[Encontro de Culturas 2016 – Txt 08] “Caminhadeira”: conheça mais sobre a peça teatral de Suzana Zana na X Aldeia Multiétnica e assista a um vídeo exclusivo da apresentação

CAMINHADEIRA

Caminhadeira é uma mulher que resolveu fazer de sua casa o caminho e encher sua bagagem com as histórias que brotam dos encontros e das andanças. Assista o vídeo de sua apresentação na Aldeia Multiétnica, além de conferir trechos de uma entrevista com a multiartista Suzana Zana

por Eduardo Carli de Moraes para o XVI Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros

A multiartista Suzana Zana chegou à Chapada dos Veadeiros acompanhada por sua produtora Luiza Ritter após uma saga cheia de peripécias. A jornada delas faz jus ao título do espetáculo que Zana apresentou em três ocasiões durante o XVI Encontro de Culturas: Caminhadeira. Quem não pôde curtir a peça ao vivo, ou quem assistiu e já está com saudades, agora pode assistir a este vídeo, que registra na íntegra a performance da peça na Aldeia.

Suzana e Luisa vieram de Barra Mansa (Rio de Janeiro) e  integram o coletivo de teatro de rua Sala Preta (conheça o site oficial), que existe há sete anos. Para apresentarem-se neste XVI Encontro de Culturas, mobilizaram todas as suas forças em um financiamento colaborativo, por meio de rifas e muita propaganda boca-a-boca, o que foi bem sucedido em trazê-las até a vivência de intensa interação intercultural que caracteriza o “Encontrão”:

“A gente se inscreveu no edital de artistas”, conta Suzana, “e aí, quando chegou a resposta de que fomos aprovadas, primeiro a gente ficou feliz e logo depois triste: já era dia 10 de junho, faltavam só uns 40 dias para o evento, e a gente não tinha grana pra pagar a viagem até a Chapada dos Veadeiros. Aí pensamos em rifar a peça, no valor mínimo de 10 reais. Nunca na vida falei tanto sobre a peça, sobre a importância dela. Foi um mês inteiro de campanha, em que fizemos também duas apresentações para ‘passar o chapéu’, e assim a gente conseguiu a grana exata para chegar até aqui. Só que ainda não sabemos se vai dar pra ir embora… (risos).”

A peça teatral, interpretada por Suzana, tece uma narrativa inspirada no conto popular A Lenda do Preguiçoso. O espetáculo tem por protagonista um sujeito que é preguiçoso de nascença, que nunca teve vontade de fazer nada e que, com tanta preguiça, nada construiu de relevante com seu tempo entre os vivos. Até que se vê no limite e toma uma decisão drástica em sua vida. De modo lúdico e livre, com abertura para improvisações e momentos musicais, Suzana interage com qualquer faixa etária e faz refletir sobre a existência e seu sentido de maneira leve e graciosa, mas que não deixa de ser filosófica e provocativa.

“Com essa história do preguiçoso eu tenho intimidade, conheço desde os 7 ou 8 anos de idade”, relembra Suzana em um papo que tivemos às beiras do Rio São Miguel. “Descobri a lenda em um livro de português que líamos na escola, para aqueles exercícios de interpretação de texto, sabe? O que me chamou a atenção foi que era um cara que não fazia nada na vida, não tinha vontade de nada. A história que criei fala da força do seu querer, como você pode mudar o seu destino a partir de um impulso ou iniciativa que você tem. O protagonista precisa de um despertar na vida, e o legal é que o público não é condescendente com ele e basicamente manda ele se levantar.”

O espetáculo estreou em 2011 no Equador, em San Lorenzo, uma região equatoriana habitada por uma grande população de africanos provenientes da diáspora. “Esta é uma região para onde foram quase todos os escravos na época da abolição”, explica Suzana, “então a cidade é basicamente de  população negra, que vive em um território onde criaram suas comunidades, mantiveram suas raízes e puderam inventar sua afrolatinidade. Foi uma estréia que ficou muito marcada na minha memória, uma situação rara.”

Atualmente, Caminhadeira já conta com mais de 100 apresentações já realizadas nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. As performances ocorreram nos mais variados locais, como praças, salas de aula, refeitórios, instituições e feiras. São cinco anos de estrada, luta e resistência – e agora a Chapada dos Veadeiros também participa, com capítulos memoráveis, da saga artística de Suzana Zana e Luísa Ritter. Elas com certeza enriqueceram e foram enriquecidas pela caminhada chapadeira, pelas vivências e intercâmbios, pelas amizades e contatos, pelas prosas e poesias, propiciadas pelo Encontrão 2016.

Vivencie “Caminhadeira” na X Aldeia Multiétnica e emocione-se com uma mulher que resolveu fazer de sua casa o caminho e encher sua bagagem com as histórias que brotam dos vínculos que se criam nas andanças. A Caminhadeira, nesta vida, está sempre de passagem, mas sabe que passar é muito mais gracioso e doce quando carregamos, pelo caminho que trilhamos, os amigos e as histórias, os laços e as memórias, que juntos tecemos na ciranda da cultura.

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ASSISTA AO VÍDEO:
CAMINHADEIRA NA X ALDEIA MULTIÉTNICA NO YOUTUBE OU NO VIMEO

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3 pensamentos sobre “[Encontro de Culturas 2016 – Txt 08] “Caminhadeira”: conheça mais sobre a peça teatral de Suzana Zana na X Aldeia Multiétnica e assista a um vídeo exclusivo da apresentação

  1. Bem, se San Lorenzo é o local para onde acorreram “quase todos” os escravos libertos do Equador, como afirma a autora da peça teatral, é possível que o documentário exibido pelaTV Brasil, ou TVescola, tenha sido produzido numa comunidade negra situada nessa região.Faz tempo.Nesse documentário, tem um cidadão já idoso, muito respeitado na comunidade pela valentia e por tocar um instrumento musical típico, não lembramos se “marimba” ou outro instrumento de percussão,que narra a chegada dos negros naquela região que era terra de índios.Conta o cidadão como invadiram a aldeia indígena, tomaram suas mulheres e afastaram os índios.Contava ele que as mulheres indígenas se transformaram em negras, pois, “mulher de negro se não for negra vira negra”.

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  2. Por que retiraram o comentário que postei neste espaço? Alguma inconveniência?Qual?

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