“Escola Sem Partido: esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira” – Acesse o ebook (Gaudêncio Frigotto – org., UERJ, 2017)

Livro “Escola Sem Partido: esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira”, organizado pelo professor Gaudêncio Frigotto, publicado pelo Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), disponível para download. Acesse ebook completo: http://bit.ly/2vzqPn6.

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[VÍDEO]: Claudio Willer e a “Bomba” beatnik de Corso – Declamação e palestra no XI Colóquio Filosofia e Literatura “Catástrofe: Pensamento e Criação” [31 min]

O poeta, tradutor e crítico literário Claudio Willer participou do XI Colóquio Filosofia e Literatura – “Catástrofe: Pensamento e Criação”, em Goiânia, evento que aconteceu na PUC-Goiás entre os dias 31 de maio e 2 de junho de 2016. Neste vídeo, Willer declama o poema “Bomba”, do beatnik Gregory Corso (1930-2001), um cara que “estava literalmente no inferno quando descobriu bibliotecas”: “menino de rua delinquente”, explanou Willer sobre a biografia do poeta-bombardeador, “foi preso 3 vezes antes de completar 20 anos.” Estabelecendo conexões entre Corso e o lendário poeta francês Arthur Rimbaud (“Uma Temporada no Inferno”), Miller também faz ponderações sobre os convívios e as interpenetrações entre luminares da Geração Beat como Allen Ginsberg e Lawrence Ferlinghetti. Hospede-se no Beat Hotel com Willer e ganhe uma “trip verbal” através dos meandros da verborragia poética de Greg Corso – “nele, o poeta e o delinquente coexistiam”. Neste vídeo, assista alguns trechos da declamação do poema ‘Bomba’, além de excertos da palestra de Willer:

cartazC. WILLERSobre o poeta beatnik Gregory Corso
https://youtu.be/e6JpTUteIQw
(31 min, Maio de 2016, filmagens por Eduardo Carli de Moraes e Ramon Ataide)

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#VIDEODROME @ A Casa de Vidro

Ginsberg

Ginsberg

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Corso

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Em seu blog, Willer escreveu (25 de Maio de 2016):

“Este é o 11º Colóquio de Filosofia e Literatura, regularmente organizado por Fábio Ferreira de Almeida, um intelectual ativo. Textos apresentados são depois publicados pela Edições Ricochete, de Céline Clement. Já participei duas vezes: uma delas, tratando de Lautréamont; a outra, de criação poética e algumas drogas.

Quando Fábio me comunicou o tema, ocorreu-me mais uma leitura de Bomb! de Gregory Corso – outras foram apreciadas (uso a boa tradução brasileira de Márcio Simões). Direi algo, antes. Mais em tom de crônica do que de comunicação acadêmica e respectivo ensaio, sobre as relações entre beats e catástrofes: ambientais, ameaça atômica, econômicas, e o cenário de Segunda Guerra Mundial no qual essa Geração Beat se constituiu. E também a relação de alguns de seus integrantes – Burroughs, Kerouac, Ginsberg – com o pensamento do autor de “A decadência do Ocidente”, Oswald Spengler, assimilando-o, porém seletivamente. Destacarei, outra vez, a capacidade de antecipação de Ginsberg. E, é claro, a radicalidade e o valor de Corso – o mais marginal dos beats importantes, que descobriu a poesia na cadeia.

O evento terá outros bons conferencistas: Carla Milani Damião, Mariza Wernek, Fernando Paixão, Goiamérico Felício, Eliane Robert Moraes. E Annie Le Brun, uma pensadora importante, especialista em surrealismo, que lançou ontem (24/05), aqui em São Paulo, “O sentimento da catástrofe: entre o real e o imaginário” (Iluminuras, tradução de Fábio Ferreira de Almeida, prefácio de Eliane Robert Moraes). Estou lendo. Foco ambientalista. Chernobyl e Fukushima são temas – no segundo desses episódios, o modo como foi normalizado. Annie reflete sobre a importância de respostas poéticas a catástrofes. E cita uma frase de André Breton, de 1948: “Este fim de mundo não é o nosso”.

Penso que tanto a idéia da resposta poética quanto a frase de Breton valem para o poema de Corso e para outros beats.

Divulguem. Informem. Estas catástrofes não são nossas – mas aguçarão nossa capacidade de reflexão.” (Carlos Willer)

SIGA VIAGEM:

Blog de Claudio Willer: https://claudiowiller.wordpress.com/.

Matéria da revista Cult: Willer – A Jornada Em Busca Do Encantatório
 http://revistacult.uol.com.br/home/2014/06/claudio-willer-a-jornada-em-busca-do-encantatorio/

@ A Casa de Vidro > SHORTLINK : http://wp.me/pNVMz-33V

[#Ebooks] “A invisibilidade da desigualdade brasileira”, Jessé Souza (org.), Ed. UFMG

JESSÉ SOUZA (org.) – “A invisibilidade da desigualdade brasileira” (2006, UFMG, 396 pgs).
Baixar PDF do livro completo (9 mb)

Na sequência, texto de Emerson F. Rocha no site do Ipea:

“A Invisibilidade da Desigualdade Brasileira”, publicado em 2006 pela editora UFMG, é o livro em que o organizador e autor de cinco artigos no mesmo livro, Jessé Souza, explicita e radicaliza seu posicionamento crítico no campo das Ciências Sociais brasileiras e inaugura suas experiências de pesquisas teóricas e empíricas coletivas com o grupo de pesquisadores do Cepedes (Centro de Pesquisas sobre Desigualdade Social) também fundado em 2006.

Partindo do seu diagnóstico original, proposto em “A Construção Social da Subcidadania”, publicado em 2003 pela mesma editora, sobre a sociedade brasileira enquanto caso paradigmático de modernidade periférica, o autor revela a fragilidade dos pressupostos teóricos das duas mais prestigiadas propostas de interpretação sobre a especificidade da sociedade brasileira diante dos países de capitalismo mais avançado: a teoria do personalismo e a teoria do patrimonialismo ou neo-patrimonialismo.

Jessé Souza mostra que essas duas teorias constituem, na verdade, variações de uma única teoria hegemônica, uma vez que compartilham dos mesmos pressupostos culturalistas essencialistas baseados na tese de uma singularidade absoluta da cultura brasileira. O Brasil teria desenvolvido uma sociabilidade única no planeta baseada na emotividade e sentimentalidade pré-moderna – suposto produto histórico de uma herança ibérica percebida como imutável – por oposição ao cálculo e à racionalidade típicas da modernidade. Quer se perceba essa singularidade em termos positivos, como no personalismo de Freyre ou Darcy Ribeiro, ou se perceba a mesma singularidade em termos negativos – como nosso mal de origem e causa de uma suposta tendência inata do povo brasileiro, especialmente no Estado, à corrupção – como acontece nos teóricos do patrimonialismo, especialmente em Sérgio Buarque, Raimundo Faoro ou Roberto da Matta, o importante é perceber que ambas versões compartilham dos mesmos pressupostos apenas com sinal trocado.

O que o autor chama de “teoria emocional da ação” é precisamente um tipo de explicação social anacrônica e superficial que não consegue nem compreender o dinamismo do Brasil moderno, nem as efetivas causas da abissal desigualdade social brasileira. O núcleo da crítica do autor, desenvolvida ao longo dos cinco textos que assina nessa coletânea, é que essas explicações, até hoje dominantes entre nós, são simples adaptações do mito nacional brasileiro à explicação científica. O mito do povo emotivo e caloroso serviu e serve para produzir solidariedades pragmáticas. Esses “contos de fadas para adultos”, como diz Jessé, são importantes na sua dimensão política. A ciência, por outro lado, deveria precisamente se distanciar desses “contos de fadas” do senso A Invisibilidade da Desigualdade Brasileira comum para criticar a realidade e suas certezas aparentes. Afinal, o núcleo desses consensos sociais inarticulados esconde precisamente as práticas que escondem conflitos latentes e reproduzem esquemas de perpetuação de privilégios espúrios. O tema do patrimonialismo é extremamente sugestivo nesse sentido. Ao simplificar e falsear a ambivalência constitutiva das instituições modernas e perceber o mercado como reino de todas as virtudes e o Estado como reino da corrupção e da ineficiência, a tese patrimonialista concentra todo o conflito na falsa oposição entre mercado e Estado e esconde todos os reais conflitos sociais brasileiros que sequer são “percebidos” como conflito. Não só o debate acadêmico, mas também o debate público político que se empobrece numa oposição “novelesca” entre “honestos” e “corruptos” quando a dor e o sofrimento reais de parcelas significativas da população, socialmente produzidos, se tornam invisíveis e sequer percebidos como problema.

O restante dos textos do livro, de colaboradores do Cepedes ou de pesquisadores comprometidos com uma percepção crítica da realidade brasileira, procura aprofundar, teórica ou empiricamente, precisamente os diversos conflitos sociais de classe, raça e gênero tornados invisíveis pela escolhas conceituais dos culturalismos dominantes. A maior parte dos textos se concentram, portanto, em tornar visível uma classe social de perdedores cuja função é prestar serviços pessoais e desvalorizados – domésticos, sexuais e pesados – às classes privilegiadas. É essa “luta de classes” cotidiana que é escondida pela manipulação política de falsas oposições. Os temas da raça e do gênero se acrescentam a essa reconstrução dos conflitos efetivos e reais, também segundo uma nova perspectiva. O drama do racismo não deve implicar esconder a dominação de classe como acontece hoje em dia entre nós. O sexismo tem raízes muito mais profundas, como indica a educação para a iniciativa nos homens e a educação para o medo nas mulheres, do que a simples repartição “politicamente correta” do trabalho doméstico.

Ainda que vários destes temas tenham sido explicitados e aprofundados no livro “A ralé brasileira: quem é e como vive?” (2009), o conjunto de artigos que compõem o referido livro já reflete a intenção de reconstrução empírica, segundo um quadro teórico crítico e inovador, dos conflitos socais esquecidos pela dominância, no debate brasileiro contemporâneo, de paradigmas conservadores ou pseudocríticos.


Emerson F. Rocha
http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=1835%3Acatid%3D28&Itemid=23

LEIA TB:

JEsse

A Tolice da Inteligência Brasileira

 

Construção Social da Subcidadania - COMPAR NA ESTANTE VIRTUAL

A Construção Social da Subcidadania 

NICOLAU SEVCENKO (1952 – 2014) – In Memoriam

Nicolau

NICOLAU SEVCENKO (1952 – 2014)

Biografia via Revista Fórum: “Filho de imigrantes russos vindos da região da Ucrânia, Sevcenko nasceu em São Vicente, no litoral paulista. Formou-se em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), em 1975, e se dedicou ao estudo da cultura brasileira e do desenvolvimento de cidades como São Paulo e Rio.

Ele se tornou doutor em História Social pela FFLCH-USP e pós-doutor pela University of London em História da Cultura. Lecionou na USP de 1985 até 2012, ano em que se aposentou. Deu aulas ainda na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e em Harvard, onde ministrava História e Cultura da América Latina e do Brasil.”

Obras publicadas pela Cia das Letras:

SEvcenko3LITERATURA COMO MISSÃO – Tensões sociais e criação cultural na Primeira República

Euclides da Cunha e Lima Barreto são os escritores que Nicolau Sevcenko elege como referência para traçar um panorama dos cruzamentos entre história, ciência e cultura no Brasil da passagem do século XIX ao XX, momento que marcou a entrada do país na modernidade, após a Abolição e o advento da República. Num período – a Belle Époque – de negação do passado escravista e de forte espírito cosmopolita, os dois autores vislumbravam na literatura um projeto de país que levasse em conta as contradições históricas brasileiras. Sevcenko mostra que a permanência das obras de Euclides e Lima se deve a esse sentimento de missão – animado por um impulso utilitário de atuação pública -, assim como à inventividade da linguagem que desenvolveram. A reedição atualizada de Literatura como missão, publicado pela primeira vez em 1983, traz um posfácio inédito em que o autor aponta para a contribuição decisiva de escritores, principalmente Machado de Assis, que, ao lado de Euclides da Cunha e Lima Barreto, também traduziram o desacordo entre o conservadorismo do pensamento dominante e a lucidez visionária da literatura.

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SEvcenko4ORFEU EXTÁTICO NA METRÓPOLE – São Paulo, sociedade e cultura nos frementes anos 20

Orfeu, herói da mitologia grega, era louvado como o celebrante da música, da exaltação e do êxtase coletivo. Neste estudo sobre o impacto das novas tecnologias nos processos de metropolização, Nicolau Sevcenko usa as imagens dos rituais órficos como um emblema. O cenário é a cidade de São Paulo nos anos 20, quando passava pelo boom de crescimento e urbanização que a transformaria numa metrópole moderna. O frêmito das tecnologias mecânicas de aceleração se transpõe para os corpos e as mentes por meio de celebrações físicas, cívicas e míticas no espaço público. O pano de fundo: a Primeira Guerra, as tensões revolucionárias, a explosão da Arte Moderna e o delírio frenético do jazz. Os personagens: a população de um experimento social em escala gigantesca, na busca de uma identidade utópica.

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A CORRIDA PARA O SÉCULO XXI – No loop da montanha-russa

No sétimo e último volume da Coleção Virando Séculos, o historiador e crítico da cultura Nicolau Sevcenko faz uma reflexão lúcida e perturbadora sobre a passagem para o século XXI. Tomando uma viagem de montanha-russa como sua imagem e inspiração básicas, Sevcenko avalia essa transição como um processo de aceleração contínua, impulsionado pela aplicação dos conhecimentos científicos na criação de novas tecnologias. Iniciado com o desenvolvimento de poderosos recursos energéticos, como a eletricidade e os derivados de petróleo, esse processo atinge um clímax no momento atual, com a revolução microeletrônica e as comunicações por satélite e cabos de fibra óptica. É como se no início do século XX tivéssemos embarcado numa montanha-russa e agora, na entrada do novo século, fôssemos apanhados pela vertigem do loop. Essa aceleração, que é excitante, é também inconseqüente: vai aumentando as desigualdades entre os grupos e sociedades, multiplicando crises e violências e ameaçando o equilíbrio ambiental. Mas Nicolau Sevcenko mostra também que, no limiar do século XXI, surge uma nova geração disposta a lutar para que as prioridades desse mundo globalizado se voltem para os homens, a natureza e a solidariedade.

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Obras publicadas por outras editoras:


Robert Mandrou – Magistrados e feiticeiros na França do século XVII (tradução). São Paulo, Perspectiva, 1979.

A Revolta da Vacina, mentes insanas em corpos rebeldes. São Paulo, Brasiliense, 1983; Scipione, 1993. Download e-book: http://bit.ly/1v29xVo.

Lewis Carrol – Alice no país das maravilhas (tradução). São Paulo, Scipione, 1986.

O Renascimento. São Paulo/Campinas, Atual/ Ed.da UNICAMP, 21.a ed., 1995.

Primeira Página, Folha de São Paulo, 1925-1985, São Paulo, Gráfica da Folha de S. Paulo, 1995.

Arte Moderna: os desencontros de dois continentes. São Paulo, Fundação Memorial da América Latina, Coleção Memo, Secretaria de Estado da Cultura, 1995.

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ENTREVISTA NO PROGRAMA PROVOCAÇÕES, DA TV CULTURA:

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