MAGOS DO RITMO: Conheça os grupos Barbatuques e Stomp, renovadores na arte da expressão rítmica

“A palavra RITMO provêm do indo-europeu Sreu (fluir) e do grego Rhytmos (medida, movimento recorrente e regular, ritmo, rima). O ritmo foi percebido na pré-história quando o homem notou que algo batia dentro do próprio corpo (o coração) e quis externalizá-lo. O homem primitivo utilizando seus próprios meios imitou os sons de sua experiência com a natureza, ouvindo o quebrar dos ramos enquanto caminhava pelas matas, o sussurrar do vento nas árvores, o ruído das águas no regato, a percussão da maré batendo regularmente na praia, e assim passou a conhecer o ritmo por meio da natureza.”JAMES GALWAYA Música no Tempo (Ed. Martins Fontes, 1987)

A Casa de Vidro – Publicado por Eduardo Carli de Moraes

Autênticos magos do ritmo e alquimistas do som, os grupos Barbatuques e Stomp atuam como renovadores na arte da expressão rítmica. Com muita criatividade, operam junções extravagantes entre a poética corporal e a rítmica musical, através de instrumentos pouco usuais, somando-se a uma linhagem de músicos como Hermeto Paschoal, Tom Zé, Uakti e Mawaca (para citar só alguns dos brasileiros) que se exercitam em expandir os limites do possível na expressão musical.


Stomp é um grupo originário de Brighton, no Reino Unido, em que a confluência de música, dança, teatro, coreografia e batucada gera um resultado estético pra lá de impressionante. Nascido em 1991, quando foi fundado por Luke Cresswell (percussionista) e Steve McNicholas (ator, músico e escritor), o STOMP é a manifestação coletiva de uma força de poiésis que vai além do mero virtuosismo de artistas que dominam a rítmica corporal e a arte da sincronicidade.

Os dançarinos-batuqueiros são também mestres da comédia visual, inserindo em suas performances várias gags (dignas dos melhores filmes cômicos do cinema mudo, como aqueles de Chaplin ou B. Keaton). Além disso, utilizando-se dos próprios corpos e de objetos comuns para criar suas performances. “Objetos do dia-a-dia são utilizados para criar coreografias e sons, tais como: tubulações, tampas de balde de lixo, isqueiros, rodos, vassouras, sacos plásticos, pias cheias de água, baldes, calotas de carros, caixinhas de fósforo, chaves, bastões.” (ARTAXO; MONTEIRO; 2013, p. 34)

Deslumbre-se com a diversidade estonteante das expressões rítmicas de que o ser humano é capaz através deste DVD completo, que reúne 1h50min de material do Stomp ao vivo e a cores, endiabrado de ritmos:

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Explorando uma senda criativa similar, o grupo brasileiro Barbatuques faz música, há mais de 20 anos, apenas com ritmos e sons produzidos nos próprios corpos de seus integrantes. O mentor da trupe de batuqueiros corporais é Fernando Barbosa (Barba) e o projeto está na ativer desde 1988, investigando todas as possibilidades de uma Orquestra de Corpos que se auto batucam, abordagem que eles apelidaram de “sintetizador humano”.

Desde o álbum de estréia, Corpo do Som, eles vem “aproximando a música brasileira de elementos da música africana, mediterrânea, cubana, eletrônica e minimalista, entre outros. O trabalho do grupo é uma orquestra orgânica”, afirmam as arte-educadoras Inês Artaxo e Gizele Assis Monteiro no livro Ritmo e Movimento – Teoria e Prática (Phorte, São Paulo, 5º ed, 2013, p. 35)

 

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Sou peroba
Sou a febre
Quem sou eu
Sou um morto que viveu
Corpo humano que venceu
Ninguém morreu
Ninguém morreu
Ninguém morreu

Tabuletas
Grandes letras feito eu
Abundantemente breu
Abundantemente fel
Ninguém morreu
Ninguém morreu
Ninguém morreu

Conforme fiquei
O tempo me embalava
Se a chuva é mais forte
A enchente levava
Colete de couro
Com fios de nylon
No dia seguinte
O seguinte falhou

A dança da morte
Ninguém frequentava
A cruz a distância
Do povo de nada
Um morto mais vivo
De vida privada
No dia seguinte
O seguinte falhou

OUÇA OS DISCOS:

* Pérola Negra:

* Mico de Circo:

* Felino (1973):

* Maravilhas Contemporâneas (1976):

* Claro (1987):

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