As eleições no Brasil parecem um episódio de Black Mirror – e o documentário “Trumping Democracy” explica porquê

por Eduardo Carli de Moraes
para A Casa de Vidro

Um documentário sobre as Eleições no Brasil em 2018 poderia ficar muito parecido com um assustador episódio de Black Mirror, uma das melhores séries televisivas do século 21​. As mulheres, que se levantaram aos milhões para dizerem em alto e bom som que #EleNão, também sabem a ameaça que pende sobre nossas cabeças de virarmos algo similar à teocracia militarizada de Gilead na também excelente The Handmaid’s Tale. Nossa realidade é pura distopia.

É mesmo chocante: foram quase 50 milhões de votos para Bolsonaro no 1º turno das eleições presidenciais no Brasil, e isto só se explica a contento se incluirmos em nossa análise de conjuntura estas novidades históricas: a viralização de fake news, a “memetização” da política, o poderio de mega-empresas da comunicação digitalizada, além da completa falta de escrúpulos éticos e senso de responsabilidade que se manifesta em campanhas como a de Trump e como a do Partido Social Liberal (PSL)​ entre nós.

É a Pós-Verdade turbinada com doses cavalares de testosterona. É a elefantíase do Princípio Pinóquio. É a mentira deslavada transformada em mercadoria digital a se propagar em prol dos fins mais espúrios.

Foi assim que um partido nanico de repente se agigantou, elegendo a maior bancada de extrema-direita da história da Câmara: em 2014, o PSL possuía apenas um deputado federal, em 2018 saltou para 52; ele terá uma bancada que só será menor do que aquela do PT – Partido dos Trabalhadores​, que elegeu 56 (fonte: IG – https://bit.ly/2E7eKdC).

Se, em outros tempos, poderíamos apelar para grandes obras da Psicologia de Massas, como as Wilhelm Reich​, Stanley Milgram​ ou Erich Fromm​, para desvendar como o fascismo pode tornar-se disseminado em uma sociedade, em nossos tempos precisamos somar a isso e focar em outro elemento-chave de explicação: a Internet como território onde proliferam, muitas vezes de modo ingovernável, os boatos, as calúnias, as difamações, os assassinatos de reputação. E onde também se exploram os afetos dos cidadãos, seus medos, suas esperanças, seus ímpetos agressivos, suas ansiedades, suas frustrações – é o Circuito dos Afetos que Vladimir Safatle tão bem tem explorado em suas obras.

Ao invés de debate público autêntico sobre propostas para o país, o que vimos, vindo da Direita do espectro político, foi um show de horrores: memes agressivos, odientos, preconceituosos, sendo replicados como células de câncer.

Na véspera da eleição, nos grupos de Whatsapp, não faltavam memes comparando petistas a ratos, convocando eleitores Bolsonaristas a irem às urnas como quem vai ao extermínio das pragas munidos de inseticidas. Cheira a nazifascismo?

Também não faltou baixeza contra Manuela D’Ávila​ e Fernando Haddad​, vítimas de uma enxurrada de mentiras propagadas por um eleitorado que gosta de fazer pose de “Cidadão-de-Bem”, mas que na prática age como um cão raivoso – e mentiroso. Eleitores que acreditam no “vale-tudo” para vencer a candidatura lulopetista. O grau de respeito pela democracia demonstrado pelo eleitorado de Bolsonaro de fato faz pensar em espectadores da UFC urrando diante de ossos fraturados.

O documentário Trumping Democracy​, dirigido por Thomas Huchon, em cartaz no Canal Curta​, é essencial para incrementar nossa compreensão do processo eleitoral no Brasil e das estratégias que a extrema-direita está usando (e que, infelizmente, estão funcionando). Pois Bolsonaro é um fenômeno que só pode ser compreendido através de uma analogia com a eleição de Trump nos EUA: em ambos os casos, as campanhas investiram centenas de milhões em uma estratégia de grotesca desinformação e manipulação dos eleitores. Embarcaram de cabeça no clima da “Pós-Verdade” e abandonaram qualquer escrúpulo de “fair play”.

Vivemos em um contexto tecnológico em que as mídias sociais exercem um impacto sem precedentes nos processos eleitorais, rivalizando com as empresas midiáticas tradicionais: hoje, as rádios, as TVs e os jornais não possuem mais o predomínio sobre as consciências que já tiveram em processos eleitorais anteriores. Hoje, não se compreende uma eleição sem abordar o peso que nela têm empresas como o Facebook (dono do Instagram e do Whatsapp) e o Google.

O filme, traduzido no Brasil como “Driblando a Democracia”, revela que o triunfo de Trump envolveu estratégias encabeçadas pelos bilionários Robert Mercer e Steve Bannon, duas figuras favoráveis ao programa do Partido Republicano e que ajudaram a eleger o atual ocupante da Casa Branca. No Reino Unido, o plebiscito Brexit, que culminou com a separação do país da União Européia, envolveu as mesmas táticas. Já foi revelado que a campanha Bolsonaro vem pagando Bannon para aplicar por aqui a Tática Trump.

Funciona mais ou menos assim: empresas como a Cambridge Analytica pagam para bancos, empresas de cartão de crédito e corporações da informática para terem acesso a uma montanha imensa dos nossos dados (o que é conhecido como Big Data).

Tudo que fazemos na Web, nossos cliques, nossos likes, nossos compartilhamentos, nossas compras, nossos comentários, nossas visitas a sites, nosso tempo de navegação, tudo isso deixa “pegadas” digitais que são muito úteis àqueles que desejam nos usar de marionetes. Soma-se a isso o fenômeno dos “dark posts”, publicações dirigidas a pessoas específicas, que logo desaparecem do feed de notícias, e que não deixam rastros – de modo que, em caso de mentira ou assassinato de reputação, o responsável pela disseminação do fake, ao invés de penalizado por cometer crime eleitoral, fica impune. No caso, mega-corporações ficam impunes de todo tipo de manipulação viciosa e ilegítima do processo eleitoral.

A campanha de Trump não teria sido bem-sucedida se tivesse simplesmente mentido. Além de mentir, é preciso que a mentira seja eficaz, ou seja, que convença uma fatia considerável do eleitorado. Os Bolsonaristas, sob os auspícios do mesmo Steve Bannon que alçou Trump ao poder, aplicam por aqui a mesma tática, adicionando pitadas extras de crueldade e sadismo. Cidadãos que se informam sobretudo pelo Whatsapp estão sendo literalmente afogados debaixo de uma avalanche de fake news e de memes manipulatórios, que buscam criar um clima de furioso anti-petismo e de apoio acéfalo ao projeto direitista, autoritário, trucidador de direitos sociais, de Bolsonaro, Mourão, Guedes e o resto da trupe.

Chegamos a um impasse histórico que não estava previsto pelas visões mais róseas e utópicas da Rede Mundial de Computadores, como a Aldeia Global de McLuhan. Hoje, a Internet está sendo usada para passar a perna na democracia, dentro da pequena área, e o juiz está fingindo que não vê nada – e não apita o pênalti. No Brasil, os inúmeros crimes eleitorais cometidos pela campanha Bolsonarista – que parece não só se enxergar como portadora do direito de mentir, ofender, agredir, mas que inclui a inaceitável apologia ao genocídio dos adversários no pleito (“vamos fuzilar essa petralhada!”) – estão passando impunes diante de uma Justiça acovardada, submissa, quando não cúmplice dos abusos.

Sobre o tema, Rafael Azzi​ escreveu um texto fundamental, que vale a pena ser lido e propagado: “Sua tia não é fascista, ela está sendo manipulada.” (Leia aqui: https://bit.ly/2pMW1Kl, ou no fim deste post).

Na verdade, a manipulação Trumpista e Bolsonarista, que se apropria dos ensinamentos da propaganda nazista e stalinista, coloca o totalitarismo em um novo patamar. Agora, trata-se de viralizar a mentira grotesca de que o “mito” Bolsonaro é um cidadão-de-bem que vai salvar o Brasil da peste bubônica (o petismo).

Resta por compreender – e a psicologia old scholl segue nisso inestimável – como é possível tamanho grau de credulidade e subserviência de parte do eleitorado diante de uma figura como Bolsonaro, que não cessou de manifestar sua psicopatia e seu sadismo em uma inacreditável série de discursos e práticas que revelam tudo o que de mais execrável pode animar um ser humano: o racismo, o machismo, a homofobia, a mentalidade escravocrata e colonialista, a subserviência entreguista aos interesses imperialistas, o desrespeito completo às diferenças humanas, a falta de qualquer projeto concreto de justiça social e solidariedade, a aposta na truculência armamentista, a crassa ignorância sobre assuntos econômicos e políticos, para não falar da mais lamentável de todas as suas características: tratar torturadores como heróis e elogiar um regime político ilegítimo, cruel e homicida, nascido com o golpe de Estado de 1964, e que afundou este país em mais de 20 anos de trevas e sangue. Diante das pessoas que buscavam os ossos dos seus entes queridos, sequestrados pela ditadura, torturados no pau-de-arara, mortos no DOPS ou no DOI-CODI, desaparecidos para sempre, Bolsonaro disse: “quem procura osso é cachorro”.

O Brasil dará um tiro na própria cabeça e cometerá um atentado suicida contra seu próprio futuro ao eleger uma figura que representa tão boçal desumanidade. Que tenhamos a sensatez e a sabedoria de combater o fascismo nas urnas, nas ruas, nas redes, nas escolas. Pois o preço de barbárie que já estamos pagando pela atual ascensão da extrema-direita já é altíssimo.

LEIA TAMBÉM:

A Casa de Vidro​http://www.acasadevidro.com

* * * * *

ASSISTA: TRUMPING DEMOCRACY

SINOPSE – This explosive documentary follows the money to the elusive multi-billionaire Robert Mercer who bought Breitbart News and funded the effort, while inserting Steve Bannon into the presidential campaign as its manager. Using data of millions of Americans acquired from Facebook, Google, banks, credit companies, social security and more, another Mercer company, Cambridge Analytica, used tactics honed during the UK’s Brexit campaign to identify voters deemed “most neurotic or worried,” whom they believed could swing for Trump. In the days before the election, using a little-known Facebook feature, “dark posts”, they deployed highly manipulative and personalized messages, that could be seen only by the user before disappearing. In the darkness of the web, democracy was trumped by data.

* * * *

SUA TIA NÃO É FASCISTA, ELA ESTÁ SENDO MANIPULADA

Você se pergunta como um candidato com tão poucas qualidades e com tantos defeitos pode conseguir o apoio quase que incondicional de grande parte da população?

Você já tentou argumentar racionalmente com os eleitores deles, mas parece que eles estão absolutamente decididos e te tratam imediatamente como inimigo no mais leve aceno de contrariedade?

Até sua tia, que sempre foi fofa com você, agora ataca seus posts sobre política no facebook?

Pois bem, vou contar uma história.

O principal nome dessa história é um sujeito chamado Steve Bannon. Bannon tinha uma visão de extrema direita nacionalista. Ele tinha um site no qual expressava seus pontos de vista que flertavam com o machismo, com a homofobia, com a xenofobia, etc. Porém, o site tinha pouca visibilidade e seu sonho era que suas ideias se espalhassem com mais força no mundo.

Para isso, Bannon contratou uma empresa chamada Cambridge Analytica. Essa empresa conseguiu dados do facebook de milhões de contas de perfis por todo mundo. Todo tipo de dado acumulado pelo facebook: curtidas, comentários, mensagens privadas. De posse desses dados e utilizando algoritmos, essa empresa poderia traçar perfis psicológicos detalhados dos indivíduos.

Tais perfis seriam então utilizados para verificar quais indivíduos estariam mais predispostos a receber as mensagens: aqueles com disposição de acreditar em teorias conspiratórias sobre o governo, por exemplo, ou que apresentavam algum sentimento de contrariedade difuso ao cenário político atual.

A estratégia seria fazer com que esse indivíduo suscetível a essas mensagens mudasse seu comportamento, se radicalizasse. Como as pessoas passaram a receber as notícias e a perceber o mundo principalmente através das redes sociais, não é difícil manipular essas informações. Se você pode controlar as informações a que uma pessoa tem acesso, você pode controlar a maneira com que ela percebe o mundo e, com isso, pode influenciar a maneira como se comporta e age.

Posts no facebook podem te fazer mais feliz ou triste, com raiva ou com medo. E os algoritmos sabem identificar as mudanças no seu comportamento pela análise dos padrões das suas postagens, curtidas, comentários.

Assim, indivíduos com perfis de direita e seu tradicional discurso “não gosto de impostos” foram radicalizados para perfis paranóicos em relação ao governo e a determinados grupos sociais. A manipulação poderia ser feita, por exemplo, através do medo: “o governo quer tirar suas armas”. Esse tipo de mensagem estimula um sentimento de impotência e de não ser capaz de se defender. Estimula também um sentimento de “somos nós contra eles”, o que fecha a pessoa para argumentos racionais.

Sites e blogs foram fabricados com notícias falsas para bombardear diretamente as pessoas influenciáveis a esse tipo de mensagem. Além disso, foi explorado também um sentimento anti-establishment, anti-mídia tradicional e anti “tudo isso que está aí”. Quando as pessoas recebiam várias notícias de forma direta, e não viam essas notícias repercutirem na grande mídia, chegavam à conclusão de que a grande mídia mente e esconde a verdade que eles tem.

Se antes a mídia tradicional podia manipular a população, a manipulação teria que ser feita abertamente, aos olhos de todos. Agora, todos temos telas privadas que nos mandam mensagens diretamente. Ninguém sabe que tipo de informação a pessoa do lado está recebendo ou quais mensagens estão construindo sua percepção de realidade.

Com esse poder nas mãos, Bannon conseguiu popularizar a alt right (movimento de extrema direita americana) entre os jovens, que resultou nos protestos “unite de right” no ano passado em Charlottesville, Virgínia que tiveram a participação de supremacistas brancos. Bannon trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump e foi estrategista de seu governo. A Cambridge Analytica trabalhou também no referendo do Brexit, que foi vencido principalmente por argumentos originados de fakenews.

Quando a manipulação veio à tona, Mark Zuckerberg foi chamado ao senado americano para depor. Pra quem entendeu o que houve, ficou claro que a democracia da nação mais importante do mundo havia sido hackeada. Mas os congressistas pouco entendimento tinham de mídia social; e quem estaria disposto a admitir que a democracia pode ser hackeada através da manipulação dos indivíduos?

Zuckerberg estava apenas pensando em estabelecer um modelo de negócios lucrativo com a venda de anúncios direcionados. A coleta de dados e a avaliação de perfil psicológico das pessoas tinham a intenção “inocente” de fazer as pessoas clicarem em anúncios pagos. Era apenas um modelo de negócios. Mas esse mesmo instrumento pode ser usado com finalidade política.

Ele se deu conta disso e sabia que as eleições brasileiras podiam estar em risco também. Somos uma das maiores democracias do mundo. O facebook tomou medidas ativas para evitar que as campanhas de desinformação e manipulações ocorressem em sua rede social. Muitas contas fake e páginas que compartilhavam informações falsas foram retiradas do facebook no período que antecede as eleições.

Mas não contavam com a capilarização e a popularização dos grupos de whatsapp. Whatsapp é um aplicativo de mensagens diretas entre indivíduos; por isso, não pode ser monitorado externamente. Não há como regular as fakenews, portanto. Fazer um perfil fake no whatsapp também é bem mais fácil que em outras redes sociais e mais difícil de ser detectado.

Lembram do Steve Bannon, que sonhou com o retorno de uma extrema direita nacionalista forte mundialmente? Que tinha ideias que são classificadas como anti minorias, racistas e homofóbicas? E que usou um sentimento difuso anti “tudo que está aí”, e um medo de os homens se sentirem indefesos para conquistar adeptos?

Pois bem, ele se encontrou em agosto com Eduardo Bolsonaro. Bolsonaro disse que o Bannon apoiaria a campanha do seu pai com suporte e “dicas de internet”, essas coisas. Bannon é agora um “consultor eventual” da campanha. Era o candidato ideal pra ele, por compartilhava suas ideias, no cenário ideal: um país passando por uma grave crise econômica com a população desiludida com a sua classe política.

Logo depois de manifestações de mulheres nas ruas de todo o Brasil e do mundo contra Bolsonaro, o apoio do candidato subiu, entre o público feminino, de 18 para 24 por cento. Um aumento de 6 pontos depois de grande parte das mulheres se unir para demonstrar sua insatisfação com o candidato.

Isso acontece porque, de um lado, a grande mídia simplesmente ignorou as manifestações e, por outro, houve um ataque preciso às manifestações através dos grupos de whatsapp pró-Bolsonaro. Vídeos foram editados com cenas de outras manifestações, com mulheres mostrando os seios ou quebrando imagens sacras, mas utilizadas dessa vez para desmoralizar o movimento #elenão entre as mais conservadoras.

Além disso, Eduardo Bolsonaro veio a público logo após a manifestação e declarou: “As mulheres de direita são mais bonitas que as de esquerda. Elas não mostram os peitos e nem defecam nas ruas. As mulheres de direita têm mais higiene.” Essa declaração pode parece pueril ou simplesmente estúpida mas é feita sob medida para estimular um sentimento de repulsa para com o “outro lado”.

Isso não é nenhuma novidade. A máquina de propaganda do nazismo alemão associava os judeus a ratos. O discurso era que os judeus estavam infestando as cidades alemãs como os ratos. Esse é um discurso que associa o sentimento de repulsa e nojo a uma determinada população, o que faz com que o indivíduo queira se identificar com o lado “limpo” da história. Daí os 6 por cento das mulheres que passaram a se identificar com o Bolsonaro.

Agora é possível compreender porque é tão difícil usar argumentos racionais para dialogar com um eleitor do Bolsonaro? Agora você se dá conta do nível de manipulação emocional a que seus amigos e familiares estão expostos? Então a pergunta é: “o que fazer?”

Não adiante confrontá-los e acusá-los de massa de manobra. Isso só vai fazer com que eles se fechem e classifiquem você como um inimigo “do outro lado”. Ser chamado de manipulado pode ser interpretado como ser chamado de burro, o que só vai gerar uma troca de insultos improdutiva.

Tenha empatia. Essas pessoas não são tolas ou malvadas; elas estão tendo suas emoções manipuladas e estão submetidas a uma percepção da realidade bastante diferente da sua.

Tente trazê-las aos poucos para a razão. Não ofereça seus argumentos racionais logo de cara, eles não vão funcionar com essas pessoas. A única maneira de mudar seu pensamento é fazer com que tais pessoas percebam sozinhas que não há argumentos que fundamentem suas crenças e as notícias veiculadas de maneira falsa.

Isso só pode ser feito com uma grande dose de paciência e de escuta. Peça para que a pessoa defenda racionalmente suas decisões políticas. Esteja aberto para ouvi-la, mas continue sempre perguntando mais e mais, até ela perceber que chegou num ponto em que não tem argumentos para responder.

Pergunte, por exemplo: “Por que você decidiu por esse candidato? Por que você acha que ele vai mudar as coisas? Você acha que ele está preparado? Você conhece as propostas dele? Conhece o histórico dele como político? Quais realizações ele fez antes que você aprova?”

Em muitos casos, a pessoa tentará mudar o discurso para falar mal de um outro partido ou do movimento feminista. Tal estratégia é esperada porque eles foram programados para achar que isso representa “o outro lado”, os inimigos a combater.

Nesse caso, o caminho continua o mesmo: tentar trazer a pessoa para sua própria razão: “Por que você acha que esse partido é tão ruim assim? Sua vida melhorou ou piorou quando esse partido estava no poder? Como você conhece o movimento feminista? Você já participou de alguma reunião feminista ou conhece alguém envolvido nessa luta?”

Se perceber que a pessoa não está pronta para debater, simplesmente retire-se da discussão. Não agrida ou nem ofenda, comportamento que radicalizaria o pensamento de “somos nós contra eles”. Tenha em mente que os discursos que essa pessoa acredita foram incutidos nela de maneira que houvesse uma verdadeira identificação emocional, se tornando uma espécie de segunda identidade. Não é de uma hora pra outra que se muda algo assim.

Duas das mais importantes democracias do mundo já foram hackeadas utilizando tais técnicas de manipulação. O alvo atual é o nosso país, com uma das mais importantes democracias do mundo. Não vamos deixar que essas forças nos joguem uns contra os outros, rasgando nosso tecido social de uma maneira irrecuperável.

P.S.: Por favor, pesquise extensamente sobre todo e qualquer assunto que expus aqui, e sobre o qual você esteja em dúvida. Não sou de nenhum partido. Sou filósofo e, como filósofo, me interesso pela verdade, pela ética e pelo verdadeiro debate de ideias.

Texto de Rafael Azzi

Sobre acasadevidro.com

Plugando consciências no amplificador

2 pensamentos sobre “As eleições no Brasil parecem um episódio de Black Mirror – e o documentário “Trumping Democracy” explica porquê

  1. Jota Esse disse:

    vcs só não são mais ridículos nas críticas a Bolsonaro, por falts de espaço… e por preferirem acreditar num “poste” fantoche de um presidiário que jogou o país num buraco sem fundo… to deixando de seguir essa publicação tendenciosa e fake-democrática… uma palhaçada sem tamanho, a favor da corrupção…

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