O Sindicato – O Negócio Por Trás do Barato (Doc Completo – A realidade da maconha no Canadá)

the union

The Union – Business Behind Getting High

Canada, 2007, 105 min
Directed By: Brett Harvey
http://www.imdb.com/title/tt1039647/

“Ever wonder what British Columbia’s most profitable industries are? Logging? Fishing? Tourism? Ever think to include marijuana? If you haven’t, think again. No longer a hobby for the stereotypical hippie culture of the ‘60s, BC’s illegal marijuana trade industry has evolved into an unstoppable business giant, dubbed by those involved as ‘The Union’. Commanding upwards of $7 billion Canadian dollars annually, The Union’s roots stretch far and wide. With up to 85% of all ‘BC Bud’ being exported to the United States, the BC marijuana trade has become an international issue with consequences that extend far beyond our borders. When record profits are to be made, who are the players, and when do their motives become questionable? Why is marijuana illegal? What health risks do we really face? Does prohibition work? What would happen if we taxed it? Medicine, paper, fuel, textiles, food… are we missing something?

Highly entertaining as well as informative, The Union takes a look at British Columbia’s ever-expanding marijuana industry. Beginning with a brief history of the use of marijuana in North America, director Brett Harvey takes us on a journey that includes interviews with growers, clippers, criminologists, politicians, doctors, police officers and pop culture icons to illuminate the business of BC bud and how it is that such a powerful industry can function so successfully while remaining illegal. With enormous profits to be made, he questions who benefits the most from the current state of affairs and comes up with some not-so-surprising answers.

In examining more closely the propaganda of the anti-marijuana lobby, some unexpected facts and figures surface regarding the health risks of marijuana as well as the economic, agricultural and societal benefits of growing hemp, and the current laws prohibiting such crops in North America. As an industry that brings in seven billion dollars annually, the business of growing and distributing marijuana is even more profitable for those involved on both sides of the law due to the prohibition. The Union is a fascinating and in-depth look at one of BC’s most profitable industries and the players involved, from the growers and dealers to pharmaceutical companies and builders of private prisons.”

Winner, Outstanding Documentary Feature, 2007 Winnipeg International Film Festival.

This film is nominated for the National Film Board’s Best Canadian Documentary Award.

Union

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In the official website of Canada’s government, Department of Agriculture, there’s a good report on the situation of hemp nowadays:

Canada’s Industrial Hemp

As the world’s premier renewable resource, hemp has been the source of food and fibre for the past 10,000 years. Hemp fibre has been used to make clothing, ropes, and paper; the grain has been stewed, roasted, and milled for food; and the oil derived from the grain has been used for cosmetics, lighting, paints, varnishes, and medicinal preparations.

Like the marijuana plant, industrial hemp belongs to the species Cannabis sativa L. However, unlike marijuana, it only contains small quantities of the psychoactive drug delta-9 tetrahydrocannabinol (THC). Nevertheless, the cultivation of both marijuana and industrial hemp were banned in Canada in 1938.

Since 1994, a small number of Canadian companies, as well as Canadian universities and provincial governments have researched industrial hemp production and processing. Due largely to their initiative, the 60-year ban was lifted and the commercial cultivation of hemp was authorized in Canada in 1998. The Industrial Hemp Regulations came into effect on March 12, 1998, and cover the cultivation, processing, transportation, sale, provision, import, and export of industrial hemp.

Since its legalization, hemp has sparked much interest among Canadian farmers. The Government of Canada has been very supportive of Canada’s re-emerging hemp industry through changes in legislation and regulations, and through market development funding. Today, hemp is enjoying a renaissance, with the global hemp market becoming a thriving, commercial success. More than 100 Canadian farmers are currently taking advantage of the vast market potential for hemp and are growing this crop in most provinces, primarily in central and western Canada.”

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A Revolução Verde em Marcha… Reflexões sobre a Marcha da Maconha.

I. UM FAROL VERMELHO MANCHADO DE SANGUE

A luz verde marcha pelas cidades, desfila na frente de universidades e drogarias, de shoppings e prefeituras, de cara limpa e na maior paz, disseminando informação e consciência enquanto dança e canta ao som de Raul Seixas, O Rappa, Manu Chao, Planet Hemp… É o verde que desabrocha nos corações para peitar o farol vermelho todo manchado de sangue! Fervilhando pelas ruas, vão os dionisíacos maconheiros, vãos os lókis com dreadlocks, vão os neo-hippies que cultuam Jah ou Shiva, vão os apaixonados pela consciência expandida, demandando com uma mescla de revolta indignada e triunfante festa:

“Dilma Rousseff, legaliza o beck!”; ”Se a erva legalizar, olê-olê-olá… eu vou plantar!”; ”Fumo proibido: traficante agradecido!” – dentre outras pérolas do slogan genuinamente popular. Enquanto marcha o verde, a tensão está no ar, já que há forças inimigas espreitam (alguns os chamam, os fardados, de “braço armado da burguesia”). Eles, os P.M.s (também conhecidos como Paus-Mandados), com seus revólveres no coldre, seus cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo (dizem dela que seu efeito é meramente “moral”… ), saltam fácil sobre o corpo dos “desordeiros”, dos “inimigos da Lei e da Ordem”, dos “vândalos” e “bárbaros”.

Alegremente, sabendo que não vale a pena brigar com os carrancudos com a mesma soturna rigidez que eles demonstram, manda a trupe herbácea o aviso pros “hômi-de-farda”: “Ei, polícia, maconha é uma delícia!”. Eis um meio de dizer, através do humor e da provocação, que afinal de contas maconha não é nenhum bicho de sete cabeças – e pode até mesmo, se legalizada e tratada sem histeria, ser uma dispensadora de amplos benefícios, uma dádiva da Terra para nossas mentes… Pepe Mujica, aliás, já esparramou pelo Uruguai as sementes deste outro mundo possível.

Hoje em dia um movimento internacional vem colorindo de verde as ruas para escancarar o absurdo desperdício – de dinheiro público e de vidas humanas – acarretado pela Guerra às Drogas, em especial a estupidez descomunal da guerra empreendida contra a maconha, ou melhor, contra as pessoas que a plantam, a comercializam e a consomem. ”Adivinha, Doutor, quem tá de volta na praça?” A esquadrilha da fumaça! Mas não a fumaça de que gosta o capitalismo – a fumaça das indústrias que vomitam seus poluentes na atmosfera e das armas de guerra a lançar seus mísseis e a provocar seus incêndios mortíferos que queimam civis e crianças… – mas a fumaça que deixa a “mente ativa” e que, para usar a expressão do B Negão, “passa de mono pra estéreo a tua compreensão”…

a revolução verde

Avenida Consolação em Sampa tomada por cerca de 8 mil manifestantes

II. MARCHA DA MACONHA 2013 – GONZO REPORT

Em Goiânia, a Marcha Maconheira 2013 foi linda, excitante, barulhenta, diversificada… (Veja o vídeo) Pelo menos 2.000 pessoas estavam lá para o rolê que, saindo da Praça Universitária, atravessou a Rua 10 e encheu de verde a Praça Cívica iluminada por uma Lua cheíssima. A “causa” cannábica foi conectada com muitas outras: a feminista (hoje em dia bombando com a “Marcha das Vadias”…), a causa do Estado laico (hoje em dia ameaçadíssimo por Feliânus e Malafaias, dentre outros salafrários…), a causa anti-manicomial (hoje em dia na crista da onda com a instauração das “internações compulsórias para usuários de crack”…).

Além disso, os problemas locais não foram negligenciados e a Marcha da Maconha Goiânia 2013 pôde dar seu recado sobre muitos temas de relevância para o goiano: o aumento abusivo das tarifas do transporte público; as alterações no Plano Diretor que ameaçam destruir o meio ambiente em prol do grande trator do capital corporativo; o governo todo roído por vermes de Marconi Perillo, tucano cachoeirista que, no ano passado, quando reveladas as tramóias em que se meteu, viu a juventude sair às ruas em consideráveis marchas “Fora Marconi” – algumas delas com mais de 5 mil participantes…

Debaixo de uma Lua cheia que não conhece nenhuma lei humana, que segue em sua órbita em total desprezo por quaisquer ditames, A.I.s ou dogmas que humanos tentem lhe impor, Goiânia marchou em prol de leis mais sábias. E marchou de cabeça erguida, com muita gente já convicta de que a vitória não tarda e que não há Lei neste mundo que vá impedir esta erva de prosseguir brotando por mil recantos deste planeta…Contra o machismo que estupra e mata, contra os pastores fanáticos que só sabem condenar os “comportamentos desviantes”, contra os militares broncos que querem resolver tudo no tiro, contra os vendedores de drogas bem mais perigosas do que a erva, e que se interessam mais por seu lucro do que pela saúde de um povo… Contra esses, marchamos! Em prol de um mundo mais verde, com menos motosserras e hiper-mercados, onde cada um tenha o direito de consumir – não as geringonças e quinquilharias que o capitalismo põe no mercado… – mas aquilo que cada um sente lhe ajudar a melhor “vislumbrar o infinito” e melhor perceber-se como parte do todo, capaz de conexão e soma.

A Marcha da Maconha convida jovialmente os proibicionistas, os repressores radicais que desejam “exterminar” estes viciosos sem-vergonhas e moralmente corruptos que são os maconheiros: em lugar de tanta bala, tanta cadeia e tanta repressão, porque não pensar em leis mais sábias? Aliás, é suspeita antiga minha que a grande maioria dos proibicionistas nunca fumou um beck, ou ao menos não tragou, o que merece uma paráfrase da excelente idéia de Terence McKenna (originalmente sobre o LSD): “A maconha é uma substância capaz de produzir efeitos psicóticos e paranóicos intensos naqueles que não a utilizaram.”

Afinal, seriam da mesma opinião os senhores proibicionistas se tivessem de fato experimentado e pesquisado concretamente os efeitos da substância? Não seria mais interessante, ao invés da perseguição belicista, uma atitude mais curiosa e inquiritiva, ou seja, fazer pesquisas científicas sérias, com pesquisadores e intelectuais bem pagos, sobre os potenciais benéficos e possíveis perigos desta planta? Por que não deixar os psicólogos, os antropólogos, os filósofos, os juristas, opinarem sobre a melhor maneira de lidar politicamente com uma erva tão amplamente utilizada e tão entusiasticamente aclamada por seus usuários? Por que não dar uma chance para um novo ciclo vegetal iniciar sua jornada legal sobre solo brasileiro, e por que não considerar a hipótese de que ele possa ser um dos pilares de uma sociedade menos nefasta, opressora e hierarquizada do que aquelas que se ergueram sobre o açúcar, o café e a pecuária?

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III. A PLANTA DO FUTURO

O cânhamo, muito provavelmente, é a autêntica “planta do futuro”: e quem não acordar pra isso vai ficar sendo parte do passado. O vasto leque de utilidades do cânhamo – que pode ser usado para fazer papel, roupa, combustível, remédio… – é sinal do quanto a estupidez do proibicionismo está nos privando de uma planta prodigiosamente benéfica em muitos domínios além da expansão da consciência e da “recreação” psicodélica. Quando a Era do Petróleo acabar (deste século não passa…), talvez a revolução verde agora em marcha torne-se não somente altamente desejável, mas absolutamente necessária. O tempo dirá!

O Tempo, afinal de contas, já é velho conhecido e comparsa do cânhamo: eis uma planta que atravessou os milênios, não só sobrevivendo muito bem a todas as intempéries e desmatamentos, como também prestando múltiplos serviços aos humanos. O cânhamo está profundamente enraizado no passado humano, tendo participado ativamente da Invenção da Imprensa de Gutemberg e das Grandes Navegações pelas quais os europeus invadiram e pilharam a América; foi coadjuvante da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América (que foi escrita em papel de cânhamo1), tendo sido cultivado em imensas fazendas por yankees de bufunfa grossa, chegando a ser um dos produtos agrícolas mais importantes do país, pau-a-pau com o milho e o algodão; sem falar que remédios derivados do cânhamo já foram onipresentes nas farmácias, sendo usados até pela Rainha da Inglaterra para minorar os efeitos de suas cólicas menstruais…

Além disso, mundo afora, e mais particularmente no Oriente, o cânhamo foi sacralizado por muitas culturas, consagrado em evangelhos, poemas e canções, tendo sido muito provavelmente um dos elementos importantes para a emergência histórica de vários cultos e religiões xamânicas, hinduístas, budistas, rastafaris, umbandísticas…

São milênios de usufruto e apenas décadas de repressão. Sagrada em muitas civilizações, a cannabis foi parte importante da nossa história, marcando ramos diversos da condição humana: a religião e o misticismo (ela é sagrada para os hindus da Índia, por exemplo, que em sua mitologia transformaram a maconha numa dádiva feita pelo deus Shiva à humanidade…); a criação artística e filosófica (quantas obras e quantas descobertas não foram auxiliadas pelas alterações de consciência desencadeadas pelo THC no cérebro humano?); a farmacologia e a medicina (a cannabis consta entre os remédios mais antigos e mais eficazes que o homo sapiens descobriu no imensamente bio-diverso reino da phýsis…).

Mundo afora, este último aspecto – o potencial benéfico ou terapêutico da maconha – ganha progressiva credibilidade e comprovação científica. E em muitos países os benefícios da cannabis medicinal já podem ser usufruídos por milhões de pessoas que sofrem de AIDS, câncer, depressão, glaucoma ou dúzias de outras condições sobre as quais a maconha age de modo benéfico, por exemplo minorando os efeitos adversos da quimioterapia ou reabrindo um apetite de leão (vulgo “larica”) naqueles fragilizados pela doença. Estados norte-americanos de peso, como Califórnia e Washington, e países inteiros, como a Holanda e o Uruguai sob a presidência de Mujica, já deram este passo à frente.

Quanto ao uso dito “recreativo”, a maconha é a substância ilícita mais usada no planeta, a mais popular e a mais universal, e não cessa de espantar a bizarra situação histórica em que nos encontramos: apesar dos milhões de mortos, nas últimas décadas, por causa do cigarro e do álcool, estas substâncias são de comércio legal e protegidas por mega-corporações e governos a elas favoráveis, enquanto que a maconha, que jamais na história registrada causou uma única morte por overdose, prossegue ilegal – seu usuário criminalizado, seu plantio proscrito, sua comercialização reprimida, seus comerciantes encarcerados…

A Guerra às Drogas não chegou nem perto de exterminar as substâncias alteradoras da percepção, mas conseguiu exterminar… pessoas: nos campos de batalha do Rio de Janeiro e de Bogotá, de Lima e da Cidade do México, os corpos sem vida de traficantes e policiais não cessam de cair. E não há de cessar tão cedo a sanguinolência e violência nos clashes entre as Cidades de Deus e os Caveirões da s Tropas-de-Elite caso a política proibicionista hoje em vigor prossiga. Com o proibicionismo, caminhamos para a catástrofe: penitenciárias super-lotadas, com condições de vida abomináveis, onde centenas de milhares de pessoas são trancafiadas não para qualquer tipo de “reeducação moral”, mas sim para serem apresentadas a uma das facetas mais sórdidas e fascistas deste Sistema. Com a continuação da política proibicionista, o Brasil pode esperar novos Carandirus, novas Candelárias, novos escândalos para manchar nossa imagem e nossa história com seu sangue jorrante…

E pra falar no dialeto “economiquês” tão apreciado pelos políticos que nos impõe o proibicionismo, eis um fato simples: é absurdo querer guerrear contra produtos cuja demanda, por parte da população, é gigante. Quando há uma demanda tão vasta, é óbvio que haverá uma oferta para supri-la. No excelente filme The Union – O Negócio Por Trás do Barato, o espectador conhece o gigantismo deste mercado e o quão irrealizável é o projeto de alguns proibicionistas radicais de aniquilá-lo por inteiro. Em outros termos: em um país como o nosso, onde pelo menos umas 5 milhões de pessoas (chutando muito baixo!) desejam consumir maconha, é absolutamente ridículo pretender extinguir este mercado a força de bala e de cadeia.A demanda das massas pela maconha não cessou durante as décadas de brutalidade policial e ferocidade carcerária, mas, pelo contrário, só tendeu a se fortalecer e se disseminar.

Imaginem um governo que tentasse banir de seu território o comércio de café, e que para isso lançasse na cadeia todas as pessoas que fossem pegas em flagrante delito de traficar café. Em breve não haveria mais lugar algum para novos presos. É o que dá quando se proíbe e criminaliza um comportamento amplamente disseminado, a despeito das leis, e quando se quer criminalizar algo que as pessoas continuarão comprando de qualquer jeito, mesmo que tenham que recorrer ao mercado clandestino.A Lei Seca americana, que quis proibir o álcool, foi um retumbante fracasso que gerou como subprodutos um mercado negro enorme e a proliferação de Al Capones e violências sanguinolentas mil. A História mostra a ineficácia de um sistema que lança na cadeia as pessoas quando estão comercializando produtos que elas desejam intensamente “consumir” e cujos benefícios desejam gozar. O proibicionismo está fadado ao fracasso recorrente pois ele se choca contra a vontade de milhões. E uma vontade coletiva, aliás, cada dia mais tenaz e organizada, cada dia mais triunfante e de cabeça erguida, cada dia reivindicando mais alto, nas ruas, um outro mundo possível. E onde haja mais luz verde!

“Grasshopper Night” (Crônica sobre o espetáculo de Paul McCartney em Goiânia, 2013)


GRASSHOPPER NIGHT
Uma Gonzo-Reportagem

“…a imperecível necessidade humana de viver em beleza.” 
Johan Huizinga em “Homo Ludens”
(Ed. Perspectiva, pg. 71)

Paul McCartney teve que percorrer uma longa e tortuosa estrada até vir parar, com mais de 70 anos rodados pelas trilhas da vida, aqui nas terras dos Goyazes…

Em sua primeira infância, na Inglaterra de 1942, durante a 2ª Guerra Mundial, o garoto de Liverpool brincava pelos territórios bombardeados pelo III Reich, como ele mesmo narra no início do Beatles Anthology: “We played on bomb-sites a lot and I grew up thinking the word ‘bomb-site’ almost meant ‘playground’. Reminders of the war were all around…” (pg. 17).

Foi por pouco que Hitler e sua gangue de arianos genocidas não adicionaram ao seu horrendo catálogo de atrocidades a morte da família McCartney: estima-se que 4.000 pessoas morreram durante os ataques da Luftwaffe que ficaram conhecidos como Liverpool Blitz.

Filho de um pai protestante que tocava piano, e que desde o berço fez o pequeno Paul “mergulhar” no mundo do jazz e do folk, e de uma enfermeira católica, que sempre cuidou de sua saúde com muito esmero, McCartney desde cedo esteve rodeado e possuído pelas musas da música.

Desde tenra idade, decorava os hits do rádio, tocava piano em festinhas familiares, compunha cantigas ao violão e ia atrás de conhecer e se amigar com os melhores músicos de Liverpool: antes dos 16 anos de idade, já impressionava os músicos ao seu redor com suas versões bem-timbradíssimas de Eddie Cochran, Little Richard e Elvis Presley, dentre outros roqueiros das antigas. E logo o mocinho integraria a Banda de Besouros, a Banda do Sargento Pimento e do Submarino Amarelo, aquela que se tornaria um dos monumentos musicais mais importantes do século 20 e uma das cerejas no bolo do Sonho Hippie…

E hoje em dia, me parece, McCartney prossegue, apesar de ser um perfeito gentleman britânico, um hippão de coração. Talvez o hippie, neste planeta, com a maior conta bancária (sua fortuna é estimada em mais de U$1.000.000… um bilhão de doletas!), e cujo ideário hippie decerto não inclui como ideal norteante a pobreza voluntária. McCartney ainda fala em favor da legalização da maconha, que, conta a lenda, teria sido apresentado aos Beatles em 1964 por Bob Dylan, o que parece ter sido para Paul o início de um caso de amor de fidelidade ímpar, com o cânhamo sagrado, já que ele segue pró-cannabis mesmo tendo sido preso algumas vezes, em alguns países, por posse de fontes de THC. McCartney também ilita em prol dos direitos animais,  sendo talvez o vegan com maior apelo de massas no atual showbizz global, capacitado para gerar discussão e debate público sobre um tema ainda tabu (os bilhões de criaturas mortas para serem consumidas por humanos na forma de hambúrgueres, salsichas e fatias de bacon).

Outro índice de hippiedade é que em  muitas ocasiões ele já escancarou, em suas declarações, uma mui-hippie predileção intensa pela psicodelia. Teve uma experiência existencial significativa quando olhou através dos telescópios e microscópicos lisérgicos, nos anos 60, época em que ingeriu muitas doses da Poção de Hoffmann que o Dr. Leary andava louvando por aí (o LSD… homenageado singelamente em “Lucy in the Sky With Diamonds”, dentre outras cantigas). Os pendores de Paul McCartney ao louvor arrebatado e hiperbólico às substâncias psicodélicas ficam claros, por exemplo, em declarações como a seguinte, que foi pescada do Anthology e em que ele relata sua experiência com  o LSD:

“After I took LSD, it opened my eyes: we only use one-tenth of our brain. Just think what we could all accomplish if we could only tap that hidden part. It would mean a whole new world. If the politicians would take LSD, there wouldn’t be any more war or poverty or famine.” (Anthology. Chronicle Books, San Francisco, Pg. 255.)


McCartney, hoje em dia? Um setentão que aguenta 3 horas de show sem precisar beber uma gota d’água. E esta turnê pelo Brasil, em 2013, certamente deixará lembranças indeléveis nos corações e mentes dos cerca de 150.000 brasileiros que o viram de perto em Belo Horizonte (no Mineirão), Goiânia (no Serra Dourada) e em Fortaleza (no Canecão).

Foi uma oportunidade magnífica ver em carne-e-osso esse mito-vivo, em sua primeira aparição por Goiás, com um showzaço que satisfez com folga o público que encheu o Serra Dourada. Até agora não conversei com ninguém que não tenha descrito o espetáculo com os mais entusiásticos e gratos dos termos. Foram 38 músicas, com um repertório repleto de clássicos dos Beatles (com destaque para “Hey Jude”, “Let It Be”, “Eleanor Rigby”, “Get Back”, “Helter Skelter”, “The Long and Winding Road”, “Yesterday”, “Back in the U.S.S.R”…) e dos Wings (incluindo as estupendas “Live and Let Die” e “Maybe I’m Amazed”).

Num espetáculo grandioso, cheio de pirotecnias, com psicodelia bem-bolada rolando nos telões, e acompanhado por uma bandaça impecável, Paul McCartney passou por Goiânia impressionando geral com sua vivacidade, sua simpatia e seu embriagante e revigorante tônico musical, bebido com tanta sede e deleite pelas massas-em-festa… Em suma: reativando a beatlemania nestas noites brasileiras repletas de histerias ultra-admirativas e aclamações esfuziantes, Macca encantou geral com sua voz e suas melodias, dando farto alimento à “imperecível necessidade humana” (pois nem só de pão vive o homem…) “de viver em beleza” – como diz no Homo Ludens o Huizinga.

“Goiânia Grasshopper Stage Invasion!”
Vídeo oficial do PaulMcCartney.com

Sem dúvida, o elemento pitoresco do show em Goiânia, e que ficará indelével na memória do público e do músico, foi a alegre invasão daqueles beatlemaníacos alados que não perderam a chance de fazer o que muito mortal fica só passando vontade: tocar a carne de um mito. Viraram até notícia internacional! Goiânia fez jus a sua fama de “roça asfaltada” e, ao mesmo tempo, esta imprevista irrupção de vida fez com que o ambiente, saturado da artificialidade ultra-tecnológica daquele palco hi-tech, se reconectasse com a natureza. Como notório defensor dos direitos dos animais, Paul McCartney em nenhum momento foi agressivo contra os visitantes inesperados – aliás bastante inofensivos, desprovidos que são de malícia e de ferrão. Ao invés de enxotá-los com tapões ou piparotes que poderiam equivaler, para tão frágeis criaturas, a severos hematomas, ou mesmo a golpes fatais, McCartney divertiu-se como um pirralho com os bichinhos – dotados, aliás, de excelente gosto musical.

Tem gente dizendo que eram grilos-esperança, outros que eram gafanhotos, outros ainda “insetos vetores”; pouco importa. O que importa é aquilo que o episódio revelou sobre a personalidade de Paul, seu espírito lúdico tão vivaz e seu senso-de-humor tão espontâneo. Também se tornou clara a capacidade enorme de empatia com outros terráqueos que é uma marca de personalidade de McCartney, que aliás criou uma das máximas mais célebres da história do vegetarianismo (que era também praticado por Linda): “se os abatedouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos”. O estádio Serra Dourada foi proibido de vender espetinhos de carne no espaço do show, por pedido do próprio McCartney, que é militante pelos direitos animais há muitos anos. O que se escancarou com este episódio é que não é somente em prol de vacas, bois, galinhas, porcos e perus – dentre outros animais que os humanos devoram!  – que McCartney milita e defende. Que coerência genuína de pensamento e ação o episódio com os grasshoppers revelou!

Pego de surpresa, McCartney mostrou excelente capacidade de improviso: usou o acaso a seu favor e transformou os bichos numa atração à parte. Um deles (ou seria uma delas?), particularmente obstinado em manter-se coladinho no Beatle, foi batizado de Harold e convidado a saudar a platéia no microfone. Mas Harold se intimidou diante dos mais de 45 mil humanos presentes e manteve-se calado. Quando veio o clássico “Hey Jude”, um dos muitos ápices emocionais do show, com 40 mil vozes se juntando no coro de “nánáná”, ocorreu um momento mágico: o grasshopper beatlemaníaco estava pousado nos ombros de McCartney quando veio o verso “The movement you need is on your shoulder”, e Macca, veloz e sagaz, não perdeu a ocasião da alusão.

(Lembrei de uma das melhores cenas do documentário sobre Raul Seixas, O Início, o Fim e o Meio, quando o diretor Walter Carvalho recebeu, também, um presente do acaso muito bem aproveitado: entrevistando Paulo Coelho em Genebra, cidade onde quase não existem moscas,  Carvalho viu o “set” ser invadido por uma inesperadíssima aparição alada; Paulo Coelho não perdeu a ocasião de apontar: “deve ser o Raul…”. Depois de ser esmagada a mosca pelo místico higienista, a sacada do documentário, aliás brilhante, está edição de som, que faz com que Raulzito, eterno mosca-na-sopa da caretice e do quadradismo, entre cantando logo na sequência: “E nem adianta vir me dedetizar… Pois você mata uma e vem em outra em seu lugar!”)

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O que mais me assombra e me impressiona é uma pessoa com tamanha capacidade (intacta!) para as alegrias fáceis, para as cantorias vivazes, para as melodias memoráveis, quando sabemos quantas tragédias e lutos ele não teve que enfrentar nesta longa e tortuosa estrada da vida! Fora os horrores da guerra, experenciados na infância, que relatamos no começo desta gonzo trip, cabe lembrar que Paul, na adolescência, quando tinha 14 anos de idade, perdeu a mãe para o câncer – foi quando viu seu pai chorar pela primeira vez. Resistiu vivo através de outras tempestades, sobrevivendo ao assassinato que levou Lennon em 1980, ao câncer que matou sua esposa (e mãe de seus filhos) Linda em 1998, tendo também se despedido do caixão de George Harrison em 2001. É uma lição de vida testemunhar que nada disso aniquilou o senso de humor e a capacidade de empatia com os viventes deste artista com espírito perpétuo de menino e que encantou com sua graça os mais de 45 mil mortais que encheram o Serra Dourada para prestigiá-lo.

É bem verdade que este espetáculo Out There usa e abusa da pirotecnia, não economizando no tamanho dos telões, na coloridice extrema das imagens, na variedade de holofotes e luzes, na profusão de fogos de artifício e lançadores-de-chama (que fazem sua estrondosa aparição-clímax em “Live and Let Die”). Há algo de arrasa-quarteirão roliudiano no show, que pretende ser uma torrencial chuva de estímulos sensíveis sobre um público que McCartney deseja levar ao delírio, ao êxtase coletivo, depois recolhendo com deleite as aclamações, as salvas de palmas e os ursinhos de pelúcia lançados sobre o palco por mocinhas apaixonadas.

Um crítico de arte que conhecesse de Adorno e Horkheimer, que soubesse das críticas de Guy Debord à “sociedade do espetáculo”, talvez pudesse destroçar criticamente este show como mero showbusiness alienante, como uma criação do capitalismo hi-tech que serve para algo similar ao que o “Pão & Circo” fazia para o Império Romano. Acho plausível, aliás, que nosso governador tucano e cachoeirista, Marconi Perillo, tenha investido dinheiro público neste show com intenções de, através de uma pão-e-McCartney grandioso e crowd-pleaser, fazer com que os goianos esquecessem de suas tenebrosas e escusas relações com o Al Capone do Cerrado, o gangter Carlinhos Cachoeira, pra não falar do esquema de espionagem escancarado recentemente pela revista Carta Capital.

Só que, me parece, o show de McCartney jamais poderia ser reduzido a isso, um instrumento político na mão de um governo corrupto, pois é um evento cultural que transcende o presente: foi uma oportunidade de receber um “banho de imersão” na história da música pop inglesa em algumas de suas mais geniais criações nas últimas décadas, um embarque numa viagem que nos carrega de volta para os anos 60 e 70, que nos dá um vislumbre do que foi o frenesi da beatlemania, que nos deixa instigados a criar uma cultura cuja efervescência aspire a igualar aquela que incendiou o pop nos crazy sixties.

McCartney escapa do “imediatismo” do showbizz, que costuma dar ao público algo que ele possa consumir e logo esquecer (a fila das mercadorias anda!). McCartney parece desejar que cada um no público leve para casa uma lembrança indelével, algo a ser carregado pelo resto da vida, por isso não se economiza, não poupa seu coração, não retêm seu sentimento; sentimos algo de genuinamente humano e caloroso sobressaindo sobre aquela parafernália técnica toda. McCartney anda fazendo, ao vivo, um ritual auto-celebratório em que resgata seus mais de 70 anos de vida e seus quase 50 anos de carreira, arrastando o público numa jornada colorida, lisérgica, psicodélica, às vezes kitsch, sempre emotiva e emocionada, por uma vida cuja criatividade e talento os milhões de beatlemaníacos não param de celebrar.

Aliás, McCartney consegue muito bem, sem tecnologia pesada o acompanhando, encantar uma multidão com simplicidade e frugalidade: sozinho ao violão, quando canta “Blackbird” ou “Yesterday”, não precisa de pirotecnia alguma para nos deixar encantados. Na homenagem à imortal canção de George Harrison, “Something”, soube deixá-la graciosa em seu despojamento ao re-interpretá-la no ukelele.

Talvez tenha razão quem disse que a música é a única língua universal: Mozart ou Bach, tocados em qualquer latitude, em qualquer continente, independente do idioma que ali domine, são deleitáveis experiências para os tímpanos humanos; e “nánáná” em inglês, em japonês e em português é sempre “nánáná”. Os sons, como anarquistas desrespeitadores de todos os arames farpados, não respeitam as fronteiras: caçoam delas, velejando no vento, voando por sobre os muros e atravessando as paredes. Talvez não haja nada, dentre as criações humanas, nada com mais benéfico potencial de congraçamento do que a música. Quando 50 mil pessoas houvem a mesma música, no mesmo espaço, quando suas vozes se unem para cantar uma melodia, podem sentir-se unidas em um sentimento como só deve ocorrer em raríssimas ocasiões e para raríssimas massas, quiçá só equiparável à fervura de um levante revolucionário… O mínimo que se pode dizer de Sir Paul McCartney é que ele tem uma capacidade de comunicação afetiva com as massas que é rara; que sua música prossegue tendo uma graça que transborda e que não envelhece; que com mais de 70 anos, prossegue com espírito de menino, legítimo espécimen do homo ludens; que muitas de suas melodias tem vocação para a eternidade e muito provavelmente poderão agradar também a nossos bisnetos e tataranetos; e que os Beatles não deixarão mais a história da música do século 20 como um de seus acontecimentos mais dourados.

“And in the end
The love you take
Is equal to the love
You make.”

Siga viagem em outras criações do Mega-Macaco Macca…

ÁLBUNS DE ESTÚDIO (COMPLETOS)

MCCARTNEY (1970)
 ALGUMAS CANTIGAS MEMORÁVEIS
“WHEN I’M 64” DO SGT PEPPERS
“SHE’S LEAVING HOME” OUTRA DO SARGENTO PIMENTA
THE BEATLES ANTHOLOGY (ÁUDIO)
(6 horas de Beatles!)

A ciência se debruça sobre o THC: os mistérios da sinestesia, da amplificação de consciência e dos “paraísos artificiais”…


Com a palavra…

LESLIE L. IVERSEN (PH.D.)
Professor de Farmacologia da Universidade de Oxford
em The Science Of Marihuana
(Oxford University Press, 2000. Pgs. 112-119)
Reproduzido da edição espanhola

“El THC ejerce intensos efectos en los centros superiores del cerebro y altera el modo en el que normalmente se procesan y analizan los estímulos sensoriales, y también el mismo procesamiento cerebral. Las fases iniciales del ‘subidón’, en líneas generales, van acompañadas de una excitación física y mental, ya que la droga es un gran euforizante, como describió Ludlow (1857). Unas horas después de consumir extracto de cannabis, ‘me quedé golpeado por las emociones del hachís como si hubiera caído un rayo encima’, escribe Ludlow.

Ludlow experimentó el ‘colocón’ de hachís mientras caminaba con un amigo, efectos que le sorprendieron durante el paseo, así como durante su regreso a casa:

“Poco a poco, el camino por dondo íbamos comenzó a alargarse. […] Mis percepciones se embriagaron con toda esta belleza hasta que desapareció el miedo, y fue entonces cuando por mis venas corrieron los vinos del placer. El misterio me envolvió y me inmovilizó; supongo que es el misterio de quien se adentra por primera vez en el Paraíso terrenal. […] El mundo para mí gozaba del mismo éxtasis que yo sentía. Me libré de todas las ataduras, daba saltos de alegría, aplaudia, gritaba de gozo. […] Tenía el resplandor del alma de un recién nacido.” [LUDLOW]

En el siglo XIX, el doctor H. C. Wood, de Filadelfia, describió su uso experimental com el extracto de cannabis en los siguientes términos:

“Era un simple gozo interior, en el que el corazón se sentía optimista por encima de todas las penas; noté que el cansancio había desaparecido para siempre y di rienda suelta a mi imaginación, saltando con libertad de una idea a otra, sin las ataduras con las que las leyes las guían. Reía y hacia muecas.” [WOOD]

Las etapas iniciales de la intoxicación por cannabis van acompañadas de asociaciones mentales que, al acelerarse por momentos, generan un agudo sentido del humor. Los objetos y las ideas más cotidianos pueden convertirse en temas de alegría e hilariedad, a menudo seguidos de carcajadas incontrolables.

“Cuando estoy com alguien casi simpre me echo a reír, y a veces no paro en media hora.” (Berke y Hernton, 1974) “Todas las cosas que en la vida normal no tienen ni pizca de gracia me dan risa, una risa a veces desmesurada. A veces no paro de reírme en veinte minutos.” (Goode, 1970)

A medida que avanza el estado de intoxicación, los consumidores de marihuana afirman sentirse relajados, tranquilos y calmados; sus sentidos se magnifican y en ocasiones se distorsionan; pueden llegar a tener pensamientos supuestamente profundos y a experimentar una curiosa alteración en la percepción subjetiva del tiempo. Como si estuvieran sumidos en un sueño, el consumidor siente que ha pasado mucho más tiempo de lo realmente transcurrido. “Tengo la sensación de que los discos duran más tiempo del normal” (Berke y Hernton, 1974).

Otras veces, son las obras de arte las que están en el punto de mira de las experiencias de los consumidores de marihuana. Para muchos de ellos, su gozo y percepción se magnifica… entienden mejor la estructura de una pieza musical, su expresión, suas tonos y armonias y el modo en que todo ello interactúa. Muchos músicos creen que su actuación gana en calidad y perfección cuando están bajo los efectos de la marihuana, lo que talvez explique por qué fue tan popular entre los musicos de jazz a principios de siglo.

En los períodos más intensos de la intoxicación, al consumidor le cuesta relacionarse con los demás y tiendre a ensimismarse, cayendo en un estado introspectivo. Sus pensamientos suelen detenerse en temas metafísicos o filosóficos, pudiendo experimentar supuestamente revelaciones transcendentales. “En un instante, glorioso y definitivo, atravesé lo que para Blake era LA CONCHA DE LO PROSAICO. […] Tenía un tercer ojo que parpadeaba. […] Esta és la experience visionaria más intensa que jamás he tenido a partir de una simple planta verde…”


[+] ALDOUS HUXLEY ::: “As Portas da Percepção”
[+] CHARLES BAUDELAIRE ::: “Do Vinho e do Haxixe” 

Maconha, Cérebro e Saúde (por Renato Malcher-Lopes & Sidarta Ribeiro)


The illegality of cannabis is outrageous, an impediment to full utilization of a drug which helps produce the serenity and insight, sensitivity and fellowship so desperately needed in this increasingly mad and dangerous world. 
Carl Sagan

 If the words “life, liberty and the pursuit of happiness” don’t include the right to experiment with your own consciousness, then the Declaration of Independence isn’t worth the hemp it was written on. 
Terence McKenna

MACONHA, CÉREBRO E SAÚDE (*)
por Renato Malcher-Lopes e Sidarta Ribeiro


Nunca foi tão oportuna quanto agora a discussão sobre os efeitos cerebrais e fisiológicos da Cannabis, popularmente conhecida como maconha. Se por um lado uma parcela da sociedade começa a questionar a pertinência das políticas públicas que criminalizam seu uso, por outro a ciência avança a passos largos para decifrar a enorme variedade de efeitos fisiológicos e psicológicos induzidos por seus princípios ativos. […] A maconha é uma das drogas recreativas mais usadas no mundo e está entre as mais antigas plantas domesticadas pelo homem. Esteve presente nos primórdios da agricultura, tecnologia, religiões e medicina. Testemunhos eloqüentes de seu impacto na civilização estão presentes nas escrituras sagradas e nos mais antigos documentos médicos das mais diversas culturas.

O número de artigos científicos publicados sobre o sistema canabinóide cresce linearmente a cada ano, de forma que a maconha protagoniza uma verdadeira revolução, representando uma das mais promissoras fronteiras no desenvolvimento da neurobiologia e da medicina. A descoberta dos endocanabinóides, ou seja, moléculas análogas aos princípios ativos da maconha, mas produzidas pelo próprio cérebro, é a grande novidade por trás dessa guinada científica. Neste início de século XXI, acredita-se que os canabinóides possam estar envolvidos na remodelação de circuitos neuronais, na extinção de memórias traumáticas, na formação de novas memórias e na proteção de neurônios. […] A desregulação do sistema canabinóide pode estar envolvida nas causas da depressão, dependência psicológica, epilepsia, esquizofrenia e doença de Parkinson.


I. A HISTÓRIA NATURAL DA MACONHA

Acredita-se que a Cannabis seja originária da região central da Ásia, onde ainda é encontrada em sua forma silvestre. Hoje em dia, uma extensa faixa de estepes entremeada por desertos recobre esta região seca e gelada. Entretando, há evidências de que a planta já existia por ali numa época em que o clima era mais úmido e quente, o que confirma sua extraordinária capacidade adaptativa. Desta região a planta teria se espalhado pelo mundo graças aos movimentos migratórios de nômades e à atividade de comerciantes. A milenar relação do homem com esta planta acabou por gerar inúmeras variedades das três subespécies da Cannabis (indica, sativa, ruderalis), selecionadas segundo o interesse de quem as cultivava, tais como a qualidade da fibra e a quantidade da resina que produziam.

Vêm da China as mais antigas evidências da relação do homem com a Cannabis. Em 1953, numa vila chamada Pan-p’o, às margens do Rio Amarelo, trabalhadores escavavam as fundações de uma fábrica moderna sem imaginar que retiravam do chão a terra que os separava da pré-história de seu povo. Ali, sob sedimentos acumulados por mais de 6 mil anos, eles encontrariam indícios de que a Cannabis já fazia parte daquele cotidiano da idade da pedra: peças de cerâmica caprichosamente decoradas com marcas de tramas feitas de fibras de Cannabis. O achado arqueológico sugere que a Cannabis era usada na tecelagem rudimentar e na confecção de cordas e redes de pesca pelos ancestrais dos chineses. Outros sítios arqueológicos espalhados pela China e na Ilha de Taiwan revelaram que ao longo dos séculos a versatilidade dos usos da Cannabis tornou seu cultivo imprescindível para a vida nas vilas do leste asiático. Seus pequenos frutos se tornaram um dos mais importantes grãos usados na alimentação, e uma fonte primordial de óleo comestível e combustível. […] A qualidade das fibras da Cannabis também possibilitou aos chineses a invenção do papel.

Segundo o botânico e geógrafo russo Nicolay Vavilov (1887-1943), o homem primitivo experimentava todas as partes das plantas que pudesse mastigar, de forma que os brotos e inflorescências de variedades de Cannabis ricas em resinas aromáticas e pequenos frutos oleosos deveriam lhe parecer especialmente atraentes. Evidentemente, para aqueles que vieram a comer da planta, foi inevitável ingerir também os princípios psicotrópicos abundantes na sua resina, transformando a despretensiosa refeição numa experiência certamente inesquecível, com enormes consequências para a humanidade. Naquele contexto, os efeitos mentais da maconha teriam representado para esses coletores incautos nada menos do que um mergulho profundo em uma realidade completamente fora deste mundo, produzindo intensas sensações místicas.

….o homem antigo gradualmente aprendeu a reconhecer as propriedades farmacológicas das plantas por tentativa e erro, experimentando-as. Esse tipo de conhecimento empírico foi sendo adquirido e preservado pelos antigos xamãs asiáticos. […] Em 2006, foi encontrada na divisa entre China, Mongólia e Rússia a tumba de um xamã que viveu a cerca de 2.500 anos. Com ele foi enterrada, além de um instrumento musical, uma cesta de ouro contendo um farto suprimento de brotos e inflorescências de maconha que, devido ao frio, ainda presevavam um alto teor de canabinóides. Para xamãs como este, as propriedades psicotrópicas e medicinais dos mais diversos princípios da natureza, inclusive a maconha, eram sagradas e constituíam valiosas ferramentas farmacológicas necessárias ao ofício diário de diminuir as dores do corpo e dialogar com as diferentes dimensões da consciência.

A mais antiga farmacopéia (enciclopédia de medicamentos) do mundo, o Pen-ts’ao ching, foi escrita no primeiro século depois de Cristo a partir da compilação desse conhecimento tradicional, passado de geração em geração. […] A maconha era ali indicada para o tratamento de dor reumática, constipação, problemas femininos associados à menstruação, beribéri, gota, malária e falta de concentração…

O grego Heródoto (484-425 a.C.) nos legou em sua História o mais vívido e explícito relato que existe sobre os efeitos psicoativos da maconha na antiguidade. Segundo este relato, como parte de um ritual de purificação após enterrarem seus mortos, os citas entravam em uma tenda no centro da qual colocavam um caldeirão de bronze contendo pedras aquecidas. ‘Os citas então jogam as sementes de maconha nas pedras em brasas: as sementes queimam como incenso e produzem um vapor tão denso que nenhuma sauna grega poderia superar. Ao se deliciarem com esses vapores, os citas uivam como lobos’. […] A Cítia eventualmente desapareceu como nação, mas seus descendentes se espalharam pela Europa oriental, legando costumes presentes até hoje no folclore dessa região, sobretudo no norte dos Bálcãs, onde, por ex., se toma sopa com sementes de Cannabis no dia de ano-novo.O filósofo grego Demócrito, contemporâneo de Heródoto, relatou que ‘a maconha era bebida ocasionalmente, misturada com mirra e vinho, para produzir um estado visionário’. […] “…o uso médico e religioso da maconha sob a forma de uma bebida chamada bhanga já fazia parte da cultura dos persas na época de Heródoto… a bhanga teria a capacidade de revelar aos mortais os mais altos mistérios.

É bem possível que os hebreus já soubessem da existência da maconha antes mesmo de sua fuga do Egito, tendo em conta que os historiadores acreditam que o êxodo descrito no velho testamento possa ter ocorrido durante ou pouco antes do reinado do faraó Ramsés II (1195-1164 a.C.), o qual provavelmente conhecia muito bem os efeitos da maconha, conforme se pôde constar pela grande presença de canabinóides nos cabelos de sua múmia.

Em nenhuma outra civilização a maconha teve um prestígio religioso e medicinal tão expressivo quanto na Índia. De acordo com o Vedas, conjunto de textos que compõem as bases filosóficas do Hinduísmo, os deuses teriam mandado a maconha ao homem para que este pudesse alcançar mais coragem, libido e prazer. Uma fábula conta que, em um dia ensolarado, Shiva, o deus mais importante do Hinduísmo, estava aborrecido por causa de um desentendimento com sua família e saiu sozinho para caminhar nos campos, até que resolveu buscar proteção do sol sob a sombra de um majestoso arbusto de maconha. Curioso a respeito da planta que lhe dera abrigo, Shiva comeu de suas folhas e se sentiu tão revigorado que adotou a planta como sua favorita. […] Um livro sagrado escrito entre 2000 e 1400 a.C. reconhece a propriedade que a maconha tem de aliviar a ansiedade. O Vedas também se refere à maconha, uma das cinco ervas sagradas do Hinduísmo, como sendo uma fonte de alegria, regozijo e liberdade.

Diz uma lenda da corrente mahayana do Budismo tibetano que Siddharta Gautama, a primeira encarnação de Buda, se alimentou exclusivamente de sementes de maconha, uma por dia, durante os seis anos de preparação que precederam sua chegada ao Nirvana. Já na tradição do Budismo Tântrico… a maconha é utilizada para facilitar a meditação e potencializar as percepções sensoriais envolvidas em cada aspecto das cerimônias tântricas. Nos ritos sexuais, uma boa quantidade de bhang é ingerida com antecedência, de forma que os efeitos potencializadores dos sentidos coincidam com o auge da prolongada cerimônia sexual cujo objetivo final é o de alcançar a comunhão espiritual com a deusa Kali.

Foi somente por consequência da ocupação britânica da Índia, já no século XIX, que a Europa veio a tomar contato com as propriedades medicinais da maconha…. seu uso se espalhou pela Europa e EUA de tal forma que, já nas primeiras décadas do século XX, dezenas de remédios à base de maconha estavam sendo produzidas pelos mais importantes laboratórios farmacêuticos, sendo recomendadas pelos médicos para os mais variados problemas, incluindo: enxaquecas, dor-de-dente, cólicas menstruais, hemorragia menstural e pós-parto, risco de aborto, úlcera gástrica, indigestão, inflamação crônica, reumatismo, eczema, estímulo do apetite e tratamento de anorexia.

Paralelamente, contudo, desenvolviam-se vacinas e antibióticos contra doenças infecciosas, além de novos remédios com indicações mais específicas, que passaram a ser de maior interesse para a indústria farmacêutica do que aqueles com efeitos múltiplos, como os que continham extrato de maconha… Finalmente, em 1941, a maconha saía oficialmente das páginas da farmacopéia norte-americana para figurar nas páginas policiais daquele país.

…O uso da maconha foi consagrado como símbolo do pacifismo hippie e da defesa das liberdades individuais, estabelecendo-se a partir de então como um ícone da cultura pop norte-americana. Em 1980, nada menos do que 68% dos norte-americanos já haviam experimentado a maconha ao menos uma vez.

No Brasil, escravos e campesinos usavam-na socialmente no final do dia de trabalho, quando se reuniam de forma quase ritualística para relaxar em rodas de fumo… a planta era fumada para facilitar o transe místico… Mas o efeito relaxante da maconha não era visto com bons olhos por patrões e senhores de escravos. […] O uso da maconha passou a ser combatido como vício pela elite econômica […] e sofreu perseguição de cunho fortemente racista, e sua proibição eventualmente passou a servir de pretexto para a opressão de indivíduos de origem africana que, sobretudo após a abolição da escravatura, eram vistos pelos brancos como uma parcela perigosa da população.
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Um aspecto que distingue a maconha de muitas outras plantas medicinais é o conjunto de efeitos mentais que seu uso provoca. As relações milenares do homem com a Cannabis certamente decorrem de estados psicológicos prazerosos associados a seu consumo, e da possibilidade de obter tais efeitos de forma rápida e transitória. A maconha em doses não excessivas geralmente provoca uma experiência de alteração mental livre de náusea, vômito, diarréia, dor de cabeça, pânico, fortes alucinações ou perda de consciência. O ‘barato’ causado pela maconha, embora não seja normalmente estudado por ser valor terapêutico, está associado à melhora do humor, à redução da ansiedade e à sedação moderada, qualidades desejáveis no tratamento de diversas doenças.

Contudo, se é certo que muitos dos efeitos psicológicos da maconha estão direta ou indiretamente relacionados aos seus usos terapêuticos, também é certo que o interesse do homem por eles vai muito além da esfera medicinal. Assim, em diferentes tempos e culturas, as propriedades psicoativas da maconha têm sido utilizadas para finalidades religiosas, artísticas e recreativas.

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Um dos efeitos imediatos mais mencionados é o alívio do estresse mental e físico. […] De forma geral, a maconha funciona como um ansiolítico, causando um relaxamento que é frequentemente acompanhado da sensação de bem-estar e euforia, muitas vezes evidenciada por longos acessos de gargalhadas. Aumentam também a sensação de paz interior e empatia, facilitando as interações interpessoais. É comum ainda a alteração na percepção do tempo, que parece passar mais lentamente.

As emoções e percepções se intensificam, aprofundando a apreciação estética, lúdica e sensual dos sentidos. A percepção visual se enriquece, sendo marcada por cores mais vibrantes, com diferentes nuances, contornos que se destacam  com mais clareza do fundo e variações mais nítidas de luz e sombra, realçando a percepção da tridimensionalidade. Assim, elementos visuais sutis ganham vivacidade sob efeito da maconha, permitindo ao usuário enxergar com clareza texturas, padrões, formas e estruturas complexas que não lhe seriam perceptíveis sem o uso da droga.

Com relação à audição, os relatos frequentes dos usuários indicam que a maconha aumenta a acuidade auditiva, facilitando, por exemplo, a percepção de mudanças sutis de ritmos, timbres e notas musicais. É facilitada também a identificação das palavras cantadas e de cada instrumento tocado e a separação espacial dos instrumentos se torna mais clara.

[…] Sob efeito da maconha o raciocínio muitas vezes adquire mais velocidade e fluidez, resultando em associações mais flexíveis de conceitos, idéias e emoções. Além disso, imagens mentais ganham maior vividez. Se por um lado esses efeitos favorecem a criatividade e a elaboração de metáforas, por outro lado, sobretudo em usuários pouco experientes, dificultam o raciocínio lógico e objetivo.  […] Tais alterações na forma de pensar, associadas aos efeitos relaxantes e ao aumento da capacidade imaginativa, certamente contribuem para um aprofundamento da instrospecção reflexiva.

Se por um lado a maconha diminui a ocorrência de sono REM e por extensão diminui efetivamente a oportunidade de sonhar, seus efeitos sobre a vigília são de certa forma oníricos, promovendo um afrouxamento perceptual e lógico que é descrito por muitos usuários como similar ao sonho. Vista por esse lado, a ação da maconha seria a redução do sonho noturno (night-dream) e o aumento da divagação da vigília (day-dream). Seu uso facilita o processo criativo e a geração de insights. Além de ser um poderoso estimulador do apetite, a maconha é também utilizada como relaxante ou mesmo como afrodisíaco.

O aprofundamento geral da experiência sensorial enriquece a apreciação e produção das artes, fazendo da maconha uma droga especialmente utilizada  pelos que vivem da sensibilidade artística. Não é por acaso que o cantor e compositor de reggae Peter Tosh, líder (assim como Bob Marley) do movimento Rastafari globalizado nos anos 1970, afirma em seu hino pela legalização da maconha (Legalize It) que a maconha é usada por muitos na sociedade, como juízes e médicos, mas começa sua lista pelos cantores e instrumentistas.

Além de favorecer a veiculação de emoções através das artes e estimular a comunicação verbal, a maconha também favorece estados de baixa ansiedade, como a contemplação lúdica, a introspecção, a empatia e o transe místico.

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alguns documentários cannábicos de alta instigância:

Milênios de Uso Medicinal; Décadas de Proibição Autoritária…

“Maconha serve de remédio deste sempre. O primeiro tratado de ervas medicinais que se conhece, o Pen Tsao, concebido há 4.700 anos na China, já inclui referência destacada à cannabis, e há registros de usos médicos em praticamente todas as civilizações antigas. Extrato de cannabis era remédio na Índia desde a Antiguidade e, quando os ingleses chegaram lá, logo descobriram suas virtudes medicinais. Por isso, o Império Britânico exportava extrato de cannabis, que era vendido em farmácias do mundo todo, e provavelmente foi o anestésico mais usado contra dor de cabeça até o século XIX, quando a aspirina foi inventada.”<br /><br /><br /> “No México, faz séculos que é usada por curandeiras nas comunidades rurais, como parte importante da tradicional medicina à base de ervas, indicada para várias doenças, entre elas glaucoma e bronquite.”“A planta foi [na história da humanidade, até o alvorescer do século XX e do proibicionismo fundamentalista…] também importantíssima na economia mundial, já que a fibra de seu caule, o cânhamo, era a principal matéria-prima de tecidos e papéis.  Tecidos de cânhamos foram empregados nas telas dos pintores da Renascença, nas velas dos barcos das Grandes Navegações e no papel da Declaração de Direitos que fundou os Estados Unidos da América.”<br /><br /><br /> “Era, talvez até mais que o trigo, uma planta em relação simbiótica com a humanidade, cultivada por muitos povos e utilizada para os mais diversos fins. Era também uma planta em coevolução com a humanidade, cujos genes refletiam as necessidades humanas, porque eram selecionados pelo homem.”DENIS RUSSO BURGIERMAN, ex-diretor de redação da revista Superinteressante (Editora Abril), em seu livro “O fim da Guerra: A Maconha e a Criação de um Novo Sistema Para Lidar com as Drogas” (Editora Leya, 2011).  LEGALIZE JAH! 

“Maconha serve de remédio deste sempre. O primeiro tratado de ervas medicinais que se conhece, o Pen Tsao, concebido há 4.700 anos na China, já inclui referência destacada à cannabis, e há registros de usos médicos em praticamente todas as civilizações antigas. Extrato de cannabis era remédio naÍndia desde a Antiguidade e, quando os ingleses chegaram lá, logo descobriram suas virtudes medicinais. Por isso, o Império Britânico exportava extrato de cannabis, que era vendido em farmácias do mundo todo, e provavelmente foi o anestésico mais usado contra dor de cabeça até o século XIX, quando a aspirina foi inventada.”

“No México, faz séculos que é usada por curandeiras nas comunidades rurais, como parte importante da tradicional medicina à base de ervas, indicada para várias doenças, entre elas glaucoma e bronquite.”

“A planta foi [na história da humanidade, até o alvorescer do século XX e do proibicionismo fundamentalista…] também importantíssima na economia mundial, já que a fibra de seu caule, o cânhamo, era a principal matéria-prima de tecidos e papéis.  Tecidos de cânhamos foram empregados nas telas dos pintores da Renascença, nas velas dos barcos das Grandes Navegações e no papel da Declaração de Direitos que fundou os Estados Unidos da América.”

“Era, talvez até mais que o trigo, uma planta em relação simbiótica com a humanidade, cultivada por muitos povos e utilizada para os mais diversos fins. Era também uma planta em coevolução com a humanidade, cujos genes refletiam as necessidades humanas, porque eram selecionados pelo homem.”

DENIS RUSSO BURGIERMAN, ex-diretor de redação da revista Superinteressante (Editora Abril), em seu livro “O fim da Guerra: A Maconha e a Criação de um Novo Sistema Para Lidar com as Drogas” (Editora Leya, 2011).

LEGALIZE JAH!