O CINEMA COMO HINO A GAIA: Terrence Malick e “A Viagem do Tempo: Jornada da Vida” (2016, 90 min)

Quando lançou o divisor-de-águas em sua filmografia, “A Árvore da Vida”, de 2011, Terence Malick era um artista bastante“recluso”, que só saía de seu silêncio raramente: havia realizado apenas quatro longas-metragens no período entre 1973 e 2010: “Badlands: Terra de Ninguém” (1973), “Days of Heaven: Cinzas no Paraíso” (1978), “Além da Linha Vermelha” (1998) e “O Novo Mundo” (2005). Depois de “A Árvore da Vida”, ele começou a fase mais fértil de sua carreira, com três longas-metragens de ficção lançados entre 2012 e 2017: “Amor Pleno” (2012), “Cavaleiro de Copas” (2015), “De Canção em Canção” (2017).

Após a consagração no Festival de Cannes, onde “A Árvore da Vida” papou a Palma De Ouro, o cinema de Terrence Malick também se aventurou por uma estranha espécie de “documentário cosmológico”, falando sobre a vida em sua jornada no tempo. Este grande cineasta embarcou numa viagem estética personalíssima e inimitável, que divide opiniões e que o torna uma figura a um só tempo cultuada e defenestrada. Seus filmes de ficção mais recentes são acusados por seus detratores de formalismo vazio, de viagens sem nexo, de virtuosismo fílmico gratuito… E decerto que há muitos argumentos punk, a lançar como molotovs, contra um cineasta cada vez prog. É o King Crimson ou o Pink Floyd do cinema, tomando pedrada dos fãs de um cinema mais The Clash ou Ramones.

Um filme como “Voyage of Time: Life’s Journey” (2016) prova que ele é sim um criador cinematográfico relevante, alguém cuja obra traz a marca de uma certa originalidade que impressiona por sua capacidade de abandonar os cânones do cinema comercial, investindo em algo altamente idiossincrático e às vezes abertamente anti-mercadológico. O cineasta nos leva a uma jornada cósmica deslumbrante, repleta de imagens que impressionam por sua beleza, por sua estranheza, por sua bizarrice, por seu esplendor. Imagens que nos deixam sem palavras diante de um inefável banquete para nossa sensibilidade. Ao assisti-lo, fica evidente que Malick é um dos principais artistas que está propondo novos horizontes às poéticas visuais na arte contemporânea.

A voz serena e cadenciada de Cate Blanchett narra este filme incatalogável, que não conseguimos encaixar na díade de categorias prontas “ficção” ou “documentário”. Eu o chamaria de filme-poema, mas ele é também uma espécie de tratado científico, de especulação filosófica, de convite ao misticismo… É uma obra pra ser contemplada com os olhos bem arregalados, com a consciência alerta e desperta, e de preferência com a sensibilidade expandida com algum estupefaciente (em palavras mais simples: THC e LSD combinam muito bem com esse cine-rolê!).

É um filme de ambições estratosféricas e cujo texto pode soar para alguns ouvidos como alguma incompreensível baboseira esotérica trip-hippie, mas que inclui vários momentos de alto lirismo e densa poesia. Malick é, no fundo, uma espécie de filósofo panteísta, dedicando seu épico poema-visual a uma divindade universal, a Grande Mãe do Cosmos, “giver of life, bringer of light”. Ele quer, nada mais, nada menos, do que tentar sugerir os caminhos da Vida pelo Tempo desde os primórdios até hoje em dia. Supernovas, meteoros, dinossauros, crocodilos, hominídeos e mega-cidades todos participam desta sopa cósmica filmada. É embasbacante. Sonda a multiplicidade de formas que a Vida assume em seu ímpeto de recriação constante. Dá-nos vislumbres de pontos distantes do Universo onde nunca estivemos nem estaremos. Mescla a história natural com a história cultural.

É uma obra que pode cair muito bem em aulas de filosofia que busquem ilustrar os pensamentos de Heráclito, de Lucrécio, de Spinoza, de Darwin, de Bergson, dentre outros. Mas Malick jamais cita teorias, jamais abre aspas. Quer que a obra venha marcada por sua singularidade de visão. Só que sua visão de mundo, sua explicação geral sobre a Phýsis, seu tratado cinematográfico sobre Tudo Que Existe, têm vários precedentes históricos não só na história da filosofia e da poesia, mas também no misticismo.

Quem busca filmes que propiciem jornadas místicas, possibilidades de insights sobre o cosmos, ou mesmo fusões transcendentais com o que está para além da jaula do ego, não deve temer lançar-se às águas desta jornada. Em “Voyage of Time”, um artista maduro, que se enxerga como veículo de sabedoria, explora com muita maestria e virtuosismo os maiores mistérios de nossa existência no espaço exíguo de uns 90 minutos de projeção, no caso da versão do filme que assisti (uma versão de 60 minutos, para IMAX, com narração de Brad Pitt, é a opção alternativa).

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É um filme que evoca tanto o “2001: Odisséia Espacial” de Kubrick, baseado em Arthur C. Clarke, quanto a viagem de Carl Sagan em sua série “Cosmos”. Têm precedentes na história do cinema experimental em obras como “Koyaanisqatsi” de Godfrey Reggio, mas ao mesmo tempo nos dá a impressão, em certos momentos, de algo cada vez mais raro diante dos filmes: a sensação de “nunca vi nada parecido com isso antes”.

Algumas vezes Malick já pôde ser comparado por críticos a Kubrick, em especial pelo fato de que ambos tinham como marca a excelência de seu corpo de trabalho e o fato de que espaçavam bastante suas produções. Ao invés de apostarem no modelo produtivista à la Woody Allen – um filme por ano, pelo menos! – tanto Malick quanto Kubrick às vezes ficavam muitos anos sem aparecer no pedaço com novos filmes.

Voyage of Time integra esta filmografia de Malick na década de 2010 como um dos itens mais importantes, que fornece chaves para a compreensão das outras obras. Ele agora faz filmes que visam produzir em nossas consciências alguma espécie de unio mystica, de transe contemplativo.

Essa é uma das críticas possíveis a ele, aliás: ele não convida ao ativismo, à mudança concreta da realidade através da ação coletiva. Não é o cineasta da Arendtiana vita activa. É o cineasta que pode ser visto como aquele que seduz à evasão mística.

Mas quem disse que misticismo é necessariamente sinônimo de alienação e evasão? Ter lido William James – The Varieties of Religious Experience – e Henri Bergson – A Evolução Criadora – me livrou de vez da tentação de juízo tão reducionista. Spinoza, aliás, pode ser lido como conceito místico, e seu Deus sive Natura nada perde com isto de sua potência explicativa e de seus mananciais de motivação ética e existencial.

Malick oferece seu filme ao espectador como alguém que estende um convite para o mergulho pleno nas águas do fluxo universal resplandecente de mistério. Põe fogo em todos os elementos que constituem o Todo, como Heráclito fazia, propondo um cosmos que queima sem nunca se reduzir a cinzas.

Tudo está em um incêndio eterno onde o nascimento jamais irá morrer, por mais que morram os indivíduos. Malick dá expressão fílmica ao tudo flui, ao panta rei, que marca uma das vertentes mais fortes da filosofia pré-socrática, transbordando até nossos dias na contemporaneidade, onde Everything Flows e “tudo que é sólido se desmancha no ar”…

Seu panteísmo dialoga também com o materialismo que, desde a Antiguidade, com Demócrito e Epicuro, propõe que os átomos que tudo constituem são indestrutíveis, de modo que os pequenos tijolos que formam tudo o que há não podem jamais ser nadificados. Panteísmo e materialismo não são tão irreconciliáveis assim, acredito. O materialismo é um panteísmo da matéria eterna como Ser Supremo.

O poeta Malick é econômico nas palavras e endereça seus versos à Vida, à Natureza, à Grande Mãe, seduzindo o espectador a uma espécie de união mística repleta de amorosidade e aceitação. Que haja muita beleza na obra é difícil de negar, mas também acho que esta beatificação cósmica precisa ser problematizada, já que parece conter também uma boa dose de recalque e censura de tudo aquilo que há de horrendo e terrível nesta jornada. Malick fala pouco sobre a extinção de espécies, sobre as eras glaciais, sobre as múltiplas expressões da predação no reino animal, sobre a cadeia alimentar e suas impiedosas comilanças, sobre catástrofes ecológicas e colapsos de equilíbrio sócio-ambiental…

De todo modo, oferece-nos quadros impressionantes do salto que ocorreu dos hominídeos, nus diante das presas na selva e nos desertos primevos, ao Antropoceno das urbes metropolitanas atuais, polvilhadas de luzes eletrônicas, veículos em enxames e comunicações digitais.

Eis um filme que decerto merece ser visto, ou melhor, uma obra na qual vale a pena mergulhar e dentro desse rio fluir a refletir. Mas de preferência para re-emergir no real, após esta sessão de cinema de uniões místicas e insights hippies, com a capacidade crítica ainda intacta. Pois tomar um banho de Mistério e uma overdose de Espanto pode ser benefício, é claro, mas jamais o será pôr pra dormir na cama das consolações agradáveis a indispensável força criadora e transformadora que é a criticidade.

Se o filme corre o risco, em certos momentos, de chafurdar no kitsch, de fazer pregação da Amorosidade Cósmica como panacéia universal, de pintar um retrato demasiado idealizado da Grande Mãe (que Malick não chama nem de Gaia, nem de Pachamama, perdendo também a chance de debater o tema antropológico-político do Matriarcado), no entanto em outros momentos o filme de Malick ascende à uma dimensão trágica, a uma cosmovisão que evoca o Cronos de Goya, o deus-tempo que devora suas crianças. O que evoca também o deus-criança de Heráclito que cria e destrói mundos. De todo modo, a Imensidão é demasiado grande para que possamos enxergá-la a olhos nus e a partir da perspectiva de nossa pequenez. É como diz aquela canção do Bright Eyes (Conor Oberst), “The Big Picture”:

“The picture is far too big to look at, kid!
Your eyes won’t open wide enough!
And you are constantly surrounded
By that swirling stream of what is and what was.”

O filme acaba e, se antes estávamos com a bunda na poltrona de um quarto idiota qualquer, agora estamos no mesmo quarto mas ele está inserido no Cosmo que flui pelo tempo afora em um processo gigantesco, mais do que épico, de devoração e de esplendor. Light and Dark. The moth and the flame. E perdura Tudo na devoração de si mesmo, no incêndio infindável da matéria em interação. A viagem do Tempo é a permanência da impermanência. A mudança é a única constante. As mortes todas fazem parte da perdurante sinfonia da vida. E o cinema às vezes nos agarra pelo pescoço e nos lança, estarrecidos e sem respostas, no meio pulsante da sopa cósmica que integramos. E nos dá, para ajudar a suportar tanto mistério, um hino a Gaia.

“You: too great to see. No end to your birth. Eternal birth. (…) Time: ravaging. Devouring all. What lasts?”

 

Eduardo Carli de Moraes para A Casa de Vidro 

Mais ensaios sobre cinema em Cinephilia Compulsiva

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FILMES RECOMENDADOS DO MESMO DIRETOR:

  • O NOVO MUNDO (The New World) 
  • ALÉM DA LINHA VERMELHA (The Thin Red Line)
  • A ÁRVORE DA VIDA (The Tree of Life)
  • CINZAS NO PARAÍSO (Days of Heaven)
  • BADLANDS  – TERRA DE NINGUÉM

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Saiba mais:

IMDb – http://www.imdb.com/title/tt1945228/

Omelete – https://omelete.uol.com.br/filmes/criticas/voyage-of-time/?key=114716

The Guardian – https://www.theguardian.com/film/2016/sep/06/voyage-of-time-review-terrence-malick-venice-film-festival-2016

Wikipedia – https://en.wikipedia.org/wiki/Voyage_of_Time

Folha de S.Paulo – http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/09/1811165-terrence-malick-decepciona-com-jornada-filosofica-voyage-of-time.shtml

 

FRATURAS NO ARCO-ÍRIS TERRESTRE – UMA REFLEXÃO SOBRE AS “ZONAS DE SACRIFÍCIO”

Broken Rainbow 2

FRATURAS NO ARCO-ÍRIS TERRESTRE

UMA REFLEXÃO SOBRE AS “ZONAS DE SACRIFÍCIO”

 

E.C.M. || A CASA DE VIDRO

Imagino que o homem branco, europeu e pretensamente “civilizado”, quando aportou neste continente que batizaria de América (em homenagem ao branquelo europeu Vespúcio), deve ter aparecido aos habitantes nativos destas terras como um medonho alienígena invasor. Nas páginas de Galeano, Todorov, Clastres ou Viveiros de Castro, dentre outros, podemos compreender a Conquista da América como uma hecatombe de gigantescas proporções. Também no território que viria a ser chamado de “Estados Unidos da América”, os branquelos europeus meteram-se a marchar para o Oeste na certeza de que tinham sido apontados por deus para a dominação daquelas terras e a apropriação de suas riquezas. O documentário Broken Rainbow – vencedor do Oscar da categoria em 1985 – narra-nos os encontros traumáticos entre estes branquelos (greedy bastards!), e os povos originais do continente, em especial os Navajo e os Hopi.

Sem dourar a pílula ou suavizar a história, o filme relata-nos um pouco das dores de parto de um Estado Nacional constituído pelos branquelos no território que haviam invadido e conquistado através de chacinas e deslocamentos forçados. Os Navajo e os Hopi, no século 19, chegaram a ser encerrados em campos de concentração, onde viviam detidos sem nunca terem cometido nenhum crime. O Terceiro Reich alemão, sugere Broken Rainbow em uma de suas cenas mais provocativas, inspirou-se nesta iniciativa yankee ao inventar os campos onde seriam encerrados e dizimados os judeus, vitimados pela máquina de assassínio em massa do regime hitlerista. É: os nazi-fascistas tiveram muito a aprender com as empreitadas anteriores do proto-fascismo anglo-saxão e ibérico, “mestres” das atitudes supremacistas em relação às populações nativas do continente invadido.

Durante a Segunda Guerra, os índios Navajo e Hopi foram empurrados para os campos de batalha ou para as minas de urânio. Ninguém lhes explicou as razões para o mega-conflito entre os imperialismos branquelos europeus, nem ninguém teve a dignidade de alertá-los sobre a radioatividade tóxica do urânio que eles eram forçados a colher (para quê? para que pudesse ser matéria-prima para bombas atômicas!). O mesmo regime que despejou as hecatombes nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki empregou os Navajos como mineradores da morte radioativa em fábricas de munições mortíferas.

A grande infelicidade dos Navajo e dos Hopi está em habitarem uma terra riquíssima em minérios e petróleo. O homem branco julga necessitar a todo custo tomar conta destes recursos naturais, para alimentar suas megalópoles industriais-comerciais. Mega-corporações desejam varrer as pessoas do mapa, como se não passassem de pulgas, para ter acesso ao carvão, ao ouro negro, ao urânio, a tantos outros minérios que o solo contêm. A explosão demográfica dos grandes centros-urbanos norte-americanos fez com que a demanda energética também subisse feito um foguete, de modo que Washington se sentisse no direito de invadir territórios Navajo e Hopi para, por exemplo, roubar carvão a ser queimado nos power plants produtores de eletricidade e poluição às mancheias.

Para extrair os minérios de que precisavam, os branquelos não tiveram pudores de dinamitar certos lugares que, para os Navajo e os Hopi, eram sagrados. “É como demolir a catedral de Saint Peter para roubar seu mármore”, compara o narrador de Broken Rainbow. De fato, o filme mostra bem que, na perspectiva dos Navajos e Hopis, aqueles “empreendedores” branquelos estavam cometendo horríveis sacrilégios. Os branquelos, é claro, consideram titica de galinha as superstições bárbaras de povos não-esclarecidos e selvagens. Procedem com sua exploração: retiram toneladas e toneladas de carvão, urânio, petróleo e gás natural dos territórios indígenas; instalam vastas linhas de transmissão de eletricidade neles; os ares e as águas, outrora puros, enchem-se de gases tóxicos e poluentes cancerígenos.

Em This Changes Everything, Naomi Klein mobiliza o conceito de zonas de sacrifício, territórios que são “eleitos” pelas elites para a exploração predatória destravada, e que se fodam os direitos humanos. Passa-se como um rolo compressor sobre sociedades milenares, que há dezenas de gerações viviam em harmonia com o meio ambiente. Populações inteiras são consideradas sacrificáveis no altar do deus Capital. Os Navajo e os Hopi foram vítimas desta política etnocida, genocida, ecocida, que com autoritarismo fascista quis varrê-los do mapa para então roubar suas terras e suas riquezas naturais.

Apesar de 30 anos terem se passado desde o lançamento de Broken Rainbow, o filme prossegue atualíssimo como emblema da sina que sofrem os povos indígenas globais, seja em Alberta no Canadá – onde a exploração dos tar sands e a construção de pipelines representa gigantesca devastação para muitas tribos das First Nations – seja na Amazônia latino-americana – onde mega-hidreléticas à la Belo Monte também explicitam a mentalidade supremacista deste neodesenvolvimentismo bárbaro que elege zonas de sacrifício em nome do sacrossanto progresso capitalista. Aquele mesmo que empurra a Humanidade para a borda do penhasco e produz o caos climático cada vez mais exacerbado.

O arco-íris prossegue fraturado e não há sinal de que será consertado tão cedo. No desconcerto do mundo, convêm ouvir com atenção as vozes e as vidas daqueles que “podem parecer guardiões do passado, mas são na real os guias para nosso futuro” (Arundhati Roy).

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BROKEN RAINBOW (1985)
Direção: Maria Florio and Victoria Mudd
Vencedor do Oscar de Melhor Documentário
Assista na íntegra:

“1985 documentary film about the government-enforced relocation of thousands of Navajo Native Americans from their ancestral homes in Arizona. The Navajo were relocated to aid mining speculation in a process that began in the 1970s and continues to this day. The film is narrated by Martin Sheen. The title song was written by Laura Nyro.”

A Torre de Babel e os Frutos da Terra

Pieter Bruegel, o Velho (1530-1569)

“Torre de Babel” – de Pieter Bruegel, o Velho (1530-1569)

A TORRE DE BABEL
E OS FRUTOS DA TERRA

Há tempos que eu não me chocava tanto diante do talento incomensurável de um artista quanto ando fazendo diante dos quadros de Pieter Bruegel, “o Velho” (“The Elder”). Uma de suas mais impressionantes criações retrata o mito judaico-cristão da Torre de Babel com uma tridimensionalidade tão perfeita, uma beleza arquitetônica tão estarrecedora, que os olhos ficam encantados de “passear” o olhar pela tela. Mas o que mais me impressiona é o caráter arruinado e caótico da construção que o quadro traz como protagonista, numa perfeita comunicação do fracasso e do desastre deste mítico empreendimento humano.

A Torre de Babel simboliza pra mim muitas coisas além do significado mais “escancarado” que é a discórdia entre os homens, a divisão que ocorre entre eles por causa da diferença de línguas e costumes. É, além disso, o símbolo de uma tentativa humana que fracassou, de um sonho que gorou, de uma esperança que se decepcionou…

Conta-nos o mito de Babel que tentaram os homens erguer uma suntuosa construção que os aproximasse de uma certa divindade que supunham habitar nas regiões celestes. Na versão oficial, com a qual catequisam as criancinhas e que os pregadores propagam de seus púlpitos, foi Jeová quem impediu que o projeto chegasse a bom-termo. Irritado com os homens por quererem estreitar as distâncias entre o sagrado e o humano, este deus teria confundido os idiomas, impossibilitando a comunicação entre os homens, agindo de modo a manter a hierarquia que estabelece um fosso entre o cá-embaixo e o lá-em-cima, entre os reles mortais e o soberano dos céus.

Eis um mito de um deus abscôndio, anti-social, que não quer papo com suas criaturas e deseja se manter como um inacessível e distante juiz das virtudes e pecados de seus rebentos, julgando-os com olhar severo e às vezes punindo-os com hecatombes, bolas-de-fogo e condenações à danação eterna. Desta matéria são feitos os delírios humanos derramados nos livros e nos mitos ditos “sagrados”….

O que mais me interessa no mito é que os homens, neste empreendimento coletivo alucinado de tentar atingir um “contato com a divindade”, não atingiram seu objetivo: não chegaram à Harmonia ou à Comunhão, mas sim à Discórdia e à Calamidade. Por mais alto que se erguesse a torre, nenhuma altura parecia ser jamais suficiente: subiam e subiam, e não trombavam com nada além de vento, atmosfera, vazio. Nenhum deus foi encontrado nesta marcha para cima de uma humanidade ávida por contatos sobrenaturais.

A Torre de Babel não tem um final feliz para as esperanças daqueles que empreenderam a construção: é muito mais um mito que desilude, desengana e põe a fé em maus lençóis. Naquele “experimento empírico” de subir rumo ao divino, a humanidade descobriu-se insatisfeita em seu anseio e, nas palavras de John Lennon, descobrimos “above us only sky”. Ou, nas palavras do astronauta russo Yuri Gagárin, ao chegar ao espaço sideral: “Não vejo deus nenhum aqui em cima…”.

A Torre de Babel mostra o ímpeto religioso levando-nos a empreendimentos absurdos, a imensos desperdícios de energia, em busca de um Papai-do-Céu que fantasiávamos que estava sentado nas nuvens, nos julgando e nos cuidando. Como depois comprovaríamos novamente com nossos aviões e foguetes, o Céu não tem nada de Paraíso: não passa de ar atravessável, espaço vazio, quietude a-linguística, presença muda do que não está aí para satisfazer nossos corações…

Pintura de Bruegel, "Paisagem Com Queda de Ícaro"

Pintura de Bruegel, “Paisagem Com Queda de Ícaro”

Os gregos, com o mito de Ícaro, representaram algo semelhante: o ímpeto alucinado de transcender os limites humanos, que leva Ícaro a tentar alçar vôo rumo ao Sol, acaba sendo severamente punido pelo derretimento de suas asas e sua queda abismal. De certo modo, um dos temas mais recorrentes da mitologia grega, a batalha entre Diké (Justiça) e Húbris (Desmesura), encontra-se também em Ícaro. Ele foi desmesurado em sua ambição de atingir um fim inacessível aos humanos (acercar-se do Sol, abraçar os astros distantes…). Acabou pagando o preço por sua tentativa fracassada de ascender a domínios que não são os seus.

Pode-se ver no quadro de Bruegel o tamanho diminuto da cidade diante deste colosso de pedra que é a Torre de Babel, toda incompleta e imperfeita, imagem e semelhança de seus mortais artesãos. Pequenos como formigas, os trabalhadores da construção, esparramados por todos os lados, não tem a mínima visão de conjunto: é o pintor que a detêm e que põe sua perspectiva privilegiada a serviço de quem se depara com o quadro. Este quadro possibilita a quem o observa ter sua consciência imediatamente amplificada a dimensões amplíssimas. Percebam que o topo da Torre penetra nas nuvens, bem mais envolto em névoa do que os andares inferiores; no entanto, é perto do topo que a feiúra e a incompletude parecem se manifestar com mais força. Quão eloquente!

Ao rés-do-chão, súditos de joelhos se submetem em silêncio a um nobre com cetro de ouro, acompanhado por um séquito de soldados com espadas afiadas.  Se fôssemos Brechtianos e perguntássemos a opinião daqueles trabalhadores sobre a construção em que estão obrigados a trabalhar, talvez muitos expressassem sua discórdia em relação ao projeto, julgando-o absurdo, ineficaz ou mesmo terrivelmente e opressor. É bom lembrar que muitos daqueles que foram obrigados a trabalhar na construção da torre, de modo similar aos escravos que penavam para erguer as pirâmides para os faraós egípcios, foram coagidos pelos poderosos-da-vez a este extenuante labor. Pobres de todos aqueles, História afora, que foram escravizados por homens com a idéia-fixa, maníaca e mirabolante, de “ganhar o Paraíso” ou “subir até Deus” (anseios que, julgo eu, cada dia mais serão tidos como material de reflexão mais para a psiquiatria do que para a teologia…).

Hoje, os arranha-céus que, no mundo capitalista desenvolvido, enxameiam nas metrópoles, e através dos quais algumas empresas e alguns milionários parecem envoltos numa trama sinistra de competitividade babélica, parecem ter esquecido a lição original da Torre, tão magistralmente pintada por Bruegel: não há Deus algum a se encontrar em Cucolândia das Nuvens. E só há hedionda opressão no fato de escravizar milhões a projetos faraônicos de poder teológico-político.

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moinho e cruz

O filme O Moinho e a Cruz foca sua atenção sobre outro quadro impactante e magistral de Bruegel, O Caminho da Calvário. Similar a outro excelente filme dedicado a um grande pintor – Sombras de Goya, de Milos Forman – O Moinho e a Cruz se passa também em um período histórico ainda chafurdado na medievalidade e assombrado pelos morticínios em massa ordenados pela Santa Inquisição, o braço armado da Igreja Católica.

A Inquisição, como todos sabem, era responsável pelo assassinato de pessoas tidas como hereges, descrentes, desviantes, feiticeiras, bruxas, pagãos. Foi um holocausto de milhões que foram acusados de crer nos deuses errados. Queimadas vivas eram as mulheres que preferiam louvar Dionísio a Javeh; aqueles que usassem ervas da mata e cogumelos mágicos em rituais eram decerto merecedores do suplício da roda; sequer supor a inexistência do deus que as autoridades doutorais da Igreja pregavam em seus sermões era o bastante para que a alma do incrédulo fosse prometida ao inferno, que seu caráter fosse declarado malévolo e que toda a violência contra o seu corpo estivesse justificada.

O historiador francês Jules Michelet soube narrar com eloquência inimitável estes horrores em seu livraço A Feiticeira, recomendado para qualquer um interessado em compreender como pôde a História humana chegar a tamanhas carnificinas e a tamanhos perigosos delírios…

“O Caminho do Calvário”

No filme, Bruegel (encarnado por Rutger Hauer, em um de seus melhores papéis desde Blade Runner – Caçador de Andróides) é honrado com uma descrição cinematográfica de seus métodos de trabalho que atinge alturas poéticas de inebriar. Como uma “aranha que constrói sua teia”, ele pretende “capturar” em sua obra toda a riqueza de diversidade humana que enxerga à sua volta. O quadro é pensado como uma representação de um momento da História Humana onde os mais lúcidos dentre os espectadores desejavam fazer parar o moinho do Tempo para que se pudessem consertar os males do mundo.

Pois os males são tão difíceis de remediar e curar justamente pois não cessam de modificar-se, são também eles fluidos e variáveis. O Tempo não pára e é no seio dele que devemos nos aplicar a remediar e vencer aos males que devêm. Cronos em sua fome insaciável não cessa um segundo sequer de mastigar seus filhos: nós, as devoradas criaturas do tempo. E males não faltam na obra de Bruegel e no filme dedicado a nos fazer mergulhar em seu mundo.

Os horrores vivenciados pelas massas daquela época foram espetacularmente retratados por este artista, tão imensamente talentoso que legou à posteridade retratos tão vivazes da desgraça de seu tempo: uma das personagens principais de O Caminho do Calvário é a mãe do condenado, uma velha senhora, com feições de Virgem Maria, mas que é apresentada já na velhice, ferida pelo fardo de uma experiência demasiado incompreensível e dolorosa. Esta figura se assemelha a Maria, mãe de Jesus, mas pintada cerca de 30 anos depois do assassinato de Cristo. Aquela mulher é uma das mais fortes representações de uma fraqueza absolutamente impotente, de uma tristeza profunda diante do rolo compressor das autoridades que estão executando seu filho.

Por que ele está sendo morto, este supliciado de um novo Gólgota? Principalmente pois os rigores dos tiranos da Espanha, nesta época, haviam convertido em rotina o assassinato sistemático de todos aqueles que não considerassem “bons cristãos”. Aqueles que se auto-proclamaram bons cristãos e defensores da verdade absoluta perseguiam, nestes tempos, uma seita que havia nascido no próprio seio do Cristianismo e que havia progressivamente se distinguido dele: a Reforma Protestante de Lutero já agia sobre o ar dos tempos e os defensores da nova seita já eram perseguidos pelos defensores dogmáticos das tradições antigas.

Há em Bruegel muito do zeitgeist que conduziu a horrores como o Massacre da Noite de São Bartolomeu, quando 30.000 huguenotes foram assassinados nas ruas de Paris a mando dos reis católicos, desejosos de calar a voz dos asseclas de Lutero e Calvino pelo método mais bruto conhecido: cortando-lhes as gargantas. Não é o próprio Sermão da Montanha que enuncia: “Se teu olho te escandaliza, arranca-o”?

Esta medicina grotesca, que equivale a de um médico que, para a enxaqueca de seu paciente, receitasse que ele cortasse fora a cabeça, ou de um dentista que só lidasse com cáries através da extração dos dentes, foi posta em prática também pelos piedosos defensores das “verdades sagradas” em relação aos considerados “males da alma”, também conhecidos, na linguagem dos teólogos, como “vícios” e “pecados”.

Aquilo que a Igreja Católica Apostólica Romana define como “pecado”, porém, não é assim compreendido por aqueles que são rotulados de fora como pecadores: quem louva Baco e Pã, cantando pelado pelos bosques, embriagando-se de vinhos e cogumelos, não necessariamente considera-se alguém que merece ser queimado vivo por estar ferindo um dogma eclesiástico ao qual aderem alguns monarcas supersticiosos e seu clero privilegiado…

Um quadro de Bruegel, quando compreendemos o que está por trás daquela imagem, quando conseguimos usar o quadro como uma espécie de janela que podemos atravessar rumo a um outro período histórico, tem a força e o impacto que a leitura de Voltaire ou Michelet oferece ao leitor que se aventura pelos sinistros labirintos da medievalidade.

Ao mesmo tempo, já se respira com mais liberdade em Bruegel o aroma liberador do Renascimento. Estes quadros nos ensinam também sobre o porquê da Revolução Francesa, ou melhor, nos ajudam a compreendem o que a tornou necessária. Era inevitável uma maré da revolta contra os horrores perpetrados num mundo onde vigia o dogma do Direito Divino dos Reis e onde eram correntes as carnificinas sectárias, ordenadas por certas facções religiosas contra inimigos de outras facções (e que conduziram a ciclos intermináveis de violências). Tudo isso já carrega em germe a indignação que daí brotou, a maré de oposição a este mundo babélico.

O Moinho e a Cruz é um dos melhores filmes que já vi sobre as artes plásticas: consegue a proeza de, partindo de um quadro específico, lançar o espectador para uma História repleta de horrores e de ensinamentos. A certo momento, Bruegel assim explica o significado do Moinho que ocupa a posição mais alta do quadro, envolto nas nuvens como o topo da Torre de Babel: “quase todas as representações de Deus o mostram acima das nuvens, olhando para baixo em direção à Terra com expressão de desgosto e desagrado”.

 Todos aqueles que cresceram sob a influência da doutrinação religiosa judaico-cristã conhecem esta figura de uma divindade furibunda, irascível, juiz inexorável dos pecadores, que inclusive inventou o Inferno para torturar pelas eternidades os seus desafetos. Deus é representado como uma figura que expulsa o desobediente às regras, por mais absurdas que as regras sejam. Afinal de contas, Adão e Eva deveriam por acaso obedecer à regra de manterem-se ignorantes? Porque uma Árvore onde se come Conhecimento seria proibida senão por aqueles que reinam através da Ignorância?

 Deus é representado como capaz de genocídios, como os de Sodoma e Gomorra, nos quais se mostrou especialmente homofóbico e genocida. Enfim: acreditam os crentes no monoteísmo que acima das nuvens haveria um Todo Poderoso capaz de fúria e vingança, que observa todos os atos e pensamentos dos homens, julgando-os moralmente para decidir se lhes dá a Beatitude Eterna ou o Suplício Infindo? Bruegel nos pinta este mundo com a voz discordante de quem sabe que tais fés não conduziram, no palco da História, à concórdia universal. É um pintor da luta fratricida e sectária, um retratador de horrores reais, ao invés de um propagandista ou marqueteiro de uma rósea fantasia de Redenção.

Tanto o Moinho no cimo da montanha quanto o topo da Torre de Babel roçam as nuvens mas só encontram ali a solidão.

É debaixo de um céu indiferente, todo éter e espaço transitável, que os seres na Terra penam, lutam, nascem, vivem, morrem. Da antiquíssima e lendária construção da torre que subia aos céus na Babilônia, aos atuais experimentos com arranha-céus, satélites e foguetes, a recorrente descoberta da Humanidade é a da ausência de qualquer Providência Benigna nas nuvens.

Dizem que o ateísmo não é comprovável, mas tenho minhas dúvidas: são milênios de experimentos empíricos feitos para tentar contatar um deus que permaneceu eternamente silente. E silêncio eterno é algo típico dos mortos, ou melhor, dos que não existem.

Talvez haja um deus nos confins do Universo, em alguma galáxia distante, preocupado em gerir a órbita de planetas e a incandescência de sóis de que nem temos ideia? Isso o mistério recobre. Mas o que já descobrimos é que nossos arredores galácticos estão desabitados por ETs e deuses. Apesar de só podermos dizer que não há vivalma nesta minúscula fração das redondezas galácticas que pudemos explorar deste Universo do qual desconhecemos ainda tanto…

Joseph Campbell, em O Poder do Mito, descreve dois modos opostos de se imaginar o início da aventura humana sobre a Terra: 1º) a ideia de que “caímos do céu”, tendo sido jogados aqui de uma “fonte” no alto; ou seja, uma Mão nas Nuvens nos confeccionou e depois nos fez descender ao rés-do-chão terrestre; 2º) a ideia de que emergimos do próprio seio do planeta, filhos de Mãe Gaia, rebentos da Natura Creatrix; o que eu gosto de chamar, usando uma expressão de André Gide, de teoria dos “Frutos da Terra”.

Que a primeira dessas ideias não nos tenha conduzido à concórdia e à harmonia é o que a História oferece provas em profusão. Que a segunda ideia tenha um poder maior de concretizar a fraternização, ainda resta a ser experimentado, tentado, avaliado, mas me parece muito plausível. Venceríamos o tenebroso colosso da Discórdia caso pudéssemos cessar de construir a Torre de Babel rumo a deuses que não existem e enfim nos compreendêssemos como Frutos da Terra, Filhos de Gaia, fios na grande teia terráquea em que a vida tece seu drama?


(Eduardo Carli de Moraes)

Outras obras do Bruegel…
Casamento Camponês
Parabola dos Cegos
Peixão come peixinho
Provérbios Flamengos

The Earth Woman (by Arundhati Roy, in “The God Of Small Things”)

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THE EARTH WOMAN
Arundhati Roy (1961 – )

1“We belong nowhere”, Chako said. “We sail unanchored on troubled seas. We may never be allowed ashore. Our sorrows will never be sad enough. Our joys never happy enough. Our dreams never big enough. Our lives never important enough. To matter.”

Then, to give the twins Estha and Rahel a sense of Historical Perspective, he told them about the Earth Woman. He made them imagine that the earth – 4600 million years old – was a 46-year-old woman. It had taken the whole of the Earth Woman’s life for the earth to become what it was. For the oceans to part. For the mountains to rise. The Earth Woman was 11 years old, Chacko said, when the first single-celled organisms appeared. The first animals, creatures like worms and jellyfish, appeared only when she was 40. She was over 45 – just 8 months ago – when dinosaurs roamed the earth.

“The whole of human civilization as we know it”, Chacko told the twins, “began only 2 hours ago in the Earth Woman’s life.”

It was an awe-inspiring and humbling thought, Chacko said, that the whole of contemporary history, the World War, the War of Dreams, the Man on the Moon, science, literature, philosophy, the pursuit of knowledge – was no more than a blink of the Earth Woman’s eye.

“And we, my dears, everything we are and ever will be are just a twinkle in her eye…”

 ARUNDHATI ROY, The God Of Small Things (1997).

Harper Perennial.
Winner of the Booker Prize 1998.

David Suzuki Ensina

David Suzuki in this interview about facing the reality of climate change and other environmental issues from Moyers & Company.

Gaia no Antropoceno – Bruno Latour em “Uma Antropologia dos Modernos”

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GAIA IN THE ANTHROPOCENE By Bruno Latour

“Geologists are beginning to use the term ANTHROPOCENE to designate the era of Earth’s history that extends from the scientific and industrial revolutions to the present day. These geologists see humanity as a force of the same amplitude as volcanoes or even plate tectonics. It is now before GAIA that we are summoned to appear: Gaia, the odd, doubly composite figure made up of science and mythology, used by certain specialists to designate the Earth that surrounds us and that we surround, the truly global Globe that threatens us even as we threaten it.

If I wanted to dramatize – perhaps overdramatize – the ambiance of my investigative project, I would say that it seeks to register the aftershocks of the MODERNIZATION FRONT just as the confrontation with Gaia appears imminent.

At all events, we shall not cure the Moderns of their attachment to their cherished theme, the modernization front, if we do not offer them an alternate narrative… After all, the Moderns have cities who are often quite beautiful; they are city-dwellers, citizens, they call themselves (and are sometimes called) “civilized”.

Why would we not have the right to propose to them a form of habitation that is more comfortable and convenient and that takes into account both their past and their future – a more sustainable habitat, in a way? Why would they not be at ease there? Why would they wander in the permanent utopia that has for so long made them beings without hearth or home – and has driven them for that very reason to inflict fire and bloodshed on the planet?

After all these years of wandering in the desert, do they have hope of reaching not the Promised Land but Earth itself, quite simply, the only one they have, at once underfoot and all around them, the aptly named Gaia?”

BRUNO LATOUR.
“An Inquiry into Modes of Existence: An Anthropology of the Moderns”
Harvard University Press, 2013. Translated by Catherine Porter.
Download e-book at Library Genesis.
Join: http://www.modesofexistence.org

 

Adam and Eve (Art by Alex Grey)

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The Affects of Capitalism (full lecture)
(If you wanna skip the intro, Latour actually starts speaking at 12 min and 45 seconds.)

“Life Far From Hot Baths” – Simone Weil’s philosophy in connection with Zen Buddhist ethics

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“The true hero, the true subject, the center of the Iliad is force. Force employed by man, force that enslaves man, force before which man’s flesh shrinks away.

To define force – it is that X that turns anybody who is subjected to it into a thing. Exercised to the limit, it turns man into a thing in the most literal sense: it makes a corpse out of him. Somebody was there, and the next minute there is nobody here at all; this is a spectacle the Iliad never wearies of showing us.

 Nearly all the Iliad takes place far from hot baths. Nearly all of human life, then and now, takes place far from hot baths…

Such is the empire of force, as extensive as the empire of nature.”

SIMONE WEIL  (1909-1943),
Iliad: Poem of Force, pgs. 3-4-10.

 

6Simone Weil reads the Iliad as if she is witnessing before her compassionate eyes those occurrences evoked by the poet’s verses: she doesn’t turn her face away, refusing to see, when the horrors of war are depicted in Homer’s blood-soaked pages. The war between Trojans and Greeks offers infinite occasions for us to reflect upon Force – especially in its deathly effects. What results from the battles is always men laying lifeless on the ground, “dearer to the vultures than to their wives”, and Simone Weil stresses that even the greatest heroes – Hector or Achilles – are frequently reduced to things by the enemy’s force. “The bitterness of such a spectacle is offered us absolutely undiluted. No comforting fiction intervenes; no consoling prospect of immortality; and on the hero’s head no washed-out halo of patriotism descends.” (WEIL: p. 4)

If there’s a lot of tragedy in the Iliad – and it surely has, even tough it was written centuries before the Greek tragedians (Aeschylus, Sophocles, Euripides) were born – it’s because force often is employed with tragic effects. It’s clear to me that Simone Weil uses the concept of “force” to denote something she morally condemns, and in such a manner that one might fell she has affinities with Eastern wisdom, especially Buddhist ethics. For example, D. T. Suzuki’s Zen Buddhist philosopy, in which he opposes Power and Love and describes them as hostile to one another. Force/power is imposed upon a subject in order to reduce him to a thing, either by killing him (and thus forcingly throwing him back into the inanimate world), either by violating, humiliating, opressing or harming him in such a way that the person is still alive and breathing, but is no longer an autonomous subject. “A man stands disarmed and naked with a weapon pointing at him; this person becomes a corpse before anybody or anything touches him… still breathing, he is simply matter.” (WEIL: pg. 5)

A difference or imbalance between the forces of two individuals are excellent evidence of the onthological presence of Simone Weil’s force or Suzuki’s power among all that’s human. Trivial examples abound. Someone with a bazooka overpowers someone with a knife. A knifed man forces an unarmed woman into carnal processes she wouldn’t unforcibly agree to. And there are hundreds of movie scenes, especially in westerns and action blockbusters, that tell stories about this battle of forces and powers. But for millenia before cinema was invented human history cointained in its bosom duels, rivalry, competion – and one of the most ancient of literary monuments of the world, Homer, has blood of battle soaked all over his pages. To speak like a Greek, human history is filled with ágon and húbris.

Weil writes about the Iliad being a French woman in the industrial-commercial age, and surely her experience in Renault’s factory, where she went to work in order to experience in the flesh the fate of the proletariat, informs her reading of History as a whole. The factory’s of the 20nd century are a force that dehumanizes and turns subjects into things, Weil dennounced on her writings La Condition Ouvrière, and she can sense a similar process mirrored in  The Iliad.

Iliad

“There are unfortunate creatures who have become things for the rest of their lives. Their days hold no pastimes, no free spaces, no room in them for any impulse of their own. It is not that their life is harder than other men’s nor that they occupy a lower place in the social hierarchy; no, they are another human species, a compromise between a man and a corpse. The idea of a person’s being a thing is a logical contradiction. Yet what is impossible in logic becomes true in life, and the contradiction lodged in the soul tears it to shreds. This thing is constantly aspiring to be a man or a woman, and never achieving it – here, surely, is death but death strung out over a whole lifetime; here, surely is life, but life that death congeals before abolishing.” (WEIL: p. 8)

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In the epoch of the Trojan War, it was destiny of a conquered enemy to become a slave, that is, to be turned into a thing, deprived of autonomy, and Homer describes in some occasions how people are forced into ships, taken away “to a land where they will work wretched tasks, laboring for a pitiless master” (HOMER. Iliad. Apud WEIL: p. 9).

A person enslaved is being treated like a beast, like a horse on reins. 12 Years A Slave, Scott McQueen’s film, is a fresh reminder of these horrors. Simone Weil denounces the inhumanity in human affairs wherever she sees it: be it on a Greek epic-poem or in the factories of the car industry. In this we can see how Simone Weil joins hands once again with Buddhist ethics: she denounces the ways in which misused force, or tyranny, disrespects sentient beings by treating them as if they were inert matter.

What Weil and Suzuki denounce in the workings of Force and Power is that lack of compassion which Buddhist ethics, by dissolving the ego, aims to cure ourselves of. Enlightnement or Nirvana, in Buddhism, can’t be achieved without compassion. It may also be argued that French philosophy in the 20nd century has few voices more compassionate than Simone Weil’s.

“Force is as pitiless to the man who possesses it, or thinks he does, as it is to its victims; the second it crushes, the first it intoxicates. The truth is, nobody really possesses it. In the Iliad there is not a single man who does not at one time or another have to bow his neck to force.” (WEIL: p. 11)

There’s no simplistic dualistic division between the forceful and the forceless in Weil’s philosophy – of course one can be a slave for a whole lifetime, and one can be a master and tyrant from birth to the grave, but force isn’t something a human being can only exert upon others. Nature itself overpowers tremendously each and every one of the sentient and living creatures in its bosom, in such a way that even the most powerful among humans is still a frail thing – and always mortal, transient.

Let’s remember that the Iliad begins when a heated controversy is dividing two very powerful Greeks, Agamemnon and Achilles. This fight for supremacy is all around Homer’s poem, everyone wants to increase his power, and this can’t be done by any other way than at the expense of others. The result of this mad rivalry is huge bloodshed. “He that takes the sword, will perish by the sword. The Iliad formulated the principle long before the Gospels did, and in almost the same terms: Ares is just, and kills those who kill.” (p. 14)

1Certainly inspired and influenced by the philosophy of one of her dearest teachers, Alain  (Émile-Auguste Chartier, 1858-1961, author of Mars ou La Guerre Jugée), Simone Weil is a passionate apologist for philosophy’s powers against inhumanity – because “where there is no room for reflection, there is none either for justice or prudence.” (p. 14) And, she argues, the horrors and tragedies that Homer depicts can also be understood as results of lack-of-reflection, of hastiness to act, of an incapacity to refrain from agression. “Hence we see men in arms behaving harshly and madly. We see their sword bury itself in the breast of a disarmed enemy who is in the very act of pleading at their knees. We see them triumph over a dying man by describing to him the outrages his corpse will endure. We see Achilles cut the throats of twelve Trojan boys on the funeral pyre of Patroclus as naturally as we cut flowers for a grave. These men, wielding power, have no suspicion of the fact that the consequences of their deeds will at lenght come home to them – they too will bow the neck in their turn.” (WEIL: p. 14)

What’s astonishing about these last words is how closely Weil gets to the Buddhist idea of karma. And what’s also touching is how compassionate Simone Weil truly is when she describes those numerous occasions when we fail to treat ourselves as “brothers in humanity” (WEIL: p. 15). But Weil is no Buddhist, and in the text we are following she’s interested mainly in the Greeks and how they also had a concept similar to karma, some sort of “retribution which operates automatically to penalize the abuse of force”. She claims this is the “the main subject of Greek thought”:

Nemesis

Greek godess Nemesis

“It is the soul of the epic. Under the name of Nemesis, it functions as the mainspring of Aeschylus’s tragedies. (…) Wherever Hellenism has penetrated, we find the idea of it familiar. In Oriental countries which are steeped in Buddhism, it is perhaps this Greek idea that has lived on under the name of Karma. The Occident, however, has lost it, and no longer even has a word to express it in any of its languages: conceptions of limit, measure, equilibrium, which ought to determine the conduct of life are, in the West, restricted to a servile function in the vocabulary of technics.” (WEIL: p. 16)

In André Comte-Sponville’s philosophy, especially in his Short Treatise Of Great Virtues, Simone Weil’s ethical legacy lives on, and it’s enough to read his wise chapters on “temperance”, “prudence” or “love” to get convinced that France is keeping alive the flame of these virtues, or at least hoping to spread them by inviting more humans to practise them. “A moderate use of force, which alone would enable man to escape being enmeshed in its machinery, would require superhuman virtue, which is as rare as dignity in weakness.” (WEIL: p. 20)

In Simone Weil’s ethics, moderation of force, care for the feelings of others, awareness of alterity, are virtues to be practised by those who see themselves as brothers and sisters in humanity. But when we look back at History we have few reasons to be optimistic. And besides, as Simone Weil points out with irony, we still live in times where “there is always a god handy to advise someone to be unreasonable.” (21)

Simone Weil’s writings frequently denounces inhumanities commited by humans. She spreads awareness of our common humanity by showing how frequently we treated ourselves in a subhuman fashion. And it’s not true that only the slaves are turned into subhumans when they are forced into slavery: the master also loses his humanity when he enslaves. And war and slavery are dehumanizing forces because they work towards destruction and death, “yet the idea of man’s having death for a future is abhorrent to nature. Once the experience of war makes visible the possibility of death that lies locked up in each moment, our thoughts cannot travel from one day to the next without meeting death’s face.” (WEIL: p. 22)

Is Weil, then, simply a pacifist, a Gandhian? Or did she approve armed uprisings against the Nazi occupation of Paris, for example? Her condemnation of war, and not only on “moral” grounds, but in a much broader sense, in an existential level, would necessarily lead her to a practice of non-resistance? The answer is hard to give, considering that Simone Weil, during the Spanish Civil War (1936-1939), enlisted to fight against the fascists, and can be seen in a famous photograph with a shotgun in her hand, quite willing to add a little bit of force to the Anti-Franco militias. But Simone Weil was no brute – on the contrary, she was gentleness incarnate, and her personal favorite in the Iliad is “Patroclus, who knew how to be sweet to everybody, and who throughout the Iliad commits no cruel or brutal act.” (WEIL: p. 26)

The possession of a fire arm does not imply the right to brutality or cruelty. Being armed isn’t a license to act with mad húbris. When I think of Simone Weil armed with a shotgun in Spain, willing to fight against Fascism when she saw it dangerously spreading through Europe, I can’t be simplistic about pacifism, as if it was some kind of ethical absolute. I don’t believe it is – and neither did Simone Weil back in the 1930s or the Zapatistas under the guidance of Marcos in Chiapas, Mexico, nowadays.

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War turns us into subhumans beasts killing themselves in mad rivalry, but how on Earth are we to build a planetary community in which war has been banned, and ample dialogue and mutual enlightnement between cultures reigns? For thousands of years, war seems to follow humanity, always on its trail. That ideal sung by John Lennon in “Imagine”, the Brotherhood of Man, remains to be futurely made flesh. In Homer’s Iliad Simone Weil sees nothing to be optismistic about, just “a picture of uniform horror, of which force is the sole hero.” (p. 27) But what’s sublime about Homer’s art, the lasting artistic value of ancient epic poetry, lies in the poet’s capacity to portray suffering befalling all – both Greeks and Trojans. Thus it points out to the fact that we’re all brothers in sorrow, and that’s an excellent reason for peace and compassion, as a Buddhist could put it.

“However, such a heaping-up of violent deeds would have a frigid effect, were it not for the note of incurable bitterness that continually makes itself heard. It is in this that the Iliad is absolutely unique, in this bitterness that proceeds from tenderness and that spreads over the whole human race, impartial as sunlight. Never does the tone lose its coloring of bitterness; yet never does the bitterness drop into lamentation. Justice and love, which have hardly any place in this study of extremes and of unjust acts of violence, nevertheless bathe the work in their light without ever becoming noticeable themselves, except as a kind of accent. Everyone’s unhappiness is laid bare without dissimulation or disdain; no man is set above or below the condition common to all men; whatever is destroyed is regretted. (…) Whatever is not war, whatever war destroys or threatens, the Iliad wraps in poetry; the realities of war, never. (…) The cold brutality of the deeds of war is left undisguised; neither victors nor vanquished are admired, scroned, or hated. An extraordinary sense of equity breathes through the Iliad. One is barely aware that the poet is a Greek and not a Trojan.” (WEIL: p. 30 – 32)

For Simone Weil, the poet who wrote the Iliad acted with marvelous impartiality, and sang about the misfortunes and losses, about the victories and triumphs, of both sides of the conflict, in such a way that Greeks and Trojans are shown as co-participants of a common process. “Attic tragedy, or at any rate the tragedy of Aeschylus and Sophocles, is the true continuation of the epic. The conception of justice enlightens it, without ever directly intervening in it; here force appears in its coldness and hardness; (…) here more than one spirit bruised and degraded by misfortune is offered for our admiration.” (p. 34) The enduring existential value of such art lies in this: to be aware of human misery is “a precondition of justice and love”, claims Weil. (p. 35)

When Simone Weil affirms that “misery is the common human lot” (p. 35), she’s once again approaching a landscape familiar to Buddhists: one of the Four Noble Truths enounced by the enlightened Sidharta Gautama is  “all is suffering”. From this awareness  springs compassion. Love, justice, compassion, can’t arise without the clear perception of our brotherhood in suffering. However, it’s clear as water that, even tough she was born in a Jewish family, Simone Weil is deeply suspicious of the doctrines and dogmas of Judaism:

“With the Hebrews, misfortune was a sure indication of sin and hence a legitimate object of contempt; to them a vanquished enemy was abhorrent to God himself and condemned to expiate all sorts of crimes – this is a view that makes cruelty permissible and indeed indispensable. And no text of the Old Testament strikes a note comparable to the note heard in the Greek epic, unless it be certain parts of the book of Job. Throughout 20 centuries of Christianity, the Romans and the Hebrews have been admired, read, imitated, both in deed and word; their masterpieces have yielded an appropriate quotation every time anybody had a crime he wanted to justify.” (p. 36)

Belief in gods is seen as highly problematic in Simone Weil’s philosophy, even tough it would be an exageration to call her an atheist, considering the intense mystical impulses that she manifests so vividly in her ouevre. What Weil can’t stand is the arrogance of those who use religion to falsely believe they are superior to the rest, that they are immune from evils that will only befall others. When religion leads to the denial of our common humanity, Weil rejects it: “the only people who can give the impression of having risen to a higher plane, who seem superior to ordinary human misery, are the people who resort to the aids of illusion, exaltation, fanaticism, to conceal the harshness of destiny from their own eyes.” (p. 36)

We still have a lot to learn from the Greeks, including its great epic poet, and Simone Weil admires Homer’s Iliad so much that she claims that

“in spite of the brief intoxication induced at the time of the Renaissance by the discovery of Greek literature, there has been, during the course of 20 centuries, no revival of the Greek genius. Something of it was seen in Villon, in Shakespeare, Cervantes, Molière, and – just once – in Racine. To this list of writers a few other names might be added. But nothing the peoples of Europe have produced is worth the first known poem that appeared among them. Perhaps they will yet rediscover the epic genius, when they learn that there is no refuge from fate, learn not to admire force, not to hate the enemy, nor to scorn the unfortunate. How soon this will happen is another question.” (WEIL: p. 37).

These words also sound, to my ears, in tune with Buddhist ethics, especially for the praise of compassion for the suffering of others. And of course that within the realm of The Other we should include Life-As-A-Whole, and not only human life. The Buddhist notion of “sentient beings” is such a great idea, methinks, because it describes something much vaster than Mankind, something that, without being a god, certainly transcends the individual self. Dogs and cats, lions and owls, sunflowers and worms, they all belong to the great family of the living, they are all sentient beings, even tough the degree of self-cousciousness greatly varies.

If both Simone Weil’s philosophy and Buddhist ethics are worthy of our attention, study and discussions, methinks it’s mainly because of the imminent ecological catastrophes that will quake our future and will shatter the current “Western Way” of dealing with Nature. Or, to put it in another words, it won’t be possible for the West to continue in its industrial-commercial path, on its productivist húbris, in its crazy consumerism meddled with egotisticall individualism, simply because the Earth’s biosphere won’t stand for it – and if we keep on going in the same direction, we can only expect mass-scale tragic consequences arising from so much atmospherical pollution, fossil-fuel burnings, deforestations, oil spills… A wiser relationship with Nature urgently needs to emerge from the cultural slumber of destructive capitalism – or else we’re damned.

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“Westerners talk about conquering Nature and never about befriending her. They climb a high mountain and they declare the mountain is conquered. They suceed in shooting a certain type of projectile heavenwards and then claim that they have conquered the air. (…) Those who are power-intoxicated fail to see that power is blinding and keeps them within an ever-narrowing horizon. Love, however, transcends power because, in its penetration into the core of reality, far beyond the finiteness of the intellect, it is infinity itself. Without love one cannot see the infinely expanding network of relationships which is reality. Or, we may reverse this and say that without the infinite network of reality we can never experience love in its true light.

To conclude: Let us first realize the fact that we thrive only when we are co-operative by being alive to the truth of interrelationship of all things in existence. Let us then die to the notion of power and conquest and be resurrected to the eternal creativity of love which is all-embracing and all-forgiving. As love flows out of rightly seeing reality as it is, it is also love that makes us feel that we – each of us individually and all of us collectively – are responsible for whatever things, good or evil, go on in our human community, and we must therefore strive to ameliorate or remove whatever conditions are inimical to the universal advancement of human welfare and wisdom.”

(D. T. Suzuki, The Awakening of Zen, “Love and Power”, pg. 70)

REFERENCES

WEIL, Simone; BESPALOFF, Rachel. War and Iliad. Preface by Christopher Benfley. New York Review Books Classics, 2005.

SUZUKI, Daisetz Teitaro. The Awakening of Zen. Edited by Christmas Humphreys. Boston: Shambhala, 1980.

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(Article by Eduardo Carli de Moraes, at Awestruck Wanderer,
Toronto, Canada. March 2014.)