Shakespeare No Parque: As You Like It

Shakespeare in the Park

Uma das instituições culturais de Toronto, com mais de 30 anos de história, é o magnífico projeto “Shakespeare In High Park”. No anfiteatro natural do High Park, bem ao estilo do teatro de Dioniso na velha Atenas, acabei de assistir a uma produção supimpa de “As You Like It”.

O enredo da comédia shakespeareana se passa quase inteiramente na Floresta de Arden, onde se desenrolam as peripécias de amor relatadas pelo poeta e que a companhia teatral – Canadian Stage – trouxe à vida em uma adaptação excelente, toda pontuada por música folk (violões, banjos e cantorias).

O espetáculo, a céu aberto e em locação verdejante, transporta o espectador para um simulacro torontonita de Arden: o palco de madeira, todo rodeado por floresta e tendo o céu como abóbada, foi por duas horas observado por centenas de pares de olhos, que o observaram com grande interesse, encantamento e arroubos de hilariedade (as gargalhadas da senhora ao meu lado, que não parava de me oferecer suas frutas alaranjadas, ressoavam pelos ares como contagiosos cacarejos).

Melhor de tudo: para garantir que a população em geral tenha acesso à estas maravilhas da arte, sem o elitismo que infelizmente é marca de tantos espetáculos teatrais, a política é a seguinte: não há ingresso; cada um paga o que pode como “contribuição”, de modo semelhante ao “Quanto Vale O Show?” que A Construtora Música e Cultura pratica em seus eventos em Goiânia. Em todos os sentidos, o “Shakespeare In The Park” merece uma porção de “bravos!”

Já Shakespeare, seria chover no molhado louvar o brilhantismo de seu verbo – que se manifesta ardentemente em “As You Like It”, por exemplo, no célebre trecho: “O mundo inteiro é um palco…”

E.C.M., Sábado, 27/07/14

All the world’s a stage,
And all the men and women merely players;
They have their exits and their entrances,
And one man in his time plays many parts,
His acts being seven ages. At first, the infant,
Mewling and puking in the nurse’s arms.
Then the whining schoolboy, with his satchel
And shining morning face, creeping like snail
Unwillingly to school. And then the lover,
Sighing like furnace, with a woeful ballad
Made to his mistress’ eyebrow. Then a soldier,
Full of strange oaths and bearded like the pard,
Jealous in honor, sudden and quick in quarrel,
Seeking the bubble reputation
Even in the cannon’s mouth. And then the justice,
In fair round belly with good capon lined,
With eyes severe and beard of formal cut,
Full of wise saws and modern instances;
And so he plays his part. The sixth age shifts
Into the lean and slippered pantaloon,
With spectacles on nose and pouch on side;
His youthful hose, well saved, a world too wide
For his shrunk shank, and his big manly voice,
Turning again toward childish treble, pipes
And whistles in his sound. Last scene of all,
That ends this strange eventful history,
Is second childishness and mere oblivion,
Sans teeth, sans eyes, sans taste, sans everything.

* * * *

William Shakespeare (1564 – 1616)
As You Like It, Act II, Scene VII
Jaques to Duke Senior