Gaia em Estado de Emergência: A Aldeia Global Mobiliza-se para Soar os Alarmes #PeoplesClimateMobilization #FloodWallStreet

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Amanhã (21 de Setembro) vai rolar a maior manifestação global já feita sobre a crise ecológica que atualmente devasta o planeta Gaia, a People’s Climate March [http://peoplesclimate.org/march/]. Em 2013, desastres naturais relacionados com o aquecimento global expulsaram mais de 22 milhões de pessoas de seus lares [Reuters: http://reut.rs/XS6JPB]. A tendência, nas próximas décadas, é um aumento exponencial dos “refugiados do clima” que serão obrigados a deixar áreas devastadas por inundações, furacões e secas. O evento deste 21 de Setembro, que ocorre simultaneamente nas ruas de mais de 100 cidades mundo afora (inclusive no Rio de Janeiro), é assim sintetizado por Naomi Klein:

“A whole lot of people are going to make the very loud point that climate change is a true emergency for humanity. (…) By sounding this people’s alarm, we will also be saying that we are no longer waiting for politicians to declare climate disruption an emergency and respond accordingly. We are going to declare the emergency ourselves, from below, just as social movements have always done. The day after the march, many will be taking part in Flood Wall Street events, to draw clear connections between the logic of frenetic profit-making that rules financial markets and the collective failure to take the measures necessary to prevent runaway climate change.” – The Guardian

Naomi Klein, que acaba de lançar seu novo livro This Changes Everything, é uma das lideranças mais importantes desta mobilização. Sua nova obra dá prosseguimento a uma carreira magistral como jornalista investigativa – seus livros anteriores são os essenciais No Logo The Shock Doctrine – e escancara o quanto o sistema econômico hegemônico em nosso planeta está em guerra contra a vida. Klein tem a coragem de dizer com toda a simplicidade, sem máscaras nem eufemismos, algumas das verdades mais “inconvenientes” sobre a crise climática global e sua relação com o capitalismo “desregulado” (ou neoliberal): uma das coisas que o neoliberalismo “libera”, afinal de contas, é que as corporações possam poluir a atmosfera e devastar o meio ambiente à vontade, sem que se preocupem com as consequências para as futuras gerações. É o “vale-tudo” dos lucros, que coloca a ganância imediatista à frente do equilíbrio da biosfera de nossa espaçonave Gaia. Se esta crise “muda tudo”, como sugere o título de Naomi Klein, é pois nos mostra a urgência de mudanças revolucionárias em nossos sistemas políticos e econômicos: deixar rolar o “business as usual” do capitalismo desregulado é um caminho suicida. Tudo o que precisamos fazer para que a catástrofe se concretize é… nada.

Portraits of Naomi Klein

“I denied climate change for longer than I care to admit. I knew it was happening, sure. But I stayed pretty hazy on the details and only skimmed most news stories. I told myself the science was too complicated and the environmentalists were dealing with it. And I continued to behave as if there was nothing wrong with the shiny card in my wallet attesting to my “elite” frequent-flyer status.

A great many of us engage in this kind of denial. We look for a split second and then we look away. Or maybe we do really look, but then we forget. We engage in this odd form of on-again-off-again ecological amnesia for perfectly rational reasons. We deny because we fear that letting in the full reality of this crisis will change everything.

And we are right. If we continue on our current path of allowing emissions to rise year after year, major cities will drown, ancient cultures will be swallowed by the seas; our children will spend much of their lives fleeing and recovering from vicious storms and extreme droughts. Yet we continue all the same.

What is wrong with us? I think the answer is far more simple than many have led us to believe: we have not done the things needed to cut emissions because those things fundamentally conflict with deregulated capitalism, the reigning ideology for the entire period we have struggled to find a way out of this crisis. We are stuck, because the actions that would give us the best chance of averting catastrophe – and benefit the vast majority – are threatening to an elite minority with a stranglehold over our economy, political process and media.” – Naomi Klein (The Guardian)

‪#‎FloodWallStreet‬ ‪#‎PeoplesClimateMarch‬

Confira também:

Aproveite e assista o recém-lançado documentário Disruption, completíssimo:

Ian McEwan, “Solar”

IAN MCEWAN. Solar.
(Ed. Vintage Books, Londres, 2010, 390pgs.)

Para os grandes capitalistas, acionistas, donos de indústrias e CEOs de mega-corporações, o aquecimento global talvez seja considerado como um estraga-prazeres desagradável, como um discurso de ecochatos que tentam lançar pedras nas engrenagens dos lucros desenfreados… Reduzir a mero discurso um FATO empiricamente comprovável e referendável por qualquer cientista honesto, para na sequência desligitimá-lo como falso e falacioso: eis a técnica de auto-engano utilizada por muitos daqueles que fazem fortunas às custas da exploração do trabalho e da poluição ambiental.

Secretamente, no fundo de seus coraçõezinhos mesquinhos, os endinheirados talvez pensem com desdém nesse “problema menor”, o aumento da temperatura do planeta, subestimando as consequências fatais desta para a nossa e para centenas de outras espécies. Consolam-se dizendo que, afinal de contas, serão os pobres, como de praxe, aqueles que mais irão penar. Pois aqueles que possuem capital (gerado, é claro, pela exploração dos miseráveis em Bangladesh, por exemplo, que trabalham por salários de miséria para que a Nike venda tênis por 300 doletas na 5ª Avenida…), esses que tem o poder da bufunfa, ah!… Esses sempre podem comprar potentes aparelhos de ar-condicionado ou terras fresquinhas no Canadá ou na Noruega…

À perspectiva da extinção eles são cegos: só enxergam a necessidade de manter rodando a maquinaria infernal de geração de “riqueza” (óbvio que uma riqueza bastante desigualmente distribuída e de que podem gozar só plenamente só os 1% lá no topo…). Esta grotesca concentração de capital em poucas mãos, que o velho Marx já denunciava, prossegue hoje numa dimensão grotesca, mas ao menos está sendo globalmente contestada – dos protestos de rua de Gênova e Seattle, anos atrás, quando os descontentes manifestaram sua discórdia contra os rumos que G-8, FMI e Bando Mundial queriam impor ao planeta, até a grande “sensação” política do momento, o Occupy Wall Street.


No epicentro deste furacão está a questão do aquecimento global, esmiuçado em ótimos documentários, como The 11th Hour e Meat The Truth, e que também é o eixo temático central de Solar, o mais recente romance do inglês Ian McEwan, um dos mais brilhantes e lúcidos dos escritores de ficção hoje em atividade. Mr. Beard, protagonista de Solar, é um cientista de renome, já laureado com o Prêmio Nobel de Física, cujo ofício é pesquisar e testar modelos alternativos de energia que façam a humanidade superar sua perigosa dependência em relação ao carvão e ao petróleo.

O problema é que Mr. Beard, longe de ser um modelo de escrúpulo, é um beberrão, um mulherengo e um sujeito de preceitos éticos bastante duvidosos, apesar de ter sido “con-sagrado” pelo pózinho mágico de Estocolmo como uma das mentes mais à vanguarda em seu tempo. À medida que McEwan progride em sua narrativa, com a elegância e a espirituosidade da melhor prosa irônica britânica, com arroubos quase “machadianos”, acompanhamos a quixotesca jornada de Beard em busca do Santo Graal da energia eternamente renovável. Mas a vida amorosa – aliás bastante desastrosa – de Beard não cessa de se intrometer em seu trabalho científico. E a Ciência leva rasteiras frequentes dos ímpetos passionais e irracionais dos homens – e sempre consegue se reerguer sem ir à nocaute.

Solar, um dos romances mais “selvagemente engraçados” de McEwan, como disse o Sunday Times, é livro que nos convida a refletir em profundidade sobre os grandes dilemas de nosso tempo através das desventuras surreais de um herói falhado que tenta salvar a Humanidade da hecatombe, mas percebe que sua própria vida pessoal é uma hecatombe em miniatura. Em meio à complexidade desnorteante de nosso planeta endoidecido, que prossegue atulhando a atmosfera com tóxicos e continua sem tomar medidas drásticas contra a grotesca concentração de capital e desigualdade de renda, aguardamos atônitos os próximos capítulos da novela da História sem saber se o futuro nos terá como agentes – ou se seremos um curioso caso de espécie suicida que, através de sua cegueira e estreiteza egocêntrica, destrói àquilo sem o quê é incapaz de sobreviver.

Não se trata de ser apocalíptico e pessimista ao ponto de beirar o fatalismo derrotista (tendência devidamente escarnecida por McEwan); trata-se de reconhecer a urgência do problema e de agir o quanto antes, como diz Manu Chao, para “frear a loucura do Sistema”. As calotas polares, uma vez derretidas, não poderão ser re-congeladas. Não existe tecnologia disponível para reverter isso!  E dá-lhe tsunami e inundação para matar multidões como se fossem formigas e reduzir civilizações a barro – como quando um formigueiro é devastado por um dilúvio…

UM TRECHO NOTÁVEL…

“Beard was not wholly sceptical about climate change. It was one in a list of issues, of looming sorrows, that comprised the background to the news, and he read about it, vaguely deplored it and expected governments to meet and take action. And of course he knew that a molecule of carbon dioxide absorbed energy in the infrared range, and that humankind was putting these molecules into the atmosphere in significant quantities. But he himself… was unimpressed by some of the wild commentary that suggested the world was ‘in peril’, that humankind was drifting towards calamity, when coastal cities would disappear under the waves, crops fail, and hundred of millions of refugees surge from one country, one continent, to another, driven by drought, floods, famine, tempests, unceasing wars for diminishing resources.

There was as Old Testament ring to the forewarnings, an air of plague-of-boils and deluge-of-frogs, that suggested a deep and constant inclination, enacted over the centuries, to believe that one was always living at the end of days, that one’s own demise was urgently bound up with the end of the world, and therefore made more sense, or was just a little less irrelevant. The end of the world was never pitched in the present, where it could be seen for the fantasy it was, but just around the corner, and when it did not happen, a new issue, a new date would soon emerge.

The old world purified by incendiary violence, washed clean by the blood of the unsaved, that was how it had been for Christian millennial sects – death to the unbelievers! And for Soviet Communists – death to the kulaks! And for Nazis and their thousand-year fantasy – death to the Jews! And then the truly democratic contemporary equivalent, an all-out nuclear war – death to everyone! When that did not happen, and after the Soviet empire had been devoured by its internal contradictions, and in the absence of any other overwhelming concern beyond boring, intransigent global proverty, the apocalyptic tendency had conjured yet another beast…”

IAN MCEWAN. Solar. pgs. 20-21.

If Slaughterhouses Had Glass Walls…

“Comer carne ou não?” – eis a questão que tem me apoquentado nos últimos tempos como se fosse um dilema hamletiano. Assisti aos principais documentários produzidos sobre o tema e todos eles  me causaram um grande impacto e me fizeram sentir a necessidade de uma revolução nos hábitos alimentares humanos: Earthlings – Terráqueos, A Carne é Fraca, Food Inc., Meat The Truth, Food Matters (todos recomendadíssmos!). Jamais vou poder olhar para a comida que ponho no prato e mando goela abaixo do mesmo modo depois de ter me conscientizado de todo o sistema que está por detrás da produção destes itens de consumo que só  as crianças e os tontos imaginam que já nascem no supermercado: as salsichas, os hambúrgueres e todo o resto do cardápio carnívoro. Li também boa parte das argumentações do Peter Singer, talvez o maior “guru” ativista do movimento da Libertação Animal, um intelectual que pretendo estudar mais a fundo nos próximos tempos; de qualquer modo, considero que Singer tem muito de relevante a nos dizer e que faremos muito bem em emprestar-lhe ouvidos atentos, discutir acaloradamente suas idéias e se aliar a muitas de suas lutas.

Muitas figuras que admiro são vegans confessos e militantes, de Paul McCartney (que é o “âncora” do filme“If Slaughterhouses Had Glass Walls Everyone Would Be Vegetarian”, produzido pela PETA – People for the Ethical Treatment of Animals) a Morrissey (lembrem-se do nome daquele álbum dos Smiths: “Meat Is Murder”, ou “Carne é Assassinato”). Até mesmo a adorável Lisa Simpson aderiu ao vegetarismo num clássico episódio da sétima temporada dos Simpsons, e até mesmo os porra-louquinhas altamente inescrupulosos de South Park revoltaram-se em outro episódio impagável contra o crudelíssimo tratamento infligido aos vitelos (criados no mais horroroso cativeiro, impedidos de movimentar suas perninhas para que seus músculos infantis não se desenvolvam, o que gera uma carne mais tenra, e que serão assassinados ainda na infância para serem vendidos a preços carésimos nos restaurantes mais chiques de Nova Yorke, Paris ou Genebra…).

Em primeiro lugar, acho crucial quebrar o tabu que ainda envolve a questão da carne e levantar um debate público tão intenso sobre este assunto quanto está sendo aquele sobre a descriminalização da maconha e do aborto ou a união civil de pessoas do mesmo sexo. Nós, adeptos ou simpatizantes do vegetarianismo, não queremos ser tratados simplisticamente como mero estraga-prazeres que só querem zuar o churrasco dos outros apontando sempre para o fato, que os carnívoros tanto gostam de manter ignorado, de que estão mastigando e engolindo pedaços de bichos mortos, fragmentos de cadáveres… Vegetarianos não são uns “metidos a bonzinhos” que querem atrapalhar a diversão dos que gostam de rodeios e para quem Barretos é a balada do ano. Vegetarianos não são uns hippies-bundamole cheios de frescura que ficam cheios de nhém-nhém-nhém pra comer e que deveriam ter apanhado mais quando criança para deixarem de serem frescos.

Não se trata de acabar com a festa carnívora com discursinhos moralistas e sentimentalóides, mas sim de levar a sério a responsabilidade que temos como sujeitos pensantes e cidadãos de um planeta em risco de pôr em questão problemas globais de primeiríssima importância: o aquecimento global causado pelo efeito estufa e as possíveis relações que isto possa ter com o modelo de agropecuária hoje dominante; o tratamento instrumental cruel e desumano que é dispensado a seres vivos sencientes (para usar um termo caro aos budistas e hinduístas) nas grandes “fábricas de carne” do capitalismo neoliberal; sem falar em questões de saúde pública: uma dieta baseada em carne é realmente o supra-sumo da nutrição mais rica acessível a humanos, ou haveriam outras dietas muito mais nutritivas e que fariam com que diminuíssem as torrentes de sangue animal que jorram pelo planeta como se este fora o Inferno de Dante?…

Há muito tempo já abandonei a visão bucólica e idílica que muitos ainda possuem sobre os “animaizinhos lindinhos” que coabitam pacificamente conosco neste planetinha. As embalagens da Sadia ou da Perdigão, que mostram franguinhos sorridentes e alegres, como se fosse por pura dádiva que eles se oferecem às nossas bocas para serem devorados, são altamente enganadoras e “ideológicas” (no sentido marxista do termo: uma imagem invertida da realidade). Não é novidade alguma que os publicitários mentem pra caralho.

Pois a realidade que enfrentam estes animais não é nada sutil: os pintinhos logo depois de nascer têm seus bicos cortados numa espécie de “guilhotina” de linha-de-montagem; são amontoados em imensos galpões, que fedem a urina e fezes, onde vivem sem ver a luz do Sol por um único minuto de suas vidas; são engordados à força, ou seja, obrigados a engolir alimentos goela abaixo (a sensação deve ser semelhante àquela vítima de Seven – Os Sete Pecados Capitais que é punida pelo serial killer por sua gula…); a lotação, o desconforto e a imundície são tamanhos que os animais “enlouquecem” e ficam furiosos a ponto de serem capazes de se matar a bicadas (donde a “sábia” precaução da debicagem adotada pelas grandes corporações…). Abaixo, dois exemplos eloquentes retirados do Food Inc.: a super-lotação absurda e a “obesidade” forçada:

 

Não é minha intenção fazer ninguém vomitar o jantar. Mas acho que já passou da hora de acordarmos todos para o fato de que o modelo massivamente disseminado nos dias de hoje não tem nada a ver com aquela Fazendinha ou Granja familiar idealizada, ao estilo do Cocoricó, o programa infantil da TV Cultura; boa parte da carne que compramos nos supermercados provêm de fábricas, não de fazendas; é produto de um sistema industrial que trata a vida como mercadoria e os lucros como deus, e não de uma agro-pecuária que mantivesse viva qualquer noção de reverência à Mãe Natureza e dependência mútua entre todos os seres vivos. Seria urgentíssimo e necessário que aquela concepção do Fritjof Capra em Ponto de Mutação fosse mais conhecida e disseminada como contraponto à atual doutrina capitalistóide que faz com que milhões de animais vivam vidas inteiras – do berço ao túmulo – em condições piores que aquelas dos campos de concentração de Dachau ou Auschwitz.

O seguinte trecho do Isaac Bashevis Singer, judeu polonês emigrado para os EUA, Prêmio Nobel de Literatura e um dos melhores contistas que já tive o prazer de ler, sublinha o fato de tratarmos os animais de modo “nazista”, sem respeito algum por sua dignidade – devida e merecida, ao menos, pelos milhões de anos em que estes organismos foram engendrados pelo processo de evolução (eles nos precederam, nesta longuíssima estrada, aliás!), o que os torna organismos de complexidade raríssima no Universo por nós conhecido…

“Há muito eu chegara à conclusão que o tratamento do homem para as criaturas de Deus torna ridículos todos os seus ideais e todo o pretenso humanismo. Para que este estufado indivíduo degustasse seu presunto, uma criatura viva teve de ser criada, arrastada para sua morte, esfaqueada, torturada e escaldada em água quente. O homem não dava um segundo de pensamento ao fato de que o porco era feito do mesmo material e que este tinha de pagar com sofrimento e morte para que ele pudesse saborear sua carne. Pensei mais uma vez que, quando se trata de animais, todo homem é um nazista.” (…) “Do derramamento de sangue animal ao derramamento de sangue humano há um passo”. (…) “Tu não matarás também inclui animais”. —— ISAAC BASHEVIS SINGER (1904-1991). Prêmio Nobel de Literatura.

Falar sobre vegetarianismo e libertação animal, pra mim, é pôr em questão uma das mais graves alienações de massa que ameaça hoje o nosso planeta. Digo “alienação” querendo dizer o seguinte: aquele que se depara com uma salsicha ou uma caixa de hamburgueres ou almôndegas e não tem a mínima capacidade intelectual de refletir sobre a origem daquele produto, ou que não tem a mínima empatia em relação ao ser vivo, de carne-e-osso, cujo sangue teve que ser derramado para que aquele fragmento de seu cadáver estivesse ali, disponível para consumo humano, está alienado das realidades humanas mais fundamentais e está cego a mecanismos econômicos cruciais que determinam nossa sociedade. (mas que podem ser transformados, se o quisermos). E ignorar estas questões me parece perigoso: o consumidor que se proclama inocente usando como álibi sua ingenuidade e seu desconhecimento é na verdade cúmplice desta engrenagem grotesca – já que a financia. Concordo plenamente com o mais célebre dos “slogans” do movimento vegan: “se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seríamos vegetarianos”. E se cada um de nós tivesse que matar sua própria janta com as próprias mãos (pensem em Alexander Supertramp, em Into The Wild – Na Natureza Selvagem, naquela cena altamente impactante em que ele papa um urso), iríamos certamente preferir que existisse uma alternativa. A boa notícia é: existe.

Volto ao assunto qualquer hora, assim que pensar mais sobre o tema e tiver algo mais a dizer. Quem quiser debater, a caixa de comentários abaixo está aí, disponível justamente para isso. Alguns documentários excelentes estão na íntegra na Internet e compartilho-os abaixo. Informe-se!

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