150 DOS MELHORES ÁLBUNS BRASILEIROS DO SÉCULO XIX – Ouça todos na íntegra no canal A Casa de Vidro no YouTube

150 DOS MELHORES ÁLBUNS BRASILEIROS DO SÉCULO XIX – Ouça todos na íntegra no canal A Casa de Vidro em YouTube: http://bit.ly/1Z9c2Ef. Seleção de ótimos discos da nossa música no período entre 2000-2017, em ordem decrescente de popularidade. Tem Criolo, Tom Zé, Sabotage, Pitty, Emicida, Nação Zumbi, Elza Soares, BaianaSystem, Planet Hemp, Tulipa Ruiz, BNegão & Seletores de Frequência, Céu, Metá Metá (oficial), Juçara Marçal, Kiko Dinucci, Rodrigo Amarante, Bixiga 70, Boogarins, Curumin, Karina Buhr, Carne Doce, Baleia, Abayomy, Vespas Mandarinas, Macaco Bong, Siba, O Terno, Vivendo do Ócio, Gustavito, Cidadão Instigado, Diego Mascate, Lenine, Hurtmold, Camarones Orquestra Guitarrística, Tagore, e por aí vai.

Acesse: http://bit.ly/1Z9c2Ef. Se curtiu, compartilhe e dissemine!

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Mobilização Nacional Indígena realiza o Acampamento Terra Livre 2017 e demanda “Demarcação Já!” e “Nenhum Direito A Menos”




Brasília, 24 a 28 de Abril,
Acampamento Terra Livre

A seguir, palavras de  Helena Palmquist

“Os patrões e o estado, e a academia e a mídia que lhes servem, seguem nos acusando de sermos anacrônicos na reivindicação de direitos humanos, animais, florestais, ancestrais, básicos.

É anacrônico defender um rio, é ultrapassado lutar pela mata, não é racional brigar por territórios, chega desse negócio de índio, ribeirinho, quilombola, camponês, seringueiro, pescador, lavrador, colono, chega desses povos do mato, do rio e da terra, que atrapalham a nossa razão irrefutável.

Eles nos chamam de minorias com projetos ideológicos irreais.

Cantam e decantam, insuportavelmente afinados, em centenas de minutos de televisão pagos a peso de ouro, a cantilena de que qualquer legislação que nos proteja contra eles é ultrapassada, de que é preciso “modernizar”.

Eles falam da CLT, que é fruto de muita luta dos trabalhadores nossos avós; e da Previdência, que igualmente resultou da luta de nossos avós. São leis velhas, eles dizem em horário nobre e em infinitas publicidades patrocinadas em redes sociais.

Eles falam das leis ambientais e indígenas. E da Constituição brasileira. Estão ultrapassadas, dizem. Querem nos convencer que a modernidade reside na desproteção jurídica total do bem comum.

Querem nos convencer que o mesmo Agro que chacinou camponeses em Colniza há 5 dias, é Tech.

É moderno.

Querem nos convencer que é moderno o mesmo Agro que assassinou Dorothy em Anapu e Chico Mendes em Xapuri, Zé Carlos e Maria em Nova Ipixuna, Doutor e Fusquinha em Marabá, Dema em Altamira, Oziel e outros 18 em Eldorado dos Carajás e Quintino em Viseu.

Pela lógica dos patrões que nos governam, qualquer proteção ao bem comum e público representa uma ameaça ao lucro. E o nome do Brasil, na onomástica deles, é lucro.

O nome Brasil, uma árvore que, ao ser quase extinta, enriqueceu Portugal ao ponto de ser um dos impérios mais capitalizados do planeta. O nome que nos deram é como uma maldição. Um estado-nação que extingue o que tem para enriquecer outrem. Até quando?

Quando os portugueses, os patrões e o estado aqui aportaram, esse território hoje denominado Brasil continha em seus domínios as duas maiores florestas tropicais do planeta todo: a mata atlântica e floresta amazônica.

Em pouquíssimo tempo (em termos geológicos) após a chegada dos elegantes europeus, 90% da mata atlântica foi dizimada, junto com todas as cosmologias, entendimentos, tessituras e histórias que não temos mais como resgatar e que certamente participaram do processo que a formou. O que perdemos é irrecuperável? Acho que não. Tenho observado que a resistência, nesse território de tantos territórios, reside muito em manter modos de vida, em manter músicas, ritos, tambores, plantios, comidas, ditos, sotaques, objetos, jeitos, espécies, histórias.

Mas a persistência não é nossa, nós resistimos porque os patrões de sempre persistem em nos anular, expulsar, escravizar e se nada mais nos calar, matar à bala.

São eles que não entendem que o tempo deles já passou. Eles que persistem na desgraça, apaixonados pelo que produziram. Eles explicam que direitos devem ser eliminados para que o povo brasileiro seja objeto de caridade e salvação com fins corruptos e eleitoreiros. O hábito deforma não só a boca, mas principalmente a prática política.

Quanto menos direitos, mais empregos, eles dizem. Como disseram, não muito tempo atrás, na lei sancionada por Dilma Rousseff, que anistiar desmatadores diminuiria o desmatamento.

São mentiras fartamente demonstradas em exemplos vindos de todos os continentes do mundo. Mas ditas com candura por representantes de todas as colorações do espectro eleitoral brasileiro. Assim, na cara dura, o tempo todo.

A mentira, a mais óbvia mentira, é mesmo a base da política ocidental como profetizou Goebbels (quase escrevi Gleise)?

Nos impingem essa visão diariamente no Jornal Nacional e todo sábado nos programas do Luciano Huck, seja qual for o partido no poder. Progresso é a senha, à direita e à esquerda.

Progresso e propina, devia constar na bandeira nacional, se sinceridade e candura combinassem com esse país.

Não existe nada mais velho do que a modernidade, nada mais fracassado que o modelo dito moderno de exploração do trabalho e da natureza.

Essa modernidade mofada que agride índios, negros e pobres e confina-os à invisibilidade e à inexistência JÁ ERA e pertence a ERAS PASSADAS.

Não existe nada mais triste e ultrapassável do que a proposta dos patrões do mundo e é um sinal de sintonia cosmológica que, na mesma semana em que os povos indígenas estão em Brasília, símbolo máximo da corrupção patronal brasileira, reinvindicando seu direito a existência, os trabalhadores brasileiros estão intensamente mobilizados para impedir a retirada brutal de direitos duramente conquistados, por essa mesma meca da corrupção, da extinção e do genocídio que é Brasília.

Fascista é a Fiesp, ultrapassada é a Globo, velha é a ideia que sustenta Brasília longe do Brasil, triste é essa modernidade já morta que nos quer iguais no sub-emprego terceirizado e super-explorado, pagando fortunas por energia retirada de rios caudalosos dos quais não podemos mais beber e nos quais não temos mais como navegar, pescar, muito menos nadar.

Avante! Para quem não lucra com a desgraça significa que chega de exploração extrema de recursos nada naturais e que é chegada a hora de aprender com os povos autônomos e autossuficentes que habitam os beiradões e interflúvios da Amazônia.

Na Amazônia está a chuva, a floresta e o futuro. Nenhuma modernidade arcaica importada vai superar o que a Amazônia sempre deu de presente para os Brasis. Amazônia plantada e gestionada pelos povos indígenas por milênios. Amazônia inteira dos povos que se conectam com a mata e que sabem mantê-la, os nativos e os chegados.

Amazônias mil, todas empenhadas em envolver vários mundos de vivos e mortos, de animais humanos ou quase, de peludos e pelados, de plurifloras e de polifaunas, de reservados e de expostos, de espíritos e pessoas, de rexistentes e de dexistentes, de caçadores, coletores, agricultores, pescadores, construtores, arquitetos, xamãs, poetas, cantadores, filósofos, sonhadores. Contra o des-envolver.

Amazônias mil, íntegras e dignas contra os belos destruidores, belos negadores, belos agressores, belos cínicos, belos desastres, belos assassinos, pra sairmos dessa bela merda em que nos meteram.”


Confira a música “Demarcação Já!”, uma homenagem de mais de 25 artistas aos povos indígenas do Brasil. Pelo direito à terra, pelo direito à vida! #DemarcaçãoJá

Letra: Carlos Rennó
Música: Chico César
Direção: André Vilela D’Elia
Produção: Cinedelia

Artistas:
Ney Matogrosso
Maria Bethânia
Gilberto Gil
Djuena Tikuna
Zeca Pagodinho
Zeca Baleiro
Arnaldo Antunes
Nando Reis
Lenine
Elza Soares
Lirinha – José Paes de Lira
Leticia Sabatella
Zé Celso
Tetê Espíndola
Edgard Scandurra
Zélia Duncan
Jaques Morelenbaum
Dona Onete
Felipe Cordeiro
Criolo
Marlui Miranda
BaianaSystem
Margareth Menezes
Céu

Com participação de:
Eduardo Viveiros de Castro
André Vallias
Ailton Krenak

Já que depois de mais de cinco séculos
E de ene ciclos de etnogenocídio,
O índio vive, em meio a mil flagelos,
Já tendo sido morto e renascido,
Tal como o povo cadiveu e o panará –
Demarcação já!

Já que diversos povos vêm sendo atacados,
Sem vir a ver a terra demarcada,
A começar pela primeira no Brasil               

Que o branco invadiu já na chegada:
A do tupinambá –                         

Demarcação já!

Já que tal qual as obras da Transamazônica,
Quando os milicos os chamavam de silvícolas,
Hoje um projeto de outras obras faraônicas,
Correndo junto da expansão agrícola,
Induz a um indicídio, vide o povo kaiowá,
Demarcação já!

Já que tem bem mais latifúndio em desmesura
Que terra indígena pelo país afora;
E já que o latifúndio é só monocultura,
Mas a TI é polifauna e pluriflora,
Ah!, Demarcação já!

E um tratoriza, motosserra, transgeniza,
E o outro endeusa e diviniza a natureza:
O índio a ama por sagrada que ela é,
E o ruralista, pela grana que ela dá;
Bah! Demarcação já!

Já que por retrospecto só o autóctone   
Mantém compacta e muito intacta,
E não impacta e não infecta,
E se conecta e tem um pacto com a mata
–Sem a qual a água acabará –,
Demarcação já!

Pra que não deixem nem terras indígenas
Nem unidades de conservação
Abertas como chagas cancerígenas
Pelas feridas da mineração
E de hidrelétricas no ventre da Amazônia, em Rondônia, no Pará…
Demarcação já!

Já que tal qual o negro e o homossexual,
O índio é “tudo que não presta”, como quer
Quem quer tomar-lhe tudo que lhe resta,
Seu território, herança do ancestral,
E já que o que ele quer é o que é dele já,
Demarcação, tá?               

Pro índio ter a aplicação do Estatuto
Que linde o seu rincão qual um reduto,
E blinde-o contra o branco mau e bruto
Que lhe roubou aquilo que era seu,
Tal como aconteceu, do pampa ao Amapá,
Demarcação lá!

Já que é assim que certos brancos agem,
Chamando-os de selvagens, se reagem,
E de não índios, se nem fingem reação
À violência e à violação
De seus direitos, de Humaitá ao Jaraguá,
Demarcação já!

Pois índio pode ter Ipad, freezer,
TV, caminhonete, voadeira,
Que nem por isso deixa de ser índio
Nem de querer e ter na sua aldeia
Cuia, canoa, cocar, arco, maracá.  

Demarcação já!

Pra que o indígena não seja um indigente,
Um alcoólatra, um escravo, um exilado,
Ou acampado à beira duma estrada,
Ou confinado e no final um suicida,
Já velho ou jovem ou – pior – piá,
Demarcação já!

Por nós não vermos como natural
A sua morte sociocultural;
Em outros termos, por nos condoermos –
E termos como belo e absoluto
Seu contributo do tupi ao tucupi, do guarani ao guaraná.
Demarcação já!

Pois guaranis e makuxis e pataxós
Estão em nós, e somos nós, pois índio é nós;
É quem dentro de nós a gente traz, aliás,
De kaiapós e kaiowás somos xarás,
Xará. Demarcação já!

Pra não perdermos com quem aprender
A comover-nos ao olhar e ver       

As árvores, os pássaros e rios,
A chuva, a rocha, a noite, o sol, a arara
E a flor de maracujá,
Demarcação já!

Pelo respeito e pelo direito
À diferença e à diversidade
De cada etnia, cada minoria,
De cada espécie da comunidade
De seres vivos que na Terra ainda há,
Demarcação já!

Por um mundo melhor ou, pelo menos,
Algum mundo por vir; por um futuro
Melhor ou, oxalá, algum futuro;
Por eles e por nós, por todo mundo,
Que nessa barca junto todo mundo tá,
Demarcação já!

Já que depois que o enxame de Ibirapueras   
E de Maracanãs de mata for pro chão,
Os yanomami morrerão deveras,
Mas seus xamãs seu povo vingarão,
E sobre a humanidade o céu cairá,
Demarcação já!

Já que por isso o plano do krenak encerra
Cantar, dançar, pra suspender o céu;
E indígena sem terra é todos sem a Terra,
É toda a civilização ao léu
                  
E ao deus-dará,
Demarcação já!

Sem mais embromação na mesa do Palácio,
Nem mais embaço na gaveta da Justiça,
Nem mais demora nem delonga no processo,
Nem mais parola nem pendenga no Congresso,
Nem lengalenga, nenhenhém nem blablablá!
Demarcação já!

Pra que nas terras finalmente demarcadas,
Ou autodemarcadas pelos índios,
Nem madeireiros, garimpeiros, fazendeiros,
Mandantes nem capangas nem jagunços,
Milícias nem polícias os afrontem.
Vrá! Demarcação ontem!
Demarcação já!

E deixa o índio, deixa os índios lá!

“Ascensão”, álbum póstumo de Serena Assumpção (2016, 52 min, Selo Sesc), explora a tradição do Candomblé e tem uma canção para cada orixá

Serena
“Ascensão”, álbum póstumo de SERENA ASSUMPÇÃO (2016, 52 min, Selo Sesc), explora a tradição do Candomblé com uma canção para cada orixá

Via Canal Musical:

image002“As memórias afetivas e vivências em terreiros e nas tradições ancestrais das religiões afro-brasileiras ganharam expressão rica e delicada nas canções apresentadas em “Ascensão”, álbum dirigido, produzido e interpretado por Serena Assumpção e no qual trabalhou nos últimos cinco anos. Gravado em abril de 2015 em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, o CD de inéditas contou com a participação de mais 50 músicos e foi o último trabalho da artista, que faleceu, aos 39 anos, em março deste ano.

Cada uma das 13 faixas que compõem “Ascensão” saúda um orixá e é dedicada a pessoas admiradas por Serena, como o artista Leonilson, o Profeta Gentileza, Luz Del Fuego, Elis Regina, Clementina de Jesus, Clara Nunes e Mãe Menininha do Gantois. Pipo Pegoraro e DiPa também assinam a produção musical.

No texto de abertura, assinado pelo compositor, cantor e violonista baiano Tiganá Santana, fica explícita a colaboração do álbum, segundo ele, na promoção da reflexão sobre a importância do respeito à diversidade cultural e sua beleza.

Para Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo, foi um grande contento apoiar o projeto. “Serena nos traz essas nuances africanas, do Candomblé e da Umbanda, para cantar o que de mais belo temos: a esperança. Com músicas inspiradas em sua vivência nessas tradições ancestrais, podemos reconhecer uma amplitude da herança africana presente em nosso dia-a-dia”, explicou no texto assinado por ele no encarte do álbum.

O CD “Ascensão” custa R$ 20,00 e está a venda nas unidades do Sesc e no link http://www.sescsp.org.br/livraria.”

LEIA TB: SESC – Pedro Antunes no EstadãoLeonardo Lichote em O Globo

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OUÇA JÁ: “ASCENSÃO”:

ACESSE O ENCARTE COMPLETO

Lançado em julho de 2016, poucos meses depois que Serena Assumpção nos deixou, vítima de câncer, aos 39 anos, “Ascensão” é o fruto de meia década de trabalho da produtora e musicista – e também a obra que crava seu nome na história da música brasileira. Em 13 canções que já nascem clássicas – divididas entre composições originais de Serena e de Gilberto Martins, e escritos em domínio público – a filha mais velha de Itamar canta sobre os orixás num trabalho que traz o som do terreiro para a roupagem do Brasil no século XXI, mas sem deixar a atmosfera de suas origens de lado (a ideia e muitas canções do álbum, afinal, surgiram a partir da vivência de Serena no Santuário da Irmandade do Ilê de Pai Dessemi de Odé, em São Paulo). E a artista fez tudo isso elencando alguns dos nomes mais importantes da música nacional dos últimos anos, como Céu, Curumin, Karina Buhr, Metá Metá, e sua irmã Anelis Assumpção.

FAIXAS:
00:00 – Exu (com Karina Buhr e Zé Celso)
03:05 – Ogum (com Tatá Aeroplano e Tulipa Ruiz)
06:58 – Pavão (com Curumin e Anelis Assumpção)
10:55 – Oxumaré (com Moreno Veloso, Bem Gil e Mãeana)
14:49 – Xangô (com Metá Metá)
19:47 – Iansã (com Tetê Espíndola)
24:33 – Oxum (com Curumin e Xênia França)
29:02 – Iemanjá (com Céu)
32:10 – Iroko (com Mariana Aydar)
37:35 – Nanã
40:44 – Obaluaiê (com Filipe Catto)
46:09 – Oxalá
49:10 – Do Tata Nzambi (com o Grupo Source De Vie)

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Confira também:

Metrópolis – TV Cultura

100 DISCOS BACANAS DA MÚSICA BRASILEIRA NO SÉCULO 21 – Ouça todos na íntegra: Criolo, Pitty, Emicida, Planet Hemp, Nação Zumbi, Lenine, Tom Zé, Elza Soares, Boogarins etc.

Subam o volume, abram os tímpanos e façam recurso aos expansores de consciência prediletos! Eis aqui um banquete musical farto e diverso que serve como um passeio turístico pela produção musicográfica no Brasil de 2000 pra cá. Os mais de 100 álbuns completos aqui reunidos pretendem ofertar portais de entrada para alguns dos mais significativos e expressivos álbuns gravados desde que o atual século raiou e a lista inteira pode ser acessada também em nossa playlist no Youtube (shortlink: http://bit.ly/1Z9c2Ef). A imagem que ilustra o post (acima) é uma obra do estúdio de ilustração goiano Bicicleta Sem Freio.

Voilà alguns dos artistas que vale a pena acompanhar no cenário musical brazuca contemporâneo: Criolo; Emicida; Pitty; Planet Hemp; Elza Soares; Los Hermanos; Siba; Lenine; Juçara Marçal e Metá Metá; Céu; Curumin; Apanhador Só; Karina Buhr; Móveis Coloniais de Acaju; Vivendo do Ócio; Cidadão Instigado; Tom Zé;  etc.

OBS: Algumas ausências importantes deste listão devem-se simplesmente à indisponibilidade atual do álbum no Youtube: é o caso, por exemplo, de obras excelentes – que esperamos poder adicionar à lista em breve – como: ModeHuman do Far From AlaskaCorpura, do Aláfia; A Dança da Canção Incerta, da Pó de Ser; a estréia do Carne Docedo Hellbenders, do Overfuzz; além dos discos de Mariana Aydar, Ceumar, Luiz Tatit etc.

(P.S. – Vocês podem sugerir álbuns ausentes desta playlist pelos comentários ou via msg de Facebook! Compartilhe no FB e no Tumblr.)

criolo

CRIOLO – “Convoque Seu Buda”


CRIOLO – “Nó Na Orelha”


PAULO CÉSAR PINHEIRO, “Capoeira de Besouro”


SABOTAGE – “Rap É Compromisso”


EMICIDA – “O Glorioso Retorno…”


CÍCERO – “Canções de Apartamento”


NAÇÃO ZUMBI – “Fome de Tudo”


PLANET HEMP – “A Invasão do Sagaz Homem Fumaça”


B NEGÃO – “Sintoniza Lá”


ELZA SOARES – “A Mulher Do Fim Do Mundo”


CÉU – “Vagarosa”


RODRIGO AMARANTE – “Cavalo”


TULIPA RUIZ – “Efêmera”


JUÇARA MARÇAL – “Encarnado”


JUÇARA MARÇAL E KIKO DINUCCI – “Padê”


RACIONAIS MCS – “Nada Como Um Dia”


CÉU – “Catch a Fire” (Live)


LITTLE JOY


B NEGÃO – “Enxugando Gelo”


RUSSO PASSAPUSSO – “Paraíso da Miragem”


PITTY – “Anacrônico”


PITTY – “Sete Vidas”


PITTY, “Admirável Chip Novo”


NÔMADE ORQUESTRA


KAMAU – “Non Ducor Duco”


CURUMIN – “Japan Pop Show”


BOOGARINS – “Manual”


BOOGARINS – “Plantas Que Curam”


KARINA BUHR – “Eu Menti Pra Você”


B NEGÃO – “Transmutação”


O TERNO (2014)


MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU (2005)


AVA ROCHA – Ava Patrya Yndia Yracema (2015)


MACUMBIA – Carne Latina


TÁSSIA REIS


ACADEMIA DA BERLINDA (2007)


MACACO BONG – “Artista Igual Pedreiro”


ANELIS ASSUMPÇÃO E OS AMIGOS IMAGINÁRIOS


DINGO BELLS – “Maravilhas da Vida Moderna”


VIVENDO DO ÓCIO – “O Pensamento É Um Ímã”


BAIANA SYSTEM – “Duas Cidades”


CIDADÃO INSTIGADO – “Fortaleza”


CIDADÃO INSTIGADO E O MÉTODO TUFO DE EXPERIÊNCIAS


TOM ZÉ – “Vira Lata na Via Láctea”


ELO DA CORRENTE – “Cruz”


ÑANDE REKO ARANDU – Memória Viva Guarani  (2000)


ESTRILINSKI E OS PAULERA – “Leminskanções”


NOÇÃO DE NADA – “Sem Gelo” (2006)


MOMBOJÓ – “Nada de Novo” (2004)


FINO COLETIVO (2007)


PITTY – “Ciaroescuro”


MATEUS ALELUIA – “Cinco Sentidos” (2010)


LOS HERMANOS – “Ventura” (2003)


ABAYOMY AFROBEAT ORCHESTRA – “Abra Sua Cabeça”


SIBA – “Avante”


SIBA E A FULORESTA – “Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar” (2007)


MUNDO LIVRE S/A – O outro mundo de Manuela Rosário (2004)


NÁ OZZETTI E ZÉ MIGUEL WISNIK – Ná e Zé (2015)


CAETANO VELOSO – Cê (2006)


HURTMOLD – Mestro


INSTITUTO – Coleção Nacional


CORDEL DO FOGO ENCANTADO


RODRIGO CAMPOS – “Conversas com Toshiro”


DUDA BRACK – “É”


CURUMIN – “Achados e Perdidos” (2005)


LUISA E OS ALQUIMISTAS – “Cobra Coral”  (2016)


A TROÇA HARMÔNICA (2015)


MAHMED – Sobre a Vida em Comunidade


LETUCE – Estilhaça


FILARMÔNICA DE PASÁRGADA – “O Hábito da Força” (2013)


LENINE – “Chão” (2011)


LENINE – “Labiata” (2008)


MUÑOZ – “Nebula” (2014)


JARDS MACALÉ – “Amor, Ordem e Progresso”


OTTO – “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” (2009)


TOM ZÉ – “Jogos de Armar”


SARA NÃO TEM NOME – “Ômega III”


FORGOTTEN BOYS – “Stand by the DANCE”


GUSTAVITO – “Só o Amor Constrói”


BLUBELL – “Eu sou do Tempo…”


THALMA E GADELHA – “Mira”


NOÇÃO DE NADA – “Trajes e Comportamentos”


MUNDO LIVRE S/A vs NAÇÃO ZUMBI


ZULUMBI (2014)


IAN RAMIL – Derivacilização (2014)


CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA – Rytmus Alucynantis


CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA – Espionagem…


ABAYOMY (2012)


LOS HERMANOS – “Bloco do Eu Sozinho”


VOLVER – “Acima da Chuva”


ORQUESTRA IMPERIAL – “Carnaval Só Ano Que Vem”


SUPERCORDAS – “Terceira Terra” (2015)


CÉREBRO ELETRÔNICO – “Pareço Moderno”


PATA DE ELEFANTE – “Um Olho no Fósforo…”


GUIZADO – “Calavera”


SIBA E A FULORESTA – “Fuloresta do Samba”


LURDEZ DA LUZ – Ep


RED BOOTS – “Touch the Void”


SUBA – SP Confessions


DIEGO E O SINDICATO – “Parte de Nós”


DIEGO MASCATE


APANHADOR SÓ


APANHADOR SÓ – “Antes Que Tu Conte Outra”


BIXIGA 70 III (2015)


BIXIGA 70 (2013)


HELLBENDERS – “Peyote”


BERIMBROWN (2000)


RENATA ROSA, “Zunido da Mata” (2012)


RENATA ROSA, “Encantações” (2015)


SERENA ASSUMPÇÃO, “Ascensão” (2016)


METÁ METÁ – “MM3” (2016)


METÁ METÁ (2011)


JULIANO GAUCHE – “Nas Estâncias de Dzyan” (2016)


JULIANO GAUCHE (2013)


THE BAGGIOS – Brutown (2016)


Abayomy Afrobeat Orquestra

Abayomy Afrobeat Orquestra

“O SISTEMA DA NATUREZA” (1770) do Barão D’Holbach (1723-1789) – Leia alguns trechos da magnum opus de um dos mais importantes pensadores materialistas do Iluminismo francês:

“O SISTEMA DA NATUREZA” (1770)
do Barão D’Holbach (1723-1789)
Leia alguns trechos da obra-prima de um dos mais importantes pensadores materialistas do Iluminismo francês:

“Percorrendo o caminho que a natureza traçou para nós, assemelhamo-nos a nadadores forçados a seguir a corrente que os carrega. Acreditamos ser livres porque ora consentimos, ora não consentimos em seguir a maré que sempre nos arrasta. Nós nos acreditamos os senhores do nosso destino porque somos forçados a mexer os braços no temor de ir para o fundo. ‘O destino conduz aqueles que o aceitam e arrasta aqueles que resistem a ele’ (Sêneca).” – 266

“Tudo está em movimento no universo. A essência da natureza é agir e, se nós considerarmos atentamente as suas partes, veremos que não existe nela uma única que desfrute de um repouso absoluto. […] Mesmo os corpos que parecem desfrutar do mais perfeito repouso recebem – seja na sua superfície, seja no seu interior – impulsos contínuos da parte dos corpos que os rodeiam ou daqueles que os penetram, que os dilatam, que os rarefazem, que os condensam, enfim, mesmo daqueles que os compõem. […] Não existe nela nenhuma partícula que desfrute por um instante de um verdadeiro repouso. […] Como, sem movimento, conceber a maneira como o nosso olfato é afetado por emanações escapadas dos corpos mais compactos, dos quais todas as partes nos parecem em repouso? Enfim, nossos olhos veriam, com a ajuda de um telescópio, os astros mais afastados, se não houvesse um movimento progressivo desde esses astros até a nossa retina?” (48-51)

“A matéria sempre existiu, se move em virtude de sua essência e todos os fenômenos da natureza são devidos aos diversos movimentos das matérias variadas nela contidas, fazendo que – semelhante à fênix – ela renasça continuamente das suas cinzas.” (62)

“O homem é uma produção da natureza. […] Mas – dirão – o homem sempre existiu? O homem terá sido sempre aquilo que é, ou então, antes de chegar ao estado no qual o vemos, ele foi obrigado a passar por uma infinidade de desenvolvimentos sucessivos? O homem pode, enfim, gabar-se de ter chegado a um estado fixo, ou então a espécie humana deve ainda se modificar?” (115)

“A matéria é eterna e necessária, mas suas combinações e suas formas são passageiras e contingentes. […] A hipótese mais provável é a de que o homem é uma produção feita no tempo, peculiar ao globo que habitamos. […] As plantas, os animais e os homens podem ser considerados como produções particularmente inerentes e próprias do nosso globo, na posição ou nas circunstâncias nas quais ele se encontra atualmente. Essas produções se modificariam se este globo, por alguma revolução, viesse a mudar de lugar.” (117)

“Que absurdo ou que inconsequência existe, portanto, em imaginar que o homem, o cavalo, o peixe e o pássaro um dia não mais existirão? Esses animais seriam, portanto, uma necessidade indispensável da natureza, e será que, sem eles, ela não poderia continuar sua marcha eterna? Tudo não está mudando em torno de nós? Nós mesmos não nos modificamos? […] Como, pois, pretender adivinhar aquilo que a sucessão infinita de destruições e reproduções, de combinações e dissoluções, de metamorfoses, de modificações e de transposições poderá trazer em seguida? Sóis se extinguem e se solidificam, planetas perecem e se dispersam nas planuras dos ares; outros sóis se acendem, novos planetas se formam para fazer suas revoluções e para percorrer novas rotas e o homem, porção infinitamente pequena de um globo, que não passa ele próprio de um ponto imperceptível na imensidão, crê que é para ele que o universo é feito, imagina que deve ser o confidente da natureza, gaba-se de ser eterno, diz-se o rei do universo! Ó homem! Tu não conceberás jamais que não passas de um efêmero? Tudo muda no universo… e tu tens a pretensão de que a tua espécie não pode desaparecer, que deve ser uma exceção à lei geral, que quer que tudo se altere! […] Tu, que em tua loucura adotas arrogantemente o título de rei da natureza! Tu, para quem tua vaidade imagina que tudo foi feito… ” (120)

“…o homem não tem nenhuma razão para se acreditar um ser privilegiado na natureza. Ele está sujeito às mesmas vicissitudes que todas as suas outras produções. Suas pretensas prerrogativas são baseadas apenas em um erro. […] A ilusão que o predispõe em favor de si próprio…. não tem outro fundamento além do seu próprio interesse e da predileção que tem por si mesmo.” (123-124)

“…todas as faculdades intelectuais, ou seja, todas as maneiras de agir que são atribuídas à alma, se reduzem a modificações, a qualidades, a maneiras de ser, a mudanças produzidas pelo movimento no cérebro, que é visivelmente em nós a sede da sensibilidade e o princípio de todas as ações…” (153)

“…a impossibilidade em que cada um de nós se encontra de trabalhar eficazmente sozinho para se conservar e para se proporcionar o bem-estar nos impõem a feliz necessidade de nos associar, de depender dos nossos semelhantes, de merecer o seu auxílio, de torná-los favoráveis aos nossos desígnios, de atraí-los para nós para afastar, através dos esforços comuns, aquilo que poderia perturbar a ordem em nossa máquina…” (159)

“As hediondas quimeras da superstição nos desagradam porque elas não passam dos produtos de uma imaginação doente, que só despertam em nós ideias mortificantes. A imaginação, quando se desvirtua, produz o fanatismo, os terrores religiosos, o zelo irrefletido, os frenesis, os grandes crimes.” (167)

“…tomamos por ideias inatas aquelas das quais esquecemos a origem. Não nos lembramos mais nem da época precisa nem das circunstâncias sucessivas em que essas ideias foram consignadas na nossa cabeça. […] Nenhum de nós se lembra da primeira vez em que a palavra deus, por exemplo, feriu nossos ouvidos…” (209)

“Os teólogos só têm tanta dificuldade para concordarem uns com os outros porque, nas suas disputas, eles partem incessantemente não de proposições conhecidas e examinadas, mas dos preconceitos dos quais eles se imbuíram… raciocinam continuamente não sobre objetos reais ou cuja existência esteja demonstrada, mas sobre seres imaginários… Se tivessem posto os preconceitos de lado, teriam descoberto que os objetos que fizeram nascer as mais medonhas e as mais sangrentas disputas entre os homens são quimeras, teriam descoberto que lutavam e se degolavam por palavras vazias de sentido … Tudo deveria convencer da tirânica insensatez, da injusta violência e da inútil crueldade desses homens sanguinários que perseguem os seus semelhantes para forçá-los a se dobrarem às suas opiniões. Tudo deveria reconduzir os mortais à doçura, à indulgência e à tolerância – virtudes, sem dúvida, evidentemente mais necessárias à sociedade do que as especulações maravilhosas que a dividem e a levam muitas vezes a degolar os pretensos inimigos de suas opiniões veneradas.” (227)

“…o homem que não espera uma outra vida está mais interessado em prolongar a existência e em se tornar querido pelos seus semelhantes na única vida que conhece. Ele deu um grande passo para a felicidade ao se desvencilhar dos terrores que afligem os outros. Com efeito, a superstição tem prazer em tornar o homem covarde, crédulo, pusilânime. Ela adotou o princípio de afligi-los sem descanso; assumiu o dever de redobrar para ele os horrores da morte. Seus ministros, para disporem dele mais seguramente neste mundo, inventaram as regiões do porvir, reservando-se o direito de lá fazer recompensar os escravos que tiverem sido submissos às suas leis arbitrárias e de fazer serem punidos pela divindade aqueles que tiverem sido rebeldes às suas vontades. Longe de consolar os mortais, a religião em mil regiões esforçou-se para tornar a sua morte mais amarga, para tornar mais pesado o seu jugo, para tornar o seu cortejo acompanhado de uma multidão de fantasmas hediondos…

Ela chegou ao cúmulo de persuadi-los de que a sua vida atual não é mais do que uma passagem para chegar a uma vida mais importante. O dogma insensato de uma vida futura os impede de ocupar-se com a sua verdadeira felicidade, de pensar em aperfeiçoar as suas instituições, suas leis, sua moral e suas ciências. Vãs quimeras absorveram toda a sua atenção. Eles consentem em gemer sob a tirania religiosa e política, em atolar-se no erro, em definhar no infortúnio, na esperança de serem algum dia mais felizes, na firme confiança de que as suas calamidades e a sua estúpida paciência os conduzirão a uma felicidade sem fim. Eles se acreditam submetidos a uma divindade cruel que gostaria de fazer que eles comprassem o bem-estar futuro ao preço de tudo aquilo que eles têm de mais caro aqui embaixo.

É assim que o dogma da vida futura foi um dos erros mais fatais pelos quais o gênero humano foi infectado. Esse dogma mergulha as nações no entorpecimento, na apatia, na indiferença sobre o seu bem-estar, ou então as precipita em um entusiasmo furioso, que as leva muitas vezes a dilacerarem a si próprias para merecer o céu.” (318-19)

Paul Henri Thiry, o Barão de Holbach (1723-1789),
um dos mais importantes pensadores do Iluminismo,
no clássico O Sistema da Natureza (1770).
Editora Martins Fontes. Tradução Regina Schöpke.

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Dentre muitos outros mais!
Sugiram nos comentários os favoritos de vcs,
que entrarão em um próximo post, “A Escolha do Leitor” (em breve!)