“Saudades e cinzas foi o que restou!”

Cena do filme "Orfeu Negro", de Marcel Camus, baseado na peça de Vinícius de Moraes, vencedor da Palma de Ouro em Cannes

Cena do filme “Orfeu Negro”, de Marcel Camus, baseado na peça de Vinícius de Moraes, vencedor da Palma de Ouro em Cannes

Marcha de Quarta-feira de Cinzas
 Compositores: Vinicius De Moraes / Carlos Lyra
Intérprete: Toquinho
Vídeo: Ramon Moreira

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou

Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor

E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade

A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar

Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe

Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz.

OUÇA: NARA LEÃOSIMONALELISJOYCE

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SIGA VIAGEM COM AS PLAYLISTS:
Polifonia de Pindorama: Janeiro / Fevereiro

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LEITURAS SUGERIDAS:

Brasil Post: “O período pós-abolicionista marcou a forte perseguição de quaisquer sonoridades, sotaques, danças e religiosidades afro-brasileiras, que visavam manter tradições que a sociedade brasileira queria tanto apagar. Nesse contexto, a importância das mulheres negras foi fundamental, porque além de manterem economicamente suas famílias — já que continuaram a trabalhar como empregadas domésticas nas casas grandes –, foram essenciais para a resistência do samba. No Rio de Janeiro, a Tia Ciata, que hoje seria o que é comumente conhecido como mãe de santo, se destaca como memória coletiva. Na sua casa acontecia o samba que era proibido, onde nomes como Pixinguinha, Sinhô e tantos outros se conheceram e puderam compor.”

Paulinho da Viola no El País: “Essa história nossa do samba é fascinante porque se enriqueceu e mudou muito. Os movimentos que vinham surgindo na música brasileira, desde a bossa nova na década dos 50, já propunham uma abordagem diferente daquilo que se fazia tradicionalmente com o samba. As escolas de samba mudaram de ano para ano e elas incorporaram muita coisa nova também. Você pode dizer que o samba tem origem na África, com elementos da cultura portuguesa, com grandes influências aqui no Brasil, mas você vê que o povo foi antropofágico, pegou tudo e o devolveu de outra maneira. Nesses cem anos sempre houve experimentações, desconstruções, jovens talentos trazendo coisas novas… E essa linha rítmica, tão forte, só não desapareceu por um motivo: porque o povo não deixou.”

P.S. – Wilson das Neves – “O Dia Em Que O Morro Descer E Não For Carnaval”

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