“PAIS E FILHOS”, de Ivan Turguêniev [1818-1883] (Ed. Cosac & Naify, 2ª Edição, 2011, 361 pgs)

 

“O lugarzinho estreito que ocupo é tão minúsculo em comparação com o espaço onde eu não estou e onde as coisas não me dizem respeito; e a parcela de tempo que me foi dada para viver é tão ínfima ao lado da eternidade, onde não estive e nunca estarei… Mas neste átomo, neste ponto matemático, o sangue circula, o cérebro trabalha, também ele quer alguma coisa… Mas que vergonha! Que disparate!” – BAZÁROV (pg. 195)

pais e filhos

Pais e Filhos vem ao mundo numa época em que “uma Rússia morria e outra Rússia nascia” – como diz a matéria da revista Bravo!. O fim da servidão, em 1861, foi um histórico divisor de águas; no mesmo ano, é criado o movimento Terra e Liberdade, “a primeira de uma série de organizações políticas secretas empenhadas em ações violentas contra autoridades e instituições oficiais” (como relata Figueiredo no prefácio da obra). Iniciava-se uma era turbulenta, repleta de atentados violentos contra o ancien régime, que culminaria, em 1881, com o assassinato do tsar Alexandre II. 

“A polêmica que se seguiu à publicação de Pais e Filhos foi a maior de que se tem notícia na literatura russa”, relata o tradutor Rubens Figueiredo, que verteu o livro para o português direto do russo. “O termo ‘niilista’, usado por Turguêniev para definir seu herói Bazárov, popularizou-se instantaneamente e, como que de propósito, uma sucessão de incêndios criminosos de cunho sabidamente político agitou São Petersburgo. Quando Turguêniev, vindo da Europa, onde sempre passava a maior parte do ano, chegou à capital, ouviu na rua a acusação de um homem indignado: ‘Olhe só o que os seus niilistas estão fazendo: estão pondo São Petersburgo em chamas!’ Turguêniev, homem de índole pacífica e cordial, fora apanhado no meio de um turbilhão…”.

A leitura do romance torna evidente que seu autor não está elogiando, endossando ou recomendando as atitudes niilizadoras de seu protagonista; em outras palavras, Turguêniev está longe de ser ele mesmo um niilista e nada seria mais equívoco do que imputar ao autor uma visão-de-mundo idêntica a de seu personagem. Neste livro, dedicado à memória de Biélinski, elogiado por Herzen e Dostoiévski, Turguêniev  “manifesta contínuo esforço de imparcialidade” (pg. 8) e sua postura fica “longe de qualquer pendor panfletário ou mesmo polêmico” (pg. 14), afirma com propriedade o Rubens Figueiredo. Se Pais e Filhos gerou um bafáfá danado, parece-me que foi a despeito das intenções do artista, que jamais quis inspirar radicais violentos a pôr a Rússia “em chamas” – de modo similar a Goethe, que tampouco desejou, com seu Werther, desencadear na Alemanha uma série de suicídios.

Como Figueiredo destaca com acerto, “a singularidade e a audácia do livro consistiram em investigar, em termos literários, um quadro social novo e potencialmente explosivo no exato instante em que nascia… Turguêniev tinha de caminhar enquanto o solo se deslocava rapidamente sob seus pés.” (pg. 8) A matéria da Bravo! também enfatiza que “o efeito do romance foi o de uma cortina que se abre e deita luz sobre uma cena a desenvolver-se na penumbra.” Esta realidade penumbrosa, ainda inexplorada na literatura até então, este monstro nascente, não é outro senão diagnosticado também por Nietzsche, que foi contemporâneo da eclosão de incendiárias manifestações da niilina russa. 

Segundo Nietzsche, a Europa do século XIX foi invadida por um “hóspede sinistro”: o niilismo. No âmbito da filosofia nietzschiana, este termo se refere àqueles que negam todo valor à existência (a própria, a dos outros e a do mundo), que são incapazes de afirmar a realidade terrena e amar o destino. Para Nietzsche, são niilistas tanto os crentes em um Deus único e transcendente, que concluem de sua fé que devem negar o pecaminoso e corrupto mundo da carne e dos sentidos, quanto aqueles que, como Schopenhauer e os budistas, convidam à negação da vontade ou à extirpação do desejo, baseados na ideia de que o querer é a fonte de todo o sofrer. Contra a disseminação epidêmica destas doutrinas impregnadas de niilina, Nietzsche pôs em ação todo seu ardor intelectual e poder criativo, tendo se tornado talvez o maior dos mestres para aqueles que desejam superar o niilismo, vê-lo abaixo de si…

O livro de Turguêniev celebrizou-se como a primeira obra literária a protagonizar um auto-declarado “niilista”, o médico e estudioso das ciência naturais Bazárov. Na primeira ocorrência do termo no romance, o “niilista” é descrito por Arkádi, o camarada e companheiro de peripécias de Bazárov, como alguém que “considera tudo de um ponto de vista crítico” (pg. 48). Mas nem todo cri-cri é um niilista, claro: muitos críticos são afirmadores de mundivisões, valores e mitos distintos daqueles que se empenham em criticar (o próprio Nietzsche é um excelente exemplo!). Na sequência, Arkádi adiciona outros traços ao retrato de seu amigo: “O niilista é uma pessoa que não se curva diante de nenhuma autoridade, que não admite nenhum princípio aceito sem provas, com base na fé, por mais que esse princípio esteja cercado de respeito.” (pg. 48)

Definição interessante, mas que também caberia a um anarquista ou um punk. E, ao contrário do que julga o senso-comum, estes não são necessariamente niilistas: anarquistas como Kropotkin ou Emma Goldman podem negar com veemência a autoridade do Estado, criticar com insolência o sistema capitalista, criticar severamente a apropriação privada dos frutos do trabalho das massas, mas por outro lado afirmam com ardor valores de solidariedade, fraternidade e igualitarismo, engajam-se na construção de um mundo liberto de autoridades espúrias, exploradoras e parasitas.  “Niilista” e “anarquista”, pois, não são termos sinônimos. Além do mais, a definição de Arkádi, citada no parágrafo anterior, também conviria perfeitamente à figura do cético ou do cínico, aqueles que recusam qualquer tipo de sacralidade dos dogmas e doutrinas, que rejeitam todos os argumentos de autoridade… A essência do “niilismo bazároviano” deve ser buscado mais fundo, pois.

Em uma das cenas mais notáveis do romance, Bazárov dialoga com Ana e lhe confessa ser completamente desprovido de “sentido artístico” (“de fato não existe em mim tal coisa…”). Diante de fotografias de paisagens suíças, ele permanece afetivamente indiferente, incapaz de enxergar qualquer beleza. “Essas paisagens poderiam me interessar do ponto de vista geológico, por exemplo, do ponto de vista da formação das montanhas…” (pg. 133). Esta frieza é uma marca do caráter de Bazárov, que não tem um pingo de gosto pela poesia, pela música ou pela contemplação da Natureza: tudo isso não parece encontrar eco em sua sensibilidade, como se esta estivesse congelada por uma nevasca. O próprio Turguêniev dirá, em suas Reminiscências, que partilha muitas das ideias de seu personagem, que admira em sua criatura o fato de Bazárov ser “soberanamente alheio a tudo que é trivial, vulgar e falso”, mas que não compartilha com ele este vigoroso desdém pela arte e pela beleza.

 Isto se manifesta de modo explícito nas relações humanas de Bazárov, que age quase sempre com rudeza, insolência, falta de gentileza. Ele é  arredio a todo tipo de sentimentalismo e sempre deseja de se livrar do “registro afetivo” sempre que este se manifesta. Ao contrário de um anarquista ou de um punk, por exemplo, Bazárov é um sujeito que não se vincula, que não se une, que permanece ilhado numa solidão anti-social obstinada. O leitor o acompanha em sua marcha niilizadora em que ele aniquila, uma após outras, todas as oportunidades de consumar amores e de amizades.

O romance de Turguêniev, pois, tem acentos trágicos: não descreve um homem afetuoso, bem-sucedido, triunfante, mas alguém que tem a vida desgraçada por seu comportamento sempre niilizador das opiniões e comportamentos do meio social que o rodeia. Ele não suporta nem os mujiques nem os “senhores feudais”; não tem respeito algum seja pelo tsar, seja pelo povo, seja por si mesmo. É bem verdade que esta disposição de espírito misantrópica acaba gerando, vez ou outra, comentários irônicos mordazes que lembram a língua ferina e impiedosa de autores como Heine, Chamfort ou Sade. Mas se vez ou outra Bazárov aparece aos olhos do leitor como espirituoso e inteligente, esta simpatia dificilmente se mantêm nos momentos em que ele que se torna mais bélico – como na cena do duelo de pistolas contra seu desafeto Pável… – ou quando ele se mostra incapaz de tratar uma mulher linda e interessante (como Ana) com o devido carinho e amorosidade.

Vejam, por exemplo, o que ele diz à Ana em um dos primeiros diálogos dos dois:

“- Garanto à senhora que estudar as personalidades individualmente não vale a pena. Todas as pessoas se parecem no corpo e também na alma; todos temos cérebro, baço, coração, pulmões, tudo igualmente constituído; assim também as chamadas qualidades morais são exatamente iguais em todos: pequenas alterações nada significam. Basta um exemplar humano para julgar todos os demais. Pessoas são como árvores na floresta; botânico algum se daria ao trabalho de estudar cada bétula isoladamente…” (pg. 134)

Terrível equívoco, diante de uma mulher com quem o amor é possível, promulgar orgulhosamente, do alto de um púlpito, este discurso niilizador da diferença, que reduz o outro a ser igual a qualquer um! Não surpreenderá a nenhum leitor, pois, que a vida amorosa de Bazárov seja tão insatisfatória: ele explicitamente não valoriza o amor (ele não chega ,es,p a xingar o “romantismo” por não ser nada além de “espalhar açúcar sobre as coisas”?). De modo que fecha as portas a todas as possibilidades de vínculos jubilativos e alegradores da existência. “Bazárov era um grande apreciador das mulheres e da beleza feminina”, escreve Turguêniev, “mas considerava o amor, no sentido ideal ou, conforme ele dizia, romântico, um disparate, uma insensatez imperdoável… ‘Se uma mulher lhe agrada’, dizia ele, ‘tente tirar algum proveito; se não for possível, bem, não importa, dê as costas para ela e pé na estrada: o mundo é grande’…” (pg. 146).

Como se surpreender com o desenlace infeliz da relação entre Bazárov e Ana? Nosso niilista, ao negar qualquer valor a si mesmo, ao tripudiar sobre a auto-estima como se fosse seu dever tratar a si mesmo como um trapo, parece acarretar em sua vida o afastamento dos outros, que descobrem logo que serão pouco ou nada valorizados por alguém que não se valoriza. “Não vale a pena sentir saudades das pessoas, de um modo geral, e de mim, menos ainda…” (pg. 150) – declara Bazárov a Ana.

Os momentos mais comoventes do romance, segundo o meu gosto, são estes em que Turguêniev narra o modo como este vínculo amoroso fracassa. Ana não consegue evitar a sensação de que Bazaróv “a conhece pouco, apesar de crer que todas as pessoas se parecem e que não vale a pena estudá-las individualmente” (pg. 152). Aliás, não seria um sintoma da falta de conhecimento real dos outros esta crença bazaróviana que desdenha das particularidades e que não enxerga ninguém como único? Destaco um diálogo magistral de Ana e Bazárov onde ela força uma conversação sobre o tema da felicidade, sobre a qual nosso niilista conhece tão pouco:

“- Falávamos sobre a felicidade…. Diga-me por que, mesmo quando experimentamos um prazer, por exemplo, com uma música, com uma noite agradável, com uma conversa entre pessoas simpáticas, por que tudo isso parece antes uma alusão a alguma felicidade ilimitada, que existe não se sabe onde, do que uma felicidade real, ou seja, aquela que nós mesmos desfrutamos? Por que é assim? Ou, quem sabe, o senhor não sente nada de parecido?

– A senhora – respondeu-lhe Bazárov – conhece o provérbio: ‘Lugar bom é onde não estamos’…” (pg. 160)

Como seu próprio título já anuncia, Pais e Filhos é também um livro em que Turguêniev explora o tema do conflito entre as gerações. Escrito numa época (entre 1860 e 1862) em que a Rússia começava a se sublevar contra a tirania ancestral do tsarismo, em que a servidão dos camponeses começava a ser questionada e novas formações sociais emergiam, nota-se uma diferença radical entre pais e filhos – explorada no romance através da relação entre o filho Bazárov e seus ímpetos niilistas, de um lado, e seus velhos pais, devotos e tradicionalistas, de outro.

Apesar de dedicar-se ao estudo das ciências naturais e ser praticante da medicina, Bazárov é um sujeito baudelaireano que sofre terrivelmente com o spleen, tédio de viver, a sensaboria de estar-no-mundo e sentir-se insignificante no espaço e no tempo. Sua fala citada na epígrafe é um dos exemplo deste estado de espírito. A certo momento, confessa a seu amigo Arkádi: “Meus pais vivem atarefados e não se incomodam com a própria nulidade, não sentem esse mau cheiro… enquanto eu… sinto apenas enfado e raiva.” (pg. 196)

Bazárov visita raramente seus pais, e quando vai vê-los não permanece por muito tempo; além do mais, quando visita-os, exige que seja respeitada sua “reserva afetiva”: que não lhe incomodem com mimos e carinhos excessivos, que tenha o direito de permanecer só!  Seu pai assim descreve seu rebento: “É inimigo de qualquer expansão de afeto; muitos até o condenam por essa dureza do seu caráter e veem nisso um sinal de orgulho ou de insensibilidade; mas não se pode medir pessoas como ele com o metro comum, não é verdade? Outro, em seu lugar, não deixaria de tirar dos pais todo o dinheiro que pudesse; mas, de nós, acredite-me, ele nunca tomou um copeque além do necessário…” (p. 192).

De fato, Bazárov também é um homem de vida frugal, que não aprecia o luxo, inimigo de uma sociedade hierarquizada e rachada em castas. Uma frase me parece sintetizar bem a personalidade de Bazárov: “ele não gostava dessa pontualidade cadenciada e um pouco solene na vida diária; ‘como rodar sobre trilhos’, sentenciava ele; lacaios de libré e mordomos cerimoniosos insultavam o seu sentimento democrático…” (pg. 144). Ele não pode suportar a vida bem-regrada dos pais, que lhe enche de tédio, mas ao mesmo tempo não consegue se desvincular de fato de seu meio social de origem: uma estranha atração faz com que ele retorne ao seio familiar como um bumerangue. 

Incapaz de apreciar uma vida bem-regrada, com um cotidiano fixo de ações previamente mapeadas, ele deseja lançar-se “para fora dos trilhos” da comodidade e do conforto… “O lado elegante da vida me é inacessível”, confessa à Ana. Mas o curioso é que também este desejo permanece irrealizado e, longe de aventurar-se em peripécias quixotescas ou embarcar em viagens cheias de perigo, Bazárov aferra-se a estes meios sociais que considera tediosos e banais: grande parte do romance narra o modo pouquíssimo aventureiro com que Bazárov, acompanhado por seu escudeiro Arcádin, fica pulando de casa em casa, em visitas aos parentes (os seus e os de seu amigo).

Além do mais, não consegue se libertar de um ideário viril em que crê que “o homem deve ser feroz”, de modo que considera a companhia feminina como um rebaixamento ou uma fraqueza. Além disso, não há nenhum tipo de engajamento político do personagem no romance: Bazárov é um niilista isolacionista, que não luta por nenhum mundo melhor, nem mesmo através das bombas e atentados destinados a “limpar o terreno”. O que torna surpreende os efeitos imputados ao livro de ter influenciado os incendiários terroristas de São Peterbursgo!

Bazárov é de fato um personagem memorável: fechamos o livro com a sensação de que conhecemos uma pessoa que não iremos esquecer mais, apesar de seus equívocos, fraquezas, desventuras. Ele não é um modelo de conduta, um paradigma de virtude, nada se assemelha a um herói ou a um santo; é humano, demasiado humano, e sua vida é narrada por Turguêniev sem idealizações, com a inclusão de seus infortúnios e tragédias.

 Ademais, para os estudiosos de Nietzsche, esta não deixa de ser uma experiência estética altamente válida, não só por oferecer um exemplo literário de niilista encarnado, mas também para mostrar que o niilismo não é uno: há vários modos de ser niilista, sendo Bazárov um tipo particular de existência niilizadora. O que Bazárov nega, sobretudo, além de uma sociedade revoltante e de autoridades indignas de respeito, é a possibilidade humana de vínculo e de transformação. A impressão indelével que me fica é a de que Bazárov só é um niilista consumado pois é um descrente no amor.

A leitura do romance de Turguêniev foi iluminadora, pois, para refletir mais a fundo sobre este tema tão importante para a filosofia dos últimos séculos, em especial no âmbito do nietzschianismo, do niilismo. Decerto que, em Nietzsche, há um vínculo entre niilismo e metafísica – o que Turguêniev não explora. Compreendo o niilismo, segundo Nietzsche, como uma orgia de negação que acomete os espíritos que se desiludem das miragens metafísicas: quando se perde a crença em Deus, ou na bondade da Natureza, ou no final feliz da História, e ainda não se encontrou nenhum substituto para estes ídolos caídos, o sujeito tende a mergulhar numa náusea existencial de completa negatividade.

Os valores metafísicos, as verdades absolutas, os finais-felizes redentores, tudo isso, quando se esboroa no universo interior, quando deixa de ser crível, gera este estado afetivo niilizador em que o sujeito, nostálgico do absoluto, não consegue suportar a relatividade do real, a efemeridade da vida, os antagonismos que povoam a Terra. Para Nietzsche, ademais, o próprio pensamento religioso ou metafísico possui um elemento profundamente niilista na medida em que postula uma dimensão transcendente, morada do Bem e da Verdade, o que acarreta a depreciação da imanência. Em termos mais simples: niilista é aquele que não dá valor nenhum ao aqui-agora (a imanência…) pois só consegue valorizar o alhures (a transcendência).

Depois de aniquilada a crença numa transcendência redentora (Paraíso, Reino de Deus, Imortalidade da Alma, Utopia Realizada…), resta ao homem um novo desafio: o de aprender a amar o real. O niilista é aquele que se mostra incapaz deste amor fati; é o homem que insiste em recusar valor ao que existe; aquele que, diante de tudo, diz “tanto faz” e “tudo dá no mesmo…”. Descrente de tudo, cultuador da indiferença, com fixação mórbida por Tânatos, incapaz de ação criadora, transformadora e colaborativa, congela seus afetos e sua criatividade, sua capacidade de vínculo e sua aptidão para o êxtase, prostrando-se em devoção preguiçosa no altar do Nada.

Como antídotos à esse sinistro hóspede, a obra de Nietzsche fornece muitas sugestões: remeto brevemente à figura de Zaratustra, o anti-niilista por excelência, discípulo de Dionísio, dançarino ornado com sua coroa de flores, santificador do riso, mais sátiro que santo, que está nas antípodas do niilismo. Ou seja, Zaratustra é alguém em quem o poder afirmativo atingiu tal ardor que a existência é jubilosamente celebrada, com tudo o que ela inclui de problemático e terrível, com um “sim!” veemente e incondicional.

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Weird in the head and wild at heart.

Um pensamento sobre ““PAIS E FILHOS”, de Ivan Turguêniev [1818-1883] (Ed. Cosac & Naify, 2ª Edição, 2011, 361 pgs)

  1. Guilherme disse:

    Pareceu-me bem interessante a análise feita. Em mim, as impressões sobre Bazárov são de definição muito complexa, assim como o é o próprio personagem. Penso que as proposições desse niilismo específico, no livro, aparecem de maneira crítica, tendo em vista fatos como os sentimentos que Bazárov, a despeito de todas a suas convicções, desenvolve por Ana Odíntsova e o seu próprio ocaso.
    Como, na sua opinião, podem ser observadas as relações literárias entre Tuguêniev e Dostoiévski? Estou lendo, no momento, “Os Demônios” e observei algumas referências explícitas ao Turguêniev e ao seu trabalho, para além disso, intrigou-me o fato de a descrição de um personagem, o tal Karmazínov, parecer-se muito com o aspecto inclusive físico de Turguêniev. Tem alguma opinião sobre o assunto?

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