
“A cadela do fascismo está sempre no cio”
A resistível ascensão de Arturo Ui, de Bertolt Brecht
Que nojo! Uma repulsa intensa pelo mau caratismo de Flávio Bolsonaro me inundou com uma náusea sartreana que tento agora expelir de meu corpo. Atravessado por afetos políticos intensos, escrevo com o combustível da raiva e da indignação. Adoecido de engulhos diante desse sujeitinho eticamente deplorável e completamente desqualificado para o cargo de mais alta responsabilidade da República.
Televisionado pela Band em 18 de Outubro, a uma semana do 2o turno das eleições presidenciais deste 2026, a ocasião desvelou um calhorda covarde e mentiroso da pior espécie: performando o lobo másculo, expeliu por todos os poros o sadismo de seu antipetismo lunático, desconectado do real.
Demonstrando também certa perícia na demagogia com que defende soluções brutais para problemas complexos, o Zero Um fez-se o papagaio de Trump e pregou o impiedoso “combate ao narcoterrorismo”, o incremento do encarceramento em massa, o espalhamento das armas de fogo entre a população, entre outras panacéias para enganar otários que seriam vias para um Brasil próspero e do Senhor Jesus Cristo. Delírios de um perigoso sacripanta.
Flávio mostrou-se totalmente incapaz de diálogo autêntico, desrespeitoso com seu antagonista, feroz em sua atitude de menoscabar e desdenhar um homem que, no palco da História, é muito maior do que ele jamais será. Em dos auges da insensatez, chegou a sugerir a Lula: “ninguém admira você!” – e isto no mesmo dia em que várias capitais do Brasil realizaram atos massivos em que milhões de cidadãos brasileiros expressavam sua amorosidade pelo primeiro operário que ascendeu ao cargo supremo do país. Flávio deve morrer de inveja da aclamação popular que levanta Lula, nos dias que correm, nas ruas e nas redes, à posição de um dos líderes políticos mais queridos, mais enaltecidos pelo povo brasileiro.
Diante daquela performance teatral grotesca de Flávio Bolsonaro em seu primeiro debate contra Lula, senti um horror incontenível, uma ansiedade angustiante, diante da possibilidade de triunfo do péssimo, da vitória dos crápulas – e me lembrei quase gorfando de uma cena de Anatomia do Caos que é pior que qualquer filme de terror.
No filme de Dandara Ferreira, o filhote da Besta, que foi um dos criminosos indiciados pela CPI da Covid, quando perguntado sobre como o pai Jair reagiria aos resultados da Comissão de Inquérito Parlamentar que averigou os culpados pelo morticínio que levou ao túmulo mais de 700.000 brasileiros, Flávio imitou a gargalhada KKKarejante de seu pai, de quem foi cúmplice na carnificina. Esta gargalhada satânica é o ícone que sumariza a qualidade ética deste fascista engravatado e perfumado, que esteve posando de cidadão-de-bem mas por trás do verniz não difere muito do progenitor idólatra de Ustra e que lamenta que a Ditadura não tenha matado “uns trinta mil”.

Aquela gargalhada, supostamente lacradora, revela o nível ético abissalmente baixo, que atinge as funduras subterrâneas mais obscuras, e que corre no sangue desta família mal-educada e mau-caráter. Atroz gargalhada na cara de centenas de milhares de brasileiros que poderiam estar vivos se a gangue bolsonarista, a começar pelo próprio núcleo familiar, não tivesse disseminado a falácia da “gripezinha”, que não deveria deixar com temores de marica quem tem histórico de atleta. Quantos de nós estariam ainda vivos se os Bolsonaros, Pai e filhos, não tivessem incentivado aglomerações durante o auge das contaminações? Se não tivessem atacado as máscaras e o isolamento? Se não tivessem recusado a vacina da Pfizer? Se não tivessem tentado faturar milhões no escândalo da vacina indiana Covaxin? Entre outras falcatruas sinistras e mortíferas.


Mas voltemos ao debate e ao mau-caratismo. Comecemos por aquela atitude de moleque da quinta série, que se acha espertalhão ao praticar o bullying contra o coleginha. O babaca do Flávio, envolvido em inumeráveis escândalos de corrupção e enriquecimento ilícito (listado no meme acima do ICL), escreveu em sua mão, com uma caneta bic, certamente pensando em “lacrar” e virar meme, a palavra CORRUPTO com PT em destaque.
Tornou-se um cacoete enjoativo dos neofascistas do Brazil isto de atribuir ao Partido dos Trabalhadores a corrupção, e na escassez de evidências, tendo sido Lula inocentado, libertado e eleito para um terceiro mandato, o cérebro, que tem a profundidade de um pires, do filho Zero Um, que é assessorado talvez por Pablo Marçal ou por Nikolas Ferreira, forjou este estratagema de bullying achando-se muito espertalhão. No mesmo baixo nível de elaboração do debate político, poderíamos retrucar que a diferença entre as palavras bolsonarista e bolsofascista é de apenas 3 letras, mas isto provaria o quê? Só a idiotia de um debate onde a polêmica barata toma o lugar do debate aprofundado de propostas para a administração pública e para a gestão do mundo comum.
A direita brasileira ainda não largou aquela sanha lavajatista de ofender Lula e o PT como se eles não passassem de um cão pulguento de rua do qual se pode abusar sem consequências. Na ocasião, Flávio reconheceu a presença, na platéia, de Sérgio Moro e Deltan “Power Point” Dallagnol, batendo palmas para eles. Entende-se porquê: o papai dele, o Seu Jair, só foi eleito em 2018 após um golpe duplo desferido contra o segundo mandato de Dilma, vítima de um golpeachment perverso em 2016, e contra o candidato que liderava as pesquisas de intenção de voto e que foi às pressas encarcerado na masmorra de Curitiba em início de ano eleitoral. Eleito numa eleição fraudulenta, Jair agradeceu aos crimes de Moro e caterva, colocando-o o juiz nada imparcial no Ministério da Justiça.

O debate deixou evidente que Flávio, à falta do cabeça da gangue, que está hoje condenado a 27 anos e preso por tentativa de golpe de Estado, pegou do papai a sanha antipetista que parece ser a senha que destrava as portas do inferno de todo tipo de perversidade sádica. Eu trato o antipetismo à maneira lavajatista e bolsonarista como patologia social. E me apresso a dizer que de forma alguma considero o lulopetismo acima de críticas – quando estas são construtivas, propositivas, duras mas legítimas, podem e devem ser feitas. Mas o bolsonarismo é um poço sem fundo de mentiras sórdidas, de calúnias e difamação.
Sem um pingo de respeito por um dos chefes-de-Estado mais respeitados do planeta, por uma figura de estatura histórica mundial que talvez se compare a Gandhi, a Mandela, a Allende ou a Luther King, o minúsculo Flávio, com 45 anos de idade e nenhuma contribuição ao Brasil em toda a sua vida, agrediu Lula, que tem mais de 80 e inúmeros feitos enquanto líder político e estadista.
Sem nenhuma reverência pela experiência de vida e pela sabedoria acumuladas por Luis Inácio. Incapaz de qualquer sombra de reconhecimento das capacidades de governança do único político que conseguiu eleger-se presidente 3 vezes. Flávio era a injustiça em jato contínuo, a encenação caricata da perversão antipetista.
O candidato Flávio foi extremamente covarde diante dos questionamentos de Lula. Não respondeu praticamente nenhuma das questões específicas que lhe foram dirigidas. Mudava de assunto de maneira bruta, recusando a resposta para sempre voltar a agredir Lula. Não explicou pra onde foram os 134 milhões que Vorcaro lhe deu pra fazer o Dark Horse, o filme mais caro da história do cinema brasileiro. Não explicou porque lutou pra libertar da cadeia um PM que matou uma criança de 5 anos. E por aí vai…
Há também algo de lastimável na relação Pai e Filho no caso da familícia: Flávio age como o maior paga-pau de Jair Bolsonaro. É o filhinho servil e acrítico, sempre vomitando a groselha inacreditável de que “Bolsonaro foi o melhor presidente que o Brasil já teve”, que “é muito inteligente” e outros absurdos. Eu só teria respeito por um filho de Jair Bolsonaro que se revoltasse contra o pai e contra ele se levantasse, mesmo sob o risco de ser deserdado. Pois Jair Bolsonaro é um nanico moral dos mais minúsculos que já andou pela Terra. Como professor de ética, posso garantir que este é um dos poucos sujeitos humanos que já andou na face da terra que conseguiria tirar nota zero – senão negativa – num exame de ética. Jair é quase um vilão caricato, o avesso completo das virtudes morais elementares, o violador contumaz de tudo o que por milênios construiu-se de pensamento e práxis sobre a excelência humana. Que seu filhote primogênito se mostre tão disposto a enaltecer um canalha tão sórdido certamente não depõe a favor das capacidades de juízo ético de Flávio.
Poderia ser apenas o caso de um filhote servil à autoridade paterna abusiva. Mas é muito pior. Flávio é a encarnação dos privilégios de um playboy favorecido pelo nepotismo do progenitor. Quando Lula lhe joga na cara, com razão, “você nunca trabalhou, você nunca foi atendido num hospital do SUS, você nunca andou de busão!”, destaca com clareza ímpar, como comunicador popular de talento que é, o fato de que Flávio é um filhinho-de-papai, beneficiado por sua posição numa família gangsterizada, que se tornou multimilionária por enriquecimento ilícito contumaz e recorrente. É triste que tantos milhões de brasileiros se deixem enganar por uma família de calhordas elitistas e criminais como os Bolsonaro. Às vésperas da eleição, o desafio de Lula merece ser ecoado pela sociedade afora: abre o sigilo da família, Flávio! O que você tem a esconder? É claro que ele fugirá e não terá a coragem da transparência. Se ele abrisse o sigilo, todos saberiam que ele é um criminoso em uma família de criminosos e, perdendo a imunidade que o cargo de Senador lhe concede, seria preso durante o quarto mandato de Lula, assim como Jair já está e assim como Eduardo Bolsonaro, foragido nos EUA, seria se não tivesse se escondido no Trumpstão. Meus compatriotas, dou meu sangue e meu suor, nos dias que correm, correndo todos os riscos, para que não se consume o pesadelo de um novo desgoverno, para que a distopia não se faça do triunfo da… Era da Escrotidão!

Publicado em: 19/10/26
De autoria: casadevidro247
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