INFINDAS MANEIRAS DE FINDAR – O que desvela Fernanda Torres em seu romance de estréia, “Fim” (Companhia das Letras, 2013)

INFINDAS MANEIRAS DE FINDAR

Fernanda Torres cometeu um romance de estréia que é um escândalo de bom. Uma prosa tão excitante e vivaz quanto a de Arundathi Roy ou Katherine Mansfield pulsa nas páginas de Fimlivro desta magistral multi-artista brasileira. Célebre por seus papéis na televisão e no cinema (com destaque para O Que É Isso Companheiro?, de Bruno Barreto, O Primeiro Dia, de Walter Salles, Eu Sei Que Vou Te Amar, de Arnaldo Jabor, Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho, além de alguns filmes de seu marido Andrucha Waddingston), Fernanda Torres tem se revelado não somente como uma de nossas melhores atrizes e mais hilárias comediantes mas também como uma escritora de alta relevância e imensa capacidade expressiva.

Numa prosa apimentada e caliente como Nelson Rodrigues ou Henry Miller, Fernanda tece um panorama não só do Rio de Janeiro, mas de toda a condição humana, colecionando “causos” de gente que está findando. Não chamemos de “agonia”, que a palavra é muito soturna, enquanto que a prosa Fernandina é brincalhona e lúdica. Não são personagens agonizantes – no sentido Gritos e Sussurros de Bergman – o que o leitor acessa através da leitura de Fim. 

É muito mais um vívido retrato da vida humana em sua finitude, em sua pequenez, em sua inconclusão, já que os mortais muitas vezes não podem nem mesmo consolar-se pensando que morreram uma “boa morte”. Em Fim, há fins que são ridículos, patéticos, grotescos, horrorshow. Fernanda Torres não pinta auréolas de santidade sobre a cabeça de ninguém – nem mesmo do Padre Graça, este excelente personagem que, em Fim, fica “abalado pela quantidade de vezes em que Deus parecia dormir” (p. 41).

A prosa dela é capaz de inúmeras referências cinematográficas (Bruce Willis descalço sobre os cacos de vidro de uma explosão recente), musicais (as canções de Dolores Duran que embalam a fossa emocional de uma das personagens), teatrais e contraculturais (como a eventual aparição, no enredo, dos Dzi Croquettes e de Lennie Dale). Sobretudo, Fernanda  Torres demonstra ser uma contadora-de-histórias de grande audácia e criatividade, capaz de dialogar com algumas das magnum opus da literatura universal. No trecho seguinte, ela põe o romance para refletir filosoficamente de um modo que lembra o modus operandi de Milan Kundera e manda a seguinte descrição de Ruth (status no Facebook: “em um relacionamento enrolado”):

Fernanda Torres 2

“O ato supremo do romantismo é o suicídio. Ruth nasceu com o defeito de ser feminina ao extremo e, por consequência, romântica em excesso. Sempre viu nisso vantagem, mas agora que descobria a fragilidade de sua natureza, daria tudo para se livrar de si mesma. Se possuísse a audácia de Bovary, tomaria cicuta, a nobreza de Sônia, enfrentaria a Sibéria, se miserável, como Fantine, arrancaria os dentes. Mas não, era uma mortal carioca, classe média, como tantas. Célia, Irene, Raquel, todas tratavam seu sofrimento como algo vulgar, um mero desquite. O talho nos pulsos, a forca, o gás, eram fins grandiosos demais para alguém como ela. Decidiu ser humilde, matou o amor com descrição de vestal, fez do lar um convento. Já não planejava reconquistar o marido, queria, sim, se isolar do barulho lá fora, não se importar, não querer, não precisar, não sofrer. Morrer. Exercitou a indiferença até se tornar insensível ao cheiro, ao rosto e à voz da cara-metade.” (FERNANDA TORRES, Fim, pg. 120)

Além de evocar figuras femininas das páginas de Madame Bovary, de Flaubert, Crime e Castigo, de Dostoiévski, e Os Miseráveis, de Victor Hugo, Fernanda Torres faz algo mais: consegue dar densidade existencial ao que, nas mãos de um artista menos competente, de um escritor menos expressivo, poderia ter caído na vulgaridade de um desquite. Os vínculos afetivos, nas páginas de Fim, estão pintados com tremendo realismo, entrelaçados por nós complexos, numa maquinaria que não é fácil fazer com que trabalhe com harmonia a contento. Neste sentido o livro realiza algo também magistralmente conquistado por D. H. Lawrence em O Amante de Lady Chatterley e por Nathaniel Hawthorne em A Letra Escarlate: mostra todo o drama existencial por trás da suposta simplicidade da separação, do divórcio, do desquite, do rompimento do vínculo. Fim carrega em seu bojo uma constelação afetiva muito ampla – e Fernanda Torres é audaz o bastante para não dourar a pílula, expondo com adorável impertinência e irreverência os muitos erros e calhordices que cometem os humanos uns contra os outros.

Em Fim, a literatura de Torres debruça-se sobre a vida humana em sua finitude e sonda e as circunstâncias e situações tão diversas nas quais podemos findar. Que estes entes finitos que somos tenhamos que findar um dia (que não tarda), eis coisa certa, porém a vida reserva-nos um certo grau de suspense: o de não saber lá muito bem as características precisas em que se dará a morte de Fulano ou Sicrana (e o nosso próprio fim, sua “cara”, sua “peculiaridade”, é-nos desconhecido por boa parte da vida!). Tolstói, com seu A Morte de Ivan Ilich, ou Hermann Broch, com seu A Morte de Virgílio, são exemplos de artistas primorosos na “pintura” dos últimos momentos de um vivo que finda. Pois findar é nosso destino, e a arte imita a vida.

O interesse de Fim, o livro com o qual Fernanda Torres debuta no campo da prosa de longo fôlego, vai muito além de ser um panorama dos costumes do Rio de Janeiro, visto através do prisma daqueles que no Rio findam seus dias. O livro sonda a condição humana e depois entrega ao leitor um banquete de divagações existenciais, teses psicanalíticas (“a intimidade destrói a libido”, p. 164), piadas one-liners dignas de sitcom (herança que Fernanda traz dos anos contracenando com Luiz Fernando Guimarães na série Os Normais?).

Sobretudo o livro impressiona pelos personagens fortes, bem delineados e nada idealizados. Fernanda Torres fez um livro cujo sabor agradará mais aos misantropos que aos humanistas, e onde pulsa uma veia satírica que beira a língua ácida dum Céline ou o traço satírico de Crumb.

Mas dá pra sentir também que a mulher que segura a pena também é capaz de intensa empatia. Do emaranhado de prosa em que os personagens estão presos emana uma certa percepção da interconexão ontológica que tece nossos destinos de modo a ninguém ser um ilha e todos serem co-dependentes.

As pessoas – ou, melhor dizendo, os mortais que Fernanda Torres nos pinta, os episódios com os quais ela encena os despropósitos e as dificuldades destas vidas, mostram o ser humano sem idealização, sem máscara. O que não quer dizer que não reste mais nada de gostável neles. Muitas vezes são bastante simpáticos, apesar de calhordas. São extravagantes em seus desarranjos, como se quisessem nos provar que, olhando bem fundo, prestando bem a atenção, não dá pra dizer de ninguém que seja normal… E a manada dos normais muitas vezes nem suspeita do quanto há de loucura em sua normopatia…

As 5 partes de Fim são dedicadas a 5 criaturas humanas que estão no processo de findar. Todos estamos,  é verdade, mas eles estão, por assim dizer, na reta final: a morte já afia sua foice à espera de seus pescoços que se aproximam. A “morte de ávidos dentes”, como diz Sêneca, já está passando o azeite e o sal sobre a carne destes bifes humanos que ela está prestes a deglutir. Álvaro, o protagonista da primeira parte do romance, é um velhinho que já não se locomove com o vigor de sua juventude: “Depois dos setenta a vida se transforma numa interminável corrida de obstáculos. A queda é a maior ameaça para o idoso. A queda separa a velhice da senilidade extrema. (…) Em casa, vou de corrimão em corrimão, tateio móveis e paredes, e tomo banho sentado.” (pg. 14)

Ao situar Álvaro no cenário do Rio ultra-urbanizado, velhinho tentando atravessar a rua e sentindo-se profundamente desrespeitado pelo corre-corre ao redor, Fernanda Torres acaba por pintar um quadro sociológico muito interessante sobre as agruras da urbanidade e sobre as consequências práticas de nossa carrolatria (o endeusamento do automóvel individual):

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“Opa, abriu. Esse sinal demora uma eternidade para abrir e dois segundos para fechar. Lá vou eu, ágil como os cágados da Marília. Não acredito, já está piscando?… Fechou! Ainda falta um terço de faixa e essa porcaria fecha? Calcularam com quem esse tempo? Com o Ligeirinho? O que é? Vai passar por cima? Passa, desgraçado, parte o meu joelho no meio com o seu farol de milha. Eu já entendi que você quer passar, filhinho! Um dia você vai envelhecer, se tiver sorte você vai envelhecer, e um guri com pressa vai quebrar a sua perna em vários pedacinhos e você vai passar o resto dos seus dias de fraldão, com pânico de atravessar a esquina.” (pg. 20)

Essa sátira da speedfreakiness que assola nossos tempos – os carros peidando CO2 e buzinando contra velhinhos e ciclistas… – é apenas um exemplo, no livro de Fernanda, desta capacidade incrível da autora para revelar a torpeza de comportamentos. Álvaro, o velhinho que não consegue atravessar a rua, a tempo e a contento, mesmo que vá até a faixa de pedestres, é um representante de toda uma fração da população que encontra-se alijada de direitos na cidade segregada e carrólatra. O semáforo está programado para ir ao vermelho muito velozmente para que o velhinho Álvaro tenha tempo para atravessar a rua, e uma treta logo pipoca, com xingos e verbais violências. Álvora não é descrito por Fernanda como coitadinho. Pelo contrário, é um velho amargo, raivoso, que xinga e esbraveja, expressando todo o seu rancor e profetizando que o dono do carro, que contra ele dispara a buzina, irá, no futuro, ter a perna estropiada por um guri com pressa, um desses tipos Mad Max, “a full-injected suicide machine”…

Álvaro não é o velhinho coitadinho, é mais uma expressão dessa sociedade onde triunfa o individualismo a ponto de alguém ser capaz de confessar, como ele o faz: “Não separo lixo, não reciclo, jogo guimba no vaso, uso aerosol, tomo longos banhos quentes e escovo os dentes com a torneira aberta. Dane-se a humanidade. Não vou estar aqui para assistir.” (pg. 20)

Estes personagens de Fernanda Torres, se possuem algo em comum, é o fato de estarem findando sem sabedoria, ainda  envoltos nos samsaras de relações interpessoais complicadas, neuróticas, cheias de ressentimentos e vinganças. Se há um fio condutor que atravessa o romance inteiro, não é tanto um debate sobre a 3ª idade como ela é vivenciada no Rio de Janeiro, mas muito mais uma tentativa de abordar os problemas do amor de modo a debater, nas raízes, profunda e concretamente, questões de sexualidade (monogamia vs poligamia, por exemplo, é uma controvérsia que atravessa o romance) e indagações acerca da medicalização da vida.

Sobre este último ponto, o da medicalização, Fernanda Torres tematiza em sua obra de modo bem vivaz o modo como os velhinhos acabam enredados na teia das mega corporações farmacêuticas e da atual lógica hospitalar privatista. Um certo personagem, Silvio, está sofrendo com o mal de Parkinson. Em primeira pessoa, descreve o que significa viver com Parkinson, desvelando os detalhes de sua experiência subjetiva, com uma riqueza de detalhes e uma carga emocional que faz pensar em alguns dos melhores filmes de Eduardo Coutinho, em especial O Fim e o Princípio.

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“O Parkinson acaba com a iniciativa da gente. (…) O tratamento do Parkinson é muito pior do que o Parkinson. E não existe cura. As bombas aceleram a cabeça, dão suor frio e um medo do caralho. O médico carimba a receita e te manda para casa de mãos dadas com o Incrível Hulk. São uns tarados, esses doutores. Carbidopa 25 mg, Levodopa 250 mg, Cloridrato de benzerazida 25mg. Para o farmacêutico te entregar o pacote, você tem que apresentar CPF, carteira de identidade, título de eleitor, bons antecedentes, foto. É mais fácil comprar uma arma e se matar. Sem contar os antidepressivos, antiespasmódicos, antiácidos e associados; delírios extenuantes de carros andando pra trás, cortes no tempo e passamentos.” (pg. 68)

Fernanda Torres povoa as páginas do romance com referências à farmacopéia contemporânea: são personagens cujas vidas são marcadas pela disponibilidade de Viagras (contra a impotência sexual), Prozacs (contra a depressão, a melancolia, o tédio…), tranquilizantes e anfetaminas… Uma miríade de substâncias, entre as lícitas e as ilícitas, marca presença forte nesta vidas e mostra na prática porquê este é um dos ramos mais pujantes da economia globalizada (drogas e armas vendendo à beça… parabéns mundo!). Fernanda Torres fala de gente que está “economizando dinheiro para colocar silicone” (pg. 100), de médicos que recomendam, professorais, que o Viagra deve ser tomado “com umas três horas de antecedência, para não ter surpresas e já chegar calibrado” (pg. 101), de relacionamentos cujas feridas são tratadas na farmácia (“O fim do caso com a Suzana foi todo à base de Lexotan”, pg. 101). Aquilo que Kurt Cobain ironizava – “My heart is broke but I have some glue…” – aconteceu. Mas a “cola” para corações partidos agora está à venda nas mega-drogarias (que aceitam cartão de débito e crédito, acolhem pedidos pela internet, entregam a domicílio…).

Para instigar o leitor a conhecer este livro de Fernanda Torres também pelo mérito dele em radiografar nossa sociedade, basta citar também uma cena notável em que um personagem vai ao banheiro, deparando com a escova de dentes de uma mulher ausente, para em seguida abrir o armário para dar de frente com…

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“Ritalina, Lexapro, Frontal, Valium, Haldol, Seroquel, o resto do Pondera do ano passado e o Aropax, que o dr. Péricles planeja experimentar nos próximos meses. Os rótulos me encaram do buraco da parede. O Murilo insistiu que eu me tratasse. Por um ano respondi aos intermináveis questionários sobre os efeitos dos benzodiazepínicos no meu organismo. O dr. Péricles queria saber da compulsão, da ansiedade, do desânimo matinal; de acordo com as respostas, alterava as doses, o que provocava novas indagações. Um melhora, outro piora, eu respondia, como um aluno bem-comportado, até que, num rompante, me transformei numa cobaia arisca.

Decidi não mais colaborar com os laboratórios, me vinguei de forma sistemática, atrapalhando a preciosa pesquisa deles. Fornecia dados fraudulentos, alegava tonturas, dores no peito que não existiam. Me revelei um rato anárquico, perigoso, que planejava destruir a megalomania científica dos reguladores de humor, frustrar o delírio dos que pretendiam controlar meu desespero. (…) Um clínico saberia diagnosticar uma pancreatite fingida, mas o psico Péricles seguia à risca as estatísticas americanas, as tabelas de comportamento da Pfizer, da Roche, sem perceber que eu fazia o que o homem faz desde que se entendeu por gente: eu mentia e me divertia.

Minha alegria de acabar com as certezas do Péricles perdeu a graça recentemente, há duas consultas. Ele me entregou a receita, eu passei na farmácia e trouxe o carregamento pra casa. Guardei lacrado no armário trincado do banheiro. Desisti de tomar. Faz três semanas que meus humores agem livres. E eles têm tomado conta de mim. Recolho os tarja-preta e ponho no bolso, encho o copo água da bica. Pra que filtrar? Sento na cama e deposito os medicamentos e o copo sobre o criado-mudo.

A diferença entre um tarja-preta e um tarja-vermelha, me explicou o balconista da Droga Raia, é que se você tomar uma caixa inteira da preta, você empacota; da vermelha, não.” (pg. 138-139)

 Nossas vidas, parece dizer Fernanda Torres, já estão profundamente colonizadas pela lógica da indústria farmacêutica globalizada e tendemos a idolatrar o poder dos remédios para nos libertarem do mal-estar ou turbinarem nossa energia vital, mas diante da mortalidade e da finitude percebe-se sempre que não há remédio contra a morte, nem regulador de humor que cure o “luto perpétuo”. Por “luto perpétuo” Fernanda Torres compreende o afeto acarretado pela perda de um ente amado tido como insubstituível – como é o caso do personagem Neto quando perde Célia. Neto, após muitas doses de ansiolíticos, descobriu que eles não podem tudo. Jamais poderiam trazer de volta a pessoa amada que a gulosa da Morte deglutiu com ávidos dentes. Apesar de Fim estar repleto de cenas cômicas e provocações lúdicas, Fernanda Torres é sublime mesmo quando se mete a fazer tragédia:

“O desespero no velório da esposa foi um prenúncio do que viria mais tarde. Neto contorcia-se de angústia. Ajoelhou no chão, tentou arrancar as roupas, mordeu, gritou, bateu; os filhos correram para abraçá-lo. O pai diminuiu os ganidos, aplacou a fúria, mas a calmaria durou pouco. Mal a fila de condolências retomou o ritmo, Neto foi assolado por outro descontrole bestial. Agarrou Célia nos braços, quis tirá-la de lá, levá-la para casa, foi preciso ajuda para fazê-lo largar a defunta. (…) Neto nunca mais se acertou. Por conta própria, continuou a tomar o ansiolítico… Sóbrio, nem pensar, dizia. Quando a língua enrolada não permitiu mais que se entendesse o que o pai dizia, Murilo o levou a um psiquiatra. Neto enveredou na ciranda de tentativa e erro dos reguladores de humor. Nenhum funcionou a contento. O coquetel o transformou num efeito colateral ambulante. Vivia entre o eufórico e o deprimido, mais deprimido do que eufórico. Murilo tentou homeopatia, massagem, acupuntura, insistiu na psicanálise, mas nada demoveu Neto da fixação em Célia. Tratava-se de luto perpétuo.”

Por estas e outras, considero Fim uma obra-prima da literatura brasileira contemporânea e um livro de alta relevância social, já que discute muitos dos temas e problemas que fizeram de Maria Rita Kehl (O Tempo e o Cão) e Eliane Brum (O Olho da Rua) duas das intelectuais mais essenciais do Brasil. Fernanda Torres, uma de nossas melhores artistas, tem tudo para deslanchar uma carreira ainda mais brilhante do que aquela que já protagoniza como atriz e humorista. Ao exercitar seu prodigioso talento também no romance – a exemplo de Chico Buarque – ela realmente revela uma versatilidade na virtude que é impressionante. Fim foi um ótimo começo na carreira desta romancista que já nasceu cometendo uma obra-prima, como julgaram João Moreira Salles e Antonio Cicero:

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“O título é Fim, mas o livro trata mesmo é da vida – plena, forte, caliente e safada, dessas que caberiam numa comédia de Mario Monicelli, caso ele tivesse lido Nelson Rodrigues e Pornopopéia com o sol de Copacabana pelas fuças. Avisem aí: uma escritora entrou em cena.” – JOÃO MOREIRA SALLES

“Alternando técnicas narrativas, com destaque para magistrais instâncias de fluxo de consciência, Fim captura brilhantemente a dramática oscilação de tristezas e ilusões, grossuras e sutilezas, pequenos afazeres e grandes esperanças, cujo entrecruzamento compõem as tragédias e as comédias humanas de nossos dias.” – ANTONIO CICERO

Por ter pintado um retrato forte, vívido e pungente da condição humana e das infindas maneiras de findar, Fernanda Torres, acredito eu, merece nossos aplausos pela coragem e pela lucidez com que teceu este livro memorável. Mortais, rejubilai! Apesar da morte ser sem remédio, a arte existe e tonifica. E talvez um certo carpe diem, uma certa sabedoria trágica, emane de Fim, que parece dar constantes piscadelas de olho ao leitor sobre a vida e sua finitude: “aproveita, meu caro, aproveita que isso passa rápido.” We’re food for worms, lads…

Eduardo Carli de Moraes
Goiânia, Setembro de 2015

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2 pensamentos sobre “INFINDAS MANEIRAS DE FINDAR – O que desvela Fernanda Torres em seu romance de estréia, “Fim” (Companhia das Letras, 2013)

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  2. Smithf298 disse:

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