TRAÇANDO ALTOS PLANOS PARA CONTRA-ATACAR – Baiana System lança 3º álbum, “O Futuro Não Demora”

“Ele conhece a liberdade sem olhar no dicionário”, canta Russo Passapusso na poderosa canção “Sulamericano”, referindo-se ao “Revolucionário Guevara”. Livres e soltos, os músicos do Baiana System transformam este 3º álbum da banda em uma promessa cumprida: O Futuro Não Demora. Ouvir este disco bombando nos alto-falantes é ter certeza de que o futuro já chegou. Agora cabe a nós sermos plenamente contemporâneos dele.

Dando sequência à obra-prima Duas Cidades, sem demora o grupo botou na praça outro álbum visionário e profético. Uma estética que aprendeu com Gil e a Tropicália a realizar uma arte futurística e futurível. O Futuro Não Demora é a prova viva de que a fervilhância da cultura brasileira – em especial na época com Gil e Juca à frente do MinC, bombando o programa Cultura Viva – não corre o risco de ser apagada, apesar de pilantras e calhordas a fazer merda com políticas públicas de cultura dentro dos aparelhos de Estado. Pois a cultura é do povo, e não do Estado; e quando o Estado busca sucateá-la ou silenciá-la, ela se alça como Fênix. E grita rompendo os cálices.

Pois o futuro chegou, e a soundtrack deste future que entre nós já vem desembarcando com seu peso de mamute e sua foxy esperteza é o BaianaSystem quem propõe através de seu agitado bonde do groove. Botando nas ruas e nas redes o seu som hipnótico, o grupo vem fazendo história nos festivais pelo Brasil com um espetáculo ao vivo impressionante.

Um show do Baiana é uma vivência incrível: é tanto um desafio cognitivo quanto uma oportunidade de experiência coletiva extática, ambas em doses cavalares. Quando estiveram por aqui, no último Bananada (2018), parecia que Goiânia inteira estremecia com um abalo sísmico com o som dos caras. O show era uma aparição telúrica que atingia altos índices na Escala Richter. Parecia que estavam tentando passar como terremoto sônico sobre a apatia e o desengajamento de toda uma geração. Terapia de choque para exorcizar a doentia Sociedade do Lucro.

Por mais desconectados que fôssemos antes, por mais individualistas e fechados que possamos ser para lá dos muros do festival, naquele aqui-e-agora extraordinário nós transcendemos nossas barreiras, caminhamos no sentido de virar uma coisa só, uma centopéia humana, um organismo coletivo. Goste-se ou não de bandas como o Baiana System, os Los Hermanos, a Legião Urbana, é inegável que elas mobilizam uma base de fãs que consegue fazer dos shows autênticas e altissonantes experiências místicas coletivas.

No Baiana no Bananada, foi assim: de repente, estávamos todos acesos, ligados, conexos. E assim o BaianaSystem revela-se como uma engenhosa maquinaria de conectividade. Um mega-corpo, um soundsystem de muitas cabeças, como uma Medusa ciborgue de cérebro plugado no mar de informação da Web.

Uma banda que se apropria da música como meio para fins que transcender a arte, pois adentram o reino da política, da briga por poder, da tentativa aguerrida de valer por parte daqueles tão desvalidos e tão desvalorizados pelos poderosos da vez (que tem uma tendência forte a serem escrotos e agirem como canalhas desumanos, como provam dúzias de exemplos, de Duque de Caxias a Bolsonaro, de Genghis Khan e Átila a Hitler e Pol Pot).

Convocando a força de suas raízes e dos orixás de Feira de Santana, o vocalista do Baiana System está soletrando cada vez melhor a liberdade. Põe à sua poesia, tão bem revelada pelo álbum solo Paraíso da Miragem, para nos levar pra voar. Salte do avião, você chegará vivo no chão. O paraquedas é por conta deles, e é de boa: salte neste abismo, abra-se à esta folia, escute esta sabedoria. O Brasil que deu certo é este, que pulsa diversidade e que ensina ao mundo o valor da água e da floresta, o valor da estima mútua e do respeito pela interdependência e pelas conexões.

Abra-se ao futuro que vira presente. Pois livros, paraquedas e mentes só funcionam bem quando abertos. E estar de portas abertas pro ganjaço sensorial do Baiana System é salutar para nossa cultura. Como foram também, em tempos de antanho, o Planet Hemp, a Legião Urbana, Os Mutantes…

MCs libertos dos cárceres dos dicionários, conectados visceralmente com a gíria das ruas, afiados no rap dos guetos, os caras do sistema baiano de subversão sônica encantam também pelo trato com a palavra. Os ritmados da fala nas ruas e florestas do pluridiverso Brasil pulsam no som do Baiana System. Nesta obra magna da Novíssima MPB, a figura do artista inconformado e inquieto, sempre mutante e criativo, segue “traçando vários planos para contra-atacar.”

O território do drama é aquele continente fraturado pelas injustiças de classe e pelas dominações brutais de elites do atraso sobre massas pisoteadas, aquele continente tão bem descrito por Eduardo Galeano e Gabo Márquez:

“Nas veias abertas da América Latina
Tem fogo cruzado queimando nas esquinas
Um golpe de estado ao som da carabina, um fuzil
Se a justiça é cega, a gente pega quem fugiu
Justiça é cega (contra-atacar)
Justiça é cega (eu quero contra-atacar)…”
“Sulamericano” || BaianaSystem
De “O Futuro Não Demora” (2019)

Descrita pela revista Rolling Stone Brasil como “mais atual do que nunca” e “banda brasileira mais relevante hoje”, a BaianaSystem “se reconecta à música brasileira e prepara o contra-ataque”. Uma enxurrada de participações especiais ajuda o discaço O Futuro Não Demora a zarpar num navio pesadão e cheio de ânimo: tem B Negão, tem Curumin, tem Antonio Carlos e Jocafi.

Tem até Manu Chao, cujo álbum Clandestino segue ecoando, anos e anos a fio, como o clássico da world music que já se tornou, sementeira que segue dando muitos frutos (como também o provam Anita Tijoux, do Chile, e Rebbeca Lane, da Guatemala).

Russo Passapusso tem antenas culturais tão bem fincadas em nossa fértil lama cultural multidiversa que não é absurdo equipará-lo, em elevação estética e visão artística, a figuras como Chico Science, Manu Chao, David Byrne ou Tom Zé.

Manifesto multifacetado de um “Terceiro Mundo” cansado de ser subalternizado, e que ergue sua cabeça com orgulho para mandar uma mensagem que se ouça planeta afora, o BaianaSystem participa de um devir-global do som contemporâneo brazuca, processo de que participam também, cada vez mais intensamente, os Boogarins.

O significado histórico de O Futuro Não Demora ainda não é claro, para nós que somos contemporâneos de seu desembarque por aqui. Mas é lícito supor que, junto com o lançamento do filme Marighella de Wagner Moura, esta será a obra-de-arte mais impactante deste início conturbado e violento da desgovernança Bozonazista. O Carnaval de Salvador terá muito a nos dizer, neste 2019, sobre a potência da cultura subversiva e transformadora através da ação –  emblema e enigma – que será o Bloco Baianasystem pelas ruas de um país convulsionado.

Iluministas conectados à internet, cientes de participarem de uma teia de colaboração, os MCs da Bahia globalizável hoje mostram ao mundo um pouco daquilo que encantou tanta gente pelo globo nas figuras de Glauber Rocha, de Gilberto Gil ou de Jorge Amado… Esta “terra de contrastes” que, segundo Bastide, é o Brasil, costume ser fértil na produção de gênios assim.

Glauber, Gil, Amado, dão sequência à genialidade de Lima Barreto, de Assis Valente, de Castro Alves, de Gregório de Matos. Baiana System vem para se integrar nesta louvável tradição, onde a intimidade com a cultura popular não impede os ousados vôos de vanguarda. Onde soam fortes e sedutores os batuques e os tambores telúricos da Bahia-Roma-Negra.

Eis um álbum classudo, groovado, bomba percussiva de ritmado delicioso, que resiste bem a repetidas escutas, prometendo pôr pra ferver a subversão criativa e botando até o saci pererê pra pular. Mesmo que seja dançando duma perna só.

BaianaSystem – “O FUTURO NÃO DEMORA” (2019).
Ouça na íntegra: https://bit.ly/2BCUsVS.

Faça o download: https://bit.ly/2EdXxx9.

Leituras recomendadas:

[1] O Globo – BaianaSystem é um dos maiores acontecimentos da música brasileira recente. Banda baiana cria um mundo que rima mágico e trágico em ‘O futuro não demora’: https://glo.bo/2T1dgb6

[2] ‘Você tem poder para mudar o mundo’, defende BaianaSystem em terceiro disco:https://oglobo.globo.com/cultura/musica/voce-tem-poder-para-mudar-mundo-defende-baianasystem-em-terceiro-disco-23448359

[3] Revista NOIZE – Entrevista | O batismo de água e de fogo do BaianaSystem em “O Futuro Não Demora”: https://bit.ly/2DNdVUb.

[4] Red Bull – Em seu terceiro álbum de estúdio, a banda nos conduz por histórias e destinos da Bahia; leia com exclusividade como foi o processo criativo de cada uma das 13 faixas do disco:https://win.gs/2GwvQlz.

[5] Tenho Mais Discos Que Amigos: BaianaSystem vai da “Água” ao “Fogo” em seu terceiro disco de estúdio; ouça. Grupo traz chuva de participações no recém-lançado “O Futuro Não Demora”: http://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2019/02/15/baianasystem-terceiro-disco/

[6] Bahia.ba: Grooves e drones: CD do BaianaSystem tem ijexá hi-tech e viagem ao ‘centro da Terra’: http://bahia.ba/entretenimento/grooves-graves-e-drones-cd-do-baianasystem-tem-ijexa-hi-tech-e-viagem-ao-centro-da-terra/

[7] Antônio Risério: Pela pata se conhece o leão

[8] Mídia Ninja: Caetano Veloso entrevista Russo Passapusso

[9] A Tarde / Salvador: Navegar é Preciso

[10] ROLLING STONE: Mais atual do que nunca, BaianaSystem se reconecta à música brasileira e prepara o contra-ataque

* * * *

Acompanhe: A Casa de Vidro (Livraria e Produtora Cultural – www.acasadevidro.com – 1ª Av., Goiânia/GO).

POEMAS DA PRÁXIS @ A CASA DE VIDRO – Agostinho Neto, Patativa de Assaré & Carlos Rodrigues Brandão

Do Povo Buscamos a Força

Agostinho Neto (1922 – 1979)

Não basta que seja pura e justa
a nossa causa
É necessário que a pureza e a justiça
existam dentro de nós.

Dos que vieram
e conosco se aliaram
muitos traziam sobras no olhar
intenções estranhas.

Para alguns deles a razão da luta
era só ódio: um ódio antigo
centrado e surdo
como uma lança.

Para alguns outros era uma bolsa
bolsa vazia (queriam enchê-la)
queriam enchê-la com coisas sujas
inconfessáveis.

Outros viemos.
Lutar pra nós é ver aquilo
que o Povo quer
realizado.
É ter a terra onde nascemos.
É sermos livres pra trabalhar.
É ter pra nós o que criamos
Lutar pra nós é um destino –
é uma ponte entre a descrença
e a certeza do mundo novo.

Na mesma barca nos encontramos.
Todos concordam – vamos lutar.

Lutar pra quê?
Pra dar vazão ao ódio antigo?
ou pra ganharmos a liberdade
e ter pra nós o que criamos?

Na mesma barca nos encontramos
Quem há-de ser o timoneiro?
Ah as tramas que eles teceram!
Ah as lutas que aí travamos!

Mantivemo-nos firmes: no povo
buscáramos a força
e a razão

Inexoravelmente
como uma onda que ninguém trava
vencemos.
O Povo tomou a direção da barca.

Mas a lição lá está, foi aprendida:
Não basta que seja pura e justa
a nossa causa
É necessário que a pureza e a justiça
existam dentro de nós.

In: Poemas de Angola

Cante Lá Que Eu Canto Cá

Patativa do Assaré

Poeta, cantô de rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisá
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhecê bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.Pra gente cantá o sertão,
Precisa nele morá,
Tê armoço de fejão
E a janta de mucunzá,
Vivê pobre, sem dinhêro,
Socado dentro do mato,
De apragata currelepe,
Pisando inriba do estrepe,
Brocando a unha-de-gato.

Você é muito ditoso,
Sabe lê, sabe escrevê,
Pois vá cantando o seu gozo,
Que eu canto meu padecê.
Inquanto a felicidade
Você canta na cidade,
Cá no sertão eu infrento
A fome, a dô e a misera.
Pra sê poeta divera,
Precisa tê sofrimento.

Sua rima, inda que seja
Bordada de prata e de ôro,
Para a gente sertaneja
É perdido este tesôro.
Com o seu verso bem feito,
Não canta o sertão dereito,
Porque você não conhece
Nossa vida aperreada.
E a dô só é bem cantada,
Cantada por quem padece.

Só canta o sertão dereito,
Com tudo quanto ele tem,
Quem sempre correu estreito,
Sem proteção de ninguém,
Coberto de precisão
Suportando a privação
Com paciença de Jó,
Puxando o cabo da inxada,
Na quebrada e na chapada,
Moiadinho de suó…

SIGA OUVINDO O POEMA DECLAMADO e ACESSE O TEXTO NA ÍNTEGRA:


As gentes de qualquer favela, vila ou lugar de camponeses
têm os seus sábios, seus cientistas, sacerdotes, artesãos,
artistas, juízes, professores e estrategistas.
Eles são como nós, nossos iguais do povo em artes e ofícios.
Mas às vezes o educador popular olha em volta e não os vê
e assim trabalha sem eles, ou contra eles;
passa ao largo da sua sabedoria subalterna,
nada aprende com eles sobre as práticas populares
e nem ajuda a fazê-los aprenderem
a reinventar os seus símbolos e os usos sociais deles.

(…) os agentes da Cultura Popular são uma gente para nós
sem face, anônima ou coletiva, a quem chamamos de
“povo”, “o povão”, “a massa”.
Ou eles são então os sujeitos com apenas meio nome, apelidos
sem os nossos títulos de doutor, dom, mestre ou professor:
Lula, Percival, Joaquim de Goiás, Patativa do Assaré, Dona Maria,
Chico Poteiro, Severino Pelado, Santo, Zé Moreira…
Eles são os “intelectuais tradicionais” da roça e da cidade:
rezadores, benzedeiras, artistas de cordel, inventores de mitos,
violeiros repentistas, capitães de ternos de congos, mães-de-santo.

São também, convertidos de uma face à outra da prática e da cultura,
os sujeitos que ajudam a conduzir a consciência de classe
pelo território difícil das muitas frentes de combate:
o líder operário, o presidente do sindicato sem pelego,
o artista militante, os agentes das comunidades de base,
as mães do clube de bairro, as mulheres do movimento “das mulheres”,
os dirigentes anônimos dos comitês de greve, os organizadores
populares dos partidos do povo.

Juntos eles constroem os dois lados da cultura popular:
o que reflete a vida no passado e o que pensa a do futuro.
Eles são os verdadeiros professores de uma Educação de Classe
e, quando se educam a si próprios com a prática de que são parte,
fazem avançar a prática, a consciência e a cultura
de que são os verdadeiros guias.



O suicídio de Assis Valente e o Papai Noel da Coca-Cola – Por Diego Mascate

Assis Valente nos arcos da Lapa (RJ), em 1951

O suicídio de Assis Valente e o Papai Noel da Coca-Cola 

Por Diego Mascate
Coluna Abutre da Cultura #2 @ A Casa de Vidro

“Anoiteceu
O sino gemeu
A gente ficou
Feliz a rezar

Papai Noel
Vê se você tem
A felicidade
Pra você me dar

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de papai noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então
Felicidade é brinquedo
Que não tem.”

ASSIS VALENTE (1911 – 1958), Boas Festas

Estes versos melancólicos, do clássico “Boas Festas”, fazem parte do imaginário popular brasileiro. Parece folclore, nem parece fruto da imaginação de um compositor. Assis Valente compôs este hino no Natal de 1932, quando morava em Icaraí (Niterói), longe de sua família. No quarto, em um momento de profunda tristeza, veio a inspiração, ao ver na parede um quadro de uma menina dormindo com um sapatinho ao lado. Ali, na solidão, ele imaginava a cena contraditória: pessoas “felizes a rezar”, junto com a súplica pela felicidade.

Era a contradição de Assis Valente, entre a piada e a depressão: homossexual em uma sociedade machista, negro em um país racista, ia “cantando, fingindo alegria”. “Boas Festas”, gravada em 1933, por Carlos Galhardo, com o acompanhamento dos Diabos do Céu – conjunto de Pixinguinha –, além de se tornar um grande sucesso popular, também revelava aquele talento, que depois diria: “Papai Noel não tinha vindo, mas eu havia ganho um presente: a melhor de minhas composições”.

Após o sucesso desta música, Assis Valente passa a ser reconhecido como um brilhante cronista de sua época, retratando o cenário carioca de crescimento urbano, através de suas canções. Valorizando a cultura nacional (como em “Brasil Pandeiro”), experimentou a fama nos anos 30 e 40, quando foi procurado por vários cantores. A vida boêmia do Rio de Janeiro inspiraria muitas de suas músicas marcadas pela crítica social bem humorada – como “Camisa Listrada” (sucesso na voz de Carmen Miranda). Amigos, bebida, fama… “Salve o prazer!”


Mas ele sabia que nem todos são filhos de Papai Noel. A lenda do bispo São Nicolau (o bom velhinho que deixava um saquinho com moedas para os pobres) tinha sido, em 1931 (um ano antes de “Boas Festas”), usada em uma campanha publicitária, que também marcou o imaginário popular. Era a campanha natalina da Coca-Cola, que se utilizava da imagem do velhinho caridoso (criada por um cartunista alemão do século XIX) para espalhar pelo mundo o vermelho da empresa e um modo de vida. Este Papai Noel (bem definido pela banda punk Garotos Podres como “porco capitalista que presenteia os ricos e cospe nos pobres”) não podia trazer a felicidade para Assis Valente.

Desiludido com o Papai Noel (que “com certeza já morreu”), a partir de 1940, Assis assistia a queda do sucesso e a depressão se agravar. Em uma de suas tentativas de suicídio, se jogou do Corcovado; mas foi salvo pelos bombeiros, que tiraram-lhe de uma árvore.

Nos anos 50, torna-se uma figura praticamente esquecida. Angustiado e solitário, protagonizava uma vida repleta de ironias e ambigüidades. Valente, aquele que cuidava de sorrisos em um laboratório de prótese dentária; que foi comediante de circo na infância; que fez tanta gente rir com seus sambas engraçados; que compôs a nossa trilha sonora da ceia de 25 de dezembro… decidia dar o fim em sua própria vida. O ano era 1958, o “ano da bossa nova” (ritmo que embalava a esperança dos tempos JK). Assis Valente se matava, ingerindo formicida com guaraná, no fim da tarde de 10 de março daquele ano. O Papai Noel da Coca-Cola não trouxe a felicidade.

P.S. – Este artigo foi originalmente publicado no jornal  Diário da Manhã de Goiânia em Dezembro de 2010 e é aqui republicado por seu autor, o historiador e cantor-compositor Diego de Moraes (Diego Mascate), na segunda edição de sua coluna Abutre da Cultura. Abaixo, conheça uma das canções de Diego, “Antes Que Eu Enlouqueça”, além de uma foto do Mascate pivete, aos 7 anos de idade (em 1992), vestido de Papai Noel.

Canção do álbum Diego Mascate – A.C.:

Saiba mais sobre a carreira e a obra de Diego de Moraes nas resenhas dos álbuns Parte de Nós (Diego e o Sindicato) e A Dança da Canção Incerta (Pó de Ser), por Eduardo Carli de Moraes




ESCUTE AÍ:

ASSIS VALENTE NÃO FEZ BOBAGEM – 100 ANOS DE ALEGRIA (Coletânea – CD Duplo)


Tárik de Souza em Carta Capital / 21 dez 2011.

O compositor Assis Valente (1911-1958) teve uma vida trágica, mas perpetuou a alegria em sua obra. Alguns de seus melhores sambas e marchas estão no CD duplo Assis Valente não fez bobagem – 100 anos de alegria (EMI), entre releituras (CD 1) e gravações originais (CD 2).  No primeiro, Novos BaianosMaria BethâniaMaria Alcina, Martinho da Vila, Wanderlea, Marília Pêra, Isaurinha Garcia, Aracy de Almeida e outros mestres dão aula de ritmo e irreverência. Destaque para raridades como Um jarro d’água, na voz de MarleneRecenseamento, na de Ademilde Fonseca e o clássico Boas festas, com Doris Monteiro. Já no segundo, seus intérpretes mais constantes, Carmen Miranda e o Bando da Lua, se alternam com Dircinha Batista, 4 Ases e 1 Coringa, Orlando Silva, Carlos Galhardo e Moreira da Silva, na maioria em registros dos anos 30, auge da carreira do compositor. Vale ainda mencionar a qualidade técnica dessas gravações, apesar de tão antigas, e o fato de a maioria ser inédita no formato digital. O álbum acompanha uma mini-biografia escrita por mim, todas as letras e os anos originais de lançamento. Uma delícia! – Rodrigo Faour

DOWNLOAD CD 1 – DOWNLOAD CD 2
(VIA MEDIAFIRE ACASADEVIDRO)





ASSISTA AÍ:

TV BRASIL  – Programa De Lá Pra Cá

– Participam deste programa o pesquisador da música brasileira Carlos Monte, o jornalista e crítico musical Antonio Miguel e o cantor e compositor Moreno Veloso.

REDE GLOBO – Programa Som Brasil


LEIA AÍ:
ENTREVISTA COM O GONÇALO JUNIOR, JORNALISTA BAIANO, AUTOR DO LIVRO:

APRESENTAÇÃO – Em Quem samba tem alegria, Gonçalo Junior conta a vida, a obra e o tempo do autor de músicas fundamentais da chamada Era de Ouro do rádio, como “Boas festas” (“Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel”), “Cai cai balão”, “Alegria”, “Boneca de pano”, “Brasil pandeiro” e “Camisa listada”, entre tantas outras. Um talentoso e incompreendido artista que encontrou na solidão e na tristeza, trazidas da infância sofrida, a inspiração para criar alguns dos mais importantes clássicos da MPB. Entre outras revelações, o autor desnuda o submundo da música e do rádio, com seus vilões ardilosos, intrigas, roubo, compra de sambas e marchas, que ajudaram Assis Valente a ter um fim trágico. E aponta um provável motivo guardado a sete chaves por mais de sete décadas para tantas dívidas. [COMPRAR O LIVRO NA AMAZON]


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LUIZ MELODIA (1951-2017) MORREU… VIDA LONGA À MELODIA! Aos 66 anos, cantor e compositor perde a batalha contra câncer na medula óssea

ABUNDANTEMENTE MORTE – Luiz Melodia

Sou peroba
Sou a febre
Quem sou eu
Sou um morto que viveu
Corpo humano que venceu
Ninguém morreu
Ninguém morreu
Ninguém morreu

Tabuletas
Grandes letras feito eu
Abundantemente breu
Abundantemente fel
Ninguém morreu
Ninguém morreu
Ninguém morreu

Conforme fiquei
O tempo me embalava
Se a chuva é mais forte
A enchente levava
Colete de couro
Com fios de nylon
No dia seguinte
O seguinte falhou

A dança da morte
Ninguém frequentava
A cruz a distância
Do povo de nada
Um morto mais vivo
De vida privada
No dia seguinte
O seguinte falhou

OUÇA OS DISCOS:

* Pérola Negra:

* Mico de Circo:

* Felino (1973):

* Maravilhas Contemporâneas (1976):

* Claro (1987):

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CONFLUÊNCIAS – Festival de Artes Integradas, 4ª Edição: Trip, 23/6, com Chá de Gim, Distoppia, Tião Locomotiva e Veneno, Exposição fotográfica “Caminho do Cerrado”, Discotecagem cannábica

Vem aí a 4ª edição do Confluências: Festival de Artes Integradas, propiciando altas viagens sensoriais e estéticas através de shows, exposição fotográfica, discotecagem cannábica, poesias de autores goianos, livros e HQs à venda, dentre outras atrações.

O evento vai acontecer na Trip (Rua 115e, Setor Sul, Goiânia), no dia 23/06 (Sexta-feira), a partir das 20h, no mesmo dia da Marcha da Maconha – Goiânia 2017. Confira nosso cardápio cultural para a ocasião:

* Shows: Chá de Gim; Distoppia, Tião Locomotiva & Veneno, Laptop Ensemble (Eduardo Kolody & Eufrasio Prates) da BSBLOrk – Orquestra de Laptops de Brasília.

* Exposição fotográfica: O Caminho do Cerrado, de Mel Melissa Maurer, trabalho de cunho artístico e denunciativo sobre a devastação crescente do Cerrado na região da Chapada dos Veadeiros. Conheça: https://ocaminhodocerrado.blogspot.com.br/.

* Feirão de livros e HQs com preços imbatíveis da Livraria A Casa de Vidro.

* Discotecagem: Canções cannábicas, nacionais e internacionais, dos mais variados gêneros musicais, que tematizam e/ou simulam a expansão de percepção e as situações sociais propiciadas pelo consumo da cannabis sativa. Amostras / aperitivos: #1: Quique Neira & Alborosie#2: Bezerra da Silva; #3: Steppenwolf; #4: Amy Winehouse; continua em breve.

Uma produção A Casa de Vidro – Livraria e Produtora Cultural. Siga Confluências no FacebookPágina do evento.

E MAIS:
►Cervejas e drinks com diversidade e preços acessíveis
►Massas e outros rangos deliciosos com Lobato Massas Artesanais
►Jardim good vibes
►Pet Friendly
►Bazar com livros, CDs e discos de vinis selecionados
►Ambiente seguro
►Chegou de bike ganha 10% de desconto!

Local:
Trip Música e Artes – Rua 115-E (entrada) com a 115, Setor Sul.
#entranatrip #trip #tripmusicaeartes
Entrada: R$10

Arte do flyer: Annie Marques

P.S. Em 23 de Junho, há a culminação dos trabalhos do Coletivo Antiproibicionista MenteSativa, organizador da Marcha da Maconha, que promove também a Semana pela legalização – Mente Sativa – eventos de crucial relevância para o debate público e a conscientização cívica, plenamente apoiados pelo Conflu. Conflua também!


SAIBA MAIS / RELEASES


Despontando no cenário rocker de Goiânia, Tião Locomotiva & Veneno, uma dupla de blues-rock turbinado e intenso, tocará nesta Sexta (23/06) na Trip no Confluências #4 – Festival de Artes Integradas. É pra chaqualhar o esqueleto com o groove intenso dos caras! Confira o mais recente videoclipe ao vivo como aperitivo:


A Chá de Gim lançou recentemente a bela “Canção do Futuro”, novidade no repertório da banda e que integrará o segundo álbum de estúdio, o sucessor de “Comunhão” (Ouça: http://bit.ly/2rdpvQU). No Confluências #4 – Festival de Artes Integradas, vocês poderão curtir esta pérola ao vivo e a cores, além de outras maravilhas do cancioneiro da Chá como “Zé”, “Samba Verde” e “Cordeiro do Mundo”. Borá pra Trip na Sexta 23/06 pra apreciar este showzaço?

O quarteto  surgiu no cenário artístico goiano dos últimos anos como uma das mais saborosas novidades ao sintonizar MPB, samba-rock e muita lisergia com letras cheias de lirismo e contestação. A Chá despontou no radar daqueles que estão antenados ao cenário musical de Goiânia com a canção “Zé”, consagrada com o prêmio do júri e do público no Festival Juriti de Música e Poesia Encenada em 2014 [assista à performance: http://bit.ly/2gQJZMl].

Na ocasião, o júri contou com a presença de Jorge Mautner e sob o impulso da premiação a banda pôde gravar este seu vigoroso debut. Uma digna reportagem no Monkeybuzz esclarece um pouco da inserção da Chá de Gim – que sempre marca presença em festivais como Festival Vaca Amarela e Grito Rock – no cenário alternativo de “Goiânia Rock City”:

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Festival Juriti de Música e Poesia Encenada 2014, uma produção da Matuto, durante a premiação do Chá de Gim por melhor música, segundo júri e público, com “Zé” – Fotografia: Layza Vasconcelos

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MONKEYBUZZ: “A rápida ascensão do grupo Chá de Gim deve-se puramente à cena efervescente de Goiânia. Já não é novidade para ninguém que a capital é um dos maiores expoentes brasileiros de revelações nos últimos anos. A sua cena musical é autosustentável e festivais como Bananada e Vaca Amarela são a porta de entrada para que artistas de outros estados possam entender o que parece ser mágico na cidade: o Rock’n’Roll. Nos últimos anos, inúmeros atos romperam o casulo e alcançaram projeção nacional, como Boogarins, Hellbenders, Black Drawing Chalks e Carne Doce, entre outros. No entanto, se cada um cria o Rock à sua maneira, o que parecia estar em evidência na região é a tal da Psicodelia – e é nesse quesito que esta nova banda Goiânia se encaixa perfeitamente.

Formada em 2014 por Diego Wander (vocal e percussão), Alexandre Ferreira (bateria), Bruno Brogio (baixo) e Caramuru Brandão (guitarra), o grupo surpreende pela rápida ascensão(…). Os singles e Samba Verde, no entanto, mostram que existe muita unidade por trás dos sons da banda e um futuro muito interessante pela frente. A mistura traz muito da música brasileira tradicional, como o Samba e o Forró, ao lado de Rock e Psicodelia – adereços que criam maior profundidade e impacto no som criado. (…) Auxiliada por acordes aéreos processados no atraso do delay e combinados a uma percussão marcante, a música torna-se um hit certeiro.” (Txt: Gabriel Rolim)

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Recentemente, a Chá também participou do IV Muvuca Festival, na Praça das Artes, e estivemos lá registrando a vibe no começo do show – sente a brisa do “Samba Verde”:

Relembre também a participação da Chá de Gim na primeira edição do Confluências.


O Distoppia, novidade no cenário do rock alternativo autoral com letras em português, é outra das atrações do Confluências #4. A banda já se apresentou em festivais como o Grito Rock (produção Fósforo Cultural) e já realizou show no Teatro do IFG – câmpus Goiânia. Confiram abaixo duas das canções da banda goianiense, “Morador” e “Alter Ego”:

Com o objetivo em dar vida às composições do vocalista Matheus Damasceno, a banda teve seu início com o intuito de participar de um Festival local (Bouga Fest) no ano de 2013, onde a mesma foi finalista.

Após essa experiência, a banda passou a permear a cena local da cidade e no ano de 2015 lançou duas singles de estréia. Através de amigos de faculdade e da cena musical, a banda passou a contar com uma formação fixa com Matheus Damasceno (vocais e violão), Pedro Guilherme(guitarra), Muryllo Pacheco (bateria), Emerson Fagundes (contrabaixo) e Matheus Guerra – Guitarrista (guitarra).

Desde então, com uma relação de amizade entre os músicos, a sonoridade passou a ser mais solta e a banda passou a se apresentar com mais frequência na cena local, com apresentações significativas no Grito Rock Goiânia (uma produçãoFósforo Cultural) e no Teatro do Instituto Federal de Goiás (IFG) – oficial – câmpus Goiânia.

Distoppia é distinguida pelas influências individuais de seus integrantes que ao se juntarem acabaram criando um belo mosaico sonoro. A intenção da banda é criar uma paisagem auditiva de modo a promover certa transcendência com o ouvinte à medida que ela é somada a poesia de suas canções.

O ano de 2017, marca a estreia do primeiro álbum em estúdio da banda, que além de contar com faixas inéditas, também terá uma regravação da Single ‘Morador”. O álbum esse que será divulgado junto a uma turnê por terras Portuguesas com o selo da Music For All.


O Caminho do Cerrado, impressionante projeto fotográfico de Mel Melissa Maurer, estará em exposição durante o Confluências #4 – Festival de Artes Integradas. Em parceria com a artista, selecionamos 15 das fotografias mais significativas deste projeto e elas irão decorar o ambiente e instigar a reflexão no evento. No vídeo abaixo, confira o making off da primeira etapa desta empreitada artística que tematiza e denuncia a devastação crescente do Cerrado, gerada principalmente pelo agronegócio.

As fotos, protagonizadas por uma modelo que vesta apenas botas e máscara anti-gás, propiciam alertas sobre a aproximação e extensão dessas atividades do agronegócio devastatório por todo o percurso entre Brasília e a Chapada dos Veadeiros. As imagens fazem com que um novo olhar se abra sobre o caminho que o Cerrado, considerado a savana com maior biodiversidade do planeta, e a região da Chapada dos Veadeiros (Patrimônio Natural da Humanidade – UNESCO), vem enfrentando.

A trilha sonora do vídeo é a canção “Não Dá Mais”, de MC Vacy, MC Pato Roco, com participação de Rafael Nunes.

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Assista:



No Confluências #4 – Festival de Artes Integradas, teremos também Eufrasio Prates e Eduardo Kolody mostrando um pouco do trabalho da BSBLOrk – Orquestra de Laptops de BrasíliaLeia a matéria:

“Tecnologia alinhada à natureza, o Coletivo BSBLOrk utiliza inovação para criar música eletrônica experimental. Criado em 2012, na Universidade de Brasília, o grupo é formado por nove integrantes, entre ex-alunos e professores da UnB. Misto de arte, física e filosofia, a Orquestra de Laptops funciona com um software que transforma os movimentos em frente à webcam em som.

A inovação é resultado de muito estudo. Fruto do doutorado do maestro Eufrasio Prates, o software Holofractal Music é capaz de traduzir as distancias e velocidades dos movimento em frequências sonoras. Cada computador é ligado em uma hemisfera, caixa com vários alto-falantes em 360°. “A pessoa deve ouvir o seu próprio som e estar em harmonia com o do outro”, explica o estudioso. A ideia surgiu a partir de um simpósio de laptops em Louisiana (EUA), em 2012. A Orquestra foi lançada no evento Tubo de Ensaios, da Universidade de Brasília.

São sons da natureza, da vida cotidiana e de outros instrumentos que juntos entram em harmonia para criar algo totalmente novo. O suporte tecnológico utiliza os princípios da física, matemática e da música. “Para tocar um instrumento comum a pessoa precisa estudar, mas tirar som deste exige muito mais conhecimento”, comenta Eufrasio. – LEIA NA ÍNTEGRA



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A SAPIÊNCIA DE RINCON EM 20 RAPS MAGISTRAIS [Vídeos completos]

A SAPIÊNCIA DE RINCON EM 20 RAPS MAGISTRAIS [Vídeos completos]

 

+ Rincon Sapiência

por Negro Belchior em Carta Capital

Com a originalidade de suas composições, marcadas por influências das músicas africana, eletrônica, jamaicana e vertentes do rock, desde o ano 2000, o artista traduz em versos inteligentes e sagazes as experiências vividas nas ruas da periferia paulistana desde os anos 80. Abordando questões raciais e sociais no contexto da metrópole, Rincon Sapiência apresenta um rap com clima de positividade, sem prejuízo à postura crítica do discurso, resultado da sua notável fome de rima aliada à sua habilidade nata de jogar com as palavras. Versátil, ele também atua como beatmaker em seus próprios trabalhos.

Em 2005, Rincon lançou sua primeira faixa, intitulada “Aventureiro” e, em 2008, participou no disco solo de Kamau, Non Ducor Duco, nas faixas “Porque eu Rimo” e “Tambor”. No ano seguinte, se firmou como protagonista na cena rap com o sucesso “Elegância”, cujo videoclipe entrou na programação da MTV Brasil e foi indicado ao VMB 2010 na categoria Melhor Videoclipe de Rap. No mesmo ano, Rincon Sapiência participou do álbum Projeto Paralelo, da banda NX Zero, na faixa “Tarde pra Desistir”.

A referência e a exaltação de temas relacionados à negritude e às raízes africanas são frequentes nas músicas de Rincon Sapiência, que abordam a consciência e a valorização da afrodescendência, reconhecidas em solo africano durante os renomados festivais dos quais Rincon participou em 2012 (Festival 2H, em Dakar, Senegal; e Festival Asalam Maleikum Hip Hop, na Mauritânia). Em 2014, Rincon lançou o EP SP Gueto, com oito faixas oficiais e duas faixas bônus. Um dos destaques do rap nacional daquele ano, o EP foi em grande parte produzido pelo próprio Mc, e traz uma forte identidade musical, com influências das músicas eletrônica, rock, ska, reggae, samba, timbres 808 e até o clássico estilo boombap dos anos 90.

A universalidade da música e dos temas abordados pelo repertório de Rincon favorecem o seu trânsito em outros círculos que não sejam necessariamente periféricos. Sua forte identidade artística, reforçada por um estilo original, também está presente nos clipes “Elegância”, “Transporte Público”, “Linhas de Soco”, “Profissão Perigo” e “Coisas de Brasil”. A estreia como ator veio nas telonas em 2013, ao contracenar com o ator Wagner Moura no filme “A Busca”, dirigido por Luciano Moura, seguida da participação no filme “Jonas”, dirigido por Lô Polliti, do qual também participaram os rappers Criolo e Karol Conka. – N. Belchior