A 9ª SINFONIA DE BEETHOVEN (1770 – 1827) – Da Inefável Graça da Música (Por Eduardo Carli de Moraes para A Casa de Vidro)

Tanto já se falou e escreveu sobre a Nona Sinfonia de Beethoven a ponto de parecer tarefa condenada à irrelevância ou à redundância tentar traçar algumas novas linhas sobre essa realização colossal. O que dizer sobre o indizível?!? Eis uma peça musical já tratada em toneladas de textos e palestras, alvos de inumeráveis apreciações bem mais eruditas e bem-informadas do que eu jamais saberia escrever. Mas algo me compele ao esforço de expressar, ainda sob o impacto recente sobre meus sentidos deste tornado, desta estarrecedora obra de um genial orquestrador-dos-ventos. Algo me empurra a repetir o que todos estão carecas de saber: que esta é uma das obras-primas da história da música e uma das manifestações supremas do Gênio Humano através de nossa História. O tipo de magnum opus que nos deixa tagarelando este tipo de hipérboles dos altos cumes de nossa paixão incendiada.

Nona é tão carregada de belezas que a língua não sabe articular que pode servir de paradigma para explicar o que quer dizer aquela palavrinha escondida no fundo dos dicionários: inefável. Os encantos mil da obra-prima de Beethoven estão entre aquelas catedrais-de-sons dotadas de tamanha Graça e Beleza que não podem ser expressas verbalmente a contento. A palavra, ferramenta humana necessária mas limitada, parece pálida e fraca diante da chama incendiária da Música, linguagem universal capaz de afetar a sensibilidade humana em quaisquer latitudes do planeta.

Recentemente pude estar de tímpanos bem abertos para duas performances magistrais de Beethoven em Goiânia: primeiro, a Quinta Sinfonia, com a Filarmônica, no concerto de abertura para o show com Lenine no Centro Cultural Oscar Niemeyer; depois, a Nona apresentada pela Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás, no Teatro Escola Basileu França, em 11 de Outubro. Nas duas ocasiões, os teatros estavam lotados e, nem é preciso dizer, a aclamação ao fim foi estrondosa, com um escarcéu de palmas, gritos, urros e “bravos!” instaurando uma linda anarquia da alegria e da gratidão.

Fico pensando no velho Ludwig Van, já no fim de sua estadia entre os vivos, com a surdez avançando impiedosamente sobre sua audição, compondo algo que ele mesmo nunca iria ouvir de fato. Nas primeiras performances da Nona, ele deve ter recebido em seu corpo a onda de aclamação de modo bem diferente de nós hoje em dia: Beethoven, surdo, incapaz de ouvir em toda a sua potência a aclamação das platéias diante de seu último rebento sinfônico, ainda assim deve ter sentido em seu corpo, em sua consciência, em sua sensibilidade, as pessoas a produzirem sinais visíveis e sensíveis de que foram profundamente tocadas por aquela inefável criação do engenho humano.

É uma música capaz de instigar uma certa filantropia, um certo apreço pela humanidade, quase que um orgulho por pertencer à raça humana, servindo de antídoto contra as marés montantes de misantropia e pessimismo que temos todo o direito de sentir na era do Antropoceno e da Sexta Extinção em Massa na história da vida neste planeta (a primeira, como diz Elizabeth Kolbert, causada por uma espécie, o homo sapiens, que hoje transformou-se não só em força geológica, mas em cataclismo planetário…). Beethoven e sua Nona até permitem que a gente pense por alguns minutos que a estadia humana nesta esfera que roda em torno do Sol não foi totalmente em vão.

É uma daquelas coisas que nos faz eventualmente discordar daquele pessimismo tão sedutor que Shakespeare expressa em Macbeth e fala da vida como a tale told by an idiot, full of sound and fury, signifying nothing. Depois da Nona, sentimos que ao menos algumas doses de Sentido foram injetados no mundo e que, para além do som e da fúria, há uma beleza capaz de nos fazer acreditar que todo sofrimento, ainda que não seja redimido, gera frutos dignos de toda nossa celebração.

Poderíamos usar a Nona, no eventual contato com civilizações alienígenas, para provar a estas que somos seres orgânicos capazes de algumas grandes realizações. O problema com este pensamento sci-fi um tanto surreal é que muito provavelmente os ETs teriam ouvidos e tímpanos bem diferentes dos nossos e talvez, ao contato com Beethoven, Schubert, Wagner, Beatles etc. talvez sentissem penas cócegas em seu aparelho auditivo. Ou pior: sentiriam uma ofensa semelhante à que motosserras e britadeiras produzem na sensibilidade de um ser humano. A música é humana, demasiado humana! Tanto que a nossa cadelinha Crackinha, notável Schnauzer de ancestrais alemães, não consegue encontrar graça nenhuma na música de Beethoven tocando no talo…

A Ode à Alegria, musicada por Beethoven a partir de um poema de Schiller escrito em 1785, faz sua entrada triunfal no 4º movimento da Nona e é uma daquelas ocasiões onde a Voz humana alça-se a suas mais incríveis alturas. Ouvir dúzias de vozes entoando em coro esta poderosa melodia, de ritmicidade contagiosa, leva-nos aos cumes da admiração pelas potencialidades da humanidade. Não duvido nem um pouco da capacidade humana para a estupidez mais tacanha, para as ações mais cegas e auto-destrutivas, para os massacres e guerras mais brutais, mas algo como a Nona revela o outro lado desta moeda, descortinando todo o sublime e toda a inefável e inesgotável beleza que é capaz de surgir da colaboração e da criatividade conjunta dos humanos. Ainda que a gente não entenda bulhufas de alemão, o canto nos toca e nos comove nas profundezas da carne. As vozes em uníssono fazem-se como uma força coletiva que irrompe coração adentro para despertá-lo do torpor, para varrer dali as teias de aranha, para tentar irradiar por ali o sol cálido da alegria de viver.

Transformada em hino oficial da União Européia, a Ode À Alegria de Beethoven foi alçada a outro patamar como “símbolo civilizatório” do Velho Continente. Os europeus fazem desta obra uma espécie de certificado de sua excelência – e não faltam, é claro, aqueles que, vítimas do velho eurocentrismo, a utilizam como prova da superioridade européia sobre todos os outros continentes deste triste planeta.

Jamais superaremos o estarrecimento, porém, diante da Alemanha, este país de tantos gênios artísticos, a pátria de Goethes e Schillers, de Beethovens e Heines, que pôde cair tão fundo no abismo da barbárie genocida sob o comando do Partido Nazista. Um povo supostamente tão culto e civilizado pôde cair sob o encanto fatal de uma ideologia racista, totalitária, praticante de extermínios em massa, e isso com a cumplicidade e mesmo a aprovação de boa parte da população alemã. O mais assustador do conceito de Banalidade de Mal formulado por Hannah Arendt está em revelar que toda a engenhoca horrenda da Solução Final não poderia ter trucidado tantos milhões de vida sem o auxílio da gente simples, dos reles funcionários, dos obedientes cordeiros do Estado que trabalhavam para que os trens saíssem no horário e com as cargas devidas (ainda que seus destinos fossem campos de concentração e câmaras de gás).

É um dos elementos mais interessantes do uso de Beethoven por Stanley Kubrick em Laranja Mecânica (1971): no filme, baseado no brilhante romance de Anthony Burgess, A Clockwork Orange, nada impede que o protagonista Alex, entusiasta de Beethoven, seja o líder de uma gangue de malfeitores que pratica inúmeras atrocidades. Há uma cena onde Alex e sua trupe, tomando seu leitinho no Korova, testemunham uma cantora entoando o Hino à Alegria. Alex, o delinquente cínico, agride um de seus companheiros que ousa zombar daquela música; diante de Beethoven, ele exige solene reverência.

 

Slavoj Zizek tem interessantes reflexões a fazer sobre o uso ideológico da Nona de Beethoven pela União Européia. Zizek diz que a Ode à Alegria, à primeira vista, é lida como uma celebração da fraternidade humana, da união de todos os povos. De fato, Schiller e Beethoven tingiram esta obra com altas doses de Romantismo e Idealização, sendo que a obra culmina em versos que falam sobre um Criador que mora por cima das estrelas e a quem o hino é dedicado. Segundo Zizek, o que é estarrecedor na obra é o quanto ela pode ser cooptada por movimentos políticos diametralmente opostos:

“Na Alemanha nazista, foi amplamente utilizada para celebrar grandes eventos públicos. Já na União Soviética, Beethoven era adorado e a Ode à Alegria era tocada quase como uma canção comunista. Na China, durante a grande Revolução Cultural, quando quase toda a música ocidental estava proibida, a Nona Sinfonia foi aprovada e permitida pelo regime por ser uma peça de música burguesa progressista. (…) Já o Presidente Gonzalo, líder do Sendero Luminoso, uma guerrilha de extrema esquerda do Peru, quando foi perguntado por um jornalista qual era sua música predileta, respondeu que era a Nona Sinfonia e sua Ode à Alegria.”

Zizek tira daí a seguinte lição sobre a ideologia veiculada pela Nona: ela pode até, da boca pra fora, em seu sentido mais explícito, pregar a unidade da raça humana, a fraternidade universal, a Brotherhood of Man sobre a qual cantará Lennon em “Imagine”. Mas sempre devemos nos questionar se, para além da mensagem idealizada, se a música, em seus usos sociais, não põe em ação um mecanismo de exclusão de vastos contingentes da população humana sobre a face da terra, aqueles sem acesso a bens culturais como esses, muito menos à formação artística que capacitaria a compreendê-los. Celebrar Beethoven pode virar uma tática elitista de certos grupos celebrarem seu próprio “bom gosto”, o primor estético de suas escolhas artísticas, sentindo-se assim superiores às massas incultas que chafurdam no kitsch da cultura de massas. Celebrar Beethoven pode virar uma espécie de “certificado de detentor de capital cultural” – e é com arrogância que Alex, em Laranja Mecânica, circula pela loja de discos, na pose de um dândi inglês que se sente totalmente superior à riff-raff, à ralé.

Não é que Beethoven seja de fato um ideólogo servindo às classes dominantes, apesar de ser cooptado, às vezes, para fins alheios às suas intenções originais. Para Zizek, Beethoven, nesta obra, não é o ingênuo celebrador da humanidade como Grande Família Feliz, como sua apropriação kitsch quer fazer supor, mas sim o gênio que lança em distúrbio todas as ideologias ortodoxas, que cria uma obra que não é encaixável em nenhuma caixinha previamente formulada, que em sua inefabilidade acaba por propiciar um tipo de experiência capaz de causar o naufrágio das ideologias oficiais no oceano tempestuoso dos afetos que mobiliza. A Nona Sinfonia é o tipo de rebento criativo de um gênio não-domesticado, jamais servil a interesses de Estados ou Mercados, um compositor quase-surdo que realiza um espantoso palácio de som, mais estrondoso para os tímpanos que muitas tempestades, mais encantador para a sensibilidade que a mítica lira de Orfeu, e visceralmente arredio a qualquer jaula ideológica em que possamos querer encarcerá-lo.

Eduardo Carli de Moraes
A Casa de Vidro – 12/10/2017

 

ODE À ALEGRIA – Schiller (Trecho)

Oh amigos, mudemos de tom!
Entoemos algo mais agradável
E cheio de alegria!

Alegria, mais belo fulgor divino
Filha de Elíseo
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Tua magia volta a unir
O que o costume rigorosamente dividiu
Todos os homens se irmanam
Onde pairar teu voo suave

A quem a boa sorte tenha favorecido
De ser amigo de um amigo
Quem já conquistou uma doce companheira
Rejubile-se conosco!
Sim, mesmo se alguém conquistar apenas uma alma
Uma única em todo o mundo
Mas aquele que falhou nisso
Que fique chorando sozinho!

Alegria bebem todos os seres
No seio da Natureza
Todos os bons, todos os maus
Seguem seu rastro de rosas
Ela nos deu beijos e vinho e
Um amigo leal até a morte
Deu força para a vida aos mais humildes
E ao querubim que se ergue diante de Deus!

Alegres, como voam seus sóis
Através da esplêndida abóbada celeste
Sigam irmãos sua rota
Gozosos como o herói para a vitória

Alegria, mais belo fulgor divino
Filha de Elíseo
Ébrios de fogo entramos
Em teu santuário celeste!
Abracem-se milhões de seres!
Enviem este beijo para todo o mundo!
Irmãos! Sobre a abóbada estrelada
Deve morar o Pai Amado
Vos prosternais, Multidões?
Mundo, pressentes ao Criador?
Buscais além da abóbada estrelada!
Sobre as estrelas Ele deve morar.

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2. Secret Heart 5:45
3. Gatekeeper 11:11
4. Somewhere Down the Road 15:45
5. One Evening 19:30
6. The Build Up 23:19
7. Inside and Out 28:40
8. Now at Last 32:20
9. 1234 37:05
10. I Feel It All 39:37
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[Encontro de Culturas – Txt 10] Desfecho triunfal: festividades Fulni-ô encerram a X Aldeia Multiétnica

DESFECHO TRIUNFAL

Nesta sexta-feira, 22 de Julho, a 10ª edição da Aldeia Multiétnica terminou, após dias de intenso convívio e interação, com uma grande festividade comandada pelos Fulni-ô de Pernambuco

por Eduardo Carli de Moraes para o XVI Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros

Foram dias de convivência intensa e intercâmbios múltiplos, que propiciaram aos presentes a experiência direta da alteridade em todo o seu colorido e diversidade. Mas como tudo que é bom dura pouco, a 10ª edição da Aldeia Multiétnica terminou. Para fechá-la com um desfecho triunfal, os Fulni-ô comandaram uma grande festividade, que acabou numa celebração coletiva, reunindo as gentes num caldeirão no qual as diferenças se harmonizaram, emanando força e beleza.

Provenientes de Pernambuco, os Fulni-ô habitam próximos ao rio Ipanema, no município de Águas Belas. Os Fulni-ô são a única etnia originária do Nordeste brasileiro que logrou preservar sua língua materna, o Ia-tê. Um de seus rituais mais conhecidos é o Ouricuri (click e saiba mais detalhes). Uma curiosidade que poucos conhecem é que um dos maiores ídolos da história do futebol brasileiro descende da etnia Fulni-ô: Mané Garrincha.

As danças e cânticos sagrados dos Fulni-ô são dotados de uma rica musicalidade, com os cantos em coro e os ritmos percussivos intensos interagindo de modo orgânico e criativo, com belíssimos efeitos estéticos. Tanto é assim que eles já registraram sua música em CDs, alguns deles disponibilizados aos conviventes da Aldeia que se interessassem em adquirí-los. Vocês podem curtir, por exemplo, o álbum Cantando Com O Sol, do grupo Fethxa, lançado em 2002 e todo cantado no idioma Ia-tê.

Além da multiplicidade de artesanatos que trouxeram ao evento, os Fulni-ô também disponibilizaram aos interessados alguns instrumentos musicais (como chocalhos, maracás, simuladores de pios de pássaros). Além disso, vieram com muitas ervas medicinais e sementes curativas, que o público pôde conhecer e experimentar, e que revelam a magnitude dos saberes terapêuticos e botânicos deste povo que vive e resiste no sertão nordestino.

Após as festividades, que congregaram os presentes em grandes rodas de celebração e em danças itinerantes que passearam por toda a Aldeia, os Fulni-ô e seu séquito de entusiastas foram se refrescar com um banho de rio. Enquanto o Sol se punha, a Aldeia Multiétnica encerrava suas atividades em clima de empatia e união, num desfecho triunfal para estes dias de tão intensas trocas e vivências.

©Bruna Brandao-7952 ©Bruna Brandao-8157 7Fotos: Bruna Brandão

 

A MÚSICA DE CÉSAR GUERRA-PEIXE (1914 – 1993): OUÇA 8 PEÇAS DO COMPOSITOR BRASILEIRO

César Guerra Peixe (1914 - 1993)

César Guerra Peixe (1914 – 1993)
[Wikipédia] [PQP Bach][Enciclopédia Itaú Cultural]

Suite Sinfônica n.1 “Paulista” (1955)

Sinfonia n.2 “Brasilia” (1960)

Trio per violino, violoncello e pianoforte (1960)

A Retirada da Laguna (1971)

Museu da Inconfidência (1972)

Tributo a Portinari (1991)

Chico Buarque por Guerra-Peixe
Série ‘A Grande Música Do Brasil’ Vol. 1 (1978)

Arranjo – Afrosambas de Vinícius de Moraes e Baden Powell

RADIOHEAD – Ao vivo em Glastonbury, 1997 – Show Completo

radiohead glasto 97 front 2#ShowsNaÍntegra

Radiohead
Glastonbury Festival (Somerset, England)
28th June 1997

Tracklist:

01 Lucky
02 My Iron Lung
03 Exit Music (For a Film)
04 The Bends
05 Paranoid Android
06 Karma Police
07 Creep
08 No Surprises
09 Just
10 Fake Plastic Trees
11 High and Dry
12 Street Spirit (Fade Out)

Radiohead, New York, NY 1997. Photo by Danny Clinch

Radiohead, New York, NY 1997. Photo by Danny Clinch

1997: o ano de…
ok-computer

“Imagine there’s no heaven / It’s easy if you try / No hell below us / Above us only sky / Imagine all the people / Living for today.” (Lennon)

Lennon

“IMAGINE” (Lennon)

Imagine there’s no heaven
It’s easy if you try
No hell below us
Above us only sky

Imagine all the people
Living for today

Imagine there’s no countries
It isn’t hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too

Imagine all the people
Living life in peace

You may say, I’m a dreamer
But I’m not the only one
I hope someday you’ll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A Brotherhood of man

Imagine all the people
Sharing all the world

You may say, I’m a dreamer
But I’m not the only one
I hope someday you’ll join us
And the world will live as one

CLARA NUNES (1942-1983): Ouça 8 álbuns completos e assista um documentário sobre a diva do samba brazuca

Clara Nunes

CLARA NUNES (1942-1983)

“Um lamento triste sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro e de lá cantou.

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
no Quilombo dos Palmares,
Onde se refugiou

Fora a luta dos Inconfidentes
pela quebra das correntes.
Nada adiantou.

E de guerra em paz, de paz em guerra
todo o povo desta terra quando pode cantar
Canta de dor…”

“Canto Das Três Raças”
Composição de Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte

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