O CINEMA DE ALBERTO CAVALCANTI (1897 – 1982)

Alberto Cavalcanti (Rio de Janeiro, 6 de fevereiro de 1897 — Paris, 23 de agosto de 1982) foi um diretor, roteirista, produtor cinematográfico e cenógrafo brasileiro (Wikipedia).  “Filmes vanguardistas rodados na década de 1920 na França, além de experiências inovadoras nas duas décadas seguintes no cinema documental e ficcional inglês, fizeram de Alberto Cavalcanti um dos nomes mais destacados entre os cineastas de sua geração. Com o advento do cinema falado, foi contratado pelos estúdios Paramount e, posteriormente, pela produtora inglesa Ealing. No Brasil, ajuda a criar os estúdios Vera Cruz e, inconformado com o marasmo da vida cultural brasileira, volta à Europa.”  – http://makingoff.org/forum/index.php?showforum=391

LEIA:

THE GUARDIAN (UK)
Our Debt To Alberto Cavalcanti

Cavalcanti

“Nowadays, Alberto Cavalcanti is well-known among film history buffs, but otherwise more or less forgotten. This is a shame for a number of reasons, one of them being that he made a handful of the most polished, imaginative and downright enjoyable films of the 1940s. His accomplishments include Went the Day Well?, an extraordinary combination of war film and thriller; Champagne Charlie, an exuberant musical comedy; They Made Me a Fugitive, a taut and grimy thriller that rivals the best contemporary gangster films; and Nicholas Nickleby, a fine Dickens adaptation. He was also the co-creator of the supernatural portmanteau film Dead of Night, to which he contributed the much-imitated yarn about the tormented ventriloquist (Michael Redgrave) and his demonic doll. Martin Scorsese, no less, recently nominated Dead of Night as one of his top 10 scary films.

That’s a track record most directors would contemplate with intense pride, yet it’s only the most visible fraction of a long and prolific career that fell into four main stages: one in Paris, one as an itinerant director, working as far afield as East Germany and his native Brazil, and two in England. When Cavalcanti first came to Britain in the early 1930s, he was employed by John Grierson…”


* * * * *

ASSISTA:

Nada Além das Horas / Rien Que Les Heures (1926)

nothing-but-time


Na Solidão da Noite
(Dead of Night, UK, 1945)
Duração: 1h 43min
DOWNLOAD DO FILME EM TORRENT

DOWNLOAD DO FILME EM TORRENT – LEGENDAS EM PORTUGUÊS


O CANTO DO MAR (1952)

O CANTO DO MAR / THE SONG OF THE SEA (1952)

O CANTO DO MAR / THE SONG OF THE SEA (1952) – DOWNLOAD DO FILME EM TORRENT

Cavalcanti: entre a poesia e a política
Marcos Pierry

“Quando rodou O Canto do Mar, em 1953, Alberto Cavalcanti tinha três décadas de carreira. Tempo suficiente para o brasileiro já haver acumulado uma experiência que se consolidara em momentos fundamentais da cinematografia européia, das vanguardas francesas ao documentário social britânico, sem esquecer sua contribuição, nada desprezível, para importantes estúdios nos dois países. O Cavalcanti que volta ao Brasil no final dos anos 40 é, portanto, um cineasta maduro, em quem a burguesia paulista deposita seus anseios de estabelecer no país uma cultura cinematográfica numerosa em títulos e, em termos de qualidade, capaz de dialogar com a filmografia dos centros mais importantes. Surge, assim, a Vera Cruz (com estúdios em São Bernardo do Campo/SP), projeto ambicioso que naufraga com a mesma voracidade de seus empreendedores.

Ao armar base de produção em Pernambuco, para a realização de O Canto do Mar, Alberto Cavalacanti é uma grife pra lá de questionável, que entraria em franco desgaste nos dez anos seguintes, não só pela cristalização do simbólico fiasco da Vera Cruz, mas sobretudo pelo poder de combate dos chamados independentes, precursores do cinema novo (à frente, Roberto Santos e Nelson Pereira dos Santos), e principalmente dos próprios cinemanovistas, que vieram em seguida, liderados por Glauber Rocha. Lembre-se ainda que Cavalcanti mostrou-se reacionário ao se aproximar do governo Vargas.

Com um intervalo de cinqüenta anos, o longa-metragem pode ser visto sem a pesada tutela política da ocasião. Conta a história de um rapaz, Raimundo, e de sua desagregada família, que vivem à beira-mar em meio às dificuldades impostas pelo alcoolismo do pai. Zé Luís é um homem atormentado, artesão de barcos que se atirou à cachaça após um acidente em alto mar, quando ele teria machucado a cabeça. Maria, a matriarca, lavadeira, é quem dá tino aos filhos. Além de Raimundo, que ajuda nas despesas trabalhando em um armazém, há Nina e o pequeno Silvino.

Imagens e um off dão conta da penúria existente no sertão esturricado e funcionam como uma espécie de prólogo da narrativa, regida em linhas gerais por expedientes da linguagem clássica. Os retirantes se encaminham ao litoral para, de lá, seguirem ao sul do Brasil em embarcações. Raimundo quer tomar o mesmo destino. Apaixonado por Aurora, planeja uma fuga a dois, que vê frustrada em vários sentidos. Ele ainda enfrentará a profunda amargura da mãe e o fim trágico do pai, sem nada poder fazer, embora muito tenha tentado. Neste determinismo, e nas várias tomadas externas, que conferem uma autêntica cor local ao filme, O Canto do Mar esboça uma forte influência neo-realista. E consolida seu inegável valor.” – Making Off


SIMÃO, o CAÔLHO (1952)

SINOPSE: São Paulo, 1942. Um corretor de negócios malandro, Simão, o Caolho, anda às voltas com sua companheira e um bando de amigos turbulentos, sempre à espera de um lance de sorte na vida. Um de seus amigos, metido a inventor, vivia prometendo um olho suplementar para Simão. Um dia, esse olho aparece e Simão torna-se milionário, pois ele tem a propriedade de torná-lo invisível. Simão decide então entrar para a política, candidatando-se a Presidente da República. Sua trajetória acaba por acompanhar as transformações na cidade de São Paulo entre 1932 e 1950. Fonte: “Dicionário de filmes brasileiros : longa-metragem”, A. L. da Silva Neto.

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UMA DIVERTIDA CRÔNICA DA SÃO PAULO QUATROCENTONA
Celso Sabadin

Em 1951, o jornalista e escritor Galeão Coutinho morre em um acidente aéreo. Profundo observador de sua época, era conhecido por seu talento de cronista e por sua escrita ferina. Alfredo Palácios, à frente da Cinematográfica Maristela, decide então homenagear Coutinho, produzindo um filme baseado nas crônicas de um de seus personagens mais famosos, reunidas no livro Memórias de Simão, o caolho, de 1937. A adaptação foi entregue ao escritor e roteirista Miroel Silveira e ao radialista Oswaldo Moles, enquanto o diretor escolhido foi Alberto Cavalcanti, retornando ao país após uma sólida carreira no cinema europeu. O papel-título ficou com o ator cômico Mesquitinha.

Rodado em 1952, o filme se inicia ambientado 20 anos antes, em uma São Paulo ainda provinciana. É nesse cenário que conhecemos Simão, homem franzino, galanteador e dominado pela esposa Marcolina (Raquel Martins). O patético personagem é um clássico do humor brasileiro, mimetizado e reciclado em diversos programas populares da rádio e da TV. É um homem oprimido, sem liberdade nem dinheiro, e que – simbolicamente ou não – lamenta a falta que lhe faz um olho. Vê e vive pela metade. Seu sonho é que o amigo inventor Santo (Carlos Araújo) desenvolva um invento que lhe restitua a visão por inteiro. Sua válvula de escape é tomar café com os amigos no boteco da esquina, enquanto joga charme – sem sucesso – para a atendente da “charutaria”, como se dizia na época.

Para mudar, era preciso uma revolução. O que de fato acontece quando São Paulo se insurge contra Getúlio Vargas – mas, assim que as bombas estouram à porta do boteco, Simão finge que não vê e se esconde atrás do balcão. A Revolução muda São Paulo, mas não muda Simão. Um corte de 20 anos transfere a ação para 1952, período em que a capital paulista vive a euforia da urbanização, da industrialização e do enriquecimento. Assim, não é de se estranhar, nesta sequência, a influência do estilo de montagem consagrado pelo Realismo Russo, décadas antes. São cortes rápidos e enquadramentos grandiosos que visam exaltar a nova realidade majestosa que vem para ficar. A cidade se agiganta e Simão se apequena, atropelado por hordas de paulistanos apressados (sim, já naquela época) que tomam seus tradicionais cafezinhos se acotovelando nos balcões. A moça da charutaria não é mais a mesma: há uma nova funcionária, ainda mais moça, praticamente uma menina, sinalizando as novas oportunidades de emprego que se abriam na capital paulista.

Assim como a cidade, o filme também dá uma guinada e se transforma em valioso documento histórico e rica crônica social da cidade. Na vila operária onde mora Simão, observam-se as várias faces da identidade paulistana. A vizinhança grita com sotaque italianado (destaque para a atriz Nair Bello em um pequeno papel), o xaxado nordestino invade as rádios e uma moradora negra difunde a cultura religiosa africana. São Paulo se consolida como a metrópole de todos, nesse bairro que dialoga com as vilas operárias dos filmes que Mazzaropi fez na Vera Cruz, na mesma época.

Para Simão, ainda caolho, resta a esperança de explorar uma incrível “mina de matéria plástica”. E o sonho. Sempre restará o sonho. O filme estreou em 1º de dezembro de 1952 com grande sucesso de público. Recebeu o prêmio de melhor direção da Associação Brasileira de Cronistas Cinematográficos e mais três prêmios Saci: direção, ator coadjuvante (para Cláudio Barsotti) e melhor adaptação.

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