NÃO MATEM NOSSO FUTURO: Dos Tsunamis da Educação ao 57º Congresso da UNE. Assista ao documentário @ A Casa de Vidro

A Casa de Vidro apresenta seu novo documentário, filmado durante o 57º Congresso da UNE – União Nacional dos Estudantes, ocorrido entre 10 e 14 de Julho: NÃO MATEM NOSSO FUTURO! – Brasília, 2019, 28 minutos. Disponível em YouTube / Facebook / Vimeo.

Assista já:

Fundada em 1937, a UNE realiza seu Congresso a cada 2 anos para debater a conjuntura, articular as ações do movimento estudantil e eleger sua nova diretoria. Em 2019, cerca de 15.000 estudantes participaram do ConUNE e puderam elegeram seu novo presidente (Iago Montalvão / Estudante de economia da FEA-USP e integrante do movimento Canto de Esperança da UJS), sua nova-vice presidenta (Élida Elena / Estudante de história da UFPB e ativista do Levante Popular da Juventude) e toda a equipe que estará à frente da entidade na gestão 2019 a 2021.

Delegações de todas as regiões do país puderam vivenciar dias de intensas atividades políticas e culturais. Inclusive grandes shows, no interior do mesmo Ginásio Nilson Nelson que abrigou as plenárias, de artistas como Leci Brandão, Vera Veronika, RAPadura, Attooxá. Historicamente conectada aos CPCs (Centros Populares de Cultura), a UNE hoje possui na atualidade, através de seu CUCA, uma atuação cultural significativa através da UNE-Volante e do Circuitos de Festivais Universitários Inquietações.

O movimento estudantil, reunido neste 57º Conune, também pôde realizar uma urgente e necessária reflexão coletiva sobre o que estamos vivendo na sociedade brasileira, debatendo teses de conjutura. Houve aclamação majoritária da tese encabeçada pela Frente Brasil Popular, mas outros movimentos mostraram toda a sua força: como RUA – Juventude Anticapitalista, Juntos! (PSOL), Juventude Sem Medo (conexa à Frente Povo Sem Medo), Faísca, Quilombo, Afronte!, Paratodos etc. (ACESSE E CONHEÇA TODAS AS TESES)

Nos meses que antecederam o Conune, manifestações massivas em defesa da educação pública ocorreram em 15 e 30 de Maio, datas históricas em que milhões de cidadãos saíram às ruas de mais de 200 cidades do Brasil no movimento que ficou conhecido como TSUNAMI DA EDUCAÇÃO (a trilogia documental Tsunami da Balbúrdia capta estas mobilizações em Goiânia).

Além da cobertura do grande ato na Esplanada dos Ministérios em 12 de Julho – “Não Matem Nosso Futuro: Educação, Emprego e Aposentadoria” -, o filme contêm falas públicas de personalidades significativas da conjuntura sócio-política do Brasil tais como:

* Guilherme Boulos (MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto / POVO SEM MEDO / Candidato à presidência da república pelo PSOL 50 em 2018);

* Gleisi Hoffmann (Deputada federal e presidenta do PT – Partido dos Trabalhadores);

* Pedro Gorki (Presidente da UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas);

* Leci Brandão (Cantora, compositora, lenda viva do samba, deputada estadual em São Paulo pelo PCdoB – Partido Comunista do Brasil);

* Iago Montalvão (UJS, eleito o novo presidente da UNE) e Élida Elena (ativista do Levante Popular da Juventude e nova vice-presidente da UNE).

Fotografia: José Carlos de Almeida / NINJA

Um filme de Eduardo Carli de Moraes (filmagem, montagem, direção geral), com apoio do Levante Popular da Juventude e dos Estudantes da Mídia Ninja (confira: fotos).  Pelas colaborações que tornaram este trampo realizável, agradecemos também a Kamilla Torres, André Gepeto e Ley Silva, sem os quais este filme jamais teria nascido.

A trilha sonora inclui trechos de “Me Gustan Los Estudiantes” (de Violeta Parra, na voz de Mercedes Sosa), do samba-enredo da Mangueira (“História Pra Ninar Gente Grande”, campeã do carnaval carioca em 2019), Francisco El Hombre fornecendo Fogo e Adrenalina, além da musa latinoamericana Anita Tijoux (“Somos Sur”). Além disso, a musicalidade deste curta tem uma dívida inestimável com o cancioneiro pulsante, propulsionado por batuques calientes, do Levante Popular da Juventude.

Acampar com 1.300 levantinos nas entranhas do Estádio Nacional Mané Garrincha foi uma experiência existencial incrível, sem a qual nada no filme “Não Matem Nosso Futuro” poderia ter nascido. Um salve imenso pro Levante, que Marielle siga semente e Paulo Freire sempre presente, rumo ao 13 de Agosto seguimos caminhando juntos rumo a tempos históricos menos sórdidos, e “é na luta que a gente se encontra!”

– Carli, 26/7/19

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DIÁRIO DO CINEASTA – CRÔNICA 1: Espantando o sono e a apatia, na acampa levantina a alvorada de luta é convocada com batucada. Cânticos e batuques estrondam no ar da manhã, criando toda uma mística de luta, inserindo os agentes no campo da história-a-fazer, inelutavelmente aprisionados na teia das contradições sociais e das lutas de classes. De dentro da barraca, ao chão, carcaça descansando do show na noite anterior que fez bombar ginásio com tochas sônicas da Bahia, os camaradas do Levante passavam distribuindo a cafeína da insurreição. Música pra insuflar ânimo na militância, em prol de um novo Tsunami de participação cívica bradando de novo: “hoje a aula é na rua!”

Era 12 de julho e nos levantamos, de manhã bem cedo, ao som dos tambores e cânticos de uma estranha tribo, potente e diversa, formada por uns 1300 levantinos reunidos em Brasília. Provindos de todo canto do país, as delegações do Levante Popular da Juventude ficaram, como Jonas na baleia, acampadas nas entranhas do estádio nacional Mané Garrincha. O hit-canção “Levantem-se! Pela Revolução!” serve por aqui de imperativo categórico da razão prática. Dito com palavras menos filosóficas e mais pé-no-chão: levantar-se é sempre a coisa certa se fazer. Levantar-se pois é indigno viver de joelhos, lambendo as botas da opressão que nos pisoteia.

Junto com o Sol, levantamos os corpos já moídos de cansaço e nos preparamos para ir às ruas. Como faíscas de um mundo novo detonadas em praça pública. Prefigurando um.porvir menos sórdido que nosso lamentável presente de trevas. Éramos correntezas de gente protestando juntas nas confluências de rebeldias e indignações. Massacrados recentemente pela reforma da previdência, que veio a se somar aos cortes de bilhões impostos pelo MEC.

Durante o Conune mais um #TsunamiDaEducação tomou conta da Esplanada dos Ministérios em protesto contra a barbárie que nos desgoverna. Dentre as bandeiras que tremularam: “Marielle semente, Paulo Freire presente”; “Não matem nosso futuro”; “Não é mole não: tem dinheiro pra milícia mas não tem pra educação…”. Coisas que não passam na Globo nem dão capa da Veja, mas que deveriam.

O movimento estudantil brasileiro faz História com suas ações neste 2019 e boa parte da sociedade civil dorme, apática e semi-interessada, no sono alienado promulgado por mídias e templos. O movimento estudantil nada fará sozinho, mas inegavelmente assume protagonismo, toma a frente, vai na vanguarda, enquanto hordas de zumbis que tiveram atrofiado seus sensos de cidadania não colam junto nem somam forças na defesa, conosco, do bem comum. A pauta da Educação (pública, gratuita, laica, de qualidade…), que hoje os estudantes carregam à frente como vanguarda da luta, interessa a todos nós.

Por isso, a vontade de estar aqui, perdendo sono, dormindo no chão duro de uma barraca apertada, caminhando quilômetros sob o sol inclemente, na tentativa de captar toda a vivacidade e maravilha deste movimento quando vivido por dentro. Precários momentos que, na ausência de uma câmera filmadora, despencariam no esquecimento. Diante de um jornalismo exangue que se apega aos fatos ditos objetivos, tenho querido captar a sensação de estar no olho do furacão – e não num labirinto de estatísticas escritas numa tela.

Filmar desde as entranhas do movimento estudantil em levante. As entranhas ocultadas pela mídia, entranhas do organismo coletivo composto pelos nossos jovens mais conscientes, mais politicamente ativos, mais avessos ao conservadorismo e ao conformismo que hoje passam por virtudes não sendo senão nefastos vícios.

Esta é a juventude que renova a vida coletiva. E estes Tsunamis da Educação, longe de mimimi de derrotados, são o barulho que faz o mundo novo em seu dolorido partejar.

“A educação é revolucionária.”


CRÔNICA 2 – Os exterminadores do futuro que hoje nos desgovernam e nos oprimem não esconderam jamais que o projeto deles, anunciado nos palanques de 2018 junto com o gesto das arminhas, era fazer o país retroceder 50 anos. O ideal do Bolsonarismo é voltar a 1968 – não às insurreições libertárias de Paris ou da Primavera de Praga, mas o 1968 da ofensiva autoritária dos tanques e fuzis que como rolo compressor saíram esmagando a voz dos povos.

Ofensiva de direita cujas icônicas figuras históricas são, nacionalmente, o AI-5 (1968 a 1978), e possui como emblema global o massacre que o Estado Mexicano perpetrou às vésperas das Olimpíadas – o “Massacre de Tlateloko”, Outubro de 1968: https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Tlatelolco.

O que é importante lembrar, sobretudo neste País dos Deslembrados, é que o caminho que levou, em Dezembro de 1968, ao AI-5 e aos “anos de chumbo” da ditadura militar, esteve pavimentado por uma intensa efervescência do movimento estudantil. A juventude tinha tido seu pavio aceso pela faísca que foi a morte de Edson Luís no Calabouço, em Março. O fogo aceso pelo crime-de-Estado perpetrado por policiais contra o estudante foi impulso para a Marcha dos Cem Mil, uma mais gigantes passeatas desde o golpe de 64.

Não é nenhum absurdo de interpretação histórica propor que a Marcha dos 100.000 não teria tido esta massiva participação sem o protagonismo anterior dos estudantes. Eles que naquele mesmo 1968 ainda estariam, em São Paulo, no centro de uma Guerra Civil em miniatura destravada entre os alunos da USP e do Mackenzie na Rua Maria Antônia, antiga sede da FFLCH.

Parece-me que o AI-5 foi sobretudo uma resposta à radicalização estudantil e ao fato cada vez mais disseminado de que uma parcela que se agigantava da estudantada aderia à luta armada. O AI-5 veio porque a estudantada se Marighellizava.

Neste 2019, pergunto-me (sem encontrar resposta) o quanto iremos “repetir” nossa História pregressa, ou o quanto iremos saber forjar caminhos inéditos rumo a um futuro inaudito e imprevisto nos radares de profetas e analistas.

De novo, como em 1968, o movimento estudantil lidera a Resistência. O #TsunamiDaEducação foi, sem sombra de dúvida, o principal movimento cívico no Brasil neste primeiro semestre de governo Bolsonaro. O segundo semestre de 2019 já tem anunciado no horizonte a continuidade deste cenário de protagonismo dos estudantes na resistência ao desmonte da rede federal de educação que hoje vem tentando perpetrar o ministro Weintraub. Em 13 de Agosto, dia do estudante, um novo tsunami de rebeldia irá levantar-se. Em seu Twitter, o Ministro Bolsonarista tem chancelado e celebrado a truculência policial contra os estudantes, fazendo uso de um sarcasmo sádico que demonstra toda a irresponsabilidade de um senhor cuja função pública deveria ser zelar pela educação no Brasil.

Temos que estar conscientes que, de certo modo, na perspectiva do inimigo, a “radicalização” estudantil, caso se manifeste com irrupções de “vandalismo” e destruição de propriedade bancária ou empresarial, poderá ser utilizada como pretexto para uma nova Escalada Autoritária por parte do Bolsonarismo, desejoso de aprofundar a ditadura ainda de baixa intensidade (uma “ditadura sutil”, como sugerem Meteoro e Castells) – por hora instalada.

As hordas de eleitores do Coiso e dos defensores de Moro iriam, com toda a probabilidade, aplaudir a brutalidade de Estado na repressão contra estudantes pintados como agentes do caos, da anarquia e da balbúrdia, contra os quais todo rigor punitivo é permitido ao Papai-Estado, que deve sempre manter seu sacrossanto direito ao “monopólio da violência legítima”. Afinal, contra este bando de estudantes maconheiros, balburdianos, gayzistas, cotistas, roqueiros, petralhas, sacrílegos, infernalmente críticos… todo cacete no lombo é pouco!

“Paulada neles”, gritará a horda Bolsominion, confortavelmente sentada nas poltronas do privilégio reservadas àqueles que são os úteis cúmplices do fascismo. Preparem-se: os idiotas úteis que servem de fantoches dos tiranos não vão tardar a aplaudir, do conforto de seus sofás, as bombas de gás lacrimogêneo voando pra cima de professores e estudantes.

O problema, que torna este território do planeta um barril de pólvora numa época histórica com abundância de faíscas, é que a juventude de classe popular neste Brasil já está enfezada demais com todas as violências ilegítimas deste novo governo. Um governo aniquilador de direitos sociais duramente conquistados, desejoso não só de travar avanços como também de patrocinar – no porrete! – retrocessos de 5 décadas. O governo Bolsonaro é um trem desgovernado descendo rumo a barbárie num passo de caranguejo frenético que tivesse cheirado 39 quilos de cocaína (direto do avião da FAB…).

Enquanto dormem os cidadãos-de-bem com o sono-dos-bem-alienados, tem presidente da UNE tendo que fugir do cassetete do policial na frente do MEC… Enquanto dormem, tem professor sendo denunciado por “doutrinação ideológica esquerdista” e milícias do Escola Sem Partido estão pressionando por uma Educação com “esquerdistas” amordaçados (quiçá até torturados e presos)… Enquanto dormem, nosso lendário Estado Democrático de Direito vai entrando num colapso cada vez mais lamentável.

“Enquanto uns dormem”, gosto de estar entre aqueles que enxergam na Liberdade, como os zapatistas mexicanos ou os sem-terras brasileiros, aquilo que é preciso atravessar a madrugada pra encontrar na alvorada. Quem espera a Liberdade dormindo está ao lado do opressor. Só os que se levantam na noite e atravessam a madrugada para conquistá-la é que estão de fato, junto aos oprimidos, no autêntico gesto do “ninguém solta a mão de ninguém”.

Os que estão levantados, na luta contra a opressão, são justamente aqueles que o Governo do Cidadão-de-Bem já trata na base do spray de pimenta na cara e da bomba de dispersão de manifestação. Não sei se é meu temor ou minha esperança que me leva a prever que, em 13 de Agosto, a quase inevitável radicalização do movimento estudantil quase inevitavelmente produzirá episódios de repressão policial. Tudo indica que o Bolsonarismo, em seu 2º semestre, escancarando-se através de abortos como a Portaria da Besta (666/2019), estará mostrando mais explicitamente os dentes caninos de seu fascismo troglodita sobre o lombo da estudantada.

Resta saber o quanto a sociedade civil brasileira estará desperta para a justiça e a urgência da luta que a estudantada encabeça. A condição humana seria uma horrenda estagnação caso não houvesse, no nosso mundo comum, o fluxo das gerações que se sucedem, de modo que, como ensina a filósofa Hannah Arendt, todos nós nascemos em um mundo comum que precede nosso nascimento e sobreviverá à nossa morte individual, sendo ele, mundo comum e seu bem, o verdadeiro norteador de nossa ação ético-política.

Na atualidade, diante dos exterminadores do futuro, o movimento estudantil demonstra que não quer fugir de sua responsabilidade história atual, a de liderar a resistência e construir unidade na diversidade, partejando na prática, e quase no improviso, um outro mundo possível, menos sórdido e mais solidário.

Eduardo Carli de Moraes @ A Casa de Vidro, Goiânia, 17/07.

CRÔNICA 3 – Talvez eu nunca tenha gostado tanto de cantar um samba quanto gosto deste, ainda mais depois de testemunhar alguns integrantes da Estação Primeira de Mangueira sobre o palco no Conune. Nesta “história para ninar gente grande”, a Estação Primeira de Mangueira quer ensinar a todo nosso povo: “na luta é que a gente se encontra”! O samba-enredo da escola de samba campeã do carnaval carioca 2019 clama para que tiremos a poeira dos porões, para que celebremos “quem foi de aço nos anos de chumbo”, para que concedamos voz e vez a “Marias, Mahins, Marielles, malês.”

Foi extremamente acertada a escolha da UNE – União Nacional dos Estudantes de encerrar a programação de seu 57º Congresso com um evento cultural onde o samba pulsou no Ginásio Nilson Nelson com os shows da lenda viva Leci Brandão, que abriu alas para o carnaval oportuno da Mangueira, com destaque para a música mais significativa do Brasil de 2019 – destinada não só às antologias futuras dos melhores sambas-enredo de todos os tempos, mas também merecedora de estudos de poesia, música e história cultural de nossa gente.

Nesta canção épica, cabem muitos Brasis. Aí está encapsulada, numa obra prima da cultura popular coletivamente construída, as sementes de um outro Brasil possível, onde coubessem todos os Brasis, o de Dandara e Zumbi, o de tamoios e mulatos, de cariris e malês, de Lecis e Jamelões. É um samba que pede que ouçamos a voz dos amordaçados: “ó abre alas pros seus heróis de barracões!” Pede que lembremos lutas pretéritas, preteridas e injustamente esquecidas, mas essenciais ao nosso futuro. É uma poesia que expressa em versos inesquecíveis muito do que a História (oficial) silencia e não menciona. São “versos que o livro apagou: desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento.”

Eis o país que não está nos cartões postais. E é o melhor dos Brasis, o mais autêntico, o mais criativo, o afrobrasil que samba como quem pisoteasse na cara do opressor. Afinal não é meu carnaval senão pudermos viver, em nossos corpos dinâmicos, a própria evolução da revolução. Afinal, “não veio do céu nem das mãos de Isabel… a liberdade é um dragão no mar de Aracati.” A liberdade é nosso mais importante invento coletivo, sempre por fazer e refazer, e é “na luta é que a gente se encontra!”

Só agradeço ao CUCA da UNE por ter propiciado aos presentes no Conune a oportunidade rara dessa imersão intensa no samba de Leci e da Mangueira durante estes intensos dias de Julho quando Brasília, enfim, foi nossa e pulsou cultura, resistência, diversidade – e ânimo de luta em prol da construção de um melhor mundo possível.

“Levantem-se! Levantem-se!”

HISTÓRIA PRA NINAR GENTE GRANDE

Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara
Tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati
Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo

Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês
Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasil que se faz um país de Lecis, Jamelões
São verde-e-rosa as multidões…

Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês…


 

ACESSE TAMBÉM:

TSUNAMI DA BALBÚRDIA: Documentário sobre a mobilização em defesa da Educação pública em 15 de Maio de 2019 (Goiânia, 23 min)

“Se ele nos chama de idiotas úteis, eu digo que na presidência tem um idiota inútil.” – Guilherme Boulos (MTST/Povo Sem Medo/PSOL)https://bit.ly/2WKoe3j

Éramos mais de um milhão de pessoas, em mais de 200 cidades, participando do Tsunami da Educação e “protestando contra o avanço da barbárie”, como bem definiu Bob Fernandes. Éramos aqueles que não serão feitos de otários pela enganosa retórica do “são só 3 chocolatinhos que vocês vão deixar pra comer depois” (discurseira devidamente detonada pelo sarcasmo salutar de Gregório Duvivier no episódio B de Balbúrdia do Greg News).

Éramos, no #15M, um rio de gente, de uma diversidade pulsante, numa explosão de colorido indomável. Um pouco deste caleidoscópio humano está encapsulado no filme que agora lançamos, no calor da hora. Tsunami Da Balbúrdia, documentário curta-metragem produzido por A Casa de Vidro (veja no Youtube, no Vimeo ou no Facebook),  é o primeiro passo em um processo criativo mais amplo, que une os aspectos cinematográfico, jornalístico e político, visando à produção de um longa-metragem sobre o Tsunami da Educação em 2019 (auxilie no financiamento colaborativo e deixe um troco na nossa Vakinha!).


Filmado durante as manifestações goianienses do 15 de Maio, Tsunami da Balbúrdia está em sintonia com os ideais e as práticas do jornalismo Ninja. Nesta obra – com montagem, som direto e direção de Eduardo Carli de Moraes (professor de filosofia do IFG)buscamos amplificar a voz e disseminar as mensagens dos manifestantes através do audiovisual.

Contribuindo tanto para o registro histórico deste evento político quanto para o incentivo ao prosseguimento das mobilizações no futuro próximo (o 30 de Maio e o 14 de Junho sendo as datas de iminente grandiosidade e relevo histórico). A obra contêm, além dos agitos de rua e de um registro da assembléia geral unificada dos DCEs do IFG e da UFG, entrevistas e depoimentos de:

* Frank Tavares (prof. de Sociologia da UFG)
* Angela Cristina Ferreira (da Comissão de Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno)
* Dalmir Rogério Pereira (Prof. de artes na EMAC/UFG)
* Mateus Ferreira (Estudante de Ciências Sociais / UFG)
* Renato Costa (Ativista e Estudante de Jornalismo / UFG), dentre outros.

Agrademos o apoio, na produção, de Lays Vieira e Frederico Monteiro. Na trilha sonora, canções de Dani Black e convidados (“O Trono do Estudar”), The Interrupters (“Babylon”), Moska e Rennó (“Nenhum Direito a Menos”), Chico Buarque (“Apesar de Você”).

Éramos aqueles que sabem muito mais do que “qual o resultado de 7 vezes 8” e “qual a fórmula química da água”. Aqueles que sabem da nossa responsa diante do desmonte e do sucateamento que o governo Bolsonaro planeja impor. Aqueles que estão conscientes dos impactos catastróficos acarretados pelos cortes de cerca de 30% nos investimentos discricionários do Ministério da Educação (MEC), ainda mais quando sabemos que as 10 melhores universidades do Brasil são públicas e gratuitas. Aqueles que sabem que balbúrdia mesmo é o que faz no país este péssimo governo.

Somos aqueles que, ao contrário do Bozo e seus lacaios, não somos nem idiotas nem analfabetos políticos: sabemos que os cortes incidem sobre hospitais e centros de excelência em atendimento psicológico à população; sabemos também que, ao contrário da asneira presidencial de louvor às faculdades privadas, 95% da pesquisa científica brasileira ocorre em universidades públicas (é só jogar no Google, seu ministro!):

Antes de dizer que universidades são “balbúrdias” e não geram pesquisas, titular do MEC deveria se informar: Brasil é o 13º na produção de artigos científicos – e participação das públicas representa 95% – LEIA O ARTIGO EM OUTRAS PALAVRAS

Excelentes vídeos já foram publicados para esclarecer a opinião pública sobre os acontecimentos recentes no que tange às políticas públicas educacionais no Brasil e a resistência cívica que elas vem encontrando: acesse o material recomendado em BBC News, Brasil de Fato e Levante Popular da Juventude.

 

O histórico 15 de Maio de 2019 marca um ponto alto na curva das mobilizações populares no Brasil nestes tempos sombrios de predomínio da “necropolítica”, esta fusão entre neoliberalismo e neofascismo que hoje nos desgoverna com a perversa tesoura da Austeridade em mãos (aquela que corta da população para manter a mamata das elites).

Éramos, nas ruas, e seremos nas ruas do futuro, aqueles que não foram estupidificados por fake news no Whatsapp e estamos cientes de nossa responsabilidade histórica na defesa dos bens comuns. O “contingenciamento” que o (des)governo busca impor não é uma medida isolada, mas soma-se às tendências do ultradireitismo bozorista que consegue a educação como espaço a ser militarizado, “expurgado” de esquerdistas, “higienizado” contra o “marxismo cultural” e a “ideologia de gênero”, contra o pensamento crítico propulsionado por filósofos e sociólogos, por historiadores e pedagogos Paulo Freireanos…

Enfim, a extrema-direita hoje empoderada sonha com a Escola reduzida a apêndice servil do Mercado, onde reinariam supremos os valores evangélicos, as fardas dos milicos e os testas-de-ferro “apartidários” do Escola Sem Partido.

Foi o mais amplo e significativo movimento de massas desde o ELE NÃO de 2018 – o levante mais importante a marcar o processo eleitoral do ano passado, repleto de fraudes, de “laranjal do PSL”, de #Caixa2DoBolsonaro pra disseminação de fake news calúnias. Primeiro processo eleitoral pós-Golpe, corroído em sua legitimidade pela desleal e ilegal lawfare que aprisionou o candidato Lula, criminosamente privado de sua liberdade num contexto em que todas as pesquisas indicavam que venceria o pleito.

Reativando afetos e práticas que deram o tom do #EleNão, a galera na rua esbanjou irreverência. “Ô Bolsonaro, seu fascistinha! A estudantada vai botar você na linha!” Com essas e muitas outras rimas, os estudantes bradaram pelas ruas – e Maio de 2019 já possui o mérito maravilhoso de ter oferecido a muitos de nós um gostinho de Maio de 1968, um sabor da Paris em insurreição.

A golpes de rimas, os criativos protestadores diziam: “ô Bolsonaro, seu fanfarrão! Balbúrdia é cortar da educação!” Fanfarrão, pois Bozo insiste na discurseira contra a balbúrdia. Tanto o Chefe quanto seu serviçal Weintraub – o cara dos “três chocolatinhos e meio” – insistem na ideologia “balburdiana”, que supostamente dominaria nas universidades públicas. Estas são pintadas pelos bullys do Bozonistão como antros de comunistas, marxistas culturais, feminazis abortistas, queers Marielleanos, todos alimentados com mortadela, pelo PT e pelo PSOL, para disseminar o evangelho satânico do comunismo gayzista que virá colonizar a pátria com seus kits gays e suas mamadeiras de piroca.

Contra tal delírio do poder no Bozonistão, os estudantes e professores, os servidores técnico-administrativos e os cientistas, os artistas independentes e os empresários-de-si-mesmos que estão insatisfeitos contra o precariado do Uberismo, as mães que querem creches para os seus filhos e os pais que querem bolsas para seus filhos, crianças e idosos (e todas as faixas etárias entre eles) juntaram-se para bradar legítimas insatisfações contra os desrumos das coisas.

ÁLBUM FOTOGRÁFICO DO ATO EM GOIÂNIA

Empunhavam escudos-livros e lanças-lápis, como fez a “Tropa” da EMAC/UFG em sua performance em pleno protesto aqui em Goiânia. Uma potência expressiva que certamente agradaria a Judith Butler, uma das mais brilhantes pensadoras do mundo e que acaba de publicar um belíssimo livro de resistência e solidariedade chamado Corpos em Aliança.

Nossos mortos querem que lutemos, nossos mortos pedem que cantemos. E nós mandamos nosso recado: Paulo Freire, presente! Marielle, semente! E cá estamos, corpos aliançados, na luta unida contra a tirania dos idiotas inúteis.

Se o presidente da república não estivesse ocupado em tacar as pedras de seu desdém elitista contra os jovens que estavam bradando nas ruas, talvez pudesse, ao invés de xingar-nos de “idiotas”, ficar calado e ter a humildade para aprender. Mas seria pedir demais desta arrogância brucutu, de quem acha que tudo se resolve no tiro, que pudesse haurir um pouco disto que temos de sobra no âmbito social da Educação: a humildade para aprender e a disposição para reconhecer que somos todos incompletos, inconclusos, aprimoráveis.

Nesta inconclusão aberta ao aprimoramento, nesta humildade aberta ao convívio e ao aprendizado, aí está a raiz que alicerça toda a prática educativa, mas nosso presidente não consegue aprender e talvez morrerá um completo analfabeto em relação às práticas de um autêntico Estadista atento ao bem comum e ao coletivo bem viver. A isto, o apologista da tortura, dos grupos de extermínio e do “fuzilar a petralhada” é completamente cego.

Infelizmente, Bolsonaro é um “analfabeto educacional”, nunca aprendeu nada que prestasse sobre a importância da educação no mundo, e é o perfeito exemplar do idiotes dos grego – aquele que só enxerga, em sua semi-cegueira, os interesses privados e nunca o bem comum. Ao xingar os manifestantes de “idiotas”, desconhecendo completamente a etimologia da palavra original grega, Bolsonaro demonstra que em sua boca é a linguagem que está indo pro pau-de-arara.

Quem esteve no #TsunamiDaEducação é justamente o oposto do significado de “idiota”, e o próprio Bolsonaro ao dizer que “queremos uma garotada que comece a não se interessar por política” é que demonstra seu plano de construir uma educação idiotizante – à sua imagem e semelhança. Vejam a esclarecedora palestra de Mário Sérgio Cortella:

Se Bozo tivesse a modéstia de pôr-se na posição do aprendizado, descobriria quanta esperteza e inteligência, quanta solidariedade e esforço por justiça, pulsa nas ruas e nas redes, expressando-se atualmente nestes que constituem as vastas teias da Resistência a seu desgovernado projeto de tirania.

Acima: manifestações de massa levam mais de 1 milhão de pessoas às ruas. Fotos acima tiradas nas cidades de Goiânia, Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo.

Em EL PAÍS Brasil, Juan Arias escreve:

“Ao menos desta vez, o poder de turno no Brasil entendeu a mensagem oculta levada pelos quase um milhão de jovens estudantes que no último dia 15 saíram às ruas em 26 Estados e em centenas de cidades para defender o ensino contra quem deseja barbarizá-lo. Cansados de serem vistos como o futuro do país, que nunca chega, os jovens decidiram ser o presente e participar de sua construção.

O novo Governo pretende transformar o ensino, da escola primária à Universidade, para livrá-lo da ideologia esquerdista que, segundo ele, o havia desviado de seus valores tradicionais. O ensino que o novo poder pretende impor deve estar isento de debate político, de diversidade de ideias, dominada por um pensamento único, que, como nos melhores fascismos do passado, é imposto pelo Estado.

Uma escola em que não se perca tempo estudando o que depreciativamente chamam de “ciências humanas”. Nada de filosofia, que obriga a pensar e a questionar o poder, ou de sociologia, que abre os olhos para o abismo das desigualdades. Uma escola em que os alunos se transformem em guardas que vigiem e denunciem os professores se tentarem falar de política ou de sexo, ou das dores do mundo. A escola é moldada pelo poder. Os alunos escutam e se calam.

Contra o perigo desta nova era de obscurantismo educacional que o Governo deseja impor, com uma nova cruzada contra os livros e as ideias enquanto exalta as armas que pretende distribuir como doces, os jovens ocuparam pacificamente as ruas e praças do país, para desafiar quem tenta castrar seu direito à liberdade de expressão e impor suas ideias.”

Já o professor de Ciência Política da UnB Luis Felipe Miguel aponta: “Bolsonaro, em Dallas, desfia os impropérios de sempre contra estudantes e professores. Mas eu sei que ele está com medo. Que ele olhou na internet as manifestações enormes de Norte a Sul no Brasil e sentiu medo da nossa força. Que ouviu o pessoal gritando Bolsonaro, seu fascistinha, a juventude vai botar você na linha, engoliu em seco e pensou que não era uma bravata vazia.

Movido por sua própria arrogância e delírio, o governo errou: agrediu, insultou, provocou até que sacudiu a anestesia em que estávamos imersos. Para quem esteve na rua ou mesmo acompanhou de fora, os atos de hoje fizeram redobrar o ânimo de luta. Se esse ânimo se estender pela classe trabalhadora – e há indícios de que esta é uma possibilidade palpável – teremos uma greve memorável no dia 14 de junho e poderemos empunhar com esperança a bandeira da resistência: “Nenhum direito a menos”. >>> https://bit.ly/2w4yxn6

Por sua vez, o jornalista Leonardo Sakamoto escreve em seu blog no UOL duras e justas críticas ao governo Bolsonaro: “Ao atacar quem está indo às ruas pedir educação de qualidade, interdita o debate sobre a construção do futuro e põe a democracia no pau de arara. Estudantes que resolvem refletir e se organizar pela melhoria da educação não são ‘idiotas’, nem ‘imbecis’. Pelo contrário, reside neles a esperança da criação de uma nova forma de fazer política – ao contrário dos simulacros toscos que se chamam de “novo” mas cheiram a anacronismo. Burrice é atacar esses estudantes por medo da realidade mudar…”.

“A vida deu os muitos anos da estrutura
Do humano à procura do que Deus não respondeu.
Deu a história, a ciência, a arquitetura,
Deu a arte, deu a cura, e a Cultura pra quem leu.
Depois de tudo até chegar neste momento 
Me negar Conhecimento é me negar o que é meu.

Não venha agora fazer furo em meu futuro
Me trancar num quarto escuro
E fingir que me esqueceu!
Vocês vão ter que acostumar:

Ninguém tira o trono do estudar,
Ninguém é o dono do que a vida dá!
E nem me colocando numa jaula
Porque sala de aula essa jaula vai virar!

E tem que honrar e se orgulhar do trono mesmo!
E perder o sono mesmo pra lutar pelo o que é seu!
Que neste trono todo ser humano é rei,
Seja preto, branco, gay, rico, pobre, santo, ateu!
Pra ter escolha, tem que ter escola!
Ninguém quer esmola, e isso ninguém pode negar!
Nem a lei, nem estado, nem turista, nem palácio,
Nem artista, nem polícia militar!
Vocês vão ter que engolir e se entregar:
Ninguém tira o trono do estudar!”

Como professor do IFG, nos últimos anos pude vivenciar de dentro o que significam para o país os Institutos Federais, que atualmente constituem um patrimônio do povo brasileiro que merece ser defendido por todos os seus cidadãos conscientes de seu papel da salvaguarda dos bens comuns.

Para ilustrar o mérito dos IFs, vale lembrar que em 2016, ano em que findou prematuramente via golpeachment o governo de Dilma Rousseff, um fenômeno fascinante se explicitou através dos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): caso os alunos dos IFs fossem considerados como porta-vozes da educação no Brasil, o país seria o 4º melhor do mundo na área (Saiba mais em The InterceptEl País).

“Na contramão do resultado geral obtido pelo País, que aponta pouca evolução nas áreas avaliadas ao longo dos anos, a pontuação das instituições federais de ensino no exame supera a média nacional e aproxima-se daquelas alcançadas por países desenvolvidos.

Cerca de 23 mil estudantes brasileiros, com idade entre 15 e 16 anos, das redes de ensino municipal, estadual, federal e privada participaram da avaliação, que contempla as áreas de matemática, ciências e leitura. As notas gerais alcançadas pelo Brasil, considerando-se a pontuação média das quatro redes de ensino, foram de 401 pontos em ciências; 407 pontos em leitura; e 377 pontos em matemática. Em todas elas, o país ficou abaixo da média geral Pisa, que foi de 493 em ciências, 493 em leitura e 490 em matemática. A análise dos resultados específicos da rede federal, no entanto, aponta um cenário diferenciado, que aproximaria o Brasil do topo do ranking: 517 pontos em ciências, 528 em leitura e 488 em matemática.

O desempenho positivo dos alunos da Rede Federal destaca-se, sobretudo desde 2009, na esteira da revitalização e expansão da Rede. Nesse ano, a média da nota dos alunos da Rede Federal atingiu 535 em leitura, principal área de concentração daquela edição. Com essa média, os alunos da Rede Federal teriam ocupado a 4ª posição no ranking, atrás apenas de Xangai (China), Coréia do Sul e Finlândia.

Para o coordenador de Formulação e Supervisão de Políticas para o Ensino Técnico do IFMG, Lucas Marinho, se, como se propõe, o Pisa fornece um importante parâmetro para avaliação e monitoramento da qualidade das políticas públicas em educação, esses resultados evidenciam que as escolas da Rede Federal, apesar da sua tão recente reestruturação e expansão, já despontam como o mais acertado esforço do Estado brasileiro para a promoção de uma educação de qualidade.

“E isso não por qualquer reforma especialmente complexa ou arrojada, mas por que veio constituindo-se até aqui, de acordo com algumas diretrizes óbvias que, infelizmente, têm sido sistematicamente ignoradas nas redes municipal e estadual de educação: investimento público suficiente para assegurar instalações adequadas; gestão autônoma e democrática; professores trabalhando, em sua maioria, em regime de dedicação exclusiva à mesma escola, bem remunerados e bem formados, numa carreira atrativa e bastante concorrida”, avalia Lucas.

Instituto Federal de Minas Gerais

É com arte e criatividade, corpos em aliança, solidariedade de existências, que caminhando e cantando entoaremos, como outrora, “afasta de mim esse cale-se!” e “quem sabe faz a hora não espera acontecer”, como agora, “tira a mão do meu IF!”, “ninguém solta a mão de ninguém”, “nenhum direito a menos”!

Bem-vindos ao Tsunami da Educação. Em breve ele vai atravessar com suas ondas indomáveis muito mais do que timelines e grupos de Whatsapp. Pois as margens que comprimem este rio são muito violentas, e assim nossas águas conjuntas ao invés de lago se estão fazendo tsunami. Em sintonia com a crise climática do global heating e em compasso com Greta Thunberg e com os “Pinguins” Chilenos, na sabedoria que Bertolt Brecht já ensinava:

Eduardo Carli de Moraes, Goiânia, 17/5/19

SAIBA MAIS:

O RUGIDO DAS RUAS – Por Bob Fernandes

METEORO: A BALBÚRDIA COMEÇOU