Sabedoria na televisão, uma espécie em extinção? Assista David Suzuki e conclua que “não!”

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David Suzuki parece ser uma das figuras públicas mais admiradas aqui no Canadá, e com toda razão: é um cientista e comunicador social de sabedoria ampla, mensagem provocativa e não-dogmática, compartilhada em linguagem acessível mas ainda assim repleta de poesia e graça. Suzuki é âncora há décadas da TV canadense no programa da CBC “The Nature of Things” (batizado talvez em homenagem ao clássico poema-tratado de Lucrécio, que Michel Serres considera um texto-fundador da Física?).

Atualmente, junto com Neil DeGrasseTyson, Suzuki parece-me encarnar a função social que exercia uma figura carismática como Carl Sagan: pôr a TV à serviço da educação, do compartilhamento de informação, do debate público amplo e bem-informado. A TV explorando com audácia seu potencial de compartilhar conhecimento sobre o Cosmos, reflexão sobre a Ágora, aumento da consciência comum sobre a teia da vida que nos une não somente entre nós, em um tecido humano de radical interdependência, mas nós e a natureza que integramos, como elementos da Substância spinozista, como gotas no Niágara da existência…

Neste vídeo inspirador, “Suzuki Speaks”, legendado em português, ele oferece uma jornada místico-poética pelo mundo natural, suas interconexões e interdependências, seus mistérios já desvelados e os ainda envoltos na bruma do desconhecimento. Mas este vídeo serve também como contundente manifesto político, já que Suzuki fornece uma crítica devastadora do ideal do crescimento econômico infinito, que atualmente conduz boa parte de nossas elites à húbris do extrativismo frenético, quase sempre de recursos naturais não-renováveis, deixando um rastro de destruição ambiental que coloca-nos como uma das eras históricas de mais alto nível de disrupções climáticas e extinção de espécies.

Esse paradigma extrativista ecocida, que hoje reina na era da tirania dos mercados, é contestado por Suzuki a todo momento: esse é um “caminho suicida”, avalia este descendente de Japoneses, que cresceu em British Columbia (mora e trabalha hoje na CBC Vancouver), trilhou vida acadêmica nos EUA e no Canadá, e hoje é autor de uma dúzia de livros de circulação considerável.

No passado, Suzuki sentiu na pele o que significava ir para um campo de concentração durante a II Guerra: criança na era Pearl Harbor, Suzuki e sua família foram encarcerados nos campos construídos na América do Norte (EUA e Canadá) para encarcerar os “japs” (que os aliados “despachariam” de vez do conflito com os genocídios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, em 1945).

Suzuki cresceu e oportunamente atingiu a idade da razão em meio à desrazão da guerra do Vietnã, enturmou-se com beatniks e hippies, fertilizou sua ciência com os entusiasmos da contracultura, soube ouvir as lições das experiências psicodélicas (cannábicas, ácidas, ayahuascaesques, e por aí vai…), e não parou por aí: aprendeu também um bocado do que sabe com as First Nations, as populações aqui enraizadas desde tempos imemoriais, em que ainda nenhuma caravela francesa ou britânica havia chegado à vastidão do Canadá.

Segue um trecho de seu livro “From Naked Ape to Superspecies: Humanity and the Global Eco-Crisis”:

David Suzuki

CHAPTER 1 – SHARING EACH OTHER’S SKIN
By David Suzuki

“There is enough for everybody’s need, but not enough for everybody’s greed.”

— MAHATMA GANDHI

When we began work on the first edition of this book at the very end of the twentieth century, it was becoming clear that the environmental goals put forth with so much hope at the focal point of decades of environmental activism, the Earth Summit in Rio de Janeiro back in 1992, were not only unable to keep up with increasing environmental degradation, they were under relentless assault by mainstream economic and political forces. “Globalization” was still a relatively new term that was being heralded as a social and economic salvation for the world, and most people were still unaware of the massive giveaway of national regulatory rights that had taken place under the world trade agreements signed the same year as the summit. Popular demonstrations and civil disobedience had not yet brought the actions of the World Trade Organization (WTO), the World Bank, the International Monetary Fund (IMF) and Chapter 11 of the North American Free Trade Agreement (NAFTA) to the attention of the average citizen, especially in North America.

Rio Earth summit illustration by Daniel Pudles

Most people were also blissfully ignorant of the fact that genetically engineered foods had entered their diets and that the biotechnology industry was releasing commercial products that were beginning to have frightening impacts on the environment, along with a growing potential for harm to human health. Creating genetically altered organisms to serve our own whims and purposes also raises some of the most serious ethical and social concerns our species has ever had to face. All through the late 1990s these growing threats to global environmental stability were largely ignored as the world’s media pursued stories of political sex and celebrity peccadilloes, dot-com proliferation and the exciting new Information Revolution. From Naked Ape to Superspecies was a book intended to address the serious threats our cultural obsessions posed to natural systems, and to remind readers that without clean water, air and viable soil, no cultural or economic life, even a virtual one, could exist for long on this planet.

Today, the continuing exponential growth in human numbers, consumptive demand, technological power and economic reach is putting increasingly unbearable pressures on the most basic commodities produced by the Earth. Global wars are being fought over oil, water is being rapidly privatized by multinational corporations all over the world, and there are so few intact natural systems left that entrepreneurs are now invading thousands of national parks as well as preserves set aside for indigenous peoples to dig for oil and gold, or to log and “develop” the area. These escalating activities have also placed many of the most basic, democratic rights that Westerners take for granted under serious threat

Ecologists tell us that once the complex, interlocking relationships that make up a natural environment, like a forest, a fishery, good agricultural land or a watershed, are undermined beyond a certain critical threshold, it will collapse, usually quite suddenly. If recovery of a forest or a fishery is possible at all, it may take thousands of years. With so much at stake in terms of the air we all breathe, the food we eat and the water we drink, convincing people that we need to reassess the direction in which we are headed has become even more urgent. Put simply, we must learn to live in other species’ skins, as well as in our own.”

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Sobre www.acasadevidro.com

Ponto de cultura em Goiânia. Plugando consciências no amplificador. Encabeçado por Eduardo Carli de Moraes, professor de Filosofia no (IFG). Jornalista e Documentarista independente.

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