Consolidando sua atuação multifacetada na cena artístico-cultural cerradeira, que também inclui uma agência criativa no campo da saúde mental, da luta antimanicomial e dos experimentos em arte-terapia, os Fritos da Terra, este coletivo artvista fomentado por A Casa de Vidro Ponto de Cultura, apresentou seu show Levante Popular Artvista em 9 de Outubro de 2025 no Centro de Eventos da UFG, Câmpus Samambaia, em Goiânia.


A apresentação do sexteto – composto por Emi (percussão, voz de apoio), Júlio (percussão), Willian Haubert (bateria), Leon Borges (contrabaixo), Léo Vergara (vocais, violão, berimbau) e Eduardo Carli (guitarra, voz de apoio) [na foto acima, da esq. pra dir.] – ocorreu durante o VI Encontro Goiano de Saúde Mental (2025).


Promovido pela Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás (FEN-UFG) e pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), em parceria com o grupo interdisciplinar de pesquisa e intervenção em saúde mental Recuid, vinculado ao CNPq, o evento teve como tema “Fazer junto para cuidar melhor” e transcorreu entre dias 8 e 10 de outubro (nesta última data, aliás, comemora-se, desde 1992, o Dia Mundial da Saúde Mental).
SAIBA MAIS EM GOIAS.GOV.BR: https://goias.gov.br/saude/inscricoes-abertas-para-6o-encontro-goiano-de-saude-mental/

No amplo e reverberante espaço do evento, construído com recursos do PAC durante os primeiros mandatos presidenciais de Lula, sobre um palco onde já pisaram lendas da MPB (Lenine, Gal Costa, Chico César, Tom Zé, Gilberto Gil e Macaco Bong etc.) para várias edições do Música no Câmpus (realizado pela Pró-Reitoria de Extensão da UFG), o grupo goianiense apresentou suas canções autorais “Bora Marcar”, “O Clima É Nóix”, “Palestina Livre Já”, “Sempre Caberá Mais Um”, além de uma versão para “Lucro (Descomprimindo)” do Baiana System, uma das principais influências da banda que também bebe muito na fonte de Chico Science e Nação Zumbi, Curumin, Anelis Assumpção, dentre outros.
Nesta nova edição da série PAPOS FRITOS, Léo Vergara e Edu Carli, parceiros na composição das canções, conversam na van a caminho da gig, escutem aí e leiam a transcrição:
Então diga aí, Léo Vergara, estamos a caminho da UFG aqui na van para fazer um show do Fritos da Terra no Encontro Goiano de Saúde Mental. Diz aí qual que é a importância e qual que é a expectativa diante dessa gig de hoje dos Fritos.
Então, a gente hoje vai fazer uma manifestação, um show ativista, né? Esse público que está nestse evento que a gente vai tocar é um público que milita em todas as instâncias com relação à pauta antimanicomial. E essa militância é muito poderosa, porque ela está colocando na frente o cuidado em liberdade, a emancipação e autonomia das pessoas que são acometidas com algum tipo de questão de saúde mental, seja decorrida por conta do uso complicado de substâncias, álcool e outras drogas, seja por qualquer outro tipo de transtorno ou acometimento de saúde mental.
Então é um público tem trabalhadores e trabalhadoras muito politizados, assim como também os usuários da rede, as pessoas que fazem uso dessa rede de atenção psicossocial, são pessoas muito convidadas à participação, à integração, aos encontros, e é muito valorizado esse âmbito da autonomia e da liberdade dentro desse público. Então, eu estou muito feliz de que os Fritos já tenham aí um arsenal, na nossa guerrilha ativista, já temos algumas andanças nas outras pautas aí da militância do SUS, e nesse caso a gente vai conseguir acertar o coração de muita gente hoje aqui com relação à bandeira do fortalecimento da luta, e da arte entrando no evento com essa pegada, com esse público, a gente está muito feliz. Eu estou muito feliz de conseguir ter um público engajado e queo nosso ativismo vai ser não só entendido mas vai ser vivenciado pelas pessoas ali. Então a expectativa pode estar um pouco alta, né, mas assim participando também da produção do evento eu percebo que os Fritos vão realmente jogar uma força, um ânimo de posicionamento da arte como ferramenta de emancipação também. Então é isso, a expectativa pro show está muito massa. Estamos aí para montar agora, vamos chegar lá para a montagem!
Então, primeiro de tudo, eu acho que o fato de a gente ocupar o espaço com essa intenção de que o show seja uma vivência de uma manifestação de rua. Então essa é a dimensão do show dos Fritos. Eu acho que é bem na linha da linguagem desse evento, desse encontro. E o nosso repertório traz à tona o antiproibicionismo como uma bandeira de luta, como uma bandeira de luta estrutural da nossa sociedade. E a gente tem nas nossas letras e a intenção também dos arranjos, botando muito para frente essas bandeiras. Então o som impulsiona essas bandeiras para frente, num caldeirão de trocas, da vivência, dos corpos das pessoas trocando, as letras convocando várias chaves de luta importantes, a liberdade, o convívio entre os pares e as diferenças.
Então “Sempre Caberá Mais Um” traz essa dimensão de que é possível sim construir espaços em que a diversidade seja a base do convívio e a inclusão seja uma coisa orgânica e não só uma coisa artificial. “A Hora do Chá” traz a fala antiproibicionista para cima da saúde, comprometendo e responsabilizando a saúde pública como chave importante da luta antiproibicionista, colocando a luta anti-drogas no colo da saúde e da saúde pública como responsabilidade. E o clima, “O Clima é Nóix”, trazendo essa coisa da crise climática como também uma questão de saúde pública. E se a gente quer um ambiente saudável para todo mundo, a gente tem que lutar pelo clima também!
E a dificuldade dos encontros, né? Esse é um encontro que não foi fácil ser produzido, não é fácil trazer tanto de gente presencialmente para produzir, pra formação, capacitação. E a gente traz à tona também essa dificuldade do convívio, a falta de tempo e o trabalho precarizado atravessando a vida de todo mundo, na canção “Bora Marcar”. No Sistema Único de Saúde, boa parte dos contratos, boa parte das relações trabalhistas são via contratos, contratos que são precarizados, pejotizados, e isso está atravessando as vidas de quem está produzindo a saúde pública no país. Então é para isso.
Nós vamos passar por trás lá, Joaquim? É, pode ser por aqui, a gente tem que entrar bem ali, na verdade ali ó, por trás. Nas costas do centro de eventos, eu acho que tem que fazer a volta por fora, pra entrar lá por aquele pedacinho lá ó. É porque aqui tem aqueles concretos ali que não vai ter como entrar né, tem que ser lá por trás mesmo.
Então estamos chegando aqui no campus Samambaia da UFG, e só pra terminar, a gente falou do clima, né? Fritos da Terra vai tocar na hora do almoço aqui, calor da moléstia, 40 graus Celsius de sensação térmica, e vamos botar “O Clima é Nóix” pra provocar a galera a sair da inação, da apatia e afrontar as causas da catástrofe climática, né? Pra gente ver poucas bandas brasileiras e mundiais fazendo esse corre, né?
Infelizmente. É, então “O Clima é Nóix” é pra isso mesmo, é pra gente botar as pessoas pra se sentirem responsáveis por lutar pelo clima, né, e não só ficar guardando uma grana pra poder comprar um ar condicionado. É isso aí, tamo junto.
EDU
É aqui. Aqui onde tantos artistas já tocaram no Música no Campus.
Na mesma ocasião, houve apresentação do Bloco Desencuca – conheça o Instagram do coletivo – batucando em cortejo poucos minutos antes do início do show dos Fritos. O Desencuca estava promovendo deslocamento para Abertura do Encontro de Usuários e usuárias da RAPS na Tenda Deusdeth Martins. Espie:
Abaixo, confira mais algumas imagens do evento:










Publicado em: 11/10/25
De autoria: Eduardo Carli de Moraes educarlidemoraes
A Casa de Vidro Ponto de Cultura e Centro de Mídia