O TEMPLO DO TEMPO – Sobre um dos grandes álbuns da música brasileira contemporânea: “Cordões Umbilicais”, de Flaira Ferro

“Eu sou o templo do tempo, o tempo acontece em mim”, canta Flaira Ferro em uma das mais belas canções de seu vigoroso álbum de estréia, Cordões Umbilicais (click para ouvir na íntegra o disco de 11 faixas que se estendem por 35 min; se preferir, faça o download).

Eis uma das obras mais magistrais da MPB nos últimos anos. Um disco que podemos habitar por meses e anos, como quem adentra um templo do tempo onde lá dentro podemos vivenciar o incrível poder da arte: ela transfigura a nossa consciência cotidiana, expandindo-a através das magias de todas as suas dinâmicas e fluxos:

“A gente não vê
Mas o ar está cheio de ondas
Um mundo invisível se mexe
E a gente nem se dá conta…

Por isso que olho pra dentro de mim
Buscando a força que existe no amor
Newton já disse em lei universal
Toda ação tem uma reação…”

Lacrando no desrecalque, Flaira segue o conselho de Gonzaguinha e vive a “cantar e cantar e cantar a beleza de ser uma eterna aprendiz”, criando ousadas expressões de empoderamento (individual e coletivo) através de motes como:

“Não tem coisa mais bonita
Nem coisa mais poderosa
Do que uma mulher que brilha
Do que uma mulher que goza…

Toda mulher que deseja
Acende a força erótica que excita a criação
Dê suporte à mulher forte
Quem sabe a gente muda a nossa sorte

Toda mulher que se toca
Instiga a auto estima
Estimula o botão
Mesmo que o mundo se choque
O clitóris é antídoto pra morte

Não me vem com tarja preta
Deixa livre a minha teta!

Cê tá maluco
Ou entorpecido
Pela falsa ideia
De dominação

Cê tá esquecido
Mulher sem libido
Não tem natureza
Vira papelão

Homem de armadura
Constrói prisão bélica
De postura fálica
Perde o coração

Homem de verdade
Enxerga beleza
Na mulher que é dona
Do próprio tesão
Na mulher que é dona
Do próprio não!”

Em sintonia fina com a complexidade da vida social contemporânea, Flaira Ferro também é uma mulher enraizada na ancestralidade. Uma visionária que põe o frevo em sinergia com a era da internet, que faz do folk uma ferramenta de demolição do palavrório do patriarcado, que bota de novo o mangue e seus beats no epicentro do cosmos.

Ela inunda de poesia e filosofia a nossa sempre inventiva e reinventiva MPB. Soma-se a Anelis Assumpção, Larissa Luz, Sara Não Tem Nome, Liniker, Maria Gadu, Tássia Reis, Bia Ferreira, Doralyce, Elza Soares, dentre outras musas, no epicentro deste fenômeno cultural de intensa maravilhosidade – a musicalidade das manas e minas brasileiras.

A Música Popular Brasileira renova-se através da práxis cultural desta cantora, compositora e dançarina que é Flaira Ferro. Ela compõe como quem compartilha sabedoria e com aconselha-se à superação de si. Trolla, delicado, com o ser humano, “bicho homem” que é esquisito, “armadilha de si mesmo”.

Avessa às açucaradas e lucrativas canções clichezentas de amor romântico banal, movidas a fórmulas vendáveis, Flaira sabe expressar melancolias, temores, fúrias, indignações. O colorido dos afetos que animam essas músicas é o que mais torna a arte de Flaira algo de tão impressionante potência.

Em uma comovente participação no TEDx Pernambuco, Flaira rememorou aspectos de sua trajetória biográfica e cantou sua linda canção “Me Curar de Mim” a capella. Quem não se comover com essa cantoria (e essa poesia de lirismo sofisticado) pode pegar na porta-de-saída o seu certificado de coração-de-pedra.

Essa mulher criativa e expressiva, repleta de promessa, maga das belezas múltiplas, falou assim sobre essa obra-prima do neocancioneiro: “Acredito que essa música ‘Me Curar de Mim’ não é mais minha. Ela não pertence mais a uma pessoa só. Eu me vejo muito mais como uma facilitadora de um sentimento que estava no inconsciente coletivo. Porque vivemos uma crise moral e espiritual muito grande. Há guerras por conta de religião, intolerâncias dentro do nosso próprio país. Acho que essa música é uma mensagem para que faça a gente olhar além do nosso umbigo, do alto da nossa responsabilidade” (Correio Brasiliense).

Na canção, esta jovem e sábia artista que floresce no cenário cultural de Pernambuco dá a lição, preciosa escola: “Para me encher do que importa/ Preciso me esvaziar/ Minhas feras encarar/ Me reconhecer hipócrita/ (…) Mas se eu não tiver coragem/ Pra enfrentar os meus defeitos/ De que forma, de que jeito,/ Eu vou me curar de mim?”

SIGA VIAGEM – EXPERENCIE FLAIRA FERRO:

ME CURAR DE MIMPor Flaira Ferro

“Sou a maldade em crise
Tendo que reconhecer
As fraquezas de um lado
Que nem todo mundo vê

Fiz em mim uma faxina e
Encontrei no meu umbigo
O meu próprio inimigo
Que adoece na rotina

Eu quero me curar de mim

O ser humano é esquisito
Armadilha de si mesmo
Fala de amor bonito
E aponta o erro alheio

Vim ao mundo em um só corpo
Esse de um metro e sessenta
Devo a ele estar atenta
Não posso mudar o outro

Eu quero me curar de mim

Vou pequena e pianinho
Fazer minhas orações
Eu me rendo da vaidade
Que destrói as relações

Pra me encher do que importa
Preciso me esvaziar
Minhas feras encarar
Me reconhecer hipócrita

Sou má, sou mentirosa
Vaidosa e invejosa
Sou mesquinha, grão de areia
Boba e preconceituosa

Sou carente, amostrada
Dou sorrisos, sou corrupta
Malandra, fofoqueira
Moralista, interesseira

E dói, dói, dói me expor assim
Dói, dói, dói, despir-se assim

Mas se eu não tiver coragem
Pra enfrentar os meus defeitos
De que forma, de que jeito
Eu vou me curar de mim?

Se é que essa cura há de existir
Não sei… só sei que a busco em mim
Só sei que a busco…
Me curar de mim.”

Flaira Ferro


Do álbum “Cordões Umbilicais”

VEJA TAMBÉM:

“Tristeza mora comigo
Por causa da solidão
Eu pareço andorinha
Querendo fazer verão
Uma gota de água doce
Querendo ser ribeirão
Uma semente caída
Querendo ser plantação
Mas olhando pro deserto
Eu sou apenas um grão de areia…
 
Eu sou um peixe do cardume
No mar da imensidão
Eu sou uma flor do Cerrado
Que nasceu fora da estação
Quero ser bom capoeira
E jogar com o coração
Mas olhando pro deserto
Eu sou apenas um grão de areia…
 
Queria ser o luar
Iluminando o meu sertão
Ou então ser uma estrela
De qualquer constelação
Vou levando minha vida
Com o meu pandeiro na mão
Mas olhando pro deserto

Eu sou apenas um grão…”

LINDAS CANÇÕES DE PAULO CÉSAR PINHEIRO – Com Clara Nunes, MPB4, Joyce, Mariene de Castro, Teresa Cristina, dentre outros

Com Clara Nunes, Vinícius de Moraes e Paulo Gracindo no camarim do show Brasileiro Profissão Esperança. Canecão, RJ/ 1974


CANÇÕES ESSENCIAIS DE PAULO CÉSAR PINHEIRO – Com Clara Nunes, MPB4, Joyce, João Nogueira, Mariene de Castro, dentre outros

PESADELO – Paulo César Pinheiro / Maurício Tapajós

Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta

E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo

Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã

Olha aí…
Olha aí…
Olha aí…



Com Baden Powell na gravação do LP Paulo César Pinheiro, lançado em 1980 com participação dos parceiros.

LEIA EM ROLLING STONE: Paulo César Pinheiro, o letrista mais importante do Brasil (Nov / 2011)



JOGO DE ANGOLA – Paulo César Pinheiro

No tempo em que o negro
Chegava fechado em gaiola
Nasceu no Brasil
Quilombo e quilombola
E todo dia, negro fugia, juntando a curriola

De estalo, de açoite, de ponta de faca
E zunido de bala
Negro voltava pra Angola
No meio da senzala

E ao som do tambor primitivo
Berimbau, maracá e viola
Negro gritava “Abre ala!”
Vai ter jogo de Angola

Perna de brigar, camará
Perna de brigar, olê!
Ferro de furar, camará
Ferro de furar, olê!
Arma de atirar, camará
Arma de atirar, olê!

Dança guerreira
Corpo do negro é de mola
Na capoeira
Negro embola e desembola
E a dança que era uma festa para o dono da terra
Virou a principal defesa do negro na guerra
Pelo que se chamou libertação
E por toda força coragem, rebeldia
Louvado será todo dia
Esse povo cantar e lembrar o Jogo de Angola
Na escravidão do Brail

Ouça com Clara Nunes Guerreira:



CANTO DAS TRÊS RAÇAS – Paulo Cesar Pinheiro e Mauro Duarte

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou
Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador
Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor




Com Tom Jobim e Dori Caymmi, 1980

AS FORÇAS DA NATUREZA – Paulo César Pinheiro e João Nogueira

Quando o Sol
Se derramar em toda sua essência
Desafiando o poder da ciência
Pra combater o mal
E o mar
Com suas águas bravias
Levar consigo o pó dos nossos dias
Vai ser um bom sinal
Os palácios vão desabar
Sob a força de um temporal
E os ventos vão sufocar o barulho infernal
Os homens vão se rebelar
Dessa farsa descomunal
Vai voltar tudo ao seu lugar
Afinal

Vai resplandecer
Uma chuva de prata do céu vai descer, la la la
O esplendor da mata vai renascer
E o ar de novo vai ser natural
Vai florir
Cada grande cidade o mato vai cobrir, ô, ô
Das ruínas um novo povo vai surgir
E vai cantar afinal

As pragas e as ervas daninhas
As armas e os homens de mal
Vão desaparecer nas cinzas de um carnaval (2X)

Com João Nogueira e Joyce no show Paulo César Pinheiro 50 Anos. SESC Pompéia, São Paulo, 1999 (Foto Marco Aurélio Olímpio)



Toque de São Bento Grande de Angola – Paulo César Pinheiro

Nesse mundo camará
Mas não há, mas não há,
Mas não há quem me mande!
Eu só sei obedecer
Se mandar
Se mandar São Bento Grande
É de Angola, é de Angola, é de Angola
De Angola, De Angola, De Angola! 

Meu avô já foi escravo
Mas viveu com valentia
Descumpria a ordem dada
Agitava a escravaria
Vergalhão, corrente, tronco
Era quase todo dia
Quanto mais ele apanhava
Menos ele obedecia

Quando eu era ainda menino
O meu pai me disse um dia
A balança da justiça
Nunca pesa o que devia
Não me curvo à lei dos homens
A razão é quem me guia
Nem que seu avô mandasse
Eu não obedeceria

Esse mundo não tem dono
E quem me ensinou sabia
Se tivesse dono o mundo
Nele o dono moraria
Como é mundo sem dono
Não aceito hierarquia
Eu não mando nesse mundo
Nem no meu vai ter chefia!



SAGARANA

A ver, no em-sido
Pelos campos-claros: estórias
Se deu passado esse caso
Vivência é memória
Nos Gerais
A honra é-que-é que se apraz
Cada quão
Sabia sua distinção
Vai que foi sobre
Esse era-uma-vez, ‘sas passagens
Em beira-riacho
Morava o casal: personagens
Personagens, personagens
A mulher
Tinha o morenês que se quer
Verdeolhar
Dos verdes do verde invejar
Dentro lá deles
Diz que existia outro gerais
Quem o qual, dono seu
Esse era erroso, no à-ponto-de ser feliz demais
Ao que a vida, no bem e no mal dividida
Um dia ela dá o que faltou… ô, ô, ô…

É buriti, buritizais
É o batuque corrido dos gerais
O que aprendi, o que aprenderás
Que nas veredas por em-redor sagarana
Uma coisa e o alto bom-buriti
Outra coisa é o buritirana…

A pois que houve
No tempo das luas bonitas
Um moço êveio:
– Viola enfeitada de fitas
Vinha atrás
De uns dias para descanso e paz
Galardão:
– Mississo-redó: Falanfão
No-que: “-se abanque…”
Que ele deu nos óio o verdêjo
Foi se afogando
Pensou que foi mar, foi desejo…

Era ardor
Doidava de verde o verdor
E o rapaz quis logo querer os gerais
E a dona deles:
“-Que sim”, que ela disse verdeal
Quem o qual, dono seu
Vendo as olhâncias, no avôo virou bicho-animal:
– Cresceu nas facas:
– O moço ficou sem ser macho
E a moça ser verde ficou… ô, ô, ô…

É buriti, buritizais
É o batuque corrido dos gerais
O que aprendi, o que aprenderás
Que nas veredas por em-redor sagarana
Uma coisa e o alto bom-buriti
Outra coisa é o buritirana…
Quem quiser que cante outra
Mas à-moda dos gerais
Buriti: rei das veredas
Guimarães: buritizais!


ÁLBUNS COMPLETOS

TROPICÁLIA: 50 anos de um movimento estético e político que catalisa as confluências

TROPICÁLIA: 50 anos de um movimento estético e político que catalisa as confluências

“Como todo movimento explosivo”, opina Luiz Tatit (oficial), “o tropicalismo deixou estilhaços em diversos lugares da cultura brasileira e, à medida que o tempo passa, descobrem-se fragmentos que ainda fervilham e geram novos focos de criação de alguma forma tributários daquele final dos anos 60.”

Cerca de meio século depois de ser “abatida em pleno vôo pelo AI-5”, como diz Tárik de Souza, a Tropicália faz por merecer um destino de Fênix, renascendo das cinzas. A chama ainda ardente da Tropicália inspira a nós do Confluências: Festival de Artes Integradas a dar novos impulsos às práticas e valores da trupe que revolucionou estética e política no Brasil que então gemia sob os tanques e torturas que se seguiram ao golpe militar de 1964 e suas “tenebrosas transações”.

Acreditamos que a Tropicália, apesar de ser compreendida pelo senso comum como um movimento musical, transborda das fronteiras da música e expressa-se através de variadas linguagens artísticas, tendo intenções mais amplas do que uma mera inovação das formas musicais. A Tropicália propunha a renovação da vida através das confluências sem medo de elementos aparentemente díspares, mas que a trupe provou serem deliciosamente mescláveis. Propunha que fôssemos todos Os Mutantes, jamais estagnados.

Na capa do disco manifesto “Tropicalia ou Panis et Circenses” (ouça: https://youtu.be/KIiwbHqtb7w), é explícita a confluência entre a cultura popular (de que Tom Zé e Gilberto Gil eram tão inventivos representantes) e a cultura mais erudita (ali representada pelo maestro Rogério Duprat, que parece tomar chá em um penico que remete à obra de MARCEL DUCHAMP). Ali também está clara a confluência entre a literatura e a música, com a presença do poeta e jornalista Torquato Neto (também um dos mais brilhantes letristas de nossa MPB) e do poeta José Carlos Capinam (representado em fotografia emoldurada que seu parceiro Gil carrega como porta-estandarte).

As confluências não param de proliferar na história da constituição da Tropicália: o nome do movimento vem do ramo das artes plásticas, era o nome de batismo de uma instalação bolada em 1967 por Hélio Oiticica, o célebre inventor dos parangolés e divulgador de motes vanguardistas como “incorporo a revolta” e “seja marginal, seja herói”.

Parangolé de Oiticica

Caetano e Nara na companhia dos Beatles (faltou cola e Paul McCartney ficou fora da parede…)

Quando Caetano Veloso criar a canção “Tropicália”, fará isto não só sob a influência de Hélio Oiticica e seus parangolés, mas tremendamente impactado também pelo cinema de Glauber Rocha – que havia realizado, aos 23 anos de idade, a obra-prima “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, e que na época de eclosão tropicalista havia lançado ao mundo seu desnorteante “Terra em Transe”. Pouco tempo depois de finalizar a composição da música, relembra Caetano, ele foi assistir a outro fenômeno descomunal da cultura brasileira da época: “O Rei da Vela”, peça de Oswald de Andrade encenada pelo Teatro Oficina Uzyna Uzona de Zé Celso Martinez Corrêa.

A devoração antropofágica da diversidade cultural é um dos motes dos artistas Tropicalistas que, segundo Celso Favaretto em seu livro “Tropicália: Alegoria Alegria”, “retém do primitivismo antropofágico a concepção cultural sincrética, o aspecto de pesquisa de técnicas de expressão, o humor corrosivo, a atitude anárquica com relação aos valores burgueses” (pg. 57).

No livro Antropofagia e Tropicalismo, publicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e que me foi recomendado pela Salma Jô e pelo Macloys do Carne Doce, o artigo inaugural de Bina Friedman relembra que o próprio movimento antropofágico já era pura confluência. Confluências múltiplas entre Oswald e Tarsila, por exemplo, por razões tanto óbvias – a transa sexual-criativa do casal – quanto outras menos evidentes – entre o Manifesto Antropófago e o Abaporu (1928):

“Inspirado no quadro de Tarsila do Amaral – que aliás teria detonado a idéia do Manifesto Antropófago e que a artista reproduziu em bico de pena para ilustrar o primeiro número da Revista de Antropofagia, Oswald funda, cunha, teoriza e consagra na literatura modernista o tema e o tratamento da Antropofagia. (…) A devoração do bispo Sardinha, aproveitada por Oswald como metáfora, propõe, em irreverência e ironia, um novo calendário nacional: a história brasileira deveria iniciar a partir de uma data que sugeria uma reação dessacralizante com o poder… O episódio do bispo Sardinha é marotamente aproveitado por Oswald como data do Manifesto Antropófago (“Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha”). Devorado em 1554 por índios antropófagos quando o navio em que viajava naufragou na costa brasileira, o Bispo Sardinha do texto alude ironicamente à história do Brasil Colônia. O Manifesto rende, com o chiste, uma ‘homenagem’ carnavalizada a todos que, na pessoa do bispo, deveriam ser comidos.” (FRIEDMAN: 1993, p. 9, 10)

Bebendo na fonte da utopia antropofágica oswaldiana, do Cinema Novo, do dionisismo teatral do Oficina, da Poesia Concreta, da “geléia geral brasileira” de que falou Décio Pignatari, a Tropicália explode em 1967 no cenário artístico como algo que chuta para escanteio a mesmice, a caretice e a zona de conforto. Bagunça com a polarização entre Jovem Guarda e MPB, subverte os códigos transformados em clichê que caracterizaram seja o iê-iê-iê, seja a canção-de-protesto engajada.

Muitos dos episódios lendários desta empreitada estão descritos por Carlos Calado em seu Tropicália – A História de Uma Revolução Musical (Editora 34). O mesmo autor, pela mesma editora, também publicou o seminal estudo biográfico sobre Os Mutantes – A Divina Comédia dos Mutantes. 

Frederico Coelho tem um excelente livro que nos ajuda a expandir os horizontes sobre o tal do Tropicalismo (termo cunhado pelo jornalista cariosa Nelson Motta): “Eu, Brasileiro, Confesso Minha Culpa e Meu Pecado – Cultura Marginal no Brasil das Décadas de 1960 e 1970” (Civilização Brasileira & Paz e Terra, 2010, 335 pgs). Nele, Coelho defende que, a partir de 1967, o “movimento apresentou posturas e práticas que liberavam o artista e o intelectual do compromisso de obrigatoriamente relacionar sua obra a uma ‘cultura nacional’ ou a um ‘povo’. Suas ações abalaram a crença necessária desses segmentos no nacional-desenvolvimentismo de esquerda e colocaram em xeque seu temor xenófobo do ‘imperialismo estrangeiro’, assumindo uma nova forma de inserção desses agentes no mercado de bens culturais” (p. 111).

Embora a música popular brasileira seja o “epicentro” de eclosão do tropicalismo, Coelho argumenta que o tropicalismo foi “um movimento cultural mais amplo e diretamente conectado à emergência, pós AI-5, do que chama de marginália, que aproveita-se de aberturas e rupturas estabelecidas pelos artistas durante a breve aventura da Tropicália. “Mais do que um movimento musical, o tropicalismo representou um novo elemento em um espaço de ação que já estava ficando imobilizado pela díade engajados / alienados.” (p. 112) Abrindo espaços para a renovação da cultura brasileira, Tropicália e Marginália transbordam de qualquer caixa de categorização de diversos setores artísticos: Glauber Rocha, Hélio Oiticica, Torquato Neto, todos eles são artistas do híbrido, da mescla, da confluência entre vertentes, sempre “desafinando o coro dos contentes” (para lembrar verso inolvidável de Torquato, musicado por Jards Macalé em “Let’s Play That”).

Se em 1967 a Tropicália pôde explodir no cenário através da exuberância de “Alegria, Alegria” ou de “Domingo no Parque”, em 1968 a situação torna-se mais escura, tensa, violenta. Glauber filma Câncer enquanto a barra pesada do aprisionamento, da tortura e do exílio se abate sobre boa parte dos artistas mais relevantes do país. A mordaça do regime de exceção instalado através da violência militar truculenta busca abater em pleno vôo a ave demasiado águia da Tropicália. É preciso calar a ferro e fogo esses arruaceiros que dizem seja marginal, seja herói e celebram heróis perigosos como Ernesto Che Guevara ou Carlos Marighella.

“Temas como banditismo, armas de fogo, enfrentamentos armados entre policiais e estudantes, desagregação de valores da classe média brasileira, grupos marginalizados da sociedade, entre outros, passam a fazer parte do universo temático das canções tropicalistas a partir da segunda metade de 1968. Canções como “Enquanto Seu Lobo Não Vem” (Caetano Veloso), “Divino Maravilhoso” (Caetano e Gilberto Gil), “É Proibido Proibir” (Caetano), “Marginália II” (Torquato e Gil) ou “Deus vos salve esta casa santa” (Torquato e Caetano) eram emblemáticas para esse momento de radicalização. São canções que tratam de ‘bombas’ e de ‘botas’, de não ter tempo para ‘temer a morte’, das pichações dos jovens de maio de 1968 em Paris, de ‘pânico e glória’ e de ‘laço e cadeia’.” (COELHO, p. 116)


Levando adiante os ideais tropicalistas que convidam à miscigenação, ao hibridismo, à mistura de linguagens e à proliferação de pontos-de-vista, organizamos a Mostra Audiovisual em homenagem aos 50 Anos da Tropicália e disponibilizaremos vários dos livros importantes na decifração desta jornada.

Nesta 5ª edição do Confluências, na medida do possível, cientes da limitação espaço-temporal de um evento de apenas dia – autêntico “Domingo no Parque” (que, de preferência, termine sem crime de sangue!) – queremos contribuir para colocar mais lenha na fogueira dos debates públicos sobre a importância da Tropicália na história, no presente e no futuro da Cultura brasileira.



Mostra audiovisual celebrando os 50 anos da Tropicalia ou Panis et Circencis: assista documentários e filmes de ficção lendários:

► [14h às 15h30] “Meteorango Kid: O Herói Intergalático” (1969), de André Luiz Oliveira;

► [15h45 às 17h15] “Uma Noite em 67” (2010, 95 min), de Renato Terra e Ricardo Calil, dentre outros.

► [17h30 às 19h] “Tropicália” (2012, 87 min.), de Marcelo Machado;

► [19h15 às 20h30] “Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now!” (2011, 76 min), de Ninho Moraes e Francisco Cesar Filho



LIVROS TROPICALISTAS – SELEÇÃO ESPECIAL


* Feirão de livros da Livraria A Casa de Vidro, em especial obras focadas nas Artes – cinema, música, teatro, além de biografias de grandes artistas e personalidades culturais. Selecionamos também um punhado de excelentes livros, que estarão à venda durante o evento, que estão entre as mais importantes obras já escritas no Brasil sobre o tema, tais como:

► “Tropicália: Alegoria Alegria”, de Celso Favaretto

► “Brutalidade Jardim”, de Christopher Dunn

► “Tropicália: A História de uma Revolução Musical”, de Carlos Calado

► “Torquatália: Geléia Geral”, de Torquato Neto

► “Hélio Oiticica: A Asa Branca do Êxtase”, de Gonzalo Aguilar

► “A Biografia de Torquato Neto”, de Toninho Vaz

► “Oiticica: Qual É O Parangolé?”, de Waly Salomão

Dentre outros!

* * * * *

SE LIGUE: CONFLUÊNCIAS #5: TROPICALIÊNCIAS
DOMINGO, 24 de Setembro de 2017, a partir das 14h.
Na Trip – Música e Artes: Rua 115e, Setor Sul, Goiânia.
Ingressos: R$5 até às 17h, R$10 reais a partir das 17h.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA E OUTRAS INFORMAÇÕES: https://acasadevidro.com/2017/09/20/confluencias-festival-de-artes-integradas-5a-edicao-24-de-setembro-na-trip-em-goiania/

DISCOS ESSENCIAIS NA HISTÓRIA DA TROPICÁLIA

SIGA: CONFLUÊNCIASA CASA DE VIDRO

NO CALDEIRÃO DA CULTURA VIVA – A utopia cultural de Gilberto Gil enquanto Ministro da Cultura

I. Trechos do discurso de posse do Ministro Gilberto Gil (02/01/2003)

“O Estado não deve deixar de agir. Não deve optar pela omissão. Não deve atirar fora de seus ombros a responsabilidade pela formulação e execução de políticas públicas, apostando todas as suas fichas em mecanismos fiscais e assim entregando a política cultural aos ventos, aos sabores e aos caprichos do deus-mercado. É claro que as leis e os mecanismos de incentivos fiscais são da maior importância. Mas o mercado não é tudo. Não será nunca. Sabemos muito bem que em matéria de cultura, assim como em saúde e educação, é preciso examinar e corrigir distorções inerentes à lógica do mercado – que é sempre regida, em última análise, pela lei do mais forte. Sabemos que é preciso, em muitos casos, ir além do imediatismo, da visão de curto alcance, da estreiteza, das insuficiências e mesmo da ignorância dos agentes mercadológicos. Sabemos que é preciso suprir as nossas grandes e fundamentais carências. 

O Ministério da Cultura não pode, portanto, ser apenas uma caixa de repasse de verbas para uma clientela preferencial. Tenho, então, de fazer a ressalva: não cabe ao Estado fazer cultura, a não ser num sentido muito específico e inevitável. No sentido de que formular políticas públicas para a cultura é, também, produzir cultura. No sentido de que toda política cultural faz parte da cultura política de uma sociedade e de um povo, num determinado momento de sua existência. No sentido de que toda política cultural não pode deixar nunca de expressar aspectos essenciais da cultura desse mesmo povo. Mas, também, no sentido de que é preciso intervir. Não segundo a cartilha do velho modelo estatizante, mas para clarear caminhos, abrir clareiras, estimular, abrigar. Para fazer uma espécie de “do-in” antropológico, massageando pontos vitais, mas momentaneamente desprezados ou adormecidos, do corpo cultural do país. Enfim, para avivar o velho e atiçar o novo. Porque a cultura brasileira não pode ser pensada fora desse jogo, dessa dialética permanente entre a tradição e a invenção, numa encruzilhada de matrizes milenares e informações e tecnologias de ponta.

* * * * *

O que entendo por cultura vai muito além do âmbito restrito e restritivo das concepções acadêmicas, ou dos ritos e da liturgia de uma suposta “classe artística e intelectual.” Cultura, como alguém já disse, não é apenas “uma espécie de ignorância que distingue os estudiosos”. Nem somente o que se produz no âmbito das formas canonizadas pelos códigos ocidentais, com as suas hierarquias suspeitas. Do mesmo modo, ninguém aqui vai me ouvir pronunciar a palavra “folclore”. Os vínculos entre o conceito erudito de “folclore” e a discriminação cultural são mais do que estreitos. São íntimos. “Folclore” é tudo aquilo que – não se enquadrando, por sua antiguidade, no panorama da cultura de massa – é produzido por gente inculta, por “primitivos contemporâneos”, como uma espécie de enclave simbólico, historicamente atrasado, no mundo atual. Os ensinamentos de Lina Bo Bardi me preveniram definitivamente contra essa armadilha. Não existe “folclore” – o que existe é cultura.

Lina Bo Bardi em foto de 1978

Lina Bo Bardi em foto de 1978

* * * * *

Oswald e Oficina

Ou o Brasil acaba com a violência, ou a violência acaba com o Brasil. (…) O Brasil não pode continuar sendo, como dizia Oswald de Andrade, um país de escravos que teimam em ser homens livres. Temos de completar a construção da nação. De incorporar os segmentos excluídos. De reduzir as desigualdades que nos atormentam. Ou não teremos como recuperar a nossa dignidade interna, nem como nos afirmar plenamente no mundo. Como sustentar a mensagem que temos a dar ao paneta, enquanto nação que se prometeu o ideal mais alto que uma coletividade pode propor a si mesma: o ideal da convivência e da tolerância, da coexistência de seres e linguagens múltiplos e diversos, do convívio com a diferença e mesmo com o contraditório. E o papel da cultura, nesse processo, não é apenas tático ou estratégico – é central: o papel de contribuir objetivamente para a superação dos desníveis sociais, mas apostando sempre na realização plena do humano.

A multiplicidade cultural brasileira é um fato. (…) Em verdade, podemos mesmo dizer que a diversidade interna é, hoje, um dos nossos traços identitários mais nítidos. É o que faz com que um habitante da favela carioca, vinculado ao samba e à macumba, e um caboclo amazônico, cultivando carimbós e encantados, sintam-se – e, de fato, sejam – igualmente brasileiros. (…) Somos um povo mestiço que vem criando, ao longo dos séculos, uma cultura essencialmente sincrética. Uma cultura diversificada, plural – mas que é como um verbo conjugado por pessoas diversas, em tempos e modos distintos. Porque, ao mesmo tempo, essa cultura é una: cultura tropical sincrética tecida ao abrigo e à luz da língua portuguesa.

(…) Sobretudo temos de saber que recado o Brasil – enquanto exemplo de convivência de opostos e de paciência com o diferente – deve dar ao mundo, num momento em que discursos ferozes e estandartes bélicos se ouriçam planetariamente. Sabemos que as guerras são movidas, quase sempre, por interesses econômicos. Mas não só. Elas se desenham, também, nas esferas da intolerância e do fanatismo. (…) Sim: O Brasil tem lições a dar, no campo da paz e em outros, com as suas disposições permanentemente sincréticas e transculturativas. E não vamos abir mão disso. (..) Aqui será o espaço da experimentação de rumos novos. O espaço da abertura para a criatividade popular e para as novas linguagens. O espaço da disponibilidade para a aventura e a ousadia. O espaço da memória e da invenção.

Cultura Pela Palavra – Pgs 229 a 234

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II. Pronunciamento de Gil na Comissão de Educação e Cultura do Senado Federal (Brasília, 20 de maio de 2003)

“O espírito que anima a cidadania e o cidadão, que mantém a chama da auto-estima viva e irradiante, para dentro e para além de nós mesmos, chama-se Cultura. Na nossa língua, uma palavra feminina, insinuante, envolvente, irresistível e determinada. Como a mulher, também suporte fundamental da vida social, deslumbrante e indispensável, entretanto colocada sempre numa posição secundária e lateral pela porção masculina, machista e dominante da sociedade, que ainda insiste em vê-la apenas como ornamento floral, decorativo e de brilho efêmero. Nos tempos em que a porção mulher da sociedade cada vez mais, como na canção, impõe-se ao super-homem rendido à sua superioridade e encanto, nada mais natural do que entronizarmos a mulher Cultura no espaço central de nossas vidas.

(…) É preciso entender que a Cultura é a estrada pela qual todos os aspectos da sociedade transitam. Tudo se passa e se reflete nessa estrada. Essa é a via única que leva ao grande espetáculo da identidade singular e plural do povo brasileiro. Essa passarela tem que ser cuidada permanentemente para que o grande desfile do povo brasileiro possa sempre acontecer. Ao lado desse espetáculo, é preciso debater que país, que nação, que povo queremos ser. Novos-ricos arrogantes e deslumbrados com os últimos bombons oferecidos pela tecnologia para o conforto e o consumo supérfluo? Sádicos insaciáveis em busca de emoções cada vez mais fortes? Consumidores de drogas cada vez mais excitantes? Obesos televisivos esparramados nas poltronas flutuantes da nossa vasta ignorância ilustrada? Guerreiros poderosos prontos a desafiar qualquer povo cujo comportamento não nos agrade, ou que julgamos incapazes de explorar suas próprias riquezas? Usurpadores do patrimônio natural da humanidade posto a serviço dos nossos interesses?

Ou

Gente pacífica e alegre, voltada para sua própria beleza e diversidade e para a beleza do mundo. Consciente do seu papel de nação aberta, pacífica e fraterna, capaz de compartilhar sua fraternidade com os outros povos, especialmente os povos que contribuíram definitivamente para sua formação, como o povo africano, confinado ao continente negro, carente de tudo; ou com os remanescentes das nações indígenas, no interior do nosso próprio continente, à espera de nossa solidariedade, respeito e atenção?

(…) Nós, a Cultura, somos a língua em cujas palavras os textos que convocam para a luta são escritos. Somos a voz que entoa os hinos e as canções nas horas de conclamar e unir a nação para o momento das grandes transformações. O povo entende e atende aos chamados da sua mãe cultural. Sua mãe pátria. Sua mãe gentil. Nos estádios de futebol é a voz da cultura que se faz ouvir em todos os cantos do país. Nos seus maiores momentos de alegria, é a voz da cultura que se faz ouvir em todas as gargantas de todos os carnavais. E nos momentos de reflexão e debate é a voz dos cultos representantes do povo que clareiam as mentes e apontam caminhos para o país.

É grande a guerra a ser vencida. A guerra contra a fome, contra a ignorância e a favor da saúde. A guerra, se possível não violenta, pela salvação da espécie humana, pela sobrevivência da humanidade, enfim, pela pax desarmada. Enquanto essa guerra não for totalmente ganha, só há um único combatente que não pode sucumbir, cuja voz não pode ser emudecida, pois dela depende a vitória final. Este combatente é uma mulher e o seu nome é Cultura.”

pg. 259 a 261

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CONVITE


Na próxima sexta-feira (1º de Setembro), no Teatro do Instituto Federal de Goiás (IFG) – oficial, câmpus Goiânia, serão lançadas 10 publicações da Editora IFG, dentre elas um livro com o qual colaborei: “Encontros no Encontro: Participação Social da Rede Nacional de Pontos de Cultura”, aborda o cenário cultural brasileiro nos arredores do ano de 2015, época de frutificação de muitas das sementes plantadas pela gestão Gilberto Gil & Juca Ferreirano Ministério da Cultura.

A publicação busca revelar em minúcias o que ocorreu durante o XV Encontro de CulturasTradicionais da Chapada dos Veadeiros, uma realização da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, pois naquela ocasião, à celebração dos 15 anos do Encontrão, ocorreu também um encontro nacional envolvendo “ponteiros” – produtores culturais, artistas, jornalistas, trabalhadores-da-cultura de toda estirpe – que representavam Pontos de Cultura e estavam reunidos para pensar as potencialidades e os obstáculos para efervescer a utopia da Cultura Viva.

O livro, que será lançado em ebook downloadável, é uma co-autoria com o Rafael Moreira Do Carmo e a supervisão do Vinícius Ferreira (da Proex – Pró Reitoria de Extensão e Cultura do IFG), contou também com a colaboração inestimável da Maíra Cerrado.

E um grande lançamento não poderia ter menos que um belo show do lendário cantor e compositor goiano Juraildes da Cruz. Para completar a celebração, haverá uma roda de conversa com os autores das obras, seguida de uma festiva sessão de autógrafos.

Estão todos convidados!

ACESSE O EBOOK COMPLETO: ENCONTROS NO ENCONTRO

CONHEÇA O SITE DA EDITORA IFG

Eduardo Carli de Moraes
Professor de Filosofia do
Instituto Federal de Goiás – Câmpus Anápolis
e editor de A Casa de Vidro

 

CONFLUÊNCIAS: Festival de Artes Integradas, 3ª Edição: Domingo, 02 de Abril, na Trip

Vem aí o Confluências: Festival de Artes Integradas, 3ª edição, chegando para unir as tribos e somar as vertentes artísticas em um mesmo caldeirão efervescente! Neste Domingão (02 de Abril), lá na Trip (Rua 115e, Setor Sul), teremos vários MCs mostrando toda a força do rap de Goiânia em shows com Tati Ribeiro, A Jay Ajhota e Subversão Feminista.

Vai rolar também uma exposição com algumas das melhores ilustrações de Heitor Vilela, da Rabiscos e Escarros, além de roda-de-prosa com o artista. Vão rolar ainda intervenções poéticas com Walacy Neto, William Trapo, Ma Ha (Siririca Poética), Goitacá Escafandrista, Kesley Rocha Dias. Complementando as artes visuais, teremos o Vinícius Yano grafitando a entrada da Trip. Além disso, discotecagens timbradas com os DJs Bruno Vieira Batista (Caveira) e Eduardo Carli de Moraes.

Não perca!

Abertura da casa: 16h. Ingresso: R$ 10. Conflua!

Endereço: Rua 115e, Setor Sul.

CONFLUÊNCIAS é uma produção d’A Casa de Vidro


Design gráfico e identidade visual: Annie Marques.

Página do evento: https://www.facebook.com/events/277267286060351/


APERITIVOS:

Ilustração: Heitor Vilela. Acesse o álbum completo.


A JAY A JHOTA
Ep de Estréia


DJ BRUNO CAVEIRA




TATI RIBEIRO




RELEMBRE: Vídeos das primeiras edições do Confluências