“Meus heróis nunca viraram estátuas. Morreram lutando contra os caras que viraram.” – Assista UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA [longa-metragem, animação, direção: Luis Bolognesi]

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UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA
Um filme de Luiz Bolognesi
Site oficial

“Viver sem conhecer o passado é andar no escuro.”

RESENHAS / ARTIGOS:

José Geraldo Couto no Outras Palavras:

Animação é corajosa, mas seu pessimismo radical produz efeito oposto ao desejado: para que lutar, quando a derrota é certa?

Uma história de amor e fúria, de Luiz Bolognesi, é uma obra singular na cinematografia brasileira. Em resumo, é uma animação que busca contar seiscentos anos da história do país por meio de um personagem que nunca morre.

É um guerreiro tupinambá, dublado por Selton Mello, que ressurge em sucessivos avatares: um revoltoso da Balaiada (Maranhão, 1838-40), um guerrilheiro contra a ditadura militar (1968), um jornalista desiludido no Rio de Janeiro do futuro (2096). Em todas as suas encarnações ele tem a mesma amada, Janaína (dublada por Camila Pitanga). É ela que justifica a palavra “amor” no título. O resto é pura fúria.

Por sua ambição e pioneirismo, o filme abre flancos para inúmeras críticas, algumas delas pertinentes, outras nem tanto. Sem entrar no mérito técnico-estético da animação propriamente dita – que me parece bastante satisfatória em sua opção básica pelo artesanato, com a tecnologia digital entrando como reforço, não como fetiche –, o primeiro aspecto a ser discutido é a simplificação brutal da história do Brasil como uma sucessão de confrontos sangrentos entre opressores e oprimidos.

Há um lado saudável nessa revisão histórica, o de se contrapor à versão oficial dos vencedores e à ideia de uma nação harmoniosa, de um povo pacífico, “cordial” no sentido frouxo da palavra. Além disso, um certo aplainamento das nuances e arestas talvez seja inerente à linguagem da animação. Tudo deve ser simples, direto, contrastado, imediatamente legível.

Visão sombria

Subsiste, no entanto, o problema do maniqueísmo, do povo bom contra a elite cruel. E também de uma visão da história como uma progressão teleológica rumo a um desfecho dado desde sempre – a emancipação dos oprimidos ou a hecatombe definitiva. Cabe cotejar essa abordagem com a de outra obra curiosamente análoga, mas em outro registro, o caudaloso romance Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro, no qual abundam as nuances e o humor que estão ausentes de Uma história…

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Outro ponto vulnerável é a percepção sombria, desesperançada, que prevalece no filme. A história contada por Bolognesi é um inventário de derrotas, e o futuro imaginado por ele é uma sinistra distopia: no Rio do final do século 21 a maior riqueza, a água, é manipulada por uma elite sem escrúpulos, e a sociedade é controlada por milícias privadas.

O problema maior, no caso, talvez nem seja o didatismo e o proselitismo apontados por outros críticos, mas o sentido dessa operação. Se o filme se dirige principalmente aos jovens, talvez estes saiam do cinema perguntando: por que lutar contra os poderosos, se no fim sempre acabamos perdendo? Só pelo romantismo do gesto? Uma pergunta acessória seria: em todos os momentos retratados, não haveria outros meios de buscar transformar o mundo além do confronto armado?

Barbárie e decadência

Dito isso, sem querer soar paradoxal, Uma história de amor e fúria merece ser visto por sua força, sua coragem e generosidade. Ao anódino, seu realizador preferiu o radical. Ao morno, o inflamado. Não ficou em cima do muro, deu a cara para bater.

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À parte isso, há achados visuais dignos de nota. O mais evidente deles é o do Cristo Redentor em dois momentos: o da época da colonização, em que a estátua ainda não existente é sugerida pela figura do guerreiro de braços abertos no alto do Corcovado, e o Cristo mutilado e pichado de 2096. Entre o pré-Cristo e o pós-Cristo se instala toda uma visão do Brasil como nação que, como diria Lévi-Strauss, passa da barbárie à decadência sem conhecer a civilização.

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Leia também: Pitanga Digital Gabinete de HistóriaVortex CulturalUOL Educação – Omelete

Obras-primas na história do cinema brasileiro para assistir online: filmes clássicos de Glauber Rocha, Mário Peixoto, Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Alselmo Duarte, dentre outros

  1. LIMITE (1931)
    de Mário Peixoto
    Limite


  2. GANGA BRUTA (1933)
    de Humberto Mauro
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  3. O CANGACEIRO (1953)
    de Lima Barreto
    OCangaceiroPoster


  4. BAHIA DE TODOS OS SANTOS (1960)
    de Trigueirinho Neto
    DEDE


  5. BARRAVENTO (1962)
    de Glauber Rochacapabarravento


  6. O PAGADOR DE PROMESSAS (1962)
    de Anselmo Duarte, baseado na obra de Dias Gomes
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    Vencedor da Palma de Ouro em Cannes


  7. ASSALTO AO TREM PAGADOR (1962)
    de Roberto Farias
    Assalto


  8. VIDAS SECAS (1963)
    de Nelson Pereira dos Santos
    Vidas Secas 1963


  9. OS FUZIS (1963)
    de Ruy Guerra
    Os Fuzis


  10. DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL (1964)
    de Glauber Rocha
    Deus e o Diabo


  11. NOITE VAZIA (1964)
    de Walter Hugo Khouri
    Noite Vazia


  12. TERRA EM TRANSE (1967)
    de Glauber Rocha
    TErra


  13. O CASO DOS IRMÃOS NAVES (1967)
    de Luis Sergio Person
    http://quixotando.wordpress.com/


  14. O BANDIDO DA LUZ VERMELHA (1968)
    de Rogerio Sganzerla
    bandido da luz vermelha


  15. BEBEL – GAROTA PROPAGANDA (1968)
    de Maurice Capovilla

    Bebel
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  16. MEU NOME É TONHO (1969)
    de Ozualdo Candeias
    Tonho


  17. MACUNAÍMA (1969)
    de Joaquim Pedro de Andrade
    Macunaima Joaquim-Pedro-de-Andrade


  18. O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO (1969)
    de Glauber Rocha
    Dragao


  19. COPACABANA MON AMOUR (1970)
    de Rogério Sganzerla
    Copacana


  20. SÃO BERNARDO (1972)
    de Leon Hirszman, da obra de Graciliano Ramos
    S Bernardo 1972


  21.  CÂNCER (1972)
    de Glauber Rocha


  22. QUEM É BETA? (1973)
    de Nelson Pereira dos Santos


  23. A NOITE DO ESPANTALHO (1974)
    de Sérgio Ricardo, estrelado por Alceu Valença
    Noite do Espantalho


  24. IRACEMA – UMA TRANSA AMAZÔNICA (1976)
    de Jorge Bodanzky
    Iracema - Uma Transa Amazonica c


  25. XICA DA SILVA (1976)
    de Cacá Diegues
    Xica


  26. LÚCIO FLÁVIO: PASSAGEIRO DA AGONIA (1977)
    de Hector Babenco
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  27. A TENDA DOS MILAGRES (1977)
    de Nelson Pereira dos Santos – Baseado na obra de Jorge Amado

    DOWNLOAD TORRENT – ACESSAR EM MAKING OFF


  28. TUDO BEM (1978)
    de Arnaldo Jabor


  29. PIXOTE – A LEI DO MAIS FRACO (1981)
    de Hector Babenco
    Pixote


  30. O HOMEM QUE VIROU SUCO (1981)
    de João Batista de Andrade
    O Homem Que Virou Suco


  31. PRA FRENTE BRASIL (1982)
    de Roberto Farias
    pra frente brasil


  32. A HORA DA ESTRELA (1985)
    de Suzana Amaral, da obra de Clarice Lispector
    Hora da Estrela


  33. CARLOTA JOAQUINA, PRINCESA DO BRAZIL (1995)
    de Carla Camurati
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  34. ALMA CORSÁRIA (1993)
    de Carlos Reinchenbach
    Alma Corsaria


  35. COMO NASCEM OS ANJOS (1996)
    de Murilo Salles
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  36. DOCES PODERES (1997)
    de Lúcia Murat
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  37. CENTRAL DO BRASIL (1998)
    de Walter Salles
    Central do Brasil


  38. O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (1998)
    de Bruno Barreto, da obra de Fernando Gabeira
    O Q É iSso


  39. CRONICAMENTE INVIÁVEL (2000)
    de Sergio Bianchi
    cronicamente


  40. BICHO DE SETE CABEÇAS (2001)
    de Laís Bodanskybicho


  41. UMA VIDA EM SEGREDO (2001)
    de Suzana Amaral, da obra de Autran Dourado
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  42. O INVASOR (2001)
    de Beto Brant
    O invasor


  43. LAVOURA ARCAICA (2001)
    de Luiz Fernando Carvalho, da obra de Raduan Nassar
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  44. ABRIL DESPEDAÇADO (2001)
    de Walter Salles
    Abril


  45. AMARELO MANGA (2002)
    de Claudio Assisamarelomanga


  46. CAMINHO DAS NUVENS (2003)
    de Vicente Amorim
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  47. O HOMEM QUE COPIAVA (2003)
    de Jorge Furtado
    O Homem Q Copiava


  48. CIDADE BAIXA (2005)
    de Sergio Machado
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  49. SERRAS DA DESORDEM (2006)
    de Andrea Tonacci
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  50. QUERÔ (2007)
    de Carlos Cortez, da obra de Plínio Marcos
    quero


  51. NOME PRÓPRIO (2008)
    de Murilo Salles, da obra de Clarah Averbucknome proprio


  52. EU OUVIRIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS (2012)
    de Beto Brant e Renato Ciasca
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  53. O LOBO ATRÁS DA PORTA (2013)
    de Fernando Coimbra
    Lobo


  54. TATUAGEM (2013)
    de Hilton Lacerda
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A SER CONTINUADO…

NOTA DO EDITOR: A Casa de Vidro, fiel à sua meta de ser um cyber centro cultural, pretende neste espaço reunir, de modo gradativo, uma vasta biblioteca de bons filmes da história do cinema brasileiro.

Na caixa de comentários, vocês podem deixar contribuições – de preferência com o ano de produção, o diretor e o link para o vídeo completo no Youtube – de modo que este post, longe de imutável, será frequentemente atualizado com novas inserções.

É bem sabido que o “esquadrão anti-pirataria” com frequência exige o deletamento destes filmes da Internet por violação dos direitos autorais, mas mesmo assim a cibercultura resiste e persiste proporcionando a nós, cinéfilos, a oportunidade de acesso livre à clássicos da cinematografia.

Apreciem sem moderação estes belos filmes de mestres como Glauber Rocha, Walter Salles, Walter Hugo Khouri, Anselmo Duarte, Roberto Farias, Laís Bodansky, Lúcia Murat, Joaquim Pedro de Andrade, Bruno Barreto, Beto Brant, Jorge Furtado, Rogério Sganzerla, dentre outros artistas geniais da 7ª arte!

Para manter-se atualizado sobre os novos filmes que forem sendo adicionados, não deixe de seguir o blog, acessível pela URL acasadevidro.com, e a nossa página no Facebook [https://www.facebook.com/blogacasadevidro]. Você também pode acessar o álbum específico, no Facebook, onde os filmes também foram disponibilizados, e compartilhar o link para este post com teus amigos. Saudações a todos e boa cinefilia!

(Eduardo Carli de Moraes)