
“Em terra de carcará
Cobra fascista vira caça.”
Um meme da Revista Caipora

O Sol da Democracia brilha mais forte é no Nordeste. O pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva só realizou a proeza histórica da re-eleição, em 2026, na primeira Virada desde a redemocratização do Brasil e com a maior votação já obtida por um presidenciável na história do país, com a força massiva dos nordestinos que agiram como a tumba do fascismo bolsonarista.
Pra todos nós que, no meio da agonia de uma “psicose política” que se recusa a passar, celebramos com júbilo a re-eleição de Lula em 25 de Outubro, há gratidão a ser distribuída a vários atores sociais, dignos de celebração por terem agido para evitar a instalação entre nós da República das Milícias coligada ao Congresso Inimigo do Povo que foi eleito no primeiro turno. Quem merece aplausos por termos conseguido dar corpo ao impossível?
Bem, muito se tem celebrado o “janonismo cultural” do Zapistão, os mais de 10 milhões de “vietcongues digitais” (como diz o Pepe Escobar) que enxamearam no grupo “Exército do Lula” liderado por André Janones, conseguindo dobrar a Meta quando a empresa descaradamente tentava meter a mão na nossa eleição.
Celebramos as imensas mobilizações de rua, talvez as maiores desde as Jornadas de Junho de 2013, que arrastaram milhões para o espaço público e para a histórica “campanha-multidão” (como a denominou Ivana Bentes em sagaz artigo pra Ninja), que em muito transcendeu o PT e a campanha oficial de Lula. E são celebrações justas.

Mas celebremos também com muita força e gratidão o Nordeste – pois sem ele estaríamos fodidos e mau pagos, com Flávio Bolsonaro eleito. Se, no Brasil inteiro, a vitória de Lula foi com vantagem de 4 milhões de votos, no Nordeste a dianteira foi de 11 milhões. Em todos os 9 Estados, Lula venceu nos dois turnos.
Tem aquele meme que afirma: “o Nordeste é a tumba do fascismo.” Bem, o fascismo ainda não foi morto e enterrado, segue ainda no cio e estamos muito longe de nos livrar dele, mas o Nordeste é quem acende a tocha de um potente combate popular-democrático contra este fascismo brazileiro que é o BolsoTrumpismo.

Com 24 milhões e 400 mil votos concedidos a Lula, a região Nordeste foi aquela em que o presidente re-eleito teve sua melhor performance tanto em votos absolutos quanto na percentagem. Em nenhuma outra das 5 regiões brasileiras Lula venceu (no Norte, houve embate, e o Zero Um de Jair Genocida Bolsofacho venceu no Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Em votos absolutos, a região Sudeste ficou em segundo lugar no painel de votos lulistas, concedendo ao pai do Bolsa Família um total de 24 milhões de votos. Mas atentemos para a disparidade do tamanho dos eleitorados: a Região Sudeste tem 66.329.375 eleitores (o equivalente a 41,78% do eleitorado nacional) e a Região Nordeste: 43.529.845 eleitores (o equivalente a 27,42% do eleitorado nacional).
Se nos livramos de termos o poder executivo federal sob as garras de Bolsonaro 2, sob o comando do Zero Um – O Miliciano, foi também em virtude da “operação de guerra do Nordeste para reduzir abstenção na eleição” revelada em minúcias pela reportagem de Carlos Madeiro no UOL. (Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2026/11/01/a-operacao-de-guerra-do-nordeste-para-reduzir-abstencao-na-eleicao.htm?cmpid=copiaecola)

Este gráfico revela a queda na abstenção que, no 2o turno, conduziu o Nordeste ao menor índice desde a redemocratização: o povo nordestino se mobilizou nas 3 semanas históricas para arrastar a população para as urnas com contágio afetivo mas também com medidas práticas de mobilidade. Ajudou, decerto, que governadores petistas (como Fátima Bezerra no RN, Rafael Fonteles no PI ou Jeronimo Rodrigues na BA) ajudassem no traslado para os locais de votação e na garantia dos direitos de mobilidade (duramente violados pelo prefeito direitista de Salvador, e de alguns outros municípios também, no dia da votação).
“Os maiores Estados da região ampliaram entre os dois turnos o acesso a transporte gratuito intermunicipal. Segundo levantamento do UOL com cinco dos nove Estados da região, as gratuidades passaram de 43 mil no primeiro turno para 218 mil na segunda etapa. O maior acesso ao transporte para os nordestinos que votam fora de sua cidade de residência foi fator importante para que 800 mil eleitores a mais fossem às urnas na região. A abstenção, que havia sido de 18,39% no primeiro turno, caiu para 16,49%. Sete dos nove estados tiveram queda —o índice cresceu apenas no Maranhão e manteve-se estável no Piauí.” (MADEIRO, Uol)
Ao Nordeste, gigante na sua consciência política e histórica assim como na riqueza imensa de sua cultura, nosso muito obrigado: de novo, todos os Estados da região estiveram do lado certo da história e deram ampla maioria a Lula contra o representante do milicianismo. Nordeste: tumba do fascismo! Pela inteligência no exercício do voto, pela sensibilidade apurada na hora da escolha do melhor para o Brasil, a região merecia nossa gratidão – mas é claro que a extrema direita relinchará suas ofensas baixas e sua xenofobia interna. Mas o Nordeste brilha por cima da baixeza de seus sórdidos detratores (como Nikolas Ferreira, propulsionado pela Meta, que obteve 150 milhões de views para seu “documentário”). É o Nordeste que age como uma das forças mais elementares que faz com que, apesar dos perrengues, o Sol da democracia insista em brilhar na Pindorama Polifônica.

DOCUMENTÁRIO LULASTÊ DA CASA DE VIDRO EM ELABORAÇÃO
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Publicado em: 05/11/26
De autoria: casadevidro247
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