“UM ELEFANTE NO CAOS”, uma peça de Millôr Fernandes [#LivrariaACasaDeVidro]

Na Livraria A Casa de Vidro:
“Um Elefante no Caos”, de Millôr Fernandes

Peça de teatro anárquica e satírica, escrita por Millôr nos anos 1950, com o subtítulo “Por que me ufano do meu país” (irônica referência a Afonso Celso). Passa-se em um apartamento que está em permanente estado de incêndio, com bombeiros que não conseguem apagar o fogo e onde há racionamento constante de água. O momento é de instabilidade política: um golpe de estado instaura lei marcial, e todos os barbudos estão sendo assassinados sumariamente por supostamente pertencerem ao Partido Terrorista. Neste contexto, emerge o caso de amor, turbulento e incendiário, entre Paulo e Rosa, em meio ao caos completo de um país em crise (e onde ainda pode-se enriquecer com o jogo-do-bicho). Revelando talento dramatúrgico nesta ópera-buda tupiniquim, Millôr Fernandes, com esta peça, evoca mestres como Bernard Shaw, Maiakóvski, Oswald de Andrade, as comédias de William Shakespeare – mas tudo com sabor de Pasquim e de dadaísmo em carioquês.

* * * * *

Em um prefácio em que relata a censura que sofreu, em especial por seu sarcasmo em relação ao ufanismo cego e bestalhão, Millôr Fernandes deixa claro que sua peça é também um soco no estômago da estupidez institucionalizada e propagada pela mídia de massas. “Sem sombra de dignidade profissional, artistas, jornalistas e, sobretudo, ‘produtores’ de televisão (falo muito destes e não canso de me referir a eles, pois esses homens têm na mão um meio de divulgação da mais extrema potência) não têm vergonha de apresentar ao público espetáculos degradantes como caráter, humilhantes como representação geral do nível artístico do país em que vivemos e perigosíssimos no sentido de que uma massa de estupidez muito grande acaba embotando mesmo o potencial de inteligência mais privilegiado.

Apesar, porém, desse quadro negro de uma cúpula desvairada e grossa e de uma multidão abandonada a seu próprio destino, havia ainda ali, naquele verão de 1955, uma considerável energia vital, uma exaltada alegria de viver mais ou menos geral, acentuada, aqui e ali, num e noutro indivíduo ainda mais possuído do gozo pleno de um extraordinário senso lúdico. Estávamos no último, ou num dos últimos redutos do ser humano. Depois disso viria o Fim, não, como tantos pensavam, com um estrondo, mas com um soluço. A densa nuvem desceria, não, como tantos pensavam, feita de moléculas radioativas, mas da grosseria de todos os dias, acumulada, aumentada, transmitida, potenciada. O homem se amesquinharia, vítima da mesquinharia de seu próprio irmão, cada dia menos atento a um gesto de gentileza, a uma raio de beleza, a um olhar de amor desinteressado, a um instante de colóquio gratuito, a um momento de paz, a uma palavra dita com a beleza da precisa propriedade…” (Millôr, Rio, 1962)

* * * * *

A peça foi premiada como a Melhor do Ano em 1960 pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Está repleta de ironias em relação ao capitalismo à brasileira, tal como se manifesta nos classificados dos jornais. Inicia-se com um telão onde representam-se páginas do Jornal do Brasil repletas de anúncios de “vende-se”, “precisa-se” e “empregos”, mas escritos com a verve escarninha de Millôr: “troca-se uma loura que eu deixer lá por uma morena que esteja aqui”; dentadura anatômica: quem já não precisa sorrir para ninguém vende”; “zero quilômetro: automóvel dourado, com rodas de veludo e três louras sem inibição; masoquista troca por carrinho de mão em bom estado.” (p. 26)

Em certo momento da peça, o personagem Paulo ironiza o Jornal do Brasil: “Vejamos. EMPREGOS VÁRIOS. ‘Precisa-se de rapaz, ativo, para cargo de brilhante futuro.’ ‘Necessita-se pessoa de qualquer sexo para iniciar esplêndida carreira técnica ou artística.’ ‘Procura-se pessoa de boa apresentação para oportunidade única. Possibilidades excepcionais.’ Isto não é jornal, é utopia! Por que não anunciam a verdade? ‘Precisa-se de um homem na força de seus dias, no máximo de sua capacidade, para a exploração total de todos os seus recursos, com um mínimo de pagamento, com o qual apenas possa se manter vivo até ser substituído por outro com mais força e mocidade!’ (p. 78)

O casal Paulo e Rosa conheceu-se “no carnaval, essa orgia memorável em que anualmente três mil moças se perdem”. No carnaval, “cometeram o pecado antigamente chamado original” e que “hoje, de original só tem mesmo o estilo de cada um.” Disto resultou um feto crescendo na barriga de Rosa e a dificuldade financeira de Paulo, que pensou em entrar para um movimento revolucionário na expectativa (alucinada) de algum lucro imediato.

A mãe de Paulo, no apartamento em chamas, dá o resumo da situação política caótica: “nenhum governo se aguenta mais de 15 dias agora. Depois de demitirem o primeiro, criou o hábito. É golpe, contragolpe, golpe branco, golpe armado…” (p. 57)

Trucidando o ufanismo a golpes de sarcasmo e de cenas surreais, Millôr criou em “Um Elefante no Caos” uma espécie de emblema do Brasil virado pelo avesso – em que a bandeira traz sim o dístico Ordem e ProgrESSO, mas tudo conspira a favor das empresas petroleiras, das cúpulas elitistas e estúpidas, da já vigente “lei de Gerson” (avant la lettre).

Em 1978, o autor adiciona um post scriptum à sua peça: “apesar de escrita em 1955, encontra-se proibida pela censura desde 1971. Os dons de previsão do autor, ao que parece, deram para que criticasse até as mazelas de um regime que ainda não existia. Ou serão sempre as mesmas?” (p. 133)

RESISTIR É PRECISO: A imprensa alternativa e clandestina durante a ditadura – Um projeto do Instituto Vladimir Herzog

Em 1º de abril de 1964, as forças que se opunham ao aprofundamento da democracia social e econômica em curso no Brasil consumaram sua cartada mais radical, a tomada do poder pelas armas. Um mês depois, o jornalista Millôr Fernandes  lançava a revista PifPaf e indagava, na capa de um dos primeiros exemplares: “Mas afinal, o que é a liberdade?”

A pergunta pairou no ar nos vinte anos que se seguiram. Na busca por respostas, milhares de jornalistas, intelectuais e ativistas políticos acabaram por fazer da palavra impressa uma das armas mais poderosas de combate à ditadura militar, à desigualdade social, à opressão, ao discurso moralista que mascarava a hipocrisia e o autoritarismo dos que assaltaram o Estado em nome da velha ordem.

Entre 1964 e 1979, o ano em que as forças democráticas conquistaram a anistia, centenas de publicações produzidas à margem dos aparatos institucionais de comunicação deram voz à resistência política e cultural no Brasil. Disputaram palmo a palmo o campo simbólico em que os donos do poder tentavam legitimar a dominação pela força. Enfrentaram a truculência da censura e da perseguição policial. E conseguiram se impor graças à capacidade de inovar não apenas a agenda temática, mas a própria linguagem e os códigos formais com que se expressava o debate público no país.

A história dos jornais alternativos, clandestinos  e produzidos no exílio nesse período está sendo reconstruída pelos pesquisadores e jornalistas do Instituto Vladimir Herzog, no projeto “Resistir é preciso”. Aqui neste site, ela é contada pelos próprios protagonistas, em dezenas de depoimentos registrados em vídeo. E é ilustrada pelas capas das edições mais significativas de cada uma dessas publicações, acompanhadas por textos que resumem suas trajetórias.

Reunimos aqui também uma coleção de cartazes produzidos por artistas gráficos que colaboraram intensamente com a imprensa da resistência. Resgatamos ainda exemplos precursores de jornalismo combativo, como os pasquins do século 19, os jornais libertários do início do século 20, as publicações de partidos e organizações que influenciaram pela esquerda o processo político no período anterior ao golpe militar.

O que tudo isso tem em comum? A inscrição no DNA de uma convicção expressa por Millôr Fernandes, com quem abrimos e fechamos esta apresentação: “jornalismo é oposição; o resto é armazém de secos e molhados”.

* * * * *

CONHEÇA OS PROTAGONISTAS DESTA HISTÓRIA

Protagonistas
A História narrada na primeira pessoa, por quem a fez e viveu com intensidade um dos períodos mais ricos e conturbados da imprensa brasileira. O projeto “Resistir é Preciso…” recolheu sessenta depoimentos de jornalistas e militantes políticos que combateram a ditadura militar armados de máquinas de escrever, mimeógrafos e impressoras offset. De quebra, ajudaram a revolucionar a linguagem, os métodos e as práticas do nosso jornalismo. Nesta página, você encontra uma breve biografia de cada um dos protagonistas. E ao clicar nos links embutidos nas fotos, você navegará por um mar de histórias saborosas, divertidas e dramáticas que registramos em vídeo. Boa viagem!

* * * * *

Da ideia inicial de elaborar um livro diferenciado e pioneiro até o envio para a gráfica foram 90 dias de trabalho incansável de uma equipe que se comportou como se estivesse numa alegre e saudável linha de montagem, tal o entrosamento entre a pesquisa, as possibilidades do texto, a direção de arte e os cuidados de cada escolha para o encaixe perfeito, nas páginas duplas, das 340 ilustrações escolhidas com base em dois critérios aparentemente contraditórios: o rigor histórico e a liberdade jornalística.

Participaram diretamente desta aventura de final feliz: o editor de contexto, José Luiz Del Roio, o editor de pesquisa, Vladimir Sacchetta, o editor de texto, José Mauricio de Oliveira e o jornalista Carlos Azevedo, como consultor, Kiko Farkas e sua sofisticada direção de arte, junto com Mateus Valadares, a historiadora Juliana Sartori, a jovem jornalista Paula Sacchetta e o pesquisador Luis Zimbarg, sob a coordenação da minha eterna curiosidade.

São quatro capítulos que obedecem a uma linha editorial muito clara. É dado o justo destaque a uma publicação historicamente importante e, na página espelhada, encaixamos as capas dos jornais ou revistas que ajudam a compor um formidável caleidoscópio, suficiente para explicar aquela fração de realidade, sempre do ponto de vista do jornalismo. Ao lançar uma publicação alternativa, de oposição, no exílio ou mesmo clandestina, o jornalista cria também um caldo de cultura fundamental para entender a história recente do Brasil, sem os filtros da análise mais tradicional.

Temos até a ousadia de dizer que está todo mundo aqui, como joias raras que finalmente ganham o palco e o reconhecimento. Uma delas é o Jornal do Subiroff, editado em 1920 por um filho dileto da burguesia paulista, que surpreende em todos os quesitos: criatividade, atrevimento e humor.

Dá gosto abrir o capítulo Imprensa Alternativa com o PifPaf, ousadia de Millôr Fernandes, que colocou nas bancas a sua revista semanas depois do golpe de 64 e deu no que deu.

O capítulo sobre a imprensa clandestina deixa claro, pelos fac-similes apresentados, a enorme dificuldade de fazer e distribuir publicações que, em muitos casos, eram o único oxigênio possível para o contato entre militantes de organizações estraçalhadas pela ditadura.

No capítulo Imprensa no Exílio estão as publicações que, feitas por brasileiros exilados, correram mundo denunciando os desmandos do golpe militar.

Este material foi reunido em 34 anos de paciente trabalho de José Luiz Del Roio e é, pela primeira vez, mostrado.

E mais. A cada início de capítulo, você terá o prazer de ler uma introdução que o coloca dentro das várias histórias.

Portanto, aguce o olhar, prepare o espírito, porque chegou a hora de ter um grande prazer intelectual.

Ricardo Carvalho – Editor

* * * * *

“Os Cartazes desta História” é um livro que reúne manifestações políticas da América Latina em prol dos Direitos Humanos

A obra é parte do projeto “Resistir é Preciso…”, que resgata a memória da resistência contra a ditadura no Brasil (1964-1984) e a rearticulação da sociedade civil depois da Anistia de 1979, os cartazes retratam denúncias e solidariedade dos brasileiros em face da situação no País e também nas nações vizinhas que viviam sob a intervenção militar. A obra é divida em seis capítulos: Resistências, Anistia, Movimentos, Mulheres, Trabalhadores e Estudantes, Solidariedade e Mortos e Desaparecidos.

Organizada pelo jornalista Vladimir Sacchetta e com projeto gráfico de Kiko Farkas, a edição conta com um ensaio de Chico Homem de Melo, professor da FAU-USP e autor de artigos e livros sobre design gráfico. A publicação tem o patrocínio da Sabesp, por meio da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo.

Os Cartazes desta História é mais uma iniciativa do Instituto Vladimir Herzog no âmbito do projeto Resistir é Preciso…, idealizado pela entidade, que tem por objetivo manter viva na memória dos brasileiros a luta da imprensa contra a ditadura, período em que inúmeros profissionais do meio jornalístico foram presos, torturados e assassinados. A obra segue os padrões do livro As Capas desta História (2011), patrocinado pelo BNDES, em que o destaque foram as publicações da imprensa alternativa e clandestina brasileira, produzidas por jornalistas (muitos deles exilados) entre 1964 e 1979. Integra também o projeto a coletânea de 12 DVDs Os Protagonistas desta História, patrocinada pela Petrobras, com depoimentos de 60 jornalistas e “fazedores de jornais” que vivenciaram e enfrentaram as dificuldades da época.

 * * * * *

SÉRIE TV BRASIL

No primeiro episódio de Resistir é Preciso, a série recua no tempo para contar como tudo começou, dos primórdios, em 1808, até a década de 1920, quando entra em cena o Barão de Itararé.

Foram muitos jornalistas punidos, naquela época, pelos poderosos de plantão a começar com Cypriano Barata que foi, a partir de 1832, preso várias vezes e em diferentes lugares, por conta do seu implacável “Sentinela da Liberdade”.

A série ainda mostra as perseguições e mortes de Frei Caneca, em Pernambuco e Libero Badaró, em São Paulo.

Neste episódio, a série fala da Semana De Arte Moderna de 1922 e da revista “Klaxon”, porta-voz do movimento.










 

A arte de Eric Drooker em 16 obras

Music Vs Police

censorship

Gears

MAYDAY001 20 Portrait of Mumia Abu-Jamal police-riot

drooker_concert_web

howl2

King For A Day Fool For A Lifetime

tomorrow

04 D

XRay Manhattan

Colussus 2

Trip on: DROOKER.COM.

Ralph Waldo Emerson (1803 – 1882)

Ralph 01

Ralph 02Ralph Waldo Emerson (May 25, 1803 – April 27, 1882)
Access his complete works website

Other posters with Emerson’s quotes @ Zen Pencils:

poster1 poster2 poster3

Carl Sagan, “O Pálido Ponto Azul”

Sagan2

Some of Carl Sagan’s most well-known and inspiring ideas, concerning the minuteness of our tiny planet when compared to the vastness of the cosmos, have been beatifully drawn by Zen Pencils. Click here to access this great visual representation of Sagan’s insightful and poetic words. Below, this Awestruck Wanderer shares the whole transcript of the “Pale Blue Dot” famous reflection, as well as a video with Sagan declaiming it himself. Enjoy! It’s my hope this will bring at least a minuscule spark of laughter to the pilgrims passing through this infinitesimal point in the blogosphere… Cheers, fellow earthlings!!!

“From this distant vantage point, the Earth might not seem of any particular interest. But for us, it’s different. Look again at that dot. That’s here. That’s home. That’s us. On it everyone you love, everyone you know, everyone you ever heard of, every human being who ever was, lived out their lives. The aggregate of our joy and suffering, thousands of confident religions, ideologies, and economic doctrines, every hunter and forager, every hero and coward, every creator and destroyer of civilization, every king and peasant, every young couple in love, every mother and father, hopeful child, inventor and explorer, every teacher of morals, every corrupt politician, every “superstar,” every “supreme leader,” every saint and sinner in the history of our species lived there – on a mote of dust suspended in a sunbeam. The Earth is a very small stage in a vast cosmic arena. Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors, so that, in glory and triumph, they could become the momentary masters of a fraction of a dot. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner of this pixel on the scarcely distinguishable inhabitants of some other corner, how frequent their misunderstandings, how eager they are to kill one another, how fervent their hatreds. Our posturings, our imagined self-importance, the delusion that we have some privileged position in the Universe, are challenged by this point of pale light. Our planet is a lonely speck in the great enveloping cosmic dark. In our obscurity, in all this vastness, there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ourselves. The Earth is the only world known so far to harbor life. There is nowhere else, at least in the near future, to which our species could migrate. Visit yes. Settle, not yet. Like it or not, for the moment the Earth is where we make our stand. It has been said that astronomy is a humbling and character building experience. There is perhaps no better demonstration of the folly of human conceits than this distant image of our tiny world. To me, it underscores our responsibility to deal more kindly with one another, and to preserve and cherish the pale blue dot, the only home we’ve ever known.” – CARL SAGAN (1934-1996)

See also:

Filósofo e cientista Daniel Dennett sobre as semelhanças suspeitas entre Papai Noel e Papai do Céu

Calvin SantaDennett2

“Few forces in the world are as potent, as influential, as religion. As we struggle to resolve the terrible economical and social inequities that currently disfigure our planet, and minimize the violence and degradation we see, we have to recognize that if we have a blind spot about religion our efforts will almost certainly fail, and may make matters much worse… If we don’t subject religion to such scrutiny now, and work out together whatever revisions and reforms are called for, we will pass on a legacy of ever more toxic forms of religion to our descendants.

Religion plays its most important role in supporting morality, many think, by giving people an unbeatable reason to do good: the promise of an infinite reward in heaven, and (depending on tastes) the threat of an infinite punishment in hell if they don’t. Without the divine carrot and stick, goes this reasoning, people would loll about aimlessly or indulge their basest desires, break their promises, cheat on their spouses, neglect their duties, and so on. There are two well-known problems with this reasoning: (1) it doesn’t seem to be true, which is good news, since (2) it is such a demeaning view of human nature.

Everybody already knows the evidence for the countervailing hypothesis that the belief in a reward in heaven can sometimes motivate acts of monstruous evil. (…) This can be seen as an infantile concept of God in the first place, pandering to immaturity instead of encouraging genuine moral commitment. As Mitchell Silver notes, the God who rewards goodness in heaven beats a striking resemblance to the hero of the popular song ‘Santa Claus Is Coming To Town’…”

DANIEL DENNETT
Breaking the Spell: Religion as a Natural Phenomenon
(Pgs. 38-39 & 279-280)
Available at the Toronto Public Library.

dennett6