“Um livro deve ser um machado que estraçalhe nossos rios congelados por dentro” (Franz Kafka, 1883-1924)

Em 03 de Julho de 1883, 129 anos atrás, nascia Franz Kafka em Praga. Feliz aniversário, Camarada K.!

“I think we ought to read only the kind of books that wound or stab us. If the book we’re reading doesn’t wake us up with a blow to the head, what are we reading for? So that it will make us happy, as you write? Good Lord, we would be happy precisely if we had no books, and the kind of books that make us happy are the kind we could write ourselves if we had to. But we need books that affect us like a disaster, that grieve us deeply, like the death of someone we loved more than ourselves, like being banished into forests far from everyone, like a suicide. A book must be the axe for the frozen sea within us. That is my belief.”
—Franz Kafka

Sobre www.acasadevidro.com

Plugando consciências no amplificador. Professor de Filosofia no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG). Documentarista independente.

4 pensamentos sobre ““Um livro deve ser um machado que estraçalhe nossos rios congelados por dentro” (Franz Kafka, 1883-1924)

  1. Tiago disse:

    Ótimo camarada !

    Curtir

  2. Vamos lá, Sucker disse:

    Reblogged this on vamoslasucker.

    Curtir

  3. Vamos lá, Sucker disse:

    “De todo o escrito só me agrada aquilo que uma pessoa escreveu com o seu sangue. Escreve com sangue e aprenderás que o sangue é espírito.
    Não é fácil compreender sangue alheio: eu detesto todos os ociosos que lêm.
    O que conhece o leitor já nada faz pelo leitor. Um século de leitores, e o próprio espírito terá mau cheiro.
    Ter toda a gente o direito de aprender a ler é coisa que estropia, não só a letra mas o pensamento.
    Noutro tempo o espírito era Deus; depois fez-se homem; agora fez-se populaça.
    O que escreve em máximas e com sangue não quer ser lido, mas decorado. Nas montanhas, o caminho mais curto é o que medeia de cimo a cimo; mas para isso é preciso ter pernas altas. Os aforismos devem ser cumieiras, e aqueles a quem se fala devem ser homens altos e robustos.
    O ar leve e puro, o próximo perigo e o espírito cheio de uma alegre malícia, tudo isto se harmoniza bem.
    Eu quero ver duendes em torno de mim porque sou valoroso. O valor que afugenta os fantasmas cria os seus próprios duendes: o valor quer rir.
    Eu já não sinto em unísono convosco; essa nuvem que eu vejo abaixo de mim, esse negrume e carregamento de que me rio, é precisamente a vossa nuvem tempestuosa.
    Vós olhais para cima quando aspirais a vos elevar. Eu, como estou alto, olho para baixo.
    Qual de vós pode estar alto e rir ao mesmo tempo?
    O que escala elevados montes ri-se de todas as tragédias da cena e da vida.
    Valorosos, despreocupados, zombeteiros, violentos, eis como nos quer a sabedoria. É mulher e só lutadores podem amar.
    Vós dizeis-me: “A vida é uma carga pesada”. Mas, para que é esse vosso orgulho pela manhã e essa vossa submissão, à tarde?
    A vida é uma carga pesada; mas não vos mostreis tão contristados. Todos somos jumentos carregados.
    Que parecença temos com o cálice de rosa que treme porque o oprime uma gota de orvalho?
    É verdade: amamos a vida não porque estejamos habituados à vida, mas ao amor.
    Há sempre o seu quê de loucura no amor; mas também há sempre o seu quê de razão na loucura.
    E eu, que estou bem com a vida, creio que para saber de felicidade não há como as borboletas e as bolhas de sabão, e o que se lhes assemelhe entre os homens.
    Ver revolutear essas almas aladas e loucas, encantadoras e buliçosas, é o que arranca a Zaratustra lágrimas e canções.
    Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar.
    E quando vi o meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo e solene: era o espírito do pesadelo. Por ele caem todas as coisas.
    Não é com cólera, mas com riso que se mata. Adiante! matemos o espírito do pesadelo!
    Eu aprendi a andar; por conseguinte corro. Eu aprendi a voar; por conseguinte não quero que me empurrem para mudar de sítio.
    Agora sou leve, agora vôo; agora vejo por baixo de mim mesmo, agora salta em mim um Deus”.
    Assim falava Zaratustra.

    Curtir

  4. acasadevidro disse:

    Fantástico esse trecho do Zaratustra! Acho que essa frase – “De todo o escrito só me agrada aquilo que uma pessoa escreveu com o seu sangue” – realmente se aplica ao Kafka: taí um cara que escrevia com o sangue. Valeu e volte sempre!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s