“CRISE & INSURREIÇÃO” – COMITÊ INVISÍVEL (2016, 288 pgs, Acesse o ebook)


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Aos nossos amigos — Crise e insurreição

(N-1 Edições)
Autor: Comitê invisível
Edição: 1a edição
Ano: 2016
No de páginas: 288
Dimensões: 12 x 17cm (brochura)
Peso: 250g
ISBN: 978-85-66943-20-7
Preço de capa: R$ 32,00
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Por Simone Paz Hernández

Queimado propositalmente num canto e apresentado como uma “modesta contribuição à inteligência de nossa época”, chega o livro Aos Nossos Amigos: crise e insurreição, do Comitê Invisível, célula anônima que surgiu na França ao publicar A Insurreição que Vem, em 2007. A nos amis, título original em francês, é traduzido e publicado no Brasil por nossa editora parceira, N-1 Edições – que se caracteriza pelos livros-objeto que produz, numa área transdisciplinar, entre a filosofia, a estética, a clínica, a antropologia e a política. O livro do Comitê Invisível é um manifesto e manual de insurreição e organização, que os próprios autores afirmam ser o início de um plano. Sua linha de frente: pensar, atacar, construir. O livro não poderia chegar em momento mais apropriado, considerando os novos movimentos de resistência anti-fascista e anti-capitalista que se articulam pelo Brasil e mundo afora, além de combinar com a linha pós-capitalista de Outras Palavras.

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Por Vladimir Safatle na Folha de S. Paulo (10/06/2016)

Aos nossos Amigos: Crise e Insurreição é um pequeno livro de um conjunto de autores anônimos chamado Comitê Invisível. Ele acaba de ser lançado no Brasil (n-1 Edições) em um momento que não poderia ser mais propício. Sua capacidade de apresentar teses sobre a natureza dos impasses da vida contemporânea é algo que há muito havia desaparecido das prateleiras das livrarias.

“Desde 2008, vivemos em constante ritmo de insurreição”, dizem os autores. Nosso maior erro é não perceber como estamos, seja no Brasil, na Turquia, na Espanha, na Tunísia ou na Grécia, em um processo mundial de contestação e desencanto. Faz parte de uma lógica de gestão de crise mundial dar a impressão de que estamos todos a lutar contra governos locais e aparatos nacionais de poder.

No entanto, esses governos são apenas repetidores de uma mesma política global, que parece saída da mesma cabeça, feita com maior ou menor intensidade. Nossas discussões são sobre intensidades da mesma política, sobre se tais direitos serão ou não desmontados, sobre qual a intensidade dos cortes, não sobre caminhos alternativos.

Essa homogeneidade mostra duas coisas fundamentais. Primeiro, que nenhuma saída será local ou nacional. Segundo, e mais importante, que apenas a perpetuação de um estado permanente de choque poderia nos levar a tamanha limitação da capacidade de pensar. O que talvez nos explique por que a crise não é algo a ser combatido pelas práticas de governo. Há muito a crise se tornou a própria prática de governo. Previne-se, por meio de uma crise permanente, toda e qualquer crise real.

O que significa que essa crise que aparece diariamente nos jornais não passará. Ela ficará continuamente como um fantasma a justificar toda “austeridade”. Haverá sempre um corte na previdência a fazer, uma restrição orçamentária a impor, gordura a cortar em uma “reestruturação permanente de tudo” que só não mudará uma coisa: a defesa da elite patrimonial, os rendimentos da oligarquia financeira.

Mas para submeter populações inteiras a tal regime de governo faz-se necessária uma verdadeira engenharia psicológica de duas mãos.

De um lado, vende-se a ideia de que a crise “é o momento vivificante da ‘destruição criadora’ que cria oportunidades, inovação, empreendedores, em que só os melhores, os mais motivados, os mais competitivos sobreviverão”. Ou seja, a crise seria o momento no qual a coragem como virtude poderia aparecer. Por isso, os que temem a crise, procurando proteção, só poderiam estar a agir como crianças. Eles não são sujeitos conscientes da falácia de uma destruição criadora que sempre poupa aqueles bem nascidos. Eles são crianças mimadas.

Não por acaso, as políticas de gestão da crise são chamadas de políticas de “austeridade”. O termo remete à lógica protestante de uma vida austera, responsável, adulta e realista contra o dispêndio, o excesso e a irresponsabilidade. Ele traz no seu bojo a ideia de que, enquanto você trabalhava, alguns “vagabundos” se aproveitavam, não precisando se impor uma vida restrita como a que você foi obrigado a suportar. É contra os “privilégios” desses mimados que todos deveriam lutar.

O raciocínio é primariamente falso. Se alguém está a procurar “vagabundos” deveria começar por olhar no topo do sistema financeiro e na casta rentista da elite brasileira, não nas classes historicamente desfavorecidas. Mas isso pouco importa, pois o discurso da austeridade não se sustenta em algum dado de realidade, mas na tentativa de impor uma ética por trás de conjuntos de práticas de governo. Por isso, é no terreno ético que o combate deve iniciar.

Daí uma compreensão decisiva: “O que acontece hoje não é apenas que alguns queiram impor uma austeridade econômica a outros que não a desejam. O que acontece é que alguns consideram que a austeridade é, em absoluto, algo bom, enquanto que outros consideram, sem de fato ousar afirmar tanto, que a austeridade é, em sua totalidade, uma miséria”.

Como essa “vida austera”, há de se impor uma outra ideia de vida, baseada na partilha em vez da economia, na conversa em vez do silêncio, no excesso ao invés da restrição. A austeridade sempre foi a forma de restringir a vida de muitos para garantir o gozo de poucos. Eis algo que aparece na base da crise como modo de governo.

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Um trecho do primeiro capítulo: 

“As insurreições chegaram, mas não a revolução. Raramente teremos visto, como nestes últimos anos, num lapso de tempo tão condensado, tantas sedes do poder oficial tomadas de assalto, desde a Grécia até à Islândia. Ocupar praças bem no centro das cidades e aí montar tendas, e aí erguer barricadas, cantinas ou barraquinhas, e aí reunir assembleias, tornar-se-á em breve um reflexo político elementar como ontem o foi a greve. Parece que esta época começou até a segregar os seus próprios lugares-comuns – como esse All Cops are Bastards (ACAB) que a cada golpe de revolta passa agora a pintalgar as paredes decrépitas das cidades, no Cairo como em Istambul, em Roma como em Paris ou no Rio. Mas por maior que seja a desordem por baixo dos céus, a revolução parece por todo o lado asfixiar na fase de motim. Na melhor das hipóteses, uma mudança de regime sacia por instantes a necessidade de mudar o mundo, para muito rapidamente reconduzir à mesma insatisfação. Na pior, a revolução serve de estribo a esses tais que, falando em seu nome, não têm outra preocupação senão liquidá-la. Noutros sítios, como em França, a inexistência de forças revolucionárias suficientemente confiantes nelas próprias abre caminho àqueles cuja única ocupação é justamente dissimular a confiança em si e de a apresentar como espetáculo: os fascistas. A impotência azeda.

Neste ponto, há que o admitir, nós os revolucionários fomos derrotados. Não porque não tenhamos perseguido a “revolução” enquanto objetivo após 2008, mas porque fomos privados, de forma contínua, da revolução enquanto processo. Quando fracassamos podemos atirar-nos contra o mundo inteiro, elaborar com base em mil ressentimentos toda a espécie de explicações, e até explicações científicas, ou podemos interrogar-nos sobre os pontos de apoio que o inimigo dispõe em nós próprios e que determinam o carácter não fortuito, mas repetido, das nossas derrotas. Talvez nos possamos questionar sobre o que resta, por exemplo, de esquerda nos revolucionários, e que os condena não apenas à derrota mas a um efeito de repulsa quase geral. Uma certa forma de professar uma hegemonia moral para a qual não dispõem dos meios é, também entre eles, um pequeno defeito de esquerda. Tal como essa insustentável pretensão a decretar a forma justa de viver – aquela que é verdadeiramente progressista, esclarecida, correta, desconstruída, não‑suja. Pretensão que enche de desejos de morte quem quer que se encontre dessa forma relegado para as fileiras dos reaccionários-conservadores-obscurantistas-limitados-campónios-ultrapassados. A apaixonada rivalidade dos revolucionários pela esquerda – a vendida, a luxuosa, a governamental – é precisamente o que os mantém no seu terreno. Larguemos as amarras!”

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Edição publicada em Portugal pelas Edições Antipáticas:

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Leia também:

 

“Redes de indignação e esperança: Movimentos sociais na era da internet” – De Manuel Castells

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Adquira o livro (R$49,90): http://bit.ly/162oe2Z.

Sinopse: “Principal pensador das sociedades conectadas em rede, Manuel Castells examina os movimentos sociais que eclodiram em 2011 – como a Primavera Árabe, os Indignados na Espanha, os movimentos Occupy nos Estados Unidos – e oferece uma análise pioneira de suas características sociais inovadoras: conexão e comunicação horizontais; ocupação do espaço público urbano; criação de tempo e de espaço próprios; ausência de lideranças e de programas; aspecto ao mesmo tempo local e global. Tudo isso, observa o autor, propiciado pelo modelo da internet.

O sociólogo espanhol faz um relato dos eventos-chave dos movimentos e divulga informações importantes sobre o contexto específico das lutas. Mapeando as atividades e práticas das diversas rebeliões, Castells sugere duas questões fundamentais: o que detonou as mobilizações de massa de 2011 pelo mundo? Como compreender essas novas formas de ação e participação política? Para ele, a resposta é simples: os movimentos começaram na internet e se disseminaram por contágio, via comunicação sem fio, mídias móveis e troca viral de imagens e conteúdos. Segundo ele, a internet criou um “espaço de autonomia” para a troca de informações e para a partilha de sentimentos coletivos de indignação e esperança – um novo modelo de participação cidadã.”

Adquira o livro (R$49,90): http://bit.ly/162oe2Z.

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Relembrando Maio de 1968 com Carlos Fuentes

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“Vocês são as guerrilhas contra a morte climatizada
que querem nos vender com o nome de futuro.”

JULIO CORTÁZAR

Não há como esquecer as efervescências deste ano histórico que foi 1968: na França, estouravam a memorável rebelião estudantil de Maio e a gigantesca greve operária, com mais de 10 milhões de trabalhadores cruzando os braços; em Praga, a Primavera tcheca era esmagada pelos tanques soviéticos que vão estraçalhando os socialismos que não seguem os ditames de Moscou; no México, às vésperas das Olimpíadas, as manifestações populares foram massacradas pelo Estado e deixam centenas de mortos; no Brasil, começava a fase mais linha-dura do regime militar, com a promulgação do AI-5 e a exacerbação dos exílios, das torturas, dos horrores nos porões do DOPS, além de a necessidade, para a esquerda, de aderir à guerrilha armada e às táticas como os sequestros de embaixadores…

Em um livro magistral, o escritor mexicano Carlos Fuentes (1928-2012) relembra alguns destes episódios: “Em 68 – Paris, Praga e México” é uma obra crucial para entender tanto aqueles tempos… quanto os nossos (Ed. Rocco, R$25,00). Lê-lo só consolidou minha convicção de que recuperar a memória dos levantes, das demandas, dos confrontos, das experimentações e dos sonhos do Maio de 1968 francês, dos levantes mexicanos e tchecos, da resistência latino-americana à ditadura militar, permanece algo crucial não só como conhecimento histórico, mas como um saber-prático que pode nos ajudar a fecundar o presente com as sementes de um outro tempo – único modo de colher os frutos de outro mundo possível. Aos que lutaram e caíram nas lutas anti-opressivas e contra-hegemônicas em 68, vale a louvação de Cortázar: “Vocês são as guerrilhas contra a morte climatizada que querem nos vender com o nome de futuro.

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DEBAIXO DO ASFALTO HÁ A TERRA….

Mai68affiche-1O que às vezes me consola, quando caminho nas calçadas cinzas das cidades que são selvas de pedra, em meio ao CO2 que peidam os escapamentos e as fábricas, é saber que debaixo do asfalto ainda existe intacta a terra. E que intacta está também sua potência de ser ventre maternal para futuras sementes. Em Paris, onde não há praia, os manifestantes de Maio de 1968 tinham como um de seus slogans, bradado nas passeatas, pixado nos muros da Sorbonne, escrito em seus poemas: “Debaixo dos paralelepípedos estão as praias.”

Naquele época, como ocorre ainda hoje, as manifestações sofreram dura repressão policial por parte das “brutais CRS (Companhias Republicanas de Segurança, a tropa de elite da polícia francesa), que avançam contra a fumaça e as chamas e as árvores caídas, lançando gases letais, batendo indiscriminadamente em pedestres, jornalistas e paroquianos de cinemas e cafés, lançando granadas plásticas em direção às janelas abertas…” (Fuentes, Em 68, p. 24).

Se no Brasil de 2013 celebrizou-se o uso do vinagre como antídoto contra o gás lacrimogêneo, naquela época os revoltosos franceses tinham seu equivalente: lenços “empapados com suco de limão e bicarbonato untado sobre as pálpebras”. Muitos não fugiam ao confronto com os flics (os tiras) e o famoso pavé parisiense (o calçamento com paralelepípedos) “foi a primeira arma de contra-ataque dos estudantes brutalizados pela polícia: arma, como disse Jean Paul Sartre, não da violência, mas da contraviolência de centenas de milhares de estudantes que jamais fizeram outra coisa senão defender-se. Só houve violência quando a polícia a iniciou. Manifestação sem polícia era manifestação pacífica.” (Fuentes: p. 26).

Um dos estudantes que participou do Maio de 68 em Paris depois explicaria que, se os paralelepípedos voaram contra a polícia, foi porque “se tornaram nosso meio de comunicação em massa. Saímos às ruas porque não temos outra maneira de nos fazer escutar em uma sociedade onde os mass media foram monopolizados e domesticados. Contra a abundância das comunicações inúteis, enviamos a mensagem imprescindível de nossas pedras e palavras.” (Fuentes: p. 29)

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LEMBRANÇAS DE MAIO DE 68 – POR CARLOS FUENTES

aff01“A primeira coisa que se precisa compreender sobre a revolução de maio na França: que é uma insurreição, não contra um governo determinado, mas sim contra o futuro determinado pela prática da sociedade industrial contemporânea, e (….) protagonizada pela juventude de uma nação desenvolvida. E esses jovens dizem que a abundância não basta, que se trata de uma abundância mentirosa.

O mundo industrial moderno também se levanta sobre a morte e a exploração dos homens marginais do mundo infra-industrial. A morte: quando uma sociedade de excedente industrial como a norte-americana deve assegurar sua saúde transformando a ‘perda financeira’ em uma chuva de bombas de napalm e fósforo (ad majorem gloria Dow Chemical Co.) sobre a população indefesa de uma pequena nação rural. Não é por acaso que a Guerra do Vietnã tenha sido o grande catalisador da revolução da juventude ocidental.

Enquanto o mundo industrial se satura de riquezas inúteis, o mundo subdesenvolvido carece do que é básico. Lembro-me destas palavras de um estudante com quem conversei numa comunidade universitária italiana especialmente lúcida: ‘Em que se distingue do fascismo uma sociedade que é incapaz de distribuir sua enorme riqueza acumulada entre os países famintos da Ásia, África e América Latina? Cada capitalista europeu e norte-americano não pratica um extermínio em massa comparável ao dos nazistas? Estamos continuando, por outros meios, a luta de Zapata e Guevara, de Camilo Torres e Frantz Fannon. Lutamos contra o mesmo mundo da opressão centralizada.’

Em Maio de 1968, em Paris, nos muros da Sorbonne, lia-se em um cartaz: ‘A revolução que vai colocar em dúvida não só a sociedade capitalista, mas também a sociedade industrial. A sociedade de consumo deve morrer uma morte violenta. A sociedade alienada deve desaparecer da história. Estamos inventando um mundo novo e original. A imaginação tomou o poder.’

São os filhos de Marx e de Rimbaud: é preciso transformar o mundo, é preciso mudar a vida. As estátuas de Pasteur e de Pascal na Sorbonne ostentam cachecóis vermelhos no pescoço e seguram bandeiras negras entre os braços. Victor Hugo, velho sensualista, parece atingir um prazer lendário e secular com essa maravilhosa moça morena que hoje se senta em seus joelhos de pedra. Diante deste cenário, discursa Jean-Paul Sartre para milhares de estudantes:

– O que está em vias de se formar é uma nova concepção da sociedade baseada na democracia plena, uma aliança do socialismo e da liberdade. Porque socialismo e liberdade são inseparáveis.

Neste mês, 10 milhões de trabalhadores entram em greve na França. (…) Os pesquisadores científicos criam comitês democráticos visando à autogestão e à eliminação de todo trabalho que, direta ou indiretamente, possa ser utilizado para fins bélicos ou repressivos. Enfermeiros e médicos estabelecem a co-gestão nos hospitais por meio de comitês destinados a renovar um sentido democrático. Até mesmo os estudantes de teologia da Universidade de Paris declaram:

– A instituição eclesiástica, tendo em vista seu lugar privilegiado nas sociedades ocidentais, contribui, com seus silêncios, com suas tomadas de posição obrigatoriamente conciliatórias, com sua prédica de paz onde não há paz, para a manutenção do status quo. A teologia só faz prolongar as contradições internas do sistema capitalista. Isso compreendemos definitivamente nas barricadas. Tomar o partido dos oprimidos significa hoje entrar deliberadamente e sem reservas no processo revolucionário. (…) Deus não é conservador! Por que os cristãos não hão de exercer violência contra um sistema capitalista que pratica a violência endêmica no mundo subdesenvolvido? É possível conceber, atualmente, a caridade sem luta?

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Pelas ruas, há grupos de adolescentes que invadem o Odéon pedindo uma educação sexual dinâmica e adequada e reclamam o direito ao orgasmo. Um dos manifestantes argumenta que o Maio de 68 foi uma explosão de espontaneidade: ‘Opusemos uma linguagem nova e radical à linguagem mumificada do poder, do Parlamento, das eleições e das formações políticas tradicionais. Tanto o poder quanto a oposição demonstraram seu anacronismo e sua ineficácia nessa situação. O processo eleitoral é coisa deles; não nos afeta nem afeta a revolução, que prossegue sua marcha por caminhos inéditos, difíceis e definitivamente alheios às formalidades burguesas’. Outro dos jovens manifestantes parisienses declarou:

– Já votei nas barricadas pelo socialismo revolucionário. Minha cédula foi um paralelepípedo.”

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Adquira este livro de Carlos Fuentes, “Em 68 – Paris, Praga e México” (Ed. Rocco, R$25,00): http://bit.ly/2Ap0WIN.

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baderna

PARIS: MAIO DE 68
Coleção Baderna da Ed. Conrad
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A documentary by Seymour Drescher, Professor in the Department of History at the University of Pittsburgh, former student of George Mosse, and author of Abolition: A History of Slavery and Antislavery. The film looks at the student and worker upheaval in France in May, 1968.


Prague Spring ’68 – Sofia Summer (2008) – a documentary by Nayo Titzin