Garimpar Músicas: uma das maneiras de se fazer bom uso da internet || Por Tamyres Maciel

GARIMPAR MÚSICAS: UMA DAS MANEIRAS DE SE FAZER BOM USO DA INTERNET

Podemos considerar o advento da internet como a maior revolução do final do século XX e início do século XXI. Por meio dela vimos a globalização tomar forma e a sociedade humana se conectar, se informar, se divertir, enfim… absolutamente tudo que existe está registrado em sites, blogs, redes sociais, a um click de distância. A democratização da informação é tão ampla que toda e qualquer pessoa pode criar e divulgar toda e qualquer coisa da maneira que bem entender por vias virtuais, o que demonstra também a existência de uma faca de dois gumes: muito conteúdo produzido com seriedade e veracidade divide espaço com outros falaciosos e manipuladores. O uso consciente da internet é um tema bastante vasto, que certamente sempre virá à tona. Mas vamos focar aqui em apenas um dos bons usos que a ferramenta em questão nos traz: o garimpo de músicas.

Essa revolução dos meios de comunicação possibilita muitos avanços no que se refere a formas e conceitos que permeiam o universo da arte. Enquanto, num passado recente, artistas da música dependiam das gravadoras para difundir seus trabalhos e conseguir maior visibilidade, hoje em dia basta um celular para registrar o material e internet para divulga-lo. Obviamente, isso implica na qualidade da produção desses materiais, mas não deixa de ser um dos principais pontos acerca do conceito de Arte Independente.

Dentre muitas definições para esse nosso momento histórico, uma das mais legítimas é o fato de vivermos na Era Audiovisual. A produção musical e de seus clipes, por exemplo, está cada vez mais abrangente e autêntica, conta com imagens de diversas perspectivas (aéreas, por exemplo, que ilustram o avanço da tecnologia por meio dos drones), o que me faz definir alguns critérios no estudo que venho desenvolvendo acerca desse tema.

Passei a usar #MúsicaContemporâneaDaMelhorQualidade para definir músicas que têm sido lançadas de 2000 pra cá, sobretudo por artistas independentes da grande mídia. A primeira coisa a se pensar é o uso da expressão “melhor qualidade”. Sinto a necessidade de me debruçar nesse ponto porque trata-se de uma parcialidade explícita. Melhor é uma palavra de cunho avaliativo, ou seja, utilizada para apreciar ou julgar algo ou alguém que se gosta, que se admira por alguma razão. O que considero “melhor qualidade” tem determinadas características que podem não ser os mesmos critérios de “melhor qualidade” na perspectiva de outras pessoas (aviso logo e na humildade!).

Trata-se de uma seleção de musicistas compositoras de letras elaboradas, que trazem à tona diversos assuntos relacionados à nossa sociedade, além de ricas mesclas de instrumentação, guitarras com tambores, por exemplo. Existe uma tendência musical que não prevê em primeiro e absoluto lugar a comercialização em massa, mas demonstra artistas lúcidas em relação à importância da expressão como forma de reflexão do momento histórico. Sobretudo neste em que vivemos: de auge das lutas de resistências, de clamor constante por igualdades e justiças. Vejo esse momento como um tempo de ascensão da soberania Latinoamericana. Não que essas lutas sejam novas, pelo contrário. Elas já existem há um bom tempo, mas com o advento da internet elas se multiplicaram e ganham cada vez mais força.

Entre as décadas de 60 e 70 no Brasil, em que vivíamos os anos de chumbo, aconteceu um fenômeno parecido com este em que nos encontramos: artistas questionavam e apontavam os abusos da ditadura por meio de músicas e, ao mesmo tempo, outras menos comprometidas com as questões políticas da época, simplesmente não tocavam no assunto e contribuíam para a alienação do povo. A grande diferença é que hoje ainda não temos a censura explícita e declarada, além de termos a nosso favor a internet como uma importante ferramenta de difusão das produções que não ganharam espaço nos meios tradicionais de comunicação.

A meu ver, alguns dos temas atuais que melhor inspiram artistas são o empoderamento das mulheres, a urgência na preservação de comunidades indígenas e quilombolas, a ascendência do movimento negro, a liberdade de expressão e sobrevivência da comunidade LGBTQ+, e a necessidade de consciência em relação à conservação ambiental. Certamente não citei todos os temas, porque são inúmeros. Em uma sociedade tão conservadora e mal informada como a brasileira, por exemplo, esses assuntos são extremamente necessários e, enquanto existirmos, vamos falar sobre eles e espalhá-los por todos os cantos, em todas as oportunidades. Nas próximas escritas falarei especificamente de cada um desses temas, das bandas novas que têm surgido e cada vez mais sobre vanguarda contemporânea da música Latinoamericana.

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LEIA AS COLUNAS ANTERIORES DE TAMYRES MACIEL EM A CASA DE VIDRO:

#1 – MEU AGORA ATÉ AQUI
#2 – SOBRE CONSTRUÇÃO DE REPERTÓRIOS E PRODUÇÃO MUSICAL CONTEMPORÂNEA

O TEMPLO DO TEMPO – Sobre um dos grandes álbuns da música brasileira contemporânea: “Cordões Umbilicais”, de Flaira Ferro

“Eu sou o templo do tempo, o tempo acontece em mim”, canta Flaira Ferro em uma das mais belas canções de seu vigoroso álbum de estréia, Cordões Umbilicais (click para ouvir na íntegra o disco de 11 faixas que se estendem por 35 min; se preferir, faça o download).

Eis uma das obras mais magistrais da MPB nos últimos anos. Um disco que podemos habitar por meses e anos, como quem adentra um templo do tempo onde lá dentro podemos vivenciar o incrível poder da arte: ela transfigura a nossa consciência cotidiana, expandindo-a através das magias de todas as suas dinâmicas e fluxos:

“A gente não vê
Mas o ar está cheio de ondas
Um mundo invisível se mexe
E a gente nem se dá conta…

Por isso que olho pra dentro de mim
Buscando a força que existe no amor
Newton já disse em lei universal
Toda ação tem uma reação…”

Lacrando no desrecalque, Flaira segue o conselho de Gonzaguinha e vive a “cantar e cantar e cantar a beleza de ser uma eterna aprendiz”, criando ousadas expressões de empoderamento (individual e coletivo) através de motes como:

“Não tem coisa mais bonita
Nem coisa mais poderosa
Do que uma mulher que brilha
Do que uma mulher que goza…

Toda mulher que deseja
Acende a força erótica que excita a criação
Dê suporte à mulher forte
Quem sabe a gente muda a nossa sorte

Toda mulher que se toca
Instiga a auto estima
Estimula o botão
Mesmo que o mundo se choque
O clitóris é antídoto pra morte

Não me vem com tarja preta
Deixa livre a minha teta!

Cê tá maluco
Ou entorpecido
Pela falsa ideia
De dominação

Cê tá esquecido
Mulher sem libido
Não tem natureza
Vira papelão

Homem de armadura
Constrói prisão bélica
De postura fálica
Perde o coração

Homem de verdade
Enxerga beleza
Na mulher que é dona
Do próprio tesão
Na mulher que é dona
Do próprio não!”

Em sintonia fina com a complexidade da vida social contemporânea, Flaira Ferro também é uma mulher enraizada na ancestralidade. Uma visionária que põe o frevo em sinergia com a era da internet, que faz do folk uma ferramenta de demolição do palavrório do patriarcado, que bota de novo o mangue e seus beats no epicentro do cosmos.

Ela inunda de poesia e filosofia a nossa sempre inventiva e reinventiva MPB. Soma-se a Anelis Assumpção, Larissa Luz, Sara Não Tem Nome, Liniker, Maria Gadu, Tássia Reis, Bia Ferreira, Doralyce, Elza Soares, dentre outras musas, no epicentro deste fenômeno cultural de intensa maravilhosidade – a musicalidade das manas e minas brasileiras.

A Música Popular Brasileira renova-se através da práxis cultural desta cantora, compositora e dançarina que é Flaira Ferro. Ela compõe como quem compartilha sabedoria e com aconselha-se à superação de si. Trolla, delicado, com o ser humano, “bicho homem” que é esquisito, “armadilha de si mesmo”.

Avessa às açucaradas e lucrativas canções clichezentas de amor romântico banal, movidas a fórmulas vendáveis, Flaira sabe expressar melancolias, temores, fúrias, indignações. O colorido dos afetos que animam essas músicas é o que mais torna a arte de Flaira algo de tão impressionante potência.

Em uma comovente participação no TEDx Pernambuco, Flaira rememorou aspectos de sua trajetória biográfica e cantou sua linda canção “Me Curar de Mim” a capella. Quem não se comover com essa cantoria (e essa poesia de lirismo sofisticado) pode pegar na porta-de-saída o seu certificado de coração-de-pedra.

Essa mulher criativa e expressiva, repleta de promessa, maga das belezas múltiplas, falou assim sobre essa obra-prima do neocancioneiro: “Acredito que essa música ‘Me Curar de Mim’ não é mais minha. Ela não pertence mais a uma pessoa só. Eu me vejo muito mais como uma facilitadora de um sentimento que estava no inconsciente coletivo. Porque vivemos uma crise moral e espiritual muito grande. Há guerras por conta de religião, intolerâncias dentro do nosso próprio país. Acho que essa música é uma mensagem para que faça a gente olhar além do nosso umbigo, do alto da nossa responsabilidade” (Correio Brasiliense).

Na canção, esta jovem e sábia artista que floresce no cenário cultural de Pernambuco dá a lição, preciosa escola: “Para me encher do que importa/ Preciso me esvaziar/ Minhas feras encarar/ Me reconhecer hipócrita/ (…) Mas se eu não tiver coragem/ Pra enfrentar os meus defeitos/ De que forma, de que jeito,/ Eu vou me curar de mim?”

SIGA VIAGEM – EXPERENCIE FLAIRA FERRO:

ME CURAR DE MIMPor Flaira Ferro

“Sou a maldade em crise
Tendo que reconhecer
As fraquezas de um lado
Que nem todo mundo vê

Fiz em mim uma faxina e
Encontrei no meu umbigo
O meu próprio inimigo
Que adoece na rotina

Eu quero me curar de mim

O ser humano é esquisito
Armadilha de si mesmo
Fala de amor bonito
E aponta o erro alheio

Vim ao mundo em um só corpo
Esse de um metro e sessenta
Devo a ele estar atenta
Não posso mudar o outro

Eu quero me curar de mim

Vou pequena e pianinho
Fazer minhas orações
Eu me rendo da vaidade
Que destrói as relações

Pra me encher do que importa
Preciso me esvaziar
Minhas feras encarar
Me reconhecer hipócrita

Sou má, sou mentirosa
Vaidosa e invejosa
Sou mesquinha, grão de areia
Boba e preconceituosa

Sou carente, amostrada
Dou sorrisos, sou corrupta
Malandra, fofoqueira
Moralista, interesseira

E dói, dói, dói me expor assim
Dói, dói, dói, despir-se assim

Mas se eu não tiver coragem
Pra enfrentar os meus defeitos
De que forma, de que jeito
Eu vou me curar de mim?

Se é que essa cura há de existir
Não sei… só sei que a busco em mim
Só sei que a busco…
Me curar de mim.”

Flaira Ferro


Do álbum “Cordões Umbilicais”

VEJA TAMBÉM:

“Tristeza mora comigo
Por causa da solidão
Eu pareço andorinha
Querendo fazer verão
Uma gota de água doce
Querendo ser ribeirão
Uma semente caída
Querendo ser plantação
Mas olhando pro deserto
Eu sou apenas um grão de areia…
 
Eu sou um peixe do cardume
No mar da imensidão
Eu sou uma flor do Cerrado
Que nasceu fora da estação
Quero ser bom capoeira
E jogar com o coração
Mas olhando pro deserto
Eu sou apenas um grão de areia…
 
Queria ser o luar
Iluminando o meu sertão
Ou então ser uma estrela
De qualquer constelação
Vou levando minha vida
Com o meu pandeiro na mão
Mas olhando pro deserto

Eu sou apenas um grão…”

Sensual, cheia de melodias e um tanto escalafobética, Anelis Assumpção segue pondo sua Arte a serviço de uma Poética do Groove

 

ANELIS: POETISA DO GROOVE

Foto que inspirou a pintura da capa, por Caroline Bittencourt

PLAY SOM, PLAY SOM! >>>

MORTAIS À TOA
de Anelis Assumpção (com Liniker, Tulipa Ruiz e Ava Rocha)

Da morte tudo se sabe
Fato fatídico
Viver é inevitável
Mas até que se cale, pare, congele
Todo corpo vale
O prazer de ser mortal na proa
De dar mortal à toa, à beira mar
Mortal garoa e a dor de ser mortal

Da morte não se escapa
Escalope a galope
Na esquina do destino
Cavalo marinho
Até que o coração pare
Todo corpo é um vale
Um passe para ser
Um passe para dar
Um passe pra sofrer
Um passe pra curar
Mortal na proa

Um beijo mortal
Um abraço mortal
Um gosto mortal
Um cheiro mortal

[Refrão]
Desgraça de ser mortal
E a graça de estar mortal

Foto: Caroline Bittencourt

Do álbum “Taurina” (2018). Assista ao vivo no Circo Voador / RJ:

 

Siga viagem: VICE  O|||O PENTEADEIRA AMARELA

CONHEÇA A DISCOGRAFIA:

DEUS É MULHER – Em seu novo álbum, Elza Soares brilha com repertório político e sonoridades de vanguarda

“E se Deus fosse uma mulher?
Indaga Juan sem pestanejar
Ora, ora se Deus fosse mulher
É possível que agnósticos e ateus
Não disséssemos não com a cabeça
E disséssemos sim com as entranhas

Talvez nos aproximássemos de sua divina nudez
Para beijar seus pés não de bronze,
Seu púbis não de pedra,
Seus peitos não de mármore,
Seus lábios não de gesso.

Se Deus fosse mulher a abraçaríamos
Para arrancá-la de sua distância
E não haveria que jurar
Até que a morte nos separe
Já que seria imortal por antonomásia
E em vez de transmitir-nos Aids ou pânico
Nos contaminaria de sua imortalidade

Se Deus fosse mulher não se instalaria
Solitária no reino dos céus
Mas nos aguardaria no saguão do inferno
Com seus braços não cerrados,
Sua rosa não de plástico,
E seu amor não de anjo

Ai meu Deus, meu Deus
Se até sempre e desde sempre
Fosses uma mulher
Que belo escândalo seria,
Que afortunada, esplêndida, impossível,
Prodigiosa blasfêmia!”

Mario Benedetti

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Elza Soares brilha com repertório político perfeito para sua voz

Por Luiz Fernando Vianna na Folha de São Paulo (18.05.2018)

“A Mulher do Fim do Mundo”, de 2015, começava com Elza Soares interpretando a capela versos de Oswald de Andrade alusivos ao tráfico negreiro. Era o ponto de partida de uma viagem pelo Brasil sombrio.

O início de “Deus É Mulher” também tem Elza a capela, mas já cortando o presente: “Mil nações moldaram minha cara/ Minha voz, uso para dizer o que se cala/ O meu país é o meu lugar de fala”.

Canta-se um Brasil que ficou ainda mais sombrio nos últimos três anos. Em vez de abatimento, porém, há vigor. Como as precárias concertações sociais e políticas ruíram, mais do que nunca é preciso dizer o que não deve ser calado.


O reconhecimento público da força do CD de 2015 certamente encorajou Elza e seus parceiros paulistas a dobrarem as apostas.

O núcleo de compositores, músicos e produtores formado por Guilherme Kastrup, Kiko Dinucci, Romulo Fróes, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral, entre outros, ampliou-se e intensificou o caráter político (e nada partidário).

Quanto à sonoridade, há acréscimos, como as percussões das mulheres do Ilú Obá de Min, mas os pilares não mudaram: melodias conduzidas por sintetizadores e guitarras, muitas vezes distorcidas; mistura de sons sujos (sampler, MPC) e limpos (flauta, quarteto de cordas); criação de uma massa que não está a serviço da voz de Elza, mas que se cola a ela, formando um todo rascante, corrosivo.

No que se refere às letras, o verso “O meu país é o meu lugar de fala”, de “O Que se Cala” (Douglas Germano), é uma declaração de princípios. Dá a uma expressão das lutas identitárias (“lugar de fala”) um sentido nacional, esvaziando o tom fratricida que há nela.

Ao longo do CD, miram-se alvos concretos sem deixar de lado a qualidade musical.

Contra a intolerância religiosa e a doutrina Escola sem Partido, vem “Exu nas Escolas” (Kiko Dinucci e Edgar), em que se ensina que “Exu no recreio não é xou da Xuxa” e se propõe “tomar de volta a alcunha roubada”, ressaltando-se o lado positivo da entidade.

A liberdade religiosa é tema de “Credo” (Douglas Germano): “Minha fé quem faz sou eu/ Não preciso que ninguém me guie”. E a sexual, de “Um Olho Aberto” (Mariá Portugal): “Cada um inventa a natureza que melhor lhe caia”.

O par formado por “Língua Solta” (Alice Coutinho e Romulo Fróes) e “Hienas na TV” (Kiko Dinucci e Clima) descarta os falsos consensos. Na segunda, direcionada aos políticos e outros donos dos poderes, Elza canta: “Digo sim pra quem diz não/ E pra quem quiser ouvir/ Eu digo não”.

A primeira, espécie de súmula conceitual do CD, deixa claro: “Nós não temos o mesmo sonho e opinião/ Nosso eco se mistura na canção/ Quero voz e quero o mesmo ar/ Quero mesmo incomodar”.

As mulheres estão no poder em quatro faixas. No par “Banho” (Tulipa Ruiz)/ “Eu Quero Comer Você” (Alice Coutinho e Romulo Fróes), elas são donas de seus corpos, desejos e prazeres.

Em “Dentro de Cada Um” (Pedro Loureiro e Luciano Mello), extraem força das absurdas violências de todos os dias, mas não veem o gênero masculino como um inimigo a ser derrotado. “A mulher vai sair/ E vai sair/ De dentro de quem for/ A mulher é você”.

Almeja-se a vitória absoluta na faixa final, “Deus Há de Ser” (Pedro Luis). É dela o verso-título do CD e outro afim: “Deus é mãe” —o que, convenhamos, faz todo o sentido.

Elza está cantando como nunca porque o repertório é perfeito para a sua voz, para o que viu em mais de 80 anos, para o que viveu, para o que quer dizer e sabe dizer.

Seus discos com a turma paulista são fundamentais não só para a música brasileira mas para a vida do país.

DEUS É MULHER

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Ouça:

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SIGA VIAGEM:

A fabulosa Leslie Feist, cantora-compositora canadense, em um show completo em Paris, 2005, 59 min

A fabulosa Leslie Feist, cantora-compositora canadense “with a haunting soprano voice and a unique style that draws on indie rock, folk, bossa nova and jazz-pop” (All Music Guide) em primoroso show completo em Paris (Le Trabendo, 2005):

SETLIST:
1. When I Was Young Girl
2. Secret Heart 5:45
3. Gatekeeper 11:11
4. Somewhere Down the Road 15:45
5. One Evening 19:30
6. The Build Up 23:19
7. Inside and Out 28:40
8. Now at Last 32:20
9. 1234 37:05
10. I Feel It All 39:37
11. Sea Lion Woman 44:47
12. Let It Die 50:10
13. (?) 55:20

SIGA VIAGEM… ARTISTAS SIMILARES: Joni MitchellPJ Harvey – Aimee Mann

 

Cantora-compositora nascida na Guatemala é hoje uma das mais cultuadas artistas da Califórnia: conheça a música de Gaby Moreno, vencedora do Grammy Latino

Nascida em 1981 na Guatemala, onde viveu até os 19 anos antes de emigrar à Califórnia/EUA,  Gaby Moreno é uma fonte jorrante de musicalidade e lirismo.

Cantora-compositora e guitarrista dotada de um esplendoroso flow, Gaby é a fonte de uma música que flui melíflua e aconchegante, cálida de afetos vividos, aventurando-se nos dois idiomas que domina – o espanhol e o inglês.

Vencedora do Grammy Latino de 2013 na categoria Artista Revelação, Gaby elencou nesta entrevista algumas de suas inspirações maiores entre as cantoras: Nina Simone, Aretha Franklin, Koko Taylor, The Staple Singers etc. Só as divas do gogó de ouro!

Em um dos documentários musicais mais pertinentes lançados em 2017, The Art of Listening, de Michael Coleman, Gaby Moreno participa de modo muito inspirador dos debates que o filme realiza sobre a longa e complicada jornada da música, de suas dores de parto até os tímpanos, corações e mentes dos ouvintes.

A intenção deste doc é investigar todo o complexo e às vezes misterioso processo prévio à nossa experiência sensorial com a música gravada, desde os fabricantes de instrumentos musicais e luthiers até os engenheiros de som e produtores musicais (que são verdadeiros feiticeiros-dos-estúdios), sem esquecer a  inspiração e a transpiração dos artistas, em uma miríade de formas, que também jogam papéis preponderantes durante a captação de suas invenções e criações musicais:

Gaby Moreno contribui com The Art of Listening com ótimas reflexões e performances que sublinham a conexão umbilical entre música e afeto, canção e empatia, arte e justificação da vida. Começa parafraseando Nietzsche: “Life, without art, would be a mistake. Try to imagine life without music… it would be a mistake!” (assista acima, aos 32 minutos de duração).

Encantado com esta beldade guatemalteca, fui atrás de seus discos e estou conhecendo-os com muito gosto, já tendo adicionado Gaby ao rol das artistas de raízes latino-americanas que mais aprecio ouvir cantando na atualidade: rol que tem também Ana Tijoux (Chile), Rebeca Lane (Guatemala), Juçara Marçal (Metá Metá, Brasil), Salma Jô (Carne Doce, Brasil), dentre outras.

Ela estreou em disco com o álbum Still The Unkown (2008), que A Casa de Vidro compartilha na íntegra para download gratuito, contribuindo para abrir as primeiras portas para que vocês possam conhecer mais intimamente a obra desta artista magistral, ainda entre nós uma desconhecida… Em tempo, talvez a canção que mais gostei do álbum, “Letter To A Mad Woman”:

CLICK NA CAPA PARA BAIXAR O DISCO EM MP3

“Letter to a Mad Woman”
Acordes em Chordify

A letter came to him today
Said he really should obey
What an utter outrage
Someone could think that way
She said you better start to pray
If all you people wanna get saved
“We’re perfection, you’re a disgrace
Make no mistake!”

He’s just passing the days
Trying not to feel blue
But it’s all he can stand
They keep on feeding him the lies
Nothing else he can do
But to hope and to pray for this nonsense to change
But it won’t so he’s back in his gloom.

Sir you mean to imply
What I’ve said it’s all a lie
Can you look me in the eye
And justify
Well I think you’ve all gone mad
There’s so much loving to be had
Change your tune and I’ll be glad
Tolerance ain’t no fad

He’s just passing the days
Trying not to feel blue
But it’s all he can stand
They keep on feeding him the lies
Nothing else he can do
But to hope and to pray for this nonsense to change
But it won’t so he’s back in his room…

You offer solution
I’m hearing confusion
You stand there so proud and confident
I’m only one person
It could be so much worse
You say I must change what I believe it’s true

They keep on feeding us the lies
Nothing else for us to do
But to hope and to pray for this dust to disappear
So we all see a little more clear…

SITE OFICIAL – GABYMORENO.COM

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