OUSE IMAGINAR
“Imagine uma cidade em que o grafite não é ilegal…
e não encoste na parede – a tinta está fresca!”
Banksy, manifesto, citado no filme Gastrite,
dirigido por Hugo Brandão, com assist. de direção de Edu Carli (*)

Ouse imaginar uma outra configuração mundana onde plantas-que-curam não sejam proibidas nem seus cultivadores tratados como criminosos.
Ouse imaginar a praça pública podendo servir para aglomerações de cidadãos batukantes e cantarolantes, e que fumam maconha pra fazer arder mais viva a chama da criatividade colaborativa, não sendo xingados de vagabundos nem escorraçados como meliantes.
🌿 CONTROLE SOCIAL, RACISMO, EUGENIA E HIGIENISMO: A História Secreta da Criminalização da Maconha no Brasil – https://www.instagram.com/p/DU20D20gJaB/?img_index=1 / https://bit.ly/criminalização-maconha-brasil
Ouse imaginar que uma muvuca maconheira estrondosa não suscita a reação repressiva costumeira: PMs armados e tropas de choque vomitando a enjoativa música urbana dos gases lacrimogêneos e dos cassetetes quebrando ossos.
Ouse imaginar um festival cultural onde os manos com rastafáris sejam tratados como griôs, onde os DJs mesclam sem pudor o trance com o reggae, o rap com o rock, e ninguém com um beck entre os lábios é visto como encapetado a ser exorcizado pelo pastor neopentecostal da IURD.
Ouse imaginar, num exercício de superar o mero sapere aude do Iluminismo, um altermundo onde as pessoas pudessem saber que a cannabis é matéria-prima de uma miríade de remédios que poderiam ser plantados no quintal, e que além do mais pudessem agir de modo a não precisarem gastar sua grana, nem no crédito nem no débito, lá nas Drogasils e quê tais.
Ouse imaginar um rolêzão num beco urbano coloridaço, repleto de grafites e pixos, fervilhante com uma cultura-de-boteco enfim liberta do alcoolismo, alçando vôo nas asas das flores-do-bem. Exit Ambev, enter Sidarta Ribeiro, nosso neo-guru para as vias da cognição liberta.

Ouse imaginar… e ouse fazer. No Carnaval 2026, houve uma galera que ousou ambos – o imaginário e o factual, o projeto e o concreto. Foi gratuito e fervilhante. As trajetórias do coletivo artvista Fritos da Terra e do movimento batukeiro Baque Sativa já confluem há tempos: já haviam apresentado esta estrondosa e subversiva confluência na Praça Universitária, por ocasião da Marcha da Maconha Goiânia 2024, que com ineditismo o Coletivo Antiproibicionista Mente Sativa realizou integrado a um festival cultural na nossa querida Pê Ú.
Nesta ocasião, no carnaval 2026, de novo pintou a colaboração, só um pouco ensaiada e muito improvisada – pois nós somos brazucas mas não deixamos de ser jazzeiros, num sentido abrangente, abertos ao espírito de improviso e exploração free que marca uma das formas culturais afrodiaspóricas mais importantes da América do Norte.
Mas, como bons sul-americanos, em nossas veias, enquanto tocamos, correm as vertentes do afoxé, do ijexá, do afoxoque, do côco, do maracatu, do samba-reggae (vulgo axé), do rock’n’roll, com pitadas de afropunk e sabe-se lá mais o quê. Liquidificador anti-purista.
Bem-vindos ao Bloco dos Fritos. Laboratório experimental para a emergência da bizarrice genético-cultural fritus sativos, bye bye homo sapiens.



Na ocasião, houve a primeira tocada pública da canção “Bloco dos Fritos”, uma canção de protesto festiva que se insurge contra eles que estão “fritando gente pra fazer motor” e “comendo mata pra fazer calor”. Forjada no calor dos encontros dos Fritos da Terra, às quintas, em sua residência artística no ponto de cultura A Casa de Vidro.
Plantando sementes, quebrando correntes, o artvismo frito puxou um coro de muitas vozes: floresta de pé, fascismo no chão! Txai Suruí, estivesse presente, teria ficado com os olhos cheios de lágrimas além de garganta doída de tanto entrar no coro?
A arte-manifesto, ou artvismo, implica que é parte visceral dos Fritos do Terra nosso abraço a pautas que julgamos pertinentes – a legalização da maconha e o combate contra a ideologia proibicionista e tudo que dela decorre, como encarceramento em massa, violência policial, gangsterização etc. faz parte de nossa trajetória e também marca nossa presença audiovisual: o documentário Bolando Um Futuro Sem Guerra, que existe em formato longa-metragem e também curta-metragem, é o retrato mais vívido desta atuação Planet Hêmpica dos Fritos da Terra. “Legalize it! And we’ll advertise it.” (Peter Tosh) (**)
Bóra espiar 👀 nas fotos e vídeos a seguir alguns vestígios audiovisuais deixados por este furacão que passou pelo centrão de nossa mutante e jovem metrópole Gayânia? Bem nas redondezas da estátua do bandeirante genocida, do diabo véi que ainda tá de pé abençoando o Eixo Anhanguera e o comércio da Av. Goiás, a subversão cannábica carnavalizou na cara da caretice.
Fotos de Coxini











Fotos de Ariana Tozzatti
















FOTOS CELULÁRICAS






VÍDEOS NO CANAL D’A CASA DE VIDRO
APRECIE TAMBÉM / TALVEZ VOCÊ POSSA GOSTAR DE…
(*) ASSISTA “GASTRITE”
https://youtu.be/CAJKk2QWOcU
“Gastrite” é um curta-metragem documental idealizado e dirigido pelo cineasta e fotógrafo Hugo Brandão, com a colaboração de Eduardo Carli de Moraes (A Casa de Vidro) na assistência de direção e entrevistas. O projeto foi contemplado pelo Fundo de Arte e Cultura de Goiás e teve apoio da SEDUCE e do Governo de Goiás. O filme tem a cidade de Goiânia como epicentro e instiga uma discussão sobre o cotidiano nas metrópoles em que o protagonismo da arte de rua deixa suas marcas e provoca controvérsias no contexto urbano contemporâneo Em 20 minutos de montagem dinâmica e sincopada, a cargo do editor Asafe Ramos, Gastrite é propulsionado por entrevistas com figuras de muita expressão no cenário artístico e intelectual da metrópole goiana: * Mateus Dutra * Rustoff * Eduardo Aiog (Beco da Codorna) * Santiago Selon * Juliano Moraes (FAV/UFG) * Bicicleta Sem Freio * Carol Viana * Kaiky Fernandez * Pixadores e artistas de rua Dentre outros A trilha sonora de Gastrite, no intuito de realizar uma ponte entre o grafite e outro elemento essencial da cultura Hip Hop (o DJ e o MC), dá voz a alguns dos mais importantes artistas alternativos de Goiânia: o poeta e rapper Vitor Hugo Lemes, vulgo “VH – O Escrivão”, que rima na companhia dos os beats espertos do DJ Saggaz, que assina também as vinhetas instrumentais que povoam o curta.
BOLANDO UM FUTURO SEM GUERRA – Um filme de Eduardo Carli de Moraes @educarlidemoraes, uma produção A Casa de Vidro @acasadevidro_pontodecultura, retrata a Marcha da Maconha Goiânia 2024 organizada pelo @coletivomentesativa. Previamente lançado em versão longa-metragem, de 1h8min, que pode ser assistida em https://youtu.be/VkWLtKXr5S4, o filme agora está disponível também nesta versão curta-metragem, mais concisa e mais propícia para circulação em redes sociais, com montagem de Milson Santos @santaganja420 e trilha sonora dos @fritosdaterra . Esta obra estreou no Cinedebate A Casa de Vidro, em 29 de Agosto de 2025, um projeto fomentado pela PNAB (Política Nacional Aldir Blanc) durante a Semana Pela Legalização, compondo a sessão especial do cinema cannábico cerradeiro junto com “Taba”, “Bendito Seja o Beck”, “O Preço da Cura”, “Quanto Custa O Remédio Do Meu Pai?”.
Na ocasião, os Fritos da Terra também apresentaram seu pocketshow e sua canção-manifesto “Hora do Chá”em versão expandida e com rap freestyle (veja em https://www.youtube.com/watch?v=Fn26TYZBLXI). O BOLANDO UM FUTURO SEM GUERRA, versão integral, é um manifesto anti-proibicionista e um retrato minucioso do movimento pró-legalização da maconha em Goiânia; contêm falas públicas e entrevistas com as seguintes figuras: @lunavargas, @fabriciorosa, @maurorubempt, @marcellosoldan, @kellycris_pt, @piradopirata, @artur.rodrigues.ningu3m, João Pedro, Luana @nna.lua_ , André Baleeiro @jardim.agroeco, Katiuscia Costa @tep_capric. Também contêm performances artísticas ao vivo de @fritosdaterra, Batuque Sativa, @maliklionrastaman, Bern dentre outros. Entrevistas realizadas por @educarlidemoraes e @recostajornal. Câmeras / filmagem por @educarlidemoraes e @gabrielacallegari.
Publicado em: 24/02/26
De autoria: Eduardo Carli de Moraes educarlidemoraes
A Casa de Vidro Ponto de Cultura e Centro de Mídia