


NA IMPRENSA – Jornal Opção
CONCEIÇÃO COM A PALAVRA:
Salve geral!
Aqui é Conception, sou uma das três mulheres que pegaram o front da 3a Mostra OCLAM desse ano… Comigo, Linda Granados, a produção mais correria e mais entregue que já vi; e Delírio, multi artista bruxinha severina 💝 Pegamos orientações da Bruna Miguel, pedra fundamental da OCLAM, para essa realização e cooptamos pessoas maravilhosas pra mexer nessa joia que é reunir e celebrar urgentemente nossas existências. Fizemos o evento com mais carinho do que qualquer outra coisa, numa estrutura simples de confraternização (com equipamento de som), e mesmo nas dificuldades me encontro feliz e agradecida pela energia movida, conseguimos juntar com parcerias tão apaixonadas quanto nós e foi acontecendo 💝 Depois Linda e Delírio se pronunciam, dão suas próprias palavras… E geral que fez acontecer, caso queiram.
Vou deixar aqui uma lista pra vocês verem que apesar de pequena, nossa equipe é de gigantes. E deixar meus profundos agradecimentos a todo mundo que somou de várias maneiras, vocês são lindos corações.
Segue o fio 🪡
Direção de Produção:
Produção Geral:
Assistência de produção:
Design:
Assessoria de imprensa:
Redatora:
Mestras de Cerimônia:
Técnico de som:
Assistente de palco:
Captação de áudio:
Cobertura de Vídeo:
Fotos:
Documentação audiovisual:
Entrevistas:
Redes Sociais:
Local:
Bar:
Logística e Estrutura:
Direção de Arte:
Montagem de Palco:
Artistas expositores:
Gestão do espaço kids:
Homenagem a Bruno Duarte:
Apoio:
Agradecimentos:
Peço algumas umas desculpas aos artistas que não tiveram tempo de se apresentar, sonhamos com um cronograma ideal, mas a realidade urgiu… Dessa vez nós não ouvimos: Karl, Flávia Carolina, Pedro Constantino e Rafael Vaz, mas numa próxima breve… por favor queremos ouvir vocês 🥹🥹🥹
Quero também abraçar a oportunidade de ouvir nossos convidados especiais, o que a sua experiência tem construído, suas tecnologias e modos de se mover no mundo. Noel, nosso jovem mais velho da cultura popular, do Boi do Rosário; Dona Neuma (e sua batucada) por materializar o trabalho museal do samba goiano dessa grande matriarca preta; Brandão, que nos emocionou cantando com seu filho, esbanjando frescor criativo; Kleuber Garcez, nosso professor e mestre quando o assunto é caneta; Nina Soldera, das maiores e mais viscerais intérpretes de Goiânia, e Bororó, abridor de caminhos, potência e excelência negra goiana de vasta experiência, andanças e conquistas, exemplo de trajetória. Meus profundos agradecimentos por destinar em energia a se fazer ouvidos por nós, uma verdadeira benção. Agradecemos!!!! 💐
Vamos continuar aumentando o mundo, ano que vem tem mais!!! Vamos pensar nisso com carinho.
Um grandiosíssimo beijo, logo viremos atualizar dos desdobramentos da missão “SALVE A HUBERTINHA, KOMBI SEVERINA DA PRODUCAO(cuja mami é Linda Granados, nossa produça ponta de lança 🏹”)
Simbó!
FOTOS














VÍDEOS
O coletivo artvista goianiense @fritosdaterra entregou ao público “O Clima É Nóis”, canção de @dacosta.vergara e @educarlidemoraes, por ocasião da III Mostra de Composição da OCLAM @oclamnatividade, este belíssimo e comovedor evento que teve como mote “Criação, Propósito e Comunidade”.
O vídeo foi gravado por Gabriela @cravuicanela. Este projeto artístico-cultural e sócio-político, Fritos da Terra, conta com apoio e produção de @acasadevidro_pontodecultura. Nesta, gravamos recentemente uma live session com prod. de Danilo Rosolem @qonanbeats, disponível em todas as plataformas de áudio por stream.
Gratidão imensa OCLAM pela acolhida e oportunidade de partilhar com uma cena autoral tão valiosa nossa arte-manifesto. Estamos juntos!
Foi a primeira aparição pública da @trupetudonostrinks: na Mostra da @oclamnatividade, a banda apresentou-se ao vivo com a inédita “Busablues”, interpretada por Raab Paula (@paraabula), Eduardo Carli (@educarlidemoraes) e Fabiano Ito (@josefabianoito), power trio no núcleo do projeto que atua propulsionado por @acasadevidro_pontodecultura.
Na ocasião, tivemos a satisfação de ter ainda @willhaubert na bateria (ele também está presente na selfie, atrás, de perfil) e @leonduarteb no contrabaixo, e contamos ainda com a colaboração, na cobertura audiovisual, de @cravuicanela e de @junior.rrabelo. Queremos agradecer imensamente à OCLAM, a todos os agentes culturais que a constroem, pela acolhida calorosa e pela oportunidade de expressar nossa arte.
No YouTube da Trupe, vocês podem apreciar a íntegra da canção e também um papo de 15 minutos que batemos após o evento, no estúdio onde o projeto está radicado e onde nosso álbum de 13 canções está sendo gestado:
BUSABLUES – Ao vivo na OCLAM, Mostra 3, 14/12/2025: https://youtu.be/-bA-CBELZA0
BATE-PAPO DOS TRUPERS – N’A Casa de Vidro, 17/12/2025: https://youtu.be/CXcriYmUw6w
No longevo site www.acasadevidro.com, ano 15, vocês podem saber muito mais sobre este projeto musical nascido na Escola do Futuro em Artes (@musicabasileufranca@escolabasileufranca) – larga mão deste Instagram e deste Metaverso, mêo, e navega lá em:

GUARDIÕES DA CHAMA DA RECORDAÇÃO – O termo “guardião da chama” grudou em mim por conta dos convívios catalisados pela OCLAM. Essa galera afetuosa envolvida com esta movimentação cultural às vezes enaltece a outra pessoa com a expressão: “você, criatura, é guardiã da chama!” Acho que a escutei pela primeira vez da boca de Bruna Miguel se referindo a Áfrika Billy, e depois em outros contextos e outras teias de afeto, e assim fui incorporando o termo ao meu léxico. Hoje posso dizer que o bocadin de felicidade que consigo arrancar desta vida tão difícil e sofrida vem de poder caminhar com tanta gente que admiro por serem guardiões das chamas que importam que sigam queimando, emanando calor e luz em meio a tantas trevas reinantes.
O brutal apagamento de Bruno, um desses guardiões da chama de uma arte colaborativa e de uma cultura das confluências, causou um baque danado em nosso ânimo. Mas podemos dizer, ao fim de 2025, que fizemos o que pudemos para honrar o camarada falecido. A gente se tornou os guardiões da chama de uma recordação que, como nos conta a etimologia, significa deixar passar de novo pelo coração – re-cordari em latim sendo a união do re de retorno ou repetição com o cor do músculo cardíaco do tórax.
Bruno foi aniquilado pelas facadas insanas de Artur, um trauma terrível, mas seu fogo vital agora nós é que temos a responsa de carregar em nosso core.
Na Casa do Zoto, era impossível acessar o evento sem passar por aquele belo mausoléu confeccionado por Linda Granadus para honrá-lo, com ilustração do Highlander, fotos de Bruno em ação no palco da FETEG ao lado de Delírio, e uma mui significativa evocação daquela última entrevista que ele concedeu, n’ Casa de Vidro prestes a ser demolida, no nosso evento de despedida, o Confluências #10.

Neste vídeo, gravado por Fabiano Ito (Trupe Tudos Nos Trinks), que na ocasião me acompanhou ao violão na apresentação da Azul em Transe, explano um pouquinho do contexto de emergência da “Traço de Giz”, esta canção que me empenhei em defender no palco da III Mostra, tão imperfeitamente, com meu trêmulo nervosismo e voz cavernosa; senti que era preciso encarar esta prova de fogo, este rito de passagem, trazendo a público esta parceria com o fantasma. Trôpega tentativa de elaborar o luto de maneira grungy, sem nenhum virtuosismo e com certo ethos punk, foi o modo de regar uma semente que foi legada pelo Brunão – “cê semeou o que não se aniquilou!” – e tive para esta meta a ajuda salutar de Manoel Siqueira, parceiro na Azul, e também de Ito e Leon, que me deram uma força no violão e no contrabaixo nesta ocasião.
Pensei em nem publicar este vídeo, pois senti que não mandei tão bem, que não consegui acessar a emotividade e a entrega que eu queria na hora dos vamos ver, oprimido pelo stage fright e pela responsa de estar diante de uma audiência de tanta qualificação e importância, mas afinal de contas decidi ceder ao real e à minha inconclusão constitutiva e imperfeição irremediável, expondo-me com todos meus fedores, desafinações e furúnculos a um “mundo” que, afinal de contas, tá pouco se importando. Aos poucos que se importam com os falhos intentos de fazer música terapêutica, deixo aí entregue este aborto elétrico feito com sangue, suor e lágrimas pra enaltecer a recordação de um amigo em meu core.
Quem se interessar por saber mais, mergulho ainda mais fundo nos meandros de minha Psiquê atormentada em texto publicado em www.acasadevidro.com/oclammostra2025; também reuni em um vídeo único, documental, quase tudo que rolou no 14 de Dezembro n’A Casa do Zoto em homenagem ao Brunão, incluindo a linda e comovedora performance de Delírio da canção dele “Maria” e da canção que ela fez no dia seguinte ao assassinato, além de “Louca Constelação”, outra pérola bruniana, defendida por Conceição, Rodo, Luana e Rafa Lobo.
Mnemosyne em ação: a morte abrupta e brutal de um amigo é osso duro de roer, mas a vida insiste e o espectro caloroso de Bruno hoje vive nos corações de nós a quem ele transmitiu a chama de seu entusiasmo, o fogo de sua criatividade indomável, a vela efêmera de sua tocante presença na terra.
Carli, Goiânia, 17/12/2025
“Ontem morreu mais um guerreiro do amor…” – 🎼🎤🎶😢Logo após o falecimento de Bruno, sua amiga Delírio, artista de expressividade ímpar na nossa cena artístico cultural, compôs pra ele este comovente panegírico/obituário que ela performou lindamente na 3a Mostra da OCLAM – espie o vídeo que preparemos e tente não ficar trêmulo de emoção incontida com a potência desta poesia:
“Ontem morreu mais um guerreiro do amor
Sorriso grande, peito largo
Abraço de calor
Era daqueles que se via prazer em falar
Trazer histórias, criar memórias
Por matéria pra instigar
Também se via busca por compreensão
Olhar atento, um bom ouvido
Um ombro de irmão
Porque a troca era sua satisfação
Severino da arte, a serviço da nação
Fooooi tão cedo
Sua partida encheu muitos
Corações de medo
Uma tristeza tomou posse da poesia
Que chorou prantos transbordando sua agonia.”
DELÍRIO
DEPOIMENTO SOBRE “TRAÇO DE GIZ”

Perpassado por tantas inseguranças, angústias e ansiedades fui gestando esta canção que decidi inscrever pra III Mostra da Oclam, sem ter certeza alguma de que conseguiria entregá-la sem soluçar. À beira da vivência estou ainda indeciso. Pode a arte servir ao trabalho do luto? Ele assim se chama pois é mesmo trabalhoso pra caramba o processo de despedir-se de alguém que não está mais vivo. Elaborar na Psiquê o fato, difícil de digerir, que nunca mais vou encontrar Bruno, nem sentir a força tremenda de seu aperto de mão, nem escutar sua bela voz cantando ou o som contagiante de sua gargalhada, nem seus dedos ágeis e hábeis esmerilhando uma guitarra ou violão…
Este pôr-em-obra do vínculo abruptamente rompido pela fúria insana de Artur, este trampo-dum-enlutado marcou meu 2025 e a obra que disso resultou é “Traço de Giz”, que a Azul em Transe acolheu em seu repertório e que Manoel Siqueira me ajudou a desenvolver e desenrolar. Uma canção que não à toa ficou bem grunge, remete ao Acústico do Nirvana ou a certas peças do Pearl Jam ou dos Screaming Trees. Tb tem muito a ver, na minha concepção, com o Temple of the Dog. Se você escutar bem, nas linhas e entrelinhas, vai perceber que é uma música assombrada pelo esquecimento, pelo apagamento, pela angústia de tentar realizar algo no campo das artes mas de sentir um déficit de escuta, uma falta de interação, uma ausência de audiência que se mostre afetada, ou mesmo entusiástica. Ainda assim, o anseio de expressar, afrontando com um traço de giz a tempestade com a qual o céu vem pra lavar nossas precárias obras. Também há uma referência ao blues de Elmore James, “The Sky Is Crying”. Um lamento por nossos traçados de giz que são lavados pela chuva, apagados pelo vento… Zerou.
O fantasma 👻 do Brunão foi meu parceiro nessa canção. Intelectualmente também me aproximei muito ultimamente das espectrologias oferecidas por pensadores que admiro e acompanho: Mark Fisher, Jacques Derrida, Vigotski intérprete do Hamlet de Shakespeare. Eu sou ateu mas acredito piamente em fantasmas: eles são o eco em nós de quem partiu, de quem morreu mas ficou. Se sei que fantasmas existem é pois a morte de Bruno fez dele um em minha mente. O fantasma de Bruno me acompanhou na feitura desta canção que começamos a bolar juntos, no espírito da jam, na varanda de uma Casa de Vidro que sabíamos prestes a ser demolida, sem suspeitar que a própria vida de Bruno também passaria por uma abrupta demolição.
Também precisei do apoio em carne-e-osso de viventes que quero aqui enaltecer, pois sem eles “Traço de Giz” não teria chegado a ser o que hoje imperfeitamente é. A Manoel Siqueira, comparsa na Azul em Transe, com quem fui desenvolvendo o processo de regar a semente cancional que Bruno nos legou, meu muito obrigado pela parceria, amizade e disposição de me apoiar na difícil tarefa de assumir o risco de expor-me artista, pondo todas minhas angústias debaixo de impiedosos holofotes, ainda que só por uma noite. A Fabiano Ito, comparsa de canção na Trupe, que manifestou uma generosidade multifacetada perante esta cria e me insuflou o alento para seguir tentando. A Leon Duarte, sempre solícito em acompanhar este rolê quando seu tempo o permite, e que traz seu talento de musicista para o contrabaixo dos Fritos e de outras loucurinhas que arrodeiam o coletivo artvista. A Léo Vergara, afetuoso e incentivador, que pôde oferecer também palavras e abraços que empurram adiante e à frente alguém que, como eu, só faz cravejado por inseguranças sobre se presta ou não presta. Caminhando com vocês é que vou confiando mais na aventura arriscada de assumir-me artista.
Hoje, agora, o corpo tão vivaz e expressivo que o Bruno era apodrece debaixo da terra, a caminho de ser materialmente um esqueleto num caixão, vítima da fúria passional de Artur, mas aqui entre nós Bruno fez-se espectro fecundo, presente ainda por nosso intermédio. Somos guardiões de sua chama, regamos as sementes que são seu legado, tentamos fazer com que seu breve viver (mas que viver não é breve?) possam ser mais do que um mero desenho traçado a giz na calçada do tempo e que qualquer temporal é capaz de apagar. Pego em tuas mãos, querido fantasma, guerreio contra teu esquecimento, com minhas mãos trêmulas tento tirar a voz da caverna e descer a mão na guitarra para assim te convidar: esteja presente entre nós!…
TRAÇO DE GIZ
TRAÇO DE GIZ
(Eduardo Carli – letra; Bruno Duarte – arranjo de violão; )
Am C Em
G F Em
Se tudo que eu fiz
Mero traço de um giz
Se apagou!
O céu lavou.
Se tudo que eu quis
Foi implantar raiz,
Dar meu grão
Firme no chão.
Um átomo de ardor
Num átimo apagou
Eu sei que tu me diz
Que amei, que fui feliz
O que restou?
Tudo passou?
Eu quis ser um chafariz
Cantar tudo o que senti
Perdurou?
Ou Permeou?
Ao ápice se alçou
Mas logo despencou
Sei que morro um aprendiz
Vivi sempre por um triz
Quem soprou?
Quem soprou?
A candeia que me fiz
Para o breu do existir
É de som, é de som!
Ao espaço se lançou
Mas Ícaro “dançou”
Fiz da angústia chamariz
Escutar-me ninguém quis
Foi em vão? Em vão?
Esses versos que teci
Com a fúria de existir
Posta em som
Escancaradão
Brunão, cê semeou
O que não se aniquilou
(LOW LOW LOW…)
Iágo, cê surtou
E o Canto silenciou…
Sinto que a força motriz
Após tudo que perdi
Vem dos sons
InsPiraSons
Caminhei-me rumo ao fim
E o destino fez de mim
Seu peão
Na imensidão
Um átomo de ardor
Num átimo apagou
Um átomo de amor
No cosmos se alastrou
Se tudo que eu fiz
Mero traço de um giz
Se apagou!
O céu chorou…
Publicado em: 16/12/25
De autoria: Eduardo Carli de Moraes educarlidemoraes
A Casa de Vidro Ponto de Cultura e Centro de Mídia