Dois Brasis Em Embate: #Eleições2014 @ A CASA DE VIDRO (http://www.acasadevidro.com)

Dilma Campanha

Campanha de Dilma Roussef, na foto acompanhada pelo ex-presidente Lula, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad, e o deputado e liderança do PSOL Jean Wyllys.

“Ganhe ou perca Dilma Rousseff (e o Ibope e Datafolha repetem a vantagem dela sobre o adversário tucano Aécio Neves), o PT fez nesta empolgante jornada eleitoral do segundo turno a sua campanha mais autêntica desde 1989.

Em vez dos slogans limpinhos e brilhantes dos marqueteiros, o que se viu foi a multiplicidade de vozes, sotaques, reivindicações e cores.

Se, na campanha do primeiro turno, Dilma aparecia um dia em um templo evangélico – e no seguinte também –, nesta, ela surgiu em ato na periferia de São Paulo ladeada por representante devidamente paramentada de uma religião de matriz africana. E defendeu, ao lado do imprescindível Jean Wyllys, do PSOL, a criminalização da homofobia, para horror do fundamentalismo religioso de Marco Feliciano e Silas Malafaia.

Foi uma Dilma ativista dos Direitos Humanos a que se viu –comprometida com a luta “contra a discriminação da juventude negra deste país, contra os ‘autos de resistência’, contra esse morticínio”, disse ela em Itaquera, bairro da zona leste paulistana. (Os “autos de resistência” são instrumentos jurídicos que têm servido para mascarar os homicídios praticados pela Polícia Militar, acusando as vítimas de ter tentado resistir à abordagem policial.)

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“Achei foda a Dilma falar de ‘auto de resistência’… Foi bem bonito hoje. Tô emocionado e acho que isso aqui hoje é histórico. Nunca fui tão convicto para as urnas igual eu vou no dia 26. É 13 mesmo!”, declarou ao fim do ato o rapper Emicida, uma das maiores referências do hip hop nacional.

Saíram do proscênio os petistas amigos de banqueiros e do agronegócio e entraram outros tipos de dirigentes, mais ligados à militância das ruas, como o ex-ministro da Cultura Juca Ferreira e o ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social Franklin Martins –ambos escanteados durante o primeiro governo Dilma.

Eles ajudaram a campanha petista a desenvolver o encantamento da “continuidade que segue sonhando”, esvaziando o discurso meramente mudancista da oposicão.

Foi como transfundir sangue em paciente anêmico. “Em vez da medíocre e derrotista política do possível, a grandiosidade de lutar para tornar possível o impossível”, conforme descreveu um militante.

O resultado tem sido o reencontro do PT com a espontaneidade das ruas. Se, em outras campanhas abundavam as monótonas camisetas distribuídas gratuitamente pelos comitês eleitorais, nesta, são os militantes que fazem a moda-PT, usando o avatar que inunda as redes sociais, de uma Dilma guerrilheira, retratada ainda jovem e de óculos. Nos comícios petistas em Recife e São Paulo, garotos levavam suas camisetas para serem impressas com silk screen ali mesmo.

Do lado de Aécio Neves, uma militância também aguerrida tem disputado as ruas, com uma narrativa bem diferente. Na concentração realizada no largo da Batata, em Pinheiros, na quarta-feira, 22/outubro, colada ao centro fashion-financeiro da avenida Faria Lima, os tucanos (Fernando Henrique Cardoso presente) gritavam em uníssono “Fora PT! Viva a PM!”

Como se vê, da atual campanha pode-se dizer tudo. Menos que tenha sido despolitizada. Os dois projetos de Brasil estão expostos em toda a sua nudez. Que falem as urnas.

Laura Capiglione, publicada no Yahoo.
Via Mídia Ninja.

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11de setembro
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P.S.

O P.I.G. E SEU CANDIDATO, AÉCIO NEVER

Qualquer cidadão brasileiro que tenha ficado indignado com o #DesesperoDaVeja, que conduziu a revista da Abril a realizar crime eleitoral através da calúnia e da difamação mais desavergonhadas, faz um favor a todos a nós nesta ampla pátria que sonhamos como um futuro melhor para as comunicações no Brasil ao recusar-se a votar em Aécio Neves, o candidato do P.I.G. (o Partido da Imprensa Golpista). O modo como Aécio e a mídia corporativa agiram nesta reta final é mais um imenso argumento contra sua pretensão, cambaleante, de tornar-se presidente da República: Aécio age como Silvio Berlusconi, o tirano italiano hoje já afastado do cargo e condenado na justiça.

O Tucanato faz tempo que pensa na mídia como sua serviçal, sua putinha de luxo, que publicará tudo o que PSDB pagar de jabá. Geraldo Alckmin dá uma dinheirama de dinheiro público para a Veja, e quem sofre a infelicidade de ter que ler o panfletário hebdomadário tucano são as crianças paulistas do sistema público de ensino (pô, Geraldinho, não as exponha a tal tortura, a tal lavagem cerebral! Dê-lhes Júlio Verne, dê-lhes Ziraldo, mas não estraçalhe mentes com o jornalixo vejístico!).

A Rede Globo – que na última hora parece ter desistido de acompanhar Veja na tentativa de golpe – deve ter se contido por medo, de modo que Junho de 2013 até que serviu para alguma coisa: obrigado aos Black Blocs que expulsaram repórteres do P.I.G., e ativistas que pintaram com esterco a sede da TV Globo no Rio de Janeiro. Eles mereciam muito mais do que uma salva de vaias na lingagem da merda: nunca fomos devidamente informados pela Rede Globo da Privataria Tucana da Era FHC (comandada pela parentada de José Serra, como o livro de Amaury Jr. documenta com farto material comprobatório). A mesma Globo teria a cara-de-pau de ficar apontando o dedo para o PT como se ele fosse o mais sórdido e horrendo dos antros de corrupção, quando a própria Globo é acusada de tentar ludibriar o Fisco, furtando aos cofres públicos um valor que devia ser pago que ultrapassa os 500 milhões de reais?

Tanto Globo quanto Veja tem que responder na justiça e diante do povo brasileiro por seus crimes, pela sistemática desinformação que veiculam, pela perseguição política contra o PT que os torna bem assemelhados aos magnatas elitistas da imprensa venezuelana em sua campanha neurótica contra o “bolivarismo”.

Aécio Neves, que é notório censor da imprensa em MG, que pensa poder ser o caubói que “põe ordem na Internet” (através do ataque a blogueiros e jornalistas independentes), que é um empresário com capitais aplicados na imprensa corporativa mineira incapaz de respeitar a liberdade de imprensa e opinião, é uma péssima escolha para a democracia do Brasil que precisa urgentemente ser refrescada e renovada por projetos extraordinários e brilhantes como a Mídia Ninja, A Nova Democracia, Outras Palavras, Pública, dentre outras.

Avante, juntos, fiéis ao commons, não vamos permitir que a praga do P.I.G. prossiga. “Don’t hate the media… become the media!”

Eduardo Carli de Moraes

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Privataria Tucana. A gente nao ve por aqui

“Privatizações: A Distopia do Capital” (2014) Um filme de Silvio Tendler [assista na íntegra]

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(Brasil, 2014, 57 min. – Direção: Silvio Tendler)

Sinopse: “O novo filme de Silvio Tendler ilumina e esclarece a lógica da política em tempos marcados pelo crescente desmonte do Estado brasileiro. A visão do Estado mínimo; a venda de ativos públicos ao setor privado; o ônus decorrente das políticas de desestatização traduzidos em fatos e imagens que emocionam e se constituem em uma verdadeira aula sobre a história recente do Brasil. Assim é Privatizações: a Distopia do Capital. Realização do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), com o apoio da CUT Nacional, o filme traz a assinatura da produtora Caliban e a força da filmografia de um dos mais respeitados nomes do cinema brasileiro.

Em 56 minutos de projeção, intelectuais, políticos, técnicos e educadores traçam, desde a era Vargas, o percurso de sentimentos e momentos dramáticos da vida nacional. A perspectiva da produtora e dos realizadores é promover o debate em todas as regiões do país como forma de avançar “na construção da consciência política e denunciar as verdades que se escondem por trás dos discursos hegemônicos”, afirma Silvio Tendler.

Vale registrar, ainda, o fato dos patrocinadores deste trabalho, fruto de ampla pesquisa, serem as entidades de classe dos engenheiros. Movido pelo permanente combate à perda da soberania em espaços estratégicos da economia, o movimento sindical tem a clareza de que “o processo de privatizações da década de 90 é a negação das premissas do projeto de desenvolvimento que sempre defendemos”.

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Leitura essencial para quem está faminto por um mundo mais justo: “Stuffed and Starved”, de Raj Patel (Leia um trecho e baixe o ebook:)

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“Today, when we produce more food than ever before, more than one in ten people on Earth are hungry. The hunger of 800 million happens at the same time as another historical first: that they are outnumbered by the one billion people on this planet who are overweight. Global hunger and obesity are symptoms of the same problem and, what’s more, the route to eradicating world hunger is also the way to prevent global epidemics of diabetes and heart disease, and to address a host of environmental and social ills. Overweight and hungry people are linked through the chains of production that bring food from fields to our plate. Guided by the profit motive, the corporations that sell our food shape and constrain how we eat, and how we think about food. The limitations are clearest at the fast food outlet, where the spectrum of choice runs from McMuffin to McNugget. But there are hidden and systemic constraints even when we feel we’re beyond the purview of Ronald McDonald.

Our choices are not entirely our own because, even in a supermarket, the menu is crafted not by our choices, nor by the seasons, nor where we find ourselves, nor by the full range of apples available, nor by the full spectrum of available nutrition and tastes, but by the power of food corporations.

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Raj Patel

Stuffed and Starved (by Raj Patel) is “an enquiry that uncovers the real reasons for famine in Asia and Africa, why there is a worldwide epidemic of farmer suicides, why we don’t know what’s in our food any more, why black people in the United States are more likely to be overweight than white, why there are cowboys in South Central Los Angeles, and how the world’s largest social movement is discovering ways, large and small, for us to think about, and live differently with, food.

India has, for example, destroyed millions of tons of grains, permitting food to rot in silos, while the quality of food eaten by India’s poorest is getting worse for the first time since Independence in 1947. In 1992, in the same towns and villages where malnutrition had begun to grip the poorest families, the Indian government admitted foreign soft drinks manufacturers and food multinationals to its previously protected economy. Within a decade, India has become home to the world’s largest concentration of diabetics: people – often children – whose bodies have fractured under the pressure of eating too much of the wrong kinds of food.

It’s easy to become inured to this contradiction; its daily version causes only mild discomfort, walking past the ‘homeless and hungry’ signs on the way to supermarkets bursting with food. There are moral emollients to balm a troubled conscience: the poor are hungry because they’re lazy, or perhaps the wealthy are fat because they eat too richly. This vein of folk wisdom has a long pedigree. Every culture has had, in some form or other, an understanding of our bodies as public ledgers on which is written the catalogue of our private vices. The language of condemnation doesn’t, however, help us understand why hunger, abundance and obesity are more compatible on our planet than they’ve ever been.

Raj Patel

The closer a Mexican family lives to its northern neighbours and to their sugar and fat-rich processed food habits, the more overweight the family’s children are likely to be. That geography matters so much rather overturns the idea that personal choice is the key to preventing obesity or, by the same token, preventing hunger. And it helps to renew the lament of Porfirio Diaz, one of Mexico’s late-nineteenth-century presidents and autocrats: ‘¡Pobre Mexico! Tan lejos de Dios; y tan cerca de los Estados Unidos’ (Poor Mexico: so far from God, so close to the United States). A perversity of the way our food comes to us is that it’s now possible for people who can’t afford enough to eat to be obese. Children growing up malnourished in the favelas of São Paulo, for instance, are at greater risk from obesity when they become adults. Their bodies, broken by childhood poverty, metabolize and store food poorly. As a result, they’re at greater risk of storing as fat the (poor-quality) food that they can access.

As consumers, we’re encouraged to think that an economic system based on individual choice will save us from the collective ills of hunger and obesity. Yet it is precisely ‘freedom of choice’ that has incubated these ills. Those of us able to head to the supermarket can boggle at the possibility of choosing from fifty brands of sugared cereals, from half a dozen kinds of milk that all taste like chalk, from shelves of bread so sopped in chemicals that they will never go off, from aisles of products in which the principal ingredient is sugar. British children are, for instance, able to select from twenty-eight branded breakfast cereals the marketing of which is aimed directly at them. The sugar content of twenty-seven of these exceeds the government’s recommendations. Nine of these children’s cereals are 40 per cent sugar.

There are, after all, no mom-and-pop international food distribution companies. The small fish have been devoured by the Leviathans of distribution and supply. And when the number of companies controlling the gateways from farmers to consumers is small, this gives them market power both over the people who grow the food and the people who eat it.

Governmental concerns about poverty, for example, have historically been driven by fear, not least because of their concerns of what large groups of politically organized, angry and hungry urban poor people might do to the urban rich. (…) In different ways, the countries of Europe and North America set their food policies in order to ensure that the cries of the urban hungry didn’t lead to civil war…

MST5MST – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra  || Brasil
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In Brazil, over one million landless people have organized and occupied disused farmland. As a result, they are living healthier, longer and better-educated lives than those in comparable schemes elsewhere. The members of this movement, the Brazilian Landless Rural Workers Movement, are part of arguably the world’s largest independent social movement organization – La Via Campesina (The Peasant Way), representing as many as 150 million people worldwide. Incorporating groups from the KRRS, with an estimated membership of twenty million in India, to the National Farmers Union in Canada, the Korean Women Farmers Association, the Confédération Paysanne in France and the União Nacional de Camponeses in Mozambique, it’s nearly as globalized as the forces against which it ranges itself. It’s a mixed bag of movements. Some of its members are landless, some own land and hire the landless; some are small producers, some are medium-sized.

As consumers we can shape the market, however slightly, by taking our wallets elsewhere. But the choice between Coke and Pepsi is a pop freedom – it’s choice lite.

In the course of this book, I look at some of the ways the food system is shaped by farming communities, corporations, governments, consumers, activists and movements. The sum of these choices has left many stuffed and many starved, with people at both ends of the food system obese and impoverished, and with a handful of the system’s architects extremely wealthy…”

Title: Stuffed and Starved
Author(s): Raj Patel
Harper Collins, 2008, 438 pgs
Download (epub)

Sabedoria na televisão, uma espécie em extinção? Assista David Suzuki e conclua que “não!”

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David Suzuki parece ser uma das figuras públicas mais admiradas aqui no Canadá, e com toda razão: é um cientista e comunicador social de sabedoria ampla, mensagem provocativa e não-dogmática, compartilhada em linguagem acessível mas ainda assim repleta de poesia e graça. Suzuki é âncora há décadas da TV canadense no programa da CBC “The Nature of Things” (batizado talvez em homenagem ao clássico poema-tratado de Lucrécio, que Michel Serres considera um texto-fundador da Física?).

Atualmente, junto com Neil DeGrasseTyson, Suzuki parece-me encarnar a função social que exercia uma figura carismática como Carl Sagan: pôr a TV à serviço da educação, do compartilhamento de informação, do debate público amplo e bem-informado. A TV explorando com audácia seu potencial de compartilhar conhecimento sobre o Cosmos, reflexão sobre a Ágora, aumento da consciência comum sobre a teia da vida que nos une não somente entre nós, em um tecido humano de radical interdependência, mas nós e a natureza que integramos, como elementos da Substância spinozista, como gotas no Niágara da existência…

Neste vídeo inspirador, “Suzuki Speaks”, legendado em português, ele oferece uma jornada místico-poética pelo mundo natural, suas interconexões e interdependências, seus mistérios já desvelados e os ainda envoltos na bruma do desconhecimento. Mas este vídeo serve também como contundente manifesto político, já que Suzuki fornece uma crítica devastadora do ideal do crescimento econômico infinito, que atualmente conduz boa parte de nossas elites à húbris do extrativismo frenético, quase sempre de recursos naturais não-renováveis, deixando um rastro de destruição ambiental que coloca-nos como uma das eras históricas de mais alto nível de disrupções climáticas e extinção de espécies.

Esse paradigma extrativista ecocida, que hoje reina na era da tirania dos mercados, é contestado por Suzuki a todo momento: esse é um “caminho suicida”, avalia este descendente de Japoneses, que cresceu em British Columbia (mora e trabalha hoje na CBC Vancouver), trilhou vida acadêmica nos EUA e no Canadá, e hoje é autor de uma dúzia de livros de circulação considerável.

No passado, Suzuki sentiu na pele o que significava ir para um campo de concentração durante a II Guerra: criança na era Pearl Harbor, Suzuki e sua família foram encarcerados nos campos construídos na América do Norte (EUA e Canadá) para encarcerar os “japs” (que os aliados “despachariam” de vez do conflito com os genocídios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, em 1945).

Suzuki cresceu e oportunamente atingiu a idade da razão em meio à desrazão da guerra do Vietnã, enturmou-se com beatniks e hippies, fertilizou sua ciência com os entusiasmos da contracultura, soube ouvir as lições das experiências psicodélicas (cannábicas, ácidas, ayahuascaesques, e por aí vai…), e não parou por aí: aprendeu também um bocado do que sabe com as First Nations, as populações aqui enraizadas desde tempos imemoriais, em que ainda nenhuma caravela francesa ou britânica havia chegado à vastidão do Canadá.

Segue um trecho de seu livro “From Naked Ape to Superspecies: Humanity and the Global Eco-Crisis”:

David Suzuki

CHAPTER 1 – SHARING EACH OTHER’S SKIN
By David Suzuki

“There is enough for everybody’s need, but not enough for everybody’s greed.”

— MAHATMA GANDHI

When we began work on the first edition of this book at the very end of the twentieth century, it was becoming clear that the environmental goals put forth with so much hope at the focal point of decades of environmental activism, the Earth Summit in Rio de Janeiro back in 1992, were not only unable to keep up with increasing environmental degradation, they were under relentless assault by mainstream economic and political forces. “Globalization” was still a relatively new term that was being heralded as a social and economic salvation for the world, and most people were still unaware of the massive giveaway of national regulatory rights that had taken place under the world trade agreements signed the same year as the summit. Popular demonstrations and civil disobedience had not yet brought the actions of the World Trade Organization (WTO), the World Bank, the International Monetary Fund (IMF) and Chapter 11 of the North American Free Trade Agreement (NAFTA) to the attention of the average citizen, especially in North America.

Rio Earth summit illustration by Daniel Pudles

Most people were also blissfully ignorant of the fact that genetically engineered foods had entered their diets and that the biotechnology industry was releasing commercial products that were beginning to have frightening impacts on the environment, along with a growing potential for harm to human health. Creating genetically altered organisms to serve our own whims and purposes also raises some of the most serious ethical and social concerns our species has ever had to face. All through the late 1990s these growing threats to global environmental stability were largely ignored as the world’s media pursued stories of political sex and celebrity peccadilloes, dot-com proliferation and the exciting new Information Revolution. From Naked Ape to Superspecies was a book intended to address the serious threats our cultural obsessions posed to natural systems, and to remind readers that without clean water, air and viable soil, no cultural or economic life, even a virtual one, could exist for long on this planet.

Today, the continuing exponential growth in human numbers, consumptive demand, technological power and economic reach is putting increasingly unbearable pressures on the most basic commodities produced by the Earth. Global wars are being fought over oil, water is being rapidly privatized by multinational corporations all over the world, and there are so few intact natural systems left that entrepreneurs are now invading thousands of national parks as well as preserves set aside for indigenous peoples to dig for oil and gold, or to log and “develop” the area. These escalating activities have also placed many of the most basic, democratic rights that Westerners take for granted under serious threat

Ecologists tell us that once the complex, interlocking relationships that make up a natural environment, like a forest, a fishery, good agricultural land or a watershed, are undermined beyond a certain critical threshold, it will collapse, usually quite suddenly. If recovery of a forest or a fishery is possible at all, it may take thousands of years. With so much at stake in terms of the air we all breathe, the food we eat and the water we drink, convincing people that we need to reassess the direction in which we are headed has become even more urgent. Put simply, we must learn to live in other species’ skins, as well as in our own.”

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Arundhati Roy:

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“The day capitalism is forced to tolerate non-capitalist societies in its midst and to acknowledge limits in its quest for domination, the day it is forced to recognize that its supply of raw material will not be endless, is the day when change will come. If there is any hope for the world at all, it does not live in climate-change conference rooms or in cities with tall buildings. It lives low down on the ground, with its arms around the people who go to battle every day to protect their forests, their mountains and their rivers because they know that the forests, the mountains and the rivers protect them.

The first step towards reimagining a world gone terribly wrong would be to stop the annihilation of those who have a different imagination — an imagination that is outside of capitalism as well as communism. An imagination which has an altogether different understanding of what constitutes happiness and fulfillment. To gain this philosophical space, it is necessary to concede some physical space for the survival of those who may look like the keepers of our past, but who may really be the guides to our future.”

—Arundhati Roy

(The image that illustrates this post was found in Flick; it’s a “Pachamama” Mural in Bariloche (Argentina), near the artisan market. “Pachamama” refers to “Mother Earth” and is central to many indigenous cultures across South America.)

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2003 – PORTO ALEGRE
FALA DE ARUNDHATI ROY:

David Suzuki Ensina

David Suzuki in this interview about facing the reality of climate change and other environmental issues from Moyers & Company.