CONFLUÊNCIAS – Festival de Artes Integradas, 4ª Edição: Trip, 23/6, com Chá de Gim, Distoppia, Tião Locomotiva e Veneno, Exposição fotográfica “Caminho do Cerrado”, Discotecagem cannábica

Vem aí a 4ª edição do Confluências: Festival de Artes Integradas, propiciando altas viagens sensoriais e estéticas através de shows, exposição fotográfica, discotecagem cannábica, poesias de autores goianos, livros e HQs à venda, dentre outras atrações.

O evento vai acontecer na Trip (Rua 115e, Setor Sul, Goiânia), no dia 23/06 (Sexta-feira), a partir das 20h, no mesmo dia da Marcha da Maconha – Goiânia 2017. Confira nosso cardápio cultural para a ocasião:

* Shows: Chá de Gim; Distoppia, Tião Locomotiva & Veneno, Laptop Ensemble (Eduardo Kolody & Eufrasio Prates) da BSBLOrk – Orquestra de Laptops de Brasília.

* Exposição fotográfica: O Caminho do Cerrado, de Mel Melissa Maurer, trabalho de cunho artístico e denunciativo sobre a devastação crescente do Cerrado na região da Chapada dos Veadeiros. Conheça: https://ocaminhodocerrado.blogspot.com.br/.

* Feirão de livros e HQs com preços imbatíveis da Livraria A Casa de Vidro.

* Discotecagem: Canções cannábicas, nacionais e internacionais, dos mais variados gêneros musicais, que tematizam e/ou simulam a expansão de percepção e as situações sociais propiciadas pelo consumo da cannabis sativa. Amostras / aperitivos: #1: Quique Neira & Alborosie#2: Bezerra da Silva; #3: Steppenwolf; #4: Amy Winehouse; continua em breve.

Uma produção A Casa de Vidro – Livraria e Produtora Cultural. Siga Confluências no FacebookPágina do evento.

E MAIS:
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►Bazar com livros, CDs e discos de vinis selecionados
►Ambiente seguro
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Local:
Trip Música e Artes – Rua 115-E (entrada) com a 115, Setor Sul.
#entranatrip #trip #tripmusicaeartes
Entrada: R$10

Arte do flyer: Annie Marques

P.S. Em 23 de Junho, há a culminação dos trabalhos do Coletivo Antiproibicionista MenteSativa, organizador da Marcha da Maconha, que promove também a Semana pela legalização – Mente Sativa – eventos de crucial relevância para o debate público e a conscientização cívica, plenamente apoiados pelo Conflu. Conflua também!


SAIBA MAIS / RELEASES


Despontando no cenário rocker de Goiânia, Tião Locomotiva & Veneno, uma dupla de blues-rock turbinado e intenso, tocará nesta Sexta (23/06) na Trip no Confluências #4 – Festival de Artes Integradas. É pra chaqualhar o esqueleto com o groove intenso dos caras! Confira o mais recente videoclipe ao vivo como aperitivo:


A Chá de Gim lançou recentemente a bela “Canção do Futuro”, novidade no repertório da banda e que integrará o segundo álbum de estúdio, o sucessor de “Comunhão” (Ouça: http://bit.ly/2rdpvQU). No Confluências #4 – Festival de Artes Integradas, vocês poderão curtir esta pérola ao vivo e a cores, além de outras maravilhas do cancioneiro da Chá como “Zé”, “Samba Verde” e “Cordeiro do Mundo”. Borá pra Trip na Sexta 23/06 pra apreciar este showzaço?

O quarteto  surgiu no cenário artístico goiano dos últimos anos como uma das mais saborosas novidades ao sintonizar MPB, samba-rock e muita lisergia com letras cheias de lirismo e contestação. A Chá despontou no radar daqueles que estão antenados ao cenário musical de Goiânia com a canção “Zé”, consagrada com o prêmio do júri e do público no Festival Juriti de Música e Poesia Encenada em 2014 [assista à performance: http://bit.ly/2gQJZMl].

Na ocasião, o júri contou com a presença de Jorge Mautner e sob o impulso da premiação a banda pôde gravar este seu vigoroso debut. Uma digna reportagem no Monkeybuzz esclarece um pouco da inserção da Chá de Gim – que sempre marca presença em festivais como Festival Vaca Amarela e Grito Rock – no cenário alternativo de “Goiânia Rock City”:

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Festival Juriti de Música e Poesia Encenada 2014, uma produção da Matuto, durante a premiação do Chá de Gim por melhor música, segundo júri e público, com “Zé” – Fotografia: Layza Vasconcelos

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MONKEYBUZZ: “A rápida ascensão do grupo Chá de Gim deve-se puramente à cena efervescente de Goiânia. Já não é novidade para ninguém que a capital é um dos maiores expoentes brasileiros de revelações nos últimos anos. A sua cena musical é autosustentável e festivais como Bananada e Vaca Amarela são a porta de entrada para que artistas de outros estados possam entender o que parece ser mágico na cidade: o Rock’n’Roll. Nos últimos anos, inúmeros atos romperam o casulo e alcançaram projeção nacional, como Boogarins, Hellbenders, Black Drawing Chalks e Carne Doce, entre outros. No entanto, se cada um cria o Rock à sua maneira, o que parecia estar em evidência na região é a tal da Psicodelia – e é nesse quesito que esta nova banda Goiânia se encaixa perfeitamente.

Formada em 2014 por Diego Wander (vocal e percussão), Alexandre Ferreira (bateria), Bruno Brogio (baixo) e Caramuru Brandão (guitarra), o grupo surpreende pela rápida ascensão(…). Os singles e Samba Verde, no entanto, mostram que existe muita unidade por trás dos sons da banda e um futuro muito interessante pela frente. A mistura traz muito da música brasileira tradicional, como o Samba e o Forró, ao lado de Rock e Psicodelia – adereços que criam maior profundidade e impacto no som criado. (…) Auxiliada por acordes aéreos processados no atraso do delay e combinados a uma percussão marcante, a música torna-se um hit certeiro.” (Txt: Gabriel Rolim)

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Recentemente, a Chá também participou do IV Muvuca Festival, na Praça das Artes, e estivemos lá registrando a vibe no começo do show – sente a brisa do “Samba Verde”:

Relembre também a participação da Chá de Gim na primeira edição do Confluências.


O Distoppia, novidade no cenário do rock alternativo autoral com letras em português, é outra das atrações do Confluências #4. A banda já se apresentou em festivais como o Grito Rock (produção Fósforo Cultural) e já realizou show no Teatro do IFG – câmpus Goiânia. Confiram abaixo duas das canções da banda goianiense, “Morador” e “Alter Ego”:

Com o objetivo em dar vida às composições do vocalista Matheus Damasceno, a banda teve seu início com o intuito de participar de um Festival local (Bouga Fest) no ano de 2013, onde a mesma foi finalista.

Após essa experiência, a banda passou a permear a cena local da cidade e no ano de 2015 lançou duas singles de estréia. Através de amigos de faculdade e da cena musical, a banda passou a contar com uma formação fixa com Matheus Damasceno (vocais e violão), Pedro Guilherme(guitarra), Muryllo Pacheco (bateria), Emerson Fagundes (contrabaixo) e Matheus Guerra – Guitarrista (guitarra).

Desde então, com uma relação de amizade entre os músicos, a sonoridade passou a ser mais solta e a banda passou a se apresentar com mais frequência na cena local, com apresentações significativas no Grito Rock Goiânia (uma produçãoFósforo Cultural) e no Teatro do Instituto Federal de Goiás (IFG) – oficial – câmpus Goiânia.

Distoppia é distinguida pelas influências individuais de seus integrantes que ao se juntarem acabaram criando um belo mosaico sonoro. A intenção da banda é criar uma paisagem auditiva de modo a promover certa transcendência com o ouvinte à medida que ela é somada a poesia de suas canções.

O ano de 2017, marca a estreia do primeiro álbum em estúdio da banda, que além de contar com faixas inéditas, também terá uma regravação da Single ‘Morador”. O álbum esse que será divulgado junto a uma turnê por terras Portuguesas com o selo da Music For All.


O Caminho do Cerrado, impressionante projeto fotográfico de Mel Melissa Maurer, estará em exposição durante o Confluências #4 – Festival de Artes Integradas. Em parceria com a artista, selecionamos 15 das fotografias mais significativas deste projeto e elas irão decorar o ambiente e instigar a reflexão no evento. No vídeo abaixo, confira o making off da primeira etapa desta empreitada artística que tematiza e denuncia a devastação crescente do Cerrado, gerada principalmente pelo agronegócio.

As fotos, protagonizadas por uma modelo que vesta apenas botas e máscara anti-gás, propiciam alertas sobre a aproximação e extensão dessas atividades do agronegócio devastatório por todo o percurso entre Brasília e a Chapada dos Veadeiros. As imagens fazem com que um novo olhar se abra sobre o caminho que o Cerrado, considerado a savana com maior biodiversidade do planeta, e a região da Chapada dos Veadeiros (Patrimônio Natural da Humanidade – UNESCO), vem enfrentando.

A trilha sonora do vídeo é a canção “Não Dá Mais”, de MC Vacy, MC Pato Roco, com participação de Rafael Nunes.

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www.facebook.com/ocaminhodocerrado

Assista:



No Confluências #4 – Festival de Artes Integradas, teremos também Eufrasio Prates e Eduardo Kolody mostrando um pouco do trabalho da BSBLOrk – Orquestra de Laptops de BrasíliaLeia a matéria:

“Tecnologia alinhada à natureza, o Coletivo BSBLOrk utiliza inovação para criar música eletrônica experimental. Criado em 2012, na Universidade de Brasília, o grupo é formado por nove integrantes, entre ex-alunos e professores da UnB. Misto de arte, física e filosofia, a Orquestra de Laptops funciona com um software que transforma os movimentos em frente à webcam em som.

A inovação é resultado de muito estudo. Fruto do doutorado do maestro Eufrasio Prates, o software Holofractal Music é capaz de traduzir as distancias e velocidades dos movimento em frequências sonoras. Cada computador é ligado em uma hemisfera, caixa com vários alto-falantes em 360°. “A pessoa deve ouvir o seu próprio som e estar em harmonia com o do outro”, explica o estudioso. A ideia surgiu a partir de um simpósio de laptops em Louisiana (EUA), em 2012. A Orquestra foi lançada no evento Tubo de Ensaios, da Universidade de Brasília.

São sons da natureza, da vida cotidiana e de outros instrumentos que juntos entram em harmonia para criar algo totalmente novo. O suporte tecnológico utiliza os princípios da física, matemática e da música. “Para tocar um instrumento comum a pessoa precisa estudar, mas tirar som deste exige muito mais conhecimento”, comenta Eufrasio. – LEIA NA ÍNTEGRA



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AMÁVEL MAS INDOMÁVEL – Nota sobre Hilda Hilst

Acusa-de Hilda Hilst​ de “hermética”. Ela seria escritora que escreve difícil e é inacessível à compreensão do comum das gentes. Conexa a esta acusação de hermetismo vem a de certo “elitismo”, já que um texto complexo de decifrar destina-se somente às classes cultas, não só muito bem alfabetizadas mas dotadas também da paciência e do tempo livre que exigem a decifração de escritos que mais parecem hieróglifos.

Se, de fato, há escritos Hilstianos que parecem impenetráveis, temos que rebater aos detratores da escritora que a literatura às vezes ascende a graus de densidade e profundeza que realmente não são passíveis daquela compreensão lépida, apressada, en passant, que é epidêmica na era do Tweet. E que o valor de textos como os de Hilst – alguns deles verdadeiros “palimpsestos selvagens”, para emprestar uma expressão de Beatriz Azevedo​ – também está na possibilidade que eles nos abrem de uma convivência mais demorada, de uma leitura mais ruminante, e daquela arte um pouco esquecida: a da re-leitura, em que voltamos e voltamos ao mesmo texto, re-descobrindo-o a cada nova imersão.

Há um texto de Hilda Hilst que acho particularmente fascinante: “Amável Mas Indomável”, presente no livro “Rútilos” (Ed. Globo, 2003). Aí manifesta-se a potência de uma Hilst altamente lírica e irreverente, capaz de formular interrogações que vão fundo na sondagem das relações do poeta com o poder. Nem hermética, nem apolítica, nem elitista: Hilst revela-se aí alguém de obscena lucidez. Alguém que passou pela escola de Ernest Becker e de Samuel Beckett, re-inventando-os em sua prosa originalíssima.

O protagonista ou eu-lírico de “Amável Mas Indomável” é um poeta: “à noite esperava que a lua habitasse o papel” e “imantado de luar escrevia”. Estas frases, dignas de Olavo Bilac, logo são transtornadas pelo estrondo das perguntas que o tal poeta lançava ao papel, sob uma Debussyana “claire de la lune”:

“É lícito cantar de amor quando o rei é cruel em seu reinado? Se o canto das gentes se juntasse à audácia fremente do meu canto, talvez o rei cruel nem reinasse. E começou a cantar esses versos numa guitarra escura, uns nasais de dentro…” (32)

A questão que não quer calar é a liberdade (ou não) de cantar em uma situação histórica onde reina a crueldade, a tirania, o rei indiferente à miséria geral. Hilda invoca um poeta-cantor, evocando até uma nasalidade Dylanesca, pondo no palco deste escrito uma espécie de personagem folkster que protesta através da audácia de seu canto em sua guitarra escura. O que diz a canção? Irreverências questionativas.

“É rei ainda se na miséria nunca se demora?
É rei se foge de nós?” (p. 32)

O canto dirige-se àqueles que tem a mesa vazia e os estômagos roncando de fome. O poeta-cantante faz-se um pouco didático, pedagógico, ensinando caminhos para cultivar o “fruto-futuro”. O poder da palavra é afirmado como superior ao poder da espada. Idealismo de trabalhador do verbo? Exagero de quem quer crer que versos e cantares podem derrubar tiranos? Ouçamos sem pressa e com empatia:

“…se esse fruto-futuro se colar à tua carne, vão nascer palavras aí de dentro, extensas, pesadas, muitas palavras, construção e muro, e adagas dentro da pedra, sobretudo palavras antes de usares a adaga, metal algum pode brilhar tão horizonte, tão comprido e fundo, metal algum pode cavar mais do que a pá da palavra, e poderás lavrar, corroer ou cinzelar numa medida justa. Tua palavra, a de vocês muitas palavras pode quebrar muitos bastões de ágata, enterra então brilhos antigos, mata também o opressor que te habita, esmaga-o se ele tentar emergir desse fruto de carne, nasce de novo, entrega-te ao outro. Versos de Lu, cantoria e veios velhos da terra renascendo em lava, de Lih, foram escutados longe, nuns esquecidos de mundo, nuns charcos, nuns imundos barrancos, no barraco de esteira e barro de tantos, perguntas com a cor rebrilhosa das estrelas, é rei se foge de nós? é rei se na miséria nunca se demora? e estribilhos novos: é rei se não chora conosco? se não morre com seu povo?” (p. 33)

Se esta linguagem Hilstiana soa esquisita é pois derrama-se sobre o papel como a lava vulcânica de um fluxo de consciência que não é mera permissão para um derrame cerebral, não é mera “escrita automática” onde registra-se tudo o que dá na telha, é mais que isso: é trabalho em prol da intensidade. Hilda Hilst, aprendiz com os grandes compositores, sabe fazer como Tchaikovsky ou Dvórak, ou seja, infunde à sua linguagem altas doses de intensidade.

Sua prosa-poética atinge assim, nos seus melhores momentos, o teor de explosividade de um Rimbaud ou um Lautréamont. E qualquer acusação de hermetismo elitista lançado contra Hilda Hilst esboroa-se diante de frases como “mata também o opressor que te habita, esmaga-o se ele tentar emergir desse fruto de carne”!

Ao fim de “Amável Mas Indomável”, “Lih de todos, no percurso, convidou pássaros e gentes, repartiram arroz e grãos, e uma tarde diante do rei cantaram com a voz das sementes. Mas ao redor de reis há sempre um corpo amedalhado, metais e botas, rigidez e cercados, farpas, facas, e orelhas rasas distorcendo o fundo das palavras, e o canto de Lih ouvido por esse Corpo Tosco se assemelhou a taturanas dentro de um cubo d’água… No fim da tarde, o Tosco espelhou-se no sangue de todos que cantaram. O Tosco, ereto sim, mas eternamente porco. Os ventos trazem a cada ciclo o aroma de Lih junto a essa gente, ensaiam uns nasais de dentro, um murmúrio-memória, exercitam-se duros agora para a grande batalha.” (p. 34)

A crueldade e o derramamento de sangue mostram-se às claras: o rei e seu séquito de toscos servidores põe sua máquina mortífera para aniquilar aqueles que cantam com a voz das sementes. O texto acaba soando como uma manifesto contra os brutos, um lírico protesto contra os brucutus, rasos em seu trato com a palavra e com todos aqueles que lavram o verbo esculpindo beleza. A gente comum, tratada como arraia-miúda ou bucho-de-canhão por aqueles que, no poder, arrumam suas coroas olhando-se em espelhos de sangue, é aquela que precisará não só da fúria das espadas e adagas, mas da solidariedade que também pode ser facilitada e galvanizada pelos poderes da música e da poesia.

A gente precisará do canto comunal, da voz das sementes e da disposição para uma grande batalha. A gente precisará aprender que a bruteza dos cruéis não pode ser confrontada com a mesma bruteza por parte dos oprimidos, mas que teremos que aprender a fazer emergir, de dentro e do fundo, um rugido de leão libertário nascido do peito daqueles que souberam cultivar o fruto-futuro.

Hilda Hilst deu-nos um emblema de si mesma: amável, mas indomável. Sejamos isso – amáveis e indomáveis – em nossos cantares e batalhas?!?

– Eduardo Carli de Moraes​
10/03/2017


NA LIVRARIA A CASA DE VIDRO:
Click na capa para abrir na Estante Virtual e saber mais.
Todos eles editados pela Ed. Globo.

CantaresO caderno rosa

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SIGA VIAGEM:

HILDA HILST MUSICADA

Ode descontínua e remota para flauta e oboé de Ariana para Dioniso

Poemas de H. Hilst musicados por Zeca Baleiro. Intérpretes (na ordem das faixas): Rita Ribeiro, Verônica Sabino, Maria Bethânia, Jussara Silveira, Ângela Ro Ro, Ná Ozzetti, Zélia Duncan, Olívia Byinton, Mônica Salmaso, Ângela Maria.

DOWNLOAD DO ÁLBUM COMPLETO


Alice Caymmi declama:

HILDA HILST – Erupções poéticas de obscena lucidez

HILDA HILST (1930 – 2004)

Por que me fiz poeta?
Porque tu, morte, minha irmã,
No instante, no centro
de tudo o que vejo.

Me fiz poeta
Porque à minha volta
Na humana idéia de um deus que não conheço
A ti, morte, minha irmã,
Te vejo.

* * * * * *

Os cascos enfaixados
Para que eu não ouça
Teu duro trote.
É assim, cavalinha,
Que me virás buscar?
Ou porque te pensei
Severa e silenciosa
Virás criança
Num estilhaço de louças?
Amante
Porque te desprezei?
Ou com ares de rei
Porque te fiz rainha?

Da Morte. Odes Mínimas


hildinha

DO DESEJO 

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.

* * * * *

ENQUANTO FAÇO O VERSO

Enquanto faço o verso, tu decerto vives.
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo.

Contempla o teu viver que corre, escuta
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.
Enquanto faço o verso, tu que não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.

O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:
“Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas”.
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:

MORRE O AMOR DE UM POETA.

E isso é tanto, que o teu ouro não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto.


Hilda

Recomendamos a edição da revista Cadernos de Literatura Brasileira do IMS dedicada à Hilda Hilst. Originalmente publicada em 1999, a revista inclui entrevista com a escritora, estudos de especialistas, depoimentos de amigos, fotografias variadas, dentre outras atrações. Confira!


4 POEMAS NA VOZ DA AUTORA


“Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.”

Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão


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Poemas de H. Hilst musicados por Zeca Baleiro. Intérpretes (na ordem das faixas): Rita Ribeiro, Verônica Sabino, Maria Bethânia, Jussara Silveira, Ângela Ro Ro, Ná Ozzetti, Zélia Duncan, Olívia Byinton, Mônica Salmaso, Ângela Maria.

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Alice Caymmi declama:

André Dahmer: “A Cabeça É A Ilha” – Antologia com 238 tiras [LIVRARIA A CASA DE VIDRO]

“A CABEÇA É A ILHA” – André Dahmer
>>>  (R$15 + frete @ A Casa de Vidro)

Criador do fenômeno dos quadrinhos “Malvados”, André Dahmer nasceu no Rio de Janeiro, em 1974, é pintor e quadrinista. Neste livro, com prefácio de Arnaldo Branco, Dahmer sonda a solidão, o desencontro e a incompreensão em suas múltiplas formas. Nesta antologia de 238 tirinhas em preto-e-branco, repletas de sarcasmo e poesia, Dahmer revela um mundo em que “os solitários são muitos e estão em todos os lugares. Seguem morrendo aos poucos nos bares e dentro de quartos, varando madrugadas sinistras com a ajuda da pornografia em banda larga e álcool. Eles estão nos cinemas, comendo pipoca sozinhos. Despercebidos, os solitários se arrastam pelos labirintos da timidez ou vivem de um sentimento permanente de estranheza diante do mundo, com toda razão: é que hoje em dia o amor é artigo raro e a indiferença é vendida, aos borbotões, como moderno (e único) modelo a ser seguido. ‘A Cabeça É A Ilha’ é um livro para esses seres estranhos, gente que conversa com os outros olhando para o chão. Para os que falam sozinhos, bêbados em seus apartamentos. Para os que os olham para os edifícios altos como uma saída digna para o sofrimento. Não que o livro vá curá-los de toda angústia… mas rir da própria dor é uma forma de domesticar nossos monstros e aceitar nossa fragilidade diante do abandono, da indiferença…” (André Dahmer, prefácio, p. 8-9)

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ROSA LUXEMBURGO (1871 – 1919): “Quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem.” [LIVRARIA A CASA DE VIDRO]

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ROSA LUXEMBURGO (05 de Março de 1871 – 15 de janeiro de 1919)

>>>>>> Livraria A Casa de Vidro: “Reforma ou Revolução?” (Expressão Popular) – https://www.estantevirtual.com.br/…/rosa-luxemburgo-1871-19…

PANFLETO JUNIUS: “Violada, desonrada, esvaindo em sangue, emanando sujeira – eis aí a sociedade burguesa. Assim ela é. Não é totalmente imaculada e moral, com pretensões à cultura, à filosofia, à ética, à ordem, à paz e ao primado da lei – mas uma besta voraz, uma praga na cultura e na humanidade. Assim se revela em sua verdadeira forma… O imperialismo e sua brutalidade política, e a sequência de catástrofes que desencadeou, são sem dúvida uma necessidade histórica para as classes dominantes do mundo capitalista. Nada seria mais fatal para o proletariado do que se iludir, acreditando que é possível, após essa guerra, resgatar a continuação idílica e pacífica do capitalismo. A conclusão que o proletariado deve tirar da necessidade histórica do imperialismo é de que se render a ele significará viver para sempre à sua sombra vitoriosa e comer de seus restos.

É nossa força, nossa esperança, que são ceifadas dia após dia, como a relva sob a foice. (…) As melhores forças do socialismo… a vanguarda de todo o proletariado…. são esses que estão agora sendo estropiados e conduzidos ao matadouro. Trata-se de um ataque não contra a cultura burguesa do passado, mas contra a cultura socialista do futuro, um golpe letal contra aquela força que traz em seu bojo o futuro da humanidade, e é a única capaz de conduzir os tesouros preciosos do passado para uma sociedade melhor. Aqui o capitalismo expõe sua caveira assustadora; aqui ele revela o fato de que sua lógica histórica está esgotada; sua dominação contínua já não é conciliável com o progresso da humanidade.

Proletários do mundo, uni-vos!”

* * * *

(Wikipédia: Rosa Luxemburgo publicou o Panfleto Junius na Suíça em abril de 1916, o qual foi distribuído secretamente na Alemanha. O texto, também conhecido como A Crise na Social Democracia Alemã foi iniciado na prisão em fevereiro de 1915. Foi adotado como declaração política fundamental do Grupo Internacional, mais conhecido como Liga Espártaco, que tornou-se um dos elementos do Partido Comunista da Alemanha em janeiro de 1919.)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Junius

NA LIVRARIA >>>

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Reforma Ou Revolução?
Rosa Luxemburgo (1871 – 1919)

Tipo: novo

Editora: Expressão Popular

Ano: 2015

Estante: Ciência Política

Peso: 400g

Idioma: Português

Cadastrado em: 05 de março de 2017

Descrição: ‘O capitalismo se torna, cada vez mais, um sistema organizado, capaz de banir conflitos e crises. Para que, então, falar em revolução?’ Quem ainda não ouviu essa cantiga, martelada todos os dias pela classe dominante e suas crias? Este texto de Rosa Luxemburgo, publicado em 1900, é uma arrasadora crítica da sempre repetida tese de que a revolução é desnecessária, pois se poderia chegar ao socialismo através de reformas graduais do capitalismo.

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A acumulação do capital : estudo sobre a interpretação econômica do imperialismo
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A vida de Carolina Maria de Jesus, autora de “Quarto de Despejo”, em quadrinhos – Saiba mais @ A Casa de Vidro Livraria

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SINOPSE – Carolina Maria de Jesus foi um dos grandes fenômenos literários do Brasil nos anos 1960. Seu livro de estreia, Quarto de Despejo, ficou no topo da lista de mais vendidos e foi publicado em mais de 13 países. Negra, pobre, moradora da favela do Canindé, zona norte de São Paulo, e mãe de três, Carolina narrava no livro seu cotidiano na favela. Foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, que a ajudou a publicar o trabalho. A história de luta, fama e declínio de umas das mais marcantes vozes femininas da literatura brasileira está em Carolina, biografia em quadrinhos de João Pinheiro e Sirlene Barbosa. O livro narra sua infância pobre em Minas Gerais, sua vida sofrida em São Paulo, a fama, as ilusões, as decepções e o esquecimento. 128 páginas. Sirlene Barbosa é doutoranda em Educação pela PUC-SP e professora de língua portuguesa. João Pinheiro é artista visual e autor de histórias em quadrinhos, publicou os álbuns Kerouac (2011, Devir) e Burroughs (2015, Veneta). Já colaborou para revistas como Hipnorama (Argentina), Inkshot (Eua), Serafina, Rolling Stone e Bill.

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“Embora em princípio qualquer um possa fazer literatura ou fazer política, o reconhecimento de um discurso como literário ou como político passa pela adequação aos códigos consagrados no campo. (…) Tomando como base os romances publicados pelas editoras de maior prestígio entre 1990 e 2004, verifica-se que 93,9% dos autores são brancos, 78,8% têm diploma universitário, 72,7% são homens. As personagens também são quase todas brancas, heterossexuais e pertencentes às elites econômicas ou às classes médias, com uma significativa maioria do sexo masculino, disparidades acentuadas quando são isolados os protagonistas. Num universo de 258 romances analisados, aparecem apenas 3 mulheres negras como protagonistas e uma única é narradora. Nesse cenário, surgem, vez por outra, vozes diferenciadas. O caso mais emblemático é o de Carolina Maria de Jesus, negra, pobre, favelada, mãe solteira, catadora de papel, descoberta por um jornalista e que publicou seu diário – Quarto de Despejo – em 1960.” (LUIS FELIPE MIGUEL, Democracia e Representação, Ed. Unesp, p. 228-29) – SAIBA MAIS

OUÇA:
Carolina Maria de Jesus – Quarto de Despejo (1961) Álbum Completo

VEJA:
Poética da diáspora – Pesquisa Fapesp

BOB MARLEY: Guerreiro Rasta

Daniel Pereira

Um dos muitos méritos desta graphic novel dos argentinos Diego Agrimbau (roteiro) e Dante Ginevra (desenhos) está em sua capacidade de revelar a enorme dimensão social, espiritual e artística de Bob Marley. Nascido em 1945, numa Jamaica que lutava para se libertar do domínio colonial inglês, Bob Marley viveu apenas 36 anos, mas tornou-se uma figura de notoriedade e relevância mundial, a ponto de produzir milhões de seguidores. Isto não se deve somente ao seu talento como cantor, compositor e músico, mas à força e à resiliência de sua mensagem à humanidade.

Estátua no Estádio Nacional de Kingston

Reggae’s most transcendent and iconic figure, Bob Marley was the first Jamaican artist to achieve international superstardom, in the process introducing the music of his native island nation to the far-flung corners of the globe. Marley’s music gave voice to the day-to-day struggles of the Jamaican experience, vividly capturing not only the plight of the country’s impoverished and oppressed but also the devout spirituality that remains their source of strength. His songs of faith, devotion, and revolution created a legacy that continues to live on not only through the music of his extended family but also through generations of artists the world over touched by his genius. – Jason Ankeny

Guerreiro Rasta não começa ao som de ska ou reggae, mas em chave mais trágica, evocando a África, onde as caravelas invasoras do imperialismo europeu vieram sequestrar milhões de seres humanos para o destino horrendo de escravizados. Filhos da diáspora, os afrodescendentes da Jamaica lutavam por independência e autonomia enquanto Bob Marley crescia: é no período entre 1958 e 1962 que a onda descolonizadora do Caribe ganha força e triunfa contra o império inglês, não só na Jamaica, mas também em Trinidad e Tobago.

Na capital da Jamaica, Kingston, os autores evocam de modo impressionante a presença da África, seja através do mega evento cívico que foi  a visita do imperador da Etiópia, Hailê Selassiê, em abril de 1966, seja no próprio cotidiano dos cultuadores de Jah, os rastafáris da sagrada ganja, tão perseguidos pela elite branca e que com tanta frequência tinham seus dreadlocks cortados e tomavam cruéis baculejos policiais.

Bob Marley até tentou migrar para os EUA – onde trabalhou em Delaware como operário da indústria automobilística em uma fábrica da Chrysler – mas retomou o caminho de Trenchtown: em uma das imagens mais memoráveis de Dante Ginevra, o avião de Marley decola nos Estados Unidos, ascendendo rumo a um céu onde paira, cheio de garbo e poder, desenhado pelas nuvens em interação com os raios de sol, um gigantesco Leão de Judá

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 Bob Marley permitiu que a criatividade de um país periférico conquistasse o globo e tornou-se um dos luminares não só da música reggae ou da religião rastafári, mas um ídolo popular em todas as latitudes onde há luta contra a opressão e em prol da paz e do amor. Filho de uma afro-jamaicana com um branco inglês, Bob Marley foi um mulato afroamericano de profundo enraizamento na cultura africana e no sonho de um retorno à África mãe, seja na Etiópia ou na Libéria (este é um ethos ou uma constelação afetiva que assemelha Bob Marley a Nina Simone).

Apesar de estar longe de ser uma figura teórica ou acadêmica, Marley tinha postura política convicta e aliou-se ao movimento do pan-africanismo propugnado por Marcus Garvey, evidente em uma canção como “Africa Unite”. Em sua meteórica carreira musical foi um porta-voz libertário cujo teor ideológico e raio de influência sobre as massas pode ser equiparado ao de figuras como Patrice Lumumba, Malcolm X, Martin Luther King, Fela Kuti etc.

Bob Marley & the Wailers
“Concrete Jungle”
The Old Grey Whistle Test, 1973

Suas letras repletas de crítica social transcenderiam o gueto e iriam muito além das fronteiras do reggae: iriam inspirar artistas do folk, do rock, do punk, da MPB, da world music etc. Não é possível imaginar nem o The Clash, nem Gilberto Gil, nem Manu Chao, sem a seminal influência de Bob Marley. O poder de sua arte é tamanho pois conjuga o anúncio e a denúncia, para lembrar Paulo Freire: Marley fala sobre one love em vibe similar à de John Lennon imaginando a brotherhood of men, mas também denuncia a “selva de concreto” (assista a “Concrete Jungle” assista) e os mais de “400 Years” de opressão imperialista sobre aqueles que foram roubados de sua terra nos “merchant ships” evocados por “Redemption Song”:

“Velhos piratas, sim, eles me roubaram.
Me venderam para os navios mercantes, 
Minutos depois me atiraram
Num buraco sem fundo…”

Guerreiro Rasta é uma leitura rápida mas que deixa rastros na memória; uma biografia em formato graphic novel de 60 e poucas páginas, mas que ensina uma imensidão neste curto intervalo de tempo e espaço. Ganham expressão nestas páginas toda a violência política nas ruas de Kingston e todo o esforço pacifista-diplomático de Marley; toda a trajetória dos Wailers, tendo como coadjuvantes importantes Peter Tosh e Lee Perry, de estrelas musicais locais a popstars idolatrados por Eric Clapton, Mick Jagger, Joe Strummer; toda a epopéia da diáspora, todos os horrores impostos pelo imperialismo racista e supremacista, em contraste com a sabedoria naturalista, cannábica, rasta-pacifista, desse liberador de mentes e encantatório musicista que foi Bob Marley.

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No cinema, sua vida e obra já ganharam belos retratos em filmes como Rebel Music ou na biopic documental de Kevin MacDonald. Porém a linguagem dos quadrinhos, aqui utilizada com maestria pelos hermanos argentinos, fornece uma impressionante oportunidade de imersão no microcosmo Marleyano. Na página 53, por exemplo, evocam-se em 5 míseros quadrinhos e um punhado de frases pungentes o dia em que a Jamaica enterrou Bob Marley. É uma página que não se esquece mais.

Era um “funeral de chefe de estado, com uma cerimônia que misturava as tradições rastafári e católica ortodoxa etíope. O caixão seguiu  um longo trajeto até sua terra natal, Nine Mile. Toda a Jamaica chorou a partida de seu filho pródigo. Em seu túmulo, foram colocados quatro objetos que representavam o que sempre foi importante para ele… o futebol, a música, a fé rastafári e a maconha. Nessa noite, toda a ilha cantou e dançou celebrando sua vida. Foi a melhor festa funerária que um rasta poderia esperar.”

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OUÇA…

burninBURNIN’ (1973)

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“SURVIVAL” (1979)

“Containing what is considered Marley’s most defiant and politically charged statement to date, Survival concerns itself with the expressed solidarity of not only Africa, but of humanity at large. The album was controversial right down to the jacket, which contains a crude schematic of the stowage compartment of a typical transatlantic slave ship. Survival is intended as a wake-up call for everyman to resist and fight oppression in all of its insidious forms. From Tyrone Downie’s opening synthesizer strains on “So Much Trouble in the World” to the keyboard accents emerging throughout “Zimbabwe,” the sounds of Survival are notably modern. The overwhelming influence of contemporary African music is also cited with the incorporation of brass, á la Fela Kuti and his horn-driven Africa ’70. While “Top Rankin’,” “Ride Natty Ride,” and “Wake Up and Live” are the most obvious to benefit from this influence, there are other and often more subtle inspirations scattered throughout. Survival could rightly be considered a concept album. Marley had rarely been so pointed and persistent in his content. The days of the musical parable are more or less replaced by direct and confrontational lyrics. From the subversive “Zimbabwe” — which affirms the calls for the revolution and ultimate liberation of the South African country — to the somewhat more introspective and optimistic “Africa Unite,” the message of this album is clearly a call to arms for those wanting to abolish the subjugation and tyranny of not only Africans, but all humankind. Likewise, Survival reinforces the image of Marley as a folk hero to those suffering from oppression.” – Lindsay Planer, AllMusic [http://www.allmusic.com/album/survival-mw0000194795]

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