Documentário explora as raízes e o legado da maior manifestação política do século 21 – Resenha sobre “We Are Many”, um filme de Amir Amirani

Naquele 15 de Fevereiro de 2003,slogan que dá nome ao filme We Are Many era mais verdadeiro do que no comum dos dias. Naquela ocasião extraordinária, estima-se que 15 milhões de pessoas tomaram as ruas de mais de 700 cidades, em todos os continentes, em protesto contra a iminente deflagração de uma guerra contra o Iraque.

Capitaneada pelos EUA, pela Grã-Bretanha e por seus aliados, mancomunados numa Coalizão Internacional que pretendia aniquilar o chamado Eixo do Mal (Axis of Evil), a Guerra do Iraque desde seus primórdios sofreu uma maré de oposição tão gigantesca que fez muitos analistas políticos lembrar das mobilizações sessentistas pelo fim da carnificina Yankee no Vietnã.

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2003, mundo afora: “give peace a chance!” (reloaded)

 We Are Many, o documentário de Amir Amirani,  revela de modo explícito as raízes e os legados desta imensa mobilização internacional anti-guerra. Mundo afora, naquele Sábado de Fevereiro de 2003, éramos de fato muitos, solidários na indignação, ruidosos contestadores daqueles masters of war denunciados pelo jovem Bob Dylan ainda nos anos 60.

Fluindo pelas veias das metrópoles em torrentes de indignação, flooding the streets with a beautiful rage, havia a esperança – que depois se mostraria vã – de que era possível dar uma chance à paz. Infelizmente, no fim das contas, como Lennon, Gandhi ou Martin Luther King poderiam testemunhar, a violência com frequência triunfa sobre o cadáver dos pacifistas.


Havia a percepção coletiva cada vez mais disseminada que esta nova guerra era baseada em velhas canalhices – ambição petrolífera, ganância corporativa, imperialismo etnocêntrico. Era a repetição sinistra daquela constelação de vícios e cegueiras que leva o Império anglo-saxão a fazer pose de xerife do mundo e de pretender-se, com uma arrogância que ultrapassa todos os limites do razoável e cai em uma trágica hýbris de funestas consequências, como dono da verdade e da justiça, professor e exportador de Democracia para os “povos bárbaros” do Terceiro Mundo.

As mega-manifestações estavam fundadas de fato numa  percepção muito disseminada de que muita mentira e hipocrisia estavam sendo empregadas, de modo despudorado e escandaloso, por figuras como George W. Bush e Tony Blair, apoiados por boa parte dos respectivos Parlamentos e por boa parte dos conglomerados da mídia corporativa,  para justificar o início dos massacres. Hoje, Bush e Blair são figuras merecedoras de entrar para a história como genocidas, como culpados de crimes contra a humanidade similares aos de Eichmanns, Pol Pots e Pinochets, por todo o sangue derramado durante as campanhas militares deflagradas no Iraque em 2003 e cujas consequências sinistras mudaram o mundo para sempre – para pior, é claro.

Em Fevereiro de 2003, nós éramos muitos e sabíamos muito bem que a guerra estava sendo justificada com pretextos espúrios e mentiras deslavadas:todas as falsas conexões que tentou-se estabelecer entre o regime de Saddam Hussein e a Al Qaeda, entre o Iraque e o 11 de Setembro, eram links mentirosos, assim como as famosas “almas de destruição em massa” que supostamente fariam do Iraque um perigoso inimigo da humanidade simplesmente não foram encontradas. Talvez pelo fato de que os EUA é que são os maiores detentores globais de weapons of mass destruction que ameaçam o futuro da Humanidade… Sobre as ideologias fabricadas pelo totalitarismo Yankee, José Arbex Jr escreveu excelentes textos – como este, “Jornalismo de Verdade”, em que relembra Orwell, Huxley e Arendt para apresentar algumas das lorotas de mass deception que o Estado dos EUA usa comumente:

Em “1984”, George Orwell cria uma fantástica metáfora para explicar os mecanismos utilizados pelo poder para produzir a amnésia social: a história é permanentemente reescrita, sempre de acordo com as conveniências dos mandatários de plantão. É perigoso ter ou cultivar a memória dos fatos, e muito pior – inimaginável – é olhar para o passado segundo uma perspectiva crítica. Também no “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley a percepção dos acontecimentos cotidianos é fabricada por uma engenharia social arquitetada por poucos que sabem e conhecem a dinâmica real dos processos históricos. O tema se repete, com variações, em muitos outros clássicos da ficção, na literatura e no cinema, que se preocuparam com a formação das sociedades totalitárias.

Passando à implacável esfera do “mundo real”, Hannah Arendt nota que, de fato, a produção social do esquecimento é inerente ao exercício do poder nos regimes autoritários ou mesmo em boa parte dos sistemas dito democráticos. (…) Interessa, por exemplo, a George W. Bush apresentar Osama Bin Laden como um ícone do terror islâmico, desde que se esqueça que ele foi treinado e armado pela CIA, para ajudar a Casa Branca a combater a ocupação do Afeganistão pelo Exército Vermelho (1979-1989); da mesma forma, a partir de certo momento, passou a ser vantajoso para Washington acusar o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein de ser o responsável pelo males do mundo, mas relegando ao mais profundo buraco negro da história o fato de ele ter sido armado pelos Estados Unidos, nos anos 80, com o objetivo de mover sua providencial guerra contra o Irã do aiatolá Khomeini.

Também interessa repetir à exaustão que o ataque às torres gêmeas, em 11 de Setembro de 2001, foi o “pior atentado terrorista da história”, pois isso ajuda a esquecer, entre outras coisas, o bombardeio atômico sobre a população civil de Hiroshima e Nagasáqui, em agosto de 1945. (JOSÉ ARBEX JR., prefácio à “Rompendo à Cerca – A História do MST, SAIBA MAIS)

O fato é que, no período entre os atentados de 11 de Setembro de 2011 e a irrupção desta mega-manifestação, orquestrada com auxílio das redes de comunicação digitais globalizadas, um caldeirão de indignação foi sendo aquecido até o ponto de ebulição. Às vésperas do início da carnificina que deixaria mais de 500.000 civis iraquianos mortos e que geraria mais de 4 milhões de refugiados, várias metrópoles relevantes foram tomadas de assalto por uma multidão em marcha pacifista que buscava parar a guerra antes que ela começasse. Em Londres, em Roma, em Madrid, em Atenas, em Nova York, foram realizadas algumas das mais grandiosas marchas do século 21 naquele 15 de Fevereiro de 2003, o que não escapou à percepção dos maiores intelectuais vivos – como Noam Chomsky.

 O filme We Are Many é vibrante, interessante, repleto de imagens com imenso mérito como retrato histórico. Porém, não vai fundo no debate sobre o que possibilitou, tanto em termos de tecnologia quanto em termos de organização e mobilização social, aquilo que foi justamente chamado de “primeiro megaprotesto global”. São fenômenos sociais da grandiosidade e da complexidade do 15 de Fevereiro de 2003 que oferecem muito material para reflexão de intelectuais e críticos dos mais relevantes da atualidade – é o caso de Manuel Castells (autor de Redes de Indignação e Esperança) ou David Graeber (autor de Democracia: Um Projeto).

O cinema de não-ficção têm se mostrado como um dos âmbitos mais importantes para a crítica e a denúncia dos horrores vinculados à infindável Guerra Contra o Terror, o que fica evidente através de outros documentários excelentes como Procedimento Operacional Padrão, de Errol Morris, que revela as entranhas apodrecidas do sistema que pariu a prisão de Abu Ghraib e todos as horríveis torturas ali perpetradas; Estrada Para Guantánamo, de Michael Winterbottom, que revela a realidade sobre a prisão mantida pelos EUA em território cubano; Farenheit 9/11, de Michael Moore, um vencedor da Palma de Cannes que revela todo o zeitgeist que rodeia o período pós-11 de Setembro; Taxi To The Dark Side, de Alex Gibney, que revela os múltiplos lados sombrios da invasão do Afeganistão; dentre outros. We Are Many é uma louvável contribuição a esta pedagógica e crucial filmografia.

Através de filmes assim ficamos sabemos que, junkies de petróleo, fissurados nos dólares aos bilhões que são gerados pela indústria armamentista, as elites que comandam os Estados Nacionais dos EUA e da Inglaterra puseram sua máquina de guerra em movimento contra o Iraque em 2003 sem absolutamente nenhuma prova ou evidência conclusiva de que o regime de Hussein tinha qualquer participação nos atentados de 11 de Setembro. Esta guerra, apesar de todo o lengalenga retórico e toda a embromação massmidiática, foi mais um grotesco episódio da infindável tendência do complexo militar industrial, mancomunado com as corporações de combustíveis fósseis, para seguirem lucrando com a morte e a destruição. Naomi Klein poderia dizer: é a Shock Doctrine em infinito repeat.

O próprio Conselho de Segurança da ONU, antes da invasão, mandou inspetores ao Iraque, checou se haviam ali bombas ou mísseis que pudessem pôr em perigo o poderoso Império anglo-saxão, e nada. Nada encontrou-se no Iraque que pudesse justificar uma “guerra preventiva”, o que logo descortinou de modo explícito a qualquer cidadão lúcido, bem-informado e capaz de usar seus neurônios que esta guerra estava sendo lançada sem fundamentos sólidos que a legitimassem, sustentada por grotescas mentiras tornadas “oficiais” com a cumplicidade de uma mídia corporativa vendida aos bélicos patrões.

O filme traz depoimentos e reflexões de figuras como os intelectuais Noam Chomsky e Tariq Ali, os músicos Brian Eno e Damon Albarn (Blur, Gorillaz), o romancista John Le Carré e o cineasta Ken Loach, além de figuras importantes da política, da diplomacia e do pensamento político, reconstruindo as raízes e os legados do 15 de Fevereiro de 2003. Entre as “sacadas” mais relevantes do filme está o estabelecimento de vínculos diretos entre a Revolução Egípcia de 2011, quando megaprotestos populares que culminaram na ocupação da Praça Tahrir e na renúncia de Mubarak à presidência, e a escola de insurreição que foram, no Cairo, aqueles dias de 2003 quando o Iraque começou a ser bombardeado e os egípcios foram em imensas torrentes para as ruas protestar. Um outro documentário – The Square – analisa em minúcias a Revolução Egípcia, parte da onda mais ampla que ficou conhecida como Primavera Árabe.

Um dos temas mais interessantes que We Are Many levanta, fornecendo amplo material para debate, é as razões para o fracasso da megamobilização global em prol da Paz. O documentário é, decerto, bastante celebratório deste movimento pacifista e sua capacidade mobilizatória impressionante – algo que voltaria a dar as caras, no âmbito do chamado “Mundo Ocidental”, com muita força também em 2014 na People’s Climate March.

Porém We Are Many também revela a decepção, a abissal queda no ânimo coletivo, que se seguiu à percepção da ineficácia concreta da “maior manifestação de todos os tempos” em pôr um stop nos planos da Coalização Internacional Contra o Terrorismo, auto-proclamada em Sagrada Cruzada contra o “Eixo do Mal”. Este é um dos temas que considero sub-discutido, bastante negligenciado: tendemos a criar uma espécie de mística da manifestação de rua, às vezes beirando a mais irracional das superstições, acreditando piamente na força numérica de massas em desfile pelas ruas como agentes de transformação, mas não nos perguntamos mais à fundo o que constitui de fato um perigo para o poder instituído. 

Por mais grandiosas que tenham sido as manifestações de 15 de Fevereiro de 2003, elas claramente não coibiram ou proibiram a guerra. Eu até me arriscaria a dizer, sem medo de despertar polêmica, que uma das explicações para este fato está na natureza pouco aguerrida dos protestos, que em vasta medida consistiram em cidadãos carregando placas e cartazes, que andaram em multidões pelas metrópoles gritando palavras de ordem, sem que tenham, na maior parte dos casos, tentado ocupar prédios públicos ou governamentais ou deflagar greves gerais que pudessem parar a produção ou travar o fluxo dos transportes, das mercadorias e dos capitais. O poder do Império pode ter ficado impressionado, mas não se sentiu realmente ameaçado lá onde ele possui seu calcanhar de Aquiles: seu bolso, ou melhor, suas Bolsas. Os 15 milhões de cidadãos nas ruas não puderam causar um estrago significativo na economia de guerra, seja através de boicotes organizados contra corporações vinculadas ao ramo bélico, seja através de ocupas ou acampas que colocassem em sinuca as instituições.

O músico Damon Albarn, do Blur/Gorillaz, sugere que a raiz do fracasso deste mega-movimento pacifista esteve no fato de que ele perdeu força e momentum: a multidão deveria ter continuado a ir para as ruas de modo torrencial, ao invés de permitir que a maré de insurgência cidadã ficasse limitada apenas àquele Sábado. Se a galera tivesse continuado a colar – “if we kept coming back…”, diz Albarn – talvez a paz pudesse ter triunfado. Eis outra das lições da Primavera Árabe: uma manifestação de rua, por mais gigantesca que seja, é episódica e efêmera, as pessoas retornam logo às suas casas; a potência contestatória maior está na ocupação – como ocorreu na Praça Tahrir ou durante o Occupy Wall Street – que toma conta do espaço público e diz que ele só será liberado quando certas demandas forem concedidas.

Em 15 de Fevereiro, pode-se dizer que nenhum Bastilha foi tomada, que nenhum intento revolucionário foi posto em marcha, e que mesmo os conflitos com a polícia foram pouquíssimos, a não ser em Atenas (na Grécia). É notável o contraste com o quanto o pau quebrou nos protestos de Seattle em 1999. Poderíamos dizer que, se o pau não quebrou, se não rolou tropa de choque e gás lacrimogêneo, se manifestantes quase não foram encarcerados, foi porque o 15 de Fevereiro de 2003 confundiu pacifismo com bom-mocismo e não exerceu com suficiente radicalidade as práticas de Desobediência Civil que através da história foram utilizadas para contestar regimes ilegítimos, opressores e genocidas.

O filme não é ingênuo, nem faz crer em quimeras, pois mostra muito bem o modo com as chefias políticas, os Parlamentos, os cabeças do Exército, os figurões no Pentágono, os brits cheios de regalias na House of Commons, basicamente levantaram um dedo médio elitista para a voz das ruas e disseram, basicamente, “foda-se!” Foda-se que há milhões de pessoas nas ruas protestando em um Sábado de Fevereiro de 2003 contra a deflagração de uma guerra contra o Iraque; foda-se, iremos em frente assim mesmo. E assim o fizeram, em Março, dando o foda-se não só para as torrentes de cidadãos que manifestavam-se em Fevereiro, mas também para a Organização das Nações Unidas: a ONU declarou a invasão ilegal e esta foi realizada à revelia do Conselho de Segurança. Crime de guerra.


Dentre os pensadores políticos que conheço, ninguém melhor que Arundhati Roy descreveu o momento histórico logo após o 11 de Setembro. Na sequência, selecionei alguns trechos de sua obra que são excelentes para pensar criticamente sobre todo este nosso lodaçal de sangue e violência. Considero seus livros – em especial The Algebra of Infinite Justice Listening to Grasshoppers, além dos discursos Imperial Democracy Come September – algumas uma das mais preciosas portas de acesso a uma compreensão mais ampla do zeitgeist que entre nós prolonga sua estadia: o fantasma de um fascismo genocida que tenta convencer-nos que há imenso perigo em um certo Outro demonizado – uma raça, uma seita, uma ideologia… -, um Outro alcunhado de malévolo sem remissão e só merecedor de ser extirpado com violência.

De George Bush a Donald Trump, as ideologias e das práticas da Guerra Contra O Terror estão ligadas à presunção e à arrogância de um american way of thinking que vem todo tingido com cores fascistas pois reduz vastas porções da humanidade àquilo que Naomi Klein chamou de “zonas de sacrifício” (como o Afeganistão, a Síria, a Palestina…). O Sonho Americano – aquele engodo que, segundo o humorista George Carlin, só compram e só acreditam aqueles que estão dormindo… – gerou o monstro destes líderes que se dizem os artífices do Bem absoluto e da Vontade de Deus sobre a Terra, quando na real só cometem mega-carnificinas em prol de petróleo e lucros, enquanto tratam irmãos em vida e humanidade como se pertencessem a uma zona de matabilidade livre semelhante aos videogames à la Doom Counter Strike.

Eduardo Carli de Moraes


A ÁLGEBRA DA JUSTIÇA INFINITA
ou DEMOCRACIA IMPERIAL: COMPRE UMA, LEVE A OUTRA DE GRAÇA

por Arundathi Roy

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“For strategic, military and economic reasons, it is vital for the US government to persuade the American public that America’s commitment to freedom and democracy and the American Way of Life is under attack. In the current atmosphere of grief, outrage and anger, it’s an easy notion to peddle. However, if that were true, it’s reasonable to wonder why the symbols of America’s economic and military dominance—the World Trade Center and the Pentagon—were chosen as the targets of the attacks. Why not the Statue of Liberty? Could it be that the stygian anger that led to the attacks has its taproot not in American freedom and democracy, but in the US government’s record of commitment and support to exactly the opposite things—to military and economic terrorism, insurgency, military dictatorship, religious bigotry and unimaginable genocide (outside America)?” (ARUNDHATI ROY,  “The Algebra Of Infinite Justice”, 08 de Outubro de 2001)

“When the United States invaded Iraq, a New York Times/CBS News survey estimated that 42 percent of the American public believed that Saddam Hussein was directly responsible for the September 11th attacks on the World Trade Center and the Pentagon. And an ABC News poll said that 55 percent of Americans believed that Saddam Hussein directly supported Al Qaida. None of this opinion is based on evidence (because there isn’t any). All of it is based on insinuation, auto-suggestion, and outright lies circulated by the U.S. corporate media, otherwise known as the “Free Press,” that hollow pillar on which contemporary American democracy rests.

Public support in the U.S. for the war against Iraq was founded on a multi-tiered edifice of falsehood and deceit, coordinated by the U.S. government and faithfully amplified by the corporate media.

mass deceptionApart from the invented links between Iraq and Al Qaida, we had the manufactured frenzy about Iraq’s Weapons of Mass Destruction. George Bush the Lesser went to the extent of saying it would be “suicidal” for the U.S. not to attack Iraq. We once again witnessed the paranoia that a starved, bombed, besieged country was about to annihilate almighty America. (Iraq was only the latest in a succession of countries – earlier there was Cuba, Nicaragua, Libya, Grenada, and Panama.) But this time it wasn’t just your ordinary brand of friendly neighborhood frenzy. It was Frenzy with a Purpose. It ushered in an old doctrine in a new bottle: the Doctrine of Pre-emptive Strike, a.k.a. The United States Can Do Whatever The Hell It Wants, And That’s Official.

The war against Iraq has been fought and won and no Weapons of Mass Destruction have been found. Not even a little one. Perhaps they’ll have to be planted before they’re discovered. And then, the more troublesome amongst us will need an explanation for why Saddam Hussein didn’t use them when his country was being invaded.

Of course, there’ll be no answers. True Believers will make do with those fuzzy TV reports about the discovery of a few barrels of banned chemicals in an old shed.

In stark contrast to the venality displayed by their governments, on the 15th of February, weeks before the invasion, in the most spectacular display of public morality the world has ever seen, more than 10 million people marched against the war on 5 continents. Many of you, I’m sure, were among them. They – we – were disregarded with utter disdain. When asked to react to the anti-war demonstrations, President Bush said, “It’s like deciding, well, I’m going to decide policy based upon a focus group. The role of a leader is to decide policy based upon the security, in this case the security of the people.”Democracy, the modern world’s holy cow, is in crisis. And the crisis is a profound one. Every kind of outrage is being committed in the name of democracy. It has become little more than a hollow word, a pretty shell, emptied of all content or meaning. It can be whatever you want it to be. Democracy is the Free World’s whore, willing to dress up, dress down, willing to satisfy a whole range of taste, available to be used and abused at will.

Until quite recently, right up to the 1980’s, democracy did seem as though it might actually succeed in delivering a degree of real social justice.

But modern democracies have been around for long enough for neo-liberal capitalists to learn how to subvert them. They have mastered the technique of infiltrating the instruments of democracy – the “independent” judiciary, the “free” press, the parliament – and molding them to their purpose. The project of corporate globalization has cracked the code. Free elections, a free press, and an independent judiciary mean little when the free market has reduced them to commodities on sale to the highest bidder.”  (ARUNDHATI ROY, Imperial Democracy)

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CONVOQUE SEU BUDA, O CLIMA TÁ TENSO! [acasadevidro.com]

por Eduardo Carli de Moraes @ A Casa de Vidro.com

Após os 3 recentes atentados terroristas que deixaram um rastro de sangue e destruição em Beirute no Líbano (mais de 40 mortos e 200 feridos), em Paris na França (mais de 140 mortos em 5 atentados coordenados) e no avião russo derrubado no Egito (224 passageiros a bordo e nenhum sobrevivente) – o Wikileaks acirra a polêmica ao sugerir que o ISIS só virou esse mega-monstro, esse “bicho de 700 cabeças”, que já domina boa parte do território da Iraque e da Síria, pois foi “alimentado” pelas ações desastrosas das potências capitalistas e neo-imperiais, em especial EUA, Inglaterra e França.

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Nada que Noam Chomsky não esteja nos ensinando há muito tempo também: explicando as raízes do ISIS, Chomsky sustenta que a invasão do Iraque em 2003 foi o crime mais terrível deste milênio. Além disso, diz que a maior campanha terrorista em curso no mundo de hoje são os atentados com drones (aviões não-tripulados) perpetrados pelos EUA e seus aliados. De fato, a invasão do Iraque foi justificada com base em uma acusação de que o regime de S. Hussein possuiria armas de destruição em massa e bombas atômicas, que nunca foram encontradas; foi baseada na doutrina da “guerra preventiva”, uma aberração ética; além disso, mais de 35 milhões de pessoas protestaram contra ela em 2003 e a ONU considerou a invasão como ilegal; ainda assim, Bush prosseguiu com a invasão bélica e a derrubada do regime, o que é apontado como a raiz para guerras civis terríveis e para a ascensão do Estado Islâmico; resultaram disso mais de 1 milhão de mortos no Iraque e uma grave crise de refugiados… Segundo a Wikipedia:

“Entre 3 de Janeiro e 12 de Abril de 2003, 36 milhões de pessoas em todo o mundo tomaram parte em quase 3000 protestos contra a guerra do Iraque, sendo as manifestações de 15 de Fevereiro as maiores e mais ativas. Houve também sérias questões legais que rodearam a condução da guerra no Iraque e a doutrina Bush da “guerra preventiva”. A 16 de Setembro de 2004, Kofi Annan, Secretário Geral da ONU, disse sobre a invasão: “Indiquei que não foi em conformidade com a Carta das Nações Unidas. Do nosso ponto de vista, [a invasão do Iraque] foi ilegal.”

A “Guerra Contra O Terror”, enfim, revela mais uma vez seu fracasso e sua insanidade. O ISIS é “filho” (bastardo e não reconhecido, é claro…) de uma geopolítica desastrosa praticada pelos países capitalistas hegemônicos. Por isso tendo a concordar bem mais com a posição polêmica de Julian Assange e do Wikileaks, ou seja, com uma análise geopolítica de teor Chomskysta, do que com aqueles que, na esteira de um maniqueísmo simplista e redutor, pintam auréolas de santidade sobre os pobres e inocentes países ocidentais, que (supostamente) são vitimados pela fúria assassina de terroristas diabólicos e sub-humanos. A islamofobia de hoje não é lá muito diferente do racismo dos Klu Klux Klans de outrora…

Acho que o Wikileaks está mais bem-informado do que aqueles que ficam chocados com esta afirmação da “culpa” gigantesca de Washington, London e Paris na constituição do Estado Islâmico e seu séquito de horrores e terrores… Em seu texto de 2014, publicado pelo Wikileaks, De Pol Pot ao ISIS, o jornalista e documentarista John Pilger compara a emergência do Estado Islâmico (ISIS) com a ascensão do Khmer Rouge de Pol-Pot no Camboja e argumenta que ambos são “progênie” e “produto” dos Apocalipses causados pelas potências ocidentais, praticantes notórias do Terrorismo de Estado em vasta escala.

shock_doctrine_xlgNós, latino-americanos, mesmo aqueles que não leram Galeano, temos uma boa noção prática recorrente dos EUA de Intervenção Violenta em Prol da Neoliberalização Forçada de Economias (como foi no Brasil em 1964, no Chile em 1973, etc..) e que Naomi Klein analisou com tanto brilhantismo no seu livro e documentário “Doutrina do Choque”.

Não é preciso ter devorado a obra monumental de Noam Chomsky ou os geniais livros de Arundhati Roy pra ter uma idéia clara de que os EUA e seus aliados, impunemente e sem grandes remorsos de consciência, praticaram nas últimas décadas uma série de intervenções militares e golpes de estado, de cunho imperialista e de consequências genocidas, que plantaram as sementes, regadas com sangue, para a radicalização das guerrilhas terroristas islâmicas que hoje literalmente “tocam o terror”, mundo afora…

A questão que não se coloca é: as violações dos direitos humanos são imputáveis somente aos demonizados jihadistas? Ou a violação dos direitos humanos também é uma prática cotidiana e recorrente justamente daqueles que usam a retórica dos direitos humanos e da democracia para justificarem suas “guerras preventivas” e suas “limpezas étnicas por uma boa causa”?

Por exemplo: o atentado do 11 de Setembro matou cerca de 3.000 civis em New York, mas os Talebans, no Afeganistão, haviam sido amicíssimos dos EUA durante a Guerra Fria, em especial a partir de 1979, quando Bin Laden e a Al Qaeda, com toda a sua corja de fanáticos teocráticos, receberam todo o apoio, em capital e armamentos, de seus amiguinhos norte-americanos, para que lutassem contra a União Soviética, que invadiu o país naquele ano… Que curioso: o EUA nunca teve pudores em financiar o fanatismo islâmico e de fazer acordos com as tiranias sauditas sempre que isso servia a seus interesses comerciais e geopolíticos…

Já passou da hora de percebermos que o ultra-capitalismo neoliberal, que esta Shock Doctrine militarista-bélica, é responsável por um bocado de Apocalypses Now – perguntem à Indonésia, ao Vietnã, ao Camboja! – mundo afora. Criminosos de guerra como George W. Bush ou como Benjamin Netanyahu, mandantes de genocídios,  agem com um grau de fanatismo, racismo e desprezo por outros povos que é sim comparável ao dos fanáticos e “xiitas” e “comunistas sanguinários” – como o Khmer Rouge e o ISIS – que enxergam como seus inimigos mortais. Essa é a guerra do errado contra o errado; é o imundo xingando o mau-lavado…

Guerra contra o Terror

Com o perdão desta matematização da tragédia, sempre não-matematizável, é preciso dizer: as vítimas do atentado em NYC e em Paris são em número muito pequeno em comparação com as vítimas civis da Guerra Contra o Terror, que deixou um total estimado de 700.000 mortos no Afeganistão e no Iraque (há quem estime os que perderam a vida nos conflitos em mais de um milhão de pessoas…). Esta última guerra, aliás, foi justificada com a mentira deslavada das bombas atômicas de Saddam, que nunca foram descobertas; em 2003, os EUA cagou em cima da ONU e foi à guerra mesmo sem autorização; a mobilização nas ruas, globalmente, deve ter juntado umas 15 milhões de vozes protestando contra a invasão do Iraque; de nada adiantou, o texano machão sinonimizou Bush com Deus e acreditou-se com mandato divino para uma blitzkrieg devastadora. Foi uma guerra obviamente motivada mais por intere$$es petrolífero$, por ganância de controle territorial, do que por uma Cruzada do Bem Contra o Eixo do Mal…

Parece-me que as potências ocidentais, fiéis servidoras dos interesses corporativos e petrolíferos, os mesmos que estão arrastando o planeta à hecatombe climática e aos cataclismos sócio-ambientais, vem praticando e acarretando, com seus apocalipses aéreos, suas chuvas de mísseis, seus ataques com drones, sua tara pelos lucros armamentistas e da indústria de seguranças e de mercenários, tem propiciado a eclosão de guerras civis cruéis, como esta que se prolonga na Síria nos últimos anos. Essas invasões e guerras civis – os conflitos que são subproduto da desastrada “intervenção militar” das “Democracias Ocidentais” –  são responsáveis diretas por estarmos vivendo a pior crise de refugiados desde a 2ª Guerra Mundial…

FILE - In this Sept. 2, 2015 file photo, a paramilitary police officer investigates the scene before carrying the lifeless body of Aylan Kurdi, 3, after a number of migrants died and others were reported missing when boats carrying them to the Greek island of Kos capsized near the Turkish resort of Bodrum. The tides also washed up the bodies of the boy's 5-year-old brother Ghalib and their mother Rehan on Turkey's Bodrum peninsula. Their father, Abdullah, survived the tragedy. (AP Photo/DHA, File) TURKEY OUT

In this Sept. 2, 2015 photo, a paramilitary police officer investigates the scene before carrying the lifeless body of Aylan Kurdi, 3, after a number of migrants died and others were reported missing when boats carrying them to the Greek island of Kos capsized near the Turkish resort of Bodrum. The tides also washed up the bodies of the boy’s 5-year-old brother Ghalib and their mother Rehan on Turkey’s Bodrum peninsula. Their father, Abdullah, survived the tragedy. (AP Photo/DHA, File) TURKEY OUT

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A radicalização islâmica – com milhares de novos aliciados para a jihad, incluindo jovens que fazem fila pelo privilégio de serem homens-bomba – tem certamente relação também com os genocídios estatais praticados por Israel contra a Palestina, com a cumplicidade e o apoio de muitas potências ocidentais, que vertem lágrimas de luto (crocodilescas!) por franceses mortos nos atentados em Paris, mas aplaudem (ou ao menos fingem não ver!) quando Netanyahu e sua corja de sionistas-fascistas estraçalham os corpos vivos de mais de 500 crianças palestinas, como fizeram recentemente, certos da impunidade que rege os atos horrendos dos Peixes Grandes do Poderio Global…

Como não conectar a radicalização do terrorismo islâmico contra as potências ocidentais desconsiderando que o estado sionista de Israel possa permanecer impune, com a cumplicidade dos EUA e seus aliados, diante de megacrimes como aqueles cometidos no ano passado, inclusive a morte de mais de 400 crianças palestinas e o bombardeio de escolas, hospitais, refúgios da ONU e estações de energia elétrica? Quem ousa desenhar auréolas de santidade sobre o “Ocidente”, que fica de baixos cruzados diante do genocídio praticado por Israel na Palestina e pratica o intervencionismo bélico nos países árabes?

Agência Brasil: “Mais de 400 crianças morreram e 2,5 mil ficaram feridas nos bombardeios do Exército israelense em Gaza, indicou hoje o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que calcula que 370 mil menores precisam urgentemente de ajuda psicológica para ultrapassar esta situação traumática.”

Israel Terror

Vale lembrar que a França, na gestão do presidente François Hollande, em 2014, PROIBIU OS PROTESTOS PRÓ-PALESTINA no país e soltou as tropas de choque pra cima de quem ousou manifestar-se, a despeito da proibição, como reportado pela BBC:

“Cerca de 3 mil pessoas participaram do protesto em Barbès, bairro de população majoritariamente árabe na capital francesa. A passeata havia sido proibida pelas autoridades, mas organizadores do evento ignoraram o veto. Manifestantes seguravam cartazes e gritavam a todo tempo palavras de ordem contra Israel, como “Israel assassino, Hollande (presidente da França) cúmplice”. Pouco tempo depois do início do protesto, houve confronto com a polícia. Os manifestantes queimaram carros, pneus, latas de lixo e duas bandeiras de Israel. Também lançaram pedras e até pedaços de asfalto arrancados da calçada contra os policiais, que responderam com bombas de gás lacrimogênio. Segundo a polícia, 33 manifestantes foram presos até agora…”

a Opera Mundi coloca ao presidente francês outra questão espinhosa: “Contradições de Hollande: é possível combater o terrorismo e vender armas à Arábia Saudita ao mesmo tempo?”

Suspeita-se também que a casa-de-shows Bataclan de Parris tenha sido alvo dos jihadistas por ser considerada pró-Israel, ter donos judeus e ter inclusive apoiado eventos e “fund raisers” para a causa sionista. Militantes jihadistas da causa Palestina, em protesto contra a ocupação militar e os genocídios periódicos perpetrados pelo Estado de Israel, ameaçam um atentado contra o Bataclan desde 2009. A banda Eagles of Death Metal, que tocava na ocasião, apresentou-se em Tel Aviv em sua última turnê e ali seu vocalista protagonizou uma polêmica com Roger Waters, do Pink Floyd, ao xingá-lo e dizer que jamais boicotaria Israel. (Saiba mais sobre o caso: Le Point, Jihad Watch, Breitbart)

A child in Bangladesh protests Israeli attack on Gaza, July 2014Suspeito e temo que a barbárie tem muito futuro pela frente. A banalidade do mal seguirá na crista da onda. Na França, é de se esperar que o fascismo dos Le Pen deverá ganhar ainda mais adeptos, e não duvido muito que o país, ironicamente, depois de ter sido ocupado pela Alemanha nazista durante a 2ª Guerra, torne-se um dos países europeus com um dos sistemas políticos mais hackeados e dominados pela direita fascista, islamofóbica e xenófoba, militarista e ultra-capitalista, que fará muito mais do que proibir o uso de burcas nas escolas… Entre totalitarismo e terrorismo, ou viraremos todos carne moída, ou teremos que achar um meio de dizermos não a ambos, inventando com urgência um “sim” a outro mundo possível. Mas qual? E como?…

(E.C.M., Goiânia, 14 e 15 de Novembro de 2015)

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Na sequências, três artigos esclarecedores de BRENO ALTMAN e JOHN PILGER, além de uma resenha das idéias de NOAM CHOMSKY:

I) BRENO ALTMAN @ OPERAMUNDI

“A crescente violência entre os povos muçulmanos, muitas vezes banhada pelo desespero e a loucura social, somente pode ser explicada pela ação permanente de rapina das potências ocidentais.

A origem da dor dos franceses não está no islamismo, mas nos Estados dominados pela vertente imperialista da cultura cristã, onde nasceu o colonialismo como sistema afrontoso à autodeterminação dos povos.

O colapso da União Soviética, no final dos anos oitenta, levou os Estados Unidos à conclusão de que poderia desfechar ampla ofensiva pelo controle do Oriente Médio e suas riquezas petroleiras.

Esta estratégia, ao menos até 2001, estava determinada pela construção de uma nova aliança com governos árabes, protegendo os interesses de Israel e isolando lideranças indispostas à hegemonia da Casa Branca.

Não havia espaço, em tal configuração, para movimentos islâmicos que tinham sido estimulados para enfrentar os soviéticos no Afeganistão, pois eram profundas suas contradições com as forças que governavam os principais países de maioria muçulmana.

Estes grupos rapidamente se deslocaram para uma narrativa antiocidental e religiosa, pela qual alinhavam sua identidade com os setores populares, em confronto com a coalizão formada pelos Estados Unidos, as elites locais e o Estado sionista.

Neste caldo de cultura nasceu a Al Qaeda de Bin Laden e outras organizações jihadistas.

A derrubada das torres nova-iorquinas, no entanto, mudou o cenário.

O comando norte-americano trocou a orientação aliancista por fórmula abertamente intervencionista, ao invadir Afeganistão e Iraque, impondo governos títeres e ampliando sua participação direta na região.

Ataques contra população civil, atropelos de direitos humanos e desrespeitos a garantias legais foram se multiplicando em escalada, como parte da chamada guerra ao terror.

Mesmo enfrentando problemas, com idas e vindas, a estratégia seguiu seu curso, buscando levar, à direção dos Estados árabes, frações políticas e econômicas visceralmente alinhadas ao ocidente.

Sem mexer um dedo para desmontar o apartheid sionista e solucionar a questão palestina, a Casa Branca e seus parceiros foram submetendo o mundo muçulmano, do Egito ao Irã, a operações de cerco e asfixia.

O ápice desta orientação veio com a derrubada de Muammar Al-Gaddafi, na Líbia, e o encurralamento do governo de Bashar al-Assad, da Síria.

O papel da França, nestas operações, liderada por conservadores ou sociais-democratas, foi decisivo.

Ao lado dos Estados Unidos e outros países, alimentou vasta fauna de falanges oposicionistas, com recursos financeiros e militares, entre estas o Estado Islâmico.

Cada uma das potências buscava, na medida das possibilidades, alargar seu domínio sobre territórios de formidável riqueza ou enclaves fundamentais para o controle geopolítico.

Ao perderem o poder sobre suas criaturas, empoderadas para representar seus próprios interesses, foram surpreendidos pela necessidade de combate-las antes que levassem à desestabilização da presença ocidental no Oriente Médio.

Os jacarés criados no tanque da política neocolonial tinham crescido e ameaçavam comer a mão dos antigos donos.

O presidente francês agora chora pelos mortos e promete mais uma guerra implacável contra o jihadismo.

Pura hipocrisia.

Enquanto seu governo e a União Europeia estiverem capturados pela velha lógica imperialista, depois de uma Al Qaeda sempre virá um Estado Islâmico, que será sucedido por alguma expressão ainda mais descontrolada e selvagem de violência anticolonial.

As lágrimas de Hollande são de crocodilo.

Aproveita o sangue vertido em solo francês para aprofundar a mesma política de usurpação que levou à tragédia atual.”

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JOHN PILGER @ WIKILEAKS

Pilger The rise to power of Pol Pot and his Khmer Roug had much in common with today’s Islamic State in Iraq and Syria (ISIS). They, too, were ruthless medievalists who began as a small sect. They, too, were the product of an American-made apocalypse, this time in Asia.

According to Pol Pot, his movement had consisted of “fewer than 5,000 poorly armed guerrillas uncertain about their strategy, tactics, loyalty and leaders”. Once Nixon’s and Kissinger’s B52 bombers had gone to work as part of “Operation Menu”, the west’s ultimate demon could not believe his luck.

The Americans dropped the equivalent of five Hiroshimas on rural Cambodia during 1969-73. They levelled village after village, returning to bomb the rubble and corpses. The craters left monstrous necklaces of carnage, still visible from the air. The terror was unimaginable. A former Khmer Rouge official described how the survivors “froze up and they would wander around mute for three or four days. Terrified and half-crazy, the people were ready to believe what they were told… That was what made it so easy for the Khmer Rouge to win the people over.”

A Finnish Government Commission of Enquiry estimated that 600,000 Cambodians died in the ensuing civil war and described the bombing as the “first stage in a decade of genocide”. What Nixon and Kissinger began, Pol Pot, their beneficiary, completed. Under their bombs, the Khmer Rouge grew to a formidable army of 200,000.

ISIS has a similar past and present. By most scholarly measure, Bush and Blair’s invasion of Iraq in 2003 led to the deaths of some 700,000 people – in a country that had no history of jihadism. The Kurds had done territorial and political deals; Sunni and Shia had class and sectarian differences, but they were at peace; intermarriage was common. Three years before the invasion, I drove the length of Iraq without fear. On the way I met people proud, above all, to be Iraqis, the heirs of a civilization that seemed, for them, a presence.

Bush and Blair blew all this to bits. Iraq is now a nest of jihadism. Al-Qaeda – like Pol Pot’s “jihadists” – seized the opportunity provided by the onslaught of Shock and Awe and the civil war that followed. “Rebel” Syria offered even greater rewards, with CIA and Gulf state ratlines of weapons, logistics and money running through Turkey. (…)

ISIS is the progeny of those in Washington and London who, in destroying Iraq as both a state and a society, conspired to commit an epic crime against humanity. WikiLeaks cables show that the US has been tracking, and exploiting, the rise of ISIS since 2006, when the organisation first appeared in Iraq as a direct result of the Bush-Blair invasion. Like Pol Pot and the Khmer Rouge, ISIS are the mutations of a western state terror dispensed by a venal imperial elite undeterred by the consequences of actions taken at great remove in distance and culture. Their culpability is unmentionable in “our” societies.

(…) More than 40 years ago, the Nixon-Kissinger bombing of Cambodia unleashed a torrent of suffering from which that country has never recovered. The same is true of the Blair-Bush crime in Iraq. With impeccable timing, Henry Kissinger’s latest self-serving tome has just been released with its satirical title, “World Order”. In one fawning review, Kissinger is described as a “key shaper of a world order that remained stable for a quarter of a century”. Tell that to the people of Cambodia, Vietnam, Laos, Chile, East Timor and all the other victims of his “statecraft”. Only when “we” recognise the war criminals in our midst will the blood begin to dry.

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About Noam Chomsky’s Media Control

Since 9/11, the US government has fed Americans propaganda that portrays Muslims as “boogeymen,” a term used to create “wartime hysteria,” as Chomsky calls it. Images and videos of beheadings and other extreme acts of violence by the Islamic State, in particular, are used to “elicit jingoist fanaticism.” In reaction, American citizens behave as “spectators,” who sit back and watch these events unfold without questioning their validity.

Chomsky’s thesis builds off the idea that the US government manufactures consent by using propaganda as a tool to control the public mind. According to him, the enemies of America are painted as “disruptive and causing trouble and breaking harmony and violating Americanism.” This propaganda has portrayed Muslims as barbaric and Islamic political entities as terrorist groups.

The Islamic State, for example, is characterized in the media as a cancerous cell about to inflict a deadly disease on humanity. If it is not dealt with immediately, the Middle East will be beyond saving; therefore, we must act now to crush the enemy.

“Terrorism” is the most important tool used in the US government’s propaganda machine. Terror has been drilled into our imaginations on a daily basis since 9/11. Terrorism in the American context is always “Islamic,” meaning that terrorism only occurs when a Muslim or Muslim group is involved in the act. Acts of terror carried out by non-Muslims are either completely ignored, or manufactured as simply violence by “crazy” people.

As Chomsky discusses in his chapter on “Engineering Opinion,” American propaganda wants to “whip up the population in support of foreign adventures.” The American state spreads “information” in order to elicit some pretext for a planned invasion or military campaign. This tactic was evidenced in the summer of 2014, when the Islamic State popped out of nowhere and released videos of American journalists being beheaded. Media and politicians told us that this “monster” – the Islamic State – had to be dealt with, or else “radical Muslims” would dominate the Middle East. As Chomsky notes, this “monster” is more of a government-created problem than a real threat. The barbarism displayed by Islamic State in the videos laid the groundwork for US airstrikes and eventually American troop deployment to Iraq, and possibly beyond.

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NO VIDEODROME

Vídeo da Vice News, legendado em português, revela que o Estado Islâmico é consequência direta da desastrosa e estúpida intervenção dos EUA e aliados no Afeganistão, Iraque e Síria:

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Capítulo final da série de Oliver Stone que conta a História dos EUA que não querem que saibamos…

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E, na sequência, talvez a melhor fala sobre geopolítica contemporânea que eu conheço,
a brilhante escritora e ativista indiana Arundhati Roy:

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Elucidativa entrevista com o prof. Bruno Lima Rocha esclarece sobre o Estado Islâmico.

Para quem quer saber, recomenda-se o recente “A origem do estado islâmico” do jornalista Patrick Cockburn. Tem em português, pela Editora Autonomia Literária.

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LEIA TAMBÉM AS ANÁLISES DE TARIQ ALI, JUDITH BUTLER

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Outra pergunta que não quer calar é: como será a repressão policial às manifestações populares durante a COP21 – evento das Nações Unidas que debaterá a crise climática e onde espera-se a presença de mais de 100 chefes-de-Estado – na Paris bouleversée após os atentados? A “Guerra Contra O Terror” servirá também como pretexto para que as Tropas de Choque possam calar, com gás lacrimogêneo e aprisionamento em massa, aqueles que pretendem tomar as ruas da capital francesa para exigir medidas imediatas para frear o aquecimento global e a hecatombe sócio-ambiental? Um artigo interessante publicado na ROAR MAG explora o teor das reivindicações que estarão nas ruas e aos brados em breve nas ruas de Paris – que vão, podem esperar, pegar fogo… “Convoque seu Buda”, recomendou o Criolo, que o “clima tá tenso!”

Marche

“We know how it all started — colonialism was the original metabolic rift in our history, which has been profoundly extended and deepened by industrial capitalism. Yet as we enter the 6th mass extinction, there is an ambient sense that there is no alternative to this way of life.

We collectively hallucinate that the present order of things will persist indefinitely, silently abiding the comfort and enslavement this disposition provides, all the while waiting for the apocalypse we are living through to blossom fully.

Many have been waiting for the totalizing revolution that appears as a vanishing point on a receding horizon, a perpetually deferred future. The intersecting ecological and climate crises stand as a refutation of more than a hundred years of left-wing teleology that ‘in the end we will win.’ Instead they reinforce the need for constant molecular struggles to open and expand cracks for resistance and new forms of life to flourish.

World governments acknowledge that catastrophic climate change is the defining crisis of our times, and simultaneously fossil fuel corporations continue to benefit from subsidies of $5.3 trillion in 2015, according to the IMF. This is more than all governments spend on health care combined and amounts to an astonishing $10 million every minute.

We have reached a point where we need to keep 80% of fossil fuels in the ground, which would require emission reductions of at least 10% per year by 2025…”

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MATANÇA SEM FIM: a “Guerra Contra O Terror” já matou mais de 1 milhão e 300 mil pessoas (Assista a reportagem do Democracy Now!)

War On Terror

As the United States begins bombing the Iraqi city of Tikrit and again delays a withdrawal from Afghanistan, a new report has found that the Iraq War has killed about one million people. The Nobel Prize-winning International Physicians for the Prevention of Nuclear War and other groups examined the toll from the so-called war on terror in three countries — Iraq, Afghanistan and Pakistan. The investigators found “the war has, directly or indirectly, killed around one million people in Iraq, 220,000 in Afghanistan and 80,000 in Pakistan. Not included in this figure are further war zones such as Yemen. The figure is approximately 10 times greater than that of which the public, experts and decision makers are aware. And this is only a conservative estimate. The true tally, they add, could be more than two million.” – WATCH AT DEMOCRACY NOW

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Say it, Woody!

Woody