Páscoa Maconheira

Easter Sunday
Domingo de Páscoa em Toronto e milhares de maconheiros se reuniram no epicentro da metrópolis canadense, na rua Yonge com a Dundas, em prol da legalização. Na foto, a nuvem de fumaça não é sinal de poluição, mas sim o efeito de uns 1.000 baseados acesos simultaneamente (às 4:20, é claro!). O Canadá já regulamentou tanto a cannabis medicinal quanto o plantio industrial de cânhamo – e a intensa pres
são das ruas talvez faça com que se torne em breve o segundo país no mundo – após o Uruguai – a legalizar a marijuana completamente. Será que agora vai? 

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Saiba mais sobre o atual estado das coisas cannábicas no Canadá:

A edição mais recente da NOW Magazine de Toronto inclui um excelente dossiê sobre a situação atual da maconha no Canadá – que foi o primeiro país no mundo a legalizar a cannabis medicinal, em 2001, após a evidência inegável do benefício terapêutico da planta no tratamento da epilepsia.

“Although there are no federally regulated clinical trials involving medical marijuana, and Health Canada and the Canadian Medical Association don’t currently encourage doctors to prescribe the untested drug, CBD and medical marijuana have been used with success to treat epilepsy, autism, Parkinson’s disease, Crohn’s disease, lupus, fibromyalgia and a host of other disorders including Tourette syndrome. Talk to the mother of an epileptic child and you’ll understand that medical marijuana is a lifesaver.”  [http://bit.ly/1teHZN4]

Dia a dia, cresce o número de médicos canadenses que receitam cannabis medicinal para seus pacientes e clínicas especializadas estão nascendo em Toronto com amplas perspectivas de sucesso, como relata esta outra reportagem:

“Cannabidiol, or CBD, is one of the 60 active, naturally occurring ingredients in marijuana that have more medical uses than tetrahydrocannabinol (THC), the psychoactive ingredient that gets you high. CBD has demonstrated anti-seizure and pain management properties and seems to have neuro-protective qualities – meaning it reduces the rate of neuron loss over time. A 2012 Israeli study also showed promising outcomes when CBD was used to treat rheumatoid arthritis, colitis, liver inflammation, heart disease and diabetes.” [http://bit.ly/1eR3dMZ]

O Canadá também já legalizou o plantio industrial de cânhamo – o Hemp Farming – desde 1998 (consulte os detalhes no site oficial do governo federal para a Agricultura). Pesquisas revelam que 2/3 (dois terços) dos canadenses são favoráveis à legalização não só do cânhamo – que é utilizado para fabricação de roupas, alimentos, papel, bio-combustível, entre dúzias de outros usos… – mas também da maconha (apenas uma das maravilhas derivadas desta planta multi-uso e multi-benefícios que é o cânhamo).

A NOW destaca ainda a ascensão da percepção social de que as atuais políticas de Guerra às Drogas, em especial o proibicionismo anti-cannábico, é profundamente racista:

“Arrest patterns tend to follow racial lines. The 1995 Commission on Systemic Racism in the Ontario Criminal Justice System identified a continued pattern of racism in drug enforcement, with blacks 27 times more likely to end up in jail awaiting trial on drug charges than whites.”  [http://bit.ly/1i080ev]

A legalização causaria vasta economia de gastos com a repressão e o encarceramento, além de ganhos econômicos para o Estado, em impostos, previstos em 2 bilhões de dólares anuais. “If Canada legalized it, the annual estimated revenue from taxing marijuana would be somewhere around $2 billion. And that’s not counting savings from enforcement.” [http://bit.ly/1i080ev]

Devidamente taxada por impostos, esta movimentação econômica cannábica poderia ser revertida com imenso benefício para áreas como saúde, educação e cultura. A vitória sobre o mercado negro do tráfico através da regulação deste mercado aparece cada vez mais aos canadenses não só como a medida mais sensata, mas também como ótimo do ponto de vista econômico e como um dos meios concretos para financiar um certo Welfare State.

A NOW também dissipa muitos dos temores nascidos da ignorância e reitera o que a ciência já comprovou: não existe nenhuma morte por overdose de maconha registrada na história da humanidade. “It’s nearly impossible to overdose on weed. You’d have to smoke 800 joints in, like, 15 minutes.” E sem medo da apologia, a matéria ainda afirma que a inteligência sai ganhando com o consumo sensato do THC: “Weed makes you smarter. Cannabinoids in pot increase the rate of nerve cell formation in the hippocampus, the part of brain associated with memory and learning, by a staggering 40 per cent.”


Leia: 42 fatos sobre a maconha no Canadá
[http://bit.ly/1i080ev]

Já no que diz respeito à ECOLOGIA e à atual crise planetária causada pelo aquecimento global, uma das poucas esperanças da humanidade é o cânhamo, sugere o jornalista investigativo Doug Fine. Em entrevista brilhante à NOW, ele destaca que a biomassa gerada pelo hemp é uma alternativa viável aos combustíveis fósseis. Além disso, é uma planta que resiste bem a climas secos e possui capacidades de reabilitação do solo:

Doug Fine: – “Hemp is an annual plant whose foot-long taproot helps stabilize soil and provides a vital ecosystem for microflora and fauna. Colorado’s first commercial hemp farmer, Ryan Loflin, comes from an experienced farm family. He told me hemp uses half the water his wheat crop did. Imagine the implications for drought-ravaged parts of the world like sub-Saharan Africa.” [http://bit.ly/1i6GPdg] A mesma entrevista revela: “five times more – that’s the amount of climate-cooking CO2 hemp absorbs compared to trees, according to Agriculture Canada.”

No dia 3 de Maio, sábado, a Marcha Mundial da Maconha acontece em Toronto e estarei lá filmando e cobrindo; pelo menos 5.000 pessoas são esperadas para o evento que pressionará as autoridades pela legalização e regulamentação.

São milênios de uso, décadas de proibição.

E o proibicionismo – a julgar peloes recentes avanços no Uruguai, no Colorado, em Washington… – está rapidamente caindo aos pedaços e se desintegrando.

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O documentário “O Sindicato – O Negócio Por Trás do Barato” [http://youtu.be/0YWaCTjX94U] prossegue sendo um dos melhores, mais informativos e bem argumentados dentre os filmes já feitos sobre o tema – altamente recomendado para quem quer conhecer mais sobre a situação da maconha no cenário sócio-político canadense (e norte-americano em geral, já que 80% da mega-produção de British Columbia é exportada para os EUA):