbum no Youtube: é o caso, por exemplo, de obras excelentes – que esperamos poder adicionar à lista em breve – como: ModeHuman do Far From AlaskaCorpura, do Aláfia; A Dança da Canção Incerta, da Pó de Ser; a estréia do Carne Docedo Hellbenders, do Overfuzz; além dos discos de Mariana Aydar, Ceumar, Luiz Tatit etc.

(P.S. – Vocês podem sugerir álbuns ausentes desta playlist pelos comentários ou via msg de Facebook! Compartilhe no FB e no Tumblr.)

criolo

CRIOLO – “Convoque Seu Buda”


CRIOLO – “Nó Na Orelha”


PAULO CÉSAR PINHEIRO, “Capoeira de Besouro”


SABOTAGE – “Rap É Compromisso”


EMICIDA – “O Glorioso Retorno…”


CÍCERO – “Canções de Apartamento”


NAÇÃO ZUMBI – “Fome de Tudo”


PLANET HEMP – “A Invasão do Sagaz Homem Fumaça”


B NEGÃO – “Sintoniza Lá”


ELZA SOARES – “A Mulher Do Fim Do Mundo”


CÉU – “Vagarosa”


RODRIGO AMARANTE – “Cavalo”


TULIPA RUIZ – “Efêmera”


JUÇARA MARÇAL – “Encarnado”


JUÇARA MARÇAL E KIKO DINUCCI – “Padê”


RACIONAIS MCS – “Nada Como Um Dia”


CÉU – “Catch a Fire” (Live)


LITTLE JOY


B NEGÃO – “Enxugando Gelo”


RUSSO PASSAPUSSO – “Paraíso da Miragem”


PITTY – “Anacrônico”


PITTY – “Sete Vidas”


PITTY, “Admirável Chip Novo”


NÔMADE ORQUESTRA


KAMAU – “Non Ducor Duco”


CURUMIN – “Japan Pop Show”


BOOGARINS – “Manual”


BOOGARINS – “Plantas Que Curam”


KARINA BUHR – “Eu Menti Pra Você”


B NEGÃO – “Transmutação”


O TERNO (2014)


MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU (2005)


AVA ROCHA – Ava Patrya Yndia Yracema (2015)


MACUMBIA – Carne Latina


TÁSSIA REIS


ACADEMIA DA BERLINDA (2007)


MACACO BONG – “Artista Igual Pedreiro”


ANELIS ASSUMPÇÃO E OS AMIGOS IMAGINÁRIOS


DINGO BELLS – “Maravilhas da Vida Moderna”


VIVENDO DO ÓCIO – “O Pensamento É Um Ímã”


BAIANA SYSTEM – “Duas Cidades”


CIDADÃO INSTIGADO – “Fortaleza”


CIDADÃO INSTIGADO E O MÉTODO TUFO DE EXPERIÊNCIAS


TOM ZÉ – “Vira Lata na Via Láctea”


ELO DA CORRENTE – “Cruz”


ÑANDE REKO ARANDU – Memória Viva Guarani  (2000)


ESTRILINSKI E OS PAULERA – “Leminskanções”


NOÇÃO DE NADA – “Sem Gelo” (2006)


MOMBOJÓ – “Nada de Novo” (2004)


FINO COLETIVO (2007)


PITTY – “Ciaroescuro”


MATEUS ALELUIA – “Cinco Sentidos” (2010)


LOS HERMANOS – “Ventura” (2003)


ABAYOMY AFROBEAT ORCHESTRA – “Abra Sua Cabeça”


SIBA – “Avante”


SIBA E A FULORESTA – “Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar” (2007)


MUNDO LIVRE S/A – O outro mundo de Manuela Rosário (2004)


NÁ OZZETTI E ZÉ MIGUEL WISNIK – Ná e Zé (2015)


CAETANO VELOSO – Cê (2006)


HURTMOLD – Mestro


INSTITUTO – Coleção Nacional


CORDEL DO FOGO ENCANTADO


RODRIGO CAMPOS – “Conversas com Toshiro”


DUDA BRACK – “É”


CURUMIN – “Achados e Perdidos” (2005)


LUISA E OS ALQUIMISTAS – “Cobra Coral”  (2016)


A TROÇA HARMÔNICA (2015)


MAHMED – Sobre a Vida em Comunidade


LETUCE – Estilhaça


FILARMÔNICA DE PASÁRGADA – “O Hábito da Força” (2013)


LENINE – “Chão” (2011)


LENINE – “Labiata” (2008)


MUÑOZ – “Nebula” (2014)


JARDS MACALÉ – “Amor, Ordem e Progresso”


OTTO – “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” (2009)


TOM ZÉ – “Jogos de Armar”


SARA NÃO TEM NOME – “Ômega III”


FORGOTTEN BOYS – “Stand by the DANCE”


GUSTAVITO – “Só o Amor Constrói”


BLUBELL – “Eu sou do Tempo…”


THALMA E GADELHA – “Mira”


NOÇÃO DE NADA – “Trajes e Comportamentos”


MUNDO LIVRE S/A vs NAÇÃO ZUMBI


ZULUMBI (2014)


IAN RAMIL – Derivacilização (2014)


CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA – Rytmus Alucynantis


CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA – Espionagem…


ABAYOMY (2012)


LOS HERMANOS – “Bloco do Eu Sozinho”


VOLVER – “Acima da Chuva”


ORQUESTRA IMPERIAL – “Carnaval Só Ano Que Vem”


SUPERCORDAS – “Terceira Terra” (2015)


CÉREBRO ELETRÔNICO – “Pareço Moderno”


PATA DE ELEFANTE – “Um Olho no Fósforo…”


GUIZADO – “Calavera”


SIBA E A FULORESTA – “Fuloresta do Samba”


LURDEZ DA LUZ – Ep


RED BOOTS – “Touch the Void”


SUBA – SP Confessions


DIEGO E O SINDICATO – “Parte de Nós”


DIEGO MASCATE


APANHADOR SÓ


APANHADOR SÓ – “Antes Que Tu Conte Outra”


BIXIGA 70 III (2015)


BIXIGA 70 (2013)


HELLBENDERS – “Peyote”


BERIMBROWN (2000)


RENATA ROSA, “Zunido da Mata” (2012)


RENATA ROSA, “Encantações” (2015)


SERENA ASSUMPÇÃO, “Ascensão” (2016)


METÁ METÁ – “MM3” (2016)


METÁ METÁ (2011)


JULIANO GAUCHE – “Nas Estâncias de Dzyan” (2016)


JULIANO GAUCHE (2013)


THE BAGGIOS – Brutown (2016)


Abayomy Afrobeat Orquestra

Abayomy Afrobeat Orquestra

CONTRIBUIÇÕES PARA UM NATAL VERMELHO! – Leminski, Boulos, Freixo

Natal
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Jesus Cristo segundo Paulo Leminski

Profeta, poeta, utopista: Jesus aparece a Leminski como tudo isso junto e misturado. Este messias, tão incômodo quanto um Spartacus (ambos terminaram pregados na cruz pelos romanos), demandava um outro mundo e teve sua boca calada com violência. Em uma interpretação que talvez soe herética aos ouvidos daquelas seitas cristãs mais conservadoras e elitistas, Leminski reclama que a utopia de Jesus seja inserida na galeria do socialismo utópico. E denuncia os inúmeros desvios e perversões que transformam a mensagem de Jesus de Nazaré em algo capaz de produzir Cruzadas, Inquisições e Massacres.

“O Reino de Deus era a restauração da autonomia nacional do povo hebreu. Sobre isso, a autoridade romana não se equivocou, ao pregar o profeta na crux, exemplar suplício com que os latinos advertiam os rebeldes sobre os preços em dor da sua insurreição. Esse o suporte material, sócio-econômico-político, da pregação, por Jesus, de um (novo) Reino, um (outro) poder. Nessa tradução/translação do material para o ideológico, Jesus forneceu um padrão utópico para todos os séculos por vir. As duas grandes revoluções, a Francesa e a Russa, estão carregadas de traços messiânicos de extração evangélica. Ambas prometeram a justiça, a fraternidade, a igualdade, enfim, a perfeição, o ideograma da coisa-acabada projetada sobre o torvelinho das metamorfoses. Natural que seja assim. Afinal, as utopias são nostálgicas, saudades de uma shangrilá/passárgada, estado de excelência que lá se quedou no passado, Idade de Ouro, comunidade de bens na horda primitiva, antes do pecado original da divisão da sociedade em classes, plenitude primitiva, paleolítica, intra-uterina, antes do pesadelo chamado História.

A revolução é o apocalipse, o Juízo Final de uma ordem e de uma classe social: o cristianismo primitivo cresceu à sombra da expectativa da segunda vinda, quando Jesus, vitorioso sobre a morte, voltaria, apocalipticamente, para julgar, ele que foi julgado e condenado pelas autoridades: o retorno do reprimido, a vendeta, o acerto de contas entre os miseráveis da terra e seus prósperos opressores e exploradores. (…) O programa de vida proposto por Jesus é, rigorosamente, impossível. Nenhuma das igrejas que vieram depois invocando seu nome e cultuando sua doutrina o realizou. Religião saída de Jesus não poderia ter produzido Cruzadas, inquisição, pogrons e as guerras de religião entre católicos e protestantes, que ensangüentaram a Europa nos séculos XVI e XVII. O programa de Jesus é uma utopia. Curioso que, na frondosa bibliografia sobre os socialismos utópicos, nunca apareça a doutrina de Jesus como uma das mais radicais.” (PAULO LEMINSKI, Vida, Cia das Letras, p. 221)

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Natal Sem Hipocrisia
Guilherme Boulos

“Jesus Cristo, do modo como nos apresenta a Bíblia, não era um apologeta da ordem e da tradição. Enfrentou os poderosos de seu tempo e defendeu ideias que a consciência dominante não podia admitir.

Não por acaso morreu na cruz, depois de perseguido, preso e torturado. Como gosta de lembrar Frei Beto, Jesus não morreu de hepatite na cama nem atropelado por um camelo em alguma esquina de Jerusalém. Morreu como preso político nas mãos do prefeito Pôncio Pilatos e dos sacerdotes judeus. Isso, as escrituras nos dizem.

Nos falam também sobre as razões que fizeram de Jesus tão odiado pelos poderosos. Defendeu a igualdade e os mais pobres, condenando aqueles que se apegavam demais às riquezas: “É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” (Mateus 19-24).

Defendeu a divisão dos bens, como signo da igualdade social: “Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos” (Lucas 1, 53). E assim o fez, partilhou o pão e os peixes entre todos (Marcos 6,41).

Jesus enfrentou também decididamente os preconceitos, como mostra o caso bíblico da mulher samaritana (João 4, 1-42). Acolheu os marginalizados (Marcos 7, 31) e foi misericordioso com as prostitutas (Lucas 7, 36-50). Combateu o ódio e intolerância.

Hoje, mais de dois milênios depois, nosso mundo permanece profundamente desigual. Os 2% mais ricos da população mundial detêm mais da metade de todas as riquezas, enquanto os 50% mais pobres detêm apenas 1%. Os donos do poder, via de rega, continuam atuando para manter esta estrutura de privilégios e reprimir o povo quando ousa enfrentá-la.

Muitos dos que hoje se dizem cristãos consideram a desigualdade como fato imutável e a legitimam pelo discurso hipócrita da meritocracia. Sem falar no ódio e na intolerância. Defendem o linchamento público de “marginais”, silenciam como cumplicidade ante a chacina da juventude negra nas periferias, ofendem homossexuais e toleram a agressão à mulheres.

Jesus dedicou sua vida à igualdade, justiça e paz entre os povos. Se reaparecesse em 2014, no Brasil, ficaria espantado com o que dizem e fazem muitos dos cristãos. Seria achincalhado com palavras inomináveis nas seções de comentários da internet. Seria chamado de bolivariano na avenida Paulista. Certa comentarista de telejornal o mandaria levar para casa a mulher adúltera que ele salvou do apedrejamento. E alguém, de dentro de algum carro no Leblon, gritaria a ele:”Vai pra Cuba, Jesus!”

LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA

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Natal4

O NATAL DOS COVARDES
Marcelo Freixo

O que diriam os pregadores da intolerância, os obreiros do justiçamento, os apóstolos do olho por olho dente por dente sobre um homem que manifestou seu amor por um ladrão condenado e lhe prometeu o paraíso? Brandiriam o velho sermonário: bandido bom é bandido morto?

(…) Jesus optou pelos oprimidos e renegados, pelos miseráveis, leprosos, prostitutas, bandidos. Solidarizou-se com o refugo da sociedade em que viveu, contestou a ordem que os excluiu.

O Cristo bíblico foi um dos primeiros e mais inspiradores defensores dos direitos humanos e morreu por isso. Foi perseguido, supliciado e executado pelo Império Romano para servir de exemplo.

Assim como servem de exemplo os jovens que são espancados e crucificados em postes, na ilusão de que a violência se resolve com violência. Conhecemos a mensagem cristã, mas preferimos a prática romana. Somos os algozes.

Questiono-me sobre o que seria dele em nossa Jerusalém de justiceiros. Não sei se sobreviveria. É perigoso defender a tolerância, o amor ao próximo e o perdão quando o ódio é tão banal. Como escreveu Guimarães Rosa: “quando vier, que venha armado”.

Não é difícil imaginar por onde ele andaria. Sem dúvida, não estaria com os fariseus que conclamam a violência e fazem negócios, inclusive políticos, em seu nome.

Caminharia pelos presídios, centros de amnésia da nossa desumanidade, onde entulhamos aqueles que descartamos e queremos esquecer, os leprosos do século 21. Impediria que homossexuais fossem apedrejados, mulheres violentadas e jovens negros linchados em praça pública. Estaria com os favelados, sertanejos, sem tetos e sem terras.

Por ironia, no próximo Natal, aqueles que defendem a redução da maioridade penal, pregam o endurecimento do sistema prisional, sonham com a pena de morte e fingem não ver os crimes praticados pelo Estado contra os pobres receberão um condenado em suas casas.

Diante da mesa farta, espero que as ideias e a história desse homem sirvam, pelo menos, como uma provocação à reflexão. Paulo Freire dizia que amar é um ato de coragem. Deixemos então o ódio para os covardes.

Navidad

Natal6

Laerte

Patti Smith (♥) Live at Montreux, 2005 [Full Concert]

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pattishoulder

PATTI SMITH
Discografia completa de 1975 a 2004:
 (torrent)

DISCOGRAFIA

1975 – Horses [30th Anniversary Legacy Edition] 2 Disc
1976 – Radio Ethiopia
1978 – Easter
1979 – Wave
1988 – Dream Of Life
1995 – Paths That Cross – 2 Disc
1996 – Divine Intervention
1996 – Gone Again
1997 – Peace And Noise
2000 – Gung Ho
2002 – Land – Best Of 1975 To 2002 – 2 Disc
2004 – Trampin
2007 – Twelve
2011 – Exodus – Live 1978
2012 – Banga

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“It’s better to burn out than to fade away” – 20 Anos Sem Kurt Cobain (1967-1994)

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It seems to me quite ironic and ambiguous that a band named Nirvana was actually the living and struggling embodiment of what Buddhists call Samsara. As if he was bound to the wheel of craving and suffering, Kurt Cobain screamed his guts out just like I imagine Prometheus (so beautifully depicted in Rubens’ painting) screamed day after day as the eagle devoured his liver. Nirvana is perhaps the most tragic rock and roll band there was, seen from the perspective of Cobain’s death, but it ‘s also one of the most exciting pages of rock history in the 1990s. It inspired us, with its punkish courage, to take mainstream culture by assault. Off with commercial shitty kitsch! He wanted art to be undiluted expression of raw and true emotion, communicated through the means of songs bursting with juvenile energy, suicidal tendencies, drug experiences, Beatlemania, and an up-bringing in what he called “a punk rock world”.

 He violently departed from us, 20 years ago, in April 1994, by blowing his brains out with a shotgun on his 1-million-dollar mansion, chez lui on Trigger-Happy America. When he chose suicide as a way-out-of-the-Samsarian-mess, his daughter Frances was 20 months old and couldn’t possibly understand anything about the struggles of a heroin addict with his condition as an international pop-superstar. Singing as if he was a tree rooted in dark angry soil, his voice seemed to arise from an abyss of suffering, especially located in an intense point of pain inside his belly. That invisible wound made tremendously audible by his music rang so true and filled with authenticity, in an era of poseurs and fakers and hair-metal yuppie cowshit. Lester Bangs once wrote that “expression of passion was why music was invented in the first place”, and Cobain also seemed to believe in this – and he wasn’t ashamed to put his “dark” emotional side, from depression and paranoia to sociophobia and alienation, to craft the punk-rock hymns that turned him unwillingly into The Spokesman Of A Generation. Extraordinarily capable of expressing his feelings, Cobain’s heart poured out of himself like lava from a volcano, letting us peek through a sonic keyhole into the labyrinths of an anguished life seeking release and craving for pain to end.

Cobain’s musicianship was spectacularly exciting and innovative – even though he borrowed a lot from a similar heavy, distorted and fast guitar-sound, similar to the one invented and mastered in previous decades by Johnny Ramones and Mick Joneses – he created out of that something that was distinguishable his own. Cherishing intensity rather than complexity, and emotional catharsis more than rational self-controlness, Nirvana’s music carried within it some much power that the whole thing mushroomed into one of those rares episode in music history when a band becomes History, defines an Era, before burning-out instead of fading-away. I call them “The Exploding Stars”. I would argue, If you permit me to trip a little bit on some stoned hypotheses, that Cobain’s voice spoke to millions, and his music stirred up such an intense commotion, because of the authentic and desperate artistical expression that he was able to create out of his Samsarian suffering. In 1991, the kitsch of American pop culture – from Michael Jackson to Guns’N’Roses – was suddenly kicked in the butt by the 1990s equivalent to MC5’s Kick Out The Jams to the 1960s and Nevermind The Bollocks, Here’ The Sex Pistols to the 1970s.  

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And here we are, 20 years after he took a shortcut into that land which no voyager ever comes back from (like Shakespeare’s Hamlet said), discussing his legacy and trying to understand his life and his death. Violent deaths occur every day and all the time, of course, and why should the death of a rock star be made so much fuzz about? The thing is: American Culture is deeply influenced by the realm of Pop, which is a money-making-machine mainly, of course, but sometimes explodes out of control and becomes a cultural force that manages to transcend the markets. It becomes something to be dealt with by Art History, by Sociology, by Philosophy, by Anthropology, by Existential Psychology etc. Or do you perhaps think that the more than 60 people who committed copycat suicides after Cobain’s demise in 1994 related to Cobain only as consumers do with manufacturers of products? Could we possibly say that the more than 5.000 people who went to his funeral, and joined in a candlelight vigil, were merely mourning because they had lost one of their hired entertainers? What about more than 50 million records sold (how many billions of downloads, I wonder?): did all these listeners heard Cobain just as a manufactured commodity? No! Cobain had an authenticity arising from the trueness of feeling underlying his music, and this set him apart from everything that was going on in “Mainstream American Culture” in that era.

Nirvana kicked the door to the ground for Underground America to step into the spotlight in 1991, “The Year that Punk Broke” (when Sonic Youth signed to a major; when Pearl Jam and Soundgarden skyrocketed to the top of charts; when Seattle’s scene became “The Big Thing” in a process juicily conveyed by Hype! , the documentary). Violent and untimely deaths happened all around Cobain while he experienced and interacted with people from the music scenes of Aberdeen, Olympia, Tacoma and Seattle. Prior to Cobain’s suicide, there had been other tragedies in Seattle Rock City: for example, Mia Zapata‘s cold-blooded murder in July 1993, when the singer-songwriter of The Gits (one of the awesomest “grunge” bands that never made it to the Mass Media…) was raped and killed after leaving a bar in Seattle. Or the fatal-OD that took to an early grave Andrew Wood, singer in Mother Love Bone (whose remaining members went on to build Temple of The Dog and then Pearl Jam).

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TWO GRUNGY TRAGEDIES BEFORE COBAIN:  MIA ZAPATA’s murder (watch below the full The Gits doc) and ANDREW WOOD’s fatal OD (listen below to the tribute album by Temple Of The Dog, wich contains the grungy-hymn in which Eddie Vedder and Chris Cornell share vocal duties, “Hunger Strike”).

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Suicide is common currency in rock’n’roll mythology. The Who had screamed in the 1960s, for a whole generation to hear: “I hope I die before I get old”. Neil Young’s “Hey Hey My My” stated that “it’s better to burn out than to fade away” – a phrase later to become one of the most quoted from Cobain’ suicide letter. The Dead-at-27 Club had already a plentiful of members – Hendrix, Morrison, Janis… – when Nirvana’s lead singer joined them on this fraternity of bones. His originality was in his means-of-death: he was the first of them to have commited suicide. But did he really choose to leave life in order to become myth? Or such ambitions were not the case for someone craving to escape a labyrinth of angst, rage, stomach-aches, annoying fame, never-ending tours and chronical dissatisfaction? To get back to my point in the beggining of this trip: isn’t suicide, in Cobain’s case, an succesfull attempt simply to blow to smithereens the whole damned Samsara? After all, this man was an extremist not only in art but also in life, and it’s quite possible he entertained extreme notions about what Nirvana was all about.

 Nirvana’s music was not Zen at all – it was the sound of fury delivered in packages of Beatlesque melody and punkish attitude. When, 20 years ago today, he chose utter self-destruction, this was hardly a surprising ending for someone who had talked openly about suicide for years and years, and who had previously attempted it some times before, and who almost named the follow-up to Nevermind with the phrase I Hate Mysef And I Want To Die… Not surprising, but still mysterious and fascinating and hard to fully understand. Some writers and interpreters see Cobain’s suicide as something despicable, and criticize him for being a sell-out who couldn’t enjoy his success, or a kid who couldn’t stand his “tummy-ache” and chose some dumb radical medicine. In his article “An Icon of Alienation”, Jonathan Freedland writes, for example, about Cobain’s Last Days (also portrayed in cinema by Gus Van Sant):

“Generation X-ers are meant to be the slacker generation, yet here was the slacker-in-chief living the yuppie dream: married, padding around a $1.1 million luxury mansion with a garden for his baby daughter to play in, and Microsoft and Boeing executives for neighbours. It proved to be no refuge for Kurt Cobain, the boy who had come from blue-collar nowhere and made himself an international star and millionaire. Holed up inside the house overlooking the perfume-scented lake, he pumped his veins full of heroin, wrote his rambling suicide note, and did so much damage to his head that police could only identify his body through fingerprints. Dental records were no use, because nothing was left of his mouth.” – JONATHAN FREEDLAND, An Icon Of Alienation.

Some say some sort of suicide gene or tragic curse ran in the Cobain family: three of Kurt’s uncles had killed themselves. But the picture, of course, is much more complex than the “family tree” explanations wants to admit. It’s well known that Kurt Cobain was deeply pained both by stomach-aches and by childhood traumas (he was, every journalist repeated to exhaustion, the “son of a broken home”). His heroin-addiction, which he justified as a means of self-medication, it seems to relate also to some frantic need to numb his existential discomfort and disgust, to reach periodically some “artificial paradises” similar to the ones experienced by Baudelaire, De Quincey, Burroughs, Ken Kesey and tons of other artists and mystics. But no explanation of his bloody choice of escape from life can be convincing without a discussion about Celebrity, Fame, Success. As Will Hermes wrote in Rolling Stone magazine: “The singer-songwriter, who wrestled with medical problems and the drugs he took to keep them at bay,  was also deeply conflicted about his fame, craving and rejecting it.”

That’s what makes Nirvana so interesting: a punk band kicking out the jams in Sub Pop records turns into the highest-selling band in the world and becomes rich on the payroll of a major record company – Geffen. I would like to attempt to reflect briefly upon some of the reasons that explain Cobain’s suicide, but without venturing to give a comprehensive biography of the man or his band – a job already done brilliantly by Charles Cross’s Louder Than Heaven, by the Nirvana bio written by Everett True, or by the documentary About a Son by A. J. Schnack.

Let’s head back to 1991, when Nevermind exploded into the mainstream pop arena and became a cultural phenomenon of huge proportions. This landmark album wasn’t only a big commercial hit, destined to sell more than 30 million copies worldwide. It wasn’t only one of the greatest rock’n’roll albums ever made, with songs so powerful that Simon Williams describes them as “savage indictments of the rock ethos, eye-bulging, larynx-blistering screamalongs”. It wasn’t only a passing fancy of youngsters who would completely forget about the band when the next wave of pop novelties came along. Nevermind was an era-defining masterpiece of epic proportions, the most important album of the whole grunge era, the record that stands out in the 1990s as something unique and unsurpassed. It kicked out the jams with its raw power and heartfelt catharsis, and finally punk rock aesthetics and ethics became common currency and were delivered to the astonished masses. “Smells Like Teen Spirit”, a song named jokingly after a deodorant, and in which Cobain said he was merely ripping off The Pixies, took MTV by storm in 1991 and buried for awhile the Disco-Yuppie-Crap and the Hair-Metal-Bullshit. It kick-started the Grunge Era and opened the gates wide open for the Seattle scene to become immensely influential through Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden, Mudhoney, The Screaming Trees, and many others. For the first time ever in the U.S., it seemed like Punk Rock was gonna win its battle and inject rebelliousness and dissent into the veins of American suffering from a hangover after the Reagan-years in Shopping Centerish Yuppie America.

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 “Nirvana have also been seen in sociological terms: as defining a new generation, the twentysomething ‘slackers’ who have retreated from life; as telling unattractive home truths about a country losing its empire and hit by recession; as representing the final, delayed impact of British punk on America. They have also shocked people by trashing male gender codes: kissing each other on the national network show Saturday Night Live, appearing in dresses in the video for their single ‘In Bloom’, doing pro-gay benefits. We may be more used to this in Britain, but America is a country with much more machismo in its popular culture. A sensational appearance on last year’s globally broadcast MTV Awards, where they smashed their equipment and mocked rock competitors Guns N’Roses, sealed their status as America’s bad boys…” JON SAVAGE, Sounds Dirty – The Truth About Nirvana

 Nirvana wasn’t political like The Clash, but yet they certainly did a political statement with their career. Kurt Cobain shoots himself in the head and his brains get splattered all over the American Dream – that thing that, George Carlin said, “you have to be asleep to believe in”. Nirvana was much more about a provocation, à la William Burroughs (Cobain’s favorite writer), on the despised Square Society of White America. It’s punkish agression against Yuppie bullshit. It states that music shouldn’t be seen only as product or merchandise, and that it can convey emotions that can “infect” large portions of society with its groove, its stamina, its mind-expansion and energy-raising powers.

Kurt Cobain could be described by psychopathologists as clinically depressed or bi-polar – it’s known he had familiarity with Ritalins and Lithiums and other creations of the Pharmacological Industries in Capitalist America. But Nirvana’s music is not only a downer – on the contrary, Nevermind cointained so much power that it seemed like it was capable of awakening a whole generation out of its lethargy and inaction. But Cobain couldn’t and wouldn’t be the “leader of a generation”, the preacher telling in the microfone for the converted masses which way to follow. He wouldn’t become a parody of himself (“I hope I die before I turn into Pete Townsend”, he said), he wouldn’t be a happy millionaire smiling for the papparazzis, he simply wouldn’t conform to letting Nirvana become a sell-out act of merely market-wise relevance. With his death, he turned Nirvana into a symbol for decades to come, a band never to be forgotten.

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 “The sleeve of Nevermind shows a baby swimming underwater towards a dollar bill on a fish hook. The intended meaning is clear: the loss of innocence, the Faustian contract that usually comes with money. Take it, but if you do, you’re hooked for life. It’s a parable of Nirvana’s current dilemma: they’ve taken the bait, but the contradictions of their success are threatening to tear them apart. How can the members of Nirvana retain their integrity, which is very important to them, in a situation which demands constant compromise? How can they sing from the point of view of an outsider now that they’re in a privileged position? How can they suffer relentless worldwide media exposure and still retain, in Grohl’s words, ‘the spontaneity and the energy of something fresh and new’ that has marked their career?” – JON SAVAGE

“Teenage angst paid off well, now I’m bored all old”: that was the statement that began In Utero’s sonic ride. In it, Cobain wants to take us with him on his downward spiral, never afraid to let the songs show his inner confusion and Samsarian suffering. He didn’t believe in a loving God acting as a Daddy up above on the clouds, looking out for their pet-children, but rather was seduced by Buddhist notions, for example that of Karma. Nirvana’s music seems like some sort of ritual of Karmic cleansing, in which Cobain attempts, through a visceral outpouring of emotions, especially the ones that are burdensome, to attain some release.

But he didn’t arrive at no Enlightnenment – not even plain and simple piece of mind. In Rome, March 1994, he attempts suicide with more than 50 pills of Roipnol. He couldn’t stand the never-ending tours, the stupid interviews, the persecution by papparazis, the fans acting like Neanderthals, the need to repeat for the thousandth time “Smells Like Teen Spirit” – even in those nights when we didn’t felt like doing it. He simply wasn’t able to “enjoy” the ride of popstardom inside the Commercial Machinery of Profit Seeking Corporate America. When Rolling Stone did a cover issue with Nirvana, Kurt Cobain wore a t-shirt that read: ‘CORPORATE MAGAZINES STILL SUCK’. Even tough he hated Corporate America, he was immersed in it, and it had the means for him to take his message to larger audiences instead of limiting himself to the narrow world of punk-rock and indie concerts where you only preach to the converted. Nirvana never did corporate rock, but instead they did dangerous music that the industry soon discovered that resounded with millions of people worldwide. To call them “sell-outs” is narrow-mindedness. They tried instead to deeply transform Mainstream culture by taking it by storm. This is one of the most influential bands in the history of rock because it inspired us to reclaim the airwaves out of the hands of those fuckers Terence McKenna talks about in “Reclaim Your Mind”:

He never felt at ease or at home under the spotlight of mass media, gossip magazines, commercial TV shows. Always a punkish outsider and underdog that never quite fitted into the mainstream’s machinery of popstardom, he identified himself with feminists, oddballs, weirdos and other non-conformist and eccentric individuals and urban tribes. He despised pop icons like M. Jackson or Axl Rose, and loved The Pixies, The Raincoats, Young Marble Giants, all sorts of lo-fi and low-budget underground “indie” stuff. Even tough proto-grungers such as Husker Du’s Bob Mould, Black Flag’s Henry Rollins or The Replacements’ Paul Weterberg done something similar to Cobain both musically and lyrically, neither exploded internationally like Nirvana to wide-spread impact on thousands of lives.

I remember him as punk rock kid from a fucked-up town filled with macho-men rednecks, and who expressed his rage against mainstream American culture with extraordinary talent. I remember him as an aesthetic extremist who loved William Burroughs stoned literature, and who entertained himself in his Aberdeen years with peculiar fun such as watching Faces of Death after eating hallucinogenic mushrooms. I remember him also as a sometimes sensitive and tender guy who had pet-turtles in his bathtub and hated in his guts all sorts of homophobia, misoginy and Neanderthal stupidity. I remember him as a music geek that loved underground music and did everything in his power to invite his audience to listen to his favorite “indie” artists (like Pixies, Breeders, Meat Puppets, Vaselines, Daniel Johnston, Beat Happening, Flipper, Bikini Kill, Half Japanese, Billy Childish, Butthole Surfers…).

David Stubbs, in his article “I Hate Myself And I Want to Die”, writes:

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“Rock’n’roll mythology is fed and defined by its occasional deaths. Usually, these are due to some excess or other – driving too fast, getting too high, taking too much, going too far, the romantic pushing back of life’s envelope, testing the limits, wanting too much, wanting it now, forfeiting tomorrow in the bargain. Rock’n’roll mythology dictates that its heroes die because they wanted to live too much. Kurt Cobain, however, didn’t want to live. He wanted to die.”

It can be said that he’s the most perfect embodiment in rock music of  Nihilism, that cultural phenomenon which Nietzsche predicted, in the 19th century, that would become wide-spread. Cobain radically acted upon his nihilism, towards his self-destruction, what sets him apart from other famous nihilists, like Emil Cioran or Arthur Schopenhauer, who died of old age and so-called “natural causes”.

The man died, but his deeds are still with us, haunting us like Prometheu’s scream as he’s being eaten by an eagle, inspiring us like a Punk Monument to raw power in an age of slumber, provoking us like a tragic character which awakens us to a life that ain’t no picnic. There’s reason to mourn and get the paralysing blues when we considerer Cobain’s suicide, but there’s also reason to cherish and celebrate a life that has left a legacy that millions of us feel that have enriched our lives. Cobain struggled in Samsara and that makes him a member of a brotherhood called Humanity. Nirvana always sounded to me like the music of a brother, expressing what we, his brothers in suffering, also experienced but were unable to express so powerfully and unforgettably as he did.

[By Awestruck Wanderer]

Mixtape: 12 canções que gritam “LIBERDADE!” (Hendrix, Lennon, MC5, Nina Simone, Funkadelic… e mto mais!)

No cardápio:

01) Jimi Hendrix;

02) John Lennon;

03) Neil Young;

04) Richie Havens;

05) Bob Marley;

06) Ben Harper;

07) Funkadelic;

08) MC5;

09) The DT’s;

10) Rage Against the Machine;

11) Charles Mingus;

12) Nina Simone.

Pump up the volume…
and enjoy the ride!

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cecilia

“Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta,
não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda.”

(Cecilia Meireles,  1901-1964)