NÓS SOMOS A CATÁSTROFE: A Humanidade Como Força Geológica Cataclísmica na obra “A Sexta Extinção” de Elizabeth Kolbert

“Ao longo dos últimos 500 milhões de anos, o mundo foi assolado por 5 grandes extinções em massa, nas quais a biodiversidade diminuiu de maneira drástica e violenta. Atualmente, a sexta extinção vem sendo monitorada por cientistas, que a consideram a mais potencialmente devastadora desde a que pôs fim aos dinossauros. E, desta vez, nós somos a catástrofe. Elizabeth Kolbert mostra que a sexta extinção corre o risco de ser o legado final da humanidade e nos convida a repensar uma questão fundamental: o que significa ser humano?” (Texto da apresentação da editora)

Poucos livros publicados na atualidade revelam de maneira mais inquietante e estarrecedora a atual crise sócio-ambiental global do que A Sexta Extinção (Ed. Intrínseca, 2015, 336 páginas, acesse na Amazon). A autora Elizabeth Kolbert escreve na revista The New Yorker desde 1999 e venceu o Prêmio Pulitzer de Não-Ficção em 2015 por esta obra.

Crucial para a compreensão da magnitude alarmante das transformações impostas pelas atividades humanas ao Planeta Terra, o livro é uma daquelas obras-primas do jornalismo científico. Uma leitura que é das mais cruciais e urgentes para a Humanidade, afinal, como pergunta a autora, “após sermos alertados sobre as maneiras como estamos pondo outras espécies em risco, não podemos tomar uma atitude para protegê-las? Afinal, o objetivo de espreitar o futuro não é conseguir mudar de curso e evitar os perigos à frente?” (p. 271)

“A Marcha do Progresso”, obra de Mark Henson

Elizabeth Kolbert é uma intelectual que atua como uma inestimável agente de conscientização – semelhante nisto à Edmund O. Wilson, Carl Sagan, David Attenborough etc. No entanto, pelo menos no Brasil, ela permanece bem longe das listas de best-sellers.  A Sexta Extinção tende, ao contrário, a ser um daqueles livros que vai parar no saldão pois encalha nos estoques das livrarias. Talvez esteja aí uma das raízes do problemão em escala planetária: a maioria dos seres humanos não se interessa por saber dos impactos que os 7 bilhões de homo sapiens estão gerando na bioesfera; não estão afim de mudarem seus hábitos diários de consumo em prol da sustentabilidade da teia da vida sobre a face da Terra; e contam-se às centenas de milhões aqueles que estão medicando seus pavores e angústias com a noção de que, quando o clima ficar ainda mais caótico do que está, podemos correr todos para as igrejas e fazer nossas preces ao Senhor, que há de vir nos resgatar com uma nova Arca de Noé…

Ao invés de terem a coragem de encarar a verdade, boa parte dos humanos preferem a tática do avestruz que esconde a cabeça na areia e prefere não enxergar nada que não sejam boas notícias e finais felizes. Até que o cataclismo que nos tornamos venha, com a força de mil furacões, expulsar todos os humanos com cabeça de avestruz de seus precários refúgios. A ecologia é desprezada demais no mainstream midiático e político, considerada a relevância extrema que possui o que Rachel Carson, autora de Primavera Silenciosa (Silent Spring), de “o problema em partilhar nossa Terra com outras criaturas” (p. 271).

A ecologia precisaria sair do gueto, explodir os limites de nichos universitários, transcender as jaulas dos cursos de biologia e ciências exatas, ganhar as ruas e as redes, tornar-se força intelectual e material capaz de mobilização e transformação social, caso contrário o legado do homo sapiens ao futuro será o de uma vilania imperdoável. As criaturas que herdarem a Terra após a Sexta Extinção em Massa da vida sobre o planeta, caso desenvolvam um dia a capacidade de consciência, hão de olhar para trás enfurecidas para este tal de Humanidade, que hoje atua com o poder cataclísmico do asteróide que causou a Quinta Extinção (aquela sobre a qual ficamos sabendo, em nossas infâncias, não a partir de campanhas científicas de conscientização, mas por espetáculos da Indústria Cultural como o Jurassic Park, blockbuster de Steven Spielberg baseado no romance de Michael Crichton, ou o programa de TV de imenso sucesso, Família Dinossauro). Nosso abissal desconhecimento, ignorância e desinformação sobre um tema tão imensamente importante como a Extinção de Espécies Vivas é algo que Elizabeth Kolbert nos ajuda a sanar:

Hoje em dia, qualquer criança aprende na escola, desde cedo, desde as aulas mais básicas de biologia, sobre a extinção de espécies – um fenômeno que a teoria da evolução, formulada por Charles Darwin, também prevê e explica. Kolbert lembra que

“a extinção talvez seja a primeira ideia científica com a qual as crianças de hoje em dia precisam lidar. Com um ano, elas ganham dinossauros de brinquedo e, aos dois anos, entendem, pelo menos de maneira vaga, que aquelas pequenas criaturas de plástico representam animais enormes. Se forem rápidas no aprendizado, crianças ainda de fraldas conseguem explicar que já existiram vários tipos de dinossauro no mundo e que todos eles foram extintos muito tempo atrás… Tudo isso para dizer que a extinção nos parece uma ideia óbvia. Não é.

Aristóteles escreveu a História dos Animais em 10 livros, sem jamais levar em conta a possibilidade de que os animais tivessem de fato uma história. A História Natural de Plínio inclui descrições de animais verdadeiros e também de animais míticos, mas nenhuma descrição dos animais extintos. A ideia não floresceu na Idade Média nem durante o Renascimento… No Iluminismo, a visão preponderante era de que todas as espécies estivessem ligadas a uma imensa e indestrutível ‘cadeia de seres’. No século XVIII, ossadas de mamutes começaram a aparecer da Europa à Sibéria. Esse caso também foi encaixado à força dentro do sistema. Os ossos pareciam bastante com os dos elefantes. Como claramente não existiam elefantes na Rússia daquele tempo, concluiu-se que aquelas ossadas deviam pertencer a bichos que foram arrastados para o norte pelo dilúvio do Gênesis.

A extinção só surgiu como um conceito na França revolucionária – e não deve ter sido coincidência. Isso aconteceu em grande parte graças a um animal, a criatura hoje em dia chamada de mastodonte-americano, ou Mammut americanum, e um homem – o naturalista Jean Léopold Nicolas Frédéric Cuvier (1769 – 1832).” (p. 32-33)

O que está causando a Sexta Extinção da Vida sobre o planeta é um conjunto de causas antropogênicas, muito bem desvendada por Kolbert, e que eu ando gostando de chamar de Antropocalipse. Este Apocalipse ambiental causado pelas ações humanas tem várias faces – desmatamento de florestas, queima de combustíveis fósseis, vastidão da agropecuária industrial e da dieta carnívora, poluição atmosférica e hídrica, uso excessivo de pesticidas e agrotóxicos, manipulação genética, dentre outros. No seguinte trecho, Kolbert revela o tamanho colossal do problema:

“Desde o início da Revolução Industrial, os seres humanos queimaram combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás natural – o suficiente para adicionar 365 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera. O desmatamento contribuiu com mais 180 bilhões de toneladas. A cada ano, despejamos outros cerca de 9 bilhões de toneladas de carbono, uma quantidade que tem aumentado até 6% ao ano. Em consequência de tudo isso, a concentração de dióxido de carbono no ar hoje – um pouco mais de 400 partículas por milhão – é superior à dos últimos 800.000 anos. É bem provável que seja maior do que em qualquer momento nos últimos milhões de anos. Se essa tendência continuar, em 2050 as concentrações de CO2 atingirão 500 partículas por milhão, mais ou menos o dobro dos níveis encontrados na era pré-industrial.

Espera-se que tal aumento produza um crescimento da temperatura global média entre 1,9 e 3,8º C, o que desencadeará diversos eventos capazes de alterar o mundo, inclusive o desaparecimento da maioria das geleiras restantes, a inundação de ilhas rasas e cidades litorâneas e o derretimento da calota de gelo do Ártico. Mas isso é só metade da história…

Os oceanos cobrem 70% da superfície terrestre… Só em 2014, os oceanos absorveram 2,5 bilhões de toneladas de carbono. (…) A acidificação dos oceanos desempenhou um papel em pelo menos duas das Cinco Grandes Extinções (no fim do Permiano e no fim do Triássico) e é bem possível que tenha sido um dos fatores primordiais numa terceira (o fim do Cretáceo). Por que a acidificação dos oceanos é tão perigosa? Dependendo da firmeza com que os organismos são capazes de regular suas químicas internas, a acidificação pode afetar processos básicos como o metabolismo, a atividade enzimática e a função proteica. Como a acidez maior muda a composição das comunidades microbiológicas, ela vai alterar a disponibilidade de nutrientes essenciais…

Cerca de um terço do CO2 que os seres humanos já lançaram no ar foi absorvido pelos oceanos. Isso alcança espantosos 150 bilhões de toneladas. No entanto, como é o caso da maior parte das características do Antropoceno, não se trata apenas da quantidade, mas também da velocidade com que isso ocorre. Uma comparação útil (embora imperfeita) pode ser feita com o álcool. Assim como é bem diferente para o seu sangue se você consumir 6 latas de cerveja em uma hora ou em um mês, para a química marinha faz uma enorme diferença se o dióxido de carbono é acrescentado ao longo de milhões de anos ou numa centena. Para os oceanos, assim como para o fígado humano, essa proporção é importante…” (KOLBERT, 2015, p. 122 – 132)



 

A nova época geológica em que agora estamos foi batizada de Antropoceno por Paul Crutzen, “químico holandês que compartilhou o Prêmio Nobel pela descoberta dos efeitos das substâncias depletivas de ozônio (ODS). A importância dessa descoberta não é um exagero. Se ela não tivesse ocorrido – e se continuássemos utilizando os produtos químicos com a mesma difusão – o ‘buraco’ na camada de ozônio que se abre todas as primaveras sobre a Antártida teria se expandido até circundar toda a Terra.” (KOLBERT, p. 116)

A revista Piseagrama publicou a tradução artigo de 2000 de Crutzen, em parceria com Eugene Stoermer, texto que é uma espécie de Marco Zero da proposta, hoje vastamente aceita e disseminada, de que o planeta entrou em uma nova era em virtude da ação conjunta da espécie humana. O embarque da espaçonave Terra na era do Antropoceno está diretamente vinculada com a ação conjugada dos mais de 7 bilhões de seres humanos, em especial dos países ditos “ricos” e suas escolhas econômicas tresloucadas, pois altamente poluentes e insustentáveis:

“Em poucas gerações, a humanidade está exaurindo os combustíveis fósseis que foram gerados ao longo de centenas de milhões de anos. (…) A atividade humana aumentou a taxa de extinção de espécies entre mil e dez mil vezes nas florestas tropicais, e vários gases estufa importantes em termos climáticos aumentaram substancialmente na atmosfera: o CO2 aumentou mais que 30% e o CH4 mais de 100%. (…) Considerando esses e vários outros crescentes impactos das atividades humanas na terra e na atmosfera, que acontecem em todas as escalas possíveis – inclusive global –, parece-nos mais do que apropriado enfatizar o papel central da humanidade na geologia e na ecologia propondo o uso do termo Antropoceno para a época geológica atual. Os impactos das atividades humanas vão continuar por longos períodos. Segundo um estudo de Berger e Loutre, devido às emissões de CO2 antropogênicas, o clima pode se afastar significativamente de seu comportamento natural ao longo dos próximos 50 000 anos.

(…) A não ser que ocorram grandes catástrofes como uma enorme erupção vulcânica, uma epidemia inesperada, uma guerra nuclear em larga escala, um impacto de asteroide, uma nova idade do gelo ou o contínuo saqueamento dos recursos da Terra por tecnologias ainda primitivas (os últimos quatro perigos podem, no entanto, ser prevenidos em uma noosfera em funcionamento), a humanidade vai continuar sendo uma importante força geológica por muitos milênios, talvez por milhões de anos. Uma das principais tarefas futuras dos homens será desenvolver uma estratégia mundialmente aceita que leve à sustentabilidade de ecossistemas contra estresses induzidos por humanos, e isso vai requerer pesquisa intensiva e aplicação inteligente do conhecimento até aqui adquirido na noosfera, mais conhecida como sociedade do conhecimento ou da informação. Uma tarefa empolgante, mas também difícil e assustadora, se coloca para a comunidade mundial de pesquisa e engenharia, para que lidere a humanidade em direção a um gerenciamento ambiental que seja global e sustentável.” (CRUTZEN; STOERMER – Leia na íntegra)

A noção assustadora de que a Humanidade possa ser extinta por completo em decorrência dos próprios processos geofísicos que ela desencadeou reativa-se com cada vez maior frequência.  Os jornais se enchem de notícias sobre mega-furacões devastadores, como o Katrina que golpeou o Golfo do México em 2005, e catástrofes de vazamento de petróleo ou de rejeitos de mineração, como a hecatombe que devastou o Rio Doce nos estados brasileiros de Minas Gerais e Espírito Santo em novembro de 2015. Diante de um cenário tão alarmante, fantasias apocalípticas e distópicas marcam cada vez mais a produção artística contemporânea. Na sala de cinema, a destruição do planeta ou de toda a teia-da-vida que nele existe foram temas de impressionantes obras recentes como o Melancholia de Lars Von Trier e Expresso do Amanhã (Snowpiercer) de Joon-Ho Bong.

Com Cuvier e os fósseis de mastodonte, desperta enfim na Humanidade a noção de que ocorrem de fato na história da vida no planeta a extinção de espécies – as “espèces perdues”. Com Cuvier – celebrado por autores da época como Balzac – intensifica-se o interesse por pesquisar as causas para os cataclismos e catástrofes que pudessem explicar os períodos críticos, na história do planeta, onde ocorrem as grandes extinções em massa.


“Cuvier insinuou que conhecia a força motriz por trás da extinção, quiçá seu mecanismo exato”, escreve Kolbert. “Haviam sido todos extintos por algum tipo de catástrofe… Nem mesmo os eventos mais devastadores conhecidos no mundo contemporâneo – erupções vulcânicas, digamos, ou incêndios florestais – eram suficientes para explicar a extinção… Portanto, as mudanças que causaram as extinções deviam ter atingido magnitudes muito maiores – tão imensas que os animais não tinham sido capazes de se adaptar a elas. O fato de tais eventos tão extremos nunca terem sido observados por Cuvier ou qualquer outro naturalista era outra indicação da mutabilidade da natureza: no passado, ela operara de modo diferente – mais intenso e mais selvagem – do atual. (…) Cuvier observou que muitos mitos e textos antigos, incluindo o Antigo Testamento, aludiam a algum tipo de crise – em geral, um dilúvio – que precedeu a ordem atual.” (KOLBERT, p. 55)

Um dos méritos maiores do livro de Kolbert está em destacar o ineditismo da situação atual: o processo que estamos vivenciando, a Sexta Extinção, é a primeira em que uma espécie animal (o homo sapiens) é o agente cataclísmico que causa a gigantesca queda de biodiversidade hoje em curso e em processo de aceleração. Nunca antes na história desse planeta houve um animal que pudesse colocar em risco a Vida como um todo. No Antropoceno, o asteróide somos nós mesmos. O piloto tresloucado deste sistema suicida é o capitalismo globalizado e a desregulação dos mercados propugnada pelo neoliberalismo – este que, se houver alguém vivo para contar esta história daqui uns séculos, será reconhecido como a Ideologia do Apocalipse Sócio-ambiental.

O mais alarmante de tudo talvez seja o abismo gigantesco entre o conhecimento científico que já possuímos sobre o estrago que a Humanidade vem causando ao planeta, por um lado, e as miúdas e insuficientes ações sócio-políticas concretas que estamos realizando no sentido de pelo menos amenizar os impactos catastróficos que já causamos e as tragédias futuras e iminentes que já não podemos evitar. Nada parece minimamente suficiente para que a Humanidade acorde de seu torpor e sua apatia a tempo de salvar-se do cataclismo que ela tornou-se.



Nem os clamores do Papa Francisco, nem os livros brilhantes de Naomi Klein, nem os encontros internacionais como a Rio 92 e a Rio +20, nem os acordos como o Protocolo de Kyoto ou o Pacto de Paris (COP 21), tem o poder para impor uma mudança de rumos e paradigmas. Para evitar a catástrofe completa, seria preciso não queimar a imensa maioria das reservas de combustíveis fósseis que temos no planeta. Pisando no acelerador de um mecanismo suicida e causador de extinção em massa, boa parte daqueles que hoje tem o poder político de decisão (Donald Trumps e outros retardados similares) hoje tomam a decisão escrota e babaca de colocar vendas sobre os próprios olhos. Vendas compostas por notas de 100 dólares… Seguindo adiante com o projeto capitalista, extrativista, crescimentista, baseado no delírio nefasto de que é possível o crescimento contínuo de capital no seio de um mundo finito e onde em breve teremos 9 milhões de estômagos para alimentar e saciar, vamos com tudo na direção do Antropocalipse.

A loucura hoje hegemônica e dominadora, o capitalismo neoliberal ecocida, praticante impune das piores hecatombes sócio-ambientais, conduz os mais pessimistas de nós a pensar que o deus Capital é aquele tipo de divindade cultuada pelo tipo de estrutura orgânica que se auto-destrói e lega ao futuro apenas o exemplo grotesco de sua própria estupidez suicida. Ao invés de acordar para a necessidade de escolha entre uma nova alternativa – parafraseando Rosa Luxembrugo, a alternativa é: ecossocialismo ou barbárie! – seguimos em larga medida adotando a técnica do avestruz: escondemos nossas cabeças na areia para não enxergar o tamanho da encrenca em que nos metemos. Mas isso não tem como durar muito tempo: os miolos dos avestruzes logo serão torrados pelo calor escaldante de um planeta em chamas.

Raj Patel, author of Stuffed and Starved and The Value of Nothing

Em seus livros altamente relevantes, o ativista e pesquisador Raj Patel também nos fornece um quadro estarrecedor de um sistema econômico que está em guerra contra o mundo natural – “se vencermos”, como diria Hubert Reeves, “estamos perdidos”. Este é o tipo de Guerra Mundial – como a apelidou o filósofo Michel Serres em sua obra homônima – que não deixa de evocar um velho lema pacifista: ninguém vencerá esta guerra, só haverá perdedores. Em O Valor de Nada, Patel busca demolir os mitos da doutrina neoliberal e escreve que

“A Sociedade de Mercado está incrustada no mundo natural, coisa que o mito do mercado autorregulado também procura negar. A civilização humana depende da ecologia da Terra, embora a estejamos explorando até sua morte – segundo algumas estimativas, a atividade humana aumentou a taxa de extinção de outras espécies em cerca de 1000 vezes (Cf. Millenium Ecosystem Assessment). No cercamento implacável do mundo natural, destruímos nosso planeta e, caso os sussurros ouvidos entre cientistas do clima devam ser levados a sério, talvez já seja tarde demais para fazer alguma coisa. A eterna busca por crescimento econômico transformou a humanidade num agente de extinção, por meio da contínua desvalorização dos serviços ecossistêmicos que mantêm nossa Terra viva.” (PATEL, Ed. Zahar, 2009, p. 25)

Não faltarão os milhões que buscarão refúgio nas igrejas, que constituirão rebanhos de fiéis desejosos de salvar suas almas do Apocalipse e que adotarão a tática perfeitamente inútil de rezar – o que é o contrário de agir. Não faltarão também aqueles que estarão mobilizados, nas ruas, nas redes, nas barricadas, buscando a somatória de forças coletivas em prol de um outro mundo possível – como temos exemplos nos Fóruns Sociais Mundiais e em eventos impressionantes como a People’s Climate March de 2014.

O livro de Kolbert, se é assustador, também é salutar. Eles nos sacode do torpor e nos diz claramente que “a extinção em curso tem sua própria causa original – não é um asteróide ou uma erupção vulcânica maciça, mas uma ‘espécie daninha’.” (p. 276) A maioria de nós não gosta de pensar sobre a Humanidade nestes termos: faz parte do narcisismo de todo indivíduo a estratégia de manutenção da auto-estima que consiste em acreditar-se pertencente a algo de muito maravilhoso, a Humanidade, ápice da Evolução, senhora da Natureza, cume do orgânico. Às Três Feridas Narcísicas de Freud teremos que adicionar uma quarta: no Antropoceno, a Humanidade vai precisar a se acostumar com a noção de que estamos sendo, neste planeta, uma “espécie daninha” e um agente de extinção da biodiversidade que nos assemelha a um cataclismo.

Segundo o antropólogo Richard Leakey, “o homo sapiens pode ser não apenas o agente da Sexta Extinção, mas corre o risco de ser uma de suas vítimas” (p. 278). É o que sintetiza de forma brilhante o ecologista Paul Ehrlich, em uma frase que está no Salão da Biodiversidade em Stanford:

AO PRESSIONAR OUTRAS ESPÉCIES PARA A EXTINÇÃO, A HUMANIDADE ESTÁ SERRANDO O GALHO SOBRE O QUAL ESTÁ SENTADA.

 

Eduardo Carli de Moraes – A Casa de Vidro
Goiânia, 18 de Outubro de 2017

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VÍDEOS

NÃO HÁ AMANHÃ – There’s No Tomorrow (2012) >>> DOC ANIMADO COMPLETO

Tomorrow

NÃO HÁ AMANHÃ
There’s No Tomorrow (2012)
Direção: Dermot O’ Connor

DOCUMENTÁRIO ANIMADO COMPLETO:

Sinopse por Docprimus: “Documentário animado, de 34 minutos, que aborda a situação alarmante que vivemos enquanto civilização. Entre outras ameaças, a demanda e a exploração crescentes de energia e recursos preciosos como o petróleo, carvão e gás natural, são das mais importantes. É preciso realizar uma transição da economia baseada nos hidrocarbonetos para outra baseada em energia e recursos renováveis.

Assim, o filme apresenta conceitos básicos e informações importantes na análise da viabilidade de fontes de energia alternativas como a eólica, hidráulica e solar, por exemplo, considerando os prós e os contras de cada uma. Mas os resultados não são positivos.

O desenvolvimento da nossa civilização nos últimos 150 anos está relacionado em muitos aspectos com a história da exploração e uso do petróleo e seus derivados, e sua continuidade está ameaçada pela desconsideração de uma transição gradual para um modelo sustentável, e principalmente pela impossibilidade de um crescimento econômico infinito em um planeta finito e que já apresenta sinais de esgotamento.”

Saiba mais: Consciência.blog.br – Papo de Homem

Não Há Planeta B: A Aldeia Global Mobiliza-se Em Prol De Um “Futuro Verde”

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por Eduardo Carli de Moraes || Especial para a Mídia Ninja

Cerca de 400 mil pessoas tomaram conta das ruas de Nova York no domingo, 21 de Setembro, para a People’s Climate March, a maior manifestação global já realizada para demandar ações concretas de combate às causas do aquecimento global. A sociedade civil do planeta azul mobilizou-se em 166 países, que realizaram juntos um total de 2808 eventos (segundo o site oficial).

Este tsunami de participação popular demanda um fim às práticas ecocidas que nos trouxeram ao limiar do colapso ecológico: as polifônicas vozes das ruas, mundo afora, exigem medidas drásticas em prol da redução das emissões dos gases de efeito estufa (em especial CO2 e metano), pedem o fim do desflorestamento e do extrativismo predatórios, enfatizam a necessidade de confrontar o poderio das mega-corporações poluidoras (como as empresas de petróleo e carvão), dentre outras reivindicações.

A jornalista e ativista canadense Naomi Klein, que acaba de lançar seu novo livro Isso Muda Tudo – O Capitalismo Contra o Clima,  oferece uma preciosa contextualização da crise ecológica que assola o planeta e enfatiza a urgência das ações coletivas para evitar que o fogo se alastre por nossa casa coletiva planetária:

“Nós sabemos que se continuarmos no mesmo rumo, permitindo que as emissões aumentem ano após ano, o aquecimento global vai mudar tudo em nosso mundo”, escreve Klein na introdução de sua recém-lançada obra. “Grandes cidades irão para baixo d’água, civilizações ancestrais serão engolidas pelo oceano, e há uma grande chance de que nossos filhos irão passar boa parte de suas vidas fugindo ou recuperando-se de terríveis tempestades e secas extremas. Tudo o que precisamos fazer para que este futuro aconteça é nada.”

Neste Setembro de 2014, um mês histórico para as mobilizações em prol de um “futuro verde”, a Aldeia Global botou a boca no trombone para dizer que um outro mundo não só é possível, ele é imprescindível e inadiável. Uma boa ilustração da crise que vivenciamos é o fato de que, no ano de 2013, catástrofes climáticas expulsaram mais de 22 milhões de pessoas de seus lares, segundo a Reuters [http://reut.rs/XS6JPB]. A tendência é que esse quadro piore com o aumento da temperatura do planeta: no século 20, os termômetros registraram um aumento geral de 0.6º C;  ao fim do século 21, caso não mudemos de rumo, a temperatura deve aumentar entre 1.3 e 5.8º C, de acordo com as previsões do Intergovernmental Panel on Climate Change.

As evidências empíricas de que o clima no planeta Terra está cada vez mais selvagem e fora de controle são inúmeras: segundo Naomi Klein, na década de 1970 as catástrofes climáticas registradas foram 660; na primeira década do novo século, o número quintuplicou e atingiu 3.322. Exemplos da exacerbação da fúria dos elementos não faltam: é só lembrar da devastação causada pelos furacões Mitch (que atingiu a América Central em 1998, causando mais de 18.000 mortes e um dano estimado em mais de 7 bilhões de dólares), Katrina (que em 2005 atacou com ferocidade os estados de Mississipi e Louisiana e causou imensa destruição em New Orleans) e Sandy (cujo custo para New York e New Jersey foi estimado em 65 bilhões de dólares).

Além da fúria dos ventos e das águas, estamos testemunhando também ondas de calor, seca e escassez de água em vários pontos do planeta: os reservatórios de água nunca estiveram tão baixos em toda a história do estado da Califórnia, nos EUA; já no Brasil, o reservatório da Cantareira, em São Paulo, também vivencia uma das mais graves baixas já registradas. Nem a Europa está imune: durante a onda de calor de 2003, “estima-se que 14 802 pessoas, a maioria idosos, morreram somente na França, segundo o maior serviço funerário do país.” (Wikipédia)

 Se nada for feito, o derretimento das geleiras e o aumento do nível dos mares irá em breve inundar inúmeras cidades costeiras e terras férteis, destruindo a economia de países inteiros (como Bangladesh, um dos mais visceralmente afetados) e gerando gigantes fluxos migratórios de “refugiados do clima”. Há grandes chances de um aumento das tensões de fronteira e guerras territoriais, além de um ascenso das ideologias xenófobas anti-imigração expostas tão bem no filme Children of Men, de Alfonso Cuáron.

Em Setembro de 2014, os cidadãos do mundo que estão conscientes da situação emergencial em que o planeta encontra-se provaram, nas ruas e nas redes, que nunca esteve tão forte a convergência de esforços em prol de um futuro verde e sustentável. Unidos nesta luta estão grupos como o 350.org, o Greenpeace, o Avaazo Idle No More, o System Change Not Climate Change, entre inúmeros outros.

A histórica mobilização que culminou com a People’s Climate March foi programada para coincidir com a Cúpula do Clima das Nações Unidas (United Nations Climate Summit). Desde Copenhagen, em 2009, que a ONU não realizava um encontro internacional desta magnitude, que conta em 2014 com a presença de 120 chefes de Estado e promete catalisar novos pactos internacionais que coloquem um freio na devastação ambiental e nas atividades econômicas que agravam o aquecimento global.

Encontros internacionais destinados a definir reduções das emissões de poluentes ocorrem desde a década de 1980: em 1988, em Toronto, ocorreu a Conferência Mundial Sobre Mudanças Na Atmosfera, que reuniu mais de 300 cientistas, além de líderes políticos de 46 países. O primeiro encontro da ONU sobre o tema, conhecido como Earth Summit, ocorreu no Rio de Janeiro em 1992, onde foram definidas as diretrizes que serviriam de base para todas as negociações subsequentes sobre a questão climática. Cinco anos depois, no Japão, quando foi firmado o Protocolo de Kyoto, a situação parecia encaminhar-se para um consenso internacional em prol da redução das emissões.

Infelizmente, o acordo gorou e Kyoto transformou-se em um fiasco: os EUA, por exemplo, que tem apenas um vigésimo da população total do globo mas é responsável por cerca de um quarto de toda a queima de combustíveis fósseis, pulou fora do acordo com o pretexto de que respeitá-lo faria mal à sua economia.  Outros países produtores de petróleo, como Arábia Saudita e Kuwait, também recusaram-se a respeitar o protocolo de Kyoto.  Não faltam evidências de que muitos líderes políticos e corporativos estão dispostos a sacrificar a vida no no altar dos lucros, desdenhar da ecologia em prol da economia, desconsiderar o commons  planetário em prol do enriquecimento da elite confortavelmente sentada no topo da pirâmide financeira global.

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Como enfatiza Naomi Klein, a encarnação atual do capitalismo, baseado na desregulação do setor privado e na austeridade aplicada à esfera pública, está em guerra contra a vida na Terra: o sistema econômico hegemônico  insiste em perseguir a falácia do crescimento infinito e do consumismo desenfreado, cego ao fato de que os recursos naturais e a capacidade de regeneração do planeta são finitos.

 Diante deste cenário distópico e assustador, não surpreende que são cada vez são mais numerosos os ativistas que percebem que as modificações essenciais para garantir um futuro sustentável entram em choque com a ortodoxia econômica e política hoje reinante. O fato da People’s Climate March ter desaguado no protesto Flood Wall Street é um indício que muita gente já acordou para o fato de que não é possível resolver o problema do aquecimento global sem mexer no vespeiro do fundamentalismo de mercado.

Para nos limitarmos a apenas um exemplo, vejam o quão vantajoso é para a indústria do petróleo prosseguir com suas práticas de devastação ecológica: os lucros das corporações envolvidas na exploração e comércio de combustíveis fósseis prosseguem estratosféricos, sendo que as 5 maiores empresas do ramo, entre 2001 e 2010, registraram somadas um lucro de 900 bilhões de dólares. Apesar do crash de 2008, que gerou uma das piores crises financeiras desde a Grande Depressão dos anos 1930, a gigante do óleo ExxxonMobil ganhou 41 bilhões em 2011 e 45 bilhões em 2012 (o CEO da empresa, Rex Tillerson, fatura cerca de 100.000 dólares por dia).

Do mesmo modo que é do interesse da indústria do tabaco negar que cigarros causam câncer de pulmão, também é do interesse da indústria dos combustíveis espalhar a lorota de que o efeito estufa causado por excesso de emissões de CO2 não existe – e que o consenso de 97% dos cientistas do mundo não passa de um complô de lunáticos e eco-chatos.

Estas corporações sabem muito bem que suas práticas estão contribuindo para o aquecimento global, mas fazem de tudo para impedir mudanças na legislação e desinformar a sociedade civil: subornam políticos, compram eleições, investem milhões em lobby negacionista, ordenam que a mídia corporativa minta para o grande público, dentre outras práticas bem distantes do fair play.  Em suma, os gigantes do petróleo fazem de tudo para negar sua responsabilidade pelo Efeito Estufa e para manter-nos alienados sobre as reais consequências de termos uma civilização tão dependente desta fonte de energia não-renovável e altamente poluente.

Como Naomi Klein demonstra tão bem em seus livros, foi justamente quando o fundamentalismo de mercado atingiu o seu auge (nos anos 1970 e 1980, através de figuras como Pinochet, Suharto, Tatcher e Reagan), que a crise ecológica planetária manifestou-se em toda a sua fúria – o que está longe ser mera coincidência. Agora, o consenso científico de 97% dos pesquisadores soa os alarmes e nos garante: se permitirmos a extração e queima de todo o petróleo, carvão e gás natural do planeta, iremos de encontro a uma série interminável de catástrofes climáticas.

Já que o capitalismo de vista-curta, viciado em lucros imediatos, indiferente às futuras gerações, não parece se importar com o fato de que está legando aos que ainda não nasceram um planeta devastado, de atmosfera irrespirável, é mais do que urgente que os terráqueos humanos, certos de que não há planeta B, levantem-se em defesa de Gaia.

Mother Jones

Para confrontar a crise climática será preciso, entre muitas outras ações, repensar nossos meios de transporte, em especial superando nossa fixação ao automóvel com motor de combustão interna. Somente nos EUA, por exemplo, são mais de 200 milhões de veículos, que no ano de 2001 atravessaram um total de 2,7 trilhões de milhas, emitindo 314 milhões de toneladas de CO2 (LYNAS, Mark. High Tide – The Truth About Our Climate Crisis. Preface, XXI. New York, Picador, 2004) . Um dos passos mais essenciais que hoje são necessários é o aumento dos investimentos em ciclovias e campanhas públicas de incentivo ao uso de bicicletas, além de melhorias no sistema de transporte público movido a energia limpa, o que já é uma realidade em metrópoles como Amsterdam ou Montréal, por exemplo.

 Outro setor que necessita ser urgentemente repensado e modificado é o da produção e consumo de alimentos, em especial pelo devastador efeito ecológico da agropecuária industrial, acusada por muitos pesquisadores de ser responsável por mais de 50% do total de emissões (saiba mais assistindo aos documentários CowspiracyMeat The Truth). É preocupante que seja tão minúsculo o número de consumidores que tem consciência, ao comer um lanche carnívoro em um McDonald’s ou Burger King, do sistema que está por detrás da produção daquela mercadoria. A devastação das florestas na Amazônia, por exemplo, está em larga medida relacionada com a necessidade de “abrir espaço” para os animais destinados a virarem bife: o Brasil é o principal exportador mundial de carne e estima-se que 70% do desflorestamento do “Pulmão do Mundo” deve-se às ações das corporações do mercado carnívoro (leia a reportagem do One Green Planet). O vegetarianismo, portanto, longe de ser uma mera escolha individual, é um dos caminhos coletivos mais promissores se quisermos uma sociedade sustentável.

A crise climática também pode servir como ótima ocasião para uma vasta coalização de movimentos sociais unirem-se em uma luta comum. Nos últimos anos, as resistências à lógica ecocida do mercado manifestaram-se com força em toda parte: em Istambul, a ameaça de demolição de um parque, para pôr em seu lugar um shopping center, fez eclodir um levante na Turquia; na Índia, os mega-projetos desenvolvimentistas e extrativistas, incluindo dúzias de projetos semelhantes ao da usina de Belo Monte, estão sendo confrontados pela guerrilha armada maoísta; em Chiapas, México, há mais de duas décadas os Zapatistas resistem contra o neo-imperialismo liberal (mais feroz do que nunca desde a entrada em vigência do NAFTA em 1994) e prosseguem na defesa da autonomia das populações indígenas e campesinas.

 O Brasil tem tudo para desempenhar um papel de relevância nas lutas globais por um outro mundo possível e por um futuro verde, sustentável, inclusivo. Caso nossas forças coletivas sejam mobilizadas de modo eficaz para a defesa da Amazônia, incluindo suas populações indígenas e sua riquíssima diversidade animal e vegetal, já que estaremos fazendo nossa parte para um mundo melhor. Tudo irá por água abaixo caso fracassemos em contestar a hegemonia do agronegócio depredatório, da bancada ruralista ecocida e do desenvolvimentismo “Belo Montista”.

Para terminar, vale mencionar que nas jornadas de Junho de 2013, quando ocorreu o levante brasileiro contra o aumento das tarifas do transporte público, ficou evidente um descontentamento massivo com o que Marilena Chauí chama de “caos urbano”, o resultado de nossas cidades estarem entregues em larga medida à lógica do capital sem freios. As manifestações no Brasil, que Naomi Klein também analisa em seu novo livro, aparecem-lhe como dignas de serem vinculadas a uma luta global contra as várias manifestações do “caos climático” iminente. Diante desta crise global, que impacta a todos os mais de 7 bilhões de humanos neste planeta, e que também afeta todas as espécies que constituem a Teia da Vida, torna-se cada vez mais necessário que a Aldeia Global levante-se para defender Gaia – e demandar transporte público com passe livre, com energia limpa, além de amplas ciclovias, certamente faz parte do processo.

A cada dia que passa torna-se mais explícito que o “business as usual” é uma rota para o suicídio coletivo e que não vai ser a confiança na Mão Invisível do Mercado, esta versão capitalista da Providência divina, que vai nos salvar dessa enrascada.

Confira também:

Documentário completo
Documentário completo “Disruption” (2014), lançado dias antes da People’s Climate March

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Documentário de 15 minutos sobre a People's Climate March em Toronto, no Canadá

Documentário de 15 minutos sobre a People’s Climate March em Toronto, no Canadá

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Saiba mais:

Climate Action Network
Intergovernmental Panel on Climate Change
Coalização Eco-socialista “System Change Not Climate Change”
Friends of the Earth
Rising Tide UK
Worldwatch Institute
Grist Magazine