Fred Di Giacomo: “Seguimos insistindo nesse estranho vício de transformar dor e morte em arte.” || Entrevista à Casa de Vidro

A CASA DE VIDRO ENTREVISTA FRED DI GIACOMO

Em 4 vídeos, o escritor revela suas vivências, processos criativos e críticas à conjuntura contemporânea

Por Eduardo Carli de Moraes

Com 8 livros publicados, Fred Di Giacomo Rocha descreve-se como um “caipira punk”, nascido em Penápolis/SP, em 1984, mas que atinge em 2020 a plena maturidade enquanto artista cosmopolita e polímata – como o classificou a reportagem da revista Vice (EUA). De fato, Fred exerce sua criatividade irrefreável em várias áreas: escreve contos, poemas, reportagens, ensaios históricos, crítica musical etc.

Seu romance de estréia, o impressionante Desamparo (Editora Reformatório, 2018, 248 pgs), inspira-se no realismo mágico celebrizado por Garcia Márquez para realizar uma radiografia da colonização do interior paulista no começo do século XX, em obra que “une a precisão ágil do jornalismo com a prosa poética” e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.

Seu livro de estréia, Canções Para Ninar Adultos (Editora Patuá, 2012), foi prefaciado por Xico Sá, responsável pela seguinte síntese da prosa giacomiana: “Fred Di Giacomo faz um free-jazz que junta o repertório de vasta leitura com a velocidade fragmentada da sua geração.” Algumas das influências de Fred – autores como Bukowski, Allen Ginsberg, Jack Kerouac e Nelson Rodrigues – integram o time de personalidades literárias homenageadas nesta ilustração do livro:

Ilustração por Leonardo Mathias

Fred ainda encontra tempo para compor e tocar na banda Bedibê (com dois álbuns lançados: Envelhecer [2016] América [2019]); para investigar os caminhos da felicidade na companhia de sua esposa Karin Hueck no Projeto Glück; para colaborar como designer de games interativos (o mais famoso deles, Filosofighters, desenvolvido em parceria com a Superinteressante); e pra arriscar-se como crítico de cinema – como fez na provocativa análise do Coringa publicada pelo UOL. Já foi também coordenador pedagógico da escola e agência de jornalismo ÉNóis.

Um caipira em Berlim: Fred Di Giacomo, que tem várias vivências na capital da Alemanha, esteve recentemente lá participando de uma das mais importantes feiras literárias do mundo, a Feira do Livro de Frankfurt. Saiba mais na Farofafá @ Carta Capital.

Nesta entrevista exclusiva que Fred Di Giacomo concedeu à Casa de Vidro, direto de Berlim, explora o tema da descolonização e as ressonâncias de teorias e práticas decoloniais nas obras literárias e jornalísticas que escreve. Reflete também sobre o conceito de escrevivências proposto pela Conceição Evaristo. Fala sobre o cenário de literatura brasileira contemporânea, explorando as similaridades e diferenças entre escritores já bem conhecidos, como Férrez e Paulo Lins, em relação a artistas hoje em atividade e que estão marcando a produção literária do Brasil – gente como Micheliny Verunschk, Mailson Furtado, Ana Paula Maia, Anderson França, Luisa Gleiser, Itamar Vieira Jr, dentre outros. Fred garante que “das bordas do Brasil nasce uma revolução literária no hemisfério sul.”

Fred Di Giacomo, escritor multimídia e polímata, é hoje uma das vozes críticas e contestadoras mais potentes do jornalismo e da literatura no Brasil. Em artigo para a revista Cult, falando sobre o que significa fazer arte em tempos de Bolsonaro, com o incremento assustador das práticas de censura, silenciamento e auto-exílios, Di Giacomo escreveu: “Eles não querem que existamos, que escrevamos nossos histórias, que cantemos nossas canções e façamos nossos filmes. Mas mesmo que estejamos longe de casa e de nossas raízes, seguimos insistindo nesse estranho vício de transformar dor e morte em arte.”

A CASA DE VIDRO ENTREVISTA FRED DI GIACOMO
Assista aos vídeos:

PARTE 1 – Apresentação

PARTE 2 – Descolonizando a Cultura

PARTE 3 – Escrevivências e Renovações dos Cânones

PARTE 4 – Censuras e Artistas na Resistência

Créditos do vídeo: Edição por Eduardo Carli de Moraes. Trilha Sonora: Bedibê.

CONTRACULTURAS: Laboratórios de outras formas de existir – Sobre o legado de Luiz Carlos Maciel

“A liberdade se dá como conquista porque só existe como empenho de libertação”, escreve Luiz Carlos Maciel (1938 – 2017) em seu texto Ontologia da Liberdade (RJ: 2014, p. 268). Nenhuma liberdade cairá do céu, chovendo de graça no colo de quem nada fez por ela. Pois toda liberdade é conquistada por aqueles que estão empenhados no trampo infindável de libert-ação. 

Eis uma das lições de Maciel, cognominado “Guru da Contracultura” no Brasil. Um cara que foi figura-chave na determinação dos destinos da cultura brasileira na segunda metade do séc. XX, em especial por seu envolvimento intenso com a Tropicália. Descrita como fruto da “necessidade de uma arte popular de ponta, de caráter internacionalista”, a “rebelião tropicalista” é compreendida por ele não apenas como “uma estética de vanguarda”, mas como um movimento que “ofereceu uma nova visão da chamada ‘realidade brasileira’, sem as limitações ideológicas tradicionais” (MACIEL, 2014, p. 165).

Para resistir aos encantos nefastos e paralisadores das ideologias reinantes, que nos querem adestrar para conformismos indignos e vidas fúteis-inúteis, é preciso aprender nas escolas de transgressão e subversão. Com hippies e punks, com beatniks griots, com MCs e rastafaris, temos muito a aprender. Desde que queiramos cumprir a imanente missão que anima tantas vidas cujas criações culturais vão contra a corrente.

“Minha geração”, escreve Maciel, “foi marcada pela política. Achávamos que tínhamos a missão sagrada de libertar nosso país da dominação, nosso povo da exploração, nossas vidas da neurose e nosso planeta da catástrofe. E o meio adequado para atingir tais objetivos era a política. Pelo menos, foi isso o que Sartre nos ensinou.” (Geração em transe, memórias do tempo do tropicalismo,pg. 25 e 26)

Na aprendizagem com as vidas que saíram dos eixos, que deixaram-nos como legado o exemplo de suas singularidades inimitáveis, podemos nos libertar. Como só o fazem aqueles que, ao se moverem, sentem-se as correntes que os prendem – para lembrar um pensamento emblemático da Rosa Luxemburgo.

As contraculturas nos ensinam a sermos nós mesmos, para não decairmos ao status triste de indivíduos que se tornam ovelhas brancas nos alvos rebanhos das conformidades estúpidas. Nenhum mérito ou valor no ethos de quem somente faz mímese do que a sociedade impõe como modelo dominante. As contraculturas, como na música celebrizada por Doralyce e Bia Ferreira, nos ensinam a levantar a voz dizendo “foda-se o padrão!”

Maciel produziu uma obra magistral em que é capaz de interlocução intensa com tudo o que já existiu de mais libertário naquilo que o ser humano já produziu sob O Sol da Liberdade, título de seu belo livro publicado em 2014. Em intenso diálogo com o Existencialismo (Sartre, Camus, Kierkegaard, filtrados por seu mestre Gerd Borheim), Maciel foi também um discutidor e disseminador da Psicologia subversiva de W. Reich, H. Marcuse e Norman O. Brown. Além de ter mergulhado nas obras de visionários psicodélicos como Timothy Leary, Alan Watts e Carlos Castañeda. Tudo isso em íntima conexão com aquilo que o Brasil produziu de melhor no campo das culturas que vão contra a corrente.
 
Da Antropofagia oswaldiana à Tropicália, as Contraculturas brasileiras difundiram o convite para que fôssemos, todos e cada um, singulares e conectíveis,mas jamais uniformizados e em uníssono. Se quisermos ser avessos e contrários aos que nos querem rezando de joelhos, resignados às injustiças e apáticos suportadores de tiranias, devemos beber em largos goles as fortes e salutares poções contraculturais.

As diferentes contraculturas – que merecem ser pensadas sempre no plural, nunca no singular – são laboratórios de outras formas-de-existir, outros modos-de-ser. Se, nos EUA, costumamos conectar contracultura com “gurus” como Allen Ginsberg e Ken Kesey, no Brasil poucas figuras são mais emblemáticas desse modo-de-existir da contraculturalidade  do que Luiz Carlos Maciel – um cara que pôde transformar um livro de memórias, como é Geração em Transe, em uma espécie de tratado estético-político para a cultura contrahegemônica em terra brasilis.

Neste livro magistral, focando sua atenção sobre 3 gênios, Maciel sobrevoa nossa contracultura nas asas de Glauber Rocha, Zé Celso Martinez Correa e Caetano Veloso. E acaba pintando um excitante retrato das transas e transes de toda uma geração que acreditava de maneira entusiástica nas potências libertárias, emancipatórias e revolucionárias da arte:

Luiz Carlos Maciel (1938 – 2017)

“Uma das descobertas fundamentais de minha geração foi a de que a experiência pessoal, de cada um de nós, tem uma relação íntima, essencial, com a experiência coletiva, social. Trata-se, no mínimo, de uma relação de sincronicidade, como diria C. G. Jung, que fez com que a minha vida e a vida de todos, a vida comum, tivessem sido interdependentes. Numa visão mais radical, pode-se dizer que se trata, no fundo, de uma relação de pura identidade: a vida de todos e a de cada um são, na verdade, uma e a mesma coisa.  

Se alguém pedisse para dizer a principal crença da juventude da minha geração, eu diria sem titubear: a atribuição à arte de uma função transformadora da sociedade. Acreditava-se realmente que a arte poderia modificar a maneira das pessoas viverem. Essa crença impulsionou a minha geração e levou-a para caminhos inusitados, surpreendentes, criadores.

Os jovens daquela época pensavam que o sentido da vida humana era transformar. O quê? De preferência, tudo, mas principalmente o que estava estabelecido pela nossa cultura ocidental e burguesa. O não ao establishment se refletia em posturas iconoclastas, em negativas irreverentes, em atitudes inovadoras – às quais atribuíamos um grande valor. A arte colocava a mudança na ordem do dia.” (MACIEL, Geração em Transe – memórias do tempo do tropicalismo, Ed. Nova Fronteira. pg. 15  e 73.)

Glauber Rocha, como fica evidente desde o título do livro, é um dos protagonistas de Geração em Transe, encarnação do gênio contracultural que seguia a risca a práxis sintetizada no lema: “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça.” Para Glauber, fazer filmes importa bem mais que somente assisti-los. Ainda que tenha sido também um crítico de cinema, Glauber era essencialmente um criador cinematográfico, um dos maiores inovadores na história da 7ª arte, um espírito indomável, jamais adestrável, declarado como inimigo público pela Ditadura Militar – tal como revelado pela reportagem da Socialista Morena Cynara Menezes:

Glauber – cuja juventude foi exposta com maestria por Nelson Motta em A Primavera do Dragão – propunha de modo explícito um cinema de guerrilha que tivesse como alvo supremo “combater a ditadura estética e econômica do cinema imperialista ocidental ou do cinema demagógico socialista.” (citado por Maciel, p. 49)

A recusa desses dois modelos – nem os filmes Yankees, nem os filmes Stalinistas – fez de Glauber o aventureiro que cria caminhos próprios e marca a história de nossa arte com 20 e poucos anos de idade ao lançar a tríade magnífica de filmes com que lançou seu metereórica carreira: Barravento, Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe.

Maciel relembra seu amigo e colaborador como um cara de personalidade forte e irreverente, que sabia dar ordens com determinação aos outros atores e agentes culturais com quem interagiu. O livro é repleto de crônicas saborosas que envolvem figuras como Helena Ignez, musa glauberiana e Glamour Girl da Bahia, que enquanto noiva do cineasta contrabandeava material escrito por Glauber para a imprensa, já que ela era colunista social do Diário de Notícias de Salvador.

O florescimento cultural conexo às figuras de Glauber, Helena, Maciel, Abujamra etc. envolve um entusiasmo infatigável pela produção ou criação do novo –  o que demanda não só talento mas coragem.   Sabendo da imensa força cultural da Bahia de seu tempo, o jovem Glauber foi uma espécie de visionário da Tropicália antes desta nascer: segundo Maciel, “Glauber anteviu tudo com suas privilegiadas antenas de artista.” (p. 55)

Segundo Maciel, Glauber “botava todo mundo pra trabalhar” e “não podia suportar a complacência, a indulgência, a inação” (p. 91). Acreditava no cinema como forma de ação – e foi assim que ajudou a pôr em transe criativo toda uma geração. Uma das mais corajosas, ousadas e inventivas que já botou em efervescência a cultura brasileira. 

Hoje já é bem conhecida a responsabilidade de Glauber na eclosão da revolução estética tropicalista, cujos cabeças beberam muito na experiência de Terra em Transe (1967). Segundo Maciel, 1967 foi de fato um “ano excepcional na história da cultura brasileira, só comparável a 1922, com a eclosão do Modernismo” (2014. p. 143).

Naquela translação do planeta ao redor do Sol de 1967, em plena Ditadura Militar, também eclodiram O Rei da Vela, peça do Teatro Oficina atualizando Oswald de Andrade, PanAmérica, romance experimental de José Agrippino de Paulo, e a canção “Tropicália” de Caetano Veloso, batizada em homenagem à exposição de Hélio Oiticica e que batizaria o movimento nascente.

Comentando um livro crucial, Maciel aponta: “Para os norte-americanos Ken Goffman e Dan Joy, em A Contracultura Através Dos Tempos (2007), a nossa Tropicália é uma contracultura. Como a contracultura norte-americana, o Tropicalismo enfrentou a censura política, tanto da direita quanto da esquerda, os preconceitos morais gerados pela repressão sexual, os cânones rígidos da estética tradicional, entre outros – em suma, o establishment, em seus traços essenciais -, a alienação, a reificação e a serialização.” (2014: p. 274)

Para que pudesse produzir inovação e criatividade em intensos jorros durante seu curto período de vida, antes de ser “abatida em pleno vôo pelo A.I. 5” (como diz Tárik de Souza), a Revolução Tropicalista apostou tudo na criação baseada na mestiçagem, no hibridismo, no sincretismo, no amálgama, processos distanciados de todos os purismos e puritanismos que sempre prejudicam o nosso empenho libertário e criativo. 

Jorge Mautner (baixe a discografia dele) enfatiza o caráter de amálgama para definir a própria natureza da cultura brasileira e de sua criação incessante. A relação entre o modernismo de 1922 e o tropicalismo de 1967, por exemplo, é reveladora. A Tropicália, nítido exemplo de amálgama superior expressa o próprio espírito dessa cultura, sua liberdade real. Caetano Veloso diz que os Manifestos Pau-Brasil e Antropófago, de Oswald de Andrade, foram ‘uma redescoberta e uma fundação do Brasil’. E destaca, nos textos de Oswald, a antropofagia como uma metáfora da devoração de toda informação vinda de fora, a exemplo da deglutição do bispo Sardinha por nossos índios, e, portanto, do próprio fundamento da nossa nacionalidade. 

Os manifestos de Oswald teorizam, pela primeira vez, o sincretismo brasileiro como a expressão mais plena da índole da cultura que estamos construindo. Ainda segundo Caetano, ‘a palavra-chave para entender o tropicalismo é o sincretismo’, ou seja, o amálgama de Mautner. Emancipado de coações naturais e históricas, independente em face de censuras, preconceitos e cânones, o sincretismo, não só o tropicalista, mas do brasileiro em geral, é liberdade real. 

Mesmo o primeiro que se apresenta, o sincretismo religioso brasileiro só foi possível graças à nossa vocação originária para a liberdade real. A umbanda é uma invenção brasileira que funde orixás africanos e santos católicos; as seitas criadas para a ingestão da ayahuasca são outra invenção brasileira que tem raízes ideológicas no catecismo católico, mas transformadas por uma mitologia indígena. A união entre as duas correntes, no que alguns chamam de Umbandaime, em que giras de umbanda são realizadas tendo o daime como curiador, parece culminar o sincretismo religioso brasileiro. 

O avanço do processo cultural brasileiro depende, direta e essencialmente, do sincretismo e, portanto, da liberdade real.” (MACIEL: 2014, p. 275 – 276)

 

Por Eduardo Carli de Moraes
Goiânia, 2019

 

VÍDEOS RECOMENDADOS:





UM ÚTERO É DO TAMANHO DE UM PUNHO – Um livro de poesia de Angélica Freitas (Cosac Naify, 2013, 96 pgs) @ Livraria A Casa de Vidro

UM ÚTERO É DO TAMANHO DE UM PUNHO
Um livro de poesia de Angélica Freitas (Cosac Naify, 2013, 96 pgs)
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Eleito o melhor livro de poesia pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) em 2012

CARLITO AZEVEDO: “Angélica consegue criar. Já nos primeiros versos de qualquer poema seu, há uma atmosfera feliz e profanadora que nos convida a relativizar o gigantismo de certos sentimentos solenes que por muito tempo quiseram, e ainda hoje querem, se fazer passar pela poesia mais autêntica, pela mais sensível forma de se viver um estado poético. Com ela não tem autor sagrado, não tem sentimento hierarquicamente superior (ela mesma já se definiu certa vez como a “patinha sem pathos”), o que tem é a força do poema nascendo do contato furioso da existência, como uma sonda enviada para investigar todos os sentimentos que ainda não vivemos, como uma transparência através da qual se quer ver as pessoas de agora, nas ruas de agora, falando a língua de agora, sentindo os sentimentos de agora. Nesse sentido, ela se inscreve numa esplêndida tradição da poesia universal: a tradição da antipoesia de um Nicanor Parra, o maior poeta chileno do século, de uma Susana Thénon, o segredo mais bem guardado da poesia argentina, e de  uma Adília Lopes, a portuguesa mais brasileira desde Carmem Miranda. Para os poetas dessa tradição, o poema é a arma mais potente para desmontar as armadilhas que o tempo dispõe à nossa frente o tempo todo. Penso que a armadilha da identidade (sexual, política, nacional etc.), que nos quer sempre idênticos a nós mesmos, sem possibilidade de metamorfose, é aquela que, até agora, mais mereceu os disparos certeiros de Angélica.”

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LEIA ALGUNS POEMAS DE
UM ÚTERO É DO TAMANHO DE UM PUNHO

a mulher quer

a mulher quer ser amada

a mulher quer um cara rico

a mulher quer conquistar um homem

a mulher quer um homem

a mulher quer sexo

a mulher quer tanto sexo quanto o homem

a mulher quer que a preparação para o sexo aconteça lentamente

a mulher quer ser possuída

a mulher quer um macho que a lidere

a mulher quer casar

a mulher quer que o marido seja seu companheiro

a mulher quer um cavalheiro que cuide dela

a mulher quer amar os filhos,  o homem e o lar

a mulher quer conversar pra discutir a relação

a mulher quer conversa e o botafogo quer  ganhar do flamengo

a mulher quer apenas que você escute

a mulher quer algo mais do que isso, quer amor, carinho

a mulher quer segurança

a mulher quer mexer no seu e-mail

a mulher quer ter estabilidade

a mulher quer nextel

a mulher quer ter um cartão de crédito

a mulher quer tudo

a mulher quer ser valorizada e respeitada

a mulher quer se separar

a mulher quer ganhar, decidir e consumir mais

a mulher quer se suicidar

uma canção popular (séx. XIX-XX):

uma mulher incomoda

é interditada

levada para o depósito

das mulheres que incomodam

loucas louquinhas

tantãs da cabeça

ataduras banhos frios

descargas elétricas

são porcas permanentes

mas como descobrem os maridos

enriquecidos subitamente

as porcas loucas trancafiadas

são muito convenientes

interna, enterra

angie2

era uma vez uma mulher que não perdia

a chance de enfiar o dedo no ânus

no próprio ou no dos outros

o polegar, o indicador, o médio

o anular ou o mindinho

sentia-se bem com o mindinho

nos outros, era sempre o médio

por ela, enviava logo o polegar

não, nenhuma consequência.

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LEIA A SÉRIE DE POEMAS “UMA MULHER LIMPA”

LEIA “MICRO-ONDAS”

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ASSISTA:
Noite Literária # Angélica Freitas – agosto de 2016

Em Berlim (2007)

Angélica Freitas e Antônio Cícero

EXPLORE ALÉM: MusaRara – Ovelha

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ALLEN GINSBERG [1926-1997] – “Mente Espontânea – Entrevistas 1958 a 1996” #LivrariaACasaDeVidro

ALLEN GINSBERG“Mente Espontânea – Entrevistas 1958 – 1996”
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ginsbergMente Espontânea reúne uma série de entrevistas, concedidas entre 1958 e 1996, revelando em minúcias a vida e a obra do poeta beatnik e pensador da cultura, Allen Ginsberg.

Autor daquele formidável Uivo, em larga medida composto sob o efeito psicodelizante do peiote, que tantos de nós consideram um magnum opus na história da poesia contemporânea, Ginsberg foi uma figura de proa da cultura global na época em que viveu. Estes bate-papos, alguns deles antes considerados impublicáveis, foram organizados cronologicamente e fornecem um excelente painel sobre a visão de mundo deste luminar da contracultura no século XX.

Ginsberg foi mais do que o autor de um one hit wonder literário; foi mais do que um ícone da Geração Beat junto com Kerouac, Burroughs, Ferlinghetti, Corso; foi mais do que um cara que influenciou Bob Dylan (agora reconhecido com o Nobel de Literatura 2016); foi uma espécie de sábio-místico-xamã, em busca perene de uma mente em profunda e constante expansão. “Através de suas opiniões podemos ter uma noção da grandeza, força, revolta e gratidão desse pensador que tanto respeito e admiro”, como escreve Lourenço Mutarelli na orelha desta edição publicada pela ed. Novo Século em 2013.

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Em sua introdução, Edmund White avalia que, no decorrer de suas entrevistas,  Allen Ginsberg “reafirma sua alta consideração por William Blake e Walt Whitman. Obviamente, ele ama o Blake visionário e o Whitman democrático sensualista; de fato, a sua personalidade literária pode ser interpretada como uma união dessas duas forças.” (p. 15)

Para Ginsberg, dar uma entrevista era um ato criativo e ao mesmo tempo uma ocasião para ensinar e disseminar suas idéias. Temas recorrentes em suas conversas, aponta E. White, são “a ecologia (ele já alertava sobre o aquecimento global duas décadas antes do alarme geral ter sido acionado), a expansão mental por intermédio das drogas e, mais tarde, do ioga, um engajamento ao pacifismo e à gentileza interpessoal, a homossexualidade, o papel fundamental da espontaneidade na criação artística” (p. 16).

Apologia da cannabis: Ginsberg e sua placa-poema "POT IS FUN" ("MACONHA É MASSA")

Apologia da cannabis: Ginsberg e sua placa-poema “POT IS FUN” (“MACONHA É MASSA”)

Como o próprio Ginsberg enfatiza, em suas entrevistas e conversas ele sempre tratava os interlocutores como seres sencientes e capazes de iluminação: “conversava com as pessoas como se elas fossem futuros Budas.” Costumava derramar sua gratidão sobre artistas e pensadores do presente e do passado que admirava, caso de figuras como Gregory Corso, Kenneth Rexroth, Lawrence Ferlinghetti, Gary Snyder, Jack Kerouac, William Burroughs, Lenny Bruce, Timothy Leary, Carl Solomon, Chogyam Thungpa, dentre outros.

A leitura deste precioso material permite compreender melhor o formidável Uivo, que chaqualhou o cenário poético dos anos 1950, quando publicado em San Francisco pela City Lights Books de Ferlinghetti. Julgado “obsceno e indecente”, o livro logo seria envolvido numa batalha judicial e teria 520 cópias confiscadas pelas autoridades. Hoje, apesar das polêmicas empedernidas que se seguiram à sua publicação e que são narradas no filme estrelado por James Franco – o Howl and Other Poems – é tido como uma das obras-primas no cânone literário dos beatniks.

Ginsberg conta que, nesta época em que começa o bafafá em torno de seu livro e da a tentativa de censura ao Uivo, ele havia passado pela vivência de morar junto com Burroughs e Gregory Corso, por 8 meses, em Paris. As diversões da trupe incluíam visitar escritores malditos como Louis-Ferdinand Céline (autor de Viagem ao Fim da Noite Morte a Crédito). Não tenham dúvida de que nesta micro república beat as vitrolas tocavam muito free jazz bebop, enquanto os moradores viajavam e criavam sob a influência de substâncias estupefacientes das mais variadas.

Retornando a Nova York, em 1960, Ginsberg conclui o poema Kaddish – “em parte graças a pílulas de dexedrina” (como revela Ernie Barry, p. 27). No mesmo ano de 1960, sob supervisão do doutor Timothy Leary, tomou LSD e, voltando da trip, começou a bolar planos sobre a Revolução Psicodélica.

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Cosmonauta da galáxia interior e exterior, Allen Ginsberg uivou diante do dínamo estrelado da noite. Em suas viagens mais pé-no-chão, suas trips no sentido literal do termo, o poeta foi excêntrico e aventureiro em suas explorações do planeta Terra. Esteve em Tel Aviv, onde conheceu Martin Buber e Gershom Scholem. Passou longa temporada na Índia, fase relatada em seus Indian Journals, o que talvez tenha contribuído para torná-lo fissurado em sabedoria oriental e “cofundador da Escola de Poesia Desencarnada no Instituto Naropa, o primeiro renomado colégio budista do mundo ocidental”, segundo a minibiografia incluída neste livro.

Em 1963, sua escolha de turismo foi o Vietnã: foi a Saigon para ver as ruínas de Angkor Wat e ali “se informou com jornalistas e pessoas próximas acerca da situação daquele país e sobre o papel dos norte-americanos em solo vietnamita.” (BARRY, p. 28) Em 1964, em entrevista ao periódico da livraria e editora City Lights (de Ferlinghetti), Allen Ginsberg já falava como ativista de um movimento social dissidente, pacifista, crítico da presença dos EUA no Vietnã – e protestava “vestido” com placas repletas de versos como “man is naked without secrets, armed men lack this joy” “(o homem está nu sem segredos / homens armados carecem dessa alegria). Escrevia clamando – às vezes até mesmo profetizando! – “no more hell in Vietnam” (p. 29).

De Walt Whitman, o poeta das Leaves of Grass, libertador da poesia em relação às correntes do cânone, Allen Ginsberg aprendeu muito, mas sobretudo a coragem da ternura. Ao afirmar o valor da ternura, e a necessidade de coragem para ser termo, de certo soma a sua voz à de Ernesto Che Guevara (“hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás”) e prenuncia Morissey e a vibe do verso dos Smiths: “it takes strenght to be gentle and kind”. Ginsberg, grato e devotado a um dos maiores poetas estadunidenses ever, diz que para Whitmanag-wait-featured

“foi preciso muita coragem para demonstrar ternura livremente, e pela primeira vez, nos EUA; isto está na base inconsciente de nossa democracia, não é? (…) Só através do afeto e da ternura é que teremos um mundo mais seguro para a prática da democracia. Seja gentil com os policiais; eles não são policiais, são apenas pessoas disfarçadas que foram enganadas pelos próprios disfarces.” (GINSBERG, 1964, San Francisco’s City Lights, p. 31-34)

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CONFIRA TAMBÉM:

SINOPSE: “Uivo” (1956), de Allen Ginsberg, um dos poemas mais importantes da Geração Beat, é um épico irado contra a sociedade desumanizante, que venceu ações de censura e acusações de obscenidade para se tornar um dos poemas mais lidos do século. Admirado por figuras como Bob Dylan e Patti Smith, Allen Ginsberg é um dos mais importantes poetas estadunidenses do século XX e sua obra recebeu nova propulsão com este livro, ilustrado pelo artista Eric Drooker. As ilustrações de Drooker também marcam presença em cenas do filme “Howl”, protagonizado por James Franco (veja o trailer: https://youtu.be/m5U3f-g4WPk). Confira esta graphic novel deslumbrante, inteiramente colorida, 222 pgs. Livro gráfico novo, em perfeito estado. Acesse na Estante Virtual.

[VÍDEO]: Claudio Willer e a “Bomba” beatnik de Corso – Declamação e palestra no XI Colóquio Filosofia e Literatura “Catástrofe: Pensamento e Criação” [31 min]

O poeta, tradutor e crítico literário Claudio Willer participou do XI Colóquio Filosofia e Literatura – “Catástrofe: Pensamento e Criação”, em Goiânia, evento que aconteceu na PUC-Goiás entre os dias 31 de maio e 2 de junho de 2016. Neste vídeo, Willer declama o poema “Bomba”, do beatnik Gregory Corso (1930-2001), um cara que “estava literalmente no inferno quando descobriu bibliotecas”: “menino de rua delinquente”, explanou Willer sobre a biografia do poeta-bombardeador, “foi preso 3 vezes antes de completar 20 anos.” Estabelecendo conexões entre Corso e o lendário poeta francês Arthur Rimbaud (“Uma Temporada no Inferno”), Miller também faz ponderações sobre os convívios e as interpenetrações entre luminares da Geração Beat como Allen Ginsberg e Lawrence Ferlinghetti. Hospede-se no Beat Hotel com Willer e ganhe uma “trip verbal” através dos meandros da verborragia poética de Greg Corso – “nele, o poeta e o delinquente coexistiam”. Neste vídeo, assista alguns trechos da declamação do poema ‘Bomba’, além de excertos da palestra de Willer:

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https://youtu.be/e6JpTUteIQw
(31 min, Maio de 2016, filmagens por Eduardo Carli de Moraes e Ramon Ataide)

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Ginsberg

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Em seu blog, Willer escreveu (25 de Maio de 2016):

“Este é o 11º Colóquio de Filosofia e Literatura, regularmente organizado por Fábio Ferreira de Almeida, um intelectual ativo. Textos apresentados são depois publicados pela Edições Ricochete, de Céline Clement. Já participei duas vezes: uma delas, tratando de Lautréamont; a outra, de criação poética e algumas drogas.

Quando Fábio me comunicou o tema, ocorreu-me mais uma leitura de Bomb! de Gregory Corso – outras foram apreciadas (uso a boa tradução brasileira de Márcio Simões). Direi algo, antes. Mais em tom de crônica do que de comunicação acadêmica e respectivo ensaio, sobre as relações entre beats e catástrofes: ambientais, ameaça atômica, econômicas, e o cenário de Segunda Guerra Mundial no qual essa Geração Beat se constituiu. E também a relação de alguns de seus integrantes – Burroughs, Kerouac, Ginsberg – com o pensamento do autor de “A decadência do Ocidente”, Oswald Spengler, assimilando-o, porém seletivamente. Destacarei, outra vez, a capacidade de antecipação de Ginsberg. E, é claro, a radicalidade e o valor de Corso – o mais marginal dos beats importantes, que descobriu a poesia na cadeia.

O evento terá outros bons conferencistas: Carla Milani Damião, Mariza Wernek, Fernando Paixão, Goiamérico Felício, Eliane Robert Moraes. E Annie Le Brun, uma pensadora importante, especialista em surrealismo, que lançou ontem (24/05), aqui em São Paulo, “O sentimento da catástrofe: entre o real e o imaginário” (Iluminuras, tradução de Fábio Ferreira de Almeida, prefácio de Eliane Robert Moraes). Estou lendo. Foco ambientalista. Chernobyl e Fukushima são temas – no segundo desses episódios, o modo como foi normalizado. Annie reflete sobre a importância de respostas poéticas a catástrofes. E cita uma frase de André Breton, de 1948: “Este fim de mundo não é o nosso”.

Penso que tanto a idéia da resposta poética quanto a frase de Breton valem para o poema de Corso e para outros beats.

Divulguem. Informem. Estas catástrofes não são nossas – mas aguçarão nossa capacidade de reflexão.” (Carlos Willer)

SIGA VIAGEM:

Blog de Claudio Willer: https://claudiowiller.wordpress.com/.

Matéria da revista Cult: Willer – A Jornada Em Busca Do Encantatório
 http://revistacult.uol.com.br/home/2014/06/claudio-willer-a-jornada-em-busca-do-encantatorio/

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HÁ 75 ANOS, NASCIA JOHN LENNON (1940-1980) – ASSISTA AO DOCUMENTÁRIO COMPLETO “LENNON NYC” (LEGENDAS EM PORTUGUÊS, 1h23min)

LENNON NYC
– Um filme de Michael Epstein –
(Legendado em português)

PBS.ORG: 

LENNONYC takes an intimate look at the time Lennon, Yoko Ono and their son, Sean, spent living in New York City during the 1970s.

“New York became a part of who John and I were,” said Ms. Ono. “We couldn’t have existed the same way anywhere else.  We had a very special relationship with the city, which is why I continue to make this my home, and I think this film captures what that time was like for us very movingly.”

“The period that Lennon lived with his family in New York is perhaps the most tender and affecting phase of his life as a public figure,” said Susan Lacy, series creator and executive producer of American Masters as well as a producer of the Lennon film.  “Just as the generation that had grown up with the Beatles was getting a little older and approaching a transitional time in their lives as they started families, they saw this reflected in Lennon as he grew from being a rock star icon into a real flesh and blood person.”

“I have long been moved by the honesty and directness of John’s music,” said Michael Epstein, LENNONYC director, producer and writer.  “And, by using never-before heard studio talkback of John from this period, I think I was able to give the viewer a window into John Lennon that had not been put to film before.”

Following the breakup of the Beatles, Lennon and Ono moved to New York City in 1971, where Lennon sought to escape the mayhem of the Beatles era and focus on his family and private life.  At the same time, he created some of the most acclaimed songs and albums of his career, most of them written at his apartment at The Dakota on Manhattan’s Upper West Side, including Mind Games, Whatever Gets You Thru the Night, I’m Losing You, and Woman. He also remained highly active in the anti-war movement as well as numerous other progressive political causes.

As much as New York made an impact on Lennon and Ono by offering them an oasis of personal and creative freedom, so too did they shape the city.  At a time when New York faced record high crime, economic fallout and seemed to be on the verge of collapse, Lennon and Ono became a beloved fixture in neighborhood restaurants, at Central Park, at sports events and at political demonstrations.

Lennon and Ono also bonded with millions of their fellow New Yorkers in their experience as immigrants.  The film traces their struggle to remain in the U.S. when the Nixon administration sought to deport them, supposedly based on a narcotics violation, but which Lennon insisted was in response to his anti-war activities.

LENNONYC features never-before heard studio recordings from the Double Fantasysessions and never-before-seen outtakes from Lennon in concert and home movies that have only recently been transferred to video.  It also features exclusive interviews with Ms. Ono, who cooperated extensively with the production and offers an unprecedented level of access, as well as with artists who worked closely with Lennon during this period, including Elton John and photographer Bob Gruen (who took the iconic photograph of Lennon in front of the skyline wearing a “New York City” t-shirt).”

Siga viagem na galeria d’A Casa de Vidro:

NYC Apartamento

Pouco tempo antes de ser assassinado em 1980, Lennon e Yoko flagrados por foto na frente do apartamento onde moravam em NYC

NYC

Lennon e oko

NYC3

Yoko & Lennon nas ruas de NYC. Fotografia de Bob Gruen

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NYC4Poster

Ciclistas

John Lennon (1940 - 1980) and Yoko Ono pose on the steps of the Apple building in London, holding one of the posters that they distributed to the world's major cities as part of a peace campaign protesting against the Vietnam War. 'War Is Over, If You Want It'.   (Photo by Frank Barratt/Getty Images)

John Lennon (1940 – 1980) and Yoko Ono pose on the steps of the Apple building in London, holding one of the posters that they distributed to the world’s major cities as part of a peace campaign protesting against the Vietnam War. ‘War Is Over, If You Want It’. (Photo by Frank Barratt/Getty Images)

Lennon2

Peace

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OS EUA CONTRA JOHN LENNONdownload