
Gratidão me empenho aqui por expressar ao Prof. Edward Madureira. Sinto genuíno agradecimento pela simpática acolhida com que Edward me recebeu em seu gabinete de vereador (aliás, o segundo mais votado nas últimas eleições goianienses) e também pela honraria que me foi concedida, junto com muitos outros agentes culturais de Goiânia, por ocasião do Dia Municipal do Cinema e do Patrimônio Audiovisual celebrado pela Câmara Municipal.


Também pude rever na ocasião a cientista política e assessora parlamentar Ana Carola, que acompanha há anos minha “filmação”, e relembrar com ela um pouco de meu percurso como documentarista; nosso resgate do percurso trilhado explica alguns dos porquês deste Diploma de Honra ao Mérito que é meio anômalo – pois entregue a alguém que não tem curso de graduação na área do audiovisual. Minha práxis audiovisual não é profissional mas é feita com entusiasmo e garra, na “independência mas dependente de muita gente” (como costuma dizer com brilhantismo o Diego Mascate). Na ocasião, relembrei com Ana sobretudo 3 obras que são muito marcantes nesta trajetória:
1) a trilogia de curtas que realizei com Bloco Não É Não e Coró Mulher durante a pandemia, uma obra provocante e performática, constituída por “Polifonia dos Corpos Insubmissos”, “Medo Nós Tem Mas Não Usa” e “Nenhum Genocida de Pé”, que juntos constituem uma trinca de obras no campo do feminismo popular antifascista, insurgindo-se contra o bolsonarismo em uma época de muitas trevas de nossa história; também agrega-se a isto o videoclipe e o fonograma, produzidos por A Casa de Vidro, da marchinha de carnaval transgressora “Não É Não É Não”, de Mascate e Terrorista da Palavra, lançada pelo Bloco da Desconstrução Coletiva;
2) o longa-metragem “Hoje a Aula É Na Rua”, o único retrato já feito no Brasil (que eu saiba) sobre os impressionantes Tsunamis da Educação de 2019 e do CONUNE de Brasília naquele ano inaugural do desgoverno neofascista de Jair Genocida Bolsonazi; o filme também inclui, em sua seção final, uma prévia do filme de ficção que ainda sonho em realizar um dia, “Tsunami da Balbúrdia”; projeto realizado pela Aldir Blanc.
3) O videoclipe de “Sempre Caberá Mais Um”, dos Fritos da Terra, realizado em parceria com a galera do Audiovisual UEG, que co-roteirizei e que filmamos em suas cenas cruciais no jardim d’A Casa de Vidro, sede Universitário, com Coró de Pau e pódio pegando fogo… Muito me comove, até hoje, relembrar tudo que se relaciona à confecção deste clipe magistral.
Prossigo este texto de agradecimento e rememoração dizendo que é muito significativo também o fato de poder encontrar e celebrar, pela primeira vez de maneira mais direta e no tête-à-tête, a esta figura do Edward que em minha mente se conecta muito à função de Reitor da UFG que ele exerceu por 3 mandatos. Participo da “comunidade UFG” há muitos anos e esta Universidade faz parte de minha vida e das pessoas mais preciosas pra mim de maneiras tão ramificadas e complexas que mereceriam um capítulo de autobiografia. Aqui ofereço apenas um resumex:
Fui mestrando e agora sou doutorando da Faculdade de Filosofia (FAFIL), ou seja, tive processos formativos incrivelmente fecundos na UFG, e esta também me levou aos 6 meses de intenso aprendizado na Universidade de Amsterdam; além disso, sinto-me beneficiário das bibliotecas, restaurantes universitários, CineUFG, CCUFG e muito mais que a Universidade oferece; tive recentemente a satisfação de fazer um show também na UFG junto com meus manos @fritosdaterra no Encontro Goiano de Saúde Mental; e também penso que os rumos da minha existência teriam sido completamente outros caso minha companheira Gisele Toassa não tivesse se tornado professora efetiva da Faculdade de Psicologia e Educação da UFG em 2009, o que causou nossa mudança de São Paulo para a capital de Goiás e o início de nossa vida partilhada por aqui.
De maneira que também A Casa de Vidro Ponto de Cultura, como a conhecemos, emergindo 10 anos depois de nossa chegada a Goiás enquanto migrantes paulistas, não teria existido sem a UFG, nem teria podido se constituir sem minha entrada como professor efetivo no IFG.
Exponho isto tudo para refletir também sobre o sentimento da gratidão, tempero crucial do bem viver, e que cultivo com gosto também pois sou discípulo há décadas do sábio André Comte-Sponville. André a considera uma virtude ética ativa, conectada ao dar graças ao outro por algo que nos chega de bom, proveniente do campo da alteridade, e escreveu belíssimas páginas sobre isto no “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes”, que é tão meu xodó, enquanto bibliófilo, que o considero um dos melhores livros escritos na história da humanidade. A gratidão tem uma complexidade, uma série de meandros, que só destrinchando os labirintos da vida e do convívio conseguimos mais ou menos expressar a contento.
Termino estes verborrágicos extravazamentos dizendo que pra mim o Edward Madureira sempre me pareceu uma figura muito responsável, competente como gestor público, e o considero como uma das forças políticas que valorizam de fato os campos da educação e da cultura, com suas possíveis e louváveis confluências. Obrigado, professor-reitor-vereador pelo reconhecimento e pelo alento! Conte comigo, também como jornalista, documentarista, artvista, professor, pra somar nesta caminhada em prol de justiça social radical e transformação social corajosa em que estamos embarcados e co-implicados.
Grato por tudo e pelo alento pra seguir na labuta,
Eduardo Carli de Moraes, 29/11/2025.
@professor.edwardmadureira
@aana.carola
@camaragoiania
Publicado em: 04/12/25
De autoria: Eduardo Carli de Moraes educarlidemoraes
A Casa de Vidro Ponto de Cultura e Centro de Mídia