LUIZ MELODIA (1951-2017) MORREU… VIDA LONGA À MELODIA! Aos 66 anos, cantor e compositor perde a batalha contra câncer na medula óssea

ABUNDANTEMENTE MORTE – Luiz Melodia

Sou peroba
Sou a febre
Quem sou eu
Sou um morto que viveu
Corpo humano que venceu
Ninguém morreu
Ninguém morreu
Ninguém morreu

Tabuletas
Grandes letras feito eu
Abundantemente breu
Abundantemente fel
Ninguém morreu
Ninguém morreu
Ninguém morreu

Conforme fiquei
O tempo me embalava
Se a chuva é mais forte
A enchente levava
Colete de couro
Com fios de nylon
No dia seguinte
O seguinte falhou

A dança da morte
Ninguém frequentava
A cruz a distância
Do povo de nada
Um morto mais vivo
De vida privada
No dia seguinte
O seguinte falhou

OUÇA OS DISCOS:

* Pérola Negra:

* Mico de Circo:

* Felino (1973):

* Maravilhas Contemporâneas (1976):

* Claro (1987):

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CÉREBRO ELETRÔNICO | Gilberto Gil, 1969

“O cérebro eletrônico faz tudo
Faz quase tudo
Mas ele é mudo

O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda

Só eu posso pensar
Se Deus existe (só eu!)
Só eu posso chorar
Quando estou triste (só eu!)

Eu cá com meus botões
De carne e osso
Eu falo e ouço
Eu penso e posso

Eu posso decidir
Se vivo ou morro por que
Porque sou vivo
Vivo pra cachorro e sei

Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
No meu caminho inevitável para a morte
Porque sou vivo
Sou muito vivo e sei

Que a morte é nosso impulso primitivo e sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Com seus botões de ferro e seus
Olhos de vidro…”

200 DISCOS CLÁSSICOS DA MPB NOS ANOS 60, 70 E 80 PARA OUVIR ONLINE (COMPLETOS E EM ORDEM CRONOLÓGICA) [PARTE II]

Os Mutantes

Os Mutantes

Ilustração por Daniel Gnatalli

Ilustração por Daniel Gnatalli

“Sem música a vida seria um erro.”
Nietzsche (1844-1900)

Uma das maravilhas maiores que a Internet nos proporciona é o acesso a uma imensa biblioteca musical. Este baú de tesouros está acessível a qualquer um que se conecte à grande rede digital planetária, mas as pepitas estão dispersas por toda parte e a compilação da fina flor deste acervo gigante exige todo um trampo de garimpagem e coleta. Na intenção de organizar um pouco todo este vasto material musical, A Casa de Vidro apresenta aqui uma seleção com 200 álbuns da música brasileira nas décadas de 60, 70 e 80, todos eles disponíveis para audição na íntegra no YouTube. Obras cruciais na história cultural brasileira estão aí reunidas para degustação livre. A lista vai ser expandida constantemente e as sugestões de vocês são muito bem-vindas. Subam o volume e boa viagem! Apreciem sem moderação!

CLICK AQUI E CONFIRA A PRIMEIRA PARTE DESTE ESPECIAL COM OS 100 PRIMEIROS ÁLBUNS POSTADOS

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  1. Dorival Caymmi
    Eu Não Tenho Onde Morar (1960)
  2. Moacir Santos
    Coisas (1965)
  3. Elis Regina e Zimbo Trio 
    O Fino do Fino (1965)
  4. Sidney Miller (1967)
  5. Caetano Veloso (1968)
  6. Orquestra Afro-Brasileira (1968)
  7. Teatro Arena Conta Zumbi (1968)
    Texto: G. Guarnieri e A. Boal, Música: Edu Lobo (e Vinícius de Moraes)
  8. Os Brazões (1969)
  9. João Donato
    A Bad Donato (1969)
  10. Rita Lee
    Build Up (1970)
  11. Gerson King Combo
    E A Turma Do Soul (1970)
  12. Módulo 1000
    Não Fale Com Paredes (1970)
  13. Novos Baianos
    É Ferro na Boneca (1970)
  14. Vinicius De Moraes, Maria Bethânia & Toquinho
    Ao Vivo em Mar del Plata (1971)
  15. Erasmo Carlos
    Carlos, Erasmo… (1971)
  16. Bango (1971)
  17. Spectrum
    Geração Bendita (1971)
  18. Os Mutantes
    Jardim Elétrico (1971)
  19. Gal Costa
    Fa-Tal (1971)
  20. Clube da Esquina (1972)
  21. Os Mutantes
    E Seus Cometas No País dos Baurets (1972)
  22. Elis Regina (1972)
  23. Elza Soares
    Pede Passagem (1972)
  24. Sá, Rodrix e Guarabyra
    Passado, Presente, Futuro (1972)
  25. Hermeto Pascoal (1972)
  26. Rita Lee
    Hoje É O Primeiro Dia do Resto da Sua Vida (1972)
  27. Gilberto Gil
    Expresso 2222 (1972)
  28. Tom Zé
    Se O Caso É Chorar (1972)
  29. Paulinho da Viola
    Nervos de Aço (1973)
  30. Rita Lee & Lucinha Turnbull: Cilibrinas do Éden (1973)
  31. Nelson Cavaquinho (1973)
  32. Tim Maia (1973)
  33. Airto Moreira
    Free (1973)
  34. Milton Nascimento
    Milagre dos Peixes (1973)
  35. João Donato
    Quem É Quem (1973)
  36. Sá, Rodrix e Guarabira
    Terra (1973)
  37. Flaviola e o Bando do Sol (1974)
  38. Elis Regina e Tom Jobim (1974)
  39. Moto Perpétuo (1974)
  40. Gal Costa
    Cantar (1974)
  41. Som Nosso De Cada Dia
    Snegs (1974)
  42. Altamiro Carrilho e Carlos Poyares
    Pixinguinha De Novo (1975)
  43. Martinho da Vila
    Maravilha de Cenário (1975)
  44. João Bosco
    Caça à Raposa (1975)
  45. Jorge Ben e Gilberto Gil
    Ogum Xangô (1975)
  46. Raul Seixas
    O Novo Aeon (1975)
  47. Gonzaguinha
    Plano de Vôo (1975)
  48. Jorge Ben
    África Brasil (1976)
  49. Rita Lee & Tutti Frutti
    Entradas e Bandeiras (1976)
  50. Terreno Baldio (1976)
  51. Made In Brazil
    Jack O Estripador (1976)
  52. Casa das Máquinas
    Casa de Rock
  53. Banda Black Rio 
    Maria Fumaça (1977)
  54. Elizeth Cardoso, Zimbo Trio e Jacob do Bandolim
    Ao Vivo (1977)
  55. João Gilberto
    Amoroso (1977)
  56. Francis Hime
    Passaredo (1977)
  57. Sônia Santos
    Crioula (1977)
  58. Caetano Veloso e Banda Black Rio
    Bicho Baile Show (1978)
  59. Olívia Byington & A Barca do Sol
    Corra o Risco (1978)
  60. João Nogueira
    Vida Boêmia (1978)
  61. Maria Bethânia
    Álibi (1978)
  62. Beto Guedes
    Amor de Índio (1978)
  63. A Barca do Sol
    Pirata (1979)
  64. Rita Lee (1979)
  65. Lourenço Baêta (1979)
  66. Ângela Ro Ro (1979)
  67. Beto Guedes
    Sol de Primavera (1979)
  68. Gilberto Gil
    Realce (1979)
  69. 14 Bis (1979)
  70. Elis Regina
    Ao vivo no Festival de Montreux (1979)
  71. Lula Côrtes
     O gosto novo da Vida  (1981)
  72. Flávio Venturini
    Nascente (1981)
  73. 14 Bis
    Além Paraíso (1982)
  74. Camisa de Vênus (1983)
  75. Nei Lisboa
    Pra Viajar No Cosmos Não Precisa Gasolina (1983)
  76. Júlio Reny
    Último Verão (1983)
  77. Bacamarte
    Depois do Fim (1983)
  78. Arrigo Barnabé
    Tubarões Voadores (1984)
  79. Ratos de Porão
    Crucificados Pelo Sistema (1984)
  80. Tributo a Torquato Neto
    Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia (1985)
  81. Plebe Rude
    O Concreto Já Rachou (1985)
  82. Garotos Podres
    Mais Podres Do Que Nunca (1985)
  83. Arrigo Barnabé
    Cidade Oculta (1986)
  84. Os Replicantes
    O Futuro É Vórtex (1986)
  85. Cólera
    Pela Paz Em Todo Mundo (1986)
  86. Celso Blues Boy
    Marginal Blues (1986)
  87. Bezerra da Silva
    Alô Malandragem, Maloca o Flagrante! (1986)
  88. Violeta de Outono (1986)
  89. Inocentes
    Pânico em SP (1986)
  90. Ira!
    Vivendo e Não Aprendendo (1986)
  91. Os Paralamas do Sucesso
    Selvagem? (1986)
  92. Blues Etílicos (1987)
  93. TNT (1987)
  94. Picassos Falsos (1987)
  95. Ratos de Porão
    Cada Dia Mais Sujo e Agressivo (1987)
  96. Engenheiros do Hawaii
    A Revolta dos Dândis (1987)
  97. Inocentes
    Adeus Carne (1987)
  98. Os Replicantes
    Histórias de Sexo e Violência (1987)
  99. Picassos Falsos
    Supercarioca (1988)
  100. Joelho de Porco
    18 Anos Sem Sucesso (1988)
  101. Cazuza
    Ideologia (1988)
  102. Cazuza
    O Tempo Não Pára – Ao Vivo (1988)
  103. Os Cascavelletes (1988)
  104. Egberto Gismonti
    Dança de Escravos (1989)
  105. Os Cascavelletes
    Rock’a’Lua (1989)

 ACESSE MAIS 100 ÁLBUNS NA PARTE 1 DESTE POST

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Confira também os usuários do Youtube: Henrique Beira, Marcelo Mara.

Cássia Eller canta Chico Buarque

“Deus é um cara gozador, adora brincadeira
Pois pra me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro
Mas achou muito engraçado me botar cabreiro
Na barriga da miséria, eu nasci brasileiro…”
Chico Buarque de Holanda

Ouça versão de Cássia Eller ao vivo:

Letra completa

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PAULINHO DA VIOLA: Ouça 8 discos completos do sambista e assista ao documentário “Meu Mundo É Hoje”

 

Foi um rio que passou em minha vida [1970]

Paulinho da Viola [1971]

Paulinho da Viola [1971]

A Dança da Solidão [1972]

PAULINHO-DA-VIOLA-E-CARTOLA

Nervos de Aço [1973]

Paulinho da Viola [1978]

Prisma Luminoso [1983]

Eu Canto Samba [1988]

* * * * *

VÍDEOS SELECIONADOS:

DOCUMENTÁRIO: “MEU MUNDO É HOJE”

RODA VIVA – 1989 (TV CULTURA)

VEJA TAMBÉM: DOCUMENTÁRIO SOBRE A PORTELA

AS MÚSICAS PREDILETAS DE PAULINHO DA VIOLA

MAKING OFF DO ACÚSTICO MTV


EM EXCELENTE COMPANHIA: PAULINHO E CLARA NUNES


(“Sinal Fechado” começa aos 16 min)


(“Coração Leviano” – ao vivo)

* * * *

Leia: Tárik de Souza.

VIDA DE ARTISTA – de Itamar Assumpção (De “Pretobras I”, 1998)

VIDA DE ARTISTA
de Itamar Assumpção

(De Pretobras I, 1998)

Na vida sou passageiro
Eu sou também motorista
Fui trocador, motorneiro
Antes de ascensorista
Tenho dom pra costureiro
Para datiloscopista
Com queda pra macumbeiro
Talento pra adventista
Agora sou mensageiro
Além de pára-quedista
Às vezes mezzo engenheiro
Mezzo psicanalista
Trejeito de batuqueiro
A veia de repentista
Já fui peão boiadeiro
Fui até tropicalista
Outrora fui bom goleiro
Hoje sou equilibrista
De dia sou cozinheiro
À noite sou massagista
Sou galo no meu terreiro
Nos outros abaixo a crista
Me calo feito mineiro
No mais, vida de artista.

Abutre da Cultura – por Diego de Moraes

“Oi? Alô?”

Aqui quem fala é o Diego de Moraes, vulgo Diego Mascate.

Hoje é só uma “passagem de som” (ou melhor, de caracteres…) para dar início ao…

 ABUTRE DA CULTURA

Espaço de lampejos esporádicos, divagações aleatórias, divulgações instantâneas e outras viagens mais.

O parça Eduardo Carli me convidou pra ter uma coluna livre aqui na Casa de Vidro, esse não-lugar fronteiriço aberto a pulverizar novidades (do presente e do passado) e a difundir filosofagens (sobre temas tão variados), “plugando consciências no amplificador”. Fiquei honrado com o convite, tanto por gostar tanto do site/blog, como pela gratidão que tenho pelo inestimável apoio do Carli nos últimos anos afim de divulgar minhas “viagens” sonoras/poéticas/etc. – como nos textaços sobre os álbuns: “Parte de Nós” (Diego de Moraes & O Sindicato), “A.C” (Diego Mascate) e o novo  “A Dança da canção incerta” (Pó de Ser), além de infinitos bate-papos permeados por sintonias estéticas e i(deo)lógicas.

Cogitei fazer dessa minha coluna com escoliose uma espécie de “Geleia Geral” – nome do polêmico espaço que Torquato Neto manteve entre 1971 e 1972 no jornal Última Hora (RJ), sintonizando-se a todo um movimento da “contra (ou a favor da…?) cultura” da época. “Geleia Geral” é uma expressão que Torquato copiou (Control C/Control V...) do mestre concretista/semiótico Décio Pignatari (que a criou em 1963 numa pendenga com Cassiano Ricardo, ao expulsá-lo da revistaInvenção), dando-lhe uma dupla-função: nomeou a coluna no jornal e  também batizou uma das mais importantes canções/manifestos da Tropicália, essa famosa parceria desse “anjo torto de Teresina” com Gil:

“Uma poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia”, ligando o “bumba-meu-boi” do folclore nordestino com o iê-iê-iê beatlemaníaco.

 Vai aí um trechinho da coluna torquatêira…. Geleia Geral.jpg

Esse poema foi recitado pelo grande Paulo José num especial preparado pela Rede Globo para o Fantástico, no ano/punk de 1977, por ocasião dos cinco anos do suicídio do poeta.

Pedrada quente com a trilha sonora encabeçada pelo mestre Macao, espia:

  “Poetas imaturos imitam; poetas maduros roubam” (T. S. Eliot)

Torquato “roubou” a “Geléia” do Pig… e eu pensava qual seria o nome da minha coluna aqui… De quem eu “roubaria”?

Até que me aparece no festival de Bowies que virou minha timeline: essa entrevista do mestre para a MTV brasileira em 1997 (Turnê Earthling), na qual ele se auto-define:

“Sou um abutre da cultura.”

Mil faces

Bowie

Pimba! A expressão caiu como uma luva para os propósitos antropofágicos da coluna aqui!

O “abutre da cultura” fica como metáfora para a devoração obsessiva da arte, da poesia e de diversos sabores  lisérgicos e estimulantes.

Do “morto” realimentar a matéria  orgânica do “vivo”. Buscar o “novo”, mesmo que seja no passado, atento ao presente e vislumbrando o futuro, “um museu de grandes novidades”

Ou como escrevi no final de 69:

“A velha-guarda da vanguarda
Anunciando o novo
que é papo velho.”

  • E qual a novidade pra hoje (Sábado, 13/12)?

Uai, hoje participarei em Goiânia do show A SÉTIMA EFERVESCÊNCIA, em homenagem ao MAN Júpiter Maçã (Júpiter Apple) que vai rolar no Evoé, “um lugar do caralho”!

Até saiu essa matéria na capa do DM Revista, ó:

Jupiter no DM

Simbóra lá?!
No próximo post falo mais desse “mosaico de imagens mil”… ok?
Júpiter Evoé.jpg
Inté!
Beijo do magro! 😉

Diego de Moraes