:: are the birds free from the chains of the skyway? ::

Dylan: seu poder, me parece, emana sobretudo de sua poesia. A voz anasalada (e hoje já embargada e quase estragada) do velho Zimmermann, com seus 70 anos de idade completados neste 2011, não é lá grande coisa quando comparada à de um Sinatra ou uma Ella Fitzgerald. Suas melodias tampouco eram tão imediatamente memoráveis quanto as de Lennon & McCartney. Muitos tinham mais presença de palco que ele, eram ou mais performáticos, ou mais coloridos, ou mais brilhantes de glitter, ou mais esfarrapados e vira-latas. Bowie era bem mais excêntrico, Iggy era bem mais selvagem, Springsteen bem mais enérgico… E ele? O que é que Dylan tinha demais? O que o distinguia de todos os seus contemporâneos? Por que foi entronado como um ícone cultural desse tamanhão? Como pôde ser transformado em mito sem nem precisar da morte, a grande mitificadora?
Não conheço resposta melhor que esta: foi a poesia. Difícil acreditar que a poesia possa tudo isso? Mas quem foi o miserável que inventou a mentira abominável de que a poesia é algo… impotente? Que ideia pouquíssimo poética, digna de burocratas! Os maiores poetas são aqueles que, justamente, acreditam na potência da poesia. Sabem que palavra não é uma coisa à toa, uma bestice sem relevância, um punhado de fonemas que se dissolve ao vento. Sabem que palavras mudam consciências, animam sentimentos, despertam entusiasmos, apontam estrelas. Sabem que falar é agir, e que a palavra cantada (melodizada, rimada e ritmada) talvez haja com ainda maior eficácia e impacto do que aquela aprisionada no papel. O grande poeta sabe que discursos movem e comovem. Que são instrumentos de transformação (inclusive social, política, cultural). Que não há revolução silenciosa.
Lá no Depredando
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