Assim que chegamos à concentração do Bloco Não É Não, na Rua 15, pertinho do SESC Centro, nós @fritosdaterra encontramos alguns camaradas do Coró de Pau, já aquecendo os tambores, e também algumas coordenadoras do bloco ecofeminista e contracolonial Não é Não que agitou Goiânia no sábado de Carnaval (14 de Fev, 2026); a foto flagra a galera logo após gravarem uma entrada ao vivo para a reportagem veiculada pela TV Serra Dourada/SBT:


Ator Otto, que integra o Grupo Teatral Djambalau, cuja peça teatral “O Dia Que Explodiu Mabata Bata” (de Mia Couto) a CdV filmou (https://youtu.be/t7Q4mGS7Re4), na companhia de Cida Alves, do Bloco Não É Não, e Leonardo Vergara, vocalista e violonista dos Fritos da Terra. Sábado de Carnaval, Centro de Goiânia.

Logo após nosso show, registro do fotógrafo Henrique Franciano e reel no perfil do Não é Não:

ASSISTIR: https://www.instagram.com/p/DUv-X6JkieW
A rua foi o palco, o suor escorreu em rios, e mesmo tomando uma surra do Sol o nosso “Bloco dos Fritos” acendeu com empolgação a chama de seu artvismo durante a concentração do Bloco Não É Não. Um dia escaldante no caldeirão do mundo e que deixa cicatrizes indeléveis em nossas memórias.
Este cronista metido a poeta vai largando aqui umas frases fuleiras enquanto tudo está fresco na memória deste cérebro combalido por tanta sonzeira e insolação:
O dia foi de intensa correria neste sábado, 14 de Fevereiro, em Goiânia, pra que estivesse tudo nos trinks pra apresentação relâmpago dos @fritosdaterra na Rua 15, centrão, logo após a calorosa DJ Gabi Matos. Desde manhã cedo, começamos o trampo desmontando o estúdio musical d’A Casa de Vidro e, acomodando-o nas carangas de Léo e Leon, levamos bateria, amps, instrumentos, pedestais, microfones etc. pro local da gig.


Além disso, levamos uma faixa recém-pintada no lar dos Vergara que com tinta rebelde grita “FLORESTA DE PÉ, FA$CISMO NO CHÃO!” (frase disseminada pela liderança indígena amazônica e brilhante comunicadora social brazuca, a Txai Suruí).
O carro-de-som logo mostrou-se miúdo demais para abrigar em seu topo os seis integrantes do coletivo artvista + a mesa com a CDJ; a solução foi descer toda a aparelhagem para o asfalto escaldante onde armamos nosso palco. Ainda no pré-show, participamos duma entrada ao vivo no Jornal do SBT, onde imagino que pela primeira vez uma canção de protesto sobre a catástrofe climática – “O Clima É Nóis” – teve versos cantados na TV.
O primeiro show de 2026 dos Fritos da Terra teve “Bora Marcar”, “Sempre Caberá Mais Um” e “O Clima É Nóis” tocadas pelo sexteto em meio ao atordoamento de um calor caldeirão e de uma galera bem animada. Foi hiper selva-de-concreto, super catástrofe-climática sentida na pele viva, super carnaval-no-novo-normal, a gente carnalizando na cara da distopia.
Arrasamos juntos nesta egrégora dionisíaca: Léo Vergara na voz e no berimbau, Lenine Vergara no djembê, Emi no xequerê e vocais de apoio, William Haubert na batera, Júlio Oliveira na percussão e Eduardo Carli na guitarra; os sete Fritos que tocaram na ocasião também contaram com uma equipe camarada de cobertura audiovisual e fotográfica: Henrique Franciano (que clicou esta foto, onde os Fritos estão acompanhados por Cida, uma das lideranças do Bloco Não É Não, e que nos convidou para esta tocada quando nos viu sobre o palco do Teatro Goiânia Ouro), Gabriela @cravuicanela, Lívia Vergara, dentre outros.
Valeu demais a todo mundo que colou, cantou, pulou, dançou, escutou, repercutiu – e destaco aqui nominalmente o @Ramonzera Pereira, que fortaleceu também com vídeos e com empolgação contagiante, e ao @Ítalo Duarte Vieira que também curtiu adoidado e ajudou a articular esta cobertura fotográfica crucial pra nós às beiras da estréia de nosso “Onde Está o Som?” na Rádio UFG. Perdão se esqueci alguém que colaborou neste rolê… é tanta gente, tantas conexões, tantos afetos, que é difícil honrar todo mundo que merece um salve, um abraço, uma palavra de gratidão.
Termino isso q já virou um textão q nem vai caber na porra da legenda da bosta do Insta me desculpando por ter sido um músico pra lá de imperfeito, errático e errante; não honrei “Bora Marcar” (cujo fonograma tá chegando aí com a produção brilhante de Mastrella) e o começo da canção teve guitarra capenga e meio perdida; também errei um breque crucial de “Sempre Caberá…” – e brecar com precisão faz parte de nossa arte. O nervosismo, a taquicardia, o inusitado da situação toda, e sobretudo o calorão inclemente talvez sejam suficientes pra que meus manos me compreendam e os ouvidos que feri me perdoem. A pedaleira Cuvave, prova viva do brilhantismo dos chineses, e que ligamos direto nas caixonas do carro-de-som, tava tão pelando fogo que desafia minha compreensão como os circuitos elétricos não derreteram; as cordas da guitarra, a madeira da escala, no início do show tava tudo meio que pegando fogo e os dedos ardendo um bom tanto ao pressionar as notas naqueles trastes de metal esquentado. O suor aos borbotões saindo dos poros das mãos e dos braços também melecou toda a escala e lubrificou com fluidos orgânicos uma guitarra que eu prefiro tocar seca.
Mas é isso, a gente faz o que pode e feito é melhor que perfeito. Sigo errando enquanto a vida me deixar. Valeu, meus manos Fritos, caminhar junto com vocês é algo que ajuda a dar sentido e entusiasmo a esta vida que às vezes dá na nossa cara com tantos absurdos e perrengues que a chama vital dá aquela desanimada. Que tenhamos ânimo pra seguir jornada, queimando nosso artvismo como se não houvesse amanhã – pois na verdade não há.
Edu Carli @ A Casa de Vidro PdC, 15-02-2026




Publicado em: 19/02/26
De autoria: Eduardo Carli de Moraes educarlidemoraes
A Casa de Vidro Ponto de Cultura e Centro de Mídia