A EDUCAÇÃO SEGUNDO BELL HOOKS: ENSINANDO A TRANSGREDIR

ENSINANDO A TRANSGREDIR
ou
POR UMA PEDAGOGIA DO ENTUSIASMO TRANSFORMADOR

Com a palavra, sister bell hooks: “Quando descobri a obra do pensador brasileiro Paulo Freire,  meu primeiro contato com a pedagogia crítica, encontrei nele um mentor e um guia, alguém que entendia que o aprendizado poderia ser libertador. (…) Já profundamente engajada no pensamento feminista, não tive dificuldade em aplicar essa crítica à obra de Freire. Significativamente, eu sentia que esse mentor e guia estimularia e apoiaria minha contestação às suas ideias se fosse realmente comprometido com a educação como prática da liberdade.

(…) O primeiro paradigma que moldou minha pedagogia foi a ideia de que a sala de aula deve ser um lugar de entusiasmo, nunca de tédio. (…) O entusiasmo no ensino superior era vista como algo que poderia perturbar a atmosfera de seriedade considerada essencial para o processo de aprendizado. Entrar numa sala de aula de faculdade munida da vontade de partilhar o desejo de estimular o entusiasmo era um ato de transgressão.  Não exigia somente que se cruzassem as fronteiras estabelecidas; não seria possível gerar entusiasmo sem reconhecer plenamente que as práticas didáticas não poderiam ser regidas por um esquema fixo e absoluto. Os esquemas teriam de ser flexíveis, teriam de levar em conta a possibilidade de mudanças espontâneas de direção. Os alunos teriam de ser vistos de acordo com suas particularidades individuais e a interação com eles teria de acompanhar suas necessidades (nesse ponto Freire foi útil).

A reflexão crítica sobre minha experiência como aluna em salas de aula tediosas me habilitou a imaginar não somente que a sala de aula poderia ser empolgante, mas também que esse entusiasmo poderia coexistir com uma atividade intelectual e/ou acadêmica séria, e até promovê-la.

Mas o entusiasmo pelas ideias não é suficiente para criar um processo de aprendizado empolgante. Na comunidade da sala de aula, nossa capacidade de gerar entusiasmo é profundamente afetada pelo nosso interesse uns pelos outros, por ouvir a voz uns dos outros, por reconhecer a presença uns dos outros. Qualquer pedagogia radical precisa insistir em que a presença de todos seja reconhecida… O professor precisa valorizar de verdade a presença de cada um. Precisa reconhecer permanentemente que todos influenciam a dinâmica da sala de aula, que todos contribuem. Usadas de modo construtivo, elas promovem a capacidade de qualquer turma de criar uma comunidade aberta de aprendizado… O entusiasmo é gerado pelo esforço coletivo.

(…) Minhas práticas pedagógicas nasceram da interação entre as pedagogias anticolonialista, crítica e feminista, cada uma das quais ilumina as outras. Essa mistura complexa e única de múltiplas perspectivas tem sido um ponto de vista envolvente e poderoso a partir do qual trabalhar. Transpondo as fronteiras, possibilitou que eu imaginasse e efetivasse práticas pedagógicas que implicam diretamente a preocupação de questionar as parcialidades que reforçam os sistemas de dominação (como o racismo e o sexismo) e ao mesmo tempo proporcionam novas maneiras de dar aula a grupos diversificados de alunos.

Neste livro, quero partilhar ideias, estratégias e reflexões críticas sobre a prática pedagógica. Quero que estes ensaios sejam uma intervenção contrapondo-se à desvalorização da atividade do professor e, ao mesmo tempo, tratando da urgente necessidade de mudar as práticas de ensino. Eles têm o objetivo de ser um comentário construtivo. Esperançosos e exuberantes, transmitem o prazer e a alegria que sinto quando dou aula; são ensaios de celebração. Ressaltam que o prazer de ensinar é um ato de resistência que se contrapõe ao tédio, ao desinteresse e à apatia onipresentes… Esse trabalho deve ser um catalisador que conclame todos os presentes a se engajar cada vez mais a se tornar partes ativas no aprendizado.

(…) A educação está numa crise grave. Em geral, os alunos não querem aprender e os professores não querem ensinar. Os educadores têm o dever de confrontar as parcialidades que têm moldados as práticas pedagógicas em nossa sociedade e criar novas maneiras de saber, estratégias diferentes para partilhar o conhecimento. Com estes ensaios, somo minha voz ao apelo coletivo pela renovação e pelo rejuvenescimento de nossas práticas de ensino. Pedindo a todos que abram a cabeça e o coração para conhecer o que está além das fronteiras do aceitável, celebro um ensino que permita as transgressões – um movimento contra as fronteiras e para além delas. É esse movimento que transforma a educação na prática da liberdade. ” (HOOKS, 2017, pg. 15-18)

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SINOPSE OFICIAL – EDITORA WMF MARTINS FONTES: Em ‘Ensinando a transgredir’, Bell Hooks – escritora, professora e intelectual negra insurgente – escreve sobre um novo tipo de educação, a educação como prática da liberdade. Para hooks, ensinar os alunos a “transgredir” as fronteiras raciais, sexuais e de classe a fim de alcançar o dom da liberdade é o objetivo mais importante do professor. Ensinando a transgredir, repleto de paixão e política, associa um conhecimento prático da sala de aula com uma conexão profunda com o mundo das emoções e sentimentos. É um dos raros livros sobre professores e alunos que ousa levantar questões críticas sobre Eros e a raiva, o sofrimento e a reconciliação e o futuro do próprio ensino. Segundo Bell Hooks, “a educação como prática da liberdade é um jeito de ensinar que qualquer um pode aprender”. Ensinando a transgredir registra a luta de uma talentosa professora para fazer a sala de aula dar certo. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla.

SOBRE O AUTOR

bell hooks (Gloria Jean Watkins)e nasceu nos Estados Unidos em 25 de setembro de 1952. Atualmente, é professora de inglês no City College de Nova York. Escreveu inúmeros livros, entre os quais: Outlaw Culture: Resisting Representations, Belonging: A Culture of Place, Thinking Critical Teaching: Practical Wisdom.

SAIBA MAIS:

15M: Um milhão de pessoas tomam as ruas em protesto contra o Pacote de Maldades do regime golpista

Cerca de 1 milhão de brasileiros, segundo Brasil de Fato (http://bit.ly/2mCf6vQ), tomaram as ruas neste 15 de Março de 2017. A maré torrencial de participação contestatória deu-se em protesto contra a avalanche de retrocessos propostas pelo (des)governo instaurado após o golpeachment.

A cidadania insurgente manifestou-se em um dia histórico de greve e mobilização nacional, com foco no repúdio à Reforma da Previdência. Parte do “Pacote de Maldades” proposto pelo regime golpista de Michel Temer, a (D)eforma Previdenciária propõe aquilo que o humorista José Simão chamou de “aposentadoria póstuma”: morra primeiro, aposente depois.

Caso o Congresso Nacional aprove a medida, para ter direito à aposentaria integral o trabalhador precisará de 49 anos de contribuição ininterrupta e idade mínima de 65 anos, tanto para homens quanto para mulheres. Sobre o tema, o filósofo Vladimir Safatle escreveu com clareza na Folha de S. Paulo: “Como em várias regiões do Brasil a expectativa de vida não chega a 65 anos, a contribuição previdenciária será, para boa parte das pessoas, uma pura e simples forma de espoliação de seus rendimentos, já que elas morrerão antes de se aposentar.”

O argumento é ecoado em um vídeo, que viralizou nas redes, bolado pela frente Povo Sem Medo em parceria com o ator Wagner Moura. Neste vídeo, critica-se com sarcasmo: “Vão transformar o INSS em uma funerária: as pessoas vão se aposentar no caixão.”

Em ato que reuniu mais de 200.000 mil pessoas na Avenida Paulista (e não mereceu uma mísera linha ou foto no jornal Estadão, que realizou uma omissão criminosa e suína que o faz merecedor da alcunha de membro do P.I.G.), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou: “está ficando cada vez mais claro que o golpe dado neste país não foi só contra a [ex-presidenta] Dilma Rousseff e os partidos de esquerda, mas para colocar um cidadão sem nenhuma legitimidade para acabar com os direitos trabalhistas e com a Previdência Social” (http://bit.ly/2mQgmMV).

Goiânia, 15M

ASSISTA: A MARÉ: Goiânia, 15 de Março de 2017
(Documentário, Curta-metragem, 14 minutos.)

Neste documentário curta-metragem A Maré, de 14 minutos, confiram um pouco dos agitos nas ruas da capital de Goiás neste 15M, quando uma significativa manifestação popular tomou conta do centro da cidade. Estima-se que mais de 15 mil goianienses participaram do ato, que reuniu ativistas de vários movimentos sociais e centrais sindicais, além de estudantes secundaristas e universitários, professores e servidores da educação pública, funcionários dos Correios e de empresas públicas como a CELG, com forte presença do Povo Sem Medo que têm resistido ao golpe e seu séquito de retrocessos.

Diante de uma corja golpista e corrupta de cleptocratas elitistas, a população do Brasil vê-se diante da necessidade histórica de levantar-se contra o tsunami de retrocessos que pretendem, para lembrar a boutade de Millôr Fernandes, perpetuar nosso status de país “com um longo passado pela frente”. Ou, como disse o humorista André Dahmer, permitiremos a instalação da grotesca Ponte Para O Futuro: “imaginem quantos pobres vão morar debaixo dela!”

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fblogacasadevidro%2Fvideos%2F1825325334160450%2F&show_text=1&width=560

“A Maré” é um filme de Eduardo Carli de Moraes; uma produção independente d’A Casa de Vidro – Livraria e Produtora Cultural [http://www.acasadevidro.com]. Com falas de Renato Costa, Pedro Henrique Melo Albernaz, Lucas Nunes, Jules Groucho Maigret, Davi Maciel, dentre outros. Trechos musicais de Paulinho da Viola e Anita Tijoux (nenhuma violação dos direitos autorais das obras musicais esteve entre nossas intenções; trechos das canções foram utilizados para ilustrar as imagens de modo lúdico e sugestivo e esta obra audiovisual não tem nenhum fim lucrativo).

Se preferir, assista também no Youtube:

Leia também uma boa análise de conjuntura: “O Que Não Te Contaram Sobre A Reforma Da Previdência”

O DOCUMENTÁRIO COMO TESTEMUNHA OCULAR DA HISTÓRIA – Em “A Guerra Necessária”, Santiago Álvarez revela os meandros da Revolução Cubana de 1959 [#CinephiliaCompulsiva]

Sem dúvida, Santiago Álvarez (1919-1998, foto acima) realizou um dos documentários que mais nos iluminam sobre a Revolução Cubana, suas raízes e seus frutos, em “A Guerra Necessária” (1980, 110 min, assista na íntegra). Também é um dos melhores filmes para se debater, com conhecimento de causa, a vida e o legado, a teoria e práxis, do recém-falecido Fidel Castro.

Neste filme estamos diante de um cinema verdade daquele tipo que descortina um dos horizontes mais quintessenciais que os documentários vêm explorando através da história do cinema: a exploração crítica e investigativa do passado como ele de fato foi. Assim, o documentário transcende a esfera do cinema – deixa de ser mero gênero grudados aos trilhos, ao grid, de uma esfera artística específica – e ascende à outra dimensão, onde documentaristas podem realizar obra de mérito filosófico, sociológico, psicológico, antropológico, científico. No caso de Álvarez e A Guerra Necessária, torna-se explícita a potencialidade deste tipo de filme em tornar-se documento histórico, testemunha de uma época.

Não é à toa, afinal, esta similaridade entre os termos “documento” e “documentário”, como lembra Guy Gauthier em O Documentário – Um Outro Cinema. Esta oposição, antiquíssima mas incontornável, entre filmes de ficção (invenção) e documentários (registro do real), parece continuar impondo-se, a despeito de seu binarismo tão tosco e das inúmeras subversões que os cineastas já operaram com estes artificiosos limites. Se a linha vermelha que separa o cinema ficcional do cinema documental for rígida demais, só conseguiremos enquadrar, em um dois lados, um filme como Ladrões de Bicicleta, de Vittorio de Sica, amputando-lhe algo de essencial.

O documentário, pactuando com a representação do real, sem mentira nem distorsão – ao contrário do cinema de ficção e sua fábrica hipnótica de sonhos, seu desfile de vedetes e efeitos especiais – coloca-se no campo da história, eis uma das lições de Santiago Alvaréz. Ele aponta para um cinema que é força política no palco de uma história que transcende os limites estreitos da história do cinema ou da história da arte. O documentário tangencia as áreas do jornalismo, da dramaturgia, do memorialismo, mas também às vezes compreende-se como força histórica. Pois relembrar, celebrar um legado, refletir sobre um passado, é essencial para o futuro de qualquer povo – e os chilenos não teriam razão em parar de aprender com A Batalha do Chile de Guzmán com o pretexto de que aquilo só retrata “velharias”. Os melhores documentários têm interesse perene – e Guzmán, Álvarez, León Hizsmann, dentre tantos outros, estão entre os latinoamericanos que o fizeram com maestria mais extraordinária.

Álvarez legou-nos um autêntico documentário-documento histórico que nos dá acesso aos labirintos das lutas de transformação social em Cuba, atingindo seu ápice revolucionário com o triunfo do Movimento 26 de Julho, de guerrilha na Sierra Maestra à tomada do poder para construção de um novo regime socialista. Emprestando seu título de um manifesto do herói e mártir da independência cubana, José Martí (http://bit.ly/2gx9Ebj), que em 1895 defendia a impossibilidade de conquistar a autonomia e a autodeterminação para o povo de Cuba por meios pacíficos, o filme já começa com Fidel Castro, nas praias de Santiago, discursando sobre os porquês da escolha da via guerrilheira como forma de confrontar a ditadura militar de Fulgencio Batista.

Fidel Castro (centro), Raul Castro (primeiro à esquerda) e outros rebeldes do assalto ao Quartel de Moncada postos em liberdade, em maio de 1955.

Fidel Castro (centro), Raul Castro (primeiro à esquerda) e outros rebeldes do assalto ao Quartel de Moncada postos em liberdade, em maio de 1955.

É um filme com denso conteúdo histórico e em que sublinha-se a importância determinante, para a determinação dos rumos do Movimento 26 de Julho, de outros líderes latino-americanos como Emiliano Zapata e Simon Bolívar.  

Em 26 de Julho de 1953, o jovem advogado Fidel Castro e 165 companheiros tentam a tomada do quartel de Moncada, em Santiago, no intento de armar a população e derrubar o regime sanguinário e pró-imperialista de Batista. Aprisionado, Fidel defende-se com um discurso destinado à celebridade: “A História Me Absolverá”. Dois anos depois, anistiado, exila-se no México. O filme de Álvarez tem como um de seus méritos maiores mostrar o México insurgente, o México anti-imperialista, o México da revolução de Zapata, o México que desfila nas obras de Diego Rivera, como determinante influência na determinação dos rumos do movimento libertário cubano.

"O Camponês Oprimido", obra do artista mexicano Diego Rivera (1886 - 1937)

“O Camponês Oprimido”, obra do artista mexicano Diego Rivera (1886 – 1937)


É no México que se encontram pela primeira vez Fidel, exilado, e o médico argentino Ernesto Guevara. É no México que a conspiração para a tomada do poder em Havana começa a ganhar corpo e asseclas não só nas figuras de Fidel e Che, mas também em Camilo Cienfugos, Raul Castro e tantos outros camaradas menos célebres. É também em solo mexicano que adquire-se o iate Granma (Vovó), destinado a status mítico, no qual 83 homens viajarão rumo à Sierra Maestra em Dezembro de 1956.

O filme pode ser visto como uma espécie de “prolegômenos de uma revolução”, mas é também uma reflexão, digna da atenção de cientistas e filósofos políticos, acerca do tema da “necessidade histórica”, em que a guerrilha anti-imperialista aparece como inevitável e incontornável resposta aos horrores e opressões impostos pelas garras impiedosas do imperialismo. Santiago Alvaréz honra Fidel Castro com um retrato à altura de sua estatura histórica ao conectá-lo a seu herói maior, José Martí, “apóstolo da nossa independência”.

Quando a Revolução triunfar em 1 de Janeiro de 1959, será após ter seguido o rastro dos passos de Martí: o Granma, em 1956, desembarca nas mesmas praias de Santiago que a expedição de Martí atingira em 1895, um lugar que Fidel celebra como “sagrado”, tanto pelo sangue dos combatentes ali tombados, quanto por ter sido uma espécie de portal de entrada para a reconquista da pátria, vendida e prostituída ao poderio de oligarcas e imperialistas.

Assistir a este crucial documentário de Álvarez só fortalece a impressão de que não se inventam melhores amanhãs, jamais, no desconhecimento daqueles que nos ontens da História levantaram-se para sua construção. E levante construtivo de melhores amanhãs não ocorre sem rebeldia e insurreição, táticas ou métodos necessários para a derrubada da opressão institucionalizada, da tirania convertido em cotidiano. “O pensamento de Martí e a espada de Bolívar hão de cintilar outra vez na América”, diz a certo ponto Fidel Castro. Dito e feito.

FILE - In this Jan. 1959 file photo, Cuba's leader Fidel Castro addresses a crowd in a park in front of the presidential palace in Havana, Cuba. Former President Fidel Castro, who led a rebel army to improbable victory in Cuba, embraced Soviet-style communism and defied the power of 10 U.S. presidents during his half century rule, has died at age 90. The bearded revolutionary, who survived a crippling U.S. trade embargo as well as dozens, possibly hundreds, of assassination plots, died eight years after ill health forced him to formally hand power over to his younger brother Raul, who announced his death late Friday, Nov. 25, 2016, on state television (AP Photo/Harold Valentine, File)

Janeiro de 1959: Fidel Castro dirige-se ao povo em frente ao palácio presidencial em Havana, Cuba. (AP Photo/Harold Valentine, File)

Os lumes da História, reacesos pela coragem do presente, inventam caminhos menos sanguinolentos para a construção de comunas mais fraternais e justas, onde os povos possam auto-determinar-se ao invés de ter sua liberdade confiscada por um Império mandão e praticante de mortificante opressão. O documentário de Alvaréz revela-se, assim, muito mais que crônica, reportagem ou registro histórico: é inspiração perene para a travessia dos que se põe em sintonia – apesar de suas dissonâncias – para a construção coletiva de um mundo comum mais digno e justo para todos.

ASSISTA:

E.C.M. – 2017


SIGA VIAGEM:

JOSÉ MARTÍ (1853-1895): Vislumbres da vida e obra desta estrela-guia libertária na luta latinoamericana contra os jugos opressores

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PEDAGOGIA DA LIBERTAÇÃO: Laços entre as utopias de Paulo Freire e José Martí, professores da desopressão e da construção de um alter-mundo melhor

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OUTRO FILME RECOMENDADO:


ACESSE: “A GUERRA NECESSÁRIA”, de Santiago Alvarez, no MakingOff (inclui torrent e legenda):
http://makingoff.org/forum/index.php?showtopic=28032&hl=%2Bguerra+%2Bnecess%E1ria

SAIBA MAIS: https://acasadevidro.com/2016/11/26/fidel-castro-1926-2016-in-memoriam/

INSURGÊNCIA FEMINISTA – Milhares de mulheres, mobilizadas em repúdio à #CulturaDoEstupro e ao Machistério do Golpe, fazem raiar um Junho potencialmente libertário


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 UM NOVO JUNHO RAIOU

Não é para contestar o ineditismo deste Junho que agora nasce que é vale a pena estabelecer as devidas analogias com as Jornadas de Junho de 2013 (confiram as análises de Ruy Braga e Marcos Nobre): estes dois Junhos, separados por 3 anos de turbulentas ocorrências, entrarão para a história recente do país como épocas de efervescência da democracia direta, da participação social turbulenta, do tsunamis anarco-democráticos que pegam as instituições de surpresa pela magnitude que tomam. Como escreveu Eliane Brum no El País em 06/06/2016:

“O levante das mulheres contra a cultura do estupro no país governado pelo interino Michel Temer (PMDB) e pelo Congresso mais retrógrado desde a redemocratização forma o retrato mais preciso desse momento histórico tão particular do Brasil. A oposição atual não é entre um governo chamado de ‘golpista’ e um governo que já foi apresentado como “popular”. Ou entre a presidente afastada pelo processo de impeachment e o vice que conspirou para afastá-la. O embate é entre o Brasil que emergiu das manifestações de junho de 2013 e o Brasil que se agarra aos privilégios de classe, de raça e de gênero. É esse o confronto político mais amplo que determina o curso dos dias.”

Se Junho de 2013 pareceu colocar o Brasil no mapa global das mega-mobilizações cidadãs, que puseram a democracia direta  e digitalmente turbinada no epicentro do mapa geopolítico, com fenômenos como a Primavera Árabe, o Occupy Wall Street, os Indignados espanhóis ou os conflitos na Maidan da Ucrânia, 2016 já nasce com cara de mês onde as ruas e redes, no Brasil, não cessarão de estar animadas pelo ethos e pelo ímpeto das experimentações cívicas de radicalização das mobilizações democráticas e insurgentes, com muita pela desobediência civil e contestação organizada de um governo considerado ilegítimo e golpista por uma vasta proporção da população.

A Resistência Ao Golpe de 2016 analisada pelos mais de 100 artigos reunidos em livro recém-lançado, que contou com a presença de Dilma Rousseff em seu lançamento na UnB – já ganha corpo e força com a insurgência feminista, as ocupações dos estudantes, as greves universitárias, os atos das frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular; em comícios e passeatas, em assembléias e aulas públicas, nas redes e fora delas, ferve de indignação o asfalto e o morro, o litoral e o sertão… Segundo a Ninja, neste dia Primeiro de Junho,

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“cerca de 16 estados realizaram manifestações com o tema “Por Todas Elas” em mais de 50 cidades. (…) A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil – os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Porém, como apenas de 30% a 35% dos casos são registrados, é possível que a relação seja de um estupro a cada minuto”. – NINJA

(ASSISTA O VÍDEO DE JORNALISTAS LIVRES REGISTRANDO O ATO FEMINISTA EM SAMPA)

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São Paulo, Primeiro de Junho, Av. Paulista

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Aqui em Goiânia, estive em dois atos cívicos recentes, não só expressando minha solidariedade a esta bela maré montante de mulheres #BelasLibertáriasEDaLuta, mas também para documentar em vídeo um pouco do que rolou: os vídeos Caraca – A Mulherada Chegou Forte Transmutando Dor em Luta fornecem algumas janelas de acesso a este agito democrático que vem confrontando o poderio do Patriarcado e demandando uma transformação radical nos nossos enraizados modos de convívio, ainda tão brutais e cruéis em razão da dominação masculina ainda vigente (sobre isso, recomendo Pierre Bourdieu e seu Dominação Masculina, além das obras listadas ao fim deste post).


Aos que teimam com o discurso de que feministas são “cheias de mimimi”, talvez não haja melhor argumento do que este: “o machismo mata todos os dias,  o feminismo nunca matou ninguém.”  Alguns podem contestar a hipérbole de “o feminismo nunca matou ninguém” (Valerie Solanas, autora do Scum Manifesto, chegou perto de assassinar Andy Warhol…); já quanto ao machismo ser mortífero (além de estúpido…), isto beira o incontestável: é fato comprovado por estatísticas (obscenas) às mancheias como aquelas que, no blog da Boitempo, Flávia Biroli – co-autora do livro Feminismo e Política – oferece, dando as dimensões estarrecedoras do problema:

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MACHISMO MATA – Precisamos falar sobre feminicídio

“A lei do feminicídio foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 9 de março de 2015. O feminicídio corresponde ao assassinato de mulheres pelo fato de serem muheres. No Brasil, esse tipo de assassinato tem aumentado. Segundo os dados do Mapa da Violência de 2012, em sua atualização dos dados específicos sobre homicídio de mulheres no Brasil, há registro do assassinato de 92.100 mulheres no país entre 1980 e 2010. Em 2010, esse registro foi de 4.465 mulheres assassinadas. Um estudo mais recente do IPEA fala em 5,82 mortes a cada 100 mil mulheres entre 2009 e 2011 – reproduzindo o destaque do relatório, uma média de 5.664 mortes por ano, 472 a cada mês, 15,52 a cada dia, uma a cada hora e meia. Segundo dados presentes no Mapa da Violência, um número inferior, de 4,4 mulheres a cada 100 mil habitantes no ano de 2009, deu ao Brasil a quinta posição entre 84 países que tiveram seus índices de homicídios contra mulheres comparados pela Organização Mundial de Saúde.

A maior parte dessas mulheres é jovem e tem baixa escolaridade. Segundo o estudo do IPEA, 61% delas são negras. Dados apresentados pelo Mapa da Violência mostram que em 71,8% dos registros de atendimento, a violência ocorreu na casa das mulheres. Trata-se de um padrão fundamental para o entendimento do feminicídio: mulheres de diferentes faixas etárias são agredidas no espaço doméstico, por pessoas que lhes são próximas – pais, tios, namorados, companheiros. E apesar da enorme importância da Lei Maria da Penha, de 2006, os estudos disponíveis indicam que houve pouco avanço na prevenção do homicídio de mulheres por homens que lhes são próximos.

Não são dados novos para quem está atenta ao tema. O Brasil é uma sociedade na qual mulheres são violentadas e assassinadas rotineiramente.” (BIROLI. Leia o artigo completo)

É um muito bem-vindo sopro de vida e renovação que as mulheres brasileiras estejam se empoderando tanto e articulando esta ‪#‎InsurgênciaFeminista‬ contra o Machistério do golpe, numa “Primavera Feminista” prenunciada por Marchas das Vadias e das Margaridas, mas promete neste ‪#‎Junho2016‬ escrever páginas notáveis para a história do feminismo no país. Mobilizadas em repúdio à ‪#‎CulturaDoEstupro‬ e contra o regime ilegítimo de Michel Temer e sua corja de machos, velhos, corruptos, branquelos, destroçadores de direitos sociais, que só sabem governar para o 1% da cúpula (empresarial, midiática, jurídica etc.), as ruas em coro garantem: “machistas, golpistas, não passarão!” 

Emma Goldman, Rosa Luxemburgo e Simone Weil estariam orgulhosas de nossas “guerreiras” (não no sentido bélico e macho man, mas muito mais na vibe Clara Nunes!).

“Canto pelos sete cantos
Não temo quebrantos
Porque eu sou guerreira…”

Neste Domingo (29/05), estive no Lago das Rosas, filmando o ato cívico que ficou registrado em Transmutando Dor Em Luta (22 min): ao som dos tambores afro e com muita capoeira rolando no coreto, elas manifestaram toda a repulsa pelo (des)governo do Mr. Biônico, pai de Michel Laranjinha e da Srta Bela Recatada & do Lar. Michel Temer cuspiu na cara de mais de metade da população do país, depois do afastamento de Dilma pelo Senado, ao nomear seu Ministério da Testosterona. O #ForaTemer virou palavra-de-ordem entoada em altos brados pelas mulheres, mas também pelos movimentos negros, estudantis, LGBT, indígenas – já que nenhum deles se sente minimamente representado pelos “recém-chegados” (aqueles que jamais venceriam as eleições, com tal projeto neoliberal fundamentalista, e que chegaram ao poder só pelo atalho do golpeachment).

E que ninguém diga que o feminismo é só falação: a desobediência civil feminista já se manifestou ultimamente em episódios notáveis de ação direta. Por exemplo: em Maio, ao início da interinidade de Temer, elas acorrentaram-se às grades do Palácio do Planalto, impedindo a passagem do traíra, que teve que entrar, como bom usurpador, pela porta dos fundos. Dias depois, rolou “invasão” (com o perdão do uso deste termo maculado pelas patas do P.I.G.) do STF (cúmplice, se não co-partícipe, do golpe parlamentar-midiático).

Uma interessante reportagem do El País, A Justiça no Brasil não é divina, é feminina (de Carla Jiménez), também aponta um raiar alentador de insurgência feminista em meio à perseverante barbárie do patriarcado belicista e autoritário – simbolizado, melhor que ninguém, por Dudu Cunha, o crápula teocrático que chefiou o complô golpista e agora está recebendo a bolsa-bandido para ser nosso presidente oculto, e por Bolsonazi, o apologista da tortura (a guy who has shit for brains):

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“Há um dado alentador no meio desta barbárie. À medida que a incompetência na condução das investigações no Rio [sobre o estupro perpetrado por 33 homens] foi exposta, cresceu a coragem das mulheres de se manifestar. Nas redes sociais, e até na sede do Supremo, onde calcinhas manchadas de vermelho foram exibidas e flores depositadas na estátua que representa a Justiça. As mulheres deste país já não suportam mais. Neste exato momento em que algum tarado está assistindo a cenas de estupros clandestinas no Whatsapp, há mulheres criando grupos de apoio, buscando inspiração em exemplos de ações conjuntas contra o estupro em outros países, e organizando manifestações para repudiar esta cultura selvagem.” – El País

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Marcha das Vadias 2013, São Paulo, SP. Foto: Rony Marques.

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Rio de Janeiro, 2 de Junho de 2016

Rio 03Saiba mais sobre a #CulturaDoEstupro

MV5BMjA1OTkwMjg3MF5BMl5BanBnXkFtZTgwODI4NDAwNjE@._V1_SY1000_CR0,0,713,1000_AL_O cinema e a música ajudam a pôr o cenário em chamas: Sufraggette – As Sufragistas, de Sarah Gavron, apesar de focado no movimento britânico pelo voto feminino de mais de um século atrás, é um dos filmes mais memoráveis dos últimos tempos e ainda tem muito a nos ensinar sobre a desobediência civil não-violenta – que para além de Gandhi, Luther King ou Thoreau, também tem ilustres praticantes nos movimentos feministas.

Na Rússia, o “caso Pussy Riot” revelou também possibilidades estéticas de um radicalismo louvável, excitante, como na ocasião em que as “Sex Pistols do Putin” fizeram uma desbocada performance na catedral de Moscou e depois foram em cana (tema do delicioso doc A Punk Prayer), revelando todo o autoritarismo do Estado Policial putinesco. Outro documentário que está dentre os mais excelentes dos últimos anos, Je Suis Femen (Eu Sou Femen), de Alain Margot, é um retrato cheio de empatia e verve do coletivo ucraniano-francês [FEMEN], que também pode muito bem inspirar ações das ativistas latino-americanas.

Aqui no Brasil destaco também a relevância atual da teoria-e-práxis de intelectuais orgânicas como a filósofa Márcia Tiburi, uma das idealizadoras do #PartidADjamila Ribeiro, colunista de Carta Capitalsecretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo; Ivana Bentes, exonerada do cargo de Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura do Brasil no Golpe de 2016, que escreveu um belo relato sobre a mobilização feminista, no Rio, em 02 de Junho; dentre outras figuras que vale a pena acompanhar. Nas redes sociais, recomendo: Geledés | Instituto da Mulher Negra; Não Me Kahlo; Juntas.

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CONFIRA TAMBÉM:

LIVRARIA FEMINISTA – ALGUMAS OBRAS RECOMENDADAS
PELA EDITORA VERSO BOOKS

“A landmark manifesto” — Susan Faludi, New Yorker

An international bestseller, originally published in 1970, when Shulamith Firestone was just twenty-five years old, The Dialectic of Sex was the first book of the women’s liberation movement to put forth a feminist theory of politics.

Beginning with a look at the radical and grassroots history of the first wave (with its foundation in the abolition movement of the time), Firestone documents its major victory, the expansion of the franchise in 1920, and the fifty years of ridicule that followed. She goes on to deftly synthesize the work of Freud, Marx, de Beauvoir, and Engels to create a cogent argument for feminist revolution.

Ultimately she presents feminism as the key radical ideology, the missing link between Marx and Freud, uniting their visions of the political and the personal.The Dialectic of Sex remains remarkably relevant today—a testament to Firestone’s startlingly prescient vision. The author died in 2012, but her ideas live on through this extraordinary book.

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An examination of how mainstream feminism has been mobilized in support of racist measures

Feminist Christine Delphy co-founded the journal Nouvelles questions féministes with Simone de Beauvoir in the 1970s and became one of the most influential figures in French feminism. Today, Delphy remains a prominent and controversial feminist thinker, a rare public voice denouncing the racist motivations of the government’s 2011 ban of the Muslim veil. Castigating humanitarian liberals for demanding the cultural assimilation of the women they are purporting to “save,” Delphy shows how criminalizing Islam in the name of feminism is fundamentally paradoxical.

Separate and Dominate is Delphy’s manifesto, lambasting liberal hypocrisy and calling for a fluid understanding of political identity that does not place different political struggles in a false opposition. She dismantles the absurd claim that Afghanistan was invaded to save women, and that homosexuals and immigrants alike should reserve their self-expression for private settings. She calls for a true universalism that sacrifices no one at the expense of others. In the aftermath of the Charlie Hebdo massacre, her arguments appear more prescient and pressing than ever.

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Barrett - Womens Oppression Today - PRINT

Women’s Oppression Today: The Marxist/Feminist Encounter

Women’s Oppression Today is a classic text in the debate about Marxism and feminism, exploring how gender, sexuality and the “family-household system” operate in relation to contemporary capitalism. In this updated edition, Michèle Barrett surveys the social and intellectual changes that have taken place since the book’s original publication, and looks back at the political climate in which the book was written. In a major new essay, she defends the central arguments of the book, at the same time addressing the way such an engagement would play out differently today, over thirty years later.

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Livro5

Fortunes of Feminism: From State-Managed Capitalism to Neoliberal Crisis

During the ferment of the New Left, “Second Wave” feminism emerged as a struggle for women’s liberation and took its place alongside other radical movements that were questioning core features of capitalist society. But feminism’s subsequent immersion in identity politics coincided with a decline in its utopian energies and the rise of neoliberalism. Now, foreseeing a revival in the movement, Fraser argues for a reinvigorated feminist radicalism able to address the global economic crisis. Feminism can be a force working in concert with other egalitarian movements in the struggle to bring the economy under democratic control, while building on the visionary potential of the earlier waves of women’s liberation. This powerful new account is set to become a landmark of feminist thought.

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OUÇA TAMBÉM:

Cobain

“O estupro é um dos mais terríveis crimes na terra e isso acontece a cada poucos minutos. O problema com os grupos que lidam com o estupro é que eles tentam educar as mulheres sobre como se defender. O que realmente precisa ser feito é ensinar os homens a não violar. Vá à fonte e comece por aí.” – Kurt Cobain @ Nirvana


ESCUTA TAMBÉM NA JUKEBOX:

RIOT GIRLS & GRUNGY CHICKS – 25 músicas poderosas do “rock’n’roll das minas”

GOLPE NUNCA MAIS: Curta-metragem documenta a manifestação em Goiânia neste 31 de Março de 2016 (Assista: 14 min, Março de 2016)

GOLPE NUNCA MAIS – Documentário curta-metragem que registra os agitos cívicos em Goiânia, no dia 31 de Março de 2016, um dia em que a cidadania nas ruas deu um show de democracia, participação social e engajamento cidadão.

ASSISTA JÁ:

“Amor tem que ser que nem ipê:
Florescer toda vez que parecer morrer.”
Bradam os muros grafitados de Goiânia

Um filme de Eduardo Carli de Moraes; assistente de direção: João Paulo Machado Côrtes; com participação do professor de teoria política da PUC-GO, Silvio Costa. Trilha sonora: Gonzaguinha, Clara Nunes, Criolo, Mukeka di Rato, Chico Buarque, dentre outros. Compartilhar no Facebook, no Tumblr, no Twitter.

LINKS:

https://vimeo.com/161237657 ou https://youtu.be/lkEgZs_3cSE.

FOTOS DO DIA DA FILMAGEM:

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Gy
Cartaz

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CONTEXTO SÓCIO-HISTÓRICO:
Fuser 1 Fuser 2 “O BRASIL INTEIRO PRECISA SABER” – Por Igor Fuser

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CARTOOOON* * * *

Página Golpe Nunca Mais no Facebook: “52 anos depois, os golpistas encontraram o povo nas ruas. Para ser golpe, não precisa ser com tanques e fuzis. Qualquer ação, inclusive do Congresso ou do Judiciário, para tirar do poder um governo legitimamente eleito, é um Golpe à Constituição e à Democracia. Não passarão!” ‪#‎BrasilContraOGolpe‬. Fotos abaixo de São Paulo (à esq.), Recife (direita acima) e Brasília (direita abaixo):

31 03 Silêncio Nas Ruas Não Se Escuta by Mídia Ninja

Nesta quinta-feira, 31 de Março, as ruas pulsaram para manter viva a democracia. Cerca de 800 mil pessoas tomaram as cidades do Brasil para deixar claro: não vai ter golpe e já tem luta!

A gente mal lembra. Fazem dois anos que a nação descomemorava as cinco décadas do Golpe Militar de 64. Àquela época, o país já efervescia no pré-Copa e no pós 2013, com suas multidões difusas reinventando as ruas.

Os inimigos da legalidade permanecem os mesmos de 64. Fiesp, grande mídia, políticos inconformados e comprovadamente corruptos trabalham dia e noite para subverter a vontade popular expressa nas urnas. Movidos por revanchismo e rancor, querem a derrubada de uma Presidenta eleita pela maioria do povo brasileiro, sobre a qual não pesam investigações ou denúncias.

Talvez frustrados por ver tamanha mobilização popular florescer sem a sua convocação diária em rede nacional, os noticiários reduzirão o número de manifestantes desta quinta. Dirão que foram poucos, fração menor da população.

Mas, ao contrário de 64, o silêncio nas ruas não se escuta. (Ninja – SAIBA MAIS)

ASSISTA JÁ – GOLPE NUNCA MAIS – GOIÂNIA:

Submissão e Insurgência em Franz Kafka – Leia o artigo em A Casa de Vidro.com

Submissão e Insurgência em Franz Kafka

Segundo Pierres Bourdieu e Clastres, Michael Löwy, Ernst Pawel, dentre outros