LINDAS CANÇÕES DE PAULO CÉSAR PINHEIRO – Com Clara Nunes, MPB4, Joyce, Mariene de Castro, Teresa Cristina, dentre outros

Com Clara Nunes, Vinícius de Moraes e Paulo Gracindo no camarim do show Brasileiro Profissão Esperança. Canecão, RJ/ 1974


CANÇÕES ESSENCIAIS DE PAULO CÉSAR PINHEIRO – Com Clara Nunes, MPB4, Joyce, João Nogueira, Mariene de Castro, dentre outros

PESADELO – Paulo César Pinheiro / Maurício Tapajós

Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta

E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo

Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã

Olha aí…
Olha aí…
Olha aí…



Com Baden Powell na gravação do LP Paulo César Pinheiro, lançado em 1980 com participação dos parceiros.

LEIA EM ROLLING STONE: Paulo César Pinheiro, o letrista mais importante do Brasil (Nov / 2011)



JOGO DE ANGOLA – Paulo César Pinheiro

No tempo em que o negro
Chegava fechado em gaiola
Nasceu no Brasil
Quilombo e quilombola
E todo dia, negro fugia, juntando a curriola

De estalo, de açoite, de ponta de faca
E zunido de bala
Negro voltava pra Angola
No meio da senzala

E ao som do tambor primitivo
Berimbau, maracá e viola
Negro gritava “Abre ala!”
Vai ter jogo de Angola

Perna de brigar, camará
Perna de brigar, olê!
Ferro de furar, camará
Ferro de furar, olê!
Arma de atirar, camará
Arma de atirar, olê!

Dança guerreira
Corpo do negro é de mola
Na capoeira
Negro embola e desembola
E a dança que era uma festa para o dono da terra
Virou a principal defesa do negro na guerra
Pelo que se chamou libertação
E por toda força coragem, rebeldia
Louvado será todo dia
Esse povo cantar e lembrar o Jogo de Angola
Na escravidão do Brail

Ouça com Clara Nunes Guerreira:



CANTO DAS TRÊS RAÇAS – Paulo Cesar Pinheiro e Mauro Duarte

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou
Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador
Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor




Com Tom Jobim e Dori Caymmi, 1980

AS FORÇAS DA NATUREZA – Paulo César Pinheiro e João Nogueira

Quando o Sol
Se derramar em toda sua essência
Desafiando o poder da ciência
Pra combater o mal
E o mar
Com suas águas bravias
Levar consigo o pó dos nossos dias
Vai ser um bom sinal
Os palácios vão desabar
Sob a força de um temporal
E os ventos vão sufocar o barulho infernal
Os homens vão se rebelar
Dessa farsa descomunal
Vai voltar tudo ao seu lugar
Afinal

Vai resplandecer
Uma chuva de prata do céu vai descer, la la la
O esplendor da mata vai renascer
E o ar de novo vai ser natural
Vai florir
Cada grande cidade o mato vai cobrir, ô, ô
Das ruínas um novo povo vai surgir
E vai cantar afinal

As pragas e as ervas daninhas
As armas e os homens de mal
Vão desaparecer nas cinzas de um carnaval (2X)

Com João Nogueira e Joyce no show Paulo César Pinheiro 50 Anos. SESC Pompéia, São Paulo, 1999 (Foto Marco Aurélio Olímpio)



Toque de São Bento Grande de Angola – Paulo César Pinheiro

Nesse mundo camará
Mas não há, mas não há,
Mas não há quem me mande!
Eu só sei obedecer
Se mandar
Se mandar São Bento Grande
É de Angola, é de Angola, é de Angola
De Angola, De Angola, De Angola! 

Meu avô já foi escravo
Mas viveu com valentia
Descumpria a ordem dada
Agitava a escravaria
Vergalhão, corrente, tronco
Era quase todo dia
Quanto mais ele apanhava
Menos ele obedecia

Quando eu era ainda menino
O meu pai me disse um dia
A balança da justiça
Nunca pesa o que devia
Não me curvo à lei dos homens
A razão é quem me guia
Nem que seu avô mandasse
Eu não obedeceria

Esse mundo não tem dono
E quem me ensinou sabia
Se tivesse dono o mundo
Nele o dono moraria
Como é mundo sem dono
Não aceito hierarquia
Eu não mando nesse mundo
Nem no meu vai ter chefia!



SAGARANA

A ver, no em-sido
Pelos campos-claros: estórias
Se deu passado esse caso
Vivência é memória
Nos Gerais
A honra é-que-é que se apraz
Cada quão
Sabia sua distinção
Vai que foi sobre
Esse era-uma-vez, ‘sas passagens
Em beira-riacho
Morava o casal: personagens
Personagens, personagens
A mulher
Tinha o morenês que se quer
Verdeolhar
Dos verdes do verde invejar
Dentro lá deles
Diz que existia outro gerais
Quem o qual, dono seu
Esse era erroso, no à-ponto-de ser feliz demais
Ao que a vida, no bem e no mal dividida
Um dia ela dá o que faltou… ô, ô, ô…

É buriti, buritizais
É o batuque corrido dos gerais
O que aprendi, o que aprenderás
Que nas veredas por em-redor sagarana
Uma coisa e o alto bom-buriti
Outra coisa é o buritirana…

A pois que houve
No tempo das luas bonitas
Um moço êveio:
– Viola enfeitada de fitas
Vinha atrás
De uns dias para descanso e paz
Galardão:
– Mississo-redó: Falanfão
No-que: “-se abanque…”
Que ele deu nos óio o verdêjo
Foi se afogando
Pensou que foi mar, foi desejo…

Era ardor
Doidava de verde o verdor
E o rapaz quis logo querer os gerais
E a dona deles:
“-Que sim”, que ela disse verdeal
Quem o qual, dono seu
Vendo as olhâncias, no avôo virou bicho-animal:
– Cresceu nas facas:
– O moço ficou sem ser macho
E a moça ser verde ficou… ô, ô, ô…

É buriti, buritizais
É o batuque corrido dos gerais
O que aprendi, o que aprenderás
Que nas veredas por em-redor sagarana
Uma coisa e o alto bom-buriti
Outra coisa é o buritirana…
Quem quiser que cante outra
Mas à-moda dos gerais
Buriti: rei das veredas
Guimarães: buritizais!


ÁLBUNS COMPLETOS

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