A Noite dos Fritos da Terra recebeu um visitante muito entusiástico e simpático na Quinta, dia 16 de Julho de 2026: a visita do Rafs (https://www.instagram.com/rafs.cor/), proveniente de Seropédica/RJ, marcou nosso encontro semanal de convívio e tocada. Ele estava em Goiânia participando, enquanto estudante de antropologia, de um evento acadêmico de ciências sociais na UFG, onde apresentou o trabalho “Therians: O Corpo Que Desobedece A Espécie”. Lá na universidade, conheceu Emi e Will, dois integrantes do coletivo artvista, e foi chamado pra colar no ensaio aberto da banda.

Enquanto tocávamos, Rafs comandou a câmera em suas mãos inquietas e com pés saltitantes, registrando sua experiência de estar no meio do turbilhão enquanto a gente tocava “Sempre Caberá Mais Um” e “Bora Marcar”, tendo participado desta última com um rap improvisado. Também pudemos falar um pouco sobre o projeto Somos Sementes, que planeja levar a construção de instrumentos de percussão a partir de materiais recicláveis para comunidades goianienses. Como se não bastasse tudo isso, Rafs ainda tirou as cartas do Tarot de “Hora de Aventura”, e assim especulamos sobre o futuro frito – ele nos concedeu alguns pensamentos preciosos, como “a amizade é o verdadeiro ouro que a caminhada da banda gera”. Em Seropédica, cidade na Baixada Fluminense que abriga o câmpus principal da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e conta com uma população estimada em mais de 80 mil habitantes, Rafs participa do movimento cultural da Associação Cultural Casarão (https://www.instagram.com/casarao__?igsh=Y2Flbjc4YWI3YWNo) e no cineclube Casulo (@cinecasulo).
Fritos e Casa de Vidro agradecem aos Rafs por ter editado este documentário da #NoiteFrita, que contou também com a participação do guitarrista convidado Paulo, que participou de uma jam conosco e curtiu as sonzeiras que ressoaram no estúdio. Estão disponíveis, além deste vídeo longo (20min), cortes curtos no reels do Insta (@fritosdaterra e @acasadevidro_pontodecultura).


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Eis um trechinho da crônica que Rafs nos enviou relatando sua experiência em Goiânia, com a Casa de Vidro e com os Fritos:
“Nunca fui o centro das atenções, mas sempre gostei de brilhar. Aceitei isso enquanto filmava o ensaio da banda Fritos da Terra. E pulava de emoção com a bateria que o maninho Will tocava intensamente, aquele desgraçado deve ter as mãos mais fortes do mundo.
Mas tudo isso começou com o Emi. Ele era quieto. E sabia sorrir no meio caos, não é todo pirata que sabe surfar ondas enormes. Depois de horas conversando, dividindo cigarros e um fone tocando FM Cinco, um artista underground de São Paulo que, por alguma razão, fazia sentido para algum filha da puta perdido no interior do Rio de Janeiro(eu), ele me levou para conhecer a banda.
O primeiro que encontrei foi o Dudu. Minha tia dizia que eu tinha um amigo imaginário com esse nome. Achei que precisava falar com ele. Parecia o Pablo. Mesma idade. Mesmo tipo de gente que abre a própria casa para a arte sem se preocupar se uma cerveja vai cair na mesa de som e acabar com a festa. (É claro que ele se importa, mas eu não teria essa coragem) A cerveja quase caiu. Eu tirei.
Talvez por gratidão ele me entregou a câmera. Naquele instante pensei que milhões de pessoas poderiam ver aquilo. Sentir o mesmo que eu sentia vendo as gravações dos shows do irmão Vitor. Quando eu chegar em casa preciso lembrar de mexer nesses vídeos. Quero fazer alguma coisa bonita. Amarela. Quente. Como as cores da Canto Geral. Uma estética baiana por assim dizer. Daquelas que você só entende quando um livro cai na sua cabeça numa biblioteca pública. Só espero que não seja Dostoiévski. Só de pensar em descrever o amor daquele jeito intocado como um nerd de academia me dá um pouco de revertério…”

Publicado em: 30/07/26
De autoria: Eduardo Carli de Moraes educarlidemoraes
A Casa de Vidro Ponto de Cultura e Centro de Mídia