[Encontro De Culturas 2016 – Txt 02] – MOSAICOS DOS VIVENTES: Um breve painel dos participantes da vivência na X Aldeia Multiétnica

Fotografia por Santi Asef

Fotografia por Santi Asef

MOSAICO DOS VIVENTES

por Eduardo Carli de Moraes para o XVI Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros (17 / 07 /2016)

Como é tradição, o domingo raiou na Aldeia Multiétnica com um banho de rio ao nascer do sol. A etnia Kayapó, responsável pela festa do dia, iniciou desde cedo os preparativos para as festividades. Pela manhã, ocorreu também uma oficina de confecção de arco e flecha, com materiais tradicionais, com guerreiros indígenas Kayapó.

A roda de lideranças indígenas, ocorrida logo pela manhã, é um espaço para a discussão em conjunto da programação, da diária coleta de materiais, das atividades que ocorrerão dia afora, e principalmente das demandas de cada comunidade: se estão precisando de alimentos, se estão confortáveis. É um espaço de escuta, construção e sugestões onde definem o que é melhor pra todos e quem pode cooperar em qual tarefa.

Posteriormente a isso, abrigados do sol inclemente do cerrado sob a proteção da teia geodésica, uma roda­ de­ prosa possibilitou que os viventes, voluntários e representantes indígenas se conhecessem melhor. A dinâmica foi orientada por Fernando Schiavini, que trabalhou por 40 anos na Funai e possui três livros publicados (o mais recente dele é Os Desafios do Indigenismo), que destacou a relevância de “quebrar barreiras e estereótipos não só entre indígenas e viventes, mas também entre as próprias etnias”.

As pessoas que estão acampadas na Aldeia – conhecidas como “viventes” ­- puderam revelar umas às outras suas proveniências, histórias de vida, motivações para estar ali. Muitos participantes expressam gratidão pela oportunidade de vivenciar as experiências propiciadas pela Aldeia: “com certeza vamos voltar para casa diferentes do que chegamos”; “isto aqui é como um portal de conhecimento que se abre”; “aqui podemos ir em busca de nossas próprias origens”; “vim em busca de expandir meu conhecimento acadêmico através de relações concretas” -­ eis algumas das frases agradecidas que se ouviram.

Houve quem declarasse que está presente também para “pedir desculpas” pelo que foi perpetrado contra os povos indígenas durante os 516 anos de colonização. Não faltaram aqueles que se dizem numa jornada de busca, seja ela artística, espiritual ou pedagógica, com a meta de refazer conexões com a terra, o território, a raiz. A percussionista Kika Deeke, por exemplo, que participa do coletivo audiovisual Brasileirando, veio em busca de conexão com “a fascinante musicalidade dos povos indígenas”, seus instrumentos musicais peculiares e ritmos particulares.

Vários universitários que estudam arquitetura também estavam presentes e tiveram apoio da própria faculdade onde estudam para que pudessem viver algo de educativo em ambientes extra­classe. Também estavam presentes, realizando filmagens, os membros da equipe de Índio Presente, série que será apresentada a partir de 2017 em TVs públicas, como a TV Brasil. Após a roda ­de ­prosa, grupos de viventes se dirigiram ao almoço com as etnias, que dá acesso também aos costumes culinários e hábitos de convivência que são específicos de cada etnia.

X Aldeia Multiétnica. Fotografia: Bruna Brandão.

X Aldeia Multiétnica. Fotografia: Bruna Brandão.

ACESSE O ÁLBUM COMPLETO
SAIBA MAIS: www.encontrodeculturas.com.br/2016

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