12 motivos para barrar a instalação de Belo Sun no rio Xingu

12 motivos para barrar a instalação de Belo Sun no rio Xingu

Por Jackson Dias do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) em Brasil de Fato

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Mais um grande projeto ameaça a Volta Grande do Xingu, região já impactada pela hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A empresa canadense Belo Sun quer extrair cerca de 108 toneladas de ouro em 17 anos, no maior projeto de extração de ouro a céu aberto do país. A expectativa é lucrar mais de R$3,3 bilhões. Para a natureza e as comunidades que ali vivem, a única herança será a destruição.

Os atingidos são povos tradicionais, ribeirinhos e indígenas, além de agricultores e garimpeiros artesanais que vivem há mais de 70 anos na região e no momento estão proibidos de exercer sua profissão pela empresa. Os impactos também chegarão a todos os municípios da bacia do rio Xingu, principalmente Altamira, Souzel, Anapu, Brasil Novo, Vitória do Xingu, Porto de Moz e Gurupá.

A empresa Belo Sun Mineração Ltda. é uma subsidiária brasileira da Belo Sun Mining Corporation, pertencente ao banco canadense Forbes & Manhattan Inc., um banco mercantil de capital privado que já investiu mais de R$4 bilhões para explorar os recursos naturais em várias regiões do mundo.

A região escolhida para o projeto é extremamente sensível, pois a água do Xingu foi desviada de seu curso natural para movimentar as turbinas na casa de força principal da hidrelétrica de Belo Monte. Com isso, a Volta Grande passou a ser chamada “Trecho de Vazão Reduzida” (TVR), pois a vazão do rio chega a diminuir até 80% no inverno Amazônico (período chuvoso). Os ribeirinhos e indígenas, que têm a pesca como modo de subsistência e geração de renda, já estão sofrendo impactos.

No dia 2 de fevereiro de 2017, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) autorizou a instalação da Belo Sun na região. Diante dessa nova conjuntura, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que vem contribuindo na organização dos atingidos na região, apresenta 12 motivos pelos quais esse projeto nunca deveria ter saído do papel:

1. Os impactos vão se sobrepor aos de Belo Monte: Até 2025, a região da Volta Grande estará sobre monitoramento do Ibama (órgão licenciador de Belo Monte) para avaliar se as famílias e a biodiversidade conseguirão sobreviver às novas condições impostas com a construção da hidrelétrica, portanto, não é recomendável o início de mais um grande empreendimento nesse cenário de incertezas.

2. A Belo Sun já cometeu crime: segundo denúncia do Incra, a empresa comprou terras de pequenos agricultores assentados pela reforma agrária, o que é ilegal.

3. A empresa já está provocando miséria e desemprego: Após a Semas liberar a licença prévia, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) proibiu os moradores da região de continuarem com o garimpo artesanal, com isso, centenas de moradores ficaram desempregados e muitos desses chegam a passar fome.

4. A Belo Sun provoca êxodo rural: com o fim do garimpo artesanal, cerca de 800 pessoas já deixaram as comunidades da vila da Ressaca, Ilha da Fazenda e Vila do Galo, segundo cálculos dos próprios atingidos.

5. A Belo Sun viola o direito à informação: a empresa já lançou diversos estudos e relatórios sobre a região depois da publicação do EIA/RIMA (2012). No entanto, esses estudos estão em inglês e no site da empresa. Como parte considerável das famílias atingidas é de baixa escolaridade e não tem acesso à internet, as informações mais atualizadas não chegam para essas famílias e elas não ficam sabendo o que a empresa quer, de fato, fazer na região.

6. Imensa barragem de rejeitos e uso de substância tóxica: a empresa irá construir um reservatório para armazenar 92 milhões de m³ de rejeitos, quantidade superior a que foi liberada pela Samarco no rio Doce, no estado de Minas Gerais. Além disso, a empresa irá utilizar mais de 37 mil toneladas de cianeto durante todo o processo para separar o ouro dos minerais, substância nociva para o ser humano e o meio ambiente.

7. Contratação de empresa envolvida no crime de Mariana: a Belo Sun contratou a empresa VogBr e o engenheiro Samuel Paes Loures para fazer a avaliação do projeto do reservatório de rejeitos. Eles foram denunciados pelo MPF e pela Polícia Civil de Minas Gerais, juntamente com a Samarco, Vale e BHP Billiton, pelo crime em Mariana (MG) que assassinou 20 pessoas e contaminou 650 km do rio Doce.

8. Roubo de água: mesmo sem saber em que condições a região irá ficar com a redução da vazão do rio Xingu, a Belo Sun irá retirar dali grande quantidade de água para o processo industrial de ouro. Serão 6 milhões de litros de água por dia, equivalente ao consumo de 30 mil pessoas.

9. A Belo Sun consumirá muita eletricidade (e pagará barato): no Brasil, as grandes empresas eletrointensivas, como a Belo Sun, pagam uma tarifa de energia até 10 vezes menor do que os consumidores residenciais. A proximidade da hidrelétrica de Belo Monte é um fator que viabiliza o empreendimento e nos faz questionar: energia para que e para quem?

10. A Belo Sun não reconhece os indígenas como atingidos: as Terra Indígenas (TIs) Paquiçamba e Arara da Volta Grande, onde vivem as etnias Juruna e Arara, respectivamente, não foram reconhecidas como atingidas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da empresa, apesar de estarem distantes apenas 9,5 km e 13 km respectivamente da área do possível empreendimento.

11. A empresa não tem opção de reassentamentos para os atingidos: embora a Belo Sun tenha que remover famílias das vilas, segundo o EIA/RIMA, para criar o canteiro de obras, ela não garante opções de reassentamentos para as famílias. Segundo a experiência do MAB, reassentamento é a melhor política para os atingidos, pois permite a reconstrução da vida em outro local, o que não se viabiliza somente com indenização em dinheiro.

12. A riqueza gerada irá para os bolsos canadenses: apesar do ouro estar no subsolo brasileiro, o lucro gerado pela exploração dessas 108 toneladas de ouro serão apropriadas pelo capital transnacional. O que fica para a região, e para o país, são migalhas e destruição em plena Amazônia brasileira.

Edição: José Eduardo Bernardes

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O Petróleo do Pré-Sal e as Hidrelétricas Amazônicas: Dois Projetos de Reportagem Abortados

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Durante as últimas semanas, mergulhei de cabeça nas pesquisas, analógicas e digitais, on e off line, sobre dois temas essenciais para o Brasil de hoje e para o planeta de amanhã. A Agência Pública de Jornalismo Investigativo e o Greenpeace estavam oferecendo microbolsas de R$5.000 para realização de grandes reportagens sobre os meandros e veredas da produção de energia em terra brasilis. Abaixo, compartilho as duas pautas que apresentei a eles na esperança de ser agraciado com uma das bolsas. Não fui um dos 4 selecionados, e eis-me aqui restituído à melancolia do desemprego; mas ao invés de engavetar esse material, escondendo-o nos armários do fracasso junto com milhares de outros papéis cuja brancura eu ousei profanar, preferi postar as pautas neste blog transparente e despoluído ( e que não vale um puto na bolsa de valores… ). Fica aí como uma espécie de monumento-em-escombros, dedicado a algo que eu planejei realizar mas que não terá verbas para deixar o mundo platônico das ideias inúteis  tão cedo… A serventia disso, acredito, é pouca mas não nula: com estes planos de reportagem, procurei compartilhar um pouco das informações mais estarrecedoras que andei descobrindo, e cuja relevância prossigo acreditando imensa. Agradeço ao companheiro Rodrigo Gomes Lobo, poeta-jornalista-antropólogo-e-muito-mais, que estava topando embarcar comigo nessa jornada em busca das verdades infames sobre o pré-sal e sobre as barragens hidrelétricas amazônicas. A vontade de expandir nossa amizade para abarcar uma parceria de trabalho prossegue viva e, oxalá, apenas adiada.

Eis aí o que não vai ser:

Fossil Fuel

 

 CONCURSO DE MICROBOLSAS – GREENPEACE & PÚBLICA

MUITO ALÉM DO DINHEIRO: OS CUSTOS SOCIOAMBIENTAIS DO PRÉ-SAL

* Resumo da proposta

Propomos investigar várias vozes que argumentam pelo fim da era dos combustíveis fósseis. Ofereceremos um quadro geral das controvérsias a respeito dos impactos socioambientais do projeto energético do pré-sal em nossa era de aquecimento global.

* Pré-Apuração. Explique o que você já apurou sobre a pauta e por que ela é relevante. Deve conter pesquisa inicial, contexto e relevância (Máximo 4 mil caracteres)

Nas profundezas do oceano, com 800km2 de extensão e 200km2 de largura, jaz a “província do pré-sal”. As reservas valem trilhões de dólares no mercado internacional e a produção atual já ultrapassa os 500 mil barris por dia (http://bit.ly/1sEkeu7). O relatório “Point of No Return” do Greenpeace, classifica-o entre os 14 maiores projetos de energia “suja” hoje em curso no planeta. Se todos esses mega-empreendimentos extrativistas e poluidores seguirem em frente, avalia-se que a média das temperaturas globais vai subir entre 4º e 6º C neste século.

Em entrevista concedida a Eliane Brum, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro criticou o status quo político no Brasil por sua incapacidade de enxergar o pré-sal no contexto do planeta – entendido como “a casa das espécies” (http://bit.ly/1vpFf0H). Segundo Viveiros, o pré-sal não é meramente uma oportunidade comercial para que o Brasil faça fortuna e acarretará efeitos socioambientais que vão muito além do dinheiro. Longe de ser algo de interesse local, o pré-sal é um problema para o planeta. Em tom similar, o deputado federal Chico Alencar sustenta que “cada vez mais somos tripulantes de uma nave comum ameaçada que é a Mãe-Terra.” (http://bit.ly/1tGGnIu)

Como alertam o IPCC e as Cúpulas do Clima da ONU, há alarmantes índices de CO2 já na atmosfera e as emissões prosseguem muito acima do recomendável. Há evidências empíricas da crise ecológica global em profusão: queda brutal da biodiversidade, derretimento das calotas polares, ascensão dos eventos de disrupção climática (como aqueles documentados em “Disruption”: http://bit.ly/1xhiXRk).

Estamos presenciando também crescentes mobilizações de ativistas e ONGs que militam em prol de um “futuro verde”, o que atingiu seu ápice na People’s Climate March 2014 (Mídia Ninja: http://bit.ly/1pIO4xl). Uma das principais demandas deste recente ecoativismo é o fim da hegemonia das corporações de petróleo, carvão e gás natural. As ruas bradaram um “chega!”, por exemplo, ao cartel das Sete Irmãs (http://bit.ly/1unDilz), aos crimes da Shell na Nigéria, aos derramamentos tóxicos cancerígenos da Texaco no Equador e da British Petroleum no Golfo do México. Afinal de contas, como aponta reportagem do The Guardian (http://bit.ly/1gCaHA0), 90 corporações (a imensa maioria delas do setor energético) são responsáveis por mais de 2/3 de todas as emissões de gases de efeito estufa.

Julgamos relevante, através da realização deste projeto em parceria com a Pública e o Greenpeace, dar voz àqueles que, no Brasil, diante dos ecocídios, levantam-se em resistência organizada para constituir um movimento global em defesa da biosfera. Queremos materializar em uma grande reportagem (ricamente ilustrada) e em um documentário curta-metragem algumas das manifestações brasileiras desta efervescência global de ativismo, já analisada por Naomi Klein em seu livro This Changes Everything (http://bit.ly/VEOtIc).

Propomos investigar e comunicar ao leitor/espectador várias vozes que argumentam pelo fim da era dos combustíveis fósseis. Um painel de argumentos e opiniões colhidos entre ecosocialistas, antropólogos, climatologistas, midiativistas e militantes. Figuras como Alexandre Araújo Costa, que sustenta: “A exploração das últimas reservas fósseis (o que inclui o pré-sal brasileiro) é absolutamente incompatível com qualquer perspectiva mínima de manter o sistema climático sob limites precariamente seguros. (…) É preciso parar de crescer e desacelerar a locomotiva tresloucada do capital, arrancando a riqueza diretamente do punhado de bilionários que a controla.” (http://bit.ly/1qDQ0aK)

As perguntas norteadoras deste projeto podem ser: “Em que mundo irão viver as futuras gerações (inclusive as não-humanas) caso as reservas de petróleo hoje conhecidas, inclusive o pré-sal, sejam queimadas? Que tipo de amanhã estamos legando à Teia da Vida (para usar a célebre expressão de Chief Seattle: http://bit.ly/1v4hIEM)? Há mundo por vir?”

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PAUTA 2:

OS HERÓIS ANÔNIMOS DA RESISTÊNCIA AMAZÔNICA CONTRA AS BARRAGENS

Resumo da proposta

Propomos dar voz aos povos indígenas e ribeirinhos afetados pelas usinas hidrelétricas na Amazônia, comunicando ao leitor as vivências subjetivas e posturas políticas dessa gente, com foco no ecoativismo popular e na solidariedade comunitária.

Pré-Apuração. Explique o que você já apurou sobre a pauta e por que ela é relevante * Deve conter pesquisa inicial, contexto e relevância (Máximo 4 mil caracteres)

Nos últimos anos, muita controvérsia envolveu os megaprojetos hidrelétricos brasileiros. Um relatório do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) aponta que “1 milhão de pessoas foram expulsas de suas terras devido a construção de barragens. Isto corresponde a 300 mil famílias. Dados do MAB apontam que a cada 100 famílias deslocadas, 70 não receberam nenhum tipo de indenização.” (http://bit.ly/1zRRdUa)

Belo Monte, a terceira maior barragem do mundo, atrás apenas de Itaipu e da chinesa Três Gargantas, é só a ponta-de-lança de um fenômeno mais amplo: a disseminação das hidrelétricas em rios como Xingu, Amazonas e Tapajós, em obras financiadas pelo PAC e celebradas pelo governo federal como templos do progresso. As 29 novas hidrelétricas na Amazônia, informa O Globo em 2012, “alagarão uma área de ao menos 9.375,55 km2, quase oito vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro.” (http://glo.bo/1xxbif6)

Atualmente, cerca de 80% da eletricidade brasileira é gerada em hidrelétricas (como esclarecido no vídeo “A Luz Que Vem Das Águas”, da série Linhas: http://bit.ly/1BfG01i). É raro que a imprensa corporativa conte a história das milhares de vidas que são afetadas por estes mega-empreendimentos, responsáveis por imensos fluxos de migração forçada, problemáticos reassentamentos e colapso de ecossistemas.

Nesta pauta aqui apresentada à Pública e ao Greenpeace, propomos investigar a condição existencial dos brasileiros afetados por barragens, que foram empurrados para fora de seus lares, em com destaque para aqueles que tornam-se ecoativistas ou líderes comunitários. Nossa reportagem buscará revelar a densidade psicológica das subjetividades condenadas a uma sina de “desenraizamento”, para usar um conceito de Simone Weil. Nossa intenção é também dar voz à resistência popular daqueles que, por terem sofrido danos, militam para barrar as barragens.

Nos últimos anos, irromperam inúmeras manifestações, protestos, ocupações e greves relacionadas à luta contra as barragens. Um dos episódios mais célebres desta saga ocorreu em 1989, quando os Kayapó, liderados pelo cacique Raoni, conseguiram frear os projetos hidrelétricos do governo Sarney. Duas décadas e meia depois, o ímpeto “conquistador” da Ditadura Militar (1964-1985) em suas relações com a Amazônia não foi inteiramente superado com a re-democratização e alguns pesquisadores, como Idelber Avelar e Viveiros de Castro, acusam o projeto “belo montista” de ser um entulho legado pela ditadura.

No primeiro mandato de Dilma na presidência, houve a emergência de uma resistência multi-facetada a estes projetos faraônicos em eventos como o Xingu +23 e movimentos como Xingu Vivo Para Sempre e o supracitado MAB. Buscaremos entrevistar figuras significativas deste embate e que trazem escritas na carne as estórias de como lutam diariamente para defender rios, florestas e ecossistemas contra a devastação que costuma vir na esteira das hidrelétricas.

Julgamos relevante apresentar ao Brasil alguns de seus heróis anônimos do ecoativismo “grassroots” , ainda mais quando consideramos quanta coragem é necessária para este engajamento em um país que é campeão mundial em assassinatos de ativistas da ecologia, segundo o relatório da Global Witness (http://bit.ly/1u7rFOd). É preciso dar visibilidade e proteção às pessoas que denunciam o desmatamento da Amazônia e que militam contra os grandes projetos de barragens, para que seus direitos de expressão e seus modos de vida sejam respeitados, de modo a evitar novas tragédias como aquelas sofridas por Chico Mendes, Dorothy Stang, José Cláudio Ribeiro, entre outros.

Em suma, procuraremos dar voz aos brasileiros que resistem às barragens, revelando suas perspectivas sobre os rumos do país, de modo a questionar uma das ideologias hegemônicas no país: aquela que Arundathi Roy, em The Greater Common Good (http://bit.ly/113Sbhj), apelida ironicamente como “Local Pain for National Gain” (Dor Local Para Benefício Nacional).

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BROKEN REPUBLIC (Penguin Books, 2011) – The “World’s Biggest Democracy” according to Arundathi Roy

DSC05338DSC05331DSC05332DSC05333Photos from Arundhati Roy’s Broken Republic

INDIA: THE WORLD’S BIGGEST DEMOCRACY?
By E.C. Moraes @ Awestruck Wanderer 

AA1998: while we were reaching the end of the 20th century, India was testing nuclear weapons. The civilization which gave to the world masters of wisdom such as Gandhi and Sidarta Gautama, Ambedkar and Tagore, was very un-wisely on the brink of war.  It was like a reawakening of the politics of the Cold War, in which both the U.S. and the Soviet Union had atom bombs at their disposal, with both India and its next-door-neighbour Pakistan with weapons of mass destruction pointing at one another. The scars of Partition still imprinted in memory. Sad news, indeed. It’s as if, instead of learning from History (Hiroshima and Nagasaki: “the horror, the horror!”), some governments just won’t let go of this very lousy idea of messing with nuclear warfare – a situation so brilliantly mocked by Stanley Kubrick’s film Dr. Strangelove.

One of India’s greatest writers, Booker-Prize winning novelist Arundhati Roy, instead of writing a follow-up for The God of Small Things (1997) – widely considered a masterpiece of contemporary literature – felt she had to devote herself to write about the political reality of her nation’s turmoil. She accused India’s government of dangerously throwing fuel to a fire of nationalist pride with the Hindu H-Bomb. “When you have dispossession and disempowerment on this scale as a result of corporate globalization”, she told David Barsamian, “the anger that it creates can be channeled in bizarre and dangerous ways. India’s nuclear testes were conduced to shore up people’s flagging self-esteem. India is still flinching from the cultural insult of British colonialism, still looking for its identity.” (The Checkbook and the Cruise Missile, p. 37) Nuclear warfare on the hands of India and Pakistan was certainly no reason to celebrate, argued Arundhati Roy, who feared the worst might end up happening  -she finished one of her articles with apocalyptic imagery: “This world of our is 4.600 million years old. It could end in an afternoon.” (read The End of Imagination at Outlook Magazine)

broken-republic-arundhati-roy1Arundhati Roy’s political essays also denounce fiercely the Human Rights abuses in Kashmir, where India’s army imposes its rule with the colossal force of half-a-million soldiers (the largest military occupation in the world), crushing with violence all the demands of independence made by Kashmiris. Opposing the recent wave of celebration of India’s “economic miracle” and skyrocketing GDP, Arundhati Roy states that we shouldn’t be fooled by the ideology marketed by “experts in economics”. One shouldn’t measure the success of a nation by the number of new billionaires it produces each year. And wealth going into the pockets of large corporations and their politicians should never be confused with Common Wealth or Social Justice. She argues that India is a fake democracy, a society still deeply hierarchical, clinging to its rigid Caste System, with obscene rates of deaths by starvation and mass suicides by empoverished peasants (since 1997, it’s estimated that 200.000 of them have killed themselves, often by drinking Monsanto’s pesticides). Arundathi Roys, in her BBC interview, stated that no less than 800 million people in India live on less than 20 rupees a day (which means: 30 cents of a dollar).

According to Roy, after the collapse of the Soviet Union, India aligned with the U.S.A. and the Indian state decided to open its gates to all the marvels of Free Market and “Development”. When the new century dawned, however, the September 11th attacks on New York and Washington were to be followed by a surge of islamophobia, fueled by the Yankees “War on Terror” that was beggining to plan its military invasions and bombings of Afheganistan. In India, this epidemic of islamophobia caused disaster, a re-awakening of communal violence, culminating in tragedy: in Gujarat, 2002, Muslims were massacred  by Hindu nationalists in a pogrom which killed at least 2.000 people and forced at least 150.000 out of their homes. Welcome to the “World’s Largest Democracy”.

Is Indian Capitalism working? If we look at growth rates and skyrocketing GDP, oh yes Sir! But let’s not get blinded by economists and their statistics: India is a country ravaged by famine: “836 million people of India live on less than 20 rupees a day, 1.500.000 malnourished children die every year before they reach their first birthday. Is this what is known as ‘enjoying the fruits of modern development’?” (ROY, Broken Republic, pg. 154).

The Indian State also has to deal with another kind of menace, the “inner enemy”, those dozens of thousands of Indians, called “Maoists” or “Naxalites”, who decided to insurrect in armed rebellion. They want nothing less than to overthrow the Indian State. “Right now in central India, the Maoists’ guerrilla army is made up almost entirely of desperately poor tribal people living in conditions of such chronic hunger that it verges on famine of the kind we only associate with sub-Suharan Africa”, writes Arundhati Roy (pg. 7).

In 2006, India’s prime minister described the Maoists as “the single biggest internal security challenge ever faced by our country”, a statement which Roy considers very exaggerated.  By magnifying in discourse the danger posed by the Maoist guerrilla, by painting in the media a portrait of them as cruel terrorists, the Indian government aims, argues Arundhati Roy, to justify its war measures against the poorest of its citizens. Quite honest in revealing the masters who he serves, the prime minister also told the Parliament in 2009: “If Left Wing extremism continues to flourish in important parts of our country which have tremendous natural resources of minerals and other precious things, that will certainly affect the climate for investment.” (B.R., pg. 3)

For a quick example of the “tremendous natural resources”, it’s enough to mention that “the bauxite deposits of Orissa alone is worth 2.27 trillion dollars (twice India’s gross domestic product)” (pg. 23). In order for the mining corporations to have access to this precious things, India needs to be turned into a Police State. It needs to wage war against the hungry, desperate and destitute people who live in this very “profitable” lands, against the people who revolt against being displaced, impoverished and opressed. To simply leave the bauxite in the mountains seems out of the question for the government and the industrialists, of course, who have eyes only for the money that can be made and not to the environmental damage and social havoc that such procedures of extraction will cause. The alliance between a neo-liberal state and its corporate friends leads to a situation in which military power and police repression are massively used to enforce the so-called Free Market. In order to clear the way for the corporations to extract their profits from India’s natural resources, genocide is seen as an acceptable means, if only you preach in the media that a terrorist threat to national security needs to be crushed.

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Comrade Kamla, member of the Maoist guerrillas.

“What are we to make of the fact that just around the time the prime minister began to call the Maoists the ‘single biggest internal security challenge’ (which was a signal that the government was getting ready to go after them) the share prices of many of the mining corporations in the region skyrocketed? The mining companies desperately need this war… To justify the militarization, it needs an enemy. The Maoists are that enemy. They are to corporate fundamentalists what the Muslims are to Hindu fundamentalists. (…) Here’s a maths question: if it takes 600.000 soldiers to hold down the tiny valley of Kashmir, how many will it take to contain the mounting rage of hundreds of millions of people?” (31-34)

Arundhati Roy speaks from experience: she went to witness first-hand what’s happening in the areas where India’s State and the Maoist guerrilla clash. She tells the tale in Walking With The Comrades, one astonishing feat of investigative journalist that proves how courageous Arundathi Roy really is. She puts herself in danger in order to see for herself what’s going on there, in order to be able to write truly about the battle for the “mineral-rich forests of Chhattisgarh, Jharkhand, Orissa and West Bengal – homeland to millions of India’s tribal people, dreamland to the corporate world.” (pg. 42) It seems to be a situation with many similarities with Mexico’s conflict in Chiapas, where the Zapatista’s armed insurrection confronts the Mexican State in its tendency to favour corporate plunder of indigenous lands.

“The antagonists in the forest are disparate and unequal in almost every way. On one side is a massive paramilitary force armed with the money, the firepower, the media, and the hubris of an emerging Superpower. On the other, ordinary villagers armed with traditional weapons, backed by a superbly organized, hugely motivated Maoist guerrilla fighting force with an extraordinary and violent history of armed rebellion.” (pg. 39)

India’s Constitution, adopted in 1950, “ratified colonial policy and made the state custodian of tribal homelands. Overnight, it turned the entire tribal population into squatters on their own land.” (pg. 43) Dispossessed of their right to livelihood and dignity, the tribal people became pawns in the Big Business game. “Each time it needed to displace a large population – for dams, irrigation projects, mines – it talked of ‘bringing tribals into the mainstream’ or of giving them ‘the fruits of modern development’. Of the tens of millions of internally displaced people (more than 30 million by big dams alone), refugees of India’s ‘progress’, the great majority are tribal people.” (pg.  43) Here we have an example of what Bruno Latour calls The Modernization Front. In India, The Modernization Front, in order to protect corporate interests (after all, corporations are vehicles of Progress…), won’t refrain from engaging in a war against its own people. A War that Arundhati Roy prefers to call by another name: Genocide.

ArundhatiIn the 10-hour drive she untertook through areas known to be “Maoist-infested”, she noted: “These are not careless words. ‘Infest/infestation’ implies disease/pests. Diseases must be cured. Pests must be exterminated. Maoists must be wiped out. In these creeping, innocuous ways the language of genocide has entered our vocabulary.” (pg. 45) She walks for hours and hours each day, along with the comrades, under the shining and vehement sun, carrying a backpack filled with essentials for jungle-survival – and when it comes the time for sleep, she doesn’t mind that much not having a roof over her head. Resting on a sleeping-bag on the forest floor, she celebrates her “star-spangled dormitory” (pg. 63): “It’s my private suite in a thousand-star hotel. (…) When I was a child growing up on the banks of the Meenachal River, I used to think the sound of crickets – which always started up at twilight – was the sound of stars revving up, getting ready to shine. I’m surprised at how much I love being here. There is nowhere else in the world I would rather be.” (pg. 57-60)

While she walks with the comrades, she knows some areas they’re crossing run the risk of going underwater because of Mega Dams. Since Independence, 3.300 big dams were built, and the amount of displaced is estimated in over 30 million people.

“The Bodhgat Dam will submerge the entire area that we have been walking in for days. All that forest, that history, those stories. More than a hundred villages. Is that the plan then? To drown people like rats, so that the integrated steel plant and the bauxite mine and aluminium refinery can have the river? (…) There was a time when believing that Big Dams were the ‘temples of Modern India’ was misguided, but perhaps understandable. But today, after all that has happened, and when we knoe all that we do, it has to be said that Big Dams are a crime against humanity.” (pg. 142-143)

 In the People’s Liberation Guerrilla Army, 45% of its cadre are women. The so-called Maoists or Naxalites consist mainly of people from the lowest caste of India’s piramidal society: the Untouchables, the pariahs of India, those who are treated as human scums, crushed underneath a heavy weight of hierarchical machinery. When the Prime Minister said the Maoists were a grave security challenge, “the opposite was true”, argues Roy, who remembers that the rebels were being decimated in a Purification Hunt destined to “send the share-value of mining companies soaring” (pg. 80)

What it all boils down to is a clash between Corporate Capitalism, on the one side, and the majority of the population, on the other. In times where ideologies of Free Trade reign, the exploration of natural resources is made not in order to provide for the commonwealth of the whole of society, but for private profits gained through ecocidal and genocidal means.

“Allowing ‘market forces’ to mine resources ‘quickly and efficiently’ is what colonizers did to their colonies, what Spain and North America did to South America, what Europe did (and continues to do) in Africa. It’s what the Apartheid regime did in South Africa. What puppet dictators in small countries do to bleed their people. It’s a formula for growth and development, but for someone else. (…) Now that mining companies [in India] have polluted rivers, mined away state borders, wrecked ecosystems and unleashed civil war, the consequence of what the coven has set into motion is playing out like an ancient lament over ruined landscapes and the bodies of the poor.” (pg. 170)

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“If the motion picture were an art form that involved the olfactory senses – in other words, if cinema smelled – then films like Slumdog Millionaire would not win Oscars. The stench of that kind of poverty wouldn’t blend with the aroma of warm popcorn.”  – Arundathi Roy

Arundathi Roy’s political thought is so intensely relevant nowadays because she is one of the fiercest critics of what goes by the name of “Democracy” nowadays. States that impose with authoritarian means – including military atrocities and police brutality – the policy of Free Market (which means: let’s protect the private interests of wealthy corporations and billionaires!), call themselves “democracies”. India is often called the world’s biggest democracy, and yet “the Indian State, in all its democratic glory, is willing to loot, starve, lay siege to, and now deploy the air-force in ‘self-defense’ against its poorest citizens.” (pg. 186) So we have to distinguish between Ideology / Propaganda (“India is a Democracy, a Fast-Growing Economy, with a State concerned in providing Security from terrorists”) from Reality (there are a lot of natural resources that corporations are eager to get a hold of… if only the people are thrown out of the way!).

The essential question to be asking is this: what about the future of the planet? If the current model of development continues, what will happen to mankind as we move towards a future that’s bound to be filled with ecological crisis and all the cataclysms ensuing from Climate Change? In India, there’s “several trillion dollars’ worth of bauxite, for example. And “there is no environmentally sustainable way of mining bauxite and processing it into aluminium. It’s a highly toxic process that most Western countries have exported out of their own environments. To produce 1 ton of aluminium, you need about 6 tons of bauxite, more than a 1000 tons of water and a massive amount of energy. For that amount of captive water and electricity, you need big dams, which, as we know, come with their own cycle of cataclysmic destruction. Last of all – the big question – what is the aluminium for? Where is it going? Aluminium is a principal ingredient in the weapons industry – for other countries’ weapons industries…” (p. 211)

Such is the suicidal logic of the Powers That Be, a situation so bleak that many of us are worrying about Mankind’s path: are we following a road that will lead to our own extinction? Does our future hold new horrendous explosions of Atom Bombs and civil wars?  Will Corporate Capitalism be allowed to proceed with its ecocidal practices and its obscene tendencies to concentrate wealth in a few hands (while millions die from hunger and curable diseases)? How to shift direction in order for us to slow down this process that has been turning Planet Earth into an Ecological Wreck? This is how Arundathi Roy finishes this deeply moving and concerning book, Broken Republic:

“Can we expect that an alternative to what looks like certain death for the planet will come from the imagination that has brought about this crisis in the first place? It seems unlikely. The alternative, if there is one, will emerge from the places and the people who have resisted the hegemonic impulse of capitalism and imperialism instead of being co-opted by it. Here in India, even in the midst of all the violence and greed, there is still hope. We still have a population that has not yet been completely colonized by that consumerist dream. We have a living tradition of those who have struggled for Gandhi’s vision of sustainability and self-reliance, for socialist ideas of egalitarianism and social justice. We have Ambedkar’s vision, which challenges the Gandhians as well as the socialists in serious ways. We have the most spectacular coalition of resistance movements, with their experience, understanding and vision. Most important of all, India has a surviving adivasi population of almost 100 million. They are the ones who still know the secrets of sustainable living.

The day capitaism is forced to tolerate non-capitalist societies in its midst and to acknowledge limits in its quest for domination, the day it is forced to recognize that its supply of raw material will not be endless, is the day when change will come. If there is any hope for the world at all, it does not live in climate-change conference rooms or in cities with tall buildings. It lives low down on the ground, with its arms around the people who go to battle every day to protect their forests, their mountains and their rivers… It is necessary to concede some physical space for the survival of those who may look like the keepers of our past but may really be the guides to our future. To do this, we have to ask: Can you leave the water in the rivers, the trees in the forest? Can you leave the bauxite in the mountain? If they say they cannot, then perhaps they should stop preaching morality to the victims of their wars.” (pg. 214)

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