O PESSOAL É POLÍTICO! – Estilhaços de Feminismo Insurgente

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O PESSOAL É POLÍTICO

Márcia Tiburi
In: “Filosofia Prática” (Record, 2014)

A ideia de que O PESSOAL É POLÍTICO surgiu na expressão da feminista Carol Hanisch (ACESSE AQUI OS ESCRITOS DELA). A frase é de efeito, daquelas que nos levam a pensar. Ela implica o posicionamento de cada um no político, a eliminação da fronteira entre público e privado, entre desejo e poder. Isso quer dizer que cada um está no mundo social com aquilo que é e, ao mesmo tempo, cada um é fruto daquilo que está além de si. A questão do pessoal ser político nos serve de ponto de partida para PENSAR A ÉTICA de um modo geral enquanto ela implica o que somos, como nos tornamos o que somos, enquanto isso só se constrói porque vivemos junto uns dos outros… Sou o resultado de um processo que está muito além de mim e, ao mesmo tempo, posso dar continuidade a ele ou modificá-lo.

PENSAR PARA QUÊ?, pergunta o sacerdote do pragmatismo vulgar. Pensar para traçar o caminho de nossa emancipação relativamente ao sistema econômico e político que espera de nós a mais devota e tonta obediência. “COMO NOS TORNAMOS QUEM SOMOS?” Permanecer com essa pergunta em vista talvez nos ajude a salvar nossa própria individuação diante do convite diário à autoaniquilação da alma. A ética se torna esse primeiro movimento de REFLEXÃO SOBRE SI que pode nos tirar das amarras físicas e simbólicas, somáticas e anímicas que nos pedem que nos contentemos simplesmente com algo como NÃO SER.

Uma das perguntas éticas fundamentais é “O QUE ESTAMOS FAZENDO UNS COM OS OUTROS?”, que coloca em cena aquele que faz algo na direção de outro, bem como o que faz e como faz. Aquele que será implicado em seu próprio fazer e, querendo ou não, responsabilizado por ele. Todo o nosso fazer é performativo… produz algo sobre o outro, a favor ou contra ele. E, mais do que isso, “com” ele. Nosso fazer mais simples também nos produz a nós mesmos, mas produz, antes de tudo, um “nós”.

A REFLEXÃO nos aproxima de nós mesmos – enquanto somos em algum sentido também um outro para nós mesmos – e, então, nos conduz a ESSE OUTRO TIPO DE OUTRO, o outro exterior. Aquele com quem construímos o mundo comum, ao qual somos ligados – ou desligados – pela ação. O outro é fonte e receptáculo da ação, mas também provocação, interpelação e reação. O outro, antes de ser um objeto de uma suposta consciência que deseja conhecer, é um abismo… ABRIR-SE AO OUTRO, porque não há outra maneira de encontrá-lo e de encontrar-se por meio dele, DEIXAR-SE ABISMAR NELE é o MOMENTO ÉTICO de todo pensamento e de toda ação.

O DIÁLOGO enquanto prática linguística dirigida ao outro e com ele entrelaçada, diz respeito à capacidade de ultrapassar o estado de esvaziamento a que estamos condenados por uma SOCIEDADE EM QUE PENSAR FILOSOFICAMENTE não é algo que se valorize. O CONVITE DIÁRIO É À IRREFLEXÃO QUE NADA MUDA. O diálogo é a proposta da filosofia prática enquanto somos por meio dele “ressubjetivados”, “intersubjetivados” e, portanto, CONDUZIDOS AO RECONHECIMENTO DO OUTRO para além do vazio do reconhecimento que aprendemos nestes dias…

TIBURI.
Pg. 94 a 101.

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Nas ruas: Mulheres contra Cunha

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