Falando com franqueza: sinto que há uma probabilidade alta do bolsonarismo triunfar nestas eleições e eleger o miliciano neofascista e multimilionário Flávio Bolsonaro para a presidência. Completando assim a catástrofe que já ocorreu no 1o turno. Estas considerações aqui partilhadas não devem ser lidas como uma ducha de água fria “derrotista” nos entusiasmos do nosso ativismo lulopetista (aliás eu mesmo estou muito empenhado neste!); minha intenção é tentar colaborar como uma bem vinda dose de lucidez e criticidade pra que evitemos cair nas ciladas de um otimismo delusional.
Quando as urnas foram apuradas, em 4 de Outubro, foi impossível pra mim (e creio que pra muitos de nós) não sentir o baque do desânimo: o sentimento era de termos tomado uma surra, de termos ido a nocaute, com a extrema-direita avançando ferozmente para dominar o Senado, a Câmara e vários governos e câmaras estaduais. Não foi exatamente surpreendente para quem acompanha as tendência na América do Sul e da “Onda Laranja” que em menos de 2 anos fez com que o continente quase inteiro caísse nas garras de regimes neofascistas e extremistas de direita (que são também ultracapitalistas).
É verdade que a disputa presidencial ainda está aberta, mas quero pontuar, com o risco de ser taxado de “derrotista”, que uma vitória de virada do Lula me parece improvável – e que, mesmo que ele consiga vencer, nos próximos anos teremos algo catastrófico ocorrendo na política institucional brasileira. Em termos mais simples: uma gigantesca derrota já ocorreu, e no segundo turno estamos tentando fazer com que esta derrota não seja total e que pelo menos possamos ter o poder executivo federal sob comando de Luiz Inácio Lula da Silva.
No entanto, com esta infestação da direita extremista em Brasília, com capacidade de facilmente atingir as quantidades de parlamentares necessários para o impeachment de ministros do STF e do presidente da República, estamos diante de um cenário que pode rapidamente degringolar numa “ditadura parlamentarista” chefiada pelo PL e pelo Centrão – e que será ainda mais repleta de prepotência e de capacidade destrutiva se o Zero Um estiver no Palácio do Planalto.
Mesmo se Lula se re-eleger, entrará num quarto mandato bastante desfavorável; brincando um pouco com coisa séria, em 2027, se Lula sair para dar uma volta de bicicleta por Brasília, nossos parlamentares podem facilmente abrir um processo de impeachment contra ele, com boas chances de golpeá-lo e derrubá-lo, sob pretexto de qualquer “pedaladinha”. Já vimos algo similar em 2016 no golpeachment contra Dilma.
Não estou dizendo que não vale a pena lutar pela vitória de Lula – seria certamente muito melhor que ele estivesse lá, até para servir como freio à sanha dominadora da extrema-direita militarista, privatista e teocrática. Mas a derrota de Lula pode sim acontecer devido à constelação geopolítica altamente adversa em que estamos: sobretudo por conta do apoio do regime Trumpista a Bolsonaro e da multifacetada intervenção do imperialismo yankee no nosso processo eleitoral, que está a todo gás e que só teremos revelações sobre seus meandros depois – se é que teremos. Cadê o BRICS sendo o contraponto à sanha imperial, re-colonizadora, de Tio Sam?
Preocupa-me sobretudo a questão da comunicação digital e do modo como ela está sendo manipulada por forças colossais neste momento. Entendo e apoio a conclamação para que nos lancemos a uma batalha nas redes sociais, que não descansemos neste campo, que não abandonemos o Metaverso ao campo inimigo (que nele “nada de braçada”, como se diz). Mas o buraco é bem mais embaixo: vejo muita gente iludida com o poderio que supostamente tem a ação individual de postar e compartilhar, mas não basta um monte de gente postando, fazendo story e reel, gastando 10 horas por dia no celular num frenesi de postação, se a Meta e o Google estiverem “fechadões” com o BolsoTrumpismo e aniquilando nosso alcance orgânico, praticando shadowban, cancelando contas e fazendo microtargeting secreto e não-auditável com conteúdos impulsionados com centenas de milhares de dólares provenientes de fora do país.
O ativismo de rede social pode facilmente cair num otimismo delusional se a gente não compreender o poderio das Big Tech e não soubermos nos mobilizar no sentido de uma responsabilização destas empresas. Mas em regime neoliberal ninguém consegue ter força para regulá-las e há uma Caixa Preta que ninguém enxerga dentro sobre os Algoritmos que estes CEOs programam – sem ter sido eleitos por ninguém e sem serem brasileiros! – e que tem alta capacidade de intervenção no resultado eleitoral.
Acho que corremos o risco grave de investir uma mega-quantidade de esforço e empenho em atividades de rede social que podem se revelar uma imensa frustração se Lula perder a eleição. Podemos até mesmo estar montando uma bomba de adoecimento psíquico-emocional com um “esperançar” delusional que depois pode se mostrar como uma fossa sem fundo de frustração.
Ou seja, defendo que a hora é agora para a gente abrir os olhos, com toda a lucidez que fomos capazes de agregar diante das Big Techs, ou seja, das mega-corporações, quase todas sediadas no Vale do Silício, Califórnia, U.S.A., que controlam estes aparatos cibernéticos de comunicação de que estamos todos reféns.
Acreditar “piamente” que a Meta nos permite falar o que quisermos no Zapistão, no Insta e no Face – as três plataformas principais que ela comanda – é ignorar os alertas constantes que nos últimos anos estão sendo feitos, inclusive pela A Casa de Vidro, sobre o controle dos fluxos informacionais exercidos pela empresa de Zuckerberg, explicitamente alinhada ao Trumpismo.
Em suma: não se deslumbrem demais de vocês fizerem um post lulista que é visto por 60 pessoas, que conquista 600 likes, que é compartilhado por 6.000 internautas. Pode parecer muito significativo, mas para além do fenômeno do “pregar para os já convertidos”, ou seja, de conquistar repercussão apenas numa bolha de quem já pensa como você, estes números são insignificantes perante o que é realmente COLOSSAL no poderio da BIG TECH BOLSOTRUMPISTA.
O melhor exemplo disso é a eleição de Trump para seu primeiro mandato e que teve como guru ideológico e chefe de campanha o Steve Bannon. Este é um caso que precisamos estudar com urgência. Bannon, por mais repulsiva que nos seja sua ideologia “tradicionalista”, foi um estrategista extremamente eficaz do ponto de vista do ecosistema informacional-cibernético. Utilizou a Breitbart News e a Cambridge Analytica para montar um mega-esquema de mineração de dados e de disparo em massa de conteúdos para manipular 150.000.000 de eleitores.


No livro “Guerra Pela Eternidade: O retorno do tradicionalismo e a ascensão da direita populista”, de Teitelbaum (Ed. Unicamp), há um excelente detalhamento de como isto se deu e qual o papel de Bannon no regime Trump e de Dugin no regime Putin. É disso que estamos falando: os caras da extrema-direita já mostraram que dominam uma tecnologia capaz de atingir quase que o eleitorado completo de um país – pelo menos todos os que estão plugados na Matrix do Metaverso. Não se iludam se achando super-poderosos se um story que vocês fizeram teve 1.000 interações – o BolsoTrumpismo é mais megalômano do que isto e está agindo de maneira manipulatória pensando em dezendas de milhões de atingidos / manipulados.
Por essas e outras, considero que devemos ficar muito ligados em iniciativas como do CTRL+Z e que nossas mobilizações precisam ser mais fortemente assertivos na contestação e penalização da Big Tech. Precisamos debater mais sobre como seria possível, se for, virar o jogo a nosso favor diante da censura algorítmica brutal que estamos sofrendo. A Meta simplesmente NÃO ENTREGA os conteúdos pois ela quer a extrema-direita no poder, acredita que seria de seu benefício, até mesmo para que o Brazil com Z se tornasse o quintalzão dos data centers!
Recentemente, o prof. 𝗪𝗮𝗹𝘁𝗲𝗿 𝗟𝗶𝗽𝗽𝗼𝗹𝗱 trouxe uma informação muito relevante e que passou batida: o PL está sendo treinado pelas Big Techs para capacitar suas cyber-milícias. Ou seja, os “insiders” das Big Techs, que sabem como os algortimos funcionam, ensinam a extrema-direita global, inclusive o principal partido da extrema-direita brasileira que é o PL, a como atingir alta repercussão e poder de “infecção” nas redes. Vejam em https://www.instagram.com/profwalterlippold/
Ainda sobre o METATRUMPISMO: sabem o terrorista de extrema-direita que matou 77 pessoas na Noruega em Julho de 2011? Ele, Anders Behring Breivik, que abriu jogo contra um acampamento de adolescentes em Oslo, teve seu manifesto transformado em postagens impulsionadas no Facebook… e a Meta achou “de boa” aprovar estes anúncios quase instantaneamente e encher o cu de grana (como se Zuckerberg já não tivesse o suficiente) veiculando discurso-de-ódio altamente inflamatório. A Global Witness também submeteu anúncios pregando a castração química de imigrantes e a Meta também preferiu enfiar dólares na sua conta bancária ao invés de pôr freios no discurso xenófobo. Mas cidadão brasileiro defendendo Lula, aí não pode: o Deus Algoritmo vem e te amordaça.
Alguns anos atrás, quando o CEO da empresa – retratado com tintas não muito louváveis no filme de David Fincher, “The Social Network” – anunciou o fim do programa de “fact-checking”, algumas personalidades globais se mobilizaram – como Michael Stipe, do R.E.M., que participou de um boicote a Meta e convocou seus seguidores a se juntarem a ele… E nós, em 2026, faremos o quê contra o abuso de poder e a DISCRIMINAÇÃO ALGORÍTMICA do Vale-do-silicianos que estão na maior brodagem com a extrema-direita global e que integram a Internacional Neofacista Neoliberal?
…e vcs sabiam que o Thiel, um dos mais perigosos dos bilionários tecnofascistas do planeta, mudou-se pra Argentina e tá na maior brodagem com Milei? Que o chefão da Palantir está na nação vizinha articulando a “conquista” do Brasil pela extrema-direita? E que Musk, todo sorridente, posou para uma foto na companhia do presidente argentino segurando a serra elétrica que tornou-se o emblema do Mileísmo? “Tecnofeudalismo”, de fato, Sr. Varoufakis… É tecnologia do séc. 21 posta a serviço da Nova Idade das Trevas. E dá-lhe Zapistão pra articular atentado a bomba contra universidades federais… ontem a UFPE, agora a Federal Fluminense ameaçada de queimar…
Edu Carli, 08/10/26
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Brasil: Experimento da Anistia Internacional revela que a Meta não detecta anúncios com desinformação eleitoral no Facebook – Anistia Internacional
Na véspera das eleições presidenciais brasileiras, a Anistia Internacional enviou anúncios ao Facebook para testar a eficácia do sistema de moderação da Meta.
Mais da metade dos anúncios que espalham desinformação relacionada às eleições são aceitos.
Os demais foram identificados, mas não foram expressamente rejeitados por conterem desinformação eleitoral.
A Anistia Internacional alertou que a Meta pode não estar combatendo eficazmente a disseminação de desinformação eleitoral por meio da plataforma de publicidade do Facebook, às vésperas das eleições presidenciais brasileiras de 4 de outubro.
Há anos que as redes sociais são usadas para disseminar desinformação no Brasil. Para investigar como o Facebook lida com a desinformação relacionada às eleições em seus anúncios, a Anistia Internacional realizou um experimento apresentando anúncios “falsos” contendo esse tipo de desinformação na rede social. Os anúncios variavam desde denúncias de fraude eleitoral até o uso de desinformação para promover um golpe militar. O experimento resultou na aceitação de oito dos anúncios enviados, enquanto os sete restantes foram sinalizados para verificação da identidade do anunciante, por serem considerados relacionados a questões sociais, eleições ou política, mas não foram especificamente rejeitados por conterem desinformação eleitoral. Embora o Facebook não tenha rejeitado os anúncios de teste, a Anistia garantiu que eles nunca fossem publicados.
“É extremamente alarmante que o sistema de moderação da Meta tenha falhado em detectar mais da metade dos anúncios relacionados às eleições que continham desinformação. Isso demonstra que a Meta não está fazendo o suficiente para impedir que sua plataforma se torne um vetor de desinformação, enquanto continua lucrando com o conteúdo e os sistemas de publicidade que permitem sua disseminação.” Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil
O experimento
A Anistia Internacional apresentou ao Facebook 15 anúncios em português brasileiro, direcionados exclusivamente à população brasileira em idade de votar, para avaliar como os sistemas de moderação de anúncios da plataforma lidavam com conteúdo relacionado às eleições no período que antecedeu as eleições de 4 de outubro de 2026.
Para garantir que os anúncios fossem baseados em narrativas eleitorais reais que circulavam no Brasil, a organização analisou conversas online e a opinião pública nas redes sociais, bem como conteúdo em língua portuguesa publicado nas plataformas Facebook e X entre janeiro e maio de 2026.
Dos 15 anúncios, todos, exceto um, continham informações incorretas; este último era neutro. Esta análise utiliza o termo “desinformação” para manter a consistência com a terminologia da Anistia Internacional, mas o experimento aplica a definição de “desinformação” da Meta à construção e análise dos anúncios. Conforme indicam suas políticas e Padrões da Comunidade, essa definição abrange informações falsas ou imprecisas, incluindo conteúdo que possa interferir no funcionamento dos processos políticos.
Os 14 anúncios de desinformação foram concebidos para refletir três táticas frequentemente utilizadas por políticos e candidatos para apoiar práticas autoritárias: “deslegitimação eleitoral” (conteúdo destinado a minar a confiança nas eleições, nos sistemas de votação ou nos resultados eleitorais); “construção do inimigo” (retratar os oponentes políticos e os tribunais como ameaças à nação ou atores ilegítimos); e “autoritarismo centrado na segurança” (retratar a força, a intervenção militar ou o autoritarismo repressivo como respostas necessárias ao crime ou à desordem política).
Alguns anúncios foram criados em torno de uma única categoria, enquanto outros incorporaram narrativas de várias. Todos os anúncios, exceto o neutro, violaram a política da Meta sobre desinformação, especificamente sua seção sobre “Interferência Eleitoral ou Censitária”. O anúncio neutro foi incluído para testar a exigência da Meta de verificar a identidade para todo o conteúdo relacionado a processos eleitorais.
Sete dos anúncios criados pela Anistia Internacional focavam em alegações deliberadamente enganosas sobre candidatos e instituições eleitorais, como acusações de que certos candidatos estavam fraudando as eleições e questionando a integridade do sistema eleitoral. Os outros sete incluíam informações falsas que poderiam afetar a capacidade das pessoas de votar, como detalhes incorretos sobre quando ou como votar, ou sobre quem estava concorrendo ao cargo.
A conta do Facebook usada para exibir os anúncios não passou pelo processo de verificação de identidade (“ Confirme sua identidade ”). A verificação de identidade não foi realizada como parte da pesquisa para manter uma conta de teste neutra e evitar que o histórico ou a atividade anterior da conta influenciassem os resultados da moderação de anúncios. Foram utilizadas contas usadas exclusivamente para pesquisa, e não contas pessoais, para reduzir o risco de o histórico de uso da conta afetar os resultados.
Os investigadores não estavam fisicamente no Brasil e não utilizaram VPN para simular que os anúncios eram exibidos a partir do Brasil (eles foram exibidos a partir de Londres).
A publicação de todos os anúncios foi agendada para uma data futura. Isso permitiu que a Anistia Internacional testasse os processos de revisão das plataformas, garantindo também que os anúncios aceitos pudessem ser cancelados antes dessa data, evitando assim sua publicação e potenciais violações de direitos humanos ou outros riscos éticos.
A Anistia Internacional contatou a Meta por escrito em 21 de julho de 2026, solicitando uma resposta às alegações de que os sistemas de moderação de anúncios do Facebook não detectaram desinformação relacionada às eleições e expressando preocupação com a adequação dos sistemas da empresa para identificar, avaliar e mitigar riscos aos direitos humanos. Até o momento, não recebemos resposta da Meta.
Conclusões
O Facebook aprovou oito anúncios que continham informações falsas, e nenhum dos outros sete foi explicitamente rejeitado por conterem informações falsas.
Dos oito anúncios contendo desinformação que foram aceitos para publicação, quatro focavam exclusivamente na “deslegitimação eleitoral”, dois pertenciam exclusivamente à categoria de “autoritarismo centrado na segurança” e incluíam desinformação que defendia a intervenção militar ou a abstenção eleitoral, e o conteúdo dos outros dois se sobrepunha às três categorias.
Os sete anúncios rejeitados, incluindo um que era neutro, foram rejeitados por serem “anúncios sobre questões sociais, eleições ou política”. Nesses casos, o Gerenciador de Anúncios do Facebook indicou que, como os anúncios pareciam se referir a questões sociais, eleições ou política, a verificação da conta era necessária antes que pudessem ser publicados. É importante observar que esses avisos de rejeição não indicavam que os anúncios foram rejeitados com base em seu conteúdo e, portanto, não forneciam nenhuma indicação de como eles teriam sido avaliados se a conta tivesse sido verificada.
A Anistia Internacional também identificou falhas nas salvaguardas aplicadas à publicação de anúncios relacionados às eleições. Esses anúncios foram veiculados sem a declaração de que se enquadravam nas Categorias de Assuntos Especiais do Facebook , conforme exigido pela legislação eleitoral brasileira e pelas próprias políticas da Meta em relação a anúncios eleitorais. Como a identidade da conta não foi verificada, os anúncios também foram veiculados sem a declaração “Pago por”, exigida pela Meta para conteúdo relacionado às eleições. Trata-se de anúncios que o Facebook não deveria ter permitido veicular em primeiro lugar, sem verificação de identidade.
O fato de os anúncios poderem ser submetidos de fora do Brasil levanta preocupações de que a verificação e o controle de informações inadequados possam criar vulnerabilidades que poderiam ser exploradas por atores nacionais ou estrangeiros para tentar influenciar o processo eleitoral. Essa falha no cumprimento da obrigação legal de publicar as informações eleitorais exigidas e a submissão dos anúncios de fora do Brasil levantam sérias preocupações sobre o risco de campanhas de desinformação, tanto por atores nacionais quanto internacionais, interferirem no processo eleitoral, além de suscitar questões mais amplas sobre os sistemas de moderação da Meta para identificar esses perigos.
O sistema de aplicação de políticas da Meta utiliza tecnologia de inteligência artificial para identificar proativamente conteúdo publicitário que possa violar suas políticas. Esse conteúdo é então avaliado, seja automaticamente ou por revisores humanos, e quando uma violação é confirmada, medidas como remoção, restrição ou rejeição de anúncios são tomadas de acordo com os Padrões da Comunidade Meta.
“A investigação indica que os sistemas de moderação do Facebook podem não estar detectando de forma confiável a desinformação relacionada às eleições. Embora o Facebook tenha rejeitado sete dos 15 anúncios, classificou-os como desinformação eleitoral com base em suas políticas sobre questões sociais, eleições ou política, e não especificamente por desinformação eleitoral. Isso levanta sérias preocupações sobre a aplicação consistente das medidas de segurança relacionadas às eleições.” Ummar Bashir, pesquisador e consultor em Inteligência Artificial e Direitos Humanos.
A Anistia Internacional constatou que os sistemas de moderação do Facebook se mostraram mais eficazes em reconhecer anúncios que retratavam opositores políticos como “criminosos”, “traidores” ou “agentes ilegítimos”. Por exemplo, um anúncio de teste afirmava que “Lula [o presidente do Brasil] vai roubar a eleição”. Cinco dos sete anúncios com esse tipo de conteúdo foram rejeitados. Em contrapartida, três dos quatro anúncios com retórica militarista contrária ao Estado de Direito e que incitavam a tomada do poder pelos militares burlaram os sistemas de moderação do Facebook. Um desses anúncios afirmava: “Precisamos de uma revolução militar, não votem nas eleições, o exército retomará o poder se a abstenção ultrapassar 50%!”.
“Em vez de salvaguardar a participação eleitoral, o acesso à informação verídica e os direitos humanos, esses sistemas representam um risco de permitir a aprovação de conteúdo prejudicial”, afirmou Ummar Bashir, pesquisador e consultor em Inteligência Artificial e Direitos Humanos.
Normas sobre empresas e direitos humanos
Segundo as normas internacionais, as empresas têm a responsabilidade de respeitar os direitos humanos e evitar causar, contribuir para ou estar diretamente ligadas a impactos negativos sobre os direitos humanos. Isso inclui tomar medidas proativas para identificar, prevenir e mitigar esses impactos.
No caso de plataformas como a Meta, isso significa garantir que as práticas de moderação impeçam a circulação de conteúdo falso ou impreciso que possa infringir o direito das pessoas à informação e à participação em assuntos públicos. A responsabilidade de respeitar os direitos humanos existe independentemente das regulamentações estatais e exige avaliação contínua de riscos, transparência e medidas eficazes de mitigação.
O modelo de negócios da Meta, baseado em vigilância, depende da coleta e análise em larga escala de dados de usuários para manter o engajamento em suas plataformas e viabilizar publicidade altamente segmentada. Esses anúncios são exibidos utilizando uma combinação complexa de características do perfil do usuário, incluindo localização, dados demográficos, interesses e comportamento online. A capacidade da Meta de fornecer aos anunciantes ferramentas de previsão e microsegmentação de alta precisão é fundamental para esse modelo. No primeiro trimestre de 2026, 98% da receita da Meta foi gerada por meio de publicidade.
Na véspera das eleições presidenciais brasileiras, a Anistia Internacional pede à Meta que assegure a disponibilidade de recursos linguísticos adequados em português brasileiro para a moderação de conteúdo, incluindo a aprovação de anúncios, e que fortaleça imediatamente sua capacidade de identificar e responder a ameaças relacionadas às eleições.
A Meta também deve realizar e publicar uma análise atualizada e específica para cada país sobre a devida diligência em direitos humanos, que avalie como seus sistemas, incluindo moderação de conteúdo e publicidade, podem contribuir para riscos à participação e ao acesso à informação, e adotar medidas eficazes e transparentes para mitigar esses riscos.
“Faltando pouco mais de cinco semanas para as eleições, a Meta ainda tem tempo para abordar urgentemente os riscos representados por seus sistemas de moderação de anúncios e impedir o uso de sua plataforma para disseminar desinformação perigosa. Permitir que esse conteúdo circule sem controle pode confundir os eleitores, minar a confiança no processo eleitoral e comprometer a capacidade das pessoas de exercerem seu direito de voto de forma livre e significativa”, disse Jurema Werneck, Diretora Executiva da Anistia Internacional Brasil.
Informações adicionais
Nos últimos anos, o Brasil implementou diversas medidas para combater a desinformação relacionada às eleições. Durante as eleições presidenciais de 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) introduziu medidas mais rigorosas, exigindo que as plataformas online removessem rapidamente informações falsas ou deliberadamente descontextualizadas sobre os processos eleitorais, sob pena de multas e possível suspensão.
O uso de inteligência artificial (IA) também foi restringido antes das eleições municipais de 2024 para evitar a desinformação e a manipulação do processo eleitoral. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal do Brasil também ordenou a suspensão do X (antigo Twitter) por descumprimento de ordens judiciais, incluindo algumas relacionadas a contas acusadas de disseminar desinformação.
Em março de 2026, uma nova resolução delineou o conteúdo específico que as plataformas devem remover, incluindo conteúdo falso ou descontextualizado sobre o sistema de votação eletrônica, o Tribunal Eleitoral e outros processos eleitorais, e também proibiu o uso de IA generativa para classificar, recomendar, sugerir ou priorizar candidatos, campanhas e partidos políticos.
Fonte: https://www.amnesty.org/es/latest/news/2026/08/brazil-election-disinformation/
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CAMINHOS DE PARTILHA
Publicado em: 09/10/26
De autoria: Eduardo Carli de Moraes educarlidemoraes
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